Arquivo de Benfica - Fair Play

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Bruno Costa JesuínoAgosto 4, 202010min0

Numa altura difícil da época 2018-19 e com o título por um canudo viveu-se um verdadeiro efeito-Lage. Tantas vitórias consecutivas, fizeram Luís Filipe Vieira acreditar, mais que nunca, que um Benfica ‘vencedor em toda a linha’ com base na formação seria possível. Inclusive com um treinador ‘made in Seixal’. No entanto, nem tudo foi um mar de rosas e a fé em demasia em Lage fez ‘ressuscitar’ Jesus.

De super-Lage a mini-Lage

No futebol usa-se muito a expressão “de bestial a besta“. E foi exactamente o que aconteceu a Lage. Esta designação faz ainda mais sentido no desporto rei, porque a diferença entre uma bola bater no poste ou bater na rede muda o destino de um equipa… e, acima de tudo, de um treinador.

Bruno Lage pegou ao leme numa fase difícil em que pouco ou nada havia a perder. O título parecia uma miragem. Pegou na equipa e implementou as suas ideias cortando com o passado recente. Numa estreia que nos primeiros minutos tinha tudo para correr mal, com o Benfica a perder 0-2, os ‘encarnados’ deram a volta e venceram com nota artística. Essa reviravolta deu uma grande confiança à equipa que lhe permitiu vencer quase todos os jogos.

A mudança mais marcante ditada pelo treinador setubalense foi a passagem para o 442, dando total liberdade ao jovem João Félix. Este assumiu a batuta da equipa sem receio e explodiu, sendo durante 6 meses a grande figura da equipa.

Os pecados de Lage

Numa segunda temporada, com pré-época, esperava-se uma evolução da equipa. A preparação foi boa e no primeiro jogo oficial goleou o Sporting, mas a expectativa estava alta. Alta demais. Para os adeptos, Lage virou um super-treinador que nunca perderia um jogo. O seu discurso leve, bem disposto, assertivo e a falar de futebol e das suas opções, fizeram chover elogios mesmo de adeptos rivais.

Mas a pergunta era. A onda está positiva, mas quando começar a ter os primeiros obstáculos como ele e a equipa vão reagir? O primeiro revés foi uma derrota sem espinhas na recepção ao Porto. A confiança foi abalada, perdeu-se algo na equipa, mas mesmo assim, a nível interno foi vencendo os jogos todos até voltar a jogar com o principal rival do norte.

Os resultados eram bons mas a qualidade exibicional e aquela alegria a jogar nunca mais voltou a ser mesma. Para adensar tudo isto, os resultados (e as exibições) começaram também a desacreditar os adeptos, que também começaram a duvidar nas apostas nos ‘miúdos’ que antes tanto queriam ver jogar. Se os jovens da casa por norma costumam ser os mais protegidos, começaram a ser massacrados a partir do segundo ou terceiro erro.

Com isso a confiança perdeu-se e o (ainda) pouco experiente Lage não conseguiu dar a volta. No entanto, quem fez o que ele fez em seis meses tem que ter qualidade. Possivelmente, ao jeito de Paulo Fonseca, dará um passo atrás na carreira para depois voltar a caminhar de forma sólida e continuar construir a sua carreira.

‘O Jesus que passou por Judas e volta como ‘Salvador’

Está ainda bem viva na memória de todos a polémica saída de Jorge Jesus do Benfica. Não tanto sair enquanto bi-campeão, mas por ter assinado pelo rival da 2ª circular. Rapidamente passou de Jesus a Judas… e (anos depois) volta como Salvador.

Voltará como Salvador do Benfica? Ou de Luís Filipe Vieira? O experiente presidente sabe que está numa das fases em que a sua popularidade está beliscada, logo teria que jogar uma cartada forte. Apostou no ‘homem’ que saiu a mal do Benfica mas, mais que todos os últimos treinadores dos ‘encarnados’, mesmo criticado, acabou por ser o mais consensual. Muitos adeptos não o queriam de volta porque dizem que nunca gostaram dele, outros não o perdoam por ter saído para o Sporting… mas todos terão “amor pelo próximo” treinador do Benfica se ele vencer. E voltarão a chamar de Judas (e coisas piores) caso não vença.

O que esperar do regresso do Mister JJ?

Uma característica de JJ é o impacto muito positivo (e quase imediato) que tem tido quando pega nas equipas. Principalmente nos primeiro dois terços da época. Entre outros exemplos, foi assim no Benfica, no Sporting, na Arábia Saudita e no Flamengo. Embora, por vezes, as equipas tivessem um abaixamento de forma na parte final da época, conseguiu quase sempre atingir os objectivos. O que esperar do regresso do Mister JJ?

O texto abaixo é de inteira responsabilidade do autor deste artigo (ou seja, eu) e tem base, apenas e só, em opiniões pessoais e previsões feitas à 1h17 da manhã.

Uma nova Odysseia na baliza?

Algo me diz que o guarda-redes grego não encherá as medidas de JJ. No mínimo surgirá uma nova sombra para lutar de igual para igual. Não necessariamente um nome sonante, pois no historial do JJ essa sombra já se chamou Júlio César (o do Belenenses) que acabou por não convencer a crítica. Mas todos sabemos que JJ bem gosta de ter as suas apostas pessoais.

Na defesa: Os miúdos voltarão para a escola estudar? Ou será que JJ vê qualidades em algum deles

Jorge Jesus é um treinador de ataque mas dá bastante importância na forma como a equipa defende. Característica sua é conseguir pôr a equipa a defender bem e com poucos. Já agora, um das principais dificuldades do Benfica esta época foi defender com poucos… e mal.

Não tenho dúvidas (e poucos terão) que Rúben Dias será o nome mais unânime. Jardel que foi para a luz pela mão de JJ, com 35 anos, se ficar, não aspirará mais ser a quarta opção. Ferro tem duas faces. Se superou as expectativas na época de estreia matou (quase) totalmente as expectativas neste ano, de tantos erros individuais cometidos. Nunca tendo sido exímio a defender, acrescentava algo à equipa em posse de bola (característica cada vez mais relevante em defesas centrais). É possível, embora pouco provável, que JJ acredite que possa fazer crescer o jogador, mas acredito que seja mais provável um empréstimo ou mesmo uma venda.

Posto isto, é expectável a contratação de dois centrais, um mais experiente e um mais rápido. A título de exemplo, um com perfil de Garay e outro com as características de Rúben Semedo, respectivamente.

E nas laterais?

Nas alas, no máximos dos máximos, ficará um dos miúdos Tavares. Vejo mais potencial no Tomás, embora tenha errado muito esta época, tem sido sempre um destaque nas camadas jovens, e há que ter em conta que foi a sua primeira época de sénior, sem pré-época (devido ao europeu sub19) e sem a estaleca que, por exemplo, Rúben Dias e João Félix ganharam em muitos jogos da equipa B.

Jesus gosta de centrais altos, mas a qualidade de Grimaldo está à vista de todos… com bola. A defender, caso não seja vendido, vai ouvir falar muito sobre posicionamento defensivo.

André Almeida, pela sua experiência, identificação com o clube e conhecimento que JJ tem dele, deverá permanecer na equipa.

No meio é que está a virtude e JJ sabe-o bem

Se há posições em que o perfil de jogador que Jorge Jesus gosta é no centro do meio campo. A posição 6 e a posição 8, embora com algumas nuances. Na posição 6 um médio posicional mas que saiba sair a jogar como Matic, William Carvalho e William Arão, mas também já apostou em Fejsa e Javi Garcia, jogares mais fixos e menos capazes com a bola no pé mas muito fortes no equilíbrio da equipa.

Opções que também dependerão do restante meio campo, mais a acredito que Jesus tente encontrar no Benfica um jogador entre Matic-Carvalho-Arão e um Fejsa-Garcia. Weigl, já elogiado publicamente há uns meses por JJ, poderá ser o escolhido. Florentino, poderá cair com JJ, embora pessoalmente gostasse que fosse aposta e evoluísse pela mão do treinador.

Posição 8 – O todo-o-terreno

Jesus, gosta de um 8 todo-o-terreno, que queime linhas com a bola no pé, intenso , com pulmão e que se sinta em casa de uma área à outra.

Gabriel, que tanto jogou a 8 como a 6, não me parece que tenha característica para ser um 8 de JJ. Mas também achava que Adrien também não (escrevi isso na altura) e fui surpreendido pela aposta e principalmente com a evolução do jogador.

Por vezes, quando não existe um 8 puro, JJ improvisa, tendo como principal metamorfose o ex-extremo Enzo Pérez, que passou de um extremo com técnica mas(aparentemente) pouco intenso para um médio centro de área-a-área cheio de garra. Aliás, começou primeiro a convencer primeiro no aspecto defensivo e só depois no ofensivo.

Gerson, uma promessa brasileira que na Europa não convenceu, foi outro bom exemplo. Jogou muitas vezes a médio-ofensivo ou mesmo a cair nas alas, mas com a chegada de JJ virou 8. Também parecia pouco intenso. Mas afinal… só parecia mesmo.

Com isto, acredito que aqui haverá pelo menos uma contração. Fraco tacticamente e na decisão, Gedson (emprestado ao Tottenham) tem características que podiam ser moldadas. Mas nunca sabemos o que vai na cabeça de JJ, que nos surpreende, seja positiva ou negativamente.

De lembrar que Pizzi, com JJ, já fez a posição de 8 em muitos jogos.

Nas alas a mota, o jovem e a incógnita

Jorge Jesus gosta de alas rápidos e explosivos, embora já tenha experimentando falsos alas como Ramires, João Mário. Este último um pouco com a tarefa que Pizzi tem exercido no Benfica pós-JJ.

Tendo em conta o modelo de futebolista que o treinador prefere, Rafa encaixa que nem uma luva, pelo menos aparentemente. Gostava que pegasse no jovem Jota, que desde muito novo se lhe reconhece muito potencial mas tarda a explodir, e o metesse a jogar o dobro (sendo JJ o dobro de Jota… teria a sua piada). Pedrinho, é um contratação cara mas será uma incógnita e até poderá vir a ser opção para segundo avançado.

Todavia, arriscaria prever que chegarão dois novos extremos ao Benfica.

Para criar e marcar golos – Qual será o complemento que o treinador pretende?

Normalmente, nesta dupla, Jorge Jesus, prefere jogadores móveis. Um mais prático, objetivo e mais forte sem bola, outro mais criativo para jogar, por norma, uns passos mais atrás. No entanto já apostou em jogadores mais posicionais como Cardozo e Bas Dost.

No actual Benfica, caso fique no plantel, acredito que Vinícius encaixa na ideia de JJ e Seferovic e Diego Sousa poderão cair das opções. Chegará pelo menos, mais um ponta-de-lança.

Para jogar um pouco mais atrás, Chiquinho tem muita qualidade a jogar entre-linhas (o melhor a fazê-lo no actual plantel) mas, para jogar ali, falta-lhe golo, assertividade e talvez mais astúcia. Ainda pode crescer, mas possivelmente não vai ser aposta, pois não me parece ter as características que JJ pretende para segundo avançado, e ainda menos para jogar na posição 8.

Provavelmente vou-me enganar em muita coisa. Mas se até Jesus se engana, eu também posso.

Jorge Jesus, após as conquistas na América do Sul, confessou qual a música que mais o inspira. É da Mariza e diz: “O melhor de mim está para chegar…”. Os benfiquistas assim o esperam.

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Bruno Costa JesuínoFevereiro 17, 20206min0

A Liga Europa está aí à porta e há muito tempo que não tínhamos quatro equipas nesta fase da prova. Por sinal os quatro primeiros classificados da primeira liga não só neste momento mas como tem sido habitual. Haverá força para conquistar a Europa?

Sorteio com sortes diferentes

No que diz respeito ao sorteio houve sorte diferentes para as equipas portuguesas. Benfica e Porto com equipas experientes que vão no mínimo dividir as possibilidades de passagem, o Braga tem tudo para se superiorizar a uma equipa que deu muita luta ao Porto na fase de grupos, e o Sporting se estiver ao seu melhor nível tem muitas hipóteses de afastar uma das equipas teoricamente mais acessíveis e menos experientes da prova.

O melhor Sporting seria mais que favorito. E este será?

O Sporting, que ficou em segundo lugar no seu grupo, foi o que lhe saiu o adversário mais acessível, embora estejamos a falar do actual segundo classificado do campeonato turco. No entanto, tendo em conta os adversários que lhe podiam calhar é o que menos se pode queixar… da sorte! No entanto, tendo em conta a época que está a correr, seja talvez o representante em português com menos potencial, ainda mais com a saída do capitão Bruno Fernandes.

O Istambul, embora sem grandes pergaminhos nestas andanças, está a fazer uma excelente época tanto a nível interno como na Europa. No campeonato está a disputar o título e na fase de grupos ficou em primeiro num grupo difícil com os favoritos Roma e Borussia Monchengladbach. No entanto, todos sabemos que a experiência é algo que conta muito nestas fases mais avançadas na prova, mas um Sporting unido que consiga apresentar um nível semelhante ao que apresentou nos clássicos contra Benfica e Porto, tem boas hipóteses de passar a eliminatória.

Mesmo não tendo aquele que era de longe o jogador mais influente nos últimos anos, o melhor 11 do Sporting com Vietto e com os dois centrais disponíveis e com Battaglia em boas condições físicas terá hipótese para no mínimo lutar taco-a-taco com os turcos.

Será o SC de Super-(clube)-Braga?

É verdade e não só de agora, pois nas competições europeias este Braga tem sido super, já tinha sido super com Sá Pinto irrepreensível. O problema era a nível interno, e agora até aí tem sido extraordinário. Com Rúben Amorim, apenas cedeu um empate caseiro, venceu a Taça da Liga e já ganhou duas vezes ao Sporting e Porto.

Mais recentemente venceu o Benfica em pleno Estádio da Luz, tal como já tinha vencido no Dragão. Teve a sorte do jogo? É verdade. Mas para se ter sorte é preciso procurá-la e o Braga, que muitas vezes vacilava nos duelos com os grandes, tem-se mostrado um equipa adulta em todos os momentos do jogo e na maior parte dos 90 minutos. E isso, tem feito a diferença, além das mudanças tácticas, a mentalidade dos jogadores.

Depois de uma fase de grupos que ficou em primeiro lugar, saiu-lhe em sorte o Rangers de Gerrard. Não sendo um nome assustador, a equipa escocesa esta época deu muita luta com o Porto e chegou a até a superiorizar-se em ambos os jogos. No entanto, o melhor Braga, este Braga, tem mais futebol que este Rangers, e saindo da Escócia com um bom resultado, terá tudo para mostrar que é mais forte na segunda mão.

E se Rúben Amorim conseguir manter um nível alto nas duas frentes, podemos estar aqui perante um caso sério, como até já foi previsto num artigo aqui escrito.

Serão os dragões capazes de ‘queimar’ os difíceis?

As equipas portuguesas nunca costumam ter vida fácil diante os alemães. A história mais antiga ou mais recente é prova disso. Mas se há clube que já venceu os alemães, o Porto é um deles. E este Porto de Sérgio Conceição parece ter sete vidas. Ainda há duas semanas parecia acabado e agora está cada vez mais próximo do primeiro lugar com uma vitória diante do Benfica e do Vitória de Guimarães.

Parece estar num momento crescendo e com alguns jogadores à aparecerem muito bem nesta fase da época, como é o caso de Sérgio Oliveira. Importante seria contar com Pepe em boas condições físicas para dar aquelas experiência e voz de comando que por vezes tem faltado à equipa, e ainda é mais importante, nestes desafios europeus.

O Bayern Leverkusen, é uma das boas equipas alemãs e uma habitué nestas andanças europeias. Está a fazer um boa época com comprova o actual quinto lugar a 6 pontos do líder Bayer. Na fase de grupos da Champions não conseguiu superiorizar-se aos favoritos de Juventus e Atlético de Madrid, garantindo a terceiro lugar à frente do Lokomotiv de Moscovo.

Espera-se um jogo equilibrado em que os pequenos detalhes irão definir o vencedor.

As possibilidades dependerão de que Benfica entrar em campo

Certamente que há duas semanas a confiança era outra. A equipa a jogar bem ou pelo menos qb e com a moral em cima. Duas semanas depois parece passar por uma crise de confiança com (e pelas) derrotas seguidas diante de Braga e Porto. As exibições não foram péssimas mas os resultados sim. e vantagem que tinha esfumou-se num ‘piscar de olhos’.

Contra aquele que tem sido o crónico campeão ucraniano, uma equipa com um projecto bem definido desde há muitos anos que privilegia o bom futebol. Depois de muitos anos com Lucescu na liderança, a aposta tem recaído em treinadores portugueses. Depois do excelente trabalho de Paulo Fonseca, aposta recaiu em Luís Castro que tem mantido a equipa ao nível que a tem caracterizado na última década. Presença assídua na Liga dos Campeões, nem sempre as boas exibições têm acompanhado os resultados… e caiu uma vez mais para a Liga Europa, onde será um dos candidatos.

Em teoria, seria um jogo com 50 por cento de hipóteses para cada lado, no entanto, não sabemos que Benfica vamos encontrar, ainda por mais, estando na pior fase do campeonato em termos de resultados. O nível de concentração geral da equipa baixou consideravelmente e confiança no último terço caiu muito, e isso notou-se bem nos últimos jogos.

Já não falando da época passada, o melhor versão do Benfica desta época tem muito boas hipóteses de passar. Mas, para começar, na sempre difícil deslocação à Ucrânia, de fazer um resultado que lhe permita disputar a eliminatória em Lisboa.

Prognósticos em percentagem. Vale o que vale.

Como diria um lendário capitão do Porto, “prognósticos” só no fim do jogo, mas os últimos, feitos aqui neste espaço, não foram nada maus. Desta forma, eis os prognósticos em percentagem, da probabilidade de as equipas nacionais seguirem em frente, tendo em conta o momento actual das equipas e a qualidade do adversário.

Braga 65%  – Sporting 60 % – Porto 55% – Benfica 50%


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