Arquivo de Nairo Quintana - Fair Play

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Fair PlayAgosto 26, 20209min0

Apostar num Top 10 final de uma grande volta é sempre ingrato. No Tour, o falhanço pode ser tal que o risco de ser vergonhoso é grande. Ainda assim, o Fair Play arrisca, e numa experiência de artigo conjunto dos três editores do ciclismo, apresenta três hipóteses de Top 10 debatendo e justificando as escolhas.

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Davide NevesAgosto 19, 20185min0

Chegamos à ultima grande volta de 2018. A Vuelta assume-se como o derradeiro objetivo da temporada para muitas das equipas (Movistar à cabeça). Assim, o Fair Play aborda aqui alguns dos ciclistas que se perfilam como líderes para a Vuelta. Faltam 6 dias!

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Davide NevesMaio 29, 20177min0

Tom Dumoulin venceu mesmo. O holandês, que andou 10 dias de camisola rosa, mostrou todo o trabalho do último ano e meio: melhorou na montanha e continuou o monstro que é nos contrarrelógios. Resultado? Primeira grande volta da carreira.

A Centésima edição do Giro d’Italia foi também aquela que mais emoção trouxe: já há muitos anos que os três primeiros do pódio não terminavam com apenas 40 segundos a separá-los. Nairo Quintana (Movistar) perdeu o Giro d’Italia por 250 metros. Quase que parece injusto. Mas não o foi. Já Tom Dumoulin (Sunweb), mesmo com paragens forçadas por forças “gástricas”, acabou por levar o primeiro Giro para a Holanda, que ontem sorriu por duas vezes. O Fair Play já tinha dado conta, nos dois anteriores pontos de situação (o primeiro, referente aos primeiros dias, o segundo, referente às duas semanas seguintes), que Bob Jungels (Quick-Step), primeiro, e Dumoulin, depois, estavam fortes, e com capacidade para mostrar a sua valia para com as suas equipas. Já sabemos o que o holandês venceu, mas o luxemburguês levou, pelo segundo ano consecutivo, a camisola branca, da juventude, para casa. Mas isso fica para mais tarde neste balanço. Vamos primeiro ao que aconteceu na última semana do Giro d’ Italia.

Passo dello Stelvio… no WC

Tom Dumoulin teve uma chamada da natureza. Perdeu mais de dois minutos neste dia.
Foto: The Sun

Na etapa-rainha do Giro, tivemos também um momento insólito: o líder Dumoulin parou… para evacuar. Algo que não acontece todos os dias numa prova destas dimensões. Esta paragem relançou o Giro, e Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) mostrou todos a sua técnica na descida, para vencer, dando a primeira (e única) vitória à Itália.

Na etapa seguinte, a fuga levou a melhor, com Pierre Rolland (Cannondale-Drapac) a vencer, quebrando um longo jejum de vitórias em grandes voltas. O segundo lugar coube ao português Rui Costa (UAE Team Emirates), que repetia o segundo posto pela segunda vez na prova. Uma etapa que não causou calafrios aos homens da geral, com a exceção de Jan Polanc (UAE Team Emirates), que subia ao top-10.

A etapa 18 viu Tejay van Garderen (BMC) a celebrar. O norte-americano, que desistiu de lutar pela geral, conseguiu pelo menos a vitória numa etapa, e começa a perceber que poderá não ter pernas para ser líder de equipa para três semanas. Quanto à Geral, Thibaut Pinot (FDJ), Domenico Pozzovivo (AG2R La Mondiale) e Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) mostravam que estavam na luta pelo pódio.

A camisola rosa muda de dono

A etapa 19 coincide com a recuperação de Quintana. O colombiano, apoiado por outros candidatos, ganharam tempo a Dumoulin e começava-se a acreditar que a vitória não iria para a Sunweb. Nairo Quintana recuperava assim a camisola rosa. Quanto à etapa, Mikel Landa venceu, deixando Rui Costa (novamente) no segundo lugar.

A etapa 20 era a mais importante até à altura. Se Quintana ganhasse qualquer coisa como um minuto a Dumoulin, venceria o Giro pela segunda vez. Ganhou-lhe apenas 15 segundos, e deixava a “maglia rosa” nas mãos (ou nos pedais) daquele que é, muito provavelmente, o melhor contrarrelogista do mundo. E a última etapa assentava muito bem no holandês.

Última etapa do Giro. Dumoulin partia como provável vencedor, e confirmou todo o favoritismo, mas não sem levar com a luta de Nairo Quintana, que fez, provavelmente, o melhor contrarrelógio da sua carreira. Mas não foi suficiente para derrotar o xerife. A vitória de etapa coube ao também holandês Jos van Emden (Lotto Jumbo). Dupla vitória para a Holanda, num domingo recheado de dobradinhas.

As classificações

Na geral, o pódio ficou fechado com os três favoritos, com Thibaut Pinot relegado para o quarto lugar, e Ilnur Zakarin a fechar o top-5. O resto do top-10 traduziu-se em Pozzovivo, Bauke Mollema (Trek-Segafredo), Bob Jungels, Adam Yates (Orica-Scott) e Davide Formolo (Cannondale-Drapac). Destaque também para os surpreendentes Jan Polanc (11º lugar) e a sensação Jan Hirt (CCC), que arrebatou o 12º lugar. Menções honrosas para Maxime Monfort (Lotto Soudal) e Patrick Konrad (Bora-Hansgrohe), 13º e 16º da geral, respetivamente.

A classificação geral
(Foto: ProCyclingStats)

No que diz respeito à camisola de montanha e à camisola de pontos, Mikel Landa (Sky) levou um pouco de justiça para a equipa, ao ser o rei da montanha e a terminar na 17ª posição da geral. Já Fernando Gavíria confirmou todo o seu potencial, e a juntar às múltiplas vitórias de etapa, levou também a camisola de pontos.

As classificações de pontos (em baixo) e de montanha (em cima).
(Foto: ProCyclingStats)

A camisola da juventude ficou com Bob Jungels, ao bater Yates no contrarrelógio. Formolo fechou o pódio. A camisola de equipas ficou com a Movistar, a melhor equipa da prova.

As classificações de equipas e da juventude.
(Foto: ProCyclingStats)

Os portugueses

José Mendes, a envergar a camisola de campeão nacional.
(Foto: Jornal Record)

Num Giro d’Italia com 3 portugueses, nenhum fez má figura, com os três segundos lugares de Rui Costa e com o excelente trabalho de José Mendes (Bora-Hansgrohe) e de José Gonçalves (Katusha-Alpecin), no apoio aos seus líderes.

No caso do ex-campeão do mundo, notou-se que poderia ter feito melhor, nomeadamente na etapa 17, depois do excelente trabalho da sua equipa.

Num Giro recheado de emoções, o Fair Play fez o resumo de todas as etapas, levando uma informação atualizada aos seus leitores. Assim, elevámos a fasquia e vamos lançar, esta quarta-feira, uma entrevista com um ciclista português, de World Tour. De Vila Nova de Famalicão para o mundo do ciclismo. Conseguem adivinhar quem é? Nós damos uma pista: correu ao lado do grande Fabian Cancellara.

O mês de Junho está cheio de ciclismo e o Fair Play irá acompanhar o Critérium du Dauphiné e o Tour de Suisse, bem como a antevisão do Tour de France, no fim do mês.

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Davide NevesMaio 22, 20177min0

Chegou um xerife novo ao pelotão internacional. É holandês, tem 26 anos e dá pelo nome de Tom Dumoulin. E vejam a forma como ele tem controlado as etapas, desde que assumiu a ‘maglia rosa’, no contrarrelógio da etapa 10, no dia 16.

O Giro tem sido dominado por duas nações, desde o seu início: a colombiana, com Gavíria (Quick-Step Floors) e Quintana (Movistar); a holandesa, com Tom Dumoulin (Team Sunweb). O mais incrível ainda é o facto de a nação da casa, a Itália, ainda não ter qualquer vitória de etapa no centenário da sua prova. Histórico. Ainda assim, os italianos não baixam os braços e esperam que, nesta última semana, um compatriota vença. E que seja, de preferência, Vincenzo Nibali (Team Bahrain Merida).

No primeiro ponto de situação que fizemos, aquando da despedida dos ciclistas da ilha da Sardenha, Gavíria era líder da classificação geral, naquele dia fantástico onde Bob Jungels dizimou por completo o pelotão. A ação recomeçou numa etapa que terminava no Etna, o famoso vulcão. E aí, Jan Polanc (UAE Team Emirates) venceu, depois de ter estado na fuga. A camisola rosa, aí, passou para Bob Jungels. As etapas seguintes tiveram Fernando Gavíria, Silvan Dillier (BMC) – com o suíço da  BMC em fuga – Caleb Ewan (Orica-Scott) e Gorka Izagirre (Movistar), também em fuga.

Quintana vestiu de rosa no topo do Blockhaus. Durou um dia com a ‘maglia rosa’. Fonte: Bettini Photo (via Cycling News)

A etapa 9 marca o início das hostilidades. Com chegada no Blockhaus, esperava-se uma etapa onde os grandes candidatos à geral se mostrariam, procurando desde logo ganhar vantagem sobre os demais. Assim, Nairo Quintana venceu a etapa, ao bater Thibaut Pinot (FDJ) e Dumoulin, com Nibali a ficar a 1 minuto do colombiano. Foi aqui também,  na tarde de domingo, que começou o pesadelo da Sky: com uma queda enorme no início da subida, Geraint Thomas e Mikel Landa ficaram para trás, bem como Adam Yates (Orica-Scott) ou Wilco Kelderman (Team Sunweb). O holandês acabaria mesmo por abandonar, bem como Thomas, mas apenas uns dias depois.

O ponto de viragem

Tom Dumoulin ‘voava’ para vestir de rosa.
Foto: Tim de Waele |TDWsport.com

A etapa 10 era de contrarrelógio individual, com os ciclistas a terem de fazer quase 40 quilómetros. E aqui apareceu Tom Dumoulin, a ganhar com grande classe, deixando rivais diretos como Nibali a dois minutos ou Quintana a quase três! A partir daí, o holandês nunca mais largou a camisola rosa.  Na etapa seguinte tivemos um vislumbre bem grande de Rui Costa (UAE Team Emirates), que figurou na fuga do dia, terminando a etapa em segundo lugar, apenas atrás de Omar Fraile (Dimension Data). As etapas 12 e 13 confirmaram a entrega da camisola de pontos a Fernando Gavíria, já que o colombiano venceu as duas etapas, ficando assim, para já, com 5 vitórias no Giro (e tem apenas 22 anos!).

Etapa 14. Chegada ao Oropa, uma das subidas mais difíceis do Giro d’Italia. Nairo Quintana atacou, procurando distanciar-se de Tom Dumoulin para reduzir a desvantagem que tem. No entanto, com o ritmo certo de Dumoulin, Quintana não só viu frustradas as suas hipóteses de ganhar tempo, como ainda perdeu para o holandês, que venceu a etapa. Algo que iria acontecer novamente no dia seguinte. Quintana isola-se, mas o grupo de Dumoulin acabaria por alcançar o colombiano, mas desta vez com a vitória a sorrir para Bob Jungels, com Quintana e Pinot ainda com o ‘prémio’ das bonificações.

As surpresas/confirmações

Tom Dumoulin: mostrou que está no Giro d’Italia para ganhar e, quem sabe, daqui uns anos ser um forte adversário para Chris Froome. Se aguentar bem o ritmo de alta montanha da última semana da prova, tem o contrarrelógio final para a confirmação.

Ilnur Zakarin: o russo já tinha mostrado excelentes indicações no passado, e mesmo com o azar da primeira semana do Giro (algumas quedas e furos), ocupa a quinta posição da geral.

Bob Jungels: tal como no ano passado, já envergou a camisola rosa, já ganhou etapas, e tem um bónus, tal como Dumoulin de a última etapa ser no seu tipo de etapa favorito.

Fernando Gavíria: apenas uma palavra para ele: fenomenal. Com uma capacidade e com um pulmão fantástico, leva cinco vitórias, a camisola de pontos, e o estatuto de um dos melhores sprinters do mundo. Kittel que se cuide!

Jakub Mareczko: o jovem sprinter da Wilier-Trestina tem estado em excelente forma, com a conquista de dois pódios. Aposta de futuro.

As desilusões

Vincenzo Nibali: não aparenta estar em forma, e isso notou-se nas duas etapas mais duras da prova até ao momento, ao não conseguir acompanhar o ritmo dos rivais diretos. Tem as esperanças de um país nos seus ombros.

Tejay van Garderen: perdeu bastante tempo, e agora só lhe resta lutar por uma etapa. Desapontante para o líder da BMC, que já foi 5º classificado no Tour de France.

Caleb Ewan: não conseguiu superar Gavíria, e sai do Giro (já abandonou) com uma vitória apenas. Ainda é jovem, e tem o Tour em mente. Mas lá a competição é outra…

André Greipel: situação idêntica à de Ewan: abandonou com apenas uma vitória. Sabe a pouco para um ciclista como Greipel. Mas o Tour também é objetivo. Ainda vestiu de rosa…

Classificações

Geral

  1. Tom Dumoulin (Team Sunweb)                       63:48:08
  2. Nairo Quintana  (Movistar)                                    +2:41
  3. Thibaut Pinot (FDJ)                                                   +3:21
  4. Vincenzo Nibali (Bahrain Merida)                         +3:40
  5. Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin)                            +4:24
  6. Bauke Mollema (Trek-Segafredo)                           +4:32
  7. Domenico Pozzovivo (AG2R La Mondiale)            +4:59
  8. Bob Jungels (Quick-Step Floors)                              +5:18
  9. Andrey Amador (Movistar)                                      +6:01
  10. Steven Kruijswijk (LottoNL-Jumbo)                        +7:03

17. Rui Costa (UAE Team Emirates)                             +16:52

45. José Mendes (Bora-Hansgrohe)                              +54:57

68. José Gonçalves (Katusha-Alpecin)                       +1:15:01

Pontos

  1. Fernando Gavíria (Quick-Step Floors)    325 pts.
  2. Jasper Stuyven (Trek-Segafredo)             192 pts.
  3. Sam Bennet (Bora-Hansgrohe)                 117 pts.

Montanha

  1. Tom Dumoulin (Team Sunweb)                  51 pts.
  2. Omar Fraile (Dimension Data)                    49 pts.
  3. Jan Polanc (UAE Team Emirates)                46 pts.

Juventude

  1. Bob Jungels (Quick-Step Floors)                  63:53:26
  2. Adam Yates (Orica-Scott)                                    +2:25
  3. Davide Formolo (Cannondale-Drapac)            +2:51

Equipas

  1. Movistar Team                                               191:44:22
  2. Astana Pro Team                                                   +5:52
  3. UAE Team Emirates                                            +20:19

 


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