Arquivo de Judo - Fair Play

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João CamachoJulho 10, 20204min0

O tapete foi posto e os judocas já começaram a combater sobre ele, sendo um regresso positivo da modalidade em Portugal! As novidades e reflexões de João Camacho em relação à actualidade do judo português

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João CamachoAbril 7, 20206min0

Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 2021

A pandemia de Covid-19 marcará a história dos jogos Olímpicos da época moderna. Depois dos cancelamentos dos jogos Olímpicos de 1916 (devido à primeira guerra mundial), de 1940 e 1944 (devido à segunda guerra mundial), a decisão de adiar os jogos Olímpicos de Tóquio para 2021 tardou, mas acabou por acontecer, desta vez por uma causa inesperada, a pandemia de Covid-19 que atualmente afeta o nosso planeta.

Devido às restrições impostas por muitos países, que levaram ao isolamento e quarentena da população, como consequência da pandemia de Covid-19, muitos atletas viram a sua preparação ser interrompida abruptamente, bem como diversas competições de apuramento para os jogos ser canceladas. A maior parte das modalidades ainda têm a janela de qualificação a decorrer, no Judo estava previsto o encerramento da janela de qualificação no final de Maio no Masters de Doha. Chegou a ser considerado um cenário, por parte da federação Internacional de Judo, em que seriam impedidos de participar os atletas onde a pandemia estaria a ter maior expressão, como por exemplo a Itália. Mas rapidamente esta abordagem, ou intenção, foi contestada e abandonada pois este impedimento, além de desvirtuar a verdade desportiva, colocaria os atletas destes países numa posição de desvantagem o que não seria aceitável. A interrupção do plano de preparação dos atletas, que inicialmente não foi transversal e não aconteceu em todos os países, pois a pandemia tinha níveis de restrições um pouco dispares na sua fase inicial, acabou por ser adotada por praticamente todos os países, o que colocou, desde logo, um enorme dilema: Como se apresentariam os atletas para o evento mais importante da sua carreira desportiva?

O Comité Olímpico Internacional e o governo Japonês tentaram, até à última, e em rigor muito além do que seria compreensível, manter a data de realização dos Jogos de Tóquio em 2020. A demora da decisão de adiamento deveu-se às implicações relacionadas com as alterações logísticas, compromissos publicitários e de patrocinadores, e, obviamente, à questão económica associada ao adiamento, que à data em que escrevo este artigo se prevê possa ter um impacto adicional no orçamento que poderá ultrapassar os 5.700 milhões de Euros.

Mas o que são os Jogos Olímpicos sem os Atletas? Inacreditavelmente, nesta indecisão quanto ao adiamento foram claramente a variável do complexo algoritmo associado à realização de um evento desta magnitude que ficou para trás. A situação era a de milhares de atletas confinados às suas habitações, sem as condições exigíveis para um atleta de alto rendimento treinar. É que, por muitos esquemas e planos de treino preparados pelos melhores especialistas de condição física (porque pouco mais se pode treinar quando se está confinado ou isolado numa habitação), falta o treino no ambiente de cada modalidade, no caso do Judo falta o tapete, a luta, os randori (treino livre de luta-combate), para não falar de desportos como a natação, ou os diversos desportos coletivos que fazem parte do programa Olímpico.

Foto: Olympic Games

Despedida adiada

Telma Monteiro, atleta que anda há muito anos na alta-roda do Judo, anunciou que terá a sua “despedida Olimpica” em Tóquio, naqueles que serão os seus quintos Jogos, o que é notável e prova da enorme qualidade desta atleta. A medalha de Bronze, brilhantemente conquistada no Rio de Janeiro em 2016, tira alguma pressão à campeã que é uma das maiores referências da história do Judo Português, no entanto, o adiamento dos jogos para 2021 apresenta, desde logo, um novo desafio a Telma, e certamente a muitos outros atletas como por exemplo Joana Ramos, que vê adiada a sua prestação em um ano, o que poderá trazer alguns desafios, pois apesar de estar dentro da lista de qualificação, ainda não tem a presença garantida e, dada a sua veterania, o adiamento irá seguramente ter impacto na prestação e no momento de forma que apresentará daqui a uma ano, apesar de sabermos da sua qualidade e capacidade de trabalho.

Um atleta de alto rendimento em quarentena

Enquanto o Comité Olímpico Internacional não tomava a decisão final sobre o adiamento, muitos atletas, treinadores e clubes tentaram arranjar soluções para que os atletas continuassem a sua preparação em casa. Desafiante? Sem dúvida, mas o facto é que vimos muitos atletas a cumprir à risca rigorosos planos de treino e a ter especial atenção com a dieta alimentar, já que em alturas como esta é fácil cair em tentação e colocar em risco a forma conquistada com tanto sacrifício e empenho.

Foram muitas as tentativas de minimizar os inconvenientes das medidas de isolamento social impostas aos atletas. Tivemos diversos exemplos em que foram colocados em isolamento, mas em conjunto, em habitações com condições que permitiriam treinar e assim continuar a sua preparação. Não sendo, certamente, a opção ideal, sempre permitiria que os atletas continuassem focados, mantivessem rotinas de treino em grupo e tivessem condições mínimas para que não fosse interrompida a preparação para o momento mais alto da carreira de qualquer atleta que é a participação nuns jogos Olímpicos.

Campeonatos da Europa de Judo de 2021

Está previsto que Lisboa irá organizar os Campeonatos da Europa de Judo de 2021. Com a decisão da Federação Internacional de Judo e da União Europeia de Judo de cancelar todas as competições até ao final de Junho de 2020, os campeonatos da Europa de 2020, que iriam decorrer no início de Maio em Praga, na República Checa, foram suspensos e aguardam que seja definida uma nova data. Assim sendo, os Campeonatos da Europa de 2021 passarão a ter maior relevância, pois passarão a fazer parte das etapas pontuáveis para o Jogos Olímpicos. Caso se confirme a realização desta competição em Lisboa, esta terá vital importância e poderá ser um incentivo adicional para que os atletas Portugueses que ainda lutam por uma vaga consigam a tão ansiada qualificação. Contudo, na presente data ainda não é conhecida a decisão final, designadamente quanto às implicações do adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio, sendo que esta poderá passar por adiar os campeonatos previstos para 2020 em um ano, mantendo o local da realização, o que adiaria também os campeonatos da Europa de Lisboa para 2022.

Vivemos numa época única, desafiante, em que muito daquilo que tomámos como certo é agora uma incógnita. Será certamente um teste à resiliência e à capacidade de adaptação. Como canta a fadista Marisa, a tormenta passará, é preciso perder para depois se ganhar, no Judo e na Vida.

Foto: Câmara Municipal de Lisboa

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