Arquivo de Alemanha - Fair Play

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Pedro CouñagoSetembro 20, 20188min0

Sendo uma das principais ligas europeias, a Bundesliga marca-se por ser um poço de descobertas, reveleções e afirmações de jogadores.

Neste caso, o artigo foca-se em quatro jogadores, que têm dois pontos em comum: são atacantes e são de nacionalidade francesa. Numa seleção francesa que está em “estado de graça” e que tem um Olivier Giroud que tem a total confiança de Didier Deschamps, mesmo não sendo o jogador mais regular ou com melhores condições físicas, convém, no entanto, perceber que opções poderá o selecionador ter num futuro próximo ou a longo prazo, e a verdade é que quatro delas estão no campeonato alemão. A sua observação, pelo menos, é bastante relevante.

Além disto, todos são jogadores de importância para as suas equipas, em diferentes escalas de grandeza, e é isto que pretendemos expor.

Alassane Pléa

Este atacante é, possivelmente, o mais conhecido dos adeptos do futebol. O jogador de 25 anos já vinha, há algumas épocas, sendo uma das principais figuras de um Nice que ganhou alguma projeção europeia, protagonizando uma transferência milionária para o Borussia Monchengladbach neste verão.

É um avançado rápido, móvel e que dá sempre muitas dores de cabeça às defesas contrárias. Entrou bem em território alemão, com um hattrick na primeira eliminatória da Taça da Alemanha e com um golo decisivo a evitar a derrota frente ao Augsburgo na segunda jornada. Este é daqueles jogadores que, quando ganha confiança, pode realmente endiabrar-se e aprimorar ainda mais o seu futebol, portanto será um jogador a que as defesas contrárias devem ter uma atenção especial a anular e não dar muito espaço.

Pléa tem agora a oportunidade de mostrar que tudo aquilo que fez em Nice não foi por acaso (Fonte: Getty Images)

Tem todas as potencialidades de ganhar o seu espaço e ser uma das principais figuras da equipa, face a uma dupla de avançados Stindl/Raffael que vai já perdendo o fulgor de outros tempos, graças ao avançar da idade, e ainda graças a lesões mais recentes.

Pléa será o avançado em melhor posição para ganhar um maior destaque e será um sério caso a visionar num campeonato à sua medida.

Sébastien Haller

Haller, neste momento, representa a bóia de salvação num Eintracht de Frankfurt à deriva. O início de época da equipa de Frankfurt foi desastroso, muito longe do que fez em tempos recentes, como o Fair Play previu, com uma derrota por 5-0 para a Supertaça com o Bayern de Munique, a eliminação precoce da Taça da Alemanha, na primeira ronda, e apenas três pontos conquistados em nove possíveis no campeonato. O único ponto positivo tem mesmo sido o ponta de lança.

Sébastien lidera a tabela de marcadores com três golos marcados e tem sido o abono de família do Eintracht, revelando-se como o seu líder dentro de campo. Com 24 anos, já não se fazem muitos avançados como este, que, sendo alto e possante, é mortífero, de passada larga e arrasta consigo muitas movimentações, sendo rápido a consegui-lo.

Haller tem feito o seu trabalho, mas a sua equipa está longe do que consegue fazer (Fonte: Eintracht Frankfurt)

É verdade que a sua equipa piorou face à transata época, mas Haller tem mantido a cadência de marcação de golos, indo até tendencialmente aumentá-la (fez 13 em todas as competições em 17/18). É um jogador, neste momento, que parece ter capacidade de brilhar noutros voos, precisando, antes disso, de conseguir levar um barco instável a um porto seguro.

Se o conseguir fazer, poderá dar, mais um exemplo, de que nem todos os avançados que saem da Eredivisie (liga tendencialmente ofensiva) são flops e pouco adaptáveis ao estilo de jogo das diferentes ligas. A médio prazo, poderá ser uma opção interessante para a seleção, pois tem características que fazem falta a qualquer equipa e que podem decidir jogos.

Jean-Kévin Augustin

O atacante de vinte e um anos será, talvez, o nome mais excitante desta lista. Sair do PSG, no verão de 2017, foi talvez a melhor decisão que o atacante poderia ter tomado, pois nunca conseguiria ganhar a projeção que desejaria nem o tempo de jogo o favoreceria.

Além disso, o polivalente atacante foi parar a uma equipa que, claramente, fomenta a introdução de jovens nos seus quadros e que os molda à sua forma de jogar e de pensar. Tem-se notado uma clara evolução em termos de maturidade de Augustin, dando mais de si à equipa e revelando-se como um dos principais desequilibradores da frente de ataque do Leipzig.

O atleta marca, assiste, oferece situações de rotura e, não sendo um tradicional ponta de lança, funciona muito bem como um. Tem uma capacidade de aceleração e de drible acima da média, algo que lhe permite ter vantagem sobre os defesas e que se insere no futebol moderno.

Augustin sempre foi uma das principais figuras das seleções jovens francesas, através do seu talento e da sua irreverência, parece cada vez mais possível que possa confirmar o seu estatuto e, quem sabe, chegar à seleção principal mais cedo do que pensaria.

Augustin tem feito um percurso de bom nível em Leipzig (Fonte: Bancada)

Até lá, precisa de continuar a trabalhar no duro e de continuar a lutar por um lugar numa equipa onde ninguém tem lugar absolutamente garantido. O Leipzig, não estando com a mesma força do transato campeonato, é uma equipa forte, que impõe respeito, muito competitiva, pelo que os seus jogadores, se querem jogar, têm de ter uma atitude condizente.

O futuro parece ser risonho para Augustin, que começa a provar que o seu talento é real e que o seu potencial poderá ser alcançado. Um dia, o seu legado nas seleções jovens poderá ser retomado com uma estreia na seleção principal francesa. No entanto, terá de ter atenção aos atritos, visto que ainda recentemente teve uma atitude irrefletida, quando recusou ir à seleção de sub 21 por se encontrar cansado, algo que o fez ficar mal visto junto dos responsáveis desse escalão, nomeadamente o selecionador Sylvain Ripoll.

Jean-Phillipe Mateta

O último atacante da lista é aquele que mais representa uma incógnita, em parte por se ter transferido neste verão, por ser o nome menos conhecido dos quatro e por ser o que menos provou até agora na sua carreira. Aos 21 anos, e não tendo conseguido afirmar-se no Lyon, transferiu-se para o Mainz, uma equipa que lhe permitirá ter mais oportunidades e que lhe permitirá progredir.

Mateta pode ser o matador que o Mainz já procurava há algum tempo (Fonte: Bundesliga)

Mateta é o jogador que parece ter a via mais dificultada para uma subida substancial na carreira, faltando-lhe ainda adquirir um pouco mais atitude e ter mais entrega ao jogo. Na linha de Sébastien Haller, é um jogador bastante possante, que consegue segurar bem a bola, mas falta-lhe melhorar o seu tempo de decisão.

Mateta, dos quatro atletas, é também aquele que praticamente não tem nenhum currículo a nível de seleção francesa, além de 3 internacionalizações nos sub 19. Tem ainda um longo caminho a percorrer, veremos o que consegue alcançar nesta temporada, numa equipa que lhe dá a oportunidade de ser o líder do ataque e que precisa de golos para não ter o “credo” na boca como na passada temporada, com o fantasma da descida de divisão a ser bem real.

Quatro atacantes franceses têm diferentes objetivos e diferentes perspetivas. Vejamos qual (quais) dele(s) consegue(m) corresponder às expectativas em si depositadas, com a certeza de que estão num campeonato que se marca pela aquisição de valores e competitividade, algo que apenas os pode ajudar a progredir enquanto elementos decisores das suas equipas.

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Pedro CouñagoJunho 1, 20184min0

A Alemanha surge neste certame como a defensora do título, como a seleção que mais tem a perder se a campanha não lhe correr pelo melhor. Surge, naturalmente, como uma das principais favoritas à conquista do troféu mais desejado do mundo, tal é a qualidade do seu plantel.

Trajeto

Mais uma vez, a Alemanha fez uma caminhada irrepreensível até ao Mundial da Rússia, uma caminhada completa apenas com vitórias e um recorde de golos (43!) naquilo que toca a qualificações europeias. Além disso, sofreu também apenas 4 golos, o que atesta a sua qualidade no processo defensivo.

A Mannschaft é uma verdadeira máquina trituradora. Não é, por defeito, uma equipa extremamente ofensiva, mas é, sim, uma equipa que sabe jogar com as fragilidades dos adversários e, quando tem a oportunidade de desferir o golpe letal, não a desperdiça.

Equipa

O plantel de Joachim Low está recheado de talento, seja em que setor do campo for. O selecionador tem também aqui uma boa oportunidade de conseguir um feito histórico, isto quando chega ao certame depois da sua renovação de contrato até 2021.

Em termos táticos, a equipa tanto pode jogar num 3-5-2 como num 4-5-1, tendo a capacidade de se reinventar consoante as necessidades do jogo e a estratégia adversária. Será, ainda assim, mais previsível que a equipa jogue no 4-5-1, com os laterais titulares a serem bastante claros (Hector e Kimmich), sendo que este será, presumivelmente, o ponto mais fraco da equipa, e os centrais a estarem de pedra e cal no onze (Hummels e Boateng). Na baliza, permanece a dúvida entre a eterna lenda Manuel Neuer e um guarda redes que tem estado em destaque e a subir o seu nível ao longo dos últimos tempos, Marc Andre Ter-Stegen.

O capitão da Alemanha está de volta, veremos se ao onze inicial (Foto: Osun Defender)

No meio campo, a profundidade que jogadores como Gundogan, Emre Can, Toni Kroos, Sami Khedira e Goretzka garantem faz com que as equipas adversárias não possam propriamente esperar com certezas com o que contam além de uma extrema qualidade com bola. Nas alas, Leroy Sané e Julian Draxler são os principais candidatos à titularidade, com Thomas Muller a poder ser também opção e, finalmente, Marco Reus a poder ter a oportunidade de brilhar na competição mais importante.

Todas estas opções dão enormes, mas excelentes, dores de cabeça, que permitem a Low mexer nas dinâmicas de jogo quando assim precisarem. A Alemanha tem tudo, verdadeiramente, para deixar os seus adversários sem soluções de resposta.

Na frente de ataque, Timo Werner é, cada vez mais, uma certeza para a próxima década da Mannschaft, estando ainda Mario Gómez pronto para qualquer eventualidade, ele que é um jogador que tem muita tarimba para estas ocasiões.

O onze provável

O onze da Alemanha é capaz de ser dos mais complicados de prever com toda a certeza. No entanto, tendo em conta aquele que tem sido o percurso da seleção e o histórico que grande parte dos jogadores tem na equipa, o seguinte onze parece ser o mais seguro de apostar:

Ter-Stegen; Joshua Kimmich, Jerome Boateng, Mats Hummels, Jonas Hector; Sami Khedira, Toni Kroos; Thomas Muller, Mesut Ozil, Leroy Sané; Timo Werner.

Este onze, no entanto, não é, de todo, uma garantia, com um ou dois lugares a serem os mais disputados, como o de guarda-redes, entre Neuer e Ter-Stegen, e de médio centro, entre Sami Khedira, Gundogan e Leon Goretzka, dependendo da estratégia a utilizar.

O onze provável da Alemanha (Foto: Build Lineup)

 


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