Arquivo de Montpellier - Fair Play

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Francisco IsaacOutubro 25, 201617min0

Segunda Jornada de sensações fortes: o “adeus” a Foley com uma vitória do Munster, Dan Carter deslumbra mas é o Leicester que sai com a vitória, Saracens continuam no seu domínio, Toulouse e Wasps uma “guerra” formidável e muito mais. 5 pontos sobre o fim-de-semana na Champions Cup

Segunda-semana de Liga dos Campeões do Rugby, com alguns resultados interessantes, derrotas assumidas, lendas em modo frenético e uma emoção total por todos os cantos do Mundo da Oval Europeu. 5 tópicos do fim-de-semana, com especial destaque para a grande exibição do Munster, a categoria dos Saracens, a brutalidade de Nadolo e a decepção no sul da Inglaterra.

Para os que não leram a 1ª jornada deixamos o link de acesso à mesma: goo.gl/mmuq8k

O “Adeus”: STAN’ UP AN’ FIGHT UNTIL YOUR HEAR DE BELL

O “adeus” final a Anthony Foley soou um pouco por toda a Europa, naquela que foi a despedida ao treinador da equipa dos Stags, o Munster. Foley foi um jogador exemplar, tanto no Munster (mais de 200 jogos) como da Selecção Irlandesa, tendo deixado o rugby europeu e Mundial rendido ao seu talento para mover “exércitos”, de mexer com as emoções de jogo e, até, para decidir encontros com a toda qualidade defensiva ou vontade arriscar que deixava qualquer adepto com o coração nas mãos. Neste fim-de-semana, o Munster recebeu os “vizinhos” do Glasgow Warriors, que vinham de uma vitória fenomenal frente aos Leicester Tigers. Seria um jogo “pesado”, carregado de emoção e tristeza, mas a equipa do Munster tinha de ir para a vitória para começar a sua campanha da melhor forma possível (lembrar que os irlandeses não jogaram na 1ª jornada em virtude do falecimento de A. Foley). Perante 26,000 pessoas, o jogo foi “quente”, espectacular, com o melhor que ambas as equipas têm para oferecer, onde até tivemos o “direito” de ver um cartão vermelho por Keith Earls, à passagem dos 18′. Quando tudo apontava para que isto beneficiasse os escoceses, a equipa do Munster (que já vencia por 14-03) ligou o “turbo” e realizou um dos melhores jogos de sempre no Thomond Park, com 5 ensaios e várias conversões.

Um jogo fenomenal do nº10, T. Bleyendaal (um ensaio, três quebras de linha, três defesas batidos e 6 placagens) levaram a que o Munster conseguisse ter uma linha atrasada bem mexida, em que Zebo, Rory Scannell (um ensaio e duas assistências, grandes detalhes do jovem irlandês que começa a dar alguns sinais a J. Schmidt, seleccionador da Irlanda) ou Murray aproveitaram para “destruir” a boa estratégia de Towsend que acabou por não resultar. Movidos por uma força fenomenal, a equipa do Munster chegou ao intervalo com o ponto de bónus de vitória com um 24-03, algo que já algum tempo não se via em jogos da Europa. A equipa de Glasgow ainda teve uma “espécie” de reacção com 14 pontos em 15 minutos, mas já nada foi contra os irlandeses que conseguiram os 5 pontos e puderam dar uma despedida em grande ao grande Anthony Foley, que marcou e marcará, para sempre, a formação dos Stags. Não percam a atenção de Bleyendaal, Scnnaell ou Darren Sweetnam, jogadores que farão parte da “Constelação” da Irlanda dentro de pouco tempo. Uma palavra final ao grande jogo da 3ª linha do Munster, composta pelos suas melhores opções com Peter O’Mahony, Tommy O’Donnell e CJ Stander (jogou com o nº24, uma vez que o nº8 de Foley foi retirado em Honra de Foley), somando 30 placagens, 60 metros conquistados e 20 carries, sacrificando em prol da equipa.

A Disputa: A GUERRA DAS ROSAS EM TOULOUSE

Grande jogo entre Wasps e Toulouse, naquilo que era sempre um encontro entre antigos campeões da Heyneken/Champions Cup, com duas formações na mesma situação: sedentas de títulos. Todos sabiam que ia ser um combate feroz entre as duas avançadas, que iam ter que trazer o seu melhor (e pior) para o campo, para conseguirem quebrar os seus adversários e sair com a vitória. Embora a grande vontade do Toulouse ou o acreditar dos Wasps, a contenda terminou com um empate (20-20) no final dos 80 minutos. Um jogo pouco bonito, já que o terreno pesado não permitiu grandes fugas (apenas 9 quebras de linha, 2 para os franceses e 7 para ingleses), espectaculares jogadas (C. Wade ainda esboçou três jogadas fenomenais mas que acabaram por dar em nada para os Wasps, uma vez que perderam a bola no contacto na sequência seguinte) ou um jogo rápido e vibrante. Os ingleses tiveram algumas dificuldades com o jogo no chão, com 8 das 12 faltas cometidas a serem nesse departamento, principalmente quando atacavam com a oval, permitindo que existisse uma distância complicada entre o apoio e o portador da bola o que permitiu um turnover fácil para os homens de Ugo Mola. Foi um jogo sobretudo virado para os avançados e para o que eles conseguiam fazer nas fases estáticas, com o Toulouse a imperar na 2ª parte nesse departamento, porém sem grande expressão em termos de pontos. Veja-se que tivemos 24 alinhamentos e 18 formações ordenas, tirando bastante tempo útil de jogo, quebrando ritmos, impondo combinações simples e esperando pelo erro do adversário.

Thierry Dusautoir regressou a jogos europeus (falhou a 1ª jornada) e consegui sair como o placador da tarde, com 15 placagens efectivas e um jogo brilhante a nível defensivo. A postura do capitão passou para o resto da equipa que conseguiram chegar ao ensaio por duas vezes, ambos após 15 fases consecutivas… isto, devido ao grande trabalho defensivo dos Wasps (Elliot Daly esteve a um nível incrível, com 4 placagens de “bombeiro”, parando adversários que iam soltos para a área de validação) que foram tentando bloquear a maior ferocidade da equipa da casa para atacar o contacto. Quando faltavam apenas 3 minutos para o final do jogo, em que o Toulouse estava com a vitória no “bolso” por 20-13, surgiu um erro defensivo dos franceses, que permitiu a Ashley Johnson correr pelo flanco e passar à ponta para a “besta” Nathan Hughes (que grande ano do nº8 inglês) que arremessou Perez para o chão e aguentou uma placagem de Doussain para chegar ao ensaio… Jimmy Gopperth converteu e o 20-20 final estava aí. Uma batalha acérrima, com 200 placagens (apenas 20 falhadas!), 130 rucks, 13 turnovers e uma série de outros pormenores que fizeram jus à Guerra das Rosas. A equipa do Toulouse pode e deve ficar chateada com o resultado final, já que só tinham de gerir melhor a posse de bola e os Wasps podem retirar pontos positivos deste empate, raro nesta competição.

Hughes on the way! (Foto: L'Equipe)
Hughes on the way! (Foto: L’Equipe)

O Jogador: NEVER TURN YOUR BACK ON FARRELL

Owen Farrell… jogador fenomenal da Selecção inglesa e que tem espalhado elegância, qualidade e velocidade por onde passa. O médio de abertura dos Saracens sabia que ia ter uma noite difícil contra os Scarlets, equipa galesa que placa duro, defende com veemência (nem sempre bem) e não desiste do jogo esteja a perder por 10 ou 50. É importante que partam destes dois números: 4 carries e 7 metros. E agora fica a questão: como é que Farrell fez a diferença com tão poucos carries em sua mão? Bem, no final terminou com 3 assistências para ensaio (Wyles, Vunipola e Rhodes), dizimando a equipa dos Scarlets, quando os galeses estavam a reagir bem ao ensaio de Bosch (aos 49′), realizando um show ao jeito dos grandes nº10’s. Farrell terminou o jogo com 26 passes, o que prova que o jogo dos Saracens passa muito pela qualidade técnica e visão de jogo do abertura, que sabe do apoio excelente que tem em Billy Vunipola (15 carries e 70 metros), Michael Rhodes (11 carries e 65 metros, com o tal ensaio) e Schalk Burger (11 carries e 11 metros), para além das restantes opções. O jogo dos Saracens permite a Farrell mexer-se, encontrar opções válidas (sem ter que procurar muito, uma vez que o apoio apresenta-se logo no imediato) e fazer a equipa jogar da melhor forma possível.

É o rugby mais efectivo, dominante e territorial do rugby europeu de clubes, não há dúvidas. É uma missão complicada parar os Saracens, muito pelo ritmo que tentam imprimir ao longo de 80 minutos, pela forma como atacam o espaço ou pela maneira que “dobram” as defesas a seu favor. Se isto tudo falhar, há sempre a possibilidade de pedir a Owen Farrell que chute aos postes… só neste jogo converteu cerca de 19 pontos (5 conversões e 3 penalidades), atingindo os 35 em duas jornadas e, subsequentemente, o topo da lista de melhores marcadores. Vale a pena ver a sua técnica de pontapé aos postes, que é tão bem trabalhada e delineada que demonstra que Farrell é um dos melhores (senão o melhor actualmente) neste capítulo a nível internacional, para além dos seus pontapés in game serem de excelência e de um recorte técnico de altíssimo nível. Concluindo, Owen Farrell é um nº10 versátil, completo e que se entrega ao jogo por completo, fazendo diferença com os seus passes (vejam o ensaio de Rhodes, a forma como Farrell abre a defesa com uma simulação de passe) ou destruindo defesas com os seus pontapés. A 2ª jornada foi dele, num jogo complicado frente aos Dragões dos Scarlet’s.

O Reforço: NADOLO RAN OVER THE ENTIRE LEINSTER TEAM

Nemani Nadolo e a formação do Montpellier passaram por cima do Leinster e conseguiram uma vitória fundamental em casa, nas aspirações dos franceses em seguir para a fase seguinte. Sim, estamos no início da competição mas estas vitórias acabam por marcar o tempo ” de jogo” e dão uma motivação-extra para o que se segue… no jogo frente ao Leinster a equipa do Montpellier teve um factor que mudou, por completo, a toada: Nemani Nadolo. O ponta fijiano, com os seus 138 kilos decidiu estragar a “vida” ao Leinster que queria capitalizar o resultado da semana passada… bem, o jogo nem começou com Nadolo a distribuir pontos, já que foi Isa Nacewa a dar os primeiros três pontos ao seu Leinster, que estava a sentir amplas dificuldades em furar a excelente defesa dos franceses (terminaram com 138 placagens efectivas) optando por ir aos postes. Porém, à passagem dos 28′ (logo a seguir à conversão de Nacewa) Vincent Martin apanha uma bola aos “saltos” no chão, agarra na mesma e sai disparado… perante Mike Ross, Mich Kearney e, até, o mítico Sean O’Brien, Martin fez uma “brincadeira feia” e escapou em direcção à linha de ensaio sem que ninguém o conseguisse derrubar. Aqui estava dado o mote para o Montpellier, que iria expor a defesa débil do Leinster (várias placagens falhadas, a nível de defesa individual foi uma total confusão e falta de qualidade gritante) ao longo de todo o jogo. À passagem do minuto 34 surgiu Nadolo… e que surgimento. Joffrey Michel, o defesa dos franceses, recebe a bola e vê que à ponta está Nadolo, no qual transmite a oval de imediato. Primeiro veio Kearney lançado para uma placagem, que acabou por ressaltar nas pernas de Nadolo e dar em nada, com Luke McGrath na mesma situação. Este ensaio confirmou a ida para o balneário com uma vantagem confortável de 14-03, complicado a missão do Leinster.

Para acabar o insult to injury, Nadolo ainda faria um segundo ensaio aos 57′ quando o resultado estava num 17-06. Uma formação ordenada do Leinster acabaria em ensaio para o Montpellier? Como? Bem, Jamie Heaslip, o experiente nº8 da Irlanda, sai dessa fase estática e tenta sair a jogar no lado fechado… Nadolo intercepta o passe e a defesa irlandesa nem teve possibilidade de sequer ver o movimento do fijiano. 22-06 com 20 minutos para jogar… Nadolo tinha acabado de infligir dupla estocada no Leinster, que precisava de manter o ritmo de vitórias na Champions Cup. Isa Nacewa ainda conseguiu dar o ponto de bónus defensivo com um ensaio aos 79′, mas a vitória já não fugiu a Jake White e aos seus Les Cistes, que continuam a demonstrar uma predilecção para as vitórias em casa na Europa. Com um “monstro” como Nadolo à ponta, tudo se torna mais fácil… e imaginem quando Tomane, o internacional Wallabie, recuperar e se juntar do outro lado ao fijiano? Será uma dupla de destruição maciça, que sonha com os quartos-de-final para a sua equipa… será possível? Para já estão bem na tabela, com cunho de Nadolo que em duas semanas marcou dois ensaios, assistiu outro e correu mais de 120 metros e realizou mais de 6 quebras de linha. Quem se arrisca a parar o incrível Hulk do rugby?

A Desilusão: HAS THE LEGEND OF THE EXETER CHIEFS ENDED?

Confirma-se o cenário que apontávamos para os Chiefs de Exeter… tremenda desilusão. Dois jogos, duas derrotas, um ponto de bónus e um défice pontual de -28, provam que algo se passa com a formação comandada por Rob Baxter. O rugby não é o mesmo, com uma qualidade questionável, onde o rugby estático, pouco efervescente e sem dinâmicas fora de série, acaba por ultimar a derrota nestes jogos do “tudo ou nada”. A Champions Cup em rugby é “madrasta” nesse sentido… só passam os tais 4 1ºs lugares, logo de seguida os 3 melhores 2ºs e nada mais… pelo caminho vão ficar outras formações que não conseguiram ganhar jogos, demonstrar qualidade, tiveram azar nos momentos X ou que simplesmente não estavam preparados para o exigente nível europeu. Infelizmente, os Chiefs estão em todas as categorias à passagem da 2ª jornada… azar pelas lesões de Nowell, Cowan-Dickie, Don Armand e não só, os jogadores que chegaram acabaram por não trazer nada de novo (Devoto, Turner ou Holmes) e a falta de qualidade táctica/técnica tem decepcionado todos aqueles que esperavam por uma “revolta” dos Chiefs como em 2015-2016. A derrota com o Ulster por 19-18, na Irlanda, crivou uma “espinha” que Baxter terá de remover com muito cuidado e sob uma forte análise, já que o treinador inglês tem de perceber que esta forma de jogar dos Chiefs (que é largamente diferente do que foi na época passada) só trará resultados que o treinador não quer. Fez regressar James Short, o explosivo ponta que entre os primeiros 6 meses do ano passado fez as delícias dos adeptos; voltou a meter a dupla Slade-Whitten, um duo que pode criar dificuldades às equipas que procurem a penetração pelo eixo central. Porém, os Chiefs estiveram quase sempre na defensiva, tendo terminado o jogo com 180 placagens (25 falhadas) e só 160 metros conquistados com a bola em seu poder… não é que seja criticável, já que várias equipas fazem deste estilo uma forma de chegar às vitórias (Highlanders no Hemisfério Sul por exemplo), mas para isso é preciso total eficácia nos momentos cruciais da partida e frente ao Ulster isso não aconteceu.

No filme do jogo Paddy Jackson assumiu-se como maior tormento, com vários pontapés de alta categoria que foram somando pontos para o seu Ulster, com Gareth Steenson (como é que Baxter o deixou de fora dos titulares nas primeiros três jornadas da Aviva Premiership) sempre a responder da melhor forma, com grandes penalidades, boas decisões e uma cultura de jogo inesquecível. Aos 77′ Paddy armou um drop que acertou no meio dos postes, o que deu, nova reviravolta (o jogo foi todo de “cambalhotas”) para o 19-18 final. É verdade que Steenson, abertura dos Chiefs, ainda teve nos pés a possibilidade dar uma vitória encima dos 80′, mas a tentativa de drop saiu algo ao lado e confirmou a 2ª derrota dos Chiefs em duas jornadas. Azar, falta de qualidade e algumas escolhas questionáveis, parece ser o caminho dos Chiefs para a Champions Cup desta temporada… dificilmente Baxter irá mudar a forma de ser da sua equipa e dar outra qualidade de jogo, pois o objectivo será garantir uma boa prestação na liga inglesa, um cenário que lamentamos já que os Chiefs eram das equipas mais ambiciosas, mais fora do “sistema” e que tinham rugby muito próximo do que se pratica pelo Hemisfério Sul, sem perder o “charme” da luta de avançados. Como melhorar? Soltar as linhas atrasadas, tirar peso dos avançados, garantir um apoio melhor ao portador da bola (neste jogo já foi bastante melhor) e querer assumir o papel activo de atacante e não cingir-se à defesa. Haverá espaço para recuperação? Duvidamos que haja… mas Baxter já surpreendeu a Europa.

Piutau wrecking havoc between Chiefs (Foto: Irish News)
Piutau wrecking havoc between Chiefs (Foto: Irish News)

Extra: DAN CARTER STILL HAS THE MOVES

Será curto este extra, já que serve só para demonstrar o quão bom ainda é Daniel Carter, o mítico All Black. Depois de ter conquistado o Top-14, de ter somado dois mundiais com a sua “bota” e de ter espalhado “magia” por todo o lado, o abertura com 34 voltou a fazer uma “brincadeira” que os jogadores do Leicester Tigers ficaram completamente bloqueados, sendo que os adeptos ingleses bateram palmas de respeito pelo tremendo ensaio do nº10. O Racing 92′ não está a atravessar os seus melhores dias, de forma alguma… mas Carter sempre que joga, tenta trazer o seu melhor de forma a levantar as hostes parisienses em rumo à vitória. Como é que Carter com 34 anos faz uma maldade daquelas? Talento puro com uma dose de trabalho gigantesca para atingir o sucesso. Numa época em que a Nova Zelândia regozija-se com o seu “menino” novo, Beauden Barrett, o mito de Dan Carter continua bem presente na memória de todos… que digam os Tigers que ainda apanharam uns valentes sustos com as arrancadas e construção de jogo do nº10.

Para ver as tabelas classificativas siga o seguinte link: goo.gl/DZ9I2S
Para ver a próxima jornada siga o seguinte link: goo.gl/ORDqbh
Para ver os Highlights dos vários jogos ver: goo.gl/rj1d4P

 

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Francisco IsaacOutubro 11, 201637min0

Aí está o “Super Rugby” do Hemisfério Norte, a European Champions Cup, a competição que alberga as melhores formações dos principais campeonatos europeus. Inglaterra, Irlanda, Escócia, País de Gales, França e Itália vão ter a oportunidade de meter as suas melhores “unidades” em campo… serão os Saracens os grandes candidatos? Voltará o Toulon a sonhar? E o Leinster terá coração para se reerguer? Parte I da análise à competição.

O confirmar de um sonho, o início de um Império ou o desiludir de toda uma Nação… é este o espírito da European Champions Cup. Com a final marcada para Maio de 2017 em Edimburgo, vamos começar já no fim-de-semana de 14/15 de Outubro com a 1ª jornada, de 6, das 5 Pools/Grupos da competição. Nesta primeira parte vamos destacar as Pools 1,2 e 3, para depois, na 2ª parte, destacar a 4, 5 com as nossas apostas pessoais de como vai decorrer a competição.

Como funciona a competição? 5 grupos, cada uma com cinco equipas, o que perfaz um total de 20 formações europeias a discutir uma passagem para a fase seguinte. Só os 1ºs de cada grupo é que têm apuramento directo para os quartos-de-final, enquanto que no caso dos 2ºs classificados só se apurarão os três melhores. Ou seja, das 20 equipas só ficarão oito, depois quatro e, no final, duas. Ou seja, vai ser uma luta altamente intensa para conquistar um lugar ao “sol” da maior competição de clubes da Europa… há candidatos anunciados que vão ficar de fora da fase final, newcomers (como o Connacht ou Montpellier) que vão surpreender e deixar os “gigantes” em brasa e todo um Universo de rugby europeu do mais alto nível. É um momento em que o físico vai contra o técnico, em que as formações ordenadas imperam sobre as quebras de linha, em que os rasgos de genialidade vão deixar por “terra” os melhores placadores deste lado do Hemisfério.

A Champions Cup vai para a sua 21ª edição, com os Saracens de Londres como campeões e favoritos a ir à 2ª consecutiva (não será inédito, atenção), teremos muito rugby para “beber e brindar” ao longo de 7 meses (a competição pára entre Fevereiro e Abril devido às Seis Nações). Uma atenção especial a todos os adeptos… a European Champions Cup só é jogada aos fim-de-semana, intercalando com as competições nacionais, algo quase único no desporto Mundial. Ao todo serão 9 fins-de-semana reservados para a competição, com os jogos a decorrer entre 6ªas, Sábados e Domingos.

Em caso de quererem conhecer os campeões europeus dos últimos 21 anos, propomos que vejam directamente no seguinte site oficial da competição: goo.gl/rqypmf. Algumas considerações: o Toulouse (máximo campeão da competição com 4 títulos) está a passar uma fase de reestruturação mas parece estar de volta ao caminho das vitórias, assim como o Leinster de Dublin, onde desponta Johny Sexton (esperemos que este seja o seu ano de regresso às grandes exibições) que estão a tentar voltar a dominar a PRO12… ambas as equipas têm três títulos de campeões europeus, cada. Depois o RC Toulon que vive num autêntico marasmo de emoções (apesar de uma excelente entrada na temporada) com as ameaças do seu presidente (Mourad Boudjellal afirmou que pode estar de saída de uma equipa “amamentada” pelos seus milhões), tendo também três títulos de campeão. De resto, Waps, Tigers, Ulster, Munster vão estar todos presentes para tentarem ir a mais um título da sua história… já o Bath Rugby (época desastrosa em 2015/2016) e o Brive (já afastado destas andanças há uns bons anos) não poderão lutar pelo seu segundo troféu já que estão afastados da European Champions Cup por uma época.

Passemos agora à análise das Pools 1, 2 e 3

POOL 1 – THE DOOM HUSTLE

Quatro super-representantes de cada uma das principais nações do Rugby vão ter que gladiar-se pelo 1º (em caso de queda para um 2º lugar, há que ter o máximo de pontos para ficarem em um dos 2ºs melhores). Da Escócia, o Glasgow Warriors, de França o Racing Metró 92 (vice-campeões da Champions Cup e campeões do Top14 em título), a renovada equipa do Munster (longe dos tempos em que tinha uma “palavra” a dizer na discussão do título europeu) e os Leicester Tigers (em busca de novas glórias, já que desde 2013 não tocam em algum tipo de título).

GLASGOW WARRIORS

Localização: Glasgow, Escócia
Estádio: Scotstoun Stadium (10,000)
Palmarés: 0 títulos europeus; 1x campeão da Pro12
2015/2016: 3º lugar na fase de grupos
Jogador a seguir: Stuart Hogg (Escocês)
Treinador: Gregor Towsend (Escocês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

O ano do adeus de Grego Towsend ao seu Scotstoun Stadium e os Warriors, após 5 épocas em que conseguiu levá-los ao inédito título de campeões da Pro12 (liga que compõe os maiores clubes de Gales, Escócia, Irlanda e Itália), em 2014/2015. Com uma equipa recheada de talentos, poderão fazer algo mais na competição? Só por uma vez é que conseguiram seguir em frente e foi no distante ano de 1997, ainda quando a competição era apelidada de Heyneken Cup, tendo somado só 2ºs, 3ºs e 4ºs lugares na fase de grupo. Agora em 2016, na despedida de um treinador que ajudou a revolucionar os Warriors, a equipa de Glasgow tem uma pequena hipótese de seguir em frente, uma vez que os seus adversários parecem estar ao seu nível: o Racing 92 não está em boa forma (12º lugar no Top14), o Leicester Tigers está muito permeável na defesa (4ª defesa mais batida no Aviva Premiership) mas com um ataque algo “demolidor” e o Munster está a reerguer-se aos poucos (forte arranque de temporada). A equipa dos Warriors tem, talvez, dos melhores XV da Europa liderados pelo “mágico” Stuart Hogg (Internacional pela Escócia e um dos melhores atletas na sua posição a nível mundial), Tommy Seymour, Henry Pyrgos, Mark Bennett (uma autêntica “máquina de guerra”, com capacidade para fazer a diferença em qualquer jogo), Jonny Gray (o gigante capitão) e o regressado Finn Russell, que está desde Maio de fora com uma lesão grave (pescoço). O rugby é rápido na linha de 3/’4’s, há uma vontade de explorar com criatividade a defesa adversária, onde os pontapés altos de Stuart Hogg, são captados pelo mesmo com uma qualidade de excelente “quilate”. A questão está na avançada e na capacidade de gerirem os jogos mais complicados… trancar a oval durante vários minutos, deixar o adversário atingir um grau de frustração que permita a Russell ou Hogg pedirem “postes”, somando pontos preciosos a certos momentos do jogo. A maior experiência do squad fará diferença nesta fase-de-grupos… todavia, dificilmente conseguirão superá-la e deixar o Racing Metró e o Leicester Tigers de fora da fase final. Se é possível acontecer uma surpresa? Sim, claro que sim. Mas para isso há que Jonny Gray conseguir reunir a sua avançada (reforçada com o experiente talonador neozelandês Corey Flynn) e apontar o caminho de um rugby mais inteligente e dominador, em que o apoio tem de ser mais rápido (o problema de perder a oval no ruck ainda é um assunto nevrálgico para o rugby escocês) e efectivo.

Warriors go for Glasgow! (Foto: Craig Watson)
Warriors go for Glasgow! (Foto: Craig Watson)

LEICESTER TIGERS

Localização: Leicester, Inglaterra
Estádio: Welford Road (30,000)
Palmarés: 2x campeões europeus; 10x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Meias-finais
Jogador a seguir: Manu Tuilagi (Inglês)
Contratação a seguir: Matt Toomua (Australiano)
Treinador: Richard Cockerill (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

Go Tigers! é o nosso pensamento para a nova temporada da formação comandada por Richard Cockerill, um treinador que já ajudou os seus Leicester Tigers a levantarem a Aviva Premiership por 3 vezes (2009, 2010 e 2013). Uma equipa pesada, de raça e com uma qualidade gritante, foi ao mercado reforçar-se com Matt Toomua, um dos grandes centros da Austrália que vai trazer entrega, velocidade e capacidade de leitura defensiva. Depois de uma temporada passada desanimadora, é agora o momento de os Tigers tentarem quebrar com a hegemonia dos Saracens e aplicarem o seu bom rugby na Europa. Têm, talvez, das melhores 1ªs linhas do Hemisfério Norte com Tom Youngs na posição de 2, ladeado por Marcos Ayerza (o “tanque” ex-Pumas faz a diferença na formação ordenada) e Dan Cole, o bad boy da Selecção de Sua Majestade. É uma equipa talhada para os jogos de luta e tem uma boa capacidade de resposta, já que acredita, quase sempre, que consegue dar a volta ao rumo dos acontecimentos (primeira jornada da Aviva, chegaram ao final da 1ª parte a perder por 31-03 e acabaram por ganhar 38-31 ao Gloucester). Infelizmente, Manu Tuilagi está a contas com uma lesão (continua a “saga” de injuries atrás de injuries) e Matt Toomua só vai começar a alinhar pelos Tigers a partir deste fim-de-semana (uma semana antes da estreia na Champions Cup). Ou seja, neste momento tem sido Matthew Tait e Peter Betham (o ponta aussie tem dado boa resposta, uma vez que alinha à ponta), com JP Pietersen a ser uma das caras fortes destes Tigers de 2016. Agora… estão num grupo em que o grande rival vai ser o Racing Metró 92, a equipa que o ano passado inviabilizaram a Cockerill a nova final europeia com um 16-19, que deitou por terra esse objectivo. Para esta nova temporada, a entrada de Pietersen e Toomua vai dar outra profundidade às linhas atrasadas, para além de terem uma avançada de grande capacidade. O 1º lugar parece-nos o objectivo mínimo, apesar de terem que ter cuidado com os guerreiros de Glasow e os “matreiros” da província de Munster.

A new type of Leicester? (Foto: ESPN)
A new type of Leicester? (Foto: ESPN)

RACING METRÓ 92

Localização: Paris, França
Estádio: Stade Olympique Yves-du-Manoir (14,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 6x campeão do Top14
2015/2016: Finalista vencido
Jogador a seguir: Dan Carter (Neozelandês)
Contratação a seguir: Anthony Tuitavake (Neozelandês)
Treinador: Laurent Travers e Laurent Labit (Franceses)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Les Ciel et Blanc, em alusão às suas camisolas de jogo muito similares à Argentina, com o azul claro e o branco a preencherem todo o Yves-du-Manoir. Uma época que começou com o “pé” errado, tendo registado, até ao momento, 4 derrotas em 7 jogos do Top14, algo preocupante para os lados de Paris. Os campeões em título do Top14 e vice-campeões europeus, têm um plantel recheado de estrelas, como Daniel Carter, uma das lendas de sempre do rugby mundial, Johan Goosen (classe, velocidade e técnica de pontapé do defesa sul-africano), Bernard le Roux, Eddy Ben Arous, Camille Chat, entre outros jogadores do topo do rugby mundial. Porém, nem todas estas estrelas juntas significaram um início de temporada bom, com as tais derrotas que têm marcado a formação treinada pelos Laurent’s, Laurent Travers e Laurent Labit. Um rugby muito focado no jogo positivo, na procura do espaço, em combinações pulsantes a partir dos alinhamentos, com o eléctrico Imhoff a procurar as tais “brechas”, com o “mágico” Carter a 10 e o incrível gaulês Maxime Machenaud a 9. Falta alguma consistência física, já que o Racing atravessa uma onda de lesões sem precedentes, que tem tirado algumas das estrelas do jogo ou da sua melhor forma. Para além disso, falta profundidade ao jogo dos parisienses, que necessitam de encontrar outras fórmulas de “abater” equipas que se apresentam mais agressivas no contacto e de fechar melhor os gaps defensivos. Um 2º lugar tem de ser um objectivo obrigatório, mas a “batalha” pela European Champions Cup vai ser dura, muito dura… não poderão vacilar nas viagens a terras escocesas ou irlandesas e terão que mostrar ao Leicester o porquê de terem ido à final da temporada passada. Há hipóteses de ir à final, mais uma vez? Depende muito de como Carter recuperar, de como a avançada vai trabalhar nas próximas semanas e se as poucas contratações farão a diferença no fim (de grandes nomes assinou Tuivake, Ali Williams e pouco mais).

Le classe du Racing (Foto: L'Equipe)
Le classe du Racing (Foto: L’Equipe)

MUNSTER RUGBY

Localização: Limerick, Irlanda
Estádio: Thomond Park (25,600)
Palmarés: 2x campeões europeus; 3x campeão da PRO12/Celtic League
2015/2016: 3º do grupo;
Jogador a seguir: CJ Stander (Sul-Africano/Irlandês)
Contratação a seguir: Jean Klyne (Sul-Africano)
Treinador: Anthony Foley (Irlandês)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

Be afraid, be very afraid from the Red Army of Limerick!, como são conhecidos entre as Províncias irlandesas. O exército vermelho está de regresso às grandes “marchas” e poderão ser uma surpresa na competição… se tudo correr bem aos irlandeses e algo de mal correr às formações do Leicester Tigers e Racing Metró 92. Desde 2010/2011 que não há títulos em Limerick, após uma final estupenda frente aos rivais do Leinster… de lá para cá, só foram à final da Pro12 por uma vez (2014/2015) perdida para os adversários da Pool 1, os Glasgow Warriors. Na primeira temporada de Foley, não correu da melhor forma já que ficaram de fora das decisões finais, algo que não acontecia desde 2012/2013, o que prova o carácter “esquizofrénico” desta equipa da província de Munster. Foley tem ideias bem vincadas no estilo de jogo a praticar no Munster, mesmo que 2015/2016 tenha sido uma temporada abaixo das expectativas. A partir de um colectivo forte, encabeçado pelo tremendo asa da Selecção da Irlanda, CJ Stander (Sul-africano de origem), o Munster vai tentar fazer um jogo fechado, de recuperação de bolas altas e de contínuas fases até atingir pontos mais avançados do terreno. Não são muito hábeis nos 8 “monstros”, antes pelo contrário, são muito terra-a-terra, optando por conquistar metros com um jogo mais rudimentar – e pouco entusiasta – mas que serve para atingir objectivos de jogo. Na linha de 3/4’s há alguns astros, seja Connor Murray (internacional irlandês e dono da camisola nº9), o “mago” Simon Zebo e algumas novas potências do rugby irlandês como Cian Bohane (grande início de época, contra o Edimburgo o centro conseguiu “trancar” 12 placagens) ou Darren Sweetnam (ponta rápido, com capacidade de choque e de lutar no “ar”). Peter O’Mahony parece finalmente estar de regresso e será um input fundamental para dar outro “corpo” à 3ª linha dos ulsterinos. Em relação à fase de grupos, como apontamos no BI do Munster, não conseguimos dar qualquer favoritismo à equipa de Foley e até arrisca-se a andar pelo 3º/4º lugar, dependendo de como se vai bater em casa frente às outras formações. Falta algum “charme” às linhas atrasadas e falta alguma consistência, assim como profundidade, para conseguirem “danificar” equipas como o Leicester Tigers ou Racing Metró 92′.

The Stags will rule Ireland? (Foto: Billy Stickland)
The Stags will rule Ireland? (Foto: Billy Stickland)

pool1

POOL 2 – WASPS IN FOR THE WIN

London Wasps terão uma missão “fácil” nesta Pool2, onde estão os enigmáticos do Connacht Rugby (campeões pela 1ª vez na Pro12, na temporada passada), os Zebre Rugby, que terão zero “chances” de ultrapassar esta fase da competição, e a “fénix” do Toulouse que parece ter uma – ou duas – palavra(s) a dizer na discussão da luta pelo 1º. Porém, a equipa inglesa está cada vez mais apetrechada e será difícil para qualquer um dos outros conseguir roubar o spotlight da equipa de James Haskell.

CONNACHT RUGBY

Localização: Galway, Irlanda
Estádio: Galway Underground (8,100)
Palmarés: 0x campeões europeus; 1x campeão da PRO12
2015/2016: Não Participou;
Jogador a seguir: Ultan Dillane (Irlandês)
Contratação a seguir: Eoin Griffin (Irlandês)
Treinador: Pat Lam (Samoano)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

The Devil’s Own, em honra de um regimento de infantaria, os Connaught Rangers, do exército do Reino Unido (findou em 1922) que não arredavam pé do campo de batalha. Toda a massa humana do Connacht é um autêntico “exército” de fiéis à causa em impressionar tudo e todos que duvidam da força da província de Connacht, que até 2016 nunca tinham tocado em qualquer título da Celtic League/Pro12/Heyneken Cup/Challenge Cup, quebrando a hegemonia de Munster, Ulster e Leinster, todas províncias que têm vivido sempre debaixo da “sombra” do sucesso. Agora é a vez dos jogadores de Pat Lam (treinador que pegou a equipa em 2013 e mudou radicalmente a forma de estar dos connachts) usarem o símbolo de campeão, pelo menos durante esta temporada. O início de época foi algo desastroso, com apenas 1 vitória em 4 jogos e quase o último lugar da tabela, so à frente do Edimburgo, Zebre e Bennetton Treviso. O ano passado foi o rugby imediato, de domínio electrizante e onde os 30 jogadores que compunham o plantel transcenderam-se física e tecnicamente, com o tal rugby de domínio, eléctrico, e que, a cada penalidade conquistada, pediam ao abertura de então, AJ MacGinty (transferência para os Sale Sharks), para esboçar um pontapé que lhes desse margem para conquistarem vitórias atrás de vitórias. Sem MacGinty, agora é Jack Carty a assumir o papel de nº10, enquanto não chega Marnitz Boshoff o abertura dos Lions que só chegará em Janeiro (instalou-se uma pequena “guerra” entre os irlandeses e sul-africanos devido a este tema). O rugby de Pat Lam promete muita luta, um rugby de apoio rápido (ao bom estilo dos All Blacks) com algum do sacrifício e garra do espírito à irlandesa. Nesta temporada, tem falhado a comunicação dentro de campo e os reforços ainda não deram mostras de responder às saídas de Rodney Ah You, Robbie Henshaw, George Naoupu ou Aly Muldowney. Para além disso, mais 6 lesionados têm tirado experiência, peso e força ao pack avançado, o que tira capacidade e qualidade ao XV de Lam. Naquela que será a 3ª experiência na fase-de-grupos da Heyneken Cup (última foi em 2013/2014), a equipa do Connacht não ficará em último, mas também não conseguirá atacar os lugares cimeiros da tabela, uma vez que o rugby imponente e imperial dos Wasps se fará sentir e o Toulouse não voltará a falhar a fase final (o ano passado foi um autêntico desastre) como demonstra o seu plantel bem apetrechado. Caberá a Pat Lam, ao grande Ultan Dillane (das novas revelações da Selecção do Trevo) e ao público do Connacht carregar a equipa para outros vôos… conseguirão?

Connacht, a style of life (Foto: PRO12)
Connacht, a style of life (Foto: PRO12)

WASPS RFC

Localização: Coventry, Inglaterra
Estádio: Ricoh Arena (33,000)
Palmarés: 2x campeões europeus; 6x campeão da AVIVA Premiership
2015/2016: Meias-finais;
Jogador a seguir: Danny Cipriani (Inglês)
Contratação a seguir: Kurtley Beale (Australiano)
Treinador: Dai Young (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

The Hornet of the Wasps will make anyone run…. início de temporada devastador, para quem estava do outro lado do campo, dos jogos contra os Wasps. A equipa de Dai Young está com as ideias assentes em reconquistar um título que lhes foge desde 2007. Numa equipa polvilhada por excelentes jogadores, a administração Wasp decidiu trazer mais algumas estrelas para a constelação da equipa de Coventry: Danny Cipriani (desde que ingressou na equipa tem sido um dos melhores, com cross-kicks únicos, passes delirantes para abrir a equipa adversária ou uma visão de jogo bem mais madura), Kyle Eastmond, Nick de Luca, Tommy Taylor (o talonador de 24 anos pode ser uma das futuras soluções para Eddie Jones na selecção inglesa), Kurtley Beale (só regressa em Dezembro, visto que está com uma lesão desde Maio de 2016 no joelho) e Willie Le Roux, o defesa da África do Sul e um dos melhores na sua posição. É uma equipa formidável do princípio ao fim e será a única a conseguir fazer frente aos Saracens em Inglaterra, em termos de fase finais. Dai Young gosta primar por um rugby de “agressividade”, de força e de frieza, apoiado na velocidade imparável das suas linhas atrasadas, como Chris Wade e Frank Halai nas pontas, fornecidos por Danny Cipriani, onde Kyle Eastmond e Elliot Daly completam o par de centros… isto sem contar com as estrelas que ainda não chegaram, como Le Roux ou Beale… por isso, mal esta equipa tenha esses dois inputs e se Dai Young conseguir criar a harmonia perfeita, os Wasps podem “varrer” toda a competição nacional e internacional. Contudo, e com alguma atenção, há a questão da avançada que apesar de ser comprometida e trabalhadora, não é a das mais criativas e intensas… especialmente, sem James Haskell, o asa inglês que tem vindo a “calar” muitos críticos, demonstrando um rugby de raça, energia, onde a placagem é uma honra. Será importante em Dezembro Haskell entrar a “matar”, assim como Beale, para dar um novo reforço de vitalidade e ideias à equipa das vespas de que precisarão para aguentar uma longa temporada. Os jogos grandes com o Toulouse serão, sem dúvida, uma luta acérrima por cada metro, pontapé, placagem, ensaio e ponto, com o favoritismo a cair para o lado dos ingleses, já que o seu rugby parece mais lúcido e completo do que os franceses, que têm feito um bom arranque de época. 1º lugar é o objectivo para voltar à carga pela European Champions Cup.

The sting for the Wasps! (Foto: David Rogers)
The sting for the Wasps! (Foto: David Rogers)

STADE TOULOUSAIN

Localização: Toulouse, França
Estádio: Stade Ernest-Wallon (20,000)
Palmarés: 4x campeões europeus; 19x campeão do Top14
2015/2016: 4º lugar do grupo;
Jogador a seguir: Gaël Fickou (Francês)
Contratação a seguir: Richie Gray (Escocês)
Treinador: Ugo Mola (Francês)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Os maiores campeões da European Champions Cup estão de regresso à boa forma. Após uma época algo decepcionante (5º lugar no Top14 e eliminados no playoff de acesso às meias), a equipa de Ugo Mola está de regresso às boas exibições. Neste início de temporada, e ao fim de 7 jornadas, o Stade Toulousain/Toulouse encontra-se em 5º lugar a 5 pontos do 1º, Clermont. Nas duas primeiras jornadas registaram 2 vitórias, para depois terem uma quebra de forma e, ao fim de 3 derrotas, lá voltaram às vitórias nas duas últimas semanas frente aos rivais do Stade Français e Brive. O rugby toulousiano tenta entrar dentro da linha do rugby francês, ou seja, o tal denominado rugby champagne, com uma ligação à qualidade técnica, à criação de lances de grande espectacularidade, em que a avançada assume o papel de “desmontar” a equipa adversária e os 3/4’s a quererem “brincar” aos pontapés e passes que deixam o público em delírio. Para ter isto, o Toulouse tem uma das linha atrasadas mais completas do rugby francês com os internacionais “gauleses” Sebastian Bézy a formação, Jean-Marc Doussain a 10, Gäel Fickou a 13, Yoann Huget à ponta no apoio a Maxime Médard que está a defesa. Pelo meio, aparece o inglês Tobias Flood, com alguma incerteza na hora de escolher o outro ponta, seja Alexis Palisson ou Semi Kunabuli. A grande contratação foi Richie Gray, o “gigante” escocês que saiu do Castres Olympique para ingressar na equipa de Mola, assim como Guitone. Entre 2015 e 2016, o plantel sofreu alguma “limpeza” com a saída de Louis Picamoles para Inglaterra, por exemplo, ou Corey Flynn para a Escócia… a grande perda – para além do nº8 Picamoles – foi a saída de Vincent Clerc para o Toulon, mas, para já, a linha de 3/4’s tem dado conta do recado. Em termos da European Champions Cup há muito trabalho pela frente, já que os Wasps vão ser um “osso” quase impossível de roer e o Connacht não poderá ser olhado como um simples outsider sem importância. Era bom para o Top14 que o Toulouse voltasse a pegar na “estaca” e impusesse respeito na Europa, já que são das equipas míticas do Continente Europeu… sem eles, parece que a Heyneken/European Champions Cup fica vazia e sem a mesma graça. Para contornar os Wasps (que será uma “batalha” entre 3/4’s), há que pedir um trabalho superior, mais rigoroso e bravo dos avançados do Stade Toulousain… se entrarem numa disputa territorial, sem velocidade ou ritmo, os ingleses vão aproveitar para criar espaços suficientes para irem direitos à vitória. Será uma luta ao estilo das Seis Nações e mal esperamos por vê-la.

Le Stade est moi! (Foto: L'Equipe)
Le Stade est moi! (Foto: L’Equipe)

ZEBRE RUGBY

Localização: Parma, Itália
Estádio: Stadio Sergio Lanfranchi (5,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 0x campeão da PRO12
2015/2016: Não Participou;
Jogador a seguir: Carlo Canna (Italiano)
Contratação a seguir: Joshua Furno (Italiano)
Treinador: Gianluca Guidi (Italiano)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

Ao fim de de dois anos de espera, os italianos do Zebre estão de regresso à competição máxima da Europa. Este retorno à European Champions Cup será, mais uma vez, algo para “espevitar” as hostes italianas em acarinharem a o rugby como uma modalidade importante no contexto europeu e mundial. Todavia, o Zebre não conseguirá fazer qualquer ponto na competição, já que o desnível perante os restantes membros do grupo é avassaladora. Será tudo numa ideia de ganhar experiência, tirar alguns dividendos e tentar, em casa, criar alguma espécie de oposição forte e capaz de não sofrer muitos pontos. O Zebre Rugby ainda está a léguas dos seus restantes “colegas”, uma vez que o rugby italiano só entrou para as Seis Nações em 2000 e a partir de 2010 é que foram convidados para fazer parte da PRO12. Por isso, ainda teremos que esperar alguns anos até termos uma equipa italiana a forçar a sua presença na disputa pelos lugares na fase de grupos. A equipa guiada por Gianluca Guidi tem alguns nomes sonantes, a começar pela grande contratação da temporada: Joshua Furno. O asa italiano estava nos Newcastle Falcons, mas após duas temporadas, abandonou a equipa inglesa e agora ingressa no Zebre. Com ele, a equipa do nordeste italiano terá uma “arma” na 3ª linha, que possa desbloquear certos momentos de jogo assim como trazer uma boa voz na formação ordenada. Kurt Baker, atleta dos 7’s da Nova Zelândia, aceitou o desafio e sai do Hemisfério Sul para ingressar na sua primeira experiência na Europa. Dentro do plantel há o irrequieto e visionário, Carlo Canna, que tem sido uma das boas novidades da Itália nos últimos tempos. As linhas atrasadas têm algumas figuras de interesse “público”, a começar pelo três de trás que será completo com dois internacionais italianos: Mattia Bellini, Giovanbattista Venditti e Kayle van Zyl. Poderá ser por aqui que a equipa faça alguma mossa, sem criar grandes sustos aos seus adversários, uma vez que a formação ordenada não aguenta os 80 minutos e o alinhamento não é confiável… veremos até que ponto as saídas de Leonardo Sarto (Glasgow Warriors), Mils Mulaina (o veterano All Black rumou aos EUA), Mirco Bergamasco, Kelly Haimona, Jean Cook e Luke Burgess farão diferença no resultado final de cada jogo.

The Italian Zebra's (Foto: Zebre Twitter)
The Italian Zebra’s (Foto: Zebre Twitter)

pool2

POOL 3 – A CLASH NOT FOR THE FAINT OF HEART

O sorteio rodou, rodou e rodou…e na Pool 3 estão dois “gigantes” europeus, mais uns galeses prontos para distribuir “placagens” e uma surpresa da Aviva. Os campeões em título, Saracens, vão ter que disputar o 1º lugar com os “milionários” do RC Toulon que bem procuram igualar o feito do Toulouse, sabendo que têm os Dragões de Scarlett a “pairar” nos céus e os “tubarões” do Sale prontos para “mordiscar” a competição e sonharem com uma surpresa.

SARACENS FC

Localização: Londres, Inglaterra
Estádio: Allianz Park (10,000)
Palmarés: 1x campeões europeus; 3x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Campeão;
Jogador a seguir: Owen Farrell (Inglês)
Contratação a seguir: Schalk Burger (Sul-Africano)
Treinador: Mark McCall (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

The wolfpack will take the crown? Os campeões em título estão de regresso com um plantel altamente “rico” e apetrechado, para aquela que é, a par do Toulon (Top14), a equipa que mais tem dominado nos últimos 4 anos no contexto Europeu. Em 2016 confirmou-se que também tinham direito à glória europeia e parece que não há fome que sacie estes “lobos” de Londres. Mark McCall está com os Saracens desde 2010 e tem sido uma das peças-chave para o sucesso conquistado por uma formação polvilhada de talento inglês, e não só. Seja por terem Owen Farrell, um chutador de classe mundial que faz lembrar Johny Wilkinson e que não se escusa a placar, terem um defesa de enorme categoria e “coração”, Alex Goode, a terem o melhor nº8 (a par de Kieran Read e David Pocock) do Mundo, Billy Vunipola. O talento internacional também existe já que conseguiram ir buscar o poderoso asa da África do Sul (e uma das lendas dos Springboks) Schalk Burger, que dará outra versatilidade e força à 3ª linha dos “lobos”. Para além disso, imaginem esta primeira linha: Vincent Koch (saída surpreendente dos Stormers), Jamie George (o talonador tem uma qualidade mãos e pés ao nível de Danes Coles) e Mako Vunipola. Se estes três entrarem em total harmonia, vai ser muito difícil quebrá-los no primeiro impacto na formação ordenada… já que nos segundos seguintes, há Maro Itoje (o jogador-sensação da Europa em 2016) e George Kruis (com Jamie Hamilton na sua “sombra”). Por isso, o pack avançado é altamente intenso, forte e capaz de criar problemas a equipas que se apresentem pouco motivadas para entrar numa autêntica “guerra” no chão e no contacto. A linha de 3/4’s é formidável, mesmo com a suspensão de 10 semanas de Chris Ashton (voltou a ter uma reacção e acto ilegais), uma vez que têm Sean Maitland e Chrys Wyles para responder à ausência. É uma equipa que gosta de dominar, de ter bola e de fazer um jogo dinâmico, sem entrar em picos altos de jogo… muito ao estilo de uma África do Sul do ano 2007. Jogam com cautela, mas sempre com um “olho aberto” para o risco, algo que Goode, Wyles, Ashton, Maitland, Taylor bem gostam de fazer. Será uma luta titânica com o Toulon, mas o favoritismo tem de estar do lado dos ingleses… são campeões europeus, têm um plantel recheado e pronto para qualquer problema e há uma vontade em continuar a dominar o contexto europeu.

The Saracen Menace (Foto: David Rogers)
The Saracen Menace (Foto: David Rogers)

RC TOULON

Localização: Toulon, França
Estádio: Stade Mayol (15,000)
Palmarés: 3x campeões europeus; 4x campeão do TOP14
2015/2016: Quartos-de-final;
Jogador a seguir: Ma’a Nonu (Neozelandês)
Contratação a seguir: François Trinh-Duc (Francês)
Treinador: Diego Domínguez (Italo-Argentino)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Os “milionários” não estão num momento feliz… não é em termos desportivos, já que estão em 3º lugar a 3 do 1º lugar, com um rugby até bem interessante e mexido. O problema é o presidente Mourad Boudjellal que parece estar “cansado” das críticas que é alvo todas as semanas… muito por culpa sua, já que tem tido algumas opiniões e ideias pouco fundamentadas, ou alimentadas por ameaças suas a quem não seguir o que ele pensa. Em termos do European Champions Cup, o Toulon vai bater-se pelo 1º lugar com os “rivais” do Saracens, numa luta que terá de ser bem delineada, já que o ano passado o Toulon via-se na frente em alguns jogos e depois, quase do nada, dava um passo em falso e perdia jogos que estavam ao seu alcance. Já foi uma equipa mais “animada” e que tinha claramente uma fome em dominar todos os jogos, com um rugby sempre muito característico e diferente do típico rugby francês. É o “Real Madrid” do rugby moderno, com uma constelação de estrelas que deram títulos e honras, mas agora parecem estar sob alvo de críticas do seu presidente… entre elas está Ma’a Nonu, um dos bicampeões mundiais pela Nova Zelândia e que tem estado intermitente no RC Toulon; Duane Vermeulen que quando chegou a Toulon era um 8 rápido, com boa capacidade de aceleração e de conquista de metros, acabou por ficar mais pesado e cair numa forma pouco agradável para um jogador internacional. Estas são duas das várias estrelas residentes em Toulon, sendo que para esta temporada foram buscar um novo abertura (Quade Cooper saiu sem ter tido um bom jogo pelos franceses), o internacional francês François Trinh-Duc. O médio de abertura vai ser fundamental para meter a equipa em outra rotação, com um pontapé sempre estratégico, uma capacidade de ser mais um a defender na linha (não foge à placagem ou a luta no contacto) e de ser um dos jogadores com melhor visão de jogo no Top14. Se conseguirem meter Leigh Halfpenny ao nível que estava antes da lesão, terão uma três-de-trás de grande categoria (completada com Josua Tuisova e Bryan Habana que estará de regresso a partir da próxima semana, assim como Drew Mitchell ou James O’Connor que estão lesionados). O que esperar do Toulon de 2016/2017? Melhor que o de 2016. Houve redefinições em termos do plantel, os reforços que chegaram serão importantes e decisivos (seja Clerc ou Goromaru por exemplo) e a “limpeza” foi importante para dar outra mentalidade à equipa. Se chega para serem campeões? Depende dos dois jogos frente aos Saracens.

Can Nonu reign supreme? (Foto: The Guardian)
Can Nonu reign supreme? (Foto: The Guardian)

SALE SHARKS

Localização: Barton-upon-Irwell, Inglaterra
Estádio: AJ Bell Stadium (12,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 1x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Não Participou;
Jogador a seguir: Mike Phillips (Galês)
Contratação a seguir: AJ MacGintyc (Norte-americano)
Treinador: Steve Diamond (Inglês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

The Sharks are looking for fresh hunt… a equipa de Steve Diamond quer ser uma surpresa na Pool 3 da European Champions Cup. Mas terão capacidade para tal? A equipa dos tubarões realizou uma excelente temporada na época anterior, com um 6º lugar que lhes valeu o apuramento para a maior competição de clubes da Europa. Todavia, esses bons resultados significaram algumas saídas de jogadores que tinham sido fundamentais: Danny Cipriani (Wasps), Tom Brady (Leicester Tigers), Tommy Taylor (Wasps) e Nick McLeod (Newport Gwent Dragons). Cipriani foi, com certeza, a saída mais fracturante para o plantel e forma de jogar, mas a direcção dos Sale Sharks soube responder a esta saída com a contratação de AJ MacGinty, que trará um médio-de-abertura similar a Cipriani, com capacidade de decidir jogos. Não é uma equipa de estrelas, é uma equipa de colectivo de somar alguns jogadores de grande calibre com novas revelações, o que potencia um rugby mais “jovem” com os toques da experiência. Com Mike Phillips a 9, a equipa terá sempre uma rotação inesgotante o que obriga aos avançados quererem trabalhar, correr e apoiar o portador da bola seja em 5 ou 30 metros. Assente nessa ideia, a equipa dos Sale Sharks recebeu dois novos pilares, Laurence Pearce e Kieran Longbottom, que trarão experiência e capacidade de trabalhar bem nas formações ordenadas. Os Sale gostam muito de trabalhar o jogo curto e depois lançar pontapés bem colocados nas laterais, para tentar ganhar algum ascendente sobre os seus adversários. Para além disso, a equipa gosta de procurar capacidade de “comer” território, de encontrar através dos alinhamentos soluções para ganhar pontos importantes nesta presente época. O arranque de época não foi famoso, com 2 vitórias, 1 empate e 2 derrotas (117 pontos marcados para 119 sofridos), mas é algo que se espera de um clube que poucas condições tem de ir ao título. Este regresso à Champions Cup (falharam a temporada passada) vai ser importante para dar força mental aos seus jogadores em quererem algo mais… um descuido e podem cair para último do Pool e terem uma resposta negativa na liga.

A bite from a real Shark (Foto: Sharks FB)
A bite from a real Shark (Foto: Sharks FB)

SCARLETS

Localização: Llaneli, País de Gales
Estádio: Parc y Scarlet (15,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 1x campeão da PRO12/Celtic League
2015/2016: 4º lugar no grupo;
Jogador a seguir: Liam Williams (Galês)
Contratação a seguir: Jonathan Davies (Galês)
Treinador: Wayne Pivac (Neozelandês)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

E nos céus, paira o Dragão de Llaneli! Ao jeito do País de Gales, a equipa de Llaneli tem como símbolo o dragão, um símbolo muito ligado a estas paragens do Reino Unido. Infelizmente, os Scarlets parecem estar a atravessar uma fase da sua existência complicada, com um arranque terrível na PRO12 (só 8 pontos conquistados em 5 jornadas, a 13 do 1º lugar), os Scarlets ainda estão a definir o seu XV base para atacar da melhor forma possível a sua temporada. Houve várias chegadas desde o fantástico centro Jonathan Davies (um jogador que é a emulação do espírito galês de luta, raça e qualidade técnica), à surpreendente vinda do antigo Crusader Johny McNicholl (deverá só chegar em Novembro, altura que expira o seu contrato com a NZRU), ao portentoso Wayne Kruger (saída dos Blue Bulls poderá catapultar Kruger para outro nível) e ao “mago” Rhys Patchell, para além de mais algumas “afinações”. Porém, ao contrário do que se pensava, estas contratações ainda não deram o tónico necessário para mudar os destinos da equipa galesa que anda muito longe dos lugares de decisão da PRO12 (a última vez que passaram a fase regular, foi em 2012/2013 quando atingiram as meias-finais). O problema está na forma lenta e algo desorganizada que os avançados dos Scarlets têm operado e,também, a fraca postura ofensiva dos 3/4’s… felizmente, contra o Connacht (que também não está “famoso” em termos de arranque) conseguiu fazer um jogo completo, equilibrado, em que Liam Williams decidiu desbloquear ao fazer dois ensaios. A partir de meados de Outubro já terão 90% da equipa a jogar, com DTH Van der Merwe a ter regressado no último fim-de-semana (marcou um ensaio), para além de mais uns quantos, que poderão fazer a diferença. Wayne Pivac terá uma época dura pela frente e a European Champions Cup será um teste muito complicado para os seus dragões, que precisarão de “inventar” formas de atacar a linha, para garantir território e bola… seria interessante termos uma equipa galesa em forma, porém duvidamos que seja – ainda – a época dos Scarlets. Para ganhar pontos aos Saracens ou Toulon teriam de fazer o jogo perfeito, imaculado e em que o domínio de bola fosse totalmente garantido, sem perder o “fio à meada” na defesa e sem erros em termos de aproveitamento de lances no ataque. Será uma missão muito difícil, mas na European Champions Cup pode dar-se uma surpresa.

Never play with the Dragons (Foto: PRO12)
Never play with the Dragons (Foto: PRO12)

pool3A parte II fica reservada para a Pool 4 e 5 e uma conclusão final.


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