Arquivo de Rugby - Fair Play

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Francisco IsaacNovembro 1, 20189min0

O Fair Play fará um acompanhamento semanal ao Campeonato Nacional 1, divisão onde habitam CRAV, Guimarães RUFC, RC Santarém, Caldas RC, RC Lousã, CR São Miguel, SL Benfica Rugby, Rugby Vila da Moita, RC Montemor e CR Évora. A liga já está em funcionamento mas só agora é que conseguimos fazer um acompanhamento sustentado ao CN1.

Os melhores momentos, ensaios, equipas e factos desta divisão!

LÍDER É LÍDER E NADA MUDA ISSO!

RC Montemor e RC Lousã têm dominado o CN1 desde o primeiro momento e ao fim de quatro jornadas, já conquistaram quatro vitórias ocupando o 1º e 2º lugar do campeonato, respectivamente. No caso dos mouflons, nova vitória por números “gordos” com um 66-10 na casa emprestada do Guimarães RUFC em Arcos de Valdevez.

A formação treinada por João Baptista (recorda o podcast com o treinador aqui: podcast João Baptista) entrou a matar com uma sequência de ensaios que lhes possibilitou chegar ao intervalo no controlo do resultado.

Os vimaranenses sentiram dificuldades para segurar o aspecto físico do Montemor, que voltou a fazer uso da sua pesada mas móvel avançada para chegar à área de ensaio, com de novo Luan Almeida (o brasileiro tem feito um arranque de temporada irrepreensível) a fazer estragos a partir do maul e piques.

Por outro lado, as linhas atrasadas deram um autêntico show no que toca à pontaria e aceleração na linha de vantagem, com Pedro Jaleco a realizar nova exibição de categoria, desta feita a partir da posição de defesa (Luís Vacas de Almeida regressou de lesão e entrou directamente para o XV, na posição de médio de abertura), com boas decisões no que toca aos aproveitamentos das falhas dos seus adversários.

José Leal da Costa terminou o encontro com 21 pontos, com oito pontapés certeiros nas conversões. Vitória merecida do Montemor, que aproveitou para voltar a fazer uma demonstração de “força”, sendo este o 4º jogo com uma vitória acima dos 30 pontos.

João Baptista, treinador do RC Montemor, prestou algumas declarações pós-jogo,

João Baptista, esperavas uma vitória tão alargada frente ao Guimarães RUFC? Onde foram mais fortes?

JB. Esperávamos um jogo difícil se as coisas não nos saíssem, mas felizmente tivemos alguns bons momentos que nos permitiram vencer um adversário que tem momentos bons. Conseguimos ser mais fortes quando jogámos em coletivo e conseguimos encadear algumas fases com bom ritmo.

Estás satisfeito com a qualidade exibicional da tua equipa até ao momento?

JB. Começo a estar mais satisfeito com as exibições da equipa, mas estamos ainda a uma certa distância daquilo que julgo podermos fazer!

No Campo José Redondo, a equipa local também não permitiu surpresas ante um RC Santarém “renovado” e com algumas peças bem interessantes de ver jogo. Os lousanenses que também não desarmam da luta pelo primeiro posto, realizaram nova exibição convincente com a capacidade de explosão da avançada a fazer a diferença contra os escalabitanos.

De nada valeu a capacidade defensiva dos cavaleiros de Luís Monteiro que ainda procuram atingir o seu melhor patamar, mas que possuem capacidade para surpreender durante este campeonato.

FEZ-SE HISTÓRIA NO INATEL, APESAR DA LEI DO AMARELO

SL Benfica e CR São Miguel realizaram uma inversão de jornada, com as “águias” a receberem os “bulldogues” no seu novo recinto do Inatel, que curiosamente é ainda o campo do emblema de Alvalade até que as instalações do novo complexo estejam concluídas. Rui Carvoeira contou com o seu melhor XV, enquanto que o SL Benfica não contou com António Ventosa e José Trindade não foram opções.

Os encarnados começaram melhor o encontro, com um ensaio de Pedro Bilro fruto de uma entrada explosiva de Urryel Torres pelo meio da defesa dos bulldogues… Rui Santos não foi capaz de transformar. Até ao final dos primeiros 40 minutos, Diogo Pina fez o “empate” em ensaios e André Lemos a partir de uma conversão e duas penalidade subiu a contagem para 13-05.

O SL Benfica voltaria a marcar um ensaio, graças a uma boa arrancada o seu nº8 Matt Ritani (um dos destaques, senão o destaque, deste Benfica de Francisco Aguiar e Carlos Castro), com Rui Santos a converter para o 13-12.

Quando o encontro se encontrava numa toada equilibrada, Gonçalo Melo, nº8 do CR São Miguel, aproveitou uma rodagem de uma formação-ordenada nos 10 metros finais para ir até à linha de ensaio… 20-12.

O ensaio “picou” a formação das “águias” que foram em busca da recuperação. Os dois amarelos dados por faltas anti-desportivas dos “bulldogues” conferiram espaço de manobra para o SL Benfica chegar ao ensaio por mais uma ocasião, novamente pela passada de Pedro Bilro.

Rui Santos completou a conversão e somaria nova penalidade… 22-20 e a equipa da casa estava na frente do resultado, sendo que só precisavam de aguentar os minutos finais para garantir a vitória. Porém, um erro defensivo concedeu uma última oportunidade a André Lemos de devolver a vantagem… pontapé bem armado, 23-22 e o São Miguel fez História ao derrotar o SL Benfica pela primeira vez na sua História.

André Lemos, capitão do CR São Miguel, explicou como atingiram este marco,

André, vitória histórica no Inatel frente ao SL Benfica… foi difícil bater aquele último pontapé? Qual foi a sensação imediata?

AL. Não foi difícil. Tenho treinado bastante (2 ou 3 vez por semana) e sinto-me confiante nos pontapés

Estiveram durante largos períodos do jogo a jogar com 14… como conseguiram sair com a vitória?

AL. Um ponto que temos de melhor, não podemos ter 3 amarelos num jogo. Acho que o jogo foi ganho pelo carácter da equipa, não desistimos nunca e acreditamos sempre que era possível. Foi um jogo bastante intenso de início ao fim mas conseguimos impor o nosso jogo e felizmente a vitoria pingou para o nosso lado.

EMPATE COM SABOR A POUCO PARA AMBAS AS FORMAÇÕES

O CR Évora só se pode queixar de si mesmo, pois saiu para a segunda-parte na frente do resultado com um até confortável 14-00. Mas viajemos até ao início para nos apercebermos de como se desenrolou o encontro.

Os eborenses deram as boas-vindas a um novo super-reforço: José Leal da Costa. O pilar jogou as últimas temporadas pela AEIS Agronomia, mas regressa agora à casa-mãe e adiciona ao plantel de Miguel Avó uma excelente opção tanto ao nível da formação-ordenada, como de liderança e exemplo. Nesse sentido, foi o Évora a entrar melhor no encontro, com uma “agressividade” dos avançados de qualidade.

Este factor tornou a vida dos “pelicanos” desconfortável, pois tiveram de defender dentro dos seus 22 minutos durante largos minutos inicias. Ao fim de 8 minutos, a formação visitante chegou ao ensaio, com Frederico Couto a concluir um avanço constante do maul dinâmico da equipa alentejana. Diogo Appleton aproveitou o vento para transformar e dar o avanço inicial.

Patricio “Pato” Lamboglia tentou corrigir alguns erros de apoio e de handling da equipa mas sem resultado. Cláudio França ou Tomás Lamboglia apareceram em duas ocasiões bem lançados, faltando o apoio ideal para dar outra forma a este avanço interessante da equipa da casa. Os erros acumularam-se e o Évora, que defendia bem no contacto directo, esperou pelo melhor momento para chegar ao 14-00. António Fonseca completou uma boa movimentação geral dos visitantes e garantiu uma margem confortável à sua equipa.

Contudo, a segunda-parte seria de outro “tom”, pois os da casa acertaram “agulhas” e começaram a apresentar um rugby mais seguro e consolidado… Salvador Camburnac ia agitando a sua avançada a trabalhar mais, o que começou a colocar dificuldades a um Évora demasiado estático… o vento contra também começou a complicar com consecutivos pontapés a serem disparados para as costas da linha-de-defesa eborense.

Tomás Lamboglia deu “esperança” e com três pontapés de penalidade deu um novo balão de oxigénio, com o Évora a ter mais dificuldades em sair bem na condução de bola (montavam duas ou três fases, perdendo o controlo da oval logo de seguida). A 15 minutos do fim do encontro, o Caldas iria empatar o jogo com um ensaio de Alexandre Vieira à ponta… mesmo com o vento a soprar pelas costas, não houve conversão do médio-de-abertura dos “pelicanos”.

Até ao final do encontro, tanto visitados como visitantes desperdiçara uma boa ocasião cada para desbloquear a igualdade, mas nem a movimentação ofensiva do Caldas ou o maul do Évora surtiram efeito. Empate a 14 pontos, justo, num jogo muito equilibrado.

Por fim, CRAV e Vila da Moita assinaram o encontro menos “expedito” do fim-de-semana com um 17-12, a favorecer os campeões nacionais do CN1 em título. A formação de Arcos de Valdevez está a tentar voltar ao seu melhor rugby, mas faltam opções de qualidade ao bloco avançado arcuense. O RV Moita por sua vez continua com um elenco interessante, mas que sucumbe sempre nos 2ºs 40 minutos de jogo, muito devido também há falta de opções.

O Campeonato está alinhado da seguinte forma: RC Montemor 20 pontos; RC Lousã 19 pontos; CR São Miguel 13 pontos; Caldas RC 11 pontos; SL Benfica 10 pontos; CRAV 9 pontos; CR Évora 8 pontos; RC Santarém 5 pontos; RV Moita 1 ponto; Guimarães RUFC 0 pontos;


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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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