Arquivo de Alemanha - Fair Play

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Pedro CouñagoAgosto 12, 20197min0

No próximo fim de semana teremos o início da Bundesliga 19/20. No passado fim de semana tivemos já uma pequena previsão daquilo que as equipas poderão oferecer nesta temporada, devido à eliminatória da Taça da Alemanha.

Um dos campeonatos mais competitivos no mundo do futebol, algumas curiosidades surgem desde já para este início de temporada.

Borussia a todo o gás depois da vitória na Supertaça, conseguirá levar o ímpeto para um início à altura?

O Borussia de Dortmund é, de longe, a equipa que pode representar uma oposição feroz ao Bayern de Munique, que perdeu alguns jogadores e não contratou os suficientes para fazer face às necessidades, pelo menos por enquanto. Há uma semana, tivemos uma vitória do Borussia sobre o Bayern, que denotou o maior talento individual e capacidade de desiquilíbrio que os jogadores que vestem de amarelo e preto apresentam, com Jadon Sancho e Marco Reus à cabeça. Assim, o Borussia surge em boa posição para este início de campeonato.

Na transata temporada, a equipa do Westfalenstadion esteve perto de conseguir roubar o ceptro ao Bayern mas uma derrota por 5-0 frente ao rival deitou tudo a perder. É esperar que exista mais consistência e maior capacidade de responder adequadamente sob pressão. O primeiro jogo reserva um duelo com o Augsburgo, equipa que está com o orgulho ferido depois de uma derrota surpreendente para a primeira eliminatória da Taça da Alemanha frente ao SC Verl, da quarta divisão germânica. Em teoria, é um início à medida dos comandados de Lucien Favre.

Kai Havertz, um craque que permanece em Leverkusen e que é candidato a melhor jogador desta temporada

As comparações com João Félix têm sido bastante recorrentes, não só pelo talento como pelo seu valor de mercado, sendo os dois jovens alguns dos candidatos à sucessão dos extraterrestres no que toca à Bola de Ouro para os próximos largos anos. Havertz é um jogador que, pura e simplesmente, sabe fazer tudo em campo. A sua permanência em Leverkusen é, por si só, uma grande vitória para os comandados de Peter Bosz, visto que a saída para o Bayern de Munique esteve iminente (e que reforço ele seria para o Bayern).

Incrível potencial, incrível talento, incrível futuro lhe espera: a sentença dada a Kai Havertz (Foto: GiveMeSport)

A temporada passada foi uma de afirmação para o jovem germânico, a próxima pode ser uma de imposição da sua lei, uma em que ele se afirma de pedra e cal como o líder da equipa, uma que pretende voltar aos grandes palcos da Champions League. A pré-época não foi brilhante para os farmacêuticos, mas a primeira eliminatória da Taça da Alemanha deixou melhores indicações de um clube que terá Havertz a comandar todo o seu jogo ofensivo e que, a continuar a sua forma da passada temporada e com mais experiência, poderá ser um caso sério nas individualidades em destaque aquando do final da temporada.

Até onde pode ir o Leipzig de Nagelsmann?

Finalmente Julian Nagelsmann chegou a um dos projetos mais ambiciosos da Bundesliga. Não é um dos clubes mais amados na Alemanha, seja pelo dinheiro injetado pela Red Bull ou por não ter a mesma história de outros, mas a verdade é que se tem vindo a afirmar no topo do pelotão a seguir a Bayern e Borussia de Dortmund e será interessante acompanhar até que ponto poderá almejar a algo mais.

Já era conhecido há um ano que Nagelsmann seria treinador do Leipzig, com o treinador a garantir entretanto mais um campeonato seguro ao Hoffenheim, ainda que não tão positivo como em 17/18. Já o clube que Nagelsmann treina conseguiu um terceiro lugar que garante a fase de grupos da Champions.

Nagelsmann surgiu de rompante no panorama da alta roda do futebol alemão, há a curiosidade para perceber a sua capacidade num projeto mais ambicioso (Foto: Sportbuzzer)

Com as adições de Christopher Nkunku e Hannes Wolf para o meio campo ofensivo e a contratação em definitivo de Ademola Lookman para as alas, esta que suprime a transferência de Bruma para o PSV Eindhoven, as mexidas no plantel foram bastante residuais e com as ideias inovadoras do jovem treinador, as expectativas são bastante altas para a temporada 19/20. Timo Werner permaneceu por Leipzig, algo que parecia impensável, e liderará o ataque da equipa. Será, mais uma vez, interessante acompanhar até que ponto o Leipzig poderá incomodar os da frente, e as primeiras jornadas poderão ser uma boa oportunidade de a equipa se destacar desde logo, visto o profundo conhecimento que existe entre os jogadores da equipa, “apenas” se adiciona uma nova mentalidade, uma que gosta de ter a bola e de jogar de forma rendilhada.

Pela primeira vez, a rivalidade amistosa entre Hertha e Union Berlin trava-se na Bundesliga

O Hertha Berliner Sport-Club é já um habitué nestas andanças, ainda que esteja hoje longe de ter a mesma categoria que já teve no passado. As diferenças entre este clube e o 1. FC Union Berlin são evidentes em quase todos os aspetos.

O Hertha é um clube com estatuto de Bundesliga, enquanto o Union faz esta temporada a sua estreia na principal liga alemã. O Hertha joga no estádio olímpico alemão, um dos maiores do país e o mais imponente, enquanto o Union Berlin jogará num dos estádios com menor lotação do campeonato, que se destaca por receber os mais variados eventos, principalmente um na altura natalícia que junta os mais fiéis adeptos do seu clube. O Hertha foi fundado em 1892, enquanto o Union foi fundado em 1966.

As diferenças são imensas, e por isso mesmo é que será bastante interessante acompanhar o progresso de ambas as equipas nesta temporada na Bundesliga, até porque os dois clubes têm uma relação amistosa, quando tal não é muito comum entre equipas da mesma cidade. Será a primeira vez que uma equipa do lado oriental de Berlim (antiga Berlim Oriental, antes da queda do Muro) disputará a Bundesliga, visto que o Hertha sempre disputou competições do lado ocidental alemão, fazendo parte da antiga Berlim Ocidental. As diferenças expandem-se a quase toda a linha.

As ambições serão, portanto, distintas. O Hertha quererá fazer um campeonato tranquilo, lutando pela primeira metade da tabela da Bundesliga. Já o Union lutará com aquilo que tiver e não tiver para conseguir uma manutenção que seria um enorme motivo de orgulho para os seus apaixonados adeptos que, depois de muitas lutas sociais e depois de apoiarem um clube à beira da falência no passado, finalmente poderão vê-lo a jogar entre os grandes.

É a reedição de um duelo de dois clubes da capital com armas diferentes mas uma paixão inabalável pelo desporto rei (Foto: Tag24)

Existem outras questões que mereceriam análise, como o facto de o Bayern começar esta Bundesliga de forma algo imprevisível ou a curiosidade para perceber de que forma reagirá o Schalke 04 depois de uma temporada desastrosa, que o Fair Play previu atempadamente. No entanto, estes são os destaques que deixamos e esperemos que acompanhem e desfrutem de uma temporada emocionante do espetacular futebol germânico, como nós desfrutaremos!

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Pedro CouñagoJulho 17, 20196min0

Um dos clubes mais reconhecidos/apaixonantes na história do futebol alemão está de volta ao convívio entre os grandes, isto depois de apenas uma temporada na 2.Bundesliga, competição que venceu.

Uma vitória merecida e que é merecida por alguns atletas em específico

Desta forma, o Colónia conseguiu convencer os críticos, que apontavam a equipa como uma que tinha a obrigação de lutar pelo regresso imediato à Bundesliga, ao contrário do que, por exemplo, fez o Hamburgo, que terá de ficar, pelo menos, mais uma época a “penar” num campeonato que não equivale ao seu estatuto mas que se assemelha à sua capacidade atual.

A vitória do Colónia na 2.Bundesliga foi concretizada antes da última jornada e marcou o regresso imediato do histórico ao convívio entre os grandes (Foto: Bleacher Report)

Dois jogadores que mereceram, de sobremaneira, este regresso à elite são Timo Horn e Jonas Hector, dois históricos do clube que, mesmo bastante pretendidos por clubes de patamar superior, permaneceram junto da equipa quando ela mais precisava, renovando os seus contratos. No caso de Jonas Hector, até é algo mais raro na medida em que o jogador era dono e senhor da lateral esquerda da seleção germânica e, tendo clubes de maior patamar interessados em si, optou por ficar em Colónia.

Ataque bem apetrechado, defesa a precisar de reparos

Destaquemos o ataque mortífero da equipa na passada temporada, que marcou 84 golos em 34 jogos, um registo muito bom num campeonato tão competitivo. Para tal, muito contribuíram Simon Terodde, que fez balançar as balizas adversárias por 29 vezes, e Jhon Córdoba, que marcou por 20 vezes. Portanto, até pelo entrosamento entre os atacantes, este não é um setor que precise de ser reforçado. Além destes dois, há ainda Anthony Modeste, que foi uma das figuras do Colónia em 16/17, fazendo 34 golos nessa temporada de destaque em que o clube ficou no quinto lugar da Bundesliga. Assim, o ataque esteve bem em 18/19, deverá aterrorizar as defesas contrárias em 19/20, tem é de conseguir saber adaptar-se às maiores dificuldades impostas na primeira liga.

Já a nível defensivo, a história é outra. Se é verdade que o Colónia foi campeão da 2.Bundesliga, tal não aconteceu sem as suas dificuldades, visto que a equipa sofreu 47 golos e perdeu por 9 vezes. É sabido que a segunda liga alemã é, possivelmente, um dos mais competitivos dos campeonatos secundários europeus, mas este histórico terá de fazer melhor neste campo se quer ter garantias de permanecer entre os grandes na próxima temporada.

Já referimos Hector e Horn, que certamente são elementos valiosos, mas, no caso de Horn, este nada pode fazer se não tiver quem lhe possa dar a mínima segurança à sua frente. Jorge Meré é um central de grande potencial que se está a fazer jogador, mas faria falta um central de classe, que dê maior presença e liderança defensiva e que intimide os avançados contrários.

Hector e Horn permaneceram em Colónia, acentuando os sentimentos dos mais românticos sobre a modalidade (Foto: VAVEL.com)

É certo que há Frederik Sorensen, Rafael Czichos e Lasse Sobiech, mas faria falta um central com as características descritas. No lado direito, a chegada de Kingsley Ehizibue, proveniente da Eredivisie (PEC Zwolle) pode ser visto como uma boa aquisição, sobretudo por se tratar de um jogador alto, polivalente e que é muito bom a atacar, vejamos se consegue consolidar as suas qualidades a nível defensivo.

A contratação mais esperada

Este mercado tem sido algo calmo para o Colónia, que pretende essencialmente manter o núcleo duro que teve uma época dura, num campeonato competitivo, para fazer um “reset” daquilo que foi 17/18 e chegar a 19/20 mais forte para a Bundesliga.

A equipa tem optado por fazer negócios de baixo risco, que complementem o seu plantel, mas Birger Verstraete chega para ser titular e impor a sua lei à frente da defesa. Jogador que tem um percurso interessante na liga belga, já passando por Club Brugge, Mouscron, Kortrijk e Gent, de onde agora provém, e de onde dá agora o salto para uma das principais ligas europeias. Já internacional belga, é um jogador que, quando em forma, preenche o meio campo a toda a sua largura. O detalhe a corrigir será, possivelmente, a necessidade de corrigir alguma indisciplina, pois vê alguns cartões desnecessários.

Birger Verstraete chega como o reforço mais aguardado para esta época, aquele que pode pegar de estaca na equipa. Vejamos se mantém a consistência e se desenvolve as suas características que o levam a ser uma carraça para os adversários dentro de campo (Foto: Transfermarkt)

Não sendo particularmente alto ou forte, faz-se valer da sua resistência e é agressivo na pressão, tendo ainda boa capacidade de realizar tackles, algo que pode ajudar o meio campo do Colónia na sua missão de sofrer menos golos. Por 3 milhões e meio de euros, poderá ser uma das revelações da equipa na próxima época e, aos 25 anos, está no auge das suas capacidades. Poderá ser um bom complemento a Marco Höger, jogador mais experiente e cerebral. Há ainda um outro elemento que esperemos que consiga provar aquilo que vale, que é Vincent Koziello, jogador francês que vai já com 23 anos e, depois da saída do Nice, não tem conseguido mostrar o porquê de já ter sido considerado uma das maiores esperanças da Ligue 1.

Em maio de 2020, como veremos a situação do Colónia? 

A previsão é de que o clube conseguirá manter-se na principal liga alemã, pois parece ter aprendido com os erros, tem uma equipa consolidada, que vem de uma época motivadora e que não tem perdido grandes figuras. Com o apoio dos seus apaixonados adeptos, poderá até fazer boa figura e lutar por mais que apenas a manutenção. Certamente que os outros promovidos (Paderborn e Union Berlin), teoricamente, terão mais dificuldades nesse objetivo, visto terem muito menor experiência nestas andanças e terem também um elenco consideravelmente inferior.

Quem sabe não consegue o Colónia uma época como a que fez o Fortuna Düsseldorf na passada temporada, em que surpreendeu, dificultou a vida aos grandes e fez um campeonato tranquilo.

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Pedro CouñagoMaio 13, 20199min0

Normalmente quando as equipas sobem de divisão na Alemanha, não é particularmente fácil a adaptação à Bundesliga e ter logo resultados positivos à partida, isto tirando alguns exemplos como o do RB Leipzig, por motivos sobejamente conhecidos. Neste caso, o Fortuna Düsseldorf é uma equipa que tem passado mais anos nas divisões secundárias que na Bundesliga neste século, tendo esta temporada regressado ao convívio dos grandes, e a verdade é que conseguiu fazer uma época bem tranquila, sem sobressaltos e conseguindo alguns resultados bastante animadores para o futuro.

Deixamos aqui os nossos destaques.

Dupla de extremos prolífica

Dois dos elementos mais avançados da equipa, Dodi Lukebakio e Benito Raman, levam 10 golos cada, com os reais pontas de lança da equipa a levarem mais 10 todos juntos. O congolês e o belga complementam-se bem, um mais corpulento e outro mais franzino, um mais fixo e outro mais multidimensional, com maior amplitude de movimentos.

Para uma equipa da dimensão do Düsseldorf, 20 golos dos 44 foram marcados por estes dois jogadores, um impacto de quase 50% para uma equipa que não é tremendamente concretizadora. Assim se vê a importância absoluta de ambos. A partirem da ala para o meio, desconcertando as defensivas adversárias, parece que encontraram uma mina de ouro que foi muito bem explorada.

Raman acaba por ser mais versátil porque, além de conseguir jogar nas alas e no eixo atacante, tem um sprint acima da média e é muito perigoso no contra-ataque, modo preferido de atuar do Fortuna. Já tendo sido o destaque do clube na temporada passada, estando ainda emprestado, Raman foi contratado a título definitivo e as comparações a Timo Werner, com as devidas diferenças, têm sido bastantes. Tem-se falado numa mudança para Inglaterra, com clubes como o Burnley, Southampton, Everton e até o Arsenal à espreita. Vejamos como decorre este verão.

Raman tem estado em destaque, estando envolvido em praticamente um terço dos golos do Fortuna no campeonato (Foto: firstorderhistorians.com)

Kaan Ayhan é o líder da defesa, fazendo uso da sua escola de Bundesliga

O turco era uma grande promessa na altura em que saiu da formação do Schalke 04, sendo visto como um possível substituto do eterno Naldo a longo prazo. Para lhe dar ritmo, o jogador foi até emprestado ao Eintracht Frankfurt, mas sem sucesso, e em 2016 saía a preço de saldo para o Fortuna Düsseldorf. Desde aí, tem sido dono e senhor do lugar no centro da defesa, sendo também um dos titulares no centro da defesa da sua seleção.

Pode fazer várias posições na zona defensiva da equipa, é bastante ágil e de boa capacidade física, ainda que por vezes impetuoso, como mostram as suas três expulsões em 17/18. Ainda assim, o seu registo melhorou esta época, sem nenhuma expulsão, mas com nove amarelos, não tendo o medo de recorrer a faltas táticas/inteligentes que, por vezes, são feitas com a intenção de melhorar as chances de uma equipa ganhar um jogo.

Além dos atributos físicos, tem boa capacidade de passe para sair a jogar e é um central goleador, tendo já quatro golos marcados na Bundesliga esta temporada, graças ao seu bom jogo de cabeça e a um forte remate. O turco é um jogador à medida deste Düsseldorf, e veremos se continua por este histórico alemão para o guiar a mais uma temporada segura.

A mescla de trabalho e qualidade no meio campo

No centro do campo, é essencialmente a capacidade de trabalho que é valorizada, conjuntamente com capacidade de leitura de jogo. É isso que trazem Adam Bodzek e Oliver Fink, com muitos anos de futebol nas pernas, este último capitão de equipa. Marcel Sobottka era talvez o principal destaque deste meio campo mas lesionou-se gravemente, dando lugar a um Bodzek que cumpriu com o que lhe era pedido.

Depois, as adições de Kevin Stöger e Alfredo Morales trouxeram uma qualidade com bola e de marcar o ritmo de jogo que a equipa precisava para disputar um campeonato como a Bundesliga, que não pode ser apenas à base de capacidade física, sendo também precisa qualidade de jogo.

É só através de uma equipa ligada em todos os setores do campo que é possível ter sucesso e a verdade é que o meio campo faz bem a ligação entre os dois extremos do campo, deixando depois a quem está mais à frente e livre nas desmarcações/diagonais para decidir.

Friedhelm Funkel coloca a equipa onde merece

Tem sido notória a subida de nível da Bundesliga, com equipas mais competitivas e equilibradas entre si, existindo mais dificuldades para garantirem os seus objetivos. Fica, assim, bem patente o enorme trabalho que Funkel está a fazer ao serviço do Düsseldorf.

Há já três anos no comando técnico, Friedhelm Funkel chegou ao clube numa altura em que o mesmo lutava para não descer à terceira divisão mais uma vez, conseguindo esse objetivo em 2015/2016 e fazendo um campeonato mais tranquilo em 16/17, estabilizando assim um barco que estava a passar por demasiadas tormentas. O que se seguiu foi uma caminhada imparável para a conquista da 2.Bundesliga, algo absolutamente improvável face a equipas como o Nuremberga, o Bochum, Ingolstadt ou Darmstadt, entre outras.

Façamos um ponto de comparação com o Eintracht Braunchweig, por exemplo, que terminou 16/17 na terceira posição da 2.Bundesliga, não subindo à principal divisão após derrota no playoff. Essa mesma equipa desceu à terceira divisão em 17/18, um trajeto quase oposto ao do Fortuna, revelando-se aqui a imprevisibilidade de uma segunda divisão onde se joga bom futebol.

Graças à experiência de Funkel, que está a conseguir possivelmente os seus melhores resultados da carreira de treinador aos 65 anos, o Fortuna vai de vento em popa, com os jogadores a adquirirem excelentes níveis de confiança. Variando entre um 4-4-2 com duplo pivot, que, na verdade, é mais um 4-2-4, e um 4-1-4-1 que resguarda mais a equipa em jogos de alto risco, os jogadores adaptam-se bem ao estilo que o treinador pede e dão resultados, notando-se também a vontade de dar o seu melhor a uma massa associativa apaixonada.

Friedhelm Funkel é uma figura bastante querida da massa adepta do Fortuna, veja-se como foi festejado o título do ano passado na 2.Bundesliga (Foto: Tagesspiegel)

Mérito para o treinador alemão que ficará responsável por conseguir continuar a levar este projeto avante e, quem sabe, depois sair rumo ao paraíso da reforma.

Primeira vez em 20 anos que o Fortuna fica dois anos consecutivos na Bundesliga

A vida não tem sido fácil para a equipa de uma das principais cidades alemãs, já tendo estado na quarta divisão e, agora, desfrutando dos frutos de uma época bem conseguida, conseguirá disputar uma temporada com maiores recursos e maior segurança, até maiores expectativas de, pelo menos, repetir a classificação tranquila desta edição do campeonato alemão.

Em 12/13, o Fortuna não resistiu à pressão de voltar à principal liga, ficando no penúltimo lugar. Esta época, consegue melhorar (e de que maneira) o seu registo, não tendo dificuldades nem sobressaltos para garantir a manutenção mesmo depois de um início mau de campeonato. Tal como o Fair Play analisou em tempo oportuno, Nuremberga e Hannover não iam ter grandes chances de sobreviver face às adversidades e estão já confirmados na 2.Bundesliga, falta ver o que irá fazer o Estugarda no playoff, outro histórico alemão.

Uma coisa é certa: 19/20 já é uma espécie de época bónus para o Fortuna. Vejamos se consegue manter as principais pérolas e se consegue consolidar-se na Bundesliga, algo que seria verdadeiramente fantástico face a um clube que há 15 anos tinha dificuldades financeiras para se inscrever na terceira divisão.

Equipa de altos e baixos que consegue sempre voltar às vitórias

A equipa tem uma capacidade de luta acima do normal. Afinal de contas, foram já nove os jogos que a equipa perdeu, sofrendo três ou mais golos, conseguindo, ainda assim, ter a confiança de voltar aos resultados pretendidos nos jogos seguintes. Destaque-se, por outro lado, o empate que a equipa conseguiu fora de casa frente ao todo poderoso Bayern (3-3), talvez um dos seus melhores resultados da história recente.

Esta foi uma equipa que, ao fim de 10 jornadas, tinha apenas 5 pontos conquistados, registando uma série de 6 derrotas consecutivas, perdendo 3 dos jogos por 3-0 e um deles por 7-1. Nas restantes 23 jornadas, conquistou 36 pontos, resultado de 11 vitórias, ganhando assim praticamente metade dos jogos desde a décima jornada. Registo absolutamente notável, tornando uma equipa que se pensava condenada ao retorno à 2.Bundesliga em uma bastante competitiva e capaz de dar alegrias aos adeptos.

Entre a décima quinta e a vigésima quarta jornada, foi o grande período do conjunto de Düsseldorf, com 7 vitórias em 10 jogos, incluindo uma série de 4 vitórias consecutivas, incluindo uma frente ao Borussia Dortmund. Outro grande resultado foi a goleada por 4-0 fora de casa frente a um Schalke 04 aterrador (a principal desilusão desta Bundesliga).

Um dos jogos mais marcantes da época e que apenas mostram o que o Fortuna conseguiu fazer esta temporada (Foto: Schalke 04)

A temporada que termina no próximo domingo para os comandados de Finkel foi uma que deixa os seus adeptos orgulhosos. Já havíamos destacado esta como uma das principais equipas em destaque na época de 18/19 na Bundesliga, mas é de salientar e explorar o êxito alcançado por uma equipa com o orçamento mais baixo do campeonato e a quem se apontaria como favoritos à descida de divisão.

Que lhes reserva 19/20? Com muitos jogadores com contratos a curto prazo, mas maior capacidade de investimento, teremos um Fortuna forte na próxima época?

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Pedro CouñagoAbril 15, 20194min0

Na passada quinta feira, tivemos um duelo bem interessante no Estádio da Luz, que terminou com uma vitória importante do Benfica por 4-2. Importante, mas com certeza não decisiva, pois deixa todas as hipóteses ao Eintracht Frankfurt de conseguir ainda ter a esperança de discutir a eliminatória depois de um jogo em que os encarnados poderiam ter deixado a questão praticamente resolvida.

Foi um jogo entretido, com golos, e em que se percebeu que o Eintracht disputa sempre os jogos da mesma forma independentemente das atenuantes existentes, como por exemplo a expulsão. Percebemos que é uma equipa bastante vertical, que joga olhos nos olhos e que não abdica de uma postura de procura pelo golo. Sendo assim, o que podemos esperar dos alemães na segunda mão?

Equipa a entrar bastante forte na partida

Para o Frankfurt poder ter esperança frente ao Benfica, certamente irá começar a partida pressionante, bem como demonstrou em Lisboa. Seria importante aos encarnados controlar desde logo o ímpeto inicial que a equipa de Frankfurt terá, visto que os alemães procurarão um golo cedo na partida que lhes trará a confiança necessária para o que restar do jogo e colocará o Benfica numa posição mais receosa.

O jogo da Luz revelou duas equipas em busca da vitória, não menos do que aquilo que teremos na Commerzbank-Arena (Foto: Sportingpedia)

Sendo o jogo na Alemanha, como o apoio dos fervorosos adeptos do Eintracht, que, de resto, se fizeram sentir também em Lisboa, a pressão de um golo inicial poderá afetar o Benfica e levar os jogadores de Lage a cometer erros. Será também interessante acompanhar quais os atletas que o treinador português coloca em campo, num sentido de perceber se continua a rotação de equipa, promovida na primeira mão, ou se, por segurança, coloca a sua equipa mais rodada.

Exploração das costas da defesa e das alas

O Eintracht atua num 3-4-3 bastante ofensivo, com dois jogadores que apostam na profundidade nas alas e três atacantes que funcionam muito bem em conjunto. Na primeira mão, a equipa alemã causou alguns dissabores ao Benfica jogando desta forma, marcando um golo e tendo mais algumas ocasiões que foram desperdiçadas. É certo que o Eintracht irá assumir uma postura um pouco diferente, mais controladora da bola, mas podemos esperar uma aposta em colocar a bola em Danny da Costa e, principalmente, Filip Kostić, que podem causar bastantes desiquilíbrios junto dos laterais benfiquistas.

Depois, os três atacantes são bastante fortes a aguentar a posse de bola. O português Gonçalo Paciência parece começar a engrenar nas dinâmicas da equipa, tendo também marcado na Luz e no passado jogo para o campeonato. Luka Jović e Ante Rebić estão já estudados e é sabida a sua enorme qualidade na definição e leitura de jogo. Assim, a defesa benfiquista terá de se cuidar caso não queira ter dissabores.

Frankfurt quer vingar os últimos dois desaires e estará certamente motivado

Antes da visita a Lisboa, o Eintracht estava numa senda de quinze jogos sem perder, estando bem por dentro da luta por um lugar de Champions. Esta está a ser uma época muito boa para o clube alemão, um pouco na senda daquilo que vêm sendo os últimos anos.

A derrota com o Benfica veio quebrar essa senda, ainda que a equipa tenha deixado boa imagem no Estádio da Luz. No entanto, a derrota frente ao Augsburgo no domingo é uma que não era particularmente esperada pelos seus adeptos, até porque a equipa começou a ganhar o jogo, além de ter sido no seu reduto. É, assim, a segunda derrota consecutiva do Eintracht, algo que poderá causar alguma desconfiança na equipa.

O último jogo do Eintracht traduziu-se numa derrota comprometedora para as aspirações do clube na Bundesliga, jogo marcado por mais uma expulsão (Foto: SGE)

Por outro lado, levar a equipa a estar ainda mais motivada para suceder frente ao Benfica, visto que nunca havia chegado tão longe nesta competição europeia (entenda-se Liga Europa) e que está à beira de um desempenho europeu histórico.

Em suma, a eliminatória está a favor do Benfica, mas longe de acabada. O Eintracht Frankfurt tem muita qualidade nos diferentes setores, principalmente no setor atacante, algo que poderá causar problemas ao reduto mais defensivo dos encarnados, mas o seu balanço atacante poderá dar espaços ao Benfica para marcar e, aí sim, deixar a eliminatória bem encaminhada.

Teremos, assim, um jogo bastante interessante na quinta feira, um jogo de parada e resposta de duas equipas que estão a fazer épocas positivas e que querem acrescentar um troféu europeu que lhes escapa há várias décadas.

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Pedro CouñagoMarço 19, 20195min0

Leon Bailey tem apenas 21 anos, é ainda um jovem jogador, mas que já mostrou muito daquilo que é capaz. No entanto, a época 2018/2019 não tem sido uma à altura daquilo que se esperava do prodigioso jamaicano. Há um ano atrás, falava-se de uma possível ida do jogador para um Bayern Munique ou para um Chelsea por valores estratosféricos, mas tal não parece ser possível de acontecer no próximo verão, porque esta época simplesmente não está a ser uma que o justifique.

Muito rápido, com golo, um pé esquerdo repleto de técnica e um drible bastante apurado, Bailey é daqueles jogadores que parece predestinado a ter um lugar num grande clube mais cedo ou mais tarde, até pelo que demonstrou já em temporadas passadas, mas 2018/2019 tem sido uma viagem atribulada.

Leon Bailey ganhou destaque no futebol belga, ao serviço do Genk, rapidamente captando a atenção de outros quadrantes (Foto: Sportsnet)

Até à saída de Heiko Herrlich, a temporada estava a ser sofrível

O extremo, na primeira metade da temporada, esteve muitos furos abaixo daquilo que seria exigível, sendo públicas algumas divergências do jogador com o técnico, o seu tempo de jogo algo limitado, sendo muitas vezes apenas suplente utilizado.

Tal também certamente deriva da fraca campanha que a equipa fez na primeira metade da temporada, em que a equipa ocupava apenas o nono lugar da classificação, com 24 pontos e sete vitórias em dezassete jogos.

Em termos estatísticos, Bailey tinha apenas participação em três golos da equipa (um golo e duas assistências), números sofríveis para aquilo que o jamaicano é capaz de demonstrar. Mais do que isso, Bailey parecia um jogador descontente a jogar futebol, parecia que tinha perdido a alegria a jogar o desporto rei, algo bastante preocupante para um jovem de apenas 21 anos com o mundo pela frente.

Com Peter Bosz, a situação mudou, tanto para o Leverkusen como para Bailey

Com a chegada de Peter Bosz, técnico que esteve em Dortmund na passada temporada mas onde falhou redondamente, a situação melhorou significativamente tanto para o clube como para Bailey. A equipa apresenta um futebol mais condizente com aquele que os seus adeptos pretendem (futebol de ataque, com muitos golos), e Bailey está a beneficiar de uma segunda metade da temporada mais condizente com o seu valor. Dezoito pontos em vinte e sete colocam a equipa na luta pelos lugares europeus, da qual o clube nunca deve estar fora.

Em nove jogos, o jamaicano já faturou em quatro ocasiões, estando também, de forma consistente, a começar a regressar à sua melhor forma, e quando o jamaicano está nesse ponto, fica no “ponto de rebuçado”. Jogador conhecido por grandes golos e por ser aterrorizador no “um contra um”, nada menos de uma carreira ao mais alto nível se espera de Bailey.

Leon Bailey, aqui sem o seu cabelo característico, e Peter Bosz num cumprimento que é sinal da sintonia entre técnico e prodígio, importante para as pretensões do clube (Foto: GettyImages)

Por aqui se pode esperar que Leon queira acabar em grande esta temporada, para fazer definitivamente os seus críticos esquecer aquela que foi uma primeira parte da temporada bastante penosa. A dinâmica do 4-3-3 é uma que o beneficia, na medida em que tem quem o cubra um pouco na questão defensiva do jogo, pode fazer combinações com os médios em aproximação à área e, principalmente com Kevin Volland, pode ganhar muitas vezes as costas dos adversários em tabelinhas.

Plantel competitivo leva a que Bailey tenha de elevar o nível, isto se quiser também mostrar-se ao mundo

O plantel do Bayer é rico em soluções de qualidade, principalmente a nível ofensivo, mas não em número, o que impacta a equipa quando existem lesões ou suspensões. No eixo ofensivo, figuram jogadores como Kevin Volland e Lucas Alario, atrás de si figura a pérola Kai Havertz e, para as alas, temos jogadores como Bellarabi, Julian Brandt (que até tem jogado a médio centro) e o designado Bailey.

Na teoria, a equipa mais forte do Leverkusen tem condições para lutar pela presença na Liga dos Campeões, mas não tem sido propriamente fácil face a campanhas nas quais a equipa não passa da Liga Europa. Com equipas como o Leipzig e o Borussia Mönchengladbach mais consistentes, o desafio é grande. Com um Bailey ao seu nível, fica mais fácil ao Leverkusen subir um pouco a sua produção.

Será interessante acompanhar os desenvolvimentos dos próximos meses, para perceber até que ponto o Leverkusen concretiza os seus objetivos e em que medida segura todas as suas pérolas para a próxima temporada, algo bastante difícil mediante o poderio financeiro proveniente de outros destinos. No caso de Bailey, tendo em conta esta temporada que vai do 8 ao 80, seria importante ficar em Leverkusen para poder assumir-se definitivamente como um grande jogador e não como uma definitiva promessa que nunca vai conseguir dar o salto que dele se espera.

Uma coisa é certa, Leon Bailey pode ter um grande futuro se assim o quiser. Talvez o maior crescimento que tenha mesmo de fazer seja a nível mental, porque nos grandes clubes só jogam os melhores tanto a nível qualitativo como a nível humano, de concentração.


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