André Dias Pereira, Author at Fair Play

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André Dias PereiraSetembro 15, 20222min0

Era uma questão de tempo. Mas talvez poucos esperassem que fosse tão pouco tempo. Carlos Alcaraz tornou-se aos 19 anos o mais jovem número 1 mundial. O feito deu-se, este domingo, após conquistar o seu primeiro Grand Slam: o US Open. O espanhol confirma toda a expectativa que sobre ele recai nos últimos anos. Aliás,o triunfo por 6-2, 2-6, 7-6 sobre Casper Ruud, consolidou não apenas um grande torneio, mas também um grande ano.

Só em 2022, Alcaraz alcançou vários recordes. Entre outros, é o mais jovem campeão líder do ranking, o mais jovem campeão de um ATP 500, o mais jovem campeão de Major desde 2005, o segundo campeão mais jovem do US Open e o jogador com mais tempo de court registado em um Grand Slam.

Mas vamos por partes. O US open de 2022não contou com a presença de Novak Djokovic. O sérvio foi impedido de entrar nos EUA por não estar vacinado contra a Covid. Neste contexto, Rafa Nadal era tido como o grande favorito. O espanhol, recorde-se, venceu os dois primeiros Majors do ano, em Melbourne e em Paris. O maiorquino, porém, caiu perante Frances Tiafoe nos 16 avos de final. Nadal ressentiu-se das dores que sentiu em jogos anteriores e deixou o caminho aberto para um campeão diferente do habitual.

Casper Ruud, finalista, era uma dessas possibilidades. O norueguês poderia mesmo ter chegado a número 1 mundial mesmo sem ganhar. Bastava que Alcaraz não se apurasse para a final.É importante salientar que Ruud tem feito também um grande 2022. Em 2022 j ganhou 3 torneios (Gstaad, Geneva e Buenos Aires) e foi finalista vencido em Roland Garros e Miami. O norueguês é 2 do mundo.

O mundo nas mãos de Alcaraz

Mas o que este título pode representar? Bom, ainda é cedo para dizer. Mas tudo leva a crer que Alcaraz deverá manter-se entre a elite nos próximos anos. Em Nova Iorque deixou para trás Sebastian Baez, Federico Coria, Jenson Brooksby, Marin Cilic, Jannik Sinner, e Frances Tiafoe, para além de Casper Ruud.

O seu técnico, Juan Carlos Ferrero, acredita que o compatriota em tem muito que evoluir. De acordo com o ex-número 1 mundial, Alcaraz está ainda a 60% do seu potencial. E todo o seu sucesso se reflecte também em dinheiro. Com a vitória nos EUA, Alcaraz embolsa 2,6 milhões de dólares, tornando-se o tenista que mais arrecadou em 2022.Entre todas as premiações, acumulou 7,36 mihlões de dólares.

No mais, Alcaraz é ainda o jogador mais venceu em 2022: 51 de um total de 60 ogos.

 

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André Dias PereiraAgosto 26, 20223min0

Borna Coric sempre foi um dos mais talentosos e promissores tenistas do circuito. A verdade, porém, é que a sua carreira tem sofrido altos e baixos dos quais resultam dois títulos ATP. Um em Marraquexe, em 2017, e o último, em Halle, em 2018. E se é verdade que a posição 152 do ranking na qual entrou no Masters 1000 de Cincinnati não é condizente com o seu talento, a verdade, porém, é que reflete essa inconstância na carreira e também as lesões e longa recuperação que marcam os seus últimos anos.

Talvez por isso, a sua vitória em Cincinnati, no passado final de semana, seja vista como surpreendente mas também como a possibilidade de ser um ponto de viragem. Diante do favorito Stefanos Tsitsipas, Coric venceu por 2-0 em sets: 7-6 e 6-2.

“Há 5 dias não estava pronto para este discurso. Pensava que ia perder na primeira ronda”, assumiu Coric na hora da vitória. Mas não poderia estar mais errado. Após derrotar Lucas Musetti na ronda inaugural (7-6 e 6-3), na segunda ronda levou a melhor sobre ninguém menos que Rafael Nadal (7-6, 4-6 e 6-3) em um jogo de quase 3 horas de duração. Seguiram-se Bautista Agut (6-2 e 6-3), e Felix Aliassime (duplo 6-4). O canadiano tem confirmado a sua evolução no circuito conforme mostram os jogos com Jack Sinner e De Minaur.

Mas antes de chegar à final, Coric deixou ainda para trás o britânico Cameron Norrie (6-3 e 6-4). Por esta altura do torneio, o croata esbanjava a confiança que, por vezes, falta ao seu jogo.

Bonança após a tempestade

Com o triunfo sobre Tsitsipas, Coric tornou-se o jogador com a posição mais baixa no ranking a vencer em Cincinnati. E isso garante-lhe uma subida até ao 29 lugar da hierarquia mundial. Esta talvez seja a melhor coisa que aconteceu a Coric nos últimos anos. Em 2021 foi submetido a uma cirurgia que o atirou para fora do circuito, acabando o ano em 73 lugar.

Coric foi um dos primeiros jogadores a preparar-se para o Australian Open, já este ano. Mas foi outra vez traído pelo ombro. Regressou à competição em Indian Wells, em Março, mas caiu na primeira ronda.

Será, por certo, interessante entender como vai evoluir a partir de agora. A tendência é ir subindo no ranking mas ainda é cedo para saber se terá consistência suficiente para ser top-10 mundial. O ranking mais alto que já teve foi 12.

O torneio de Cincinnati também fica marcado pelo segundo lugar de Tsitsipas. O grego conta em 2022 com triunfos em Maiorca e Monte Carlo. Tsitsipas atravessa um bom momento de forma e deixou isso bem vincado com o triunfo sobre Medvedev nas semi-finais. Também Cameron Norrie voltou a mostrar que está em crescendo. O britânico alcançou também as semi-finais, tendo deixado para trás a sensação Carlos Alcaraz e Andy Murray.

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André Dias PereiraAgosto 10, 20223min0

Se há figura controversa no circuito é Nick Kyrgios. Ao longo da sua carreira, o australiano tem sido mais vezes notícia por situações fora do court do que dentro dele. Mas uma coisa é unânime. O seu talento. A sua enorme capacidade de fazer frente a todos os adversários. O problema é que num bom dia pode eliminar Nadal ou Djokovic, e no seguinte ser afastado por alguém fora do top-100.

Essa irregularidade e comportamentos rebeldes têm condicionado a sua evolução. A ideia que passa é a de uma carreira claramente abaixo do seu talento. Mas as coisas parecem estar a mudar.

No passado final de semana, o enfant terrible do ténis venceu o ATP Washington tanto em simples quanto em pares. Um registo impressionando e que, por isso, lhe permitiu subir 26 posições no ranking, sendo agora 37 do mundo.

Kyrgios venceu na final de simples o japonês Yoshihito Nishiota, por 6-4 e 6-3. Esta foi uma semana irrepreensível do australiano, que só cedeu um set em todo o torneio. Para trás ficaram Marcos Giron, Tommy Paul, Reilly Opelka, Francis Tiaffoe e Mikael Ymer. O sueco foi, aliás, uma das grandes sensações do torneio. Ymer, 77 do mundo, começou por deixar para trás, Andy Murray e foi até às semi finais. O sueco, 23 anos, conta na sua carreira apenas com uma final. Aconteceu em 2021 em Winston-Salem.

Como não poderia deixar de ser, destaque também para o finalista Nishiota. O japonês eliminou, entre outros, o favorito Rublev (6-3, 6-4) nas semi-finais. Esta foi a terceira final do agora 54 do mundo. Ele que conta até ao momento com um título ATP, em Shenzhen, em 2018.

Kyrgios regressa aos títulos

Desde 2019 que Nick Kyrgios não erguia um troféu. Os seus últimos troféus foram em novamente em Washington e Acapulco. De lá para cá só chegou a outra final. Aconteceu também este ano e logo em Wimbledon.

O australiano parece estar a entrar em uma nova fase de maturidade desportiva. Mas ainda precisa de consolidar este novo momento. Certo é que está no bom caminho. Para se ter uma ideia, quando o ano de 2022 iniciou ele era 137 do mundo.

Muitas vezes apelidado de narcisista, displicente ou egoísta, Kyrgios precisa também precisa e reconstruir uma imagem de certa antipatia construída junto dos adeptos. Estranhamente, o australiano não tem técnico. Recentemente disse até nem precisar dele, mas sim de alguém que lhe dê paz de espírito e reforce a sua força mental. “Para mim o ténis é muito simples, trata-se de um bom serviço e depois seguir o meu instinto”.

O torneio de Washington parece ser talismã para o australiano. Em 2019 Kyrgios conquistou este troféu pela primeira vez. À época, o adversário foi nada menos que Daniil Medvedev, por duplo 7-6.

Jogado desde 1969, o torneio de Washington tem em André Agassi o seu maior campeão, com 5 títulos. Mas pela primeira vez, um jogador conseguiu acumular no mesmo ano os títulos simples e por duplas. Ao lado do norte americano Jack Sock, a dupla levou a melhor sobre Ivan Dodig e Austin Kragicek (7-5 e 6-4).

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André Dias PereiraJulho 28, 20222min0

Casper Ruud renovou o título de Gstaad, conquistado o ano passado. O norueguês, número 6 do mundo, venceu a final, de virada, diante Matteo Berrettini: 4-6, 7-6, 6-2.

Apesar de o torneio, de categoria 250, ter vários bicampeões, a verdade é que o último a fazê-lo de forma consecutiva foi Sergi Bruguera (1992-94). O título de Ruud vem reforçar a boa temporada do norueguês. São, para já, três títulos em 2022 (Gstaad, Geneve e Buenos Aires) e 9 na carreira, para além das finais do Masters de Miami e Roland Garros.

Mas a verdade é que Casper Ruud parece ter uma relação de amor com a Suíça. São para já 16 vitórias consecutivas entre os torneios de Gstaad e de Genebra. Isso quer dizer que nunca experimentou o amargo da derrota em terras helvéticas.

Em Gstaad deixou para trés rivais como Jiri Lehecka (6-3, 6-4), Jaume Munar (duplo 7-6), Albert Ramos-Viñola (6-2, 6-0) e, claro Metteo Berretini (4-6, 7-6, 6-2). Ruud fez um torneio sem sobressaltos, só cedendo um set em todo o torneio. E foi precisamente na final.

Berrettini, campeão do torneio em 2018 e que este ano já ganhou em Estugarda e em Queen’s, também deixou para trás adversários como Richard Gasquet, Pedro Martinez e Dominic Thiem. O austríaco, campeão em 2015, está longe do seu melhor momento na carreira, mas está em crescendo. Em Gstaad alcançou a sua primeira semi-final em 14 meses. Thiem é agora 199 do mundo. Um número longe do top-3 mundial que já ocupou mas que representa uma evolução de 140 posições em duas semanas. Isto porque chegou também aos quartos de final em Bastad, encotrando-se, esta semana, a jogar o torneio de Kitzbuhel. Recorde-se que Thiem esteve 9 meses afastado do circuito por lesão no punho, chegadno a somar 11 derrotas consecutivas.

A regularidade de Viñolas

Quem também fez um bom torneio foi Albert Ramos-Viñolas. O espanhol é um daqueles casos dos quais se sabe sempre o que esperar. Não é um jogador de picos, mas também não é de baixos. E é sempre perigoso. O ano passado, recorde-se, venceu o Estoril Open e este ano já ganhou em Cordoba, Espanha.

Campeão de Gstaad em 2019, este ano voltou às meias-finais mas não conseguiu levar a melhor sobre Berrettini. Ainda assim, eliminou Dominic Stricker e Nicolas Jarry.

O torneio de Gstaad joga-se desde 1968 e os seus maiores vencedores são os  espanhóis Sérgio Bruguera (1992, 1993 e 1994) e Alex Corretja (1998, 2000 e 2002).

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André Dias PereiraJulho 13, 20223min0

Se há jogador que nunca pode ser descartado é Novak Djokovic. O sérvio tem passado uma temporada difícil, com ausência em torneios importantes, afastando-se da liderança mundial. Chegou a dizer que o ténis não era mais a sua prioridade e que queria passar mais tempo com a família. Mas na hora da verdade, quando entra em court é para ganhar. E voltou a fazê-lo em Wimbledon. O torneio mais importante da temporada de relva foi como um jardim que viu o sérvio renascer na temporada para o mais alto patamar do ténis.

Djokovic não está na sua melhor forma mas ainda assim foi suficiente para levar o seu sétimo título no All England Club. E o 21 major da sua carreira. Pela primeira vez, Djokovic ultrapassou Roger Federer em títulos de Grand Slam e está apenas a um de Rafael Nadal. Contudo, a sua presença no US Open não está garantida por não se encontrar vacinado. E mesmo no Australian Open, em 2023, a sua presença não está confirmada, embora notícias circulem no Reino Unido a dizer que Djokovic poderá jogar em Melbourne, ao contrário do que aconteceu este ano.

Essa incerteza dá alguma vantagem a Rafael Nadal no que diz respeito à luta pelo maior número de Major. O espanhol caiu nas meias-finais por desistência, após afastar nos quartos de final Taylor Fritz. O maiorquino venceu por 3-6, 7-5, 3-6, 7-5 e 7-6, num jogo épico, em que esteve em grande inferioridade física. Nadal já não disputou as meias finais diante Kyrgios, que seguiu assim para a final.

E na final, Djokovic fez valer a sua superioridade. Ganhou por 4-6, 6-3, 6-4 e 7-6. O sérvio foi amplamente superior ao australiano, que jogou pela primeira vez uma final de Grand Slam. Kyrgios voltou a mostrar a irregularidade que tem pautado a sua carreira. Embora, reconheça-se, que tem vindo a melhorar nestes últimos dois anos. Kyrgios é indubitavelmente um dos mais talentosos do circuito, mas os altos e baixos têm marcado  sua carreira. É hoje 45 do ranking mundial. Ainda assim, soma seis títulos, o último dos quais em 2019.

As lágrimas de Djokovic

Este não foi um torneio fácil para Djokovic. Já se sabia. Até pela sua forma física e técnica em função da limitação de torneios em que pode participar. Ainda assim, entrou de forma tranquila diante Thanasi Kokkinakis (6-1, 6-4 e 6-2) e Miomir Kecmanovic (6-0, 6-3 e 6-4). Seguiram-se Tim Van Rijthoven (6-2, 4-6, 6-1 e 6-2), Jannik Sinner (5-7, 2-6, 6-3, 6-2, 6-2) e, nas meias-finais Cameron Norrie (2-6, 6-3, 6-2 e 6-4).

O sérvio não foi tão imponente quanto em outros títulos, mas este teve seguramente um sabor especial. E não por acaso, não evitou as lágrimas na hora de erguer o troféu. “Ganhar este troféu depois do que aconteceu em Austrália. Lembrar-me de todos os momentos maus”, começou por explicar. “Senti um alívio” disse, lembrando que é “um ser humano”.

Apesar do título, o sérvio cai quatro posições no ranking ATP. Isto porque o torneio não contou para os pontos, pois os tenistas russos e bielorrusso não puderam participar.

Apesar do continuo domínio do big-3 em Wimbledon, Cameron Norrie e Nick Kyrgios aproveitaram para mostrar o bom momento que atravessam. Esta foi, de resto, a primeira vez  que o britânico alcançou as semi-finais de Wimbledon. Atualmente no 12 lugar do ranking ele é hoje a maior esperança britânica para vencer em casa, depois do sucesso de Andy Murray.

Ainda assim, e apesar da idade, Nadal e Djokovic prometem continuar a dividir os maiores troféus de ténis. Federer também esteve no All England Club – e foi ovacionado – mas por enquanto continuará só na bancada.

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André Dias PereiraJunho 23, 20222min0

Mais difícil do que chegar ao topo é manter-se por lá. Esta é uma daquelas verdades intemporais. Que o diga Daniil Medvedev. O russo é, sem sombra de dúvidas, um dos mais talentosos da sua geração. É consistente, tem um bom jogo de serviço, é forte no fundo do court, mas também na chegada à rede, e tem uma invejável força mental. Desde 2018 já venceu 13 títulos, entre eles o US Open (2021) e o Masters Final (2020).

Mas desde o título alcançado em Nova Iorque não mais voltou a erguer troféus. No domingo, Medvedev perdeu a final de Halle para Hubert Hurkackz (6-1, 6-4). Foi a quinta final perdida desde o último US Open. As outras foram Paris-Bercy, Masters Finals, Australian Open e Den Bosch.

O russo segue, ainda assim, como número 1 do mundo. Medvedev soma 8160 pontos e Zverev, segundo classificado, tem 7030. Djokovic fecha o pódio com 6770.

Não é de hoje que o russo diz sentir pressão acrescida por ser número 1. Mas, por mais que uma ocasião, diz que isso o tem feito crescer e trabalhar mais. Certo é que essa intermitência não era tão previsível assim, já que era conhecido pela sua regularidade. Desde 10 de Maio de 2021 que é top-2 e em 28 de Fevereiro deste ano chegou ao topo da hierarquia. Desde então, já caiu e já regressou à liderança, onde se mantém desde 13 de junho.

No mais, Medvedev será uma ausência garantida em Wimbledon, já que os jogadores russos e bielorrussos não poderão jogar.

Hurkacz vence quinto título em cinco finais

Na final de Halle, Medevedev caiu para Hubert Hurkacz. O polaco conquistou o quinto título em cinco finais jogadas na carreira. Esta foi a primeira na relva. As outras aconteceram todas em piso rápido. Aos 25 anos, Hurkacz volta ao top-10 mundial e volta a mostrar que é sempre um rival a ter em conta.

O polaco deixou para trás adversários como Maxime Cressy, Ugo Humbert, Felix Aliassime e Nick Kyrgios. O australiano foi, aliás, uma das grandes figuras do torneio, eliminando Stefanos Tsitsipas (7-6, 1-6, 6-3). Ainda assim, a grande sensação foi o alemão Oscar Otte. O número 37 do mundo foi semi-finalista, sendo eliminado por Medvedev (7-6 e 6-3). O alemão, 28 anos, nunca venceu qualquer troféu ATP, mas conseguiu em Halle um excelente registo após vencer Kecmanovic, Basilashvili e Khachanov.

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André Dias PereiraJunho 8, 20223min0

Não é à toa que Rafael Nadal tem uma estátua à porta do court Philippe Chatrier. O espanhol não para de aumentar a sua lenda em Paris e no ténis. No domingo, o maiorquino conquistou pela 14 vez o título de Roland Garros. Um registo absolutamente impressionante, que o coloca entre os grandes feitos da história do desporto em geral.

Nadal não apenas consolidou ainda mais a sua supremacia na terra batida, como subiu no ranking e ampliou a vantagem de Majors sobre Djokovic e Federer. São agora 22 Grand Slam contra 20 dos rivais.

O agora número 4 do mundo confirmou o favoritismo com que entrou no torneio e venceu a final de forma relativamente tranquila. Casper Ruud tem vindo mostrar méritos na terra batida mas não conseguiu ferir o espanhol, perdendo os 3 sets: 6-3, 6-3 e 6-0.

Este foi, aliás, um torneio que confirmou também a força de Casper Ruud, Zvevev e Alcaraz na terra batida. Embora uns tenham sido mais bem sucedidos que outros.

Nadal teve um caminho quase sem sobressaltos até aos quartos de final, quando defrontou Novak Djokovic. Para trás ficaram Jordan Thompson (6-2, 6-2, 6-2), Courentin Moutet (6-3, 6-1, 6-4), Van Zandschulp (6-3, 6-2, 6-4) e Felix Aliassime (3-6, 6-3, 6-2, 3-6, 6-3).  E foi quase sem sobressaltos, porque o canadiano quase eliminou o espanhol, que precisou de 5 sets para seguir em frente.

Mas o grande duelo seria com Novak Djokovic, o campeão em título. O sérvio entrou no torneio para igualar Nadal com 21 Majors, mas acabou por ver o maiorquino distanciar-se ainda mais. O espanhol venceu, também em cinco sets, por 6-2, 4-6, 6-2, 7-6. Ao cair nos quartos de final, o sérvio prepara-se para perder a liderança do ranking, na segunda-feira, dia 13, para o russo Daniil Medvedev. Nas meias-finais, Nadal beneficiou de desistência de Zverev.

Ruud sobe ao sexto lugar

Roland Garros confirmou o bom momento de Casper Ruud. O norueguês jogou, pela primeira vez, uma final em Paris e subiu ao sexto lugar da hierarquia. E não se pode dizer que tenha sido ao acaso. Só este ano já havia ganho na terra batida de Buenos Aires e Genebra. Dois oito títulos ATP conquistados nos últimos três anos, sete são neste tipo de piso.

Ao longo do torneio, foi deixando para trás, Tsonga, Ruusuvuori, Sonego, Hurkacz, Rune e Cilic. Nota para o croata que voltou a jogar uma semi-final de Grand Slam. Um registo que o coloca como o quinto jogador em atividade a jogar as meias-finais de todos os Majors (os outros são Nadal, Federer, Djokovic e Murray). Cilic teve ainda o mérito e afastar Daniil Medvedev (6-2, 6-3, 6-0) e Rublev (5-7, 6-3, 6-4, 3-6, 7-6). Acabaria por ser afastado por Casper Ruud (6-3, 4-6, 2-6, 2-6).

Apesar de ter chegado também às meias-finais, Zverev não tem razão para sorrir. O alemão, candidato à vitória final, acabou por se retirar do jogo com Nadal por lesão no tornozelo, que o forçou a uma operação. Ainda assim, voltou a mostrar grande capacidade para no futuro vencer em Paris. O problema é que Zverev, apesar do talento, precocidade e títulos alcançados, continua sem ganhar um Major. Um fantasma que não parece largá-lo.

Ainda assim, o alemão teve o mérito também de afastar Carlos Alcaraz. A grande sensação do circuito em 2022, caiu nos quartos de fnal: 4-6, 4-6, 6-4, 7-6.

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André Dias PereiraMaio 11, 20223min0

Começa a ser difícil encontrar sinónimos para o que tem sido a ascensão de Carlos Alcaraz. Ele deixou de ser o jogador do futuro para passar a ser o jogador do momento. Por outras palavras, já não é uma promessa, é uma certeza.

O espanhol tornou-se, no domingo, o mais jovem de sempre a ganhar o Masters de Madrid. E fê-lo em grande estilo, diga-se. Alcaraz venceu na final o Alexander Zverev por 6-3 e 6-1, naquele que foi o corolário de uma semana perfeita.

O triunfo sobre o alemão, de forma tão autoritária, já seria um feito digno de registo. Mas o que o espanhol fez ao longo da semana foi muito além disso e merece várias leituras.

A começar pelo óbvio: Alcaraz é, eventualmente, o melhor jogador da atualidade. Ou, pelo menos, quem está em melhor momento de forma. Este foi o segundo triunfo consecutivo do espanhol no seu país – em Abril ganhou o ATP Barcelona – e o seu quarto título do ano. Recorde-se que para além de Madrid e Barcelona, venceu no Rio de Janeiro e em Miami. Um registo que o fez ascender à sexta posição da hierarquia mundial. Considerando que há um ano não estava sequer no top-100 e que só este mês completou 19 anos de idade não deixa de ser impressionante o que tem vindo a fazer.

Mas não sendo pouco, o espanhol conseguiu ainda o feito de se tornar o primeiro jogador a derrotar, numa semana, em terra batida, e de virada, ninguém menos que Rafael Nadal (6-2, 1-6, 6-3) e Novak Djokovic (6-7, 7-5, 7-6). Aconteceu nos quartos de final e meias-finais. Esperava-se, por isso, que Alcaraz pudesse chegar fisicamente e emocionalmente desgastado à final. Nada mais errado. No vigor dos seus 19 anos e altamente motivado, despachou o número 2 do mundo de forma arrasadora. “Tu és o melhor do mundo”, reconheceu Zverev, claramente rendido ao espanhol. Também Nadal não poupou elogios ao compatriota mostrando-se feliz por Espanha ter produzido outro jogador de topo.

Roland Garros a ferver

Com Roland Garros à porta – arranca dia 22 de maio –  o ATP Madrid serve como um apalpar de pulso ao que podemos esperar de Paris. E a verdade, porém, é poderemos esperar tudo de bom. Sim, Rafael Nadal continua a ser o grande favorito, mesmo aos 35 anos. É o campeão do Australian Open e mostrou alto nível em Madrid. Tal como Novak Djokovic. Pese embora todas as contrariedades e polémicas que o têm acompanhado. É o campeão em título, quer igualar o espanhol com 21 Majors, e tem sido o único a contrariar o favoritismo de Nadal.

Só que, agora, há um novo rosto na área. Carlos Alcaraz mostrou em Madrid que está pronto para o nível seguinte e pode jogar de igual para igual com Nadal e Djokovic. E levar a melhor sobre eles fisicamente. Mas, já sabemos, um Grand Slam é um torneio e realidade à parte. Será, pois, interessante saber como Alcaraz vai encarar Roland Garros, agora com a pressão acrescida da expectativa.

E há ainda, não podemos esquecer, Zverev e Tsitsipas, ambos muito fortes na terra batida. O alemão chegou à final de Madrid e o grego às semifinais (perdeu para Zverev – 6-4, 3-6, 6-2), mostrando que estão não apenas preparados, como em bom momento de forma.

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André Dias PereiraAbril 27, 20222min0

Carlos Alcaraz é um dos grandes nomes do ténis em 2022. O prodígio espanhol, de apenas 18 anos, tem sido um meteoro no circuito ATP com impacto profundo. Em Fevereiro, tornou-se o mais jovem de sempre a ganhar um torneio Masters 100. Aconteceu no Rio de Janeiro. E agora voltou a repetir a proeza, mas em Barcelona.

Alcaraz não deu chances, na final, ao compatriota Pablo Carreño Busta, e venceu por 6-3 e 6-2. Foi o seu terceiro título de 2022 (Miami, Rio Janeiro e Barcelona)  e o quarto na carreira (Umag, em 2021). Um registro que o coloca no top-10 mundial, na nona posição. São já 23 vitórias em 26 jogos, em 2022. Para além de uma meia-final em Indian Wells.

E não se pense que este é um ano atípico do espanhol. Sim, 2022 tem sido o seu ano mais vitorioso, mas a verdade é que desde 2021 que vem dando excelentes indicadores. Para se ter ideia, há um ano estava fora do top-100 mundial. De então para cá, tem feito história. E promete não ficar por aqui. Alcaraz será por certo um nome a seguir com muita atenção em Roland Garros, onde a escola espanhola é tipicamente forte.

Mas voltemos a Barcelona. O torneio contou com nomes importantes como Sttefanos Tsitsipas, Casper Ruud, Diego Swarchzman, Grigor Dimitrov ou Felix Auger-Aliassime. Alcaraz deixou para trás Soonwoo Kon (6-1, 2-6 e 6-2), Jaume Muner (6-3, 6-3), Stefanos Tsitsipas (6-4, 5-7, 6-2) e Alex de Minaur (7-6, 6-7 e 6-4).

Do lado de Carreño Busta, foram eliminados: Zapata Mirlles (6-3, 6-3), Lorenzo Sonego (6-2, 5-7, 6-2), Casper Ruud (4-6, 7-6, 6-3) e Diego Schwartzman (6-3, 6-4).

Alcaraz chegou para ficar no top-10

Mas para além dos finalistas há a destacar os semi-finalistas Alex de Minaur e Diego Schwarzaman. Jogadores de gerações diferentes e que aqui e ali podem sempre surpreender. O australiano conquistou 5 títulos nos últimos dois anos mas continua em branco em 2022. Ainda assim, é sempre um jogador que pode causar problemas aos seus adversários. Que o diga o campeão Alcaraz, obrigado a salvar 2 match points numa partida de 3 horas e 40 minutos. Por seu lado, o argentino tem 4 títulos e 10 finais, incluindo o Masters 1000 de Miami.

Ainda é cedo para dizer onde Carlos Alcaraz pode chegar. Mas os números estão a seu favor e são ambiciosos. Com 18 anos de idade parece ser o herdeiro de Rafael Nadal como referência do ténis espanhol. O jogador de Múrcia não esconde que quer ser número 1 do mundo, mas reconhece que o mais importante, neste momento, é manter-se em alto nível.

Para além de ser um dos mais jovens a chegar ao top-10 é também o que atingiu a marca de 50 vitórias em menor número de jogos. Foram apenas 70 partidas. Para se ter uma ideia, Novak Djokovic precisou de 79, Nadal 81 e Federer, 97.

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André Dias PereiraAbril 14, 20222min0

David Goffin nunca foi um tenista que tivesse atingido grandes picos na carreira, mas sempre foi competitivo. O belga foi uma das grandes esperanças do ténis mundial e embora não tenha confirmado todo o seu potencial não se pode dizer que desiludisse. E muito pode ser explicado pelo volume de lesões que foi acumulando ao longo da carreira. Chegou a ser número 5 mundial, alcançou uma final de Masters 1000 e também do ATP Finals. Mas, feitas as contas, aos 34 anos soma 6 títulos ATP desde 2014. O último dos quais, agora, em Marraquexe.

Numa final contra Alex Molcan, o belga levou a melhor por 3-6, 6-3 e 6-3. O número 47 do mundo voltou a erguer um troféu depois de vencer em Montpellier o ano passado.

O torneio marroquino contou com nomes como Laslo Djere e Federico Coria, que alcançaram as meias-finais, mas também o português João Sousa, Felix-Auger Aliassime ou Pablo Andujar.

Sousa foi até aos 16 avos de final, depois de eliminar Federico Delbonis (6-2, 5-7 e 6-3). O luso acabaria por cair perante o espanhol Roberto Baena (6-2 e 7-6).

O caminho da glória de Goffin passou por triunfos sobre Damir Dzumhur, Pablo Andujar, Roberto Baena, Federico Coria e, na final, Alex Molcan. “Se estiver bem, posso fazer grandes coisas”, reconheceu o novo campeão de Marraquexe.

Aos 34 anos o belga parece estar a recuperar a confiança. Mas não esquece os períodos difíceis que viveu e condicionarm a sua carreira. “Parece fácil, mas não posso parar de trabalhar, o nível é muito alto”. Por isso, Goffin quer pensar “jogo a jogo”.

O ATP 250 Marraquexe joga-se desde 2016 e nunca repetiu nenhum campeão: Federico Delbonis (2016), Borna Coric (2017), Pablo Andujar (2018) e Benoit Paire (2019). Devido à pandemia de Covid-19, o torneio não se realizou em 2020 e 2021.

E agora Monte Carlo

É difícil imaginar que o belga possa voltar a entrar num top-10. E talvez isso nem esteja no seu horizonte. Mas, como o próprio reconhece, ainda pode ser um adversário incómodo para qualquer rival.

O belga encontra-se esta semana a jogar em Monte Carlo e, por enquanto, já está nos oitavos de final. De volta ao top-50, precisa, pelo menos de alcançar os quartos de final para defender a sua posição. Para já deixou para trás Daniel Evans (7-6 e 6-2) e prepara-se para jogar com Alejandro Davidovich. Quem perder cairá, pelo menos, duas posições no ranking.


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