Diário do Atleta: o fim da aventura francesa de Catarina Ribeiro

Fair PlayJunho 23, 20196min0

Diário do Atleta: o fim da aventura francesa de Catarina Ribeiro

Fair PlayJunho 23, 20196min0
A internacional portuguesa terminou a sua aventura em França e explica como foram os contornos finais do fim de época. A última página do Diário do Atleta de Catarina Ribeiro

Finalmente, a hora por que tanto esperava, aconteceu… Voltei a entrar em campo, de chuteiras nos pés pronta para o combate! Estamos em abril e a fase final está mais perto do que nunca!

Dia 14 de março o dia em que voltei a calçar as chuteiras e que pude voltar a pisar os relvados. A sensação foi tão boa poder voltar ao relvado e poder começar a preparar a possível presença na fase final do campeonato com as minhas colegas.

Na semana de retoma do campeonato, tivemos aulas de boxes, uma ação de solidariedade com toda a equipa, jogos-treinos com a equipa masculina. Foi ótimo poder estar de volta, entrar no balneário, a preparação para o jogo, o aquecimento, o pontapear da primeira bola, e a chamada para entrar em campo.

Os quartos-de-final foram vividos junto da equipa principal, não podendo estar com a equipa B visto que só tinha regressado esta semana de uma longa recuperação. Sendo assim, fiquei em Toulouse, senti um nervosismo como se estivesse a jogar. O jogo disputou-se imediatamente após o jogo do top14 dando direito a uma entrada com o estádio cheio e com o apoio dos jogadores profissionais. Que nervosismo, que emoção. Foi um jogo difícil, Stade Toulousain contra Bobigny. O Montpellier ganhou ao Grenoble com um parcial 51-7, mostrando a sua supremacia.

A equipa elite defrontou o Blagnac nas meias de final. A equipa B defrontou o Stade Rennais. Já pude viver intensamente, estava de volta às convocadas. Encontramo-nos antes da hora marcada, pelas 9h30 no estádio habitual e tínhamos 5h pela frente até Royan. A viagem passou rápido e foi tranquila. Ficamos num hotel junto ao mar e, pessoalmente, foi ótimo pois já não via o mar há alguns meses. Depois ficamos distribuídas em quartos triplos e duplos e fomos passear pela praia. Entretanto a restante comitiva chegou durante a noite pois tinham compromissos profissionais.

De manhã encontramos-nos no pequeno-almoço, a parte onde todas nos regalamos cuidadosamente porque sabemos a importância que esta refeição terá no nosso desempenho. Estando já todas reunidas, a capitã juntamente com uma colega da equipa preparam um papel mostrando a confiança que depositam em nós, os motivos de cada uma para ganhar ainda mais confiança e garra, utilizando uma mensagem ou uma foto de alguém importante.

Foi muito positivo e diferenciador, mais um ponto de motivação para toda a equipa. Depois deste momento, dirigimos-nos para a praia a fim de realizarmos um réveil musculaire com o preparador físico a liderar, seguido de movimentação coletiva com o staff técnico. Num ambiente tranquilo e divertido, afinamos os últimos retoques. A equipa técnica sai e ficamos apenas as jogadoras.

A final foi épica. Todo o aparato, o nervosismo e a preparação foram evidentes em torno do top 16. Pessoalmente, não tive a oportunidade de viver tudo na primeira pessoa, pois joguei com a equipa esperanças. Contudo após o nosso jogo rumamos ao estádio principal para apoiarmos a equipa principal contra o Montpellier.

Sendo assim, encontramo-nos no sábado pelas 8h30, no estádio Ernest-Wallon, para juntas seguirmos em direção a Tarbes. O sentido é misto, de apreensão e de muita vontade e garra para ganhar. Fizemos uma pequena paragem para alongar as pernas e encontramos uma equipa para descontrair e animarmos um pouco. Entretanto continuamos a nossa viagem onde acompanhamos os jogos que já decorriam. Chegamos a um campo perto do local onde iríamos jogar.

Fizemos uma ativação e depois seguimos a pé para o restaurante. Uma vez mais, foi preparado um momento coletivo, foi passado um vídeo com pessoas de quase todas as atletas a desejar sorte e força para esta final. Foi um momento tenso e emocionante. Mas ainda não acabou por ali, de seguida, entregamos as camisolas entre nós, deixando sempre uma palavra forte e de compromisso. Inclusivamente escreveram em português mostrando o esforço e apreço. Fiquei agradavelmente surpreendida.

O nosso jogo foi contra o Montpellier, num campo alterado no dia anterior devido a estado do tempo e a quantidade de jogos no mesmo campo. A final seria transmitida ao início da noite. Chegamos ao campo, começamos a preparação e quando estávamos no aquecimento chegou a claque do Montpellier.

Aumentámos o ritmo, o foco e o objetivo era claro, vencer. Comecei suplente mas a vinte minutos do jogo, entrei para primeiro centro devido a uma lesão da formação. Durante a primeira parte impusemos o nosso jogo mas nunca conseguimos chegar ao ensaio, ganhando 6-0 através das penalidades. Contudo, falhamos outras duas penalidades que nos poderiam dar uma vantagem mais confortável. Tivemos dificuldades nas formações ordenadas e, avançando através dos rucks e dos ¾.

Na segunda parte, descemos na componente física, enquanto o Montpellier conseguiu impor o seu ritmo de jogo. Passamos grande tempo de jogo a defender, no nosso meio campo e, depois de uma jogada bem executada, as montpelliéraines chegaram pela primeira vez à nossa área de ensaio.

O jogo marcava 5-6 para nós. De seguida, com a equipa a baixar o ritmo de jogo, as héraultaises aproveitaram um erro de pontapé da capitã no nosso meio campo, marcando o 2º e último ensaio da partida, fechando o marcador em 12-6. Mostramos a nossa garra mas não estivemos fortes o suficiente. Fiquei triste, primeira final francesa perdida. Algumas colegas de equipa terminaram a sua carreira

A nossa final terminou em derrota por 13-6 e a equipa top16 perdeu 22-13. A equipa principal chegou ao intervalo a ganhar 10-13.

Após duas finais perdidas, apenas nos restava divertir-nos em equipa e preparar as competições seguintes, o torneio de sevens. Para mim, chegou a hora de voltar a casa, para juntamente com a equipa portuguesa terminar a época de preparação para a primeira etapa do campeonato europeu, em Budapeste.

Agora é tempo de recarregar baterias, junto dos meus amigos e família, aproveitar o tempo livre e férias e… treinar e treinar, algo que não pude fazer durante este ano em França.

Este ano temos uma grande alteração na seleção nacional feminina, onde quase todas as atletas são “fornada” das seleções de sub18 e sub16.


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