20 Jun, 2018

Arquivo de Espanha - Fair Play

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Pedro NunesMaio 26, 20184min0

O futebol é feito de coisas previsíveis que não acontecem. Talvez seja isso que tenha tanta graça. O Barcelona chegava a esta nova época vindo de um campeonato perdido, sem Neymar e com um novo treinador. Adivinhava-se o piorar da situação para os culés.
Ernesto Valverde era agora o homem do leme. Perante este cenário, e fazendo desde já um balanço da temporada, o técnico txinguirri acabou por conseguir dar conta do recado. No fim de contas, o Barcelona conseguiu o doblete em Espanha. Mais. Foram campeões com grande vantagem e só um filme no terreno do Levante lhes tirou a invencibilidade. Pelo meio, foram dar 3 ao Santiago Bernabéu e, com isto, confirmaram que o Real Madrid pode bem sentir que a Champions é mais fácil de vencer que La Liga.
Mas, porém, no entanto, todavia, contudo, há outras perspectivas a ter em conta no momento de analisar a temporada dos catalães. Se em Espanha a época correu de feição, na Europa houve desastres que colocaram tudo em causa. A derrota em Roma, por 3-0, está a ser difícil de digerir em Camp Nou, isto aliado à estatística que diz que caem pela quarta vez consecutiva nos quartos da Liga dos Campeões.
Indo mais a fundo, há outro tema que vem sendo discutido na questão do Barcelona. A equipa começou também a entrar em campo no jogo do “Quem é que gasta mais?” e passou a fazer, cada vez mais frequentemente, contratações milionárias. Coutinho e Dembélé são os mais recentes exemplos, assim como, de certa forma, Paulinho e Nélson Semedo. As cogitações sobre Griezmann passar a vestir a camisola blaugrana, vêm confirmar que a política é para ser mantida.
Fica por resolver a sucessão catalã na equipa, o elefante no meio da sala por entre os adeptos do Barcelona. A pouco e pouco as referências vão desaparecendo e isso é sempre um problema. Nos últimos anos, houve vários legados a chegar ao fim. Agora saiu Iniesta, já depois de Xavi, que foi precedido de Puyol. Com Sergi Roberto ali na corda bamba entre o banco e a equipa principal, do onze inicial, só sobram Messi, Piqué e Busquets. Depois deles? Ninguém.
Os três últimos estão na casa dos 30 e parece estar a desaparecer o sangue de La Masia tão caracterizador desta equipa. Até porque, na febre de procurar os melhores talentos junto às maternidades, clubes como o Manchester City e o Dortmund, levaram de das escolinhas Éric Garcia e Sergio Goméz, respectivamente. Passando a dar exemplos práticos, a melhor prova disto do que vem acontecendo é que, na última deslocação a Vigo, o Barcelona apresentou pela primeira vez desde 2002 um onze sem qualquer jogador da formação. Para contrastar, em 2012/2013, no terreno do Levante, Tito Vilanova tinha colocado em campo onze canteranos.
Os jogadores das escolinhas do Barcelona começam a perceber que as oportunidades dadas hoje em dia na equipa principal são cada vez mais escassas e optam por ir pregar para outras freguesias. Carlos Aleña é um dos últimos grandes talentos e mesmo ele tem tido muitas dificuldades em encontrar o seu espaço. No passado recente, a inclusão de jogadores mais novos era apenas o dia-a-dia. O futebol de formação foi tão importante para o sucesso catalão da última década que, em discussões sobre qual a melhor escola de futebol do mundo, as primeiras respostas tendiam mais vezes para o Ajax, por exemplo. Por ser tão óbvio, La Masia nem contava.
Vale a pena voltar a Ernesto Valverde que, no meio deste furacão de decisões a tomar, tem feito o melhor que pode mas há sempre um mas, pois mesmo assim não chega. Em Barcelona, os adeptos verão sempre Valverde associado a uma conjunção adversativa.
Os culés viveram os últimos anos com esta exigência cruyffiana que não bastava ganhar. Era preciso ganhar com identidade. Hoje, essa cultura vai desvanecendo a pouco e pouco. O Barcelona já não é mes que un club. É cada vez mais só um clube. Como tantos outros.

Foto: Weloba

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Nélson SilvaMaio 25, 20185min0

La Roja, uma das principais favoritas à conquista do Mundial, sempre com o cheirinho a tiki-taka. O Fairplay dá uma visão geral sobre “nuestros hermanos” nesta fase renovada de aposta no título.

A lista final de Julen Lopetegui é já conhecida. Com um misto de experiência e sangue novo, esta é uma seleção que não larga a base que alcançou o título mundial em 2010. Contudo, há várias mexidas e os novos talentos a despontar na seleção têm vincado a ideia de que, uma vez mais, a seleção espanhola é para ter em conta como uma das grandes favoritas. Eis a lista dos 23:

Foto: Público

O trajeto

Falar na estrutura em volta daquilo que a Espanha alcançou num passado recente é falar de um plano ponderado durante largos anos que teve os seus loiros no passado recente. É de conhecimento geral o investimento avultado no desenvolvimento do desporto, não só no futebol como em várias modalidades onde a Espanha se foi conseguindo superiorizar (andebol, basquetebol e futsal são exemplos onde a Espanha conquistou troféus internacionais). Antes do novo milénio, a seleção espanhola apenas alcançou a glória no Europeu de 1964, sob o comando de José Villalonga. A decadência da “La Roja” deu-se entre 1968 e 1982, com resultados menos positivos. Mesmo após essa fase, os grandes feitos tardaram em aparecer. Somente sob o comando de Vicente Del Bosque, em 2008, voltaram às grandes conquistas.

Desta feita, a era mais dourada de “nuestros hermanos”. Assente na filosofia de jogo que Guardiola aperfeiçoou nesses mesmos anos em Barcelona, a seleção espanhola limpou literalmente tudo (Euro 2008, Mundial 2010, Euro 2012). Os incontornáveis nomes de Xavi, Iniesta, Busquets, Fernando Torres e companhia, cimentaram o nome de Espanha como um colosso do futebol mundial, eterna candidata às conquistas de títulos europeus e mundiais. Como tudo tem um fim, a era Del Bosque termina com o falhanço na Taça das Confederações 2013, a não passagem da fase de grupos no Mundial 2014 e, por último, a queda nos oitavos de final do Euro 2016 contra a Itália. Chegou a hora da renovação, olhando sempre para quem conhece bem a casa. Julen Lopetegui, conhecido e experiente treinador das camadas jovens da seleção espanhola, foi o escolhido para selecionador.

Mesmo após uma passagem sem grande sucesso no FC Porto, a federação nada temeu e apostou num homem que preserva os princípios que tanto se pedem no futebol espanhol: futebol de posse, ataque organizado, com a aliciante de se estar a cruzar com jogadores que foi vendo crescer ao longo dos anos.

A filosofia

Julen Lopetegui é, invariavelmente, um homem do 4-3-3. O controlo da posse de bola é um princípio fundamental, algo que se mantém mesmo após a anunciada decadência do tiki-taka. Ainda assim, a filosofia assenta na integração de um modelo mais ofensivo, com novos protagonistas, sem descurar a procura de jogo interior e a deambulação dos alas, jamais extremos declarados. Necessitar de um extremo vertical não é, de todo, um fim para o técnico espanhol. O mais comum será sempre ver uma dinâmica que envolva a procura do espaço interior de um ala direito, que será certamente David Silva, permitindo assim os médios interiores (Iniesta, Thiago, Koke, Saul) deambularem por zonas mais laterais, criando espaços entrelinhas e consequentes desequilíbrios no adversário.

Julen tem como primeira opção na baliza David De Gea, provavelmente o mais inconstestável e talentoso jogador desta nova era. Na defesa, Sérgio Ramos e Piqué cimentam a dupla intocável de muitos e longos anos de conquistas. Nas alas, duas pulgas à solta. Jordi Alba é dono e senhor da lateral esquerda defensiva, sendo um jogador agressivo e muito veloz no ataque à profundidade. Carvajal, na direita, é outro pulmão incansável, consistente a defender, competente a atacar. O meio campo carrega ainda dois dos pilares de longa data. Busquets é o médio defensivo, nas costas de Iniesta e Thiago Alcântara. De realçar que esta é uma zona de grande rotatividade e a inclusão de Koke, Saul ou Isco na zona central não será surpreendente. Nas alas, David Silva parte da direita, com Isco a tratar do serviço pela esquerda, ambos com tendência para o jogo interior.

Asensio e Lucas Vasquez serão os tais extremos mais verticais que Lopetegui poderá querer lançar para os seus lugares e são opções a ter muito em conta para refrescar a equipa. Diego Costa deve ser o titular na frente de ataque, mas tem na sua sombra e à espera de manter o seu ritmo elevado Rodrigo. O avançado do Valencia acabou a época com a mira afinada para a baliza, tal como o mais experiente Iago Aspas, trabalhador nato e um atirador frio na hora de encarar o guardião contrário.

Espanha é claramente uma das principais candidatas e o apuramento fez reconhecer a excelência com que tem sido programada a renovação da sua seleção.

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Pedro NunesFevereiro 2, 20185min0

Depois de um feito inédito ao conseguir duas Ligas dos Campeões seguidas, o reencontro com a realidade tem sido duro para o Real. Os maus resultados apareceram, o lugar do treinador começou a ser questionado e não há solução à vista até porque o problema é difícil de encontrar.

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Pedro NunesDezembro 9, 20174min0

O Atlético começou a época de forma intermitente, mas não é equipa de baixar os braços em nenhuma ocasião. Uma análise ao estilo colchonero de El Cholo.


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