Análise à época 2017/2018 na Ligue 1

José Nuno QueirósJunho 4, 201810min0

Análise à época 2017/2018 na Ligue 1

José Nuno QueirósJunho 4, 201810min0
Uma grande época em França chegou ao fim. Altura de analisar a tabela classificativa e saber quem são as equipas que mais agradara e as que ficaram aquém das expectativas na Liga dominada pelo PSG.

A Ligue 1 chegou ao fim e como tal todas as dúvidas relativas à classificação final foram totalmente dissipadas.

Na frente o PSG cedo confirmou o favoritismo e pareceu sempre só na luta pelo primeiro posto, algo que se confirmou com naturalidade e com várias jornadas por disputar, como provam os 13 pontos de distância que conseguiu para o segundo classificado. Numa equipa recheada de estrelas como Neymar e Cavani, o campeonato era uma obrigação depois do fracasso do ano anterior e nem com apenas 3 derrotas e 6 empates Unay Emery se aguentou no comando da equipa, tendo sido despedido pelo fracasso na Champions League.

Já no segundo lugar, onde três equipas lutaram até ao fim pela última vaga na fase de grupos da Champions, o Monaco levou a melhor e confirmou o estatuto de segunda melhor equipa gaulesa e superou-se ao sensacional Lyon que ficou apenas a 2 pontos dos comandados por Leonardo Jardim, mas que acabou com mais golos marcados e menos golos sofridos, provando a excelente época que teve.

Com este terceiro lugar o Lyon garantiu o lugar de acesso à terceira pré-eliminatória da Champions e relegou o Marselha para a fase de grupos da Liga Europa por uma diferença de apenas 1 ponto!

O Melhor jogador do Marselha esta época (Fonte: 90min)

Com estas 4 equipas fecha-se o lote das equipas com mais de 70 pontos no campeonato e que melhor futebol praticaram durante a época e onde atuaram os jogadores que mais se destacaram na Ligue 1.

Dos 77 pontos descemos até aos 58 pontos e ao quinto lugar onde o Rennes garantiu a presença na fase de grupos da Liga Europa com relativa tranquilidade apostando na sua solidez defensiva para alcançar os lugares cimeiros da tabela e com 3 pontos de vantagem sobre o sexto classificado.

Na luta pela 2ª pré-eliminatória da Liga Europa, 5 equipas lutaram pelo posto e com apenas 4 pontos a separaram estas formações. O Bordéus foi a equipa que conseguiu a tão preciosa vaga pelo último lugar europeu, fruto do seu poderio ofensivo, apontando 53 golos. Para trás ficaram Saint-Éttiene, Nice, Nantes e Montpellier completando a primeira metade da tabela classificativa da Ligue 1.

Dijon, Guingamp, Amiens e Angers tiveram campeonatos relativamente tranquilos onde conseguiram garantir a manutenção sem grandes problemas sobre os principais rivais. Destaque para o Amiens que teve um dos piores ataques da Liga, mas conseguiu a manutenção fruto de uma defesa coesa e com menos golos sofridos que Monaco, Lyon e Marselha.

O Bordéus não conseguiu ultrapassar o Rennes, mas está nos lugares europeus (Fonte: A Bola)

A salvo dos lugares perigosos, mas com algumas dificuldades ficaram Strasburg, Caen e Lille todos com 38 pontos, apenas 1 ponto acima da linha de água. A grande surpresa, pela negativa, vai para o Lille que depois de tempos áureos, viu a descida muito perto de acontecer, numa época em que ficou bem perto dos 70 golos sofridos, algo que mostra bem a permeabilidade da defensiva onde atua o português Edgar Ié.

Em lugar de descida mas ainda com hipóteses de manutenção através do playoff com o 3º classificado da Ligue 2 está o histórico Toulouse que se manteve com 5 pontos de distância para os lugares de despromoção imediata, surpreendendo também pela negativa nesta Ligue 1.

Com descida já confirmada estão o Troyes e o lanterna vermelha Metz. O Troyes ficou a 6 pontos da salvação e não conseguiu o seu objetivo primordial, muito por culpa dos poucos golos que marcou durante o ano. O Metz teve uma época absolutamente para esquecer e teve a descida cedo confirmada com apenas 26 pontos e com aquela que foi a pior defesa da liga onde registou 76 golos sofridos.

O Metz foi sempre inferior aos adversários (Fonte: Sapo Desporto)

Numa época recheada de golos e como já vem sendo norma nas últimas edições da Ligue 1, Edinson Cavani arrecadou o troféu de melhor marcador com 28 golos, numa época em que o PSG ultrapassou os 100 golos!

A correr atrás do uruguaio ficaram Thauvin e Depay com 22 e 19 golos respectivamente e que mostram o grande valor de Lyon e Marselha a este campeonato e que não foi por acaso que deram luta ao Monaco pelo acesso direto à Champions League.

No Marselha destaque ainda para Dimitri Payet que terminou a época com 14 assistências para golo, ficando com o troféu referente a este prémio.

Melhor jogador jovem: Rony Lopes (Monaco)

O jovem português teve uma época formidável conseguindo números inéditos na sua curta carreira. Com 13 golos marcados na Ligue 1, mais 7 assistências, o internacional sub-21 esteve ligado a 20 golos dos monegascos, numa época onde realizou 36 jogos no campeonato francês.

A época valeu-lhe inclusive um lugar nos pré-convocados de Portugal para o Mundial na Rússia e é certo que o seu lugar na seleção principal das quinas está cada vez mais perto.

Melhor Veterano: Dani Alves (PSG)

Aos 35 anos, o lateral brasileiro continua a jogar ao mais alto nível e com uma qualidade de fazer inveja aos jovens laterais espalhados pela Europa do futebol.

Com 1 golo marcado e 7 assitências, é fácil ver a importância do brasileiro na equipa, mesmo tendo a forte concorrência de Meunier. 25 jogos realizados e um record munidal quebrado. Com a conquista da Taça de França, Dani Alves tornou-se no futebolista com mais títulos coletivos conquistados na carreira e não parece que irá ficar por aqui.

Uma lesão tirou-o do último mundial da carreira, dando um final injusto para a carreira de Dani Alves, mas que nunca poderá apagar o seu talento.

Melhor Guarda Redes: Benjamin Lectome (Montpellier)

O Montpellier terminou o campeonato na 10ª posição, mas conseguiu ser a segunda melhor defesa da Ligue 1, apenas atrás do PSG, com 33 golos sofridos, tendo por exemplo menos 12 golos encaixados que o Monaco.

E isto deve-se e muito ás exibições de Lectome que ajudou ao campeonato tranquilo do Montpellier e que ainda permitiu ao clube sonhar com as competições europeias.

Jogador Revelação: Florian Thauvin (Marselha)

Já há largos anos a jogar no Marselha, foi apenas esta época que o francês deu verdadeiramente nas vistas no futebol gaulês e mostrou toda a sua qualidade, sendo peça chave do tridente composto por Germain, Payet e Thauvin e que foi uma grande parte do sucesso do Marselha esta época na Ligue 1 e na Liga Europa onde chegou à final.

Golos e assistências rimaram com Thauvin nesta época e não seria de admirar a entrada de largos milhões nos cofres do Marselha.

Cavani volta a conquistar o prémio de melhor marcador (Fonte: UOL Esporte)

Jogador do Ano: Edinson Cavani (PSG)

O campeonato pode parecer um passeio para o PSG, mas esse passeio é conseguido à base do talento das estrelas que atuam na capital francesa, e numa época onde Neymar era apontado como a estrela maior do PSG, Cavani mostrou que não se ia esconder na sombra do brasileiro, nem na sombra da promessa francesa Mbappé e voltou a ser decisivo naquilo que ele faz melhor, golos. Melhor marcador e peça chave do processo ofensivo da equipa, principalmente desde a lesão de Neymar e onde se pensava que os parisienses pudessem quebrar.

Melhor treinador: Bruno Genésio (Lyon)

O técnico de 51 anos esteve muito perto de colocar o Lyon na fase de grupos da Champions e de se intrometer no meio de Monaco e PSG, algo que à partida parecia um objetivo impossível.

Com o terceiro lugar conquistado, a entrada na Champions League ficou agendada para a próxima época onde o Lyon terá duas eliminatórias a separá-los da fase de grupos.

Mais golos marcados e menos golos sofridos que os seus mais diretos rivais na luta pelo segundo lugar, demonstram alguma injustiça para a equipa onde atua o português Anthony Lopes.

Com esta base a preparar a próxima época, o Lyon pode ser mesmo uma equipa a ter bastante em conta na Ligue 1.

Genésio levou o Lyon a uma grande época (Fonte: SAPO Desporto)

Equipa do ano: Paris Saint-Germain

Podíamos aqui colocar equipas que conseguiram superar os seus objetivos na época, em vez do PSG que parece competir num campeonato completamente diferente dos seus adversários. No entanto, os números que a equipa parisiense alcançou esta época foram quase estratosféricos.

108 golos marcados e apenas 29 golos sofridos na Ligue 1. Mais 21 golos marcados que o segundo melhor ataque e menos 4 golos sofridos que a segunda melhor defesa e com um saldo golos marcados/golos sofridos de 79 golos!

Com apenas 9 jogos em que não conheceu o sabor da vitória, o PSG voltou a vulgarizar a liga francesa e demonstrou uma superioridade incrível a todos os níveis.

Desilução do Ano: Lille

Com um dos treinadores mais bem rotulados do futebol, conhecido por ser um fanático pela tática como é “El Loco” Bielsa, esperava-se que o jovem plantel do Lille fosse mais que suficiente para colocar a equipa em lugares europeus, algo que cedo se veio a revelar muito difícil e nem a mudança de treinador veio trazer uma grande inversão dos acontecimentos e o Lille acaba muito perto da despromoção na Ligue 1.

Um ponto apenas salvou o Lille de uma queda muito elevada. Agora é preparar a próxima temporada onde há claramente uma imagem a limpar.


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