Tour de France – Candidatos ao Top 10

Fair PlayAgosto 26, 20209min0

Tour de France – Candidatos ao Top 10

Fair PlayAgosto 26, 20209min0
Apostar num Top 10 final de uma grande volta é sempre ingrato. No Tour, o falhanço pode ser tal que o risco de ser vergonhoso é grande. Ainda assim, o Fair Play arrisca, e numa experiência de artigo conjunto dos três editores do ciclismo, apresenta três hipóteses de Top 10 debatendo e justificando as escolhas.

Após apresentar o percurso, identificar os principais jovens e sprinters e analisar as equipas mais fortes, o Fair Play chega à última e mais difícil análise pré Tour de France 2020.

Identificar uma longa lista de favoritos até que não é uma tarefa difícil de realizar. Limitar essa lista a um Top 10, apontando um lugar na classificação geral final para cada nome e justificar essa escolha, pode tornar-se complicado.

Estes são os pontos de vista (apostas) dos editores do Fair Play:

As escolhas de Diogo Pisco:

1- Primoz Roglic (Team Jumbo- Visma)

2- Egan Bernal (INEOS Grenadier)

3- Nairo Quintana (Árkea-Samsic)

4- Thibaut Pinot (Groupama – FDJ)

5- Tom Dumoulin (Team Jumbo- Visma)

6- Miguel Angél López (Astana Pro Team)

7- Mikel Landa (Bahrain-McLaren)

8- Tadej Pogacar (UAE – Team Emirates)

9- Emanuel Buchmann (BORA – hansgrohe)

10- EF Education First ( Rigoberto Uran, Daniel Martinez ou  Sergio Higuita)

“Dentro do Top 4 enumerado, estão sem dúvida os candidatos mais fortes à vitória no Tour de France, na partida em Nice, no dia 29 de Agosto. Qualquer um deles pode vencer este Tour, sendo que na chegada a Paris, os nomes podem ser os mesmos e apenas as posições serem diferentes.

A escolha do vencedor recai sobre Roglic, por acreditar que a Jumbo – Visma acertou na “mouche” quanto aos ciclos de preparação dos seus atletas e por isso a supremacia que se tem notado irá continuar. Entre o 6º e o 9º lugar, estão os nomes que parecem mais capacitados a comprovar que têm qualidade a estar no Top 10 do Tour, podendo também os lugares alternar entre eles.

A aposta para 10º classificado recai numa equipa que leva um grupo com muita qualidade para o Tour, sem dúvida com qualidade para fechar Top 10. Falta-lhes uma tática e um líder bem definido, falha que já se mostrou fatal a outras equipas nesta competição. Na posição 5, surge o “Joker”. Se conseguir ir recuperando a forma, pode entrar na luta pela vitória. Também em caso de quebra de um ou mais nomes a cima dela pode ditar um osso duro de roer. Poucos arriscam meter Dumoulin como vencedor, mas também poucos o descartam de candidato.”

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Roglic, campeão esloveno, é aposta de Diogo Pisco para vencer, à frente de Bernal e Quintana

 

As escolhas de Davide Neves:

1 – Thibaut Pinot (Groupama-FDJ)

2 – Tom Dumoulin (Team Jumbo-Visma)

3 – Egan Bernal (INEOS Grenadier)

4 – Nairo Quintana (Team Arkéa-Samsic)

5 – Primoz Roglic (Team Jumbo-Visma)

6 – Tadej Pogacar (UAE- Team Emirates)

7 – Miguel Angel Lopez (Astana Pro Team)

8 – Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe)

9 – Romain Bardet (AG2R La Mondiale)

10 – Mikel Landa (Bahrain-McLaren)

“Acredito que, à oitava participação no Tour, este será o ano de Thibaut Pinot. No ano passado apenas um infortúnio lhe retirou essa possibilidade à 19ª etapa, quando parecia lançado e em melhor que toda a concorrência (estava a 20 segundos de Egan Bernal à entrada dessa etapa).

Tom Dumoulin acabará à frente do seu co-líder de equipa, Primoz Roglic, que não irá estar em forma para fechar pódio, que fechará com Egan Bernal. Nairo Quintana lutará até ao fim pelo pódio, mas o contrar-relógio na 20ª etapa poderá prejudicar essas aspirações.

Os restantes 5 lutarão pelo top-10, com menções honrosas ainda para Julian Alaphillippe (Deceunick-Quick Step), Bauke Mollema (Trek-Segafredo), Adam Yates (Mitchelton-Scott), o trio colombiano da EF (Uran, Higuita e Martinez) e o outsider Guillaume Martin (Cofidis), que tudo fará para fechar um top-10 no Tour de France ou pelo menos igualar a edição passada, onde ficou em 12º lugar na geral.”

 

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Davide Neves aposta em Pinot, à frente de Dumoulin e Bernal. Teremos por fim um vencedor caseiro?

As escolhas de Gonçalo Melo:

1- Tom Dumoulin (Jumbo-Visma)

2- Egan Bernal (INEOS Grenadier)

3- Thibaut Pinot (Groupama-FDJ)

4- Tadej Pogacar (UAE Emirates)

5- Primoz Roglic (Jumbo-Visma)

6- Nairo Quintana (Árkea Samsic)

7- Emanuel Buchmann (Bora Hansgrohe)

8- Mikel Landa (Bahrain-McLaren)

9- Miguel Ángel López (Astana Pro Team)

10- Romain Bardet (AG2R L Mondiale)

“Uma aposta de algum risco em Tom Dumoulin, mas justificada. O holandês é um super ciclista, e já conseguiu numa equipa mais fraca demonstrar que tem pernas, coração e frieza para estar no topo durante 3 semanas, e para ganhar (tem um contra relógio perto do fim para ganhar ou recuperar tempo).

Além disso, parece bastante mais talhado para resistir a ataques múltiplos dos adversários do que o companheiro Primoz Roglic, que se destaca mais em subidas curtas e explosivas, e não em subidas de vários kms. Egan Bernal e Thibaut Pinot são os reis na alta montanha, embora Nairo Quintana tenha o estatuto e as pernas para partir a corrida. No entanto, os elementos da Jumbo parecem claramente mais motivados e apoiados.

Expetativa para ver o prodígio esloveno Tadej Pogacar, a confirmação de Emanuel Buchmann como grande voltista, e uma luta pelo top 10 que além de Mikel Landa, Miguel Ángel López e Romain Bardet, deverá ter Adam Yates, Rigoberto Urán ou Daniel Martínez, Richie Porte ou Bauke Mollema, e sobretudo Guillaume Martin, que está em grande momento de forma. Não será de descartar ainda Richard Carapaz, que na ajuda a Bernal pode construir uma candidatura ao top 10.”

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Gonçalo Melo aposta no holandês Dumoulin, à frente de Bernal e Pinot. Conseguirá melhor que o 2º lugar de 2018?

Certezas e Dúvidas

Não parecem existir grandes dúvidas quanto aos 4 nomes fortes deste Tour. Primoz Roglic, Thibaut Pinot, Egan Bernal e Tom Dumoulin, aparecem nos três Top 5 enumerados, sendo que a probabilidade do vencedor da prova estar fora desta lista parece muito reduzida.

Outra das certezas do Fair Play parece ser Nairo Quintana e a probabilidade de se intrometer na luta pela vitória, ou pelo menos pelo pódio final.

Quanto à qualidade para estar no top 10 final, mas ainda longe da luta pela vitória, a opinião é unânime quanto a Emanuel Buchmann, Tadej Pogacar, Mikel Landa e Miguel Angél Lopez.

Também ninguém parece duvidar quanto à possibilidade do outsider Guillaume Martin (Team Cofidis) conseguir um desejado Top 10.

As dúvidas estão do lado de Romain Bardet, que parece longe do ciclista que outrora fechou pódio por duas vezes, Richie Porte e Bauke Mollema, vitimas de vários azares em edições anteriores, que parecem ter retirado aos analistas a capacidade de acreditar nestes atletas.Adam Yates, que está longe de ser aquele jovem de 23 anos que perdeu o pódio em 2016 à 19 etapa, e o tridente colombiano da EF Education First, Uran longe do ciclista que foi e Martinez e Higuita muito jovens para dar garantias nas três semanas.

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Quitana e Landa, agora em equipas diferentes, dificilmente não farão top 10 neste Tour

Pode-se tomar como certeza a dúvida que o Fair Play tem quanto à equipa da Movistar. Alejandro Valverde já não tem idade para aguentar os ritmos dos ciclistas referidos durante três semanas, e Enric Mas parece longe da forma que apresentou quando ficou em 2º lugar na Vuelta, assim como Marc Soler, que teima em não confirmar as expectativas que criou nos adeptos em 2017 e 2018.

Na mesma linha de opinião surgem Ilnur Zakarin (CCC Team), o homem que se deu a conhecer como voltista em Itália e confirmou com um pódio em Espanha, tem tido muita dificuldade em aguentar os ritmos dos favoritos ao longo das várias etapas. Tal qual Dan Martin, que embora seja um lutador que está habituado a correr sem equipa, pode vir a focar a sua atenção na vitória de etapas por se encontrar numa equipa de menor dimensão onde uma vitória no Tour pode justificar toda uma época.

A grande dúvida

Julian Alaphilippe (Deceuninck – Quick Step), o homem show do Tour de France 2019. Depois do ano passado muitos são os fãs que sonham que Lou-Lou possa transformar-se num candidato às três semanas e dar a tão sonhada vitória no Tour aos franceses.

O facto de ser deixado fora da luta pela vitória e até do top 10 prende-se com o facto de Alaphilippe não estar a ter os mesmos resultados da época passada. Sem vencer até ao momento, a justificação parece estar no facto de vivermos uma época atípica que alterou toda a programação existentes. O que realmente parece afastar o francês de ser candidato ao Top 10 final, é o facto de nas provas de preparação ter demonstrado muita dificuldade em acompanhar os melhores subida a cima. Realmente é algo que pode ser indicador de um momento de forma menos conseguido. Mas voltemos a 2019. Antes do Tour quantas vezes acompanhou Alaphilippe os melhores trepadores do mundo montanha a cima? Alaphilippe não chegou ao Tour como candidato ou como potencial Top 10 e no entanto aconteceu o que todos puderam ver.

O que quer Lou-Lou do Tour de France 2020? A geral? Etapas e voltar a vencer a camisola da montanha? Ou ficará contente com o facto de vestir de amarelo mesmo que sem vitórias em etapas? É realmente a grande dúvida à partida em Nice.

Ciclismo: Julian Alaphilippe vence terceira etapa do Tour e assume liderança da geral - Ciclismo - SAPO Desporto
5º no ano passado, Alaphilippe deverá focar-se em vencer etapas, e descurar a classificação geral

 


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