Arquivo de Espanha - Fair Play

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Pedro NunesAgosto 3, 20183min0

Na região espanhola da Andaluzia, duas equipas lutam pelo estatuto de dono daquele espaço. Os últimos anos têm sido dominados pelo Sevilha, que juntava as boas posições na tabela da Liga, às conquistas europeias. Contudo, na época passada, com um futebol vistoso, o Bétis acabou à frente e tornou este duelo bastante interessante.

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Pedro NunesMaio 26, 20184min0

O futebol é feito de coisas previsíveis que não acontecem. Talvez seja isso que tenha tanta graça. O Barcelona chegava a esta nova época vindo de um campeonato perdido, sem Neymar e com um novo treinador. Adivinhava-se o piorar da situação para os culés.
Ernesto Valverde era agora o homem do leme. Perante este cenário, e fazendo desde já um balanço da temporada, o técnico txinguirri acabou por conseguir dar conta do recado. No fim de contas, o Barcelona conseguiu o doblete em Espanha. Mais. Foram campeões com grande vantagem e só um filme no terreno do Levante lhes tirou a invencibilidade. Pelo meio, foram dar 3 ao Santiago Bernabéu e, com isto, confirmaram que o Real Madrid pode bem sentir que a Champions é mais fácil de vencer que La Liga.
Mas, porém, no entanto, todavia, contudo, há outras perspectivas a ter em conta no momento de analisar a temporada dos catalães. Se em Espanha a época correu de feição, na Europa houve desastres que colocaram tudo em causa. A derrota em Roma, por 3-0, está a ser difícil de digerir em Camp Nou, isto aliado à estatística que diz que caem pela quarta vez consecutiva nos quartos da Liga dos Campeões.
Indo mais a fundo, há outro tema que vem sendo discutido na questão do Barcelona. A equipa começou também a entrar em campo no jogo do “Quem é que gasta mais?” e passou a fazer, cada vez mais frequentemente, contratações milionárias. Coutinho e Dembélé são os mais recentes exemplos, assim como, de certa forma, Paulinho e Nélson Semedo. As cogitações sobre Griezmann passar a vestir a camisola blaugrana, vêm confirmar que a política é para ser mantida.
Fica por resolver a sucessão catalã na equipa, o elefante no meio da sala por entre os adeptos do Barcelona. A pouco e pouco as referências vão desaparecendo e isso é sempre um problema. Nos últimos anos, houve vários legados a chegar ao fim. Agora saiu Iniesta, já depois de Xavi, que foi precedido de Puyol. Com Sergi Roberto ali na corda bamba entre o banco e a equipa principal, do onze inicial, só sobram Messi, Piqué e Busquets. Depois deles? Ninguém.
Os três últimos estão na casa dos 30 e parece estar a desaparecer o sangue de La Masia tão caracterizador desta equipa. Até porque, na febre de procurar os melhores talentos junto às maternidades, clubes como o Manchester City e o Dortmund, levaram de das escolinhas Éric Garcia e Sergio Goméz, respectivamente. Passando a dar exemplos práticos, a melhor prova disto do que vem acontecendo é que, na última deslocação a Vigo, o Barcelona apresentou pela primeira vez desde 2002 um onze sem qualquer jogador da formação. Para contrastar, em 2012/2013, no terreno do Levante, Tito Vilanova tinha colocado em campo onze canteranos.
Os jogadores das escolinhas do Barcelona começam a perceber que as oportunidades dadas hoje em dia na equipa principal são cada vez mais escassas e optam por ir pregar para outras freguesias. Carlos Aleña é um dos últimos grandes talentos e mesmo ele tem tido muitas dificuldades em encontrar o seu espaço. No passado recente, a inclusão de jogadores mais novos era apenas o dia-a-dia. O futebol de formação foi tão importante para o sucesso catalão da última década que, em discussões sobre qual a melhor escola de futebol do mundo, as primeiras respostas tendiam mais vezes para o Ajax, por exemplo. Por ser tão óbvio, La Masia nem contava.
Vale a pena voltar a Ernesto Valverde que, no meio deste furacão de decisões a tomar, tem feito o melhor que pode mas há sempre um mas, pois mesmo assim não chega. Em Barcelona, os adeptos verão sempre Valverde associado a uma conjunção adversativa.
Os culés viveram os últimos anos com esta exigência cruyffiana que não bastava ganhar. Era preciso ganhar com identidade. Hoje, essa cultura vai desvanecendo a pouco e pouco. O Barcelona já não é mes que un club. É cada vez mais só um clube. Como tantos outros.

Foto: Weloba

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Nélson SilvaMaio 25, 20185min0

La Roja, uma das principais favoritas à conquista do Mundial, sempre com o cheirinho a tiki-taka. O Fairplay dá uma visão geral sobre “nuestros hermanos” nesta fase renovada de aposta no título.

A lista final de Julen Lopetegui é já conhecida. Com um misto de experiência e sangue novo, esta é uma seleção que não larga a base que alcançou o título mundial em 2010. Contudo, há várias mexidas e os novos talentos a despontar na seleção têm vincado a ideia de que, uma vez mais, a seleção espanhola é para ter em conta como uma das grandes favoritas. Eis a lista dos 23:

Foto: Público

O trajeto

Falar na estrutura em volta daquilo que a Espanha alcançou num passado recente é falar de um plano ponderado durante largos anos que teve os seus loiros no passado recente. É de conhecimento geral o investimento avultado no desenvolvimento do desporto, não só no futebol como em várias modalidades onde a Espanha se foi conseguindo superiorizar (andebol, basquetebol e futsal são exemplos onde a Espanha conquistou troféus internacionais). Antes do novo milénio, a seleção espanhola apenas alcançou a glória no Europeu de 1964, sob o comando de José Villalonga. A decadência da “La Roja” deu-se entre 1968 e 1982, com resultados menos positivos. Mesmo após essa fase, os grandes feitos tardaram em aparecer. Somente sob o comando de Vicente Del Bosque, em 2008, voltaram às grandes conquistas.

Desta feita, a era mais dourada de “nuestros hermanos”. Assente na filosofia de jogo que Guardiola aperfeiçoou nesses mesmos anos em Barcelona, a seleção espanhola limpou literalmente tudo (Euro 2008, Mundial 2010, Euro 2012). Os incontornáveis nomes de Xavi, Iniesta, Busquets, Fernando Torres e companhia, cimentaram o nome de Espanha como um colosso do futebol mundial, eterna candidata às conquistas de títulos europeus e mundiais. Como tudo tem um fim, a era Del Bosque termina com o falhanço na Taça das Confederações 2013, a não passagem da fase de grupos no Mundial 2014 e, por último, a queda nos oitavos de final do Euro 2016 contra a Itália. Chegou a hora da renovação, olhando sempre para quem conhece bem a casa. Julen Lopetegui, conhecido e experiente treinador das camadas jovens da seleção espanhola, foi o escolhido para selecionador.

Mesmo após uma passagem sem grande sucesso no FC Porto, a federação nada temeu e apostou num homem que preserva os princípios que tanto se pedem no futebol espanhol: futebol de posse, ataque organizado, com a aliciante de se estar a cruzar com jogadores que foi vendo crescer ao longo dos anos.

A filosofia

Julen Lopetegui é, invariavelmente, um homem do 4-3-3. O controlo da posse de bola é um princípio fundamental, algo que se mantém mesmo após a anunciada decadência do tiki-taka. Ainda assim, a filosofia assenta na integração de um modelo mais ofensivo, com novos protagonistas, sem descurar a procura de jogo interior e a deambulação dos alas, jamais extremos declarados. Necessitar de um extremo vertical não é, de todo, um fim para o técnico espanhol. O mais comum será sempre ver uma dinâmica que envolva a procura do espaço interior de um ala direito, que será certamente David Silva, permitindo assim os médios interiores (Iniesta, Thiago, Koke, Saul) deambularem por zonas mais laterais, criando espaços entrelinhas e consequentes desequilíbrios no adversário.

Julen tem como primeira opção na baliza David De Gea, provavelmente o mais inconstestável e talentoso jogador desta nova era. Na defesa, Sérgio Ramos e Piqué cimentam a dupla intocável de muitos e longos anos de conquistas. Nas alas, duas pulgas à solta. Jordi Alba é dono e senhor da lateral esquerda defensiva, sendo um jogador agressivo e muito veloz no ataque à profundidade. Carvajal, na direita, é outro pulmão incansável, consistente a defender, competente a atacar. O meio campo carrega ainda dois dos pilares de longa data. Busquets é o médio defensivo, nas costas de Iniesta e Thiago Alcântara. De realçar que esta é uma zona de grande rotatividade e a inclusão de Koke, Saul ou Isco na zona central não será surpreendente. Nas alas, David Silva parte da direita, com Isco a tratar do serviço pela esquerda, ambos com tendência para o jogo interior.

Asensio e Lucas Vasquez serão os tais extremos mais verticais que Lopetegui poderá querer lançar para os seus lugares e são opções a ter muito em conta para refrescar a equipa. Diego Costa deve ser o titular na frente de ataque, mas tem na sua sombra e à espera de manter o seu ritmo elevado Rodrigo. O avançado do Valencia acabou a época com a mira afinada para a baliza, tal como o mais experiente Iago Aspas, trabalhador nato e um atirador frio na hora de encarar o guardião contrário.

Espanha é claramente uma das principais candidatas e o apuramento fez reconhecer a excelência com que tem sido programada a renovação da sua seleção.

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Pedro NunesFevereiro 2, 20185min0

Depois de um feito inédito ao conseguir duas Ligas dos Campeões seguidas, o reencontro com a realidade tem sido duro para o Real. Os maus resultados apareceram, o lugar do treinador começou a ser questionado e não há solução à vista até porque o problema é difícil de encontrar.


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