Arquivo de Rússia - Fair Play

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Sávio AzambujaJulho 8, 20176min0

O Fair Play esteve na Rússia a acompanhar a Taça das Confederações. Já com vencedor definido – uma “propositadamente desfalcada” Alemanha – e com a seleção das Quinas a trazer para casa a medalha de bronze, este é o relato da competição por terras soviéticas.

Logo após um sábado de grandes emoções com o torneio do Football For Friendship 2017 (cujo balanço pode consultar aqui), o Domingo em São Petersburgo não poderia ser diferente. O Fair Play esteve por lá, e conta tudo o que se passou fora das quatro linhas.

O dia começou com a grande festa de encerramento do evento promovido pela Gazprom. Realizado num centro de convenções de última geração, a celebração do F4F contou com a presença de diversos representantes da FIFA e ídolos do futebol, além de espectáculos de dança e música.

As estrelas dos relvados Ivan Zamorano, Júlio Baptista, Aleksandr Kerzhakov e Panagiotis Fyssas entregaram os prémios aos jovens destaques do torneio. Outro momento importante foram as palavras da secretaria geral da FIFA, Fatma Samoura, destacando a importância da união, amizade e respeito entre jovens de países tão diferentes.

Apesar do grande sucesso do evento, nenhum dos presentes conseguia esconder a enorme excitação com tudo o que ainda estava por vir. A final da Taça das Confederações reservava uma noite de emoção com o confronto entre Chile e Alemanha.

A caminho do estádio não havia como não perceber que a cidade estava em festa e respirando futebol. Quanto mais a grandiosa Zenit Arena se aproximava, maior era a movimentação dos adeptos nas ruas. Ao longe, já era possível observar as bandeiras a tremular e a imponência do estádio era algo que saltava aos olhos.

A Zenit Arena, também conhecida como Saint Petersburg Stadium, é simplesmente deslumbrante. O design do estádio foi elaborado pela empresa de arquitectura japonesa Kisho Kurosawa e lembra muito a forma de uma nave espacial. Além disso, o estádio é muito bem localizado, uma vez que se encontra muito próximo do Maritime Victory Park, na ponta da ilha de Krestovsky e é cercado por três lados pelo Mar Báltico.

Ao entrar nas imediações da arena, tudo se apresentava de forma prática e com uma organização impecável. Os fãs misturavam-se numa grande massa de cores e sentimentos e, por mais que os alemães estivessem presentes e vestidos a rigor, a agitação dos chilenos era contagiante.

Entre cânticos e exaltações à “La Roja”, era possível observar que eles haviam viajado de todas as partes do mundo para apoiar sua selecção.

“Fico muito feliz por ver tantos compatriotas. São famílias inteiras que vieram do Chile!” conta feliz Cláudio Ortega, um chileno que vive na Suécia há mais de dez anos.

Mas não eram só os chilenos que estavam a apoiar a sua selecção. Os russos também não conseguiam esconder o seu apoio.

Leonid Kostiuk e Danil Kostiuk, pai e filho respectivamente, vieram da cidade de Belgorod e, apesar de trazerem pintados no rosto a bandeira das duas selecções, foram directos ao declararem a sua preferência:

“Tenho mais simpatia pela selecção chilena, admiro a sua raça e vou torcer por eles. Porém acredito que a Alemanha vai vencer desta vez”, previu Leonid.

O caminho para as bancadas foi rápido e dinâmico. A belíssima vista da Zenit Arena tornava o percurso um verdadeiro espectáculo e a boa preparação dos funcionários não deixava espaço para dúvidas.

A festa de encerramento contou com 1.500 pessoas envolvidas e empolgou os adeptos com os concertos dos cantores russos Polina Gagarina e Egor Kreed após uma apresentação ensaiada pelo director Felix Mikhailov. O avançado brasileiro Hulk, que jogou durante quatro anos no Zenit, da Rússia, foi o escolhido para apresentar a taça do torneio a todos os presentes no estádio.

Minutos antes do jogo, o que era uma suspeita tornou-se uma certeza: a maioria esmagadora do estádio torcia pela selecção chilena.

O que se tornou uma tradição dos adeptos brasileiros durante o Mundial de 2014, repetiu-se quando a claque chilena continuou a cantar seu hino nacional mesmo após o fim da gravação oficial. Um espectáculo de arrepiar!

Apesar de estarem em menor número, os adeptos alemães não ficavam atrás. Logo após o apito inicial os gritos e incentivos não paravam e, depois do golo aos 20 minutos, tornou-se um verdadeiro frenesim.

Com o passar do tempo o jogo tomou ares mais pesados, com brigas e discussões por parte dos atletas, porém, a claque em uníssono reprovava cada discussão entre os jogadores. Todos queriam assistir a um jogo limpo.

O Fair Play na Rússia (fotogaleria)

O último apito do árbitro deu fim à apreensão dos adeptos. De um lado os alemães festejavam e do outro os chilenos apoiavam a sua equipa. No final, todos aplaudiram o espectáculo.

A saída do estádio foi tão tranquila quanto a entrada, a diferença ficou por conta do céu da cidade. O fenómeno das “noites brancas”, típico desta época do ano, proporcionou um belíssimo anoitecer às 23:30h e, no final da partida, o estádio já se encontrava completamente iluminado.

Uma noite mágica na Rússia. O fim de um capítulo onde a história só se irá encerrar em 2018, no Campeonato do Mundo. Um futuro estampado no rosto dos jovens do Football For Friendship que nunca se esquecerão deste longo dia em São Petersburgo.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24, e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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Sávio AzambujaJulho 3, 20171min0

O Fair Play esteve na Rússia, a convite da Gazprom, para acompanhar de perto o torneio jovem Football For Friendship (cujo balanço pode ser consultado aqui), e, claro, a final da Taça das Confederações, entre outras iniciativas paralelas. Segue-se uma fotogaleria com algumas das melhores imagens recolhidas pelo olhar do nosso correspondente Sávio Azambuja.

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Sávio AzambujaJulho 1, 20173min0

Jovens de todo o planeta encontraram-se em São Petersburgo para jogar futebol e propagar valores como respeito, amizade e tolerância.

São 9:30 da manhã e a expectativa toma conta do lobby do hotel Park Inn by Radisson em São Petersburgo. Apesar do frio e do mau tempo na bela cidade russa, o colorido e a felicidade estampada no rosto de centenas de jovens de diversas partes do mundo aquece e enche de alegria o enorme corredor de entrada. Estão todos reunidos à espera do tão aguardado torneio Football For Friendship (F4F) 2017.

O evento define-se como um programa social para jovens, implementado pela empresa de energia russa Gazprom desde 2013, e inclui diversos eventos desportivos e educacionais por todo o mundo.

Os principais objectivos do programa são o desenvolvimento dos jovens na prática de futebol, a popularização de um estilo de vida saudável, a propagação da tolerância e do respeito por diferentes culturas e, por fim, a alimentação de um sentimento de amizade entre crianças de diferentes países. Com uma breve visão geral do ambiente, já conseguimos perceber o enorme sentimento de companheirismo e respeito que existe no ar.

“É simplesmente maravilhoso o facto de termos criado uma plataforma significativa onde as ideias de tolerância, respeito e paz são promovidas de forma tão ampla e positiva” conta Vladimir Serov, Diretor Global da F4F.

Os jovens da edição deste ano estão em São Petersburgo, na Rússia, que, para além de contar com o F4F, é também a sede da final da Taça das Confederações. Final esta que é o ‘grand finale’ do Football For Friendship, pois todos os jovens que participaram no evento este ano terão a oportunidade de desfrutar da final dentro do estádio, com uma visão privilegiada dos seus jogadores favoritos.

Depois de uma semana de treinos intensos (e divertidos) no espaço Nova Arena, em São Petersburgo, os jovens tiveram neste Sábado o tão esperado torneio F4F 2017, e o resultado não poderia ter sido melhor. Foram 64 jovens das mais diversas origens, divididos em 8 equipas de 8 jogadores.

“Estou impressionado. Nós somos de 64 países diferentes e estamos todos aqui, agora. Eu acho que muitos jovens gostariam de estar no meu lugar” relata o pequeno Ibrahim Khellil, da Argélia.

As equipas foram divididas por cores e um sorteio no início do evento determinou quais seriam os confrontos. Na sua primeira partida, a Equipa Vermelha, do jovem representante português Tiago Guerreiro foi derrotada pela equipa Laranja. Porém, Tiago, de apenas 10 anos, não desanimou.

“O importante é que jogámos bem”, gritava o miúdo em apoio aos seus companheiros.

Com o decorrer do campeonato, diversos talentos individuais surgiram. Entre eles podemos destacar para além do português Tiago (SR Almancilense – Loulé), o defesa brasileiro Juan (Fluminense – Rio de Janeiro) e o avançado argentino Ivan (San Lorenzo – Buenos Aires). Estes dois últimos foram os protagonistas da grande final, realizada entre a Equipa Laranja e a Lilás.

A última partida do torneio foi um show a parte. O placar de 4×3 a favor da Equipa Laranja retrata bem uma partida cheia de emoções e belas jogadas.

No final de contas, as palavras do jovem jornalista Stefan Radujko, da Sérvia, sintetiza muito bem o sentimento de todos: “Não importa quem ganhou. Nós estamos no F4F para nos divertirmos e para conhecer novos amigos. Vou lembrar-me disto por toda a minha vida”.

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Joel AmorimJunho 27, 20177min0

A Liga Russa pode ser um mercado interessante e de grandes rendimentos para o futebol português. O Fair Play propõe três possíveis aquisições que militam na Liga Russa para o FC Porto, SL Benfica e Sporting Cp

A Liga Russa (РОССИЙСКАЯ ФУТБОЛЬНАЯ ПРЕМЬЕР-ЛИГА), assim como algumas ligas dos leste da Europa, estão longe dos radares da maioria dos grandes emblemas do futebol do velho continente. O muro invisível que ainda separa as partes ocidental e oriental da Europa faz com que escapem aos departamentos de scouting dos grandes clubes do ocidente, jogadores de elevada qualidade, que poderiam ter uma carreira bem mais prolífica, caso alinhassem em ligas com maior projecção. Na Liga Russa, em particular, alinham vários jogadores, que apesar de auferirem, grande parte deles, ordenados bastante avultados, poderiam perfeitamente representar, de forma bem sucedida, qualquer um dos grandes do futebol português.

FYODOR SMOLOV

Posição: Avançado Centro / Segundo Avançado / Falso Nove / Extremo
Idade: 27
Nacionalidade: Russa
Clube: FC Krasnodar

Fyodor Smolov, 27 anos de idade, é, actualmente, um jogador de referência no futebol russo e será, porventura, o melhor e mais completo avançado daquela antiga potência do desporto europeu. Natural de Saratov, cidade situada nas margens do rio Volga, a norte de Volgogrado, Smolov começou a jogar futebol no clube local, o Sokol, mas mudou-se para a capital russa com apenas 16 anos para ingressar no FC Saturn Moscovo. O seu refinado toque de bola e técnica apurada já não deixavam ninguém indiferente por essa altura e foi com naturalidade que em 2007 se mudou para o FC Dynamo Moscovo. A mudança para a capital não foi, contudo, fácil e as épocas que passou ao serviço do histórico emblema moscovita, não foram de todo as melhores da sua carreira. A incapacidade de marcar golos precipitou o empréstimo de Smolov ao Feyenoord em 2010, mas aquela que viria a ser, até ao momento, a sua única experiência no estrangeiro, pouco ou nada acrescentou à sua carreira, que parecia, por essa altura, começar a entrar num ciclo descendente. No ano seguinte regressa à Rússia e em 2012 volta a ser emprestado, desta vez ao FC Anzhi durante dois anos, onde apenas conseguiu apontar um total de três golos em quase meia centena de jogos.

Quando começava a ser motivo de “chacota” por parte da imprensa especializada e por parte dos adeptos em geral, Smolov muda-se de forma algo inesperada para Yekaterimburgo, para representar, novamente por empréstimo, o FC Ural e quase de repente, parece redescobrir a paixão por jogar futebol. Aleksandr Tarkhanov, homem da velha escola soviética, actual técnico do FC Ural era também, curiosamente, o timoneiro do emblema dos Montes Urais por essa altura e foi ele o grande responsável pela recuperação psicológica e física de Smolov. Durante essa época em Yekaterimburgo, Smolov apontou oito golos e voltou a ser aquele jogador que havia deixado excelentes indicações enquanto internacional jovem alguns anos antes.

Após o final do empréstimo, Smolov desvinculou-se definitivamente do FC Dynamo Moscovo e rumou ao FC Krasnodar para dar continuidade aquilo que havia começado em Yekaterimburgo. Smolov foi, tão só e apenas, o melhor marcador da Liga Russa nas duas últimas duas temporadas e é, como foi possível testemunhar pelas suas recentes prestações na Taça das Confederações, um avançado móvel de enorme qualidade e com um peso bastante relevante nesta nova Rússia de Stanislav Cherchesov.

GHEORGHE GROZAV

Posição: Médio Ofensivo / Extremo / Segundo Avançado
Idade: 26
Nacionalidade: Romena
Clube: Sem Clube (à data deste artigo)

Um penálti marcado “à Panenka” na primeira ronda da Liga Russa na temporada passada, fez com Gheorghe “Gicu” Grozav se tornasse o alvo de todas as atenções na equipa do FC Terek Grozny (agora conhecido como FC Akhmat). Aos 26 anos de idade, o internacional romeno, que passou a época passada ao serviço da formação da capital da Chechénia, encontra-se actualmente sem clube e seria um jogador apetecível para qualquer um dos três grandes da liga portuguesa.

Grozav é um médio ofensivo altamente versátil, que pode jogar pelo centro do terreno ou então pelas alas. Dotado de uma técnica apurada, o internacional romeno tem na capacidade de jogar com os dois pés uma das suas maiores armas, uma vez que lhe permite actuar tanto na esquerda, como na direita, com o mesmo grau de eficácia. Na temporada passada apontou cinco golos e contribuiu com duas assistências nos 21 jogos da liga russa em que participou sendo, sem dúvida, um dos jogadores mais influentes dos comandados por Rashid Rakhimov.

Natural da cidade de Alba Iulia, na Transilvânia, Grozav já passou por equipas como o FC Dinamo Bucuresti, o Standard Liège ou o FC Petrolul Ploiesti, onde realizou uma excelente temporada antes de ser contratado pelo FC Terek Grozny em 2013.

IVELIN POPOV

Posição: Médio Ofensivo / Segundo Avançado / Avançado interior / Extremo
Idade: 29
Nacionalidade: Búlgara
Clube: FC Spartak Moscovo

Há muito que se fala na sua eventual saída do FC Spartak Moscovo, mas apesar de todos os rumores, Ivelin Popov tem, para já, se mantido ao serviço do actual campeão russo. Aos 29 anos de idade, o internacional búlgaro é um jogador bastante solicitado no mercado e a imprensa russa apontava recentemente a Turquia como destino mais provável para o médio do Spartak. Popov chegou à Rússia em 2012 para representar o FC Kuban Krasnodar e desde logo se destacou entre os demais. A sua excelente técnica, aliada a uma capacidade de passe não menos impressionante, faziam de Popov um dos médios ofensivos mais valiosos do futebol russo por essa altura. As boas exibições ao serviço do emblema de Krasnodar fizeram com que mudasse para a capital russa em 2015 para reforçar o FC Spartak Moscovo de Dmitri Alenichev.

Popov é um médio ofensivo versátil, que pode actuar pelas alas em funções mais ofensivas ou que pode funcionar como um falso 9 municiando o ponta de lança da sua equipa. Internacional absoluto pela Bulgária e actual capitão da sua selecção, Popov tem na sua experiência internacional, um trunfo inabalável, que lhe permitiria, por exemplo, alinhar em equipas de topo das mais diversas ligas europeias.

Esta temporada, Popov disputou 22 jogos na liga russa, onde apontou dois golos, um deles de belo efeito em Kazan, a fazer lembrar Marco Van-Basten na final do Euro 88 diante da URSS, e contribuiu com quatro assistências para golo.

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Joel AmorimMaio 30, 20175min0

Roman Zobnin foi um dos nomes em destaque na temporada da Primeira Liga Russa que agora terminou. Nascido em Irkutsk, uma das maiores cidades da Sibéria, Zobnin despertou para o futebol num clube local, tendo-se depois mudado para a Academia de Futebol Konoplyov, uma das mais conceituadas da Rússia. Estreou-se no FC Akademiya Tolyatti, clube dos escalões inferiores russos que geralmente se “alimenta” de jogadores provenientes da academia que formou, entre outros, Alan Dzagoev, Igor Gorbatenko e Ilya Kutepov. Conheça o perfil de Roman Zobnin através do “FP Scouting”, rubrica desenvolvida em colaboração com a Talent Spy.

Zobnin sempre se destacou entre os demais e foi com alguma naturalidade que em 2013 rumou à capital da Federação Russa para ingressar no FC Dynamo Moscovo. Com apenas 19 anos, Zobnin foi enviado para a equipa de reservas do antigo gigante moscovita, mas a sua enorme qualidade fez com que logo na sua primeira temporada em Moscovo lhe fossem dadas várias oportunidades na equipa principal. O crescimento de Zobnin como jogador foi quase imediato e a temporada seguinte (2014-15) foi aquela em que começou a afirmar-se como um jogador de enorme importância nas manobras ofensivas e defensivas do FC Dynamo Moscovo. O facto de ter participado em 15 encontros da Primeira Liga Russa e num da Liga Europa demonstra bem a rápida ascensão de Zobnin no plantel do emblema moscovita. A temporada 2015-16 foi ainda melhor para Roman. Os problemas financeiros e estruturais que o Dynamo enfrentava obrigaram o treinador Andrei Kobolev a lançar na equipa principal vários jovens provenientes da formação, e toda essa situação acabou por ainda beneficiar um pouco mais o crescimento de Zobnin.

Fonte: http://uk.soccerway.com/

O jovem médio assume-se então como figura de extrema importância na equipa, uma vez que a sua fantástica versatilidade permitia a Kobelev utilizá-lo em várias posições distintas na linha média. Zobnin participou em 32 jogos nessa temporada, totalizando uns impressionantes 2509 minutos repartidos entre encontros da Primeira Liga Russa e da Taça da Rússia. Zobnin desempenha com elevado grau de eficácia as várias posições centrais do meio-campo. Durante a temporada de 2015-16 foi muito comum vê-lo a actuar no papel de médio defensivo ou de organizador de jogo a partir de trás, ou então, um pouco mais à frente como médio mais ofensivo, marcando o ritmo das jogadas de ataque da sua equipa.

A qualidade demonstrada na sua última temporada ao serviço dos Musora serviu de montra para Zobnin e a descida do emblema moscovita ao segundo escalão do futebol russo, pela primeira vez na sua história, precipitou a saída do jovem médio.

Dmitri Alenichev e Sergei Rodionov do Spartak Moscovo seguiam a carreira de Zobnin há já algum tempo e o seu nome figurava na lista de possíveis reforços para a nova temporada. Sem surpresa, em Julho de 2016, Roman ruma a Tarasovka por uma cifra a rondar os 3 milhões de Euros, mas poucos era aqueles que esperavam que o jovem médio conseguisse lugar na primeira equipa do histórico emblema moscovita. Alenichev, no entanto, tinha outras ideias, e no pouco tempo em que liderou os destinos do Spartak esta temporada depositou toda a sua confiança em Zobnin.

Uma derrota caseira inesperada diante do AEK Larnaca na fase de apuramento para a Liga Europa ditou a saída de Dmitri Alenichev do comando do Spartak. A saída do antigo campeão europeu pelo FC Porto não comprometeu, contudo, a posição de Zobnin na equipa, uma vez que o novo treinador do conjunto moscovita, o italiano Massimo Carrera, continuou a depositar toda a confiança no jovem médio.

Zobnin realizou uma temporada fantástica e ajudou a sua equipa a vencer a Primeira Liga Russa. Roman participou em 29 jogos onde apontou dois golos e contribuiu com três assistências, sendo o segundo jogador mais utilizado da equipa logo a seguir ao guarda-redes internacional russo Artem Rebrov. Com Carrera, Zobnin actuou muitas vezes em posições que não lhe eram muito familiares, tais como médio esquerdo ou direito num esquema táctico de 4-2-3-1, mas nem por isso desiludiu. A versatilidade é porventura a maior arma de Zobnin, uma vez que sem comprometer o seu rendimento global, Roman consegue desempenhar quase na perfeição todas as funções que lhe são atribuídas na equipa.

Aos 23 anos de idade, Zobnin é um dos nomes mais fortes de uma nova geração de futebolistas russos e, embora não esteja nos seus planos abandonar o seu país a breve prazo, conforme esclareceu numa entrevista recente, o futuro de Roman pode muito bem passar por um grande clube do velho continente.

BOA OPÇÃO PARA…

Manchester United – Quando ainda se encontrava ao serviço do FC Dynamo Moscovo, Zobnin esteve, de acordo com a imprensa desportiva, na mira do Manchester United e, apesar de nada em concreto ter acontecido, fica a ideia que o jovem médio russo encaixaria na perfeição na equipa de José Mourinho. A sua versatilidade seria certamente do agrado do técnico português e, caso não falhasse a adaptação ao futebol inglês, Zobnin seria bastante útil aos Red Devils.

FC Schalke 04 – Na passada semana, Zobnin foi colocado na rota de várias equipas europeias, entre as quais se destacava o FC Schalke 04. A forma prática e assertiva como joga e como encara todos os momentos do jogo seriam certamente uma mais-valia para o jovem médio num cenário extremamente competitivo como a Bundesliga.

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Joel AmorimAbril 25, 20177min0

Têm sido tempos de desalento e desnorte, aqueles vividos pela selecção russa de Sub-21 nos últimos 15 anos. As constantes mudanças na equipa técnica e a quase letargia táctica e técnica da era de Pisarev colocaram o combinado russo numa posição extremamente delicada no panorama futebolístico mundial.

No comando da equipa desde 2010, o antigo internacional russo Nikolai Pisarev nunca foi capaz de montar uma formação competitiva e desperdiçou, de certa forma, aquela que era vista como uma geração de ouro do futebol russo e da qual faziam parte nomes sonantes como os de Alan Dzagoev, Fyodor Smolov, Oleg Shatov, Maksim Kanunnikov e Denis Cheryshev, entre outros. O Campeonato Europeu da categoria disputado em Israel em 2013, o único para o qual a formação russa se conseguiu apurar pela mão de Nikolai Pisarev, foi um triste exemplo de como uma geração com enorme potencial estava a ser mal gerida e desperdiçava toda a sua qualidade em esquemas tácticos confusos, desajustados e sem qualquer fio condutor. Apesar de lhe ter calhado em sorte um grupo altamente complicado, o combinado russo terminou o torneio com três derrotas em outros tantos jogos, tendo sido o desaire por 5-1 frente à selecção holandesa particularmente embaraçoso.

Após falhar o apuramento para o Campeonato da Europa da categoria em 2015 na República Checa e para os Jogos Olímpicos do Brasil um ano mais tarde, a queda vertiginosa do combinado russo aconteceu na fase de apuramento para o Europeu da Polónia que se irá realizar este ano. Uma campanha verdadeiramente medíocre com apenas duas vitórias em 10 jogos e o consequente penúltimo lugar do seu grupo fizeram, finalmente, ecoar o sinal de alerta na Federação Russa (RFS – Российский Футбольный Союз), que após anos de aparente resignação e descoordenação pareceu querer tomar as rédeas da situação.

No final do mês de Janeiro deste ano e após alguma especulação, Vitaly Mutko, o presidente da RFS, dava a conhecer o novo timoneiro da armada russa e, apesar de tardia, a sua escolha “recebeu” uma aprovação quase generalizada por parte da imprensa e dos adeptos russos. Yevgeni Bushmanov, 45 anos de idade, antigo médio de CSKA e FC Spartak Moscovo, foi o homem escolhido para reconstruir uma selecção que há muito perdeu o seu fio condutor e que em nada faz lembrar aquele combinado que ainda durante a era soviética amealhou títulos a nível europeu e mundial.

Bushmanov a orientar o treino dos sub-21 em Marbella. (Foto: www.rfs.ru)

Após uma carreira de nível elevado como jogador, Bushmanov começou o seu percurso como treinador em 2004 na equipa de reservas do FC Shinnik Yaroslavl. Após várias passagens por clubes do Oblast de Moscovo, o trabalho altamente elaborado e metódico de Bushmanov começou a fazer-se notar ao serviço do Spartak-2 (equipa B ou de reservas do FC Spartak Moscovo). Em 2013, ano em que a equipa voltou a disputar uma liga profissional, Bushmanov começou a preparar um conjunto de jogadores da academia de Tarasovka e, em 2015, consegue fazer com que o Spartak-2 suba, pela primeira vez na sua história, ao segundo escalão do futebol russo, a FNL (ФНЛ).

A primeira época do Spartak-2 de Yevgeni Bushmanov na competitiva FNL foi verdadeiramente fantástica e a equipa terminou a campanha num honroso 5º lugar. Sempre fiel ao seu 4-2-3-1, táctica pouco utilizada pela escola de futebol russa e soviética, Bushmanov não abandonou, por um só momento, o futebol de ataque, de pressão alta e construído a partir de trás com passes curtos e algo mecanizados, estilo de jogo promovido na academia deste histórico emblema moscovita.

Passar do comando de uma equipa dita de reservas para o comando da selecção nacional de Sub-21 não se apresenta certamente como uma tarefa fácil, mas por aquilo que já foi possível ver durante os dois encontros de preparação realizados no passado mês de Março, Bushmanov é o homem certo para tal hercúlea tarefa.

Selecção Russa Sub-21 no jogo de preparação contra a Noruega em Marbella. (Foto: www.rfs.ru)

Com especial talento para fazer desenvolver jovens jogadores, Bushmanov pôs, desde cedo, mãos à obra, e liderou uma revolução quase que silenciosa na selecção russa. Um corte total com o passado e com as escolhas, nem sempre felizes, do seu antecessor deram mote para um virar de página, que a bem do futebol russo, se espera bem sucedido.

A ERA DE BUSHMANOV

De uma equipa capitaneada pelo talentoso guarda-redes e antigo campeão da Europa de Sub-17 Anton Mitryushkin, há a destacar jogadores de elevado valor como são os casos de Ayaz Gulyev (médio centro do FC Anzhi, emprestado pelo FC Spartak Moscovo), Aleksandr Makarov (extremo versátil do FC Tosno, emprestado pelo CSKA Moscovo), Georgi Melkadze (avançado versátil do FC Spartak Moscovo, apesar de realizar a maior parte dos jogos pelo Spartak-2), Aleksandr Zuev (médio ou extremo esquerdo do FC Krylya Sovetov, emprestado pelo FC Spartak Moscovo), Dmitri Barinov (médio centro do FC Lokomotiv Moscovo), Igor Bezdenezhnykh (médio centro do FC Ufa), Ivan Oblyakov (médio de ataque altamente versátil do FC Ufa), Rifat Zhemaletdinov (extremo do FC Rubin Kazan) e Shamsiddin Shanbiev (defesa que actua preferencialmente pelo lado direito, mas que também pode ser utilizado como médio defensivo ou médio ala, do Spartak-2), entre outros.

Embora ainda haja muito por fazer, os dois primeiros jogos de preparação contra Roménia e Noruega respectivamente, deixaram já boas indicações a Yevgeni Bushmanov. Uma vitória por 5-1 diante dos romenos e outra por 2-0 diante de uma bem organizada formação norueguesa deixaram transparecer de imediato algo que não se via desde há já muito tempo na equipa russa: organização e critério. Sempre com uma posse de bola acima dos 55% e com uma qualidade de passe já bastante assinável, há essencialmente a destacar o leque de opções de qualidade que Bushmanov tem no sector intermediário. Ayaz Gulyev e Ilya Zhigulev conferem à equipa uma circulação de bola bastante fluída e sempre, ou quase sempre, assente em passes curtos e construção rápida, pelo centro do terreno. Lá mais na frente, as movimentações constantes de Makarov, Melkadze, Zuev, Oblyakov e Zhemaletdinov oferecem um ritmo elevado nos movimentos de ataque e uma pressão agressiva ao portador da bola no primeiro momento de construção da formação adversária.

A Yevgeni Bushmanov é-lhe pedido que consiga fazer com que a Rússia marque presença no Europeu de 2019 de Sub21, que terá lugar em Itália e San Marino. A tarefa que se avizinha não será certamente fácil e mais complicada se torna se tivermos em conta os parcos e até enfadonhos desempenhos da formação russa nos últimos 15 anos. Bushmanov, que trabalhou de perto com treinadores como o lendário Oleg Romantsev e o astuto Gennadi Kostylev, parece ter reunido em si um pouco dos dois, sem nunca, no entanto, ter perdido a sua própria identidade e o seu próprio cunho pessoal. Yevgeni tem agora a responsabilidade de fazer renascer o futebol jovem do seu país, que, apesar de breves momentos de glória, tem estado em quase profunda depressão desde o desmembramento da antiga União Soviética.


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