6 jogadores que chegaram “tarde” ao futebol europeu pt.1

Francisco IsaacAbril 27, 20225min0

6 jogadores que chegaram “tarde” ao futebol europeu pt.1

Francisco IsaacAbril 27, 20225min0
Fica a conhecer três jogadores que só aterraram no futebol do Velho Continente já numa idade "avançada" com algumas surpresas nesta lista

Sabias que alguns dos maiores jogadores que passaram pelo futebol, chegaram tarde ao continente europeu? Fica a conhecer seis nomes que só embarcaram viagem para o Velho Continente quando já tinham 26/27 anos ou ainda mais, e que ainda marcaram uma era.

CARLOS VALDERRAMA (MONTPELLIER – 27 ANOS)

O “El Pibe” colombiano, o homem detentor de uma autêntica juba humana gloriosa, e rei de um dos pés mais finos e calibrados do futebol mundial, Carlos Valderrama só chegou ao futebol europeu quando estava prestes a cumprir 28 anos de idade. Para os mais novos, Valderrama foi e é ainda, talvez, o melhor jogador da história do futebol colombiano, muito por conta do seu estilo vibrante com o esférico nos pés, fornecendo um espectáculo apaixonante imenso que conquistou adeptos de todo o Mundo, em especifico naquele Campeonato do Mundo de 1990, o primeiro dos cafeteros após uma ausência de 28 anos.

O fantasista colombiano ocupava o espaço de médio-ofensivo, empunhando o mitológico número 10, camisola que era sua tanto na selecção como no Deportivo de Cali, clube pelo qual jogou entre 1985 e 1988, com a saída a se dar nesse Verão de 88′. Com 27 anos, e depois de ter jogado num dos emblemas gerenciados/financiados por um dos maiores cartéis de droga da Colômbia (Cali), o Montpellier conseguiu convencer Carlos Valderrama a seguir viagem para França e fazer a sua primeira incursão na Europa, revelando-se uma ida positiva já que conseguiu ajudar os Paillade a levantar uma Taça em 1990.

A arte do “El Pibe” cafetero em dar vida a um jogo de futebol era única, injectando uma energia perfumada que elevava os seus companheiros para um nível máximo, como aconteceu com a Colômbia, ou nos dois clubes europeus que serviu, o Montpellier e o Valladolid. A viagem europeia de Valderrama durou cerca de quatro temporadas, acabando por sair em 1992 de novo para o futebol americano, retirando-se do futebol profissional só aos 41 anos de idade.

JUNINHO PERNAMBUCANO (OLYMPIQUE DE LYON – 26 ANOS)

Um jogadores tecnicamente apurado até ao último milímetro, Junho Pernambucano marcou uma era no Olympique de Lyon não só pelos seus golos ou livros (aquela espécie de “elevador” que surpreendeu guarda-redes por toda a Europa), fazendo parte integral dos sete campeonatos consecutivos conquistados por este emblema francês, polvilhando cada jogo com um futebol extremamente lógico, mas igualmente fantasista e mágico. E com que idade chegou Juninho Pernambucano ao futebol europeu? Aos 26 anos!

O artista expressivo brasileiro encheu, primeiramente, os relvados do Brasileirão, oferecendo ao Vasco da Gama dois títulos de campeão, uma Libertadores, outra Mercosur e ainda um Carioca, conseguindo 51 golos e 48 assistências nos 268 em que vestiu a camisola do vascão entre os anos de 1995 e 2001. Depois de ter tido um sucesso estrondoso no Brasil – e que coincidiu com a última das eras gloriosas do Vasco da Gama, que no entretanto foi sucumbindo a mãos resultados e um afastamento total da luta pelos títulos principais -, Juninho recebeu uma proposta irrecusável do Olympique de Lyon presidido por Jean-Michel Aulas, emigrando para França nesse Verão. A partir daí até ao ano de 2009, o brasileiro foi um dos melhores jogadores a actuar na Ligue 1, somando até o título de MVP em 2005/2006, numa clara demonstração que não há idade limite para chegar aos campeonatos mais competitivos do Desporto-Rei.

RICARDO ROCHA (SPORTING CP – 27 ANOS)

Um centralão como poucos se produziram no futebol brasileiro nos últimos 40 anos, Ricardo “Xerife” Rocha aterrou na Europa só aos 26 anos, e curiosamente foi em Portugal a sua primeira experiência no Velho Continente, chegando ao Estádio José de Alvalade em Janeiro de 1988, isto quando já era internacional canarinho e um dos principais nomes da canarinha, ajudando a selecção brasileira a levantar a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos em 1987. Como é que Ricardo Rocha chegou então chegou a Portugal? Pela mão de Juan Figger, empresário que, à época, tinha ligações a diversos clubes portugueses, possibilitando a Ricardo Rocha a ter a sua primeira aparição no futebol europeu. Infelizmente, os “leões” não conseguirem conquistar o título nacional, nem qualquer troféu, e o “Xerife” revelou numa entrevista ao MaisFutebol que chegou a estar vários meses sem receber salários,

“Um clube muito grande e a atravessar uma das piores crises da sua história. Nunca vi uma coisa daquelas. Ficámos seis ou sete meses sem receber salários, uma coisa incrível. Os jogadores tiveram de ser muito fortes. A época foi dificílima. O presidente Jorge Gonçalves entrou com determinada ideia no clube e as coisas não correram como ele esperava. Foi muito, muito difícil. (…) Acho que na época os torcedores perceberam que a equipa não podia fazer mais. Sem dinheiro, sem pagar aos jogadores, tudo foi inviável. O Sporting é muito grande, tem uma história no futebol mundial e tem de ser respeitado.”.

No Verão de 1988 regressou ao Brasil para representar o São Paulo, onde conquistou dois campeonatos brasileiros e um Paulista entre 1989 e 1991, seguindo-se a sua segunda experiência europeia, agora no Real Madrid, que acabou por valer uma Copa del Rey. O central viria fazer parte do elenco vencedor do Campeonato do Mundo de 1994, e encerrou a carreira no continente sul-americano, após ter actuado só em três temporadas na Europa.


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