Arquivo de Fut. Nacional - Página 32 de 81 - Fair Play

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José Nuno QueirósDezembro 11, 20203min0

Depois de uma campanha pautada pela ideia de união, Frederico Varandas parece ter finalmente conseguido criar essa premissa no universo leonino, ainda que de forma indireta.

O Sporting anda desunido há largos anos e nem os bons resultados são suficientes para unir os adeptos sportinguistas, que vivem sedentos de novas eleições até ao dia em que é eleito o seu candidato, virando-se aí a mesa para os que perderam, num ciclo vicioso e cansativo.

Por isto tudo, e pela forma como decorreu o último ato eleitoral sabia-se que ia ser quase impossível para o presidente conseguir efetivamente unir o clube. Parecia impossível, mas agora já nem tanto…

O Efeito Amorim

Amorim foi a grande aposta de Varandas e, até ver, a melhor que podia ter tomado enquanto presidente, e sem qualquer sombra de dúvidas, bem melhor que todas as outras que tomou do mesmo foro.

Já poucos se lembraram que Amorim custou 10M de euros ao Sporting, e os poucos que se lembram rapidamente perdoam a loucura se, por milagre, Amorim fizer do Sporting campeão nacional.

Apesar de não ser sportinguista, Amorim é um profissional de excelência e tudo tem feito para dignificar o clube e sente o peso da camisola como poucos, trazendo aquilo a que muitos chamam de “mentalidade vencedora”, que ele adquiriu ao longo da carreira, nomeadamente, ao serviço do Benfica.

Com um futebol entusiasmante, um sistema inovador e futurístico e, principalmente, resultados desportivos na prova principal que se traduz num 1º lugar na classificação, seria difícil pedir mais a Rúben Amorim nesta fase (talvez só aquele jogo com o LASK numa altura prejudicial por culpa da covid…).

Ainda assim e num ato lunático apenas possível no Sporting, alguns sócios (custa-me classificar como adeptos), enviaram para a MAG pedidos para demitir a direção, talvez descontentes com a presença no lugar mais alto do pódio.

É a prova de que continua a haver quem não esteja unido em prol do clube e continue a por os interesses individuais acima do clube. A direção liderada por Frederico Varandas montou um bom plantel, contratou um bom treinador e continua a sofrer dos erros do passado, querendo até passar-se a ideia que foi Amorim quem contratou os jogadores.

O Ponto de Viragem

Até que finalmente, mesmo estes críticos conseguiram arranjar um ponto de encontro com a direção, equipa técnica e jogadores do Sporting.

O jogo em Famalicão uniu o Sporting como nada tinha unido até aqui no universo Sporting, e tudo graças à… arbitragem.

A prestação da equipa chefiada por Luís Godinho foi tão negativa que todos os sócios e adeptos ficaram unidos em torno do plantel, numa espécie de união contra quem tenta ilegalmente puxar para baixo a equipa do Sporting.

Mais uma vez tiveram que ser os árbitros a fazer o que ninguém conseguiu fazer, porque não há nada que una mais os sportinguistas do que os prejuízos causados pela arbitragem.

Luís Godinho, por mera coincidência, fica ligado aos 4 pontos perdidos pelo Sporting uma vez que, como se diz sempre que o Sporting é prejudicado, Luís Godinho teve duas noites más.

No final, e catapultado por toda a injustiça que assolou a equipa, Rúben Amorim disse que na equipa do Sporting “Onde vai um, vão todos, e será assim até ao fim do campeonato”.

Ao menos que o assalto de Famalicão traga algo de bom a este grupo. Que traga a união necessária e que mostre aos atletas que no Sporting vão ter que jogar muito mais e marcar muito mais que os adversários para poder vencer os seus jogos.

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José Nuno QueirósNovembro 24, 20206min0

Numa altura em que já foi possível ver todas as soluções da turma de Alvalade chegou uma altura de analisar os reforços do Sporting e verificar se são mesmo melhorias para a equipa ou apenas um aumento de soluções.

Adán

O Guarda-redes espanhol chegou, viu e agarrou o lugar em Alvalade! Depois de uma pré-época em que se levantou muitas dúvidas sobre quem seria o número 1 da baliza leonina, eis que rapidamente estas se desfizeram, com uma ajudinha da covid-19, e em favor do ex-Atlético de Madrid.

Com uma segurança enorme na baliza, e principalmente muita qualidade e tranquilidade com a bola nos pés, até 1 assistência já tem, o Sporting volta  ater um Guarda-redes que inspira confiança. (Renan ao contrário da crença de muitos era um perigo na baliza!)

Fiquei sempre com a ideia que dava algo mais que Max na baliza e que seria sempre a aposta principal de Rúben Amorim. É certo que se trava a evolução de Max, mas ganha o Sporting no presente que é o mais importante.

Feddal

O marroquino chegou a Alvalade com muitas dúvidas colocadas em cima de si e o central pegou de estaca (a concorrência não é feroz diga-se) e para já com nota de destaque. Seguro na defesa, parece ter na sua velocidade o seu maior problema, mas para já sem comprometer. Demonstra grande espírito de luta ao ter jogado condicionado e tem enorme facilidade em explorar espaços na defensiva contrária com passes longos, mais dificuldades no passe curto.

Já leva duas assistências, uma num passe longo e outra num cabeceamento na sequência de uma bola parada onde tem sido também uma arma importante para a equipa.

Foto: Isabel Silva Fotografia

Porro

Era óbvio que ia ser titular, mais ainda quando a concorrência se destruiu a ela própria e sente-se como peixe na água em Alvalade num sistema de 3x4x3. Com mais preponderância ofensiva que defensiva (algo que potencia as suas qualidades e esconde as dificuldades), o lateral espanhol é um atleta com uma capacidade física invejável e que decide muito bem no momento do último passe ou de finalização.

Tem conquistado o coração dos adeptos e já se começa a ouvir pedidos para a sua contratação apesar de ter mais um ano de empréstimo.

Antunes

O Reforço que menos parece um reforço. Antunes chegou a Alvalade para ser um suplente de Nuno Mendes e para que de preferência quase nunca seja uma opção durante muitos jogos.

Do ponto de vista físico está muito mal furto da sua lesão e até no jogo da taça só jogou 45 minutos.

Têm experiência e uma vontade enorme. É um excelente jogador e já foi considerado o melhor lateral esquerdo em Espanha, num dos melhores campeonatos do mundo, mas parece que o seu tempo já passou e que foi a lesão a escolher o seu final de carreira.

Palhinha; João Mário e Daniel Bragança

Dois regressos por empréstimo e um jogador emprestado para o meio campo.

Decidi englobar todos no mesmo lote porque o meio campo do Sporting viveu uma autêntica revolução e apenas Matheus Nunes se manteve numa clara mostra de Amorim sobre o que era a qualidade (ou falta dela) dos jogadores nesta posição na época passada.

Palhinha tem lugar de destaque por ser o único médio com capacidade de desarme e recuperação fácil da bola, algo que alia a uma boa relação com bola e uma qualidade eficaz, sem responsabilidade de desequilíbrio. Um jogador absolutamente chave no plantel leonino.

João Mário é um craque e um jogador absolutamente mágico que tem uma relação absolutamente formidável com bola. Falta-lhe algum golo e uma maior intensidade na pressão, mas é o principal jogador do clube a criar espaços na defensiva adversária. Sabe sempre o que fazer com bola.

Daniel Bragança é um jogador muito muito interessante. Qualidade de passe, visão de jogo e qualidade técnico-tática ele sempre teve. Era a intensidade, a agressividade e a pressão que pareciam que a carreira dele não ia dar o clique que precisava. Com a passagem pela segunda liga Bragança ganhou tudo aquilo que lhe faltava e agora é um jogador absolutamente diferente para melhor.

Pode desequilibrar qualquer jogo mesmo a partir do banco.

Nuno Santos

Um poço de força e de raça. Nuno Santos veio para Alvalade com o intuito de ser uma peça chave e têm cumprido esse propósito.

Sempre em alta rotação e nunca satisfeito, o português chega motivadíssimo e com faro de golo e último passe. Peca por usar o pé direito exclusivamente para correr, algo que lhe estraga ainda mais oportunidades mas traz uma mentalidade que era necessária ao Sporting, a tal “mentalidade de vencedor”. Enorme reforço.

Nuno Santos em grande (Foto: Isabel Silva Fotografia)

Pedro Gonçalves

Jogador já falado aqui, este gigante atleta tem tudo para ser um craque do futebol português nos próximos anos. Adaptado a uma ala, Pote consegue estar mais perto do golo e isso tem sido notório nesta temporada.

Enorme facilidade em usar os dois pés e em atacar a profundidade, a que se juntam todas as características com bola que já tinha enquanto médio de ligação. Um craque dos pés à cabeça e que é facilmente o melhor reforço do Sporting.

Não vai ficar em Alvalade muito tempo.

Tabata

O internacional sub-23 brasileiro não vai ter vida fácil no clube uma vez que tem os dois melhores reforços a jogar nos lugares que ocupa, mas tem as suas vantagens.

O drible desconcertante e a facilidade em arranjar espaço para decidir juntam-se à facilidade que tem para assistir os colegas que contrasta com as dificuldades gritantes que tem na finalização e onde terá que melhorar se quiser ter papel de destaque.

É claramente o melhor atleta nas bolas paradas que exigem colocação da bola na área e pode ter aqui um trunfo importante.

Tena combater a maldição do número 7, apesar de ter começado já com… uma lesão.

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Bruno Costa JesuínoNovembro 22, 20208min0

É unânime. Portugal junta no seu grupo alguns dos jogadores mais talentosos do planeta. Possivelmente por essa razão, os adeptos esperam muito da seleção. Uma seleção mais ousada. Mais dominadora. Com mais iniciativa. Mas existem adversário de igual ou mais valia, e além das nossas valhas, não podemos deixar de dar mérito a quem está do outro lado. Foi um cair de pé à porta da “final four”.

É importante denotar evolução ao longo dos anos. Antes não íamos às principais competições mas agora somos presença regular. Antes ficaríamos felizes por ganhar, quase sem espinhas, dois jogos à seguidos À vice-campeão do mundo (Croácia) e à sempre complicada Suécia. Hoje isso não chega. Faltou a França, aqueles que até à final de 2016 eram a nossa “besta negra”.

Os dois duelos diante a França

Mas sejamos honestos, com a França, foram dois duelos taco a taco entre o campeão europeu e o campeão do mundo. E se os franceses foram mais fortes em Lisboa, os portugueses superiorizaram-se em Paris. Que para a próxima que ganhemos nós.

Vamos analisar os números

Os números valem o que valem. Explicam alguma coisa, identificam alguns padrões e tendências, mas o remate ao lado pode ser mais perigoso que o um remate enquadrado. E a posse de bola, pode sem estéril. Mas vamos esquecer isto por momentos.

No primeiro jogo, embora dividida, Portugal teve mais pose de bola (51%), mais passes e com mais precisão, e igualou no número de remates no total (10) e à baliza (3).

Em jogo de jogado, foi um Portugal dominador e uma França em expectativa. Neste jogo que ditou o afastamento da seleção lusa, os papéis inverteram-se. A sensação amarga de ficar à porta da final four, foi maior ou igual à expectativa que todos tinham devido à prestação do primeiro jogo. Todos (ou quase) estavam à espera de mais.

Se pensarmos em números, neste segundo jogo, Portugal teve mais remates e voltou a ter vantagem na posse de bola. No entanto, deve-se, na mudança de postura das equipas a partir do golo francês, onde Portugal foi atrás do resultado. No cômputo geral, a seleção gaulesa foi melhor e mereceu ser mais feliz. Da mesma forma que Portugal merecia ter sido mais feliz um mês antes.

Cristiano Ronaldo e os “outros”

Temos na nossa equipa um dos melhores de todos os tempos. Quem dera a muitos! Um jogador desta dimensão, líder, que marca golos como ninguém e resolver golos sozinhos. Discute-se muito que a seleção joga melhor sem Cristiano Ronaldo. Essa pergunta já foi a Fernando Santos que respondeu (e bem): “Nenhuma equipa fica mais forte sem o melhor do Mundo”. Os colegas dizem o mesmo. Além de politicamente correcto, é mais que isso, os números da importância do capitão comprovam-o.

No entanto há o lado da questão, onde muitos dizem que Ronaldo (que só pelo facto de estar em campo) ‘usurpua’ o talento dos companheiros. Ou que tentam jogar demasiado para ele. Percebo a ideia. O futebol da equipa sem ele fica mais associativo, e ainda mais que isso, há jogadores no Portugal actual, que para dar liberdade ao capitão têm que sair da sua posição mais natural. É também compreensível que, por vezes os companheiro lhe tentem endossar a bola, pois sabem que ele, na grande maioria da situações, resolve o jogo com a sua capacidade ímpar de finalização.

Ponta de lança ou a partir da esquerda

Há muito que defendo, tal como escrevi num artigo aqui publicado, após a vitória na primeira edição da Taça das Nações: “Parece consensual Fernando Santos apostar no sistema que apresentou na final, pois há pouco tempo de treino, e os jogadores respiram melhor neste modelo. Ao mesmo tempo que os ‘novos jogadores’ vão criando rotinas com o grupo e se vai trabalhando paralelamente outras opções táticas. Além disso, com as opções que temos, ‘o Ronaldo atual’, é muito mais importante perto da área do que em fases de construção. A seleção tem quem construa melhor, mas ninguém que finaliza como ele. Aliás, isso ninguém tem.

Numa seleção é tentar tirar o melhor dos jogadores mas sempre em prol da equipa. Muitos jogadores, por vezes brilham nos clubes numa determinada posição, mas depois ao jogar pelo seu país têm colegas que partilham o mesmo espaço em campo. Logo, para qualquer seleccionador, é tentar montar o puzzle certo.

Como montar o puzzle?

Por exemplo, na Argentina, com tantoa avançados de qualidade, olhamos para o banco e pior avançado que lá têm, jogava em quase qualquer equipa. Não é possível jogarem todos ao mesmo tempo. No Brasil, houve uma altura em que se falava do quadrado mágico, onde todos os jogadores jogavam em espaços interiores: Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo. Talento de sobra, mas que se tornava quase tão difícil deixar algum de fora, como criar uma dinâmica de equipa que suportasse todos ao mesmo tempo, principalmente nos momentos sem bola. Mesmo em Portugal, com Sérgio Conceição, Figo, a estrela que mais brilhava na equipa, jogava muitas vezes na esquerda, ou mesmo Rui Costa e João Pinto, que muitas vezes jogava como homem mais avançado, ou então um deles tinha que descair para uma ala. Faz parte e nunca será unânime.

Qual a melhor opção para Portugal

Depois desta viagem ao passado, um regresso à actualidade. Se Ronaldo partir da esquerda terá que haver sempre alguém a fechar esquerda quando a equipa não tem bola. Também por isso, a opção do Europeu de jogar num 442, em que além dos dois médios centros (Danilo, William, Adrien e João Moutinho), pelo menos um dos dois “alas” eram jogadores com características de médio-centro. Fossem eles André Gomes, João Mário, Renato Sanches e até Moutinho jogou aí numa ocasião. Quando tinha que dar mais criatividade entrava Ricardo Quaresma para uma ala.

Com o qualidade existente ao mesmo tempo em Bruno Fernandes, João Félix, Bernardo Silva, Diogo Jota para acompanhar Ronaldo, Fernando Santos já experimentou várias soluções, deixando cair pelo menos um deles em cada onze titular. Antes da explosão de Diogo Jota e com João Félix ainda no Benfica, o engenheiro ainda tentou o 442 do europeu, com os dois médios centros, Bernardo à direita e Bruno Fernandes com falso ala esquerdo. Mas rapidamente voltou ao 433, para deixar o médio do Manchester United como terceiro médio, e na frente com João Félix e Ronaldo a trocar de posição entre a esquerda e o centro.

Neste momento apostaria num 442, quando a intenção juntar Félix ao Ronaldo, ou num 433, se optasse por jogar só com Ronaldo na frente, sendo neste caso ladeado de Bernardo (ou Francisco Trincão) na direita e Diogo Jota, na esquerda. Num meio campo a 4, acredito que Renato Sanches e João Mário poderão voltar a tornar-se importante tal como o forma no Europeu de 2016.  Até porque são os médios centros mais darão à equipa a jogar a partir de uma ala.

Nota

Para aqueles que torceram o nariz com estes dois últimos nomes que apontei porque têm um ódio de estimação “estúpido” (só por ser terem crescido num rival), lembro que Renato está entre o top em termos de pontuação no ranking da liga francesa e que João Mário é um jogador com tomada de decisão muito acima da média. Ambos têm característica muito próprias que os diferencia dos outros médios portugueses.

“Ah e tal falta um ponta de lança”

Este trecho serve apenas para quebrar um mito. Muito ouvimos “falta um ponta-de-lança à seleção”. É verdade, mas só em parte. Temos André Silva, Paulinho, Gonçalo Paciência e alguns jovens a surgir. É importante, pelo menos para alguns jogos. No entanto, existem muitas equipas que não jogam com nenhum jogador fixo. Veja-se o Barcelona esta época, a Espanha que ganhou tudo, ou mesmo por exemplo a França contra Portugal que jogou com Griezmann nas costas de dois avançado móveis: Martial à esquerda e Coman à direita. Mesmo Portugal, campeão europeu, jogou com num 442 com 2 avançados móveis: Ronaldo e Nani. Não é por acaso que Fernando Santos, nas suas convocatórias leva muitas vezes um ponta-de-lança, mas sempre com um plano B. E existem “n” casos de sucesso assim. Por isso a questão de um avançado

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Guilherme CatarinoNovembro 9, 20203min0

Pausa para as Seleções, nova oportunidade de descanso aos intervenientes de um dos maiores espetáculos nacionais que, mesmo sem o brilho (presencial) dos adeptos, os vai entusiasmando, seja de noite, de dia ou (habituemo-nos!) de manhã.

É verdade, de acordo com os mais recentes dados tornados públicos pela Federação Portuguesa de Futebol, esta decidiu reagendar os eventos profissionais, para já, do fim-de-semana de 14 e 15 de Novembro, para as 11h da manhã, numa atitude, não apenas, esperada, em prol das restrições impostas com o mais recente estado de emergência “preventivo” decretado pelo Governo português, mas igualmente respeitosa pelas constantes vítimas de infeção da pandemia de Covid-19.

De relembrar os leitores mais desatentos, que, na recente madrugada de 7 para 8 de Novembro, António Costa confirmou a entrada em vigor do suprarreferido estado de emergência nacional, cujo apresenta, para os 121 concelhos de maior risco de contágio, entre várias, a obrigação de recolher obrigatório aos portugueses durante a semana, entre as 23h e as 5h, e nos próximos dois fins-de-semana a partir das 13h de sábado. Como visualizamos há longos anos, é raro o evento profissional realizado nas manhãs de sábado e domingo, mas, nos próximos tempos, terá de ser uma realidade em Portugal.

Começámos este escrito por enunciar “uma pausa para Seleções” nos próximos dias, algo que habitualmente obriga à paragem dos campeonatos profissionais. Então, para quem estará dirigido este compromisso matinal consubstanciado pela Federação Portuguesa de Futebol? Acima de tudo, para o futebol, mas não só! Se é verdade que a Taça de Portugal só vai voltar com a sua 3ª pré-eliminatória, que já conta com os jogos dos autoproclamados 3 grandes do nosso futebol, também se deve anotar que estão agendados jogos de competições nacionais e reginais de várias modalidades.

Supra, no fim-de-semana de 20 a 22 de Novembro – além da Taça de Portugal – decorre, novamente, no Áutódromo Internacional do Algarve, em Portimão, a última prova da temporada de MotoGP, que, como vimos, foi alvo de bastante polémica face a um eventual desrespeito de diversas medidas de segurança pública de contenção da pandemia.

Cremos que esta medida não só convalida as preocupações naturais de Pedro Proença, líder máximo da Liga de Clubes, perante o estado atual do país e o papel determinante que o desporto profissional pode ter em consequências futuras, como igualmente vem introduzir uma nova ideia em Portugal, infelizmente raramente vista, como é o desporto profissional pela manhã.

Desde crianças a idosos, desde o paredão de Oeiras ao caminho da Ribeira das Naus, desde Lisboa ao Porto, milhares de portugueses ocupam as suas manhãs a exercitar o corpo e a mente em caminhadas, corridas e jogatanas. Nada de profissional, nem perto disso, na vasta maioria dos casos, porém é curiosamente, por esta altura do dia que todas as equipas e atletas nacionais em competições esboçam e aperfeiçoam o que de melhor pretendem trazer para o público.

Por que não experimentarem mostrar tal faceta aos apaixonados pelo desporto, num horário que conflua com a rotina da maioria dos praticantes portugueses? Apesar da situação nacional circunscrita não ser naturalmente a melhor, talvez esta medida chegue em muito boa altura para o desporto português.


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