Arquivo de Ténis - Fair Play

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André Dias PereiraAgosto 5, 20191min0

Talento e polémica andam de mãos dadas na carreira de Nick Kyrgios. O autraliano é um caso singular no circuito. Por um lado, vai colecionando episódios que não abonam a seu favor, por outro, coleciona também vitórias importantes e títulos.

Este domingo, voltou a dar uma demonstração de talento ao vencer em Washington. Frente ao russo Medvedev, o australiano ganhou por duplo 7-6.

É o seu sexto título na carreira, o terceiro ATP 500 e o segundo do 2019. O primeiro foi em Acapulco.

Amém-no, ou odeiem-no, “ele faz o que faz em quadra e é a sua maneira de se sentir confortável”. A descrição é feita por Stefanos Tsitsipas, eliminado por Kyrgios nas meias-finais. Antes, na segunda ronda, diante Gilles Simon (6-4, 7-6), atirou uma garrafa de água contra a cadeira do árbitro. “Estava a beber água e a garrafa escorregou-me da mão”, justificou o australiano.

Polémicas à parte, Kyrgios voltou a viver uma semana de brilho. Começou diante Kwitkowski (7-5,6-4), seguiram-se Gilles Simon, Yoshihito Nishioka (6-2, 7-5), Norbert Gombios (1-6, 6-3 e 7-6), antes de eliminar Tsitsipas.

Na final, diante Medvedev, registo para o facto de não ter havido qualquer break-point. Kyrgios revelou-se mais forte nos momentos decisivos, levando a melhor no tie-break.

Com este triunfo, o autraliano sobe para o 27º lugar do ranking e será cabeça de série no US Open. Medeved sobe também um lugar na hierarquia, para nono, igualando o seu melhor registo.

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André Dias PereiraJulho 29, 20191min0

Nikoloz Basilashvili renovou, este domingo, o título de Hamburgo. O georgiano levou a melhor sobre Andrey Rublev por 7-5, 4-6 e 6-3. Foi o terceiro título de sua carreira. Para além das duas vitórias na Alemanha, venceu em 2018 o ATP Pequim.

O 16º melhor jogador do circuito conquista, assim, um importante registo. Antes dele, apenas Eddie Dibbs (1973 e 1974) e Roger Federer (2004 e 2005) ganharam o torneio dois anos consecutivos.

Esta foi, de resto, uma boa semana para o georgiano. Começou por vencer Hugo Dellien (6-4 e 6-3), seguindo-se vitórias sobre Juan Ignacio Londero (6-4, 3-6 e 6-3) e Jeremy Chardy (6-2 e 6-3). Nas meias-finais conseguiu uma vitória importante sobre Alexander Zverev (6-4, 4-6 e 7-6), salvando dois match points. O alemão continua à procura da sua melhor forma. Em 2019 venceu apenas o torneio de Geneva.

Apesar da derrota na final, Rublev também se apresentou a bom nível. Para chegar à final eliminou, entre outros, o favorito Dominic Thiem, nos quartos de final (duplo 7-6), e Carreño Busta, nas meias finais (4-6, 7-5 e 6-1). Com isso, o russo vai regista, esta segunda-feira, uma das maiores subidas no ranking. De 78º do mundo passa para 49º do ranking ATP. Já Basilashvili mantém o 16º lugar.

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André Dias PereiraJulho 21, 20191min0

Aos 29 anos, Dusan Lajovic conquistou, enfim, o seu primeiro título ATP. Aconteceu em Umag, este domingo. Diante Attila Balazs, o sérvio levou a melhor por duplo 7-5, em 1h51. Lajovic chegou a estar a perder por 5-3 no primeiro parcial, mas fez valer o seu melhor ténis.

Este triunfo confirma o bom momento de forma do sérvio. Em Monte Carlo, em Abril, atingiu a sua primeira final da carreira mas perdeu para Fábio Fognini. Lajovic entrou na semana como 36 do mundo e com este triunfo deverá subir até ao 26º lugar da hierarquia mundial.

Para chegar à final, o sérvio começou por vencer Andrey Rublev, por 6-4 e 6-3. Seguiu-se Aljaz Bedene (5-7, 6-3 e 6-3) e depois Salvatore Caruso (7-5). Neste jogo das meias finais Caruso acabaria por retirar-se. O italiano, de resto, protagonizou uma das surpresas do torneio ao afastar Borna Coric nos 16 avos de final (6-2, 3-6 e 6-1).

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André Dias PereiraJulho 16, 20193min0

Magistral. Eterno. Sublime. São muitos os adjetivos que podem classificar o triunfo de Novak Djokovic este domingo, em Wimbledon. O mais antigo Major do mundo viveu mais uma tarde de glória, que coroou Djokovic como pentacampeão.

A final contra Federer não foi apenas elevada a um nível técnico estratosférico e uma das mais emocionantes de sempre. Foi também a final mais longa da história de Wimbledon. Ao fim de 4h57 minutos, Nolan venceu por 7-6(5), 1-6, 7-6(4), 4-6, 13-12(3). O jogo foi decidido no tie-break do quinto set, após um 12-12, sendo a primeira final de Wimbledon a ser decidida desta forma.

Federer tentou de tudo. Usou slices, subiu à rede e foi tão eficaz no seu jogo de serviço que não sofreu qualquer break point nos três primeiros sets. De resto, olhando para os números, Federer teve mais ases (25/10), cedeu menos duplas faltas (6/9), foi mais eficaz no primeiro serviço (63%/62%), teve mais winners (94/54) e teve mais pontos ganhantes (218/204). Mas não foi suficiente.

Djokovic mostrou porque é número um mundial está entre os melhores de sempre, ao lado de Federer e Nadal. Os três, aliás, contiuam a dominar o circuito. Federer diz que, independentemente do ranking, enquanto se sentir competitivo vai continuar a jogar. E à beira dos 38 anos o suíço não parece abrandar. Se na final esteve ao seu melhor nível, o mesmo aconteceu diante Rafa Nadal, nas meias-finais. Em mais um clássico Fedal, o helvético terá feito uma das suas melhores exibições de sempre no confronto entre os dois. No 40º confronto entre os dois recordistas de Major, Federer ganhou por 7/6 (7-3), 1/6, 6/3 e 6/4, atingindo a sua 12ª final no All England Club. De resto, ao vencer Kei Nishikori, o octacampeão Federer tornou-se o primeiro jogador a conquistar 100 vitórias em Wimbledon.

Sousa, em grande, sobe 13 posições

Ao vencer Wimbledon, Novak Djokovic conquistou 4 dos últimos 5 Grand Slam disputados. O seu domínio no circuito, mesmo com Nadal e Federer, é inquestionável. Mesmo que nas bancadas se gritem os nomes dos seus rivais. Certo é que o sérvio tem agora 16 Grand Slam, cinco dos quais no All England Clube. Aos 32 anos não é impensável que o Nolan possa igualar, ou ultrapassar, os 8 títulos de Federer em Wimbledon, ou até os seus 20 Grand Slam, tornando-se o maior campeão da história. E conseguir isso durante na Era de Federer e Nadal é um grande feito.

Aliás, no confronto com Federer a vantagem de Djokovic é inequívoca. Em 47 jogos, Nolan venceu 25 e nos três disputados em Wimbledon ganhou todos. O sérvio também tem mais vitórias sobre Federer em Grand Slam (9/6) e nos últimos 5 jogos, venceu 4. Por fim, das 4 finais que disputaram, Djokovic ganhou 3.

Quem também esteve em grande plano foi João Sousa. O português alcançou a sua melhor prestação em um Major, atingindo os oitavos de final. Foi o melhor resultado de um tenista português em Grand Slam. O vimarenense deixou para trás nada menos que Marin Cilic (6-4, 6-4, 6-4) e Daniel Evans (4-6, 6-4, 7-5, 4-6, 6-4). Sousa acabaria afastado por Nadal, por triplo 6-2.

Com este resultado, João Sousa sobe 13 posições no ranking e é agora 56 do mundo.

Não menos surpreendente foi o espanhol Roberto Bautista Agut. Ao atingir as meias-finais, tornou-se o primeiro espanhol que não Nadal a jogar este fase de Wimbledon deste 1972. Antes de ser eliminado por Djokovic (6-2, 4-6, 6-3, 6-2) deixou para trás Karen Khachanov, Benoit Paire e Guido Pella.

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André Dias PereiraJulho 1, 20193min0

Arranca esta segunda-feira o torneio de Wimbledon, o mais antigo e tradicional Grand Slam. No ano passado, Novak Djokovic conquistou o seu quarto torneio no All England Club diante Kevin Anderson. Poderá este ano fazê-lo outra vez?

Na teoria, sim. O sérvio mantém-se como número 1 do mundo e tem-se exibido a um nível que o torna favorito à conquista do seu 16º Major.  Vencedor, este ano, do Australian Open e do ATP Madrid, o sérvio somou triunfos no piso rápido e em terra batida. Nolan tem gerido com critério o seu calendário e a preparação para os principais torneios. Por estes dias anunciou Goran Ivanisevic na sua equipa técnica para o All England Club. A estreia acontece já esta segunda-feira, dia 1, diante o alemão Phillip Kholschreiber, onde é amplamente favorito. Em 12 confrontos entre os dois, o sérvio ganhou 10.

Tal como nos últimos anos, Federer e Nadal são apontados também como grandes favoritos. Senão vejamos. Roger Federer (8), Novak Djokovic (4), Rafael Nadal (2) e Andy Murray (2) venceram as últimas 16 edições de Wimbledon. De entre esses, Federer, Nadal e Djokovic ganharam os últimos 10.

O suíço é o maior campeão do torneio e prepara as suas temporadas para que, nesta altura, esteja no auge. Oito vezes campeão, Federer surge como segundo cabeça de série. Apesar de Nadal ser número 2 do mundo, ao contrário de outros Major, Wimbledon tem em conta não o ranking mas a prestação dos tenistas na relva nos últimos 24 meses. Um critério criticado por Nadal que considera que essa opção “não é boa”.

Candidatos além dos suspeitos do costume

Federer chega a Wimbledon depois de vencer Halle pela décima vez. O suíço ganhou também os torneios de Dubai e Miami em 2019. Perto de completar 38 anos, o helvético não pode ser ignorado na luta pelo título, sobretudo em Wimbledon.

Como terceiro cabeça de série, Nadal terá uma chave mais dura. Jogadores como Kyrgios, Shapovalov, Cilic e Federer são alguns dos possíveis adversários. O espanhol vem de uma vitória importante em Roland Garros e apesar de relva não ser o seu ponto forte, já ganhou Wimbledon por duas ocasiões (2008 e 2010).

Mas para além do big-3 há outros nomes a acompanhar. Da velha geração, como Kevin Anderson, Kei Nishikori ou Stan Wawrinka, à nova geração, Thiem, Zverev, Tstsipas ou até Felix Auger-Aliassime. O canadiano, 18 anos, entrou em 2019 como 109 do mundo e atualmente é 21º. Uma escalada impressionante, que se junta a outros elementos como a capacidade de jogar de igual para igual com todos os adversários, em qualquer piso.

Tsitsipas também tem feito uma época muito boa. Apesar de denotar quebra física, o grego venceu em 2019 dois torneios: Marselha e Estoril. Ao todo, El Greco soma 3 títulos ATP na carreira aos 20 anos de idade. Tal como Thiem. O austríaco é número 4 do mundo, jogou a final de Roland Garros e soma, em 2019, vitórias em Barcelona e Indian Wells.

Quem está de fora é Andy Murray. O britânico jogará apenas a vertente de pares. Já Borna Coric lesionou-se no abdómen e também está fora da competição. Por outro lado, Kevin Anderson regressa após uma longa paragem por lesão. O sul-africano, finalista vencido em 2018, está longe da melhor forma para voltar a repetir o feito. Caso chegue às meias-finais, poderá defrontar Djokovic naquela que seria a reedição da final de 2018.

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André Dias PereiraJunho 24, 20192min0

Roger Federer conquistou, em Halle, este domingo, o 102º título da sua carreira. O suíço não deu chances a David Goffin. Com os parciais de 7-6 e 6-1 o helvético ganhou o torneio alemão pela 10ª vez (2003, 2004, 2005, 2006, 2008, 2013, 2014, 2015, 2017 e 2019). Este foi também o terceiro título de Federer em 2019. Recorde-se que Roger venceu também os torneios de Dubai e Miami.

Ainda no arranque da temporada de relva, Federer entrou da melhor maneira, mostrando o porquê de, mesmo aos 37 anos, ser o grande favorito neste piso. O primeiro set da final foi muito equilibrado, com o suíço a definir tudo no tie-break: 7-2. O segundo set já começou com uma quebra de serviço por parte de Federer. A partir daí Goffin não mais se encontrou e o suíço venceu por 6-1.

Ao longo do seu percurso esta semana Federer perdeu apenas dois set. Um contra Tsonga e outro diante Bautista Agut. O primeiro a cair foi o australiano John Millman (7-6, 6-3). Seguiu-se Tsonga (7-6, 4-6, 7-5) e Bautista Agut (6-3, 4-6, 6-5). Nas meias-finais levou a melhor sobre a sensação Pierre-Hugues Herbert (6-3, 6-3).

O francês, 38º do mundo e 28 anos de idade, ainda não venceu qualquer torneio ATP. Contudo, já chegou a três finais, uma delas este ano, em Montpellier. Em Halle deixou para trás jogadores como Borna Coric, Sergiy Stakhovsky ou Gael Monfils. Acabou por cair nas meias-finais.

Connors à vista

Já David Goffin, 23 do mundo, continua o seu jejum de títulos desde 2017. O belga não atingia uma final desde 2017. Outrora um dos mais promissores tenistas do mundo, aos 28 anos de idade não atravessa a melhor fase da carreira. Ainda assim, pode ser um adversário duro para qualquer um. Para trás deixou Matteo Berretini nas meias-finais. O italiano atravessa um ótimo momento. Recorde-se que chega a Halle depois de vencer em Estugarda. Também Alexander Zverev caiu aos pés de Goffin, nos quartos de final.

Com este título, Federer soma agora 19 na relva, um record. E por falar em record, faltam “apenas” sete títulos para que o suíço iguale Jimmy Connors como maior campeão de sempre do circuito ATP. A questão não é saber se Federer conseguirá, mas sim quando o vai conseguir.

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André Dias PereiraJunho 18, 20191min0

Matteo Berrettini é o novo senhor de Estugarda. O italiano, 23 anos de idade, conquistou na Alemanha o seu terceiro torneio ATP. O ano passado, em Gstaad, na Suíça, venceu o primeiro, e em Abril deste ano ganhou em Budapeste. Berrettini precisou de 1h49 para levar de vencido Auger-Aliassime por 6-4 e 7-5.

O jogo foi equilibrado, conforme os parciais sugerem, mas o italiano soube aproveitar melhor os erros do canadiano. Logo no terceiro jogo, conseguiu quebrar o serviço a Aliassime, abrindo para 3-1. O italiano manteve-se sólido e precisou de 33 minutos para fechar em 6-4. O segundo set foi mais equilibrado. Sem quebras de serviço, o jogo foi decidido em tie-break.

Berretini sobe no ranking

Esta foi, aliás, a terceira final perdida de Auger-Aliassime, todas em 2019. O canadiano, 18 anos de idade, é um dos valores emergentes do circuito, ocupando a 20ª posição. Apesar de ainda não ter vencido qualquer título, o seu talento aponta para que seja apenas uma questão de tempo.

“Felix é inacreditável e está num óptimo momento”, disse Berrettini sobre o seu rival de domingo. Para atingir a final, o italiano deixou para trás tenistas como Kyrgios, Khachanov, Kudla e Jan-Lennard Struff.

Com este título, Berrettini sobe para a 22ª posição do ranking ATP. Aliassime é 21º.

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André Dias PereiraJunho 10, 20192min0

Se havia dúvidas, Rafa Nadal fez questão de as desfazer este domingo. O espanhol tremeu, mas não caiu frente a Dominic Thiem (6-3, 5-7, 6-1 e 6-1) e conquistou Roland Garros pela 12ª vez.

Depois do duelo entre os dois tenistas em 2018, nos quartos de final, após Thiem ter vencido, já esta temporada, o maiorquino em Monte Carlo, os dois finalistas confirmaram o favoritismo que lhes era atribuído.

Nadal não está a atravessar um bom momento. Já se sabia. Pela primeira vez na carreira havia chegado a Maio sem títulos. Em Roma acabou por vencer o seu único torneio até Roland Garros. Thiem, pelo contrário, tem crescido não só no ranking mas também no seu jogo. Já o tinha mostrado o ano passado e este ano atingiu a final do principal torneio de terra batida.

O autríaco surgia, pois, como desafiante. Só que Nadal voltou a mostrar que em Roland Garros é praticamente invencível. São agora 93 vitórias e apenas duas derrotas, uma das quais (Soderling, em 2009) por desistência. Durante o percurso este ano, Nadal deixou para trás jogadores como Goffin, Londero, Nishikori ou Federer. Aliás, o suíço voltou a atingir as meias-finais de Roland Garros. Um registo superior ao que esperava, admitiu o helvético. Só que Nadal não deu chances para que pudesse avançar: 6-3, 6-4 e 6-2.

Já Thiem também fez um grande percurso. Entre outros, afastou Novak Djokovic nas meias-finais: 6-2, 3-6, 7-5, 5,7 e 7-5.

Apesar de Nadal ainda reinar e o seu domínio em Paris não parecer ter fim, Thiem é, pelo menos para já, o fiel súbdito. “Dominic, desculpa porque és um dos melhores exemplos que temos no circuito. Trabalhador, sempre com um sorriso no rosto. És uma inspiração para mim e para tantas crianças”, disse o espanhol sobre o austríaco.

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André Dias PereiraJunho 3, 20192min0

Os quartos de final de Roland Garros vai juntar Roger Federer e Stan Wawrinka. Amigos e rivais a carreira dos dois tenistas suíços tem convergido ao longo dos anos. Os estatutos de ambos no circuito são, contudo, diferentes. Pode dizer-se que são como que o parente rico e o parente pobre do ténis suíço.

Os dois vão defrontar-se pela 26ª vez, e apesar da história estar a favor de Federer – 22 vitórias contra 3 derrotas – a verdade é que na terra batida de Paris, Wawrinka tem uma palavra a dizer. Aliás, talvez por quase sempre ter vivido na sombra de Federer, Wawrinka parece sempre ter uma palavra a dizer. Sobretudo em Roland Garros, onde já ergueu o troféu, em 2016.

O espírito combativo, mentalidade, capacidade de trabalho, aliado ao seu talento, fazem de Wawrinka um caso especial no ténis. Passou a carreira a ver Federer, Nadal e Djokovic, dominarem o circuito, evoluiu e conseguiu vencer 3 Grand Slams.

Aos 34 anos é 28º do mundo, mas já foi número 3. A terra batida é o seu piso preferencial, ao contrário de Federer, que abdicou da temporada de terra batida nos últimos anos.

Talvez pelo seu jogo mais físico, Wawrinka tem sofrido muito com lesões, que o afastaram de sua melhor forma. O seu último de 16 títulos foi em Genebra, em 2017.

De então para cá, entre lesões e operações, Wawrinka tem estado longe do seu melhor. Mas na terra batida, é sempre um gigante a ter em conta. Sobretudo em Paris.

O jogador dos grandes momentos

Que o diga Stefanos Tsitsipas. O grego, um dos candidatos à vitória em Roland Garros, caiu nos oitavos de final. Num jogo épico, de 5 horas de duração, Wawrinka fechou com 7-6, 5-7, 6-4, 3-6, e 8-6. Stan regressa aos quartos de final de Paris, dois anos depois e não por acaso. Stan mostrou que o seu talento experiência continuam lá. E é preciso contar com ele. Contra Tsitsipas salvou 22 pontos de break e não desperdiçou nenhum.

Antes de eliminar Tsitsipas, Wawrinka deixou para trás Grigor Dimitrov (7-6, 7-6, 7-6). “Na terra batida ele tem sido mais perigoso do que em qualquer outra superfície”, admitiu Federer, que espera “que não esteja ao nível de 2015”. Regressado à competição, Roger Federer deixou para trás Leonard Mayer (6-2, 6-3 e 6-3) e Casper Ruud (6-3, 6-1 e 7-6).

Quem também já está nos quartos de final é Rafa Nadal. O espanhol, o maior campeão de Roland Garros, não teve dificuldades em deixar para trás, David Goffin (6-1, 6-3, 4-6 e 6-3) e Juan Ignacio Londero (6-2, 6-3 e 6-3). O maiorquino vai defrontar o vencedor entre Kei Nishikori e Benoit Paire. O jogo foi interrompido por falta de luz com o resultado em 6-2, 6-7 e 6-2 a favor do japonês.

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André Dias PereiraMaio 27, 20193min0

Arrancou este domingo Roland Garros, o Grand Slam da terra batida. Todos anos, desde que Nadal é profissional, a grande pergunta é se existe alguém que possa travar o espanhol. E não é por menos. Desde 2005 só por três ocasiões o maiorquino não ganhou o torneio dos mosqueteiros. Em 2009, ganhou Federer, em 2015, Wawrinka e 2016, Novak Djokovic.

Para se ter ideia do peso que torneio tem na carreira de Nadal, dos 17 Grand Slam conquistados – apenas superados pelos 20 de Roger Federer – 11 foram em Paris. Só que agora, com 32 anos, e muitas lesões em cima, será menos favorito?

Nem tanto. A bolsa de apostas continua a acredita que Nadal é o principal candidato à vitória, seguido de Djokovic e Thiem.

O certo, contudo, é que os resultados de Rafa este ano estão longe do que outrora foram. Pela primeira vez na sua carreira, chegou ao mês de Maio sem títulos. O seu domínio em Monte Carlo e Madrid foi quebrado precisamente por Dominic Thiem e Novak Djokovic. Só que em Roma, Nadal surgiu de forma imperial. Com direito a ‘pneu’ na final sobre Djokovic. Aliás, em quatro dos cinco jogos disputados, aplicou ‘pneu’ aos adeversários.

Novak Djokovic, Dominic Thiem, Alexander Zverev e Roger Federer são os desafiantes ao trono do rei Nadal. O número um do mundo, vencedor em 2016, surge em Paris com o título de Madrid no bolso e pretende conquistar o quarto Major consecutivo, fazendo o seu segundo carrear Grand Slam.

Dominic Thiem é também visto como um rival à altura do espanhol. A terra batida é o seu piso preferencial e na temporada passada jogou uma partida épica com Nadal nos quartos de final, onde acabou batido. Já este ano, em Monte Carlo, o austríaco levou a melhor sobre o espanhol nas meias finais. E, conforme disse o próprio Nadal, “Thiem é favorito ao título em qualquer torneio de terra batida”.

O regresso de Federer

Mais improvável é a vitória de Alexader Zverev. O alemão costuma falhar nos grandes torneios, embora a terra batida seja o seu piso mais forte. O ano passado atingiu os quartos de final, o seu melhor registo em Major. Só que este ano, Zverev, que venceu o torneio de Genebra, parece numa crise de resultados. Em Roma foi afastado por Matteo Berrettini na segunda ronda.

Três anos e 11 meses depois, Roger Federer regressa a Roland Garros. Recode-se que o torneio francês foi o primeiro Major que o suíço jogou há já 20 anos. Há 10 venceu o seu único torneio de Roland Garros. Mas não se pense que o suíço é mais limitado na terra batida, apesar de ter essa fama. Ao longo da carreira conquistou nada menos do 20 troféus neste tipo de piso. Neste regresso, contudo, parece correr por fora no que diz respeito a favoritismo. Porque, de facto, há jogadores mais fortes que ele na terra batida e porque, aos 37 anos, parece já ter dificuldades em levar a melhor sobre os seus maiores rivais.

Ao longo dos anos, Federer acumulou cinco derrotas para Rafael Nadal, além de eliminações para Alex Corretja, Hicham Arazi, Luis Horna, Gustavo Kuerten, Novak Djokovic, Jo-Wilfried Tsonga e Ernests Gulbis.

Contudo, há um factor novo. Desta vez a ausência de expectativas e de pontos a defender, deixam Federer sem pressão para o torneio. E isso pode pesar a seu favor. Poderá surpreender?


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