Arquivo de Benfica - Fair Play

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Bruno Costa JesuínoJunho 25, 20208min0

O futebol esteve parado durante cerca de três meses e no que a polémicas diz respeito foi quase um sossego. Mal recomeça a competição, devido a um resultado menos conseguido um autocarro leva uma pedrada no vidro… que se deveria transformar numa “pedrada no charco”, para se começar a ter mão pesada nestas situações.

Quem acredita em ‘pedradas motivadoras’?

Acredito que parte significativa das pessoas que leram este título vão associar que o “pedrada no charco” (leia-se ‘fazer reagir quem está acomodado’) se deve ao facto de a pedrada no vidro serviria para acordar a equipa do Benfica, o treinador ou mesmo o presidente. Mas não. Longe disso. Há quem defenda e cheguei a ouvir “vais ver se eles não vão correr em Portimão”. Antes de mais, a razão do empate com o Tondela, não foi por correram pouco. Além do mérito do adversário, a equipa não mostrou argumentos técnicos e tácticos para ultrapassar a boa organização do Tondela, e correram muito. Muito mas muito mal.

Medo Versus Motivação

Além do acto em si, que é um caso de polícia, o medo nunca fez ninguém ser melhor naquilo na actividade que desempenha. Só causa toda uma pressão necessária. Façam este exercício. Imaginem um jogador que viu os murais de casa pintando e a ver as suas famílias ameaçada a ter que um penalty no último minuto. Será que os adeptos acham que o jogador vai estar mais capaz de o executar com sucesso? O pior é que alguns acham que sim. Acham-se tão senhores da razão que mandam pedradas ao autocarro da própria equipa para os “chamar à razão”. E, provavelmente, vão continuar sempre a achar. Mas ao menos se se começar a punir severamente estas atitudes ao menos que não destruam propriedade alheia.

Podemos fazer o mesmo exercício agora extra futebol. Imaginem-se no vosso trabalha alguém criticar a performance da sua empresa e ameaçam a vossa família. Alguém no seu perfeito juízo acha que vai ser melhor profissional com base no medo? Motivação sim. Motivação é a chave catalisadora para qualquer profissional cumprir melhor as suas funções.

Futebol pós-covid ainda sem sal

Agora vamos à performance dentro de campo. Desde que a liga portuguesa regressou, a qualidade só tem aparecido a espaços… muito espaçados. Faz lembrar aqueles jogos de início pré-época… mas sem pré-época. Com menos público e com os jogadores com níveis físicos ainda mais baixos. E as bancadas despidas de público complementam tudo o que se quer… para 97 minutos de algo muito insosso.

Depois quando falta ritmo de jogo as diferenças entre as equipas fica mais curta, tornando os jogos mais equilibrados. Se repararem grande parte dos golos e jogadas de perigo tem sido através de erros defensivos. Não só forçado, mas mesmo não forçados. Isto acontece porque os níveis de concentração médio dos jogadores também voltaram muito mais baixos. E com o decorrer do jogo, quando o cansaço aumenta o discernimento desce e essas desconcentrações ainda se tornam mais evidentes.

A influência do factor público

Já muitos estudos se fazem e muitos mais irão ser feitos sobre a influência que as bancadas vazias estão a ter no desempenho nas equipas. Já se sabia que quando aconteciam jogos à porta fechada a equipa da casa por norma tinha desempenhos mais baixos. Mas talvez não se pensasse que a influência fosse tão grande. Só agora, com jogos sucessivos sem público, é que a amostra é suficiente para poder tirar dados. Não será por acaso que o público é considerado “o sal do futebol”, e é por eles que o futebol é considerado o desporto rei e desperta tantas paixões e emoções.

Em outros países nem tanto, mas em Portugal bem sabemos que os clubes grandes têm sempre mais público que o adversário mesmo quando jogam fora. Com excepção dos confrontos entre eles. A motivação que os adeptos dão à equipa faz sentir os jogadores mais tranquilo e motivados e há maior pressão sobre o adversário.

Uma história real sobre adeptos

Sempre que se fala em adeptos e da sua influência lembro-me de um relato do ex-benfiquista Mozer. História essa que envolve o regresso ao Estádio da Luz como jogador do Marselha e o ex-internacional francês Jean-Pierre Papin, na altura colega do brasileiro.

Conta Mozer que quando chegou o clube, Papin disse a Mozer que pressão dos adeptos do Marselha era muita quando estavam entre 30 a 40 mil adeptos. E semana após semana “azucrinava-lhe” a cabeça, e ele, habituado a jogar no Maracanã e ao Estádio da Luz, nunca sentia essa “tal” pressão.

O que é melhor do que ser a contar? Passar a palavra a um dos protagonistas:

Até que nas eliminatórias da Taça dos Campeões Europeus, nas meias-finais, para azar dele caiu o Benfica. E eu pensei assim: “Agora vai ser a minha vez!” No dia a seguir a ter saído o sorteio virei-me para ele e perguntei:
— Jean-Pierre, você viu com quem caímos?
— Vi, vi. Com o teu ex-clube.
— Pois é. Agora você é que vai ver o que é pressão.
— Porquê?
— Porque o estádio lá vai encher.
— Vai encher? E quantos mete?
— 120 mil!
— O quê?!
— É. 120, meu filho. Lá não se brinca.

Viemos para Portugal para o jogo da segunda mão, depois de termos ganho em casa por 2-1. Chegámos com dois dias de antecedência e treinámos naqueles campos secundários do Estádio Nacional.

Quando chegámos lá estava lotado de benfiquistas à volta da cerca, nem conseguíamos ver o relvado, e ele falou assim:

– O Benfica está treinando?
– Não, não. Isto aqui é para esperar a gente mesmo, a pressão começa aqui.
Ele ficou completamente nervoso! Chegou o dia do jogo, trocámos de roupa e fomos para o aquecimento. Eu tinha o hábito de ser sempre o último a sair do balneário, porque gostava muito de prestar atenção ao estado de espírito dos meus colegas, para ver se íamos fazer um bom jogo. Sempre fui muito observador nesse aspecto. Quando o meu balneário já não tinha mais ninguém, já tinham saído todos para o relvado, fui também. Quando estava a chegar ao relvado, no túnel de acesso ao campo, eles estavam ali todos escondidinhos, assim só a espreitar e o estádio estava super lotado.

– Vamos embora!
– Não, nós estamos esperando você.
Fui em primeiro, subi a escadaria que dava acesso ao campo, e quando entro no relvado, do outro lado saiu o Eusébio para ser homenageado. Ai Jesus, o estádio explodiu! Um barulhão, e quando olhei para trás estava sozinho no campo. E a receber vaia, 120 mil a dar vaia em mim sozinho. Comecei a chamá-los.
– Não, vamos esperar até o barulho passar.
– O barulho não vai passar, meus amigos. Isto vão ser 90 minutos assim. Anda lá, meu!
Ninguém vinha. E pensei “pronto, já perdi o jogo.”

Foi a história mais caricata e engraçada que tive com um colega de profissão, que era um grande jogador. O inferno da Luz tinha surtido efeito naquele período e realmente era bastante difícil jogar no Estádio da Luz cheio. Para quem não estava habituado era muito complicado.

Públicos nos estádios: Sim ou não?

Tem sido um assunto muito debatido, e agora ainda mais, com a possibilidade (quase) confirmadíssima de Lisboa receber a ‘final 8’ da Liga dos Campeões. Há argumentos válidos que defendem que se eventos culturais aconteceram com 1/3 ou 1/4 de sala, porque é que um estádio de 60.000 não pode ter pelo menos 10.000 ou 20.000 pessoas, o bastante para manter distâncias sociais. Mas há um factor que é preciso ter em conta e poderá ser decisivo. Existe algum evento de massas que mexa tanto emocionalmente com as pessoas como um jogo de futebol? Quantos desconhecidos já se abraçaram a festejar um golo decisivo do seu clube ou da sua seleção?

Para terminar, dou novamente a palavra a um dos protagonistas, neste caso, eu mesmo.

10 Junho de 2016. Final do Euro. Mais um vez escolhi o Terreiro do Paço como palco para ver o segundo jogo mais decisivo de sempre da nossa Seleção. Se em jogos anteriores estava cheio, o que dizer da final. E não só de portugueses. Ao longo dos 90min o ambiente era é tão contagiante, que havia ali ao pé um grupo de turistas polacos a viver o jogo quase como se fossem um de nós. Quase.

Até que no meio de tantos nervos, há sempre quem fale demais e mande aquelas ‘bocas’ típicas do “mete este”, “tira este”… “assim vamos perder”. Isto em loop. Alguém perdeu a paciência e acertou-lhe em cheio com o capacete na cabeça e/ou ombro.

Uns 20 ou 30 minutos depois. Golo de Portugal. Todos se abraçaram incluindo essas duas pessoas. Dois desconhecidos que tinham tido um atrito grave que, em qualquer outro contexto, teria sido impossível acabar com um abraço.

Para que não restem dúvidas, eu fui apenas co-protagonista. Apenas visualizei a situação, mesmo ali ao lado.

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João de MatosMaio 10, 20203min0

O Sport Lisboa e Benfica, depois da decisão da Federação de Andebol de Portugal em dar por terminado o campeonato devido ao novo corona vírus, já começou a preparar a nova época visto que as águias não conseguiram novamente pôr fim ao jejum de 11 anos desde a conquista do último campeonato.

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Bruno Costa JesuínoJaneiro 20, 20207min0

Rivalidade. Rivalidade não é guerra. Embora pareça que no futebol há uma linha, demasiado ténue, que as separa. Felizmente, os protagonistas, ou pelo menos aqueles que o deviam ser, ainda nos dão muitos bons exemplos. Um desses casos é o badalado “Bruno Fernandes”, que nos últimos tempos tem dado bons exemplos de fair play fora de campo. Além disso, vamos falar no futebol. Mas daquela parte que interessa.

Bom exemplo, um que está sempre a reclamar durante os 90 minutos?

É um facto. O seu perfil em campo faz com que passe muito tempo a reclamar com árbitros e adversários durante os 90 minutos. Mas não é essa parte que o artigo quer destacar. É a capacidade de Bruno Fernandes não ter receio em falar sem tabus de assuntos que muitos não têm coragem de o fazer. Os elogios públicos aos “inimigos”. Ah, espera, isso é a forma como muitos pensam. Vou reformular. O capitão dos ‘leões’ elogiou publicamente a qualidade de vários rivais. No final da época passada, em declarações à RTP, no final da época passada, elogiou a capacidade um jogador portista.

Não vou dizer que sou eu. Não é uma questão de humildade a mais, mas não me consigo ver dessa maneira. Há um jogador que este ano até pode não ter sido tão preponderante, mas que gosto muito: o Brahimi. Para mim, quando quer, é o melhor jogador do campeonato.

As palavras estenderam-se ainda a outros destaques do rival da segunda circular, pelas excelentes época que fizeram.

Dos portugueses… Temos a surpresa João Félix, que fez um grande campeonato, mas pela influência que tem diria o Pizzi. Talvez até o possa colocar no mesmo patamar que o Brahimi.

Mas não se ficou por aqui, ainda esta época, o capitão do Sporting, fez um comentário nas redes sociais a elogiar a excelente prestação do benfiquista diante do Zenit.

Adivinhem o que aconteceu?

Se calhar não é preciso muito para se adivinhar o que aconteceu. Pois bem, no futebol, o elogio a rivais tem sempre o reverso da medal. Para grande parte dos adeptos ser simpático para um adversário é algo proibido, e quem o faz é considerado pelos mais radicais, como ‘traidor’. Inclusive por aqueles adeptos ‘famosos’ que vão à televisão. Lembro-me quando o Benfica ganhou ao Porto, um desses em adeptos, no Prolongamento, ter criticado por no fim do jogo Ricardo Quaresma ter dado um abraço a Jorge Jesus. Para ele, é inconcebível depois de uma derrota ser ‘simpático’ com um adversário. Óbvio que anos depois, também apoiou o ‘não cumprimentar’ que Sérgio Conceição fez a João Félix no mesmo estádio, e também após um desaire.

It’s  footbal, not war

O futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes das nossas vidas.

Esta famosa frase é da autoria do ex-jogador e treinador italiano Arrigo Sacchi, e devia ser lembrada todos os dias. Lembrada e levada à letra. E após o apito final não eternizar guerras sem sentido e com base num clubismo exacerbado, que mais se aproxima de ódio. E tudo começar quando se odeia mais um rival do que se gosta do seu clube.

It’s football, not war. E sigam o exemplo, dos jogadores. Que por vezes não demonstram mais devido às más reacções de parte significativa dos adeptos. Por isso, parabéns Bruno. E que o teu ‘grande’ futebol continue a acompanhar a tua ‘grande’ postura. Seja onde for.

Nélson Semedo e Bruno Fernandes:

João Félix responde a Bruno Fernandes:

O nosso futebol: ponto de situação

Acabou a primeira volta do campeonato e em pouco mais de quatro meses muitas coisas há destacar. Vamos pegar em dois pontos positivos e um negativo.

A ‘dança’ dos treinadores ja dava (quase) para fazer um ‘onze’

Começar por um menos positivo. Desde o início houve dez mudanças de treinador. Quer dizer onze, com  saída de Folha do Portimonense durante o fim de semana. O Sporting, contando com o interino Leonel Pontes, e o Belenenses, já vão na terceira escolha. Não será por acaso as épocas conturbadas e abaixo das expectativas que ambas as equipas têm tido. Aliás, curiosamente, Silas, actual treinador do Sporting, começou a época no Belenenses (ou será que deverei B Sad ou Code City!).

Mas mais que a mudança de treinadores é a mudança de estratégia em poucos meses. O Marítimo começou a época com Nuno Manta Santos (agora no Aves), um treinador de transição, e ao fim de alguns meses mudou para José Gomes, um treinador que aposta num jogo de posse. O mesmo com Vitória Futebol Clube, que depois de Sandro, que montava a equipa centrada na segurança defensiva, apostou no espanhol Júlio Velasquez.

Em sentido oposto, o Belenenses que depois de Silas e Pedro Ribeiro, apostou em Petit. Treinador que se tem especializado em assumir salvar da descida equipas que assume a meio da época, mas que ao contrário dos antecessores, apresenta uma forma de jogar antagónica.

O grande Fama, o Gil de Oliveira e os recordes de Lage

A grande sensação da época tem sido o Famalicão, ainda por cima neste regresso à primeira liga depois de algumas décadas de ausência. Um projecto que está a ser criado há alguns anos e que está a dar frutos. Uma aposta em jogadores jovens, que têm tudo ainda para mostrar. Reforçou-se tanto no verão como agora no mercado do inverno. Até ver ainda não deixou sair nenhum dos principais jogadores, e está no sensacional terceiro lugar. Será que vai continuar a surpreender?

Quase tão surpreendente, o também regressado Gil Vicente. Com um plantel por montar a partir do zero, escolheu o experiente Vitor Oliveira, o mestre das subidas de divisão. Uma missão difícil nas mãos certas. Destaca-se a vitória sobre o Porto e Sporting, e mesmo depois de alguma séries negativas, encontra-se no 8º lugar, seis pontos acima da linha de água.

Mesmo com algumas fases negativas, principalmente após a derrota com o Porto, o Benfica de Bruno Lage teve a força de ir ganhando quando jogou mal. Com o regresso Gabriel e depois de Chiquinho, e a explosão de Vinícius a equipa estabilizou, mesmo quando perdeu o jogador que em melhor forma: Rafa. Em 51 pontos, conquistou 48, apresentando o melhor ataque e a melhor defesa (+7 golos e -5 que o Porto, respectivamente).

Uma palavra para a qualidade de jogo do Vitória Sport Clube, apesar de alguns resultados menos positivos do que as exibições adivinhavam.

Do trio benfiquista ao incontornável Bruno Fernandes

A prova quase imaculado do Benfica tem tido em Pizzi, desde o início, e melhoria exibicional com a entrada de Chiquinho e Vinícius. O primeiro porque é aquele que mais aproximou o Benfica das dinâmicas da época passada (quando tinha João Félix) e o brasileiro pelas novas soluções que deu à equipa, além da excelente média de golos.

No Porto o maior destaque tem sido Corona. O mexicano, jogue em que posição jogar é actualmente o mais imprescindível. Os reforços Marchesin, entrou muito bem na equipa, e Luis Diaz, embora a espaços, tem oferecido à equipa aquilo que Brahimi tinha de melhor.

No Braga, Ricardo Horta tem sido o mais influente na frente, enquanto Palhinha tem crescido muito. A capacidade de equilíbrio de dá a equipa faz lembrar a influência que Fejsa já teve no Benfica.

Na cidade de Guimarães, com um plantel bem recheado, Ivo Vieira tem rodado muito a equipa de jogo para o jogo. No entanto, o jogador mais utilizado, tem sido Tapsoba, um dos melhores centrais do nosso campeonato. No Sporting, Bruno Fernandes. Sempre, Bruno Fernandes.

Outros destaques: Kraev (Gil Vicente), Davidson (Vitória SC), Nehuén Perez, Pedro Gonçalves, Fábio Martins (Famalicão), Taremi (Rio Ave), Pepelu (Tondela), Filipe Soares (Moreirense) e Mehrdad Mohammadi (Aves).

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Bruno Costa JesuínoDezembro 11, 20199min0

Provavelmente esta é primeira crónica de todo o sempre que começa ‘inspirada’ numa música de Quim Barreiros. Na génese da ideia estão as conversas (online  e offline) do ‘adepto comum*’, que facilmente passam um treinador de “besta e bestial” e vice-versa. Um qualquer desses adeptos poderia cantar assim: “Ponho o Lage, tiro o Lage, ao jogo que eu quiser…”

Ponho o Lage, tiro o Lage, ao jogo que eu quiser
Ora é melhor é que o Mourinho, ora é treinador fraquinho
Tira na Europa, põe na Liga, e às vezes na taçinha
Está sempre mudando o onze para a prova que se avizinha!

Nota: no fim do artigo será apresentada a definição de “adepto comum”.

Diário de bordo dos 11 meses de Lage

Estas súbitas mudanças de opinião não são exclusivas aos adeptos do Benfica, mas sim transversais a todos os adeptos. Mas neste artigo vamos centrar-nos em Bruno Lage e nos 11 meses que tem à frente da equipa principal dos «encarnados».

O início e o pré-início da cruzada do ‘comandante’ Lage

São 11 meses, mas já podiam ser 12. Há cerca de um ano, o clube não passava por uma boa fase, e começou-se a falar na possibilidade de Bruno Lage, na altura treinador da equipa B, assumir o leme da equipa principal. Não foi em dezembro, mas em Janeiro o treinador setubalense assume o comando interino numa conjuntura difícil, após a saída de Rui Vitória. A equipa tinha acabado de perder em Portimão, ficou mais longe do título e o nível exibicional deixava muito a desejar. Muitos viram esta opção apenas como uma situação temporária e que o Benfica parecia indicar ‘entrelinhas’ estar a ‘desistir’ do título. Mas outros não. E entre estes estava Bruno Lage, que acreditou no qualidade do seu trabalho, na equipa, e fez a equipa acreditar nele e nela própria. No jogo de estreia muda o sistema táctico (para 442) e, entre outras alterações, lança a então ‘promessa’ João Félix como segundo avançado. O jovem já tinha sido utilizado por Rui Vitória a titular, mas mais vezes a saltar do banco, e sempre a jogar a partir da esquerda. Lage quis tirar o melhor partido do jogador e do que este poderia dar a equipa, e muito do jogo da equipa a passar por ele. Começou a perder na Luz por 0-2, mas acabou a vencer com brilhantismo, por 4-2, com um futebol ofensivo de qualidade e com uma grande exibição de João Félix. A partir daí a equipa embalou.

As não vitórias de Bruno Lage 2018-19

Mesmo numa sequência de vitórias, a cada não vitória, iam surgindo as primeiras críticas.

«Final Four» da Taça da Liga: O primeiro clássico

No primeiro grande clássico, a equipa defrontou o Porto na «final four» da Taça da Liga. Num jogo muito intenso, em que as equipas se bateram de igual para igual, a equipa da cidade invicta acabou por levar a melhor. Se para muitos adeptos do Benfica ficou a retina da boa exibição da equipa, para outros ficou apenas uma derrota e a possível falta de estaleca da equipa.

Quartos-de-final da Liga Europa: A sina alemã

À medida que na liga portuguesa se ia aproximando do Porto, na Liga Europa, Bruno Lage acabou por ir dando a oportunidade a alguns «jovens do Seixal». Florentino, Yuri Ribeiro, Jota, o próprio Gedson que tinha perdido algum espaço, e mesmo o já mais experiente Corchia (emprestado pelo Sevilha) começou a ter oportunidades nesta competição. Eliminou o Galatasaray, o Dinamo Zagreb, e numa eliminatória equilibrada com o Eintracht Frankfurt, acabou por ficar às portas da meia final. Nesta altura surgiram as primeiras críticas relacionadas com a rotação que Lage fez na equipa, elogiadas nas rondas anteriores, quando o Benfica venceu.

Meias-finais da Taça de Portugal: No tudo por tudo dos leões

Depois de uma excelente exibição na primeira mão da meia-final diante o Sporting, em que eliminatória poderia ter ficado resolvida, a 10 minutos de fim, num último fôlego Bruno Fernandes conquista um livre directo. O ‘intocável’ do Sporting bate com excelência de deixa tudo em aberto para a segunda mão em Alvaldade (2-1). Aí apresentou-se um Benfica menos capaz do que no jogo anterior e um Sporting, já afastado do campeonato, tinha que dar o tudo por tudo para ser feliz. E mereceu ser feliz. Num jogo equilibrado, um lance de génio de Bruno Fernandes permitiu o Sporting passar à final do Jamor, que acabaria por vencer.

Campeonato: Após a vitória mais importante a primeira perda de pontos

Após a derrota na Taça da Liga diante do Porto, temia-se de alguma forma como reagiria o Benfica na decisiva deslocação ao Dragão. O Benfica só contava com vitórias e tinha reduzido a larga distância para apenas um ponto. Num jogo muito intenso os «encarnados» impõem-se e vencem merecidamente por 1-2, passando a liderar a liga com dois pontos de vantagem. Curioso que no jogo seguinte, na recepção ao Belenenses, o Benfica perde pontos pela primeira (e única) na era Lage. Num jogo controlado a vencer por 2-0, duas falhas de atenção permitiu dois golos Belenenses em dois minutos. Terá servido de aviso para embarcação que não mais perdeu pontos até final da época.

2019-20: A queda do pedestal de quem não chega a cair

O título pode ser um pouco dúbio, mas tem tudo a ver com a carreira de Bruno Lage no Benfica. Para a generalidade do adepto comum, a época passada Lage era o melhor do mundo e pensam que vai ganhar todos os jogos, mas às primeiras derrotas já acham que ele é o pior de todos e devia ir embora.

A equipa entrou bem com uma vitória de 5-0 na supertaça diante o Sporting. Com um nível exibicional mais baixo que na época anterior, o certo é que Lage tem conquistado quase todos os pontos. Quase todos, porque perdeu, sem qualquer contestação, na recepção ao Porto, que conseguiu anular de forma exímia os pontos fortes dos «encarnados». A partir desta derrota a desconfiança dos adeptos começou e Lage começou a ser criticado.

Mesmo indo vencendo todos os jogos, muito deles com pouco brilhantismo, a prestação na Liga do Campeões, principalmente nos primeiros jogos, fez com que muitos adeptos começassem a olhar para Bruno Lage com desconfiança, apontando o dedo sobretudo, à rotação dos jogadores.

7 notas sobre Lage

  1. Entrou a meio da época passada, numa situação difícil, e fez uma recuperação fantástica tanto em termos de resultados como exibicional. Sendo a primeira experiência como líder de um equipa principal, merece crédito.
  2. Em duas meias épocas no campeonato perdeu apenas 5 pontos. Esta época com menos fulgor exibicional, muito por culpa da perda do jogador sob o qual rodava todo o futebol de equipa. Com algumas experiências falhadas foi encontrando soluções para colmatar essa ausência. A equipa parece ter melhorado nas últimas semanas.
  3. A rotação tem vantagens e desvantagens. Permite dar descanso a jogadores importantes, além de dar oportunidade e ritmo de jogo a jogadores menos utilizados, para quando forem chamados estarem motivados e condições em competir. A desvantagem é que é sempre um risco. Mas se é para arriscar que seja nas taças, principalmente na Taça da Liga. Na Liga dos Campeões, foram 2, 3 ou 4 alterações, que não considero que sejam suficientes para justificar os resultados do Benfica. Embora exista quem ache. São opiniões.
  4. Depois dos excelentes jogos da época passada, muitos treinadores foram percebendo os pontos fortes do Benfica. Começaram a saber como anular os movimentos da equipa e, muitas vezes, mesmo durante os jogos, Lage teve que mudar e não teve receio disso. Pode mudar para pior ou melhor, mas tenta ler o jogo e melhorar e não fica refém das suas ideias iniciais.
  5. Jogadores, como por exemplo Tomás Tavares, não estiveram sempre bem e tiveram falhas. No entanto, será certamente agora melhor jogador do que era em Setembro. São dores de crescimento normais num jovem, e quem quer tornar jovens jogadores em jogadores de topo, tem que cometer riscos e contar com possíveis consequências que possam advir. (Um excelente exemplo disso, aconteceu há uns anos, no outro lado da segunda circular. Rui Patrício até se tornar no guarda-redes indiscutível esteve duas épocas a ser criticado pelos adeptos. Mas certamente as falhas que tiraram pontos foram posteriormente ultrapassadas pelas defesas que deram pontos.)
  6. Não esperem de Lage aquele treinador que vai jogar em 90 por cento das vezes com o mesmo onze, consoante os adversários, a condição física dos jogadores e para manter o plantel competitivo, vai haver mudanças muitas vezes. Tirando talvez o Barcelona de Guardiola (que tinha sempre a bola logo dava para descansar durante os jogos) todos as equipas, que estejam em 2, 3 ou 4 competições têm que rodar, priorizando-as. Outro exemplo vindo de um rival. Adeptos portistas acérrimos defensores de Sérgio Conceição, apontaram a falta do rotatividade do Porto como a grande falha da época passada.
  7. Por fim, um desejo pessoal, tenha mais ou menos sucesso que Bruno Lage mantenha sempre a sua postura e se mantenha fiel às suas ideias e ideais. Importante ter mais treinadores que não entrem em polémicas sem sentido e que refugiam só em desculpas comuns. Que continue a explicar os resultados e exibições - bons e maus - com base no futebol jogado. Ou seja, com todo o Fair Play.

Definição de “adepto comum”

adepto comum | adj. s. m. + a·dep·to |épt| co·mum

(latim adeptus, -a, -um, conseguido, atingido) + (latim communis, -e)

adjectivo e substantivo masculino

1. Diz-se de ou pessoa que apoia um determinado clube principalmente quando as coisas correm bem. Quando não correm bem consegue ser o principal crítico = PARTIDÁRIO PARA O LADO QUE CALHA

2. Diz-se de ou pessoa pseudo-especialista que comenta futebol publicamente sem muitas vezes perceber a regra mais básica. = PSEUDO APOIANTE

3. Diz-se de ou pessoa que normalmente sofre de memória curta causada por trechos de 90 minutos. = APOIANTE COM MEMÓRIA DE PEIXE

adaptado, adulterado e inspirado no formato do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013,
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Bruno Costa JesuínoNovembro 28, 20198min0

Na última semana dois dos nomes mais badalados na imprensa têm vários pontos comuns. Ambos têm um personalidade muito própria. Ambos confiam muito nas suas capacidades. Ambos são dos melhores do mundo na sua função. E ambos fazem sonhar os adeptos de qualquer equipa equipa para a qual trabalhem (salvo uma ou outra excepção). Falamos, claro, da (re)aparição do ‘special one’ durante a consagração de Jorge ‘Alvares Cabral’ Jesus.

“Olé, olé-olé-olé, mister, mister” (Jesus)

Capa do Jornal Record

Jorge Jesus, tal como os (melhores) navegadores portugueses, depois de ‘descobrir’ um novo caminho caminho ‘comercial’ na Ásia, navegou, neste caso voou, rumo à conquista do continente sul americano, fazendo igualmente das terras de Vera Cruz a sua porta de entrada. Destaca-se desde já a primeira grande diferença: a recepção do ano 1500 a Pedro Álvares Cabral foi, pelo menos tendo em conta a documentação história, bem mais simpática do que a Jorge Jesus foi alvo (pela comunicação social, comentadores e treinadores brasileiros). Mas se o(s) primeiro(s) se impuseram pela ‘força’, o segundo foi convertendo os mais cépticos pela qualidade diferenciada do seu trabalho e até pela simpatia. Rapidamente se tornou um ídolo entre a nação rubro-negra, e alguns dos que mais o criticaram começaram a retratar-se.

E depois em 24 horas conquista dois títulos. Se o ‘brasileirão’ já era esperado pelo avanço pontual, a Taça dos Libertadores foi bem emocionante. A perder até perto do fim, aos 88 minutos (Oitchentcha e Otcho, como alguém diria) empatou o jogo. Mas a história mais bonita veio a seguir. Depois de perder duas finais continentais ao (outrora fatídico) minuto 92′ (já sem falar de uma Taça e uma liga portuguesa), Gabriel Barbosa bisa e dá o título ao Flamengo.

Ainda com o campeonato do mundo de clubes por disputar, já há quem peça um estátua de Jesus ao lado de Zico. Será caso para dizer: “Obrigado Jesus…”

‘(re)Special One’ está de volta

Depois de uma saída complicada há um ano do Manchester United, e quando os ‘profetas da desgraça’ já ditavam o seu ‘fim’, eis que José Mourinho regressa em grande para o mesmo campeonato e para um rival do. O ‘(re)Special One’ está de volta. E ‘(re)Special’ sem qualquer conotação negativa, mas sim porque depois de uma pausa sabática certamente que de alguma forma se ‘reciclou’, para mostrar o porquê de (continuar a) ser especial.

Habituado a fazer o que ‘há muito não é feito’ – liga dos campeões pelo Inter e pelo Porto e campeonato pelo Chelsea – Mourinho tem no Tottenham o desafio ideal para trazer os títulos que os adeptos ‘Spurs’ há muito almejam.

Sempre achei que estes 11 meses não seriam uma perda de tempo. Pude reflectir, analisar, preparar-me, antecipar cenários. Nunca perdemos a nossa identidade, somos o que somos, com as coisas boas e más. Não me perguntem quais foram os erros que cometi, mas apercebi-me de que cometi erros e não vou cometer os mesmos erros. Vou cometer erros novos, mas não os mesmos.

Por enquanto dois jogos, duas vitórias. Mas não é disso que vamos falar. Continua igual ao seu estilo e é também, por momentos como este (no vídeo abaixo) todos tínhamos saudades dele. Vá, talvez com excepção dos tais ‘profetas da desgraça’.

‘Muito mais é que os une que aquilo que os separa’?

Adaptando a letra canção de Rui Veloso na história do “Primeiro Beijo”, é ‘muito mais aquilo que os une que aquilo que os separa’.

O que os une…

Tanto Jesus como Mourinho são treinadores de autor. Isto é, ao longo da sua carreira sempre se diferenciaram pela forma como (quase) sempre tentaram trazer coisas novas ao futebol das equipas por onde passam. E devido a isso foram deixando, de certa forma, um legado. O ‘special one‘ foi totalmente disruptivo desde que se assumiu como treinador principal. A forma de ver um futebol como um todo – parte técnica, táctica e mental – e com um forma de liderança que retira o máximo de cada jogador do plantel. Jorge Jesus é de outra ‘escola’. Começou como treinador principal nas divisões inferiores, chegou bem mais tarde a clubes de topo, mas rapidamente impôs o seu futebol: dinâmico, a saber defender bem e com poucos, fazendo da sua transição ofensiva um autêntico ‘rolo compressor’ e, muitas vezes, com ‘nota artística’ (expressões que entraram no léxico do futebol desde a sua passagem pelo Benfica). Além disso, ficaram famosas algumas das adaptações de sucesso que fez com Enzo Pérez, Fábio Coentrão, João Mário e, mais recentemente, Willian Arão e Gerson.

Ambos quebraram também alguns ‘tabus’. Lembro-me, ainda na altura que Mourinho treinava o Porto, muito se falava sobre dois jogadores com características de número 10 jogarem ao mesmo tempo. Mourinho chegou a jogar com três jogadores com essas características ao mesmo tempo: Deco, Alenitchev e Carlos Alberto. Mostrou que com os posicionamentos certos, há sempre espaço para o talento. Jorge Jesus, anos antes de chegar o Benfica, começou a utilizar como sistema primordial o seu 442 muito dinâmico. Após o primeiro ano de muito sucesso nos ‘encarnados’, muitos foram os treinadores em Portugal que começaram a usar o mesmo sistema. Numa altura que em Portugal todos jogavam em 433 ou 4231, de há alguns anos para cá, o 442 é dos sistemas mais usados na nossa liga. Antes era visto como um sistema demasiado ofensivo, mas o ‘mestre da táctica’ provou que com as dinâmicas certas pode ser bastante equilibrado.

A vez número 3. Se para JJ a terceira (final de uma prova continental) foi de vez, para Mourinho é o terceiro clube inglês no seu currículo.

O que os separa… (ou não!?)

Apesar de ambos terem crescido no futebol têm ‘escolas diferentes’. Jorge Jesus, após boa carreira no futebol profissional (chegando a jogar no Sporting), rapidamente se tornou treinador. Aprendeu a criar os seus próprios métodos e foi aprimorando ao longo dos anos. Começou em divisões inferiores e foi subindo até ao topo. Já Mourinho, não tendo o mesmo sucesso como jogador, desde criança que acompanhou sempre de perto um guarda-redes (e depois treinador) de sucesso: Félix Mourinho, o seu pai. Sempre ligado ao futebol, nunca largou os estudos e teve também formação académica. Posteriormente lançou-se em clubes de topo, mas primeiro como treinador adjunto, passando por Porto e Barcelona.

Sendo ambos grandes entendidos no futebol, as competências de comunicação e liderança sempre foram duas grandes características associadas a José Mourinho… e criticadas em Jorge Jesus. Mas enquanto JJ tem sido elogiado na evolução dessas duas valências, principalmente nos últimos dois anos, Mourinho foi muito criticado, especialmente, na passagem pelo Manchester United.

Patrick Vieira, que foi treinado pelo ‘special one’ no Inter, abordou essa situação há dois anos.

Se calhar, os jogadores que tem agora não são tão receptivos à sua mensagem, são mais jovens e a geração mudou completamente. No Inter tínhamos um plantel mais velho e muito experiente e Mourinho soube lidar muito bem com isso. Os jogadores mais jovens talvez tenham medo de dizer aquilo que pensam e isso pode dificultar as coisas.

O próprio Mourinho, nos últimos tempos, também se referiu às diferenças comportamentais e sociais dos ‘jogadores do agora’ em relação aos ‘jogadores da geração anterior’. Dando a entender que a sua forma de gerir o balneário que tantos êxitos lhe trouxe poderá sofrer alterações. Admitindo ainda que durante este tempo de interregno aproveitou para fazer uma “análise profunda”.

Sou humilde o suficiente para analisar a minha carreira e todos os problemas que aconteceram. Fui muito longe na minha análise e percebi que não havia mais ninguém para culpar. Durante a minha carreira cometi vários erros. Não vou cometer os mesmos erros, vou cometer erros novos», atirou aos jornalistas.

O que esperar do futuro de Jorge e de José?

Não se sabe se Jorge chegará algum dia a um clube que lute pela Liga dos Campeões ou se Mourinho voltará a ganhar alguma, no entanto também existem certezas. Ambos foram (são) revolucionários, deixaram (deixam) seguidores, partilham a mesma sede de sucesso e nunca se deixarão adormecer à sombra do sucesso. Aproveitando a confissão de JJ a respeito da música que actualmente mais o inspira, podemos arriscar tanto um como outro não têm dúvidas que: ‘O melhor de mim está para chegar’

É preciso perder para depois se ganhar
E mesmo sem ver, acreditar
É a vida que segue e não espera pela gente
Cada passo que dermos em frente
Caminhando sem medo de errar
Creio que a noite sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre me iluminar.

 


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