Arquivo de Indian Wells - Fair Play

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André Dias PereiraMarço 18, 20192min0

Dominic Thiem conquistou, este domingo, a mais importante vitória da sua carreira. O austríaco surpreendeu Roger Federer (3-6, 6-3 e 7-5) na final de Indian Wells, sucedendo a Del Potro. E não fez por menos. Thiem conseguiu uma vitória  de virada contra Federer, que perseguia o 101º título da carreira.

O suíço entrou a pressionar muito, conseguiu quebrar o serviço a Thiem para fechar o jogo em 6-3. Só que, aos poucos, o austríaco foi-se reencontrando e foi equilibrando a partida, consumando a reviravolta que lhe garantiu o título.

Apesar de já ter vencido Federer, Nadal e Djokovic anteriormente, uma vitória como esta eleva o austríaco a outro patamar. Não só porque ascende ao 4º lugar do ranking, mas porque reforça a sua confiança e lhe garante maior estatuto. Há muito, de resto, que o austríaco perseguia uma vitória importante.  No último US Open, Thiem fez um dos melhores jogos da sua carreira contra Nadal, mas acabou afastado pelo espanhol nos quartos de final.

O título coroa uma grande semana de Thiem. Deixou para trás jogadores como Jordan Thompson, Ivo Karlovic, Gael Monfils e Milos Raonic. Já Federer eliminou John Isner, Peter Gojowczyk, Stan Wawrinka, Kyle Edmund e Herbert Hurkacz.

Thiem olha para Roland Garros

Este é o 12º troféu da carreira de Thiem. Desde 2015 que o austríaco vem colecionado títulos e a galgar posições no ranking. Este foi o primeiro de 2019. Aliás, nos 19 torneios ATP realizados esta temporada todos tiveram campeões diferentes. Federer venceu em Doha. Contudo, o suíço cai agora para quinto no ranking ATP.

Dominic Thiem tem, na terra batida, o seu piso preferencial. Agora como número 4 mundial e com um Masters 1000 sobre Federer, será interessante acompanhar o que poderá fazer em Roland Garros.

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André Dias PereiraMarço 12, 20192min0

Ainda não foi desta. Alexander Zverev voltou a desiludir e caiu na estreia de Indian Wells. É certo que o alemão tem toda uma carreira pela frente, mas a sua condição de número 3 mundial gera sempre expetativa em seu redor. Até porque nos últimos três anos colecionou nada menos do que 10 títulos.

Zverev parece, contudo, talhado para falhar nos grandes momentos. Tem sido assim em Grand Slam e também em Indian Wells. Desta vez foi superado por Jean-Lennard Struff. O número 55 do mundo venceu por 6-3 e 6-1. O alemão mostrou estar fora de forma, sobretudo no primeiro set. Permitiu que Struff quebrasse o seu serviço e chegasse ao 4-2. No segundo set foi ainda mais desastroso. Struff começou logo por quebrar o serviço e fechou o jogo em 6-1.

Para Struff este é um momento importante. É a primeira vez que o alemão vence três jogos seguidos em um Masters 1000. Até aqui tinha o registo de uma vitória e três derrotas. Para além de Zverev, em 2016 Struff eliminou Stan Wawrinka, então no top-10.

O alemão vai agora defrontar o canadiano Milos Raonic nos quartos de final.

Karlovic, o eterno

Também apurado para os quartos de final está Gael Monfils. O francês, que eliminou Albert Ramos Vinolas (6-0. 6-3), deverá jogar com Novak Djokovic. O sérvio é o grande favorito a repetir as vitórias de 2008, 2011, 2014, 2015 e 2016. Para atingir os quartos de final terá que vencer Philip Kohlschreiber. Interessante será também acompanhar o duelo entre Roger Federer e Stan Wawrinka. Federer está no mesmo lado da chave de Nadal e, se chegarem lá, poderão defrontar-se nas meias-finais. Para isso o espanhol terá de levar de vencido o argentino Diego Schwartzman.

Nota de destaque também para Ivo Karlovic. Perto de completar 40 anos continua em alto nível.  Já eliminou Mathew Ebden, Borna Coric e Prajnesh Gunneswaren. Agora, prepara-se para jogar com o favorito Dominic Thiem.

Já de fora da competição está Stefanos Tsitsipas. O grego caiu na ronda inaugural perante Felix Auger Aliassime. O vice-campeão do Rio Open ganhou por 6-4 e 6-2. Tsitsipas acabou por acusar o desgaste físico, apontando o dedo à quantidade de jogos realizados esta temporada.

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André Dias PereiraDezembro 13, 20187min0

Um ano que começou por ser de sonho terminou com mais interrogações do que certezas. Foi assim o 2018 de Roger Federer. Aos 37 anos, o multicampeão suíço não tem nada a provar. É o jogador com mais Grand Slam (20), o mais velho a vencer um Major e também a ser número um mundial. Mas até onde pode chegar o suíço? Tem condições para continuar a aumentar o seu legado em 2019?

Depois de um 2017 arrebatador, com sete títulos ATP, a expectativa era alta para saber se o helvético poderia recuperar a condição de número 1 mundial. Ou, pelo menos, voltar a ganhar um Grand Slam. E a resposta não poderia ter sido mais assertiva. Em Janeiro conquistou o Australian Open pela sexta vez, revalidando o título do ano anterior.  No mês seguinte regressou à condição de número 1 mundial. Tornou-se o mais velho de sempre a conseguir esse feito, após nova vitória (a terceira) em Roterdão. Federer estava em estado de graça. E as paragonas dos jornais eram retumbantes perante o crescimento da sua lenda.

Com Nadal em crescendo, mas longe do seu melhor, e Djokovic ainda há procura da melhor forma, Federer tinha em Del Potro e Cilic, nesta fase do ano, os seus grande rivais. E foi precisamente diante o argentino que perdeu o seu primeiro jogo do ano, na final de Indian Wells. Ainda assim, as 17 vitórias consecutivas em início de temporada representaram um record para o suíço. Foi, contudo, sol de pouca dura. E os primeiros sinais de que Federer já não tem o fulgor de outros tempos, deu-se em Miami. Caiu surpreendentemente na primeira ronda para Thanasi Kokkinakis.

Em boa verdade, voltar a alcançar a liderança mundial nunca foi uma obsessão para Federer. O próprio assumiu que, aos 36 anos, seria difícil consegui-lo, ou pelo menos, manter essa condição. E, talvez seja bom reconhecer que se tratou de algo circunstancial. Não que Roger Federer não o pudesse conseguir. O ano de 2018 mostrou que Federer, Nadal e Djokovic continuam dominantes no circuito. E com o espanhol ainda em fase de calibração e Djokovic a reccuperar confiança, Federer soube, com profissionalismo, gerir os torneios para reconquistar o topo da hierarquia.

A gestão na terra batida

Em 2017, a ausência na terra batida foi uma fórmula de sucesso para um retumbante segundo semestre. Só que essa fórmula não resultou em 2018, mesmo falhando Roland Garros. É certo que esse piso nunca foi o seu ponto forte, ou uma prioridade. Sobretudo depois de completar o carreer Grand Slam e se ter destacado como o maior campeão de Major. Só que essa gestão também lhe trouxe críticas. Ion Tiriac, diretor do Open de Madrid, foi um deles, comparando o suíço a Lewis Hamilton. “Ele não opta por não competir depois de disputar apenas cinco corridas de F1”.

E em boa verdade, Federer nem precisou da terra batida para voltar a ser líder mundial. O suíço não tinha qualquer ponto a defender e no regresso aos courts venceu em Roterdão e Estugarda, voltando a ser número 1. Outra vez, mais elogios. Agora de John McEnroe. “Não entendo como pode, nesta idade, jogar ainda a este nível”, disse.

Estávamos, por esta altura, a meio da temporada. Wimbledon aproximava-se e Federer era o grande favorito. Mesmo aos 36 anos. Mesmo já tendo atravessado diferentes gerações, de Sampras e Dimitrov. Mesmo, uma semana antes, ter perdido para Borna Coric a final de Halle, que lhe retirou a liderança mundial. Poucos levaram a sério esse aviso. Não que Federer tenha estado mal. Mas teve mais dificuldades em converter pontos no primeiro serviço (74) e converteu apenas um break point.

Roger Federer poderá voltar à terra batida em 2019. Foto: Independent.co.uk.

Federer cai com estrondo em Wimbledon

Uma semana depois, o choque. Roger Federer é eliminado nos quartos de final de Wimbledon perante Kevin Anderson. “Senti-me bem, mas não foi o meu dia”, justificou o octacampeão do All England Club. Como em Halle, o suíço pareceu displicente e distraído. Foi assim ao cancelar um serviço por um avião passar, ou ao falhar completamente uma direita depois de um fã ter gritado. Por algum motivo, Federer nunca esteve no total comando da partida, não dando sequência a pontos importantes.

Essa falta de consistência prolongou-se por outros torneios, já na temporada de piso rápido. Em Cincinnati perdeu a final para Djokovic. Mas a grande desilusão deu-se no US Open, onde perdeu para John Millman na quarta ronda, num jogo onde cometeu 77 erros não forçados, 10 duplas faltas e finalizando apenas 49% de primeiros serviços. Foi um dos piores registos da sua carreira, mas ainda assim, garantiu os pontos suficientes para jogar o Masters Final, onde cairia nas meias-finais diante Alexandre Zverev. Nos Masters de Shangai e Paris caiu para Borna Coric e Novak Djokovic, os carrascos de 2018. Pior que as derrotas, a forma como foram alcançadas fizeram soar os alarmes sobre o que esperar ainda de Federer.

E agora, 2019?

Federer tenta, em 2019, tornar-se o maior campeão de torneios ATP. Foto: BBC.com

Aos 37 anos parece claro que Roger Federer tem ainda capacidade para gerir o seu prestígio nos courts, vencer alguns torneios e ir longe em Grand Slam. O suíço refere que nesta idade é impossível prever o que vai acontecer dentro de dois anos, mas sente-se bem no circuito e, nesta fase da carreira, tudo depende da sua família.

Numa temporada muito pode acontecer e 2018 é uma boa prova disso mesmo. Mas a ideia que fica do ano que agora acaba é que, por exemplo, Novak Djokovic está à frente do suíço. É número 1 mundial e com o regresso do sérvio ao mais alto nível é praticamente utópico pensar que Federer poderá recuperar a liderança na hierarquia.

Tal como em 2016 e 2017 o sucesso da temporada do suíço dependerá da gestão dos torneios que fizer. E ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, tudo aponta para que o helvético volte a jogar a terra batida em 2019. “É uma hipótese em cima da mesa. Tenho avaliado e há várias ofertas, mas vamos ver”, explicou. Uma dessas hipóteses é jogar o ATP Barcelona. A prova tem sido dominada por Nadal (11 títulos) e nunca contou com a participação do suíço nos últomos 10 anos. A organização tem feito agora um esforço para recuperar a participação de Federer.

Com Djokovic ainda a um nível excepcional, Nadal intermitente devido a lesões, e com a consolidação de Zverev e Thiem, para além de outros jogadores da nova geração, é pouco provável que Federer volte a erguer Majors. Wimbledon será por certo o foco da sua temporada e a razão de toda a sua preparação. E, em boa verdade, é no All England Club que tem mais chances de ser feliz. Mas mais depressa, talvez, consiga quebrar o último recorde que lhe resta. Ultrapassar Jimmy Connors como o maior campeão de torneios ATP. Connors somou 109 e Federer está com 102.

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André Dias PereiraMarço 12, 20182min0

Denis Shapovalov saiu de cena de Indian Wells, que se joga até ao próximo domingo, na segunda ronda. O canadiano é contudo um meteoro no circuito ATP. E é o próprio que lembra que há um ano jogava Challangers e estava fora do top-200. Hoje é o 44 do mundo, com capacidade de surpreender qualquer um. Que o diga, por exemplo, Rafael Nadal.

Aos 18 anos de idade, o canadiano jogou um torneio Masters 1000, acabando eliminado por Pablo Cueva (7-6 e 6-4). A irregularidade e os erros em alturas decisivas foram determinantes. Na ronda inaugural vencera Ricardas Berankis.

“As coisas estão a sair-me muito bem nos últimos meses. Não me vejo favorito em nenhum jogo. No entanto, sou jovem em torneios deste tipo e há muitos jogadores experientes. Vou para os encontros com muita confiança e acreditar que posso vencer qualquer um”, disse o Shapovalov.

De facto, o canadiano atravessa um bom momento de forma. Este ano já atingiu as meias-finais do torneio norte-americano de Delray Beach. Em Acapulco derrotou, também, Kei Nishikori. O impacto de Shapovalov começou quando, o ano passado, derrubou Rafael Nadal nos quartos de final do torneio de Montreal.

Shapovalov lidera Canadá à primeira Taça Davis juvenil

Nascido em Israel, mas filho de pais russos, Denis Shapovalov começou a jogar ténis com apenas 5 anos de idade. O apoio familiar foi tal, que a sua mãe abriu um clube de ténis para o ajudar nos treinos. E foi já em Outubro de 2013 que o canadiano venceu o seu primeiro título júnior. Aconteceu em Burlington, nos EUA, feito que repetiria no ano seguinte.

O ano de 2015 foi o mais impactante do seu percurso juvenil. Alcançou a segunda ronda no Australian Open, e a terceira em Wimbledon e US Open. Em duplas conquistou, juntamente com o compatriota a Félix Auger-Aliassime, o título do US Open. Os dois tenistas e Benjamin Sigouin venceram também, nesse ano, a primeira Taça Davis juvenil da história do país. Por fim, em 2016,  Shapovalov foi campeão do torneio Future de Weston, nos EUA.

Agora, entre graúdos, o canadiano está a começar a construir a sua história. Jogo a jogo, competição a competição. Actualmente é 44 do mundo, mas o mais provável é continuar a galgar posições no ranking. Até onde vai este meteoro é a questão.

 

Os melhores pontos de Denis Shapovalov em 2017


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