Bruno Costa Jesuíno, Author at Fair Play

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Bruno Costa JesuínoJunho 25, 20208min0

O futebol esteve parado durante cerca de três meses e no que a polémicas diz respeito foi quase um sossego. Mal recomeça a competição, devido a um resultado menos conseguido um autocarro leva uma pedrada no vidro… que se deveria transformar numa “pedrada no charco”, para se começar a ter mão pesada nestas situações.

Quem acredita em ‘pedradas motivadoras’?

Acredito que parte significativa das pessoas que leram este título vão associar que o “pedrada no charco” (leia-se ‘fazer reagir quem está acomodado’) se deve ao facto de a pedrada no vidro serviria para acordar a equipa do Benfica, o treinador ou mesmo o presidente. Mas não. Longe disso. Há quem defenda e cheguei a ouvir “vais ver se eles não vão correr em Portimão”. Antes de mais, a razão do empate com o Tondela, não foi por correram pouco. Além do mérito do adversário, a equipa não mostrou argumentos técnicos e tácticos para ultrapassar a boa organização do Tondela, e correram muito. Muito mas muito mal.

Medo Versus Motivação

Além do acto em si, que é um caso de polícia, o medo nunca fez ninguém ser melhor naquilo na actividade que desempenha. Só causa toda uma pressão necessária. Façam este exercício. Imaginem um jogador que viu os murais de casa pintando e a ver as suas famílias ameaçada a ter que um penalty no último minuto. Será que os adeptos acham que o jogador vai estar mais capaz de o executar com sucesso? O pior é que alguns acham que sim. Acham-se tão senhores da razão que mandam pedradas ao autocarro da própria equipa para os “chamar à razão”. E, provavelmente, vão continuar sempre a achar. Mas ao menos se se começar a punir severamente estas atitudes ao menos que não destruam propriedade alheia.

Podemos fazer o mesmo exercício agora extra futebol. Imaginem-se no vosso trabalha alguém criticar a performance da sua empresa e ameaçam a vossa família. Alguém no seu perfeito juízo acha que vai ser melhor profissional com base no medo? Motivação sim. Motivação é a chave catalisadora para qualquer profissional cumprir melhor as suas funções.

Futebol pós-covid ainda sem sal

Agora vamos à performance dentro de campo. Desde que a liga portuguesa regressou, a qualidade só tem aparecido a espaços… muito espaçados. Faz lembrar aqueles jogos de início pré-época… mas sem pré-época. Com menos público e com os jogadores com níveis físicos ainda mais baixos. E as bancadas despidas de público complementam tudo o que se quer… para 97 minutos de algo muito insosso.

Depois quando falta ritmo de jogo as diferenças entre as equipas fica mais curta, tornando os jogos mais equilibrados. Se repararem grande parte dos golos e jogadas de perigo tem sido através de erros defensivos. Não só forçado, mas mesmo não forçados. Isto acontece porque os níveis de concentração médio dos jogadores também voltaram muito mais baixos. E com o decorrer do jogo, quando o cansaço aumenta o discernimento desce e essas desconcentrações ainda se tornam mais evidentes.

A influência do factor público

Já muitos estudos se fazem e muitos mais irão ser feitos sobre a influência que as bancadas vazias estão a ter no desempenho nas equipas. Já se sabia que quando aconteciam jogos à porta fechada a equipa da casa por norma tinha desempenhos mais baixos. Mas talvez não se pensasse que a influência fosse tão grande. Só agora, com jogos sucessivos sem público, é que a amostra é suficiente para poder tirar dados. Não será por acaso que o público é considerado “o sal do futebol”, e é por eles que o futebol é considerado o desporto rei e desperta tantas paixões e emoções.

Em outros países nem tanto, mas em Portugal bem sabemos que os clubes grandes têm sempre mais público que o adversário mesmo quando jogam fora. Com excepção dos confrontos entre eles. A motivação que os adeptos dão à equipa faz sentir os jogadores mais tranquilo e motivados e há maior pressão sobre o adversário.

Uma história real sobre adeptos

Sempre que se fala em adeptos e da sua influência lembro-me de um relato do ex-benfiquista Mozer. História essa que envolve o regresso ao Estádio da Luz como jogador do Marselha e o ex-internacional francês Jean-Pierre Papin, na altura colega do brasileiro.

Conta Mozer que quando chegou o clube, Papin disse a Mozer que pressão dos adeptos do Marselha era muita quando estavam entre 30 a 40 mil adeptos. E semana após semana “azucrinava-lhe” a cabeça, e ele, habituado a jogar no Maracanã e ao Estádio da Luz, nunca sentia essa “tal” pressão.

O que é melhor do que ser a contar? Passar a palavra a um dos protagonistas:

Até que nas eliminatórias da Taça dos Campeões Europeus, nas meias-finais, para azar dele caiu o Benfica. E eu pensei assim: “Agora vai ser a minha vez!” No dia a seguir a ter saído o sorteio virei-me para ele e perguntei:
— Jean-Pierre, você viu com quem caímos?
— Vi, vi. Com o teu ex-clube.
— Pois é. Agora você é que vai ver o que é pressão.
— Porquê?
— Porque o estádio lá vai encher.
— Vai encher? E quantos mete?
— 120 mil!
— O quê?!
— É. 120, meu filho. Lá não se brinca.

Viemos para Portugal para o jogo da segunda mão, depois de termos ganho em casa por 2-1. Chegámos com dois dias de antecedência e treinámos naqueles campos secundários do Estádio Nacional.

Quando chegámos lá estava lotado de benfiquistas à volta da cerca, nem conseguíamos ver o relvado, e ele falou assim:

– O Benfica está treinando?
– Não, não. Isto aqui é para esperar a gente mesmo, a pressão começa aqui.
Ele ficou completamente nervoso! Chegou o dia do jogo, trocámos de roupa e fomos para o aquecimento. Eu tinha o hábito de ser sempre o último a sair do balneário, porque gostava muito de prestar atenção ao estado de espírito dos meus colegas, para ver se íamos fazer um bom jogo. Sempre fui muito observador nesse aspecto. Quando o meu balneário já não tinha mais ninguém, já tinham saído todos para o relvado, fui também. Quando estava a chegar ao relvado, no túnel de acesso ao campo, eles estavam ali todos escondidinhos, assim só a espreitar e o estádio estava super lotado.

– Vamos embora!
– Não, nós estamos esperando você.
Fui em primeiro, subi a escadaria que dava acesso ao campo, e quando entro no relvado, do outro lado saiu o Eusébio para ser homenageado. Ai Jesus, o estádio explodiu! Um barulhão, e quando olhei para trás estava sozinho no campo. E a receber vaia, 120 mil a dar vaia em mim sozinho. Comecei a chamá-los.
– Não, vamos esperar até o barulho passar.
– O barulho não vai passar, meus amigos. Isto vão ser 90 minutos assim. Anda lá, meu!
Ninguém vinha. E pensei “pronto, já perdi o jogo.”

Foi a história mais caricata e engraçada que tive com um colega de profissão, que era um grande jogador. O inferno da Luz tinha surtido efeito naquele período e realmente era bastante difícil jogar no Estádio da Luz cheio. Para quem não estava habituado era muito complicado.

Públicos nos estádios: Sim ou não?

Tem sido um assunto muito debatido, e agora ainda mais, com a possibilidade (quase) confirmadíssima de Lisboa receber a ‘final 8’ da Liga dos Campeões. Há argumentos válidos que defendem que se eventos culturais aconteceram com 1/3 ou 1/4 de sala, porque é que um estádio de 60.000 não pode ter pelo menos 10.000 ou 20.000 pessoas, o bastante para manter distâncias sociais. Mas há um factor que é preciso ter em conta e poderá ser decisivo. Existe algum evento de massas que mexa tanto emocionalmente com as pessoas como um jogo de futebol? Quantos desconhecidos já se abraçaram a festejar um golo decisivo do seu clube ou da sua seleção?

Para terminar, dou novamente a palavra a um dos protagonistas, neste caso, eu mesmo.

10 Junho de 2016. Final do Euro. Mais um vez escolhi o Terreiro do Paço como palco para ver o segundo jogo mais decisivo de sempre da nossa Seleção. Se em jogos anteriores estava cheio, o que dizer da final. E não só de portugueses. Ao longo dos 90min o ambiente era é tão contagiante, que havia ali ao pé um grupo de turistas polacos a viver o jogo quase como se fossem um de nós. Quase.

Até que no meio de tantos nervos, há sempre quem fale demais e mande aquelas ‘bocas’ típicas do “mete este”, “tira este”… “assim vamos perder”. Isto em loop. Alguém perdeu a paciência e acertou-lhe em cheio com o capacete na cabeça e/ou ombro.

Uns 20 ou 30 minutos depois. Golo de Portugal. Todos se abraçaram incluindo essas duas pessoas. Dois desconhecidos que tinham tido um atrito grave que, em qualquer outro contexto, teria sido impossível acabar com um abraço.

Para que não restem dúvidas, eu fui apenas co-protagonista. Apenas visualizei a situação, mesmo ali ao lado.

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Bruno Costa JesuínoMaio 20, 20206min0

Há uns dias comecei a ver a mini-série “The English Game”, que fala sobre a origem do futebol. E, mais que uma vez, dei por mim a pensar escrever sobre o que ia vendo. E assim foi. Foram seis episódios que funcionaram como a inspiração da génese deste artigo. Um pouco como relembrar a origem numa altura de mudança.

Mas afinal do que fala o filme?

Antes de mais calma, detesto spoilers, logo não o vou ser. Mas posso dizer retrata a série de acontecimentos que despontaram o futebol profissional. Por coincidência, estreou na Netflix no mesmo mês que o futebol parou, e talvez por aí, despontou mais interesse pelas saudades de ver a bola a rolar. Sob um misto de acontecimentos fictícios e factos reais, conta a história de uma rivalidade que vai mexer com os poderes instaurados no futebol, na altura um desporto amador gerido e jogado quase em exclusividade pela classe alta. Até que…

Quando a paixão que a tudo origem, voltará a ‘vestir’ as bancadas?

Nesta mini-série, os adeptos são também um tema fulcral. Como a história do futebol conta, foi a paixão dos adeptos que fez com que um desporto de elites se tornasse o desporto de todos. Sendo muitas vezes, a única forma da classe operária deixar a sua marca na sociedade. Daí, e apesar de ter tido génese na elite, é muitas vezes apelidado de “deporto do povo”.

Depois do estado de emergência o futebol começa a regressar aos poucos. Ou pelo menos parte dele. Uma vez que um jogo de futebol com as bancadas despidas de público perde muito da sua essência. Mas razões mais altas se levantam, e para o futebol regressar em condições de segurança, muitas medidas têm que ser asseguradas. Começando pela mais óbvia, a ausência de aglomerados de pessoas.

Regressar, anular ou finalizar? Eis questão

Eis a grande questão do momento. A França finalizou o campeonato dando o título ao Paris SG, e usando a classificação aquando da paragem como classificação final, tanto a nível de lugares europeus com de descidas.

Outra hipótese que ainda se pondera, é anular os campeonatos actuais e não atribuir títulos. Neste caso, para decidir quem iria às competições europeias teria-se como base a classificação da época transacta ou, em alternativa, os lugares actuais. Ou seja, uma espécie de meio termo, para não descurar na totalidade a performance da época em curso. Num exemplo prático, no caso português, não oficializando campeão, o primeiro lugar até à jornada já jogada, seria o que teria acesso directo à Liga dos Campeões.

Por fim, a opção mais justa. O regresso à competição. Mas mais que ser justa ou não, é importante assegurar que há condições de segurança para levar avante. A Bundesliga foi o primeiro dos principais campeonatos a voltar à ação. Na maior parte dos países, os jogadores já voltaram aos treinos nos seus clubes e aponta-se para que muitos dos campeonatos regressem em junho.

Optar pela opção que francesa de homologar a classificação actual, quer se queira quer não, fará sempre lembrar a atribuição a medalha de ouro a quem vai à frente numa maratona interrompida ao quilómetro 31.

Mas afinal qual é a verdadeira razão por trás da decisão?

Óbvio que agora muitas vozes se levantam contra e a favor. Muitos pelas razões de segurança, totalmente ligítimas. Agora outros, puramente (ou quase) por razões clubísticas. Se for bom para o clube que se torce o campeonato deve parar. Se avançar nestas condições só acontece porque o rival não está em primeiro e que ganhar à força. Mas disto já estávamos habituados, no máximo um pouco esquecidos depois desta paragem sabática.

No entanto esquecem-se da principal razão, e é por isso que a maior parte dos clubes quer regressar à ação: a enorme dependência das receitas televisivas. Talvez só quem está o primeiro o negue, mesmo precisando desse dinheiro ‘como de pão para a boca’. Além disso, as também importantes receitas de bilheteira já foram, e mesmo na próxima época, será provável que os estádios por norma mais repletos de público fiquem restritos a metade, um terço, ou até um quarto da lotação.

E agora? O que aí vem?

O que nos espera a todos  nos próximos tempos é a grande questão. A resposta essa, nem os melhores especialistas a têm. Muitas suposições mas poucas certezas. Mas uma coisa é certa, a pandemia vai deixar marcas em toda a sociedade, e situações que até então levávamos como normais, vão deixar de o ser. E claro, todas as actividades, principalmente as mais sociais, sofrerão alterações drásticas que serão diluídas. Embora de forma muito lenta.

Assistir a um jogo sem público é como degustar aquele prato que adoramos… mal temperado.

Um jogo de futebol envolve multidões, os intervenientes directos e indirectos, mas principalmente os adeptos. Mesmo a nível televisivo, quem não se lembra de ver um jogo à porta fechada sem ‘sentir’ toda aquela envolvente gerada pelo público!? Face a analogia, assistir a um jogo sem público é como degustar aquele prato que adoramos… mal temperado.

A nível financeiro, o futebol vai sofrer com essas mudanças. Vai seguramente haver uma (muito) maior contenção financeira. As transferências milionárias, por valores cada vez mais altos, vão abrandar. Se muito se falava que a UEFA queria criar tectos salariais e para transferências, a pandemia veio acelerar esse processo.

Muitos clubes vão perder (ou deixar de ganhar) os contratos milionários que tinham com patrocinadores. Mas, mais do que altura para se queixarem da conjuntura, é altura para mudar o rumo e evoluir. Tornar os clubes mais sustentáveis e não estar tão dependentes daquele patrocínio ou daquela classificação. Deixando assim de viver acima das reais possibilidades e começar a aproveitar nos recursos humanos e financeiros que realmente têm.

Regresso dos emprestados, aposta na ‘prata da casa’ e trocas e baldrocas

Actualmente, excluindo as camadas as camadas jovens, sub23, equipas “bês” e plantel principal, os clubes têm sob contrato dezenas de jogadores que depois são emprestados. Jogadores esses que ficam anos e anos a serem emprestados sem sequer uma oportunidade.

Será a altura ideal para dar uma oportunidade a esses jogadores ou começar a usá-los como moeda de troca com atletas de outros clubes. Depois a tal propalada aposta na ‘prata de casa’ que os adeptos (quase) todos gostam. Em Portugal, esse paradigma tem vindo a ser uma tendência maior, com avanço e recuos face a melhores ou piores resultados.

Tendo em conta a qualidade da ‘nossa’ formação, espera-se que os ‘nossos’ jovens talentos ganhem ainda mais espaço nas principais equipas. Pode ser que desta vez, os melhores comecem a ficar mais tempo em Portugal, não saindo para um tubarão europeu à primeira oportunidade.

Para concluir…

O ser humano, como prova a História, tem em si uma enorme capacidade de adaptação e, mais tarde ou mais cedo, tudo vai ficar bem. E a médio-longo prazo, melhor ainda.

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Bruno Costa JesuínoAbril 13, 20207min0

Ainda faltam algumas jornadas para o fim do campeonato. logo o que poderia acontece poderia mudar a nossa percepção sobre esta lista de nomes. No entanto, mesmo assim, 80% destes nomes serão consensuais. Ou não. Já que estamos a falar de futebol, provavelmente onde há mais discordantes em temas que muitos concordante. Mas este seria provavelmente o melhor plantel da liga.

Um rácio entre qualidade e performance

Na maior parte das vezes estas listagens envolvem, na sua esmagadora maioria, jogadores das principais equipas do país, seja ele Portugal ou outro qualquer. No rácio entre qualidade e performance ao longo da época, o primeiro costuma-se soprepôr.

E o motivo é óbvio, as equipas são melhores porque tem os melhores jogadores e, mesmo quem se destaca em equipa de menor valia, muitas vezes tem dificuldade em assumir-se em equipas de maior valia. Existem inúmeros casos, como Paulinho e Ewerton do Portimonense que não se afirmaram no Porto, principalmente o primeiro, que um jogador bastante diferenciado que não se conseguiu impor. Nos casos de jogadores dessas equipa, vão integrar a lista dos 23 apenas que têm qualidade para estar entre os melhores e não tanto aqueles que podem vir a ter potencial para.

Na baliza, dois indiscutíveis

A defender as redes destacam-se os guarda-redes dos dois primeiros classificados. Marchesin e Odysseas tem sido indiscutíveis na equipa, o argentino mais decisivo na parte inicial da época e o grego com cada vez maior protagonismo com o decorrer da época. A inconstância na baliza do Sporting, primeiro com Renan, e agora com Max, em que o primeiro nunca convenceu, e o segundo, tem muito potencial mas ainda só promete. Matheus do Braga, Cláudio Ramos, do Tondela, e Helton Leite, do Boavista, são três nomes que lutariam por essa vaga. Pela predominância que tem na equipa e pela personalidade, o português seria a terceira escolha.

Na direita poucos se endireitam

Na lateral direita, nos três grandes, não tem havido muita consistência em nenhuma das opções. No Sporting, Ristovski nunca conveceu, e ainda menos o reforço Rosier. No Porto já por lá passaram Saravia, Mdemba, Manafá e Corona, uma adaptação mas o que mais convenceu. Aliás esta época tem sido provavelmente o jogador mais decisivo do Porto.

No Benfica, a intermitência física do capitão André Almeida, deu espaço ao canhoto Nuno Tavares e, mais tarde, ao ainda júnior, Tomás Tavares, que embora com muito potencial, tem apresentado muitas dores de crescimento. Ricardo Esgaio, pela regularidade, e Diogo Gonçalves pelas suas prestações em crescendo tanto a extremo como a lateral, têm qualidade para integrar uma das duas vagas.

Pela importância que tem tido na equipa e pelo equilíbrio que dá à equipa, as escolhas recaem em Corona e Esgaio.

Na esquerda? Fácil. Alex e Alex

Se na direita as escolhas são difíceis, na esquerda bem as escolhas são bem mais fáceis. Os dois Alex, Telles e Grimaldo, são sem dúvida os dois melhores activos em Portugal na lateral esquerda. Na época passada, melhor e mais decisivo o espanhol, mas nesta época o brasileiro tem sido, além de mais consistente, mais decisivo com as habituais assistências e até com golos. O espanhol, que não sendo muito forte a defender, viu o seu rendimento prejudicado pelas exibições da equipa, principalmente a nível defensivo. Uma menção para a boa época do bracarense Sequeira. E claro, Acuña, um dos melhores do Sporting.

Segurança de várias idades ao centro

Não será por acaso que são a dupla preferida de Fernando Santos para seleção Portuguesa. Separados por mais de uma década, ambos são a voz de liderança no centro da defesa das suas equipas. Pepe, durante muito anos na elite do futebol mundial, e Rúben Dias, um dos centrais mais promissores da sua Europa.

Sendo a experiência uma grande mais valia para esta posição, não será possível deixar de fora o sportinguista Mathieu. Além dos muito anos que tem “a virar frangos”, é provavelmente o melhor central em Portugal com a bola nos pés. Se este exercício fosse em Janeiro, a quarta vaga ficaria para ex-vimaranense Tapsoba que foi transferido para a Alemanha. Outra hipótese seria Ferro, mas o jovem central tem tido exibições pobres nos últimos tempos, com muita falhas defensivas e sem conseguir mostrar a sua capacidade em sair a jogar.

Assim entre Nehén Perez, Aderllan Santos, Coates e Marcano, a escolha recaí no primeiro. Mesmo sendo muito jovem, a sua qualidade não engana.

Para duplo-pivot defensivo

Quando falamos em médios defensivos em Portugal, Danilo é dos primeiros nomes que nos ocorrem. Mas tem sofrido muito com problemas físicos esta época. Mas não só ele, outros nomes fortes como Gabriel, no Benfica, e Battaglia, do Sporting, tem passado pelas mesmas dificuldades.

As opções no duplo-pivot do Benfica têm mudado muito, entre Florentino, entretanto mais desaparecido, o experiente Samaris, o recuperado Taraabt ou contratação Weigl. O Porto, recuperou com sucesso Sérgio Oliveira, Uribe tem perdido alguma preponderância, e mesmo Octávio tem jogado no miolo.

Para as quatro, a escolha passa por dois jogadores mais posicionais, Danilo e Palhinha, até pela vertigem ofensiva dos laterais, um mais de transição e cerebral – Gabriel -, e um mais criativo e de transporte, Taraabt. A ideia é ter um misto de características para comaltat as variantes do jogo.

Para dar asas e cérebro à equipa

O 442 tem sido um dos sistemas mais em moda no futebol actual, principalmente desde que Jorge Jesus passou pelo Benfica. Antes desse factor histórico, praticamente todas as equipas em Portugal jogavam em 433. Actualmente. nesse sistema, um dos alas, tem mais características organizador, justificando assim escolha de Pizzi e Octávio, para falsos alas. As outras duas escolhas recaem em extremos rápidos, com vertigem e fortes no 1×1, no entanto cerebrais e que procuram muito (e bem) zonas interiores, dando espaço para a subida dos laterais. Já adivinharam quem são? Marcus Edwards e Francisco Trincão, do Vitória Sport Club e do Sporting de Braga.

Luiz Diaz, é outro nome a ter em conta, dos jogadores mais imprevisíveis do nosso campeonato, um pouco na sequela do seu antecessor Brahimi. A opção recai mais nos jogadores do Braga, por serem mais constantes e terem menos oscilações exibicionais. Factor assumido pelo próprio Sérgio Conceição, que face à qualidade do jogador, terá as suas razões para muitas vezes o deixar de fora. O nome de Rafa e Ricardo Horta não foram esquecidos e já se vai perceber porquê.

Dois mais fixos, dois mais soltos

No sistema adoptado e face a quantidade e qualidade de extremos, a opção seguiu por dois jogadores mais fixos, embora com muita mobilidade e capacidade de jogar entre linhas, e dois avançados soltos, rápidos e que podem descair pelos flancos.

Vinicius, o melhor marcador do campeonato, e Paulinho, o português com mais golos a seguir a Pizzi, ficam com a principal missão de marcar golos. Mas a escolha não será só pelo balançar as redes adversárias, são dois jogadores que oferecem muito ao jogo, trabalham muito sem bola e conseguem participar e todas as fases do jogo. Outra alternativa seria Soares, mas foi ultrapassado por ser menos completo. Seferovic, Zé Luis e Sporar, que parece ter potencial, seriam outras alternativas.

Para jogar nas costas dos avançados, Rafa e Ricardo Horta. Apesar de mais habituados a jogar da linha para dentro, têm características para jogar soltos na costa de Vinicius e Paulinho, além de serem jogadores com golo. Nomes como Vietto, mais central e cerebral, e Marega, pela sua capacidade física e de explosão também foram tidos em conta.

Melhor plantel? Desafiamos a discordarem

Tal como foi referido inicialmente, para estas escolhas, foi tido em conta um rácio entre a qualidade global dos jogadores e o rendimento que têm tido esta época, e claro, há sempre um toque pessoal na escolha. Por isso, tal como em tudo no desporto-rei, é discutível, e vai haver sempre quem discorde, seja por ter uma opinião diferente, por clubite ou só porque sim.

Uma coisa é certa estes 23 dariam um melhor conjunto de jogadores que qualquer do planteis actuais da liga.  Desafio a discordar.

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Bruno Costa JesuínoMarço 27, 20208min0

Imaginem que eram o Fernando Santos e que teriam de tomar decisões para o (agora) Europeu 2021. Quem convocavam se tivessem de decidir agora? Eis as escolhas a pensar no agora e no depois. Venham daí essas discórdias.

São Patrício e mais dois

Na baliza não há dúvidas. Rui Patrício e mais dois. Anthony Lopes, capitão do Lyon, é o que apresenta melhores credenciais para fazer sombra ao guarda-redes do Wolverhampton. No entanto, por motivos pessoais, já chegou a pedir autorização para não ser convocado. O experiente Beto com 37 anos (Göztepe), conhecido por fazer bom balneário tem sido opção habitual para número 2 ou número 3. Se o luso-francês continuar afastado da seleção destacam-se três nomes: Cláudio Ramos (Tondela), José Sá (Olympiakos) e Rui Silva (Granada).

Ordem de preferência: Rui Patrício, Anthony Lopes, José Sá, Rui Silva, Beto e Cláudio Ramos.

No eixo da defesa é Pepe e mais três. Ou será dois?

Neste sector, quando os selecionadores têm um médio que pode jogar a centrar, muitas vezes optam por levar apenas três centrais, até porque além do guarda-redes, é onde os treinadores menos mexem. Parece-me óbvio que a experiência de Pepe é fundamental e será o mais titular de todos.

Rúben Dias, tem sido sempre titular, fez uma Liga das Nações fenomenal (melhor jogador da final), e mesmo o seu menor fulgor deve-se acima de tudo às fragilidades que toda a equipa do Benfica tem apresentado. Vítima disso mesmo, e eventualmente não só, foi Ferro. O jovem central encarnado era visto como provável no leque dos 4 ou 5 principais opções, terá sido ultrapassado por Domingos Duarte, a fazer grande época do Granada. Ah e pela segunda vida de Rúben Semedo.

O terceiro continua a ser o experiente José Fonte (menos um ano que Pepe). Bruno Alves, o mais velho de todos, será menos provável.

Ordem de preferência: Pepe, Rúben Dias, José Fonte, Domingos Duarte, Rúben Semedo, Ferro e Bruno Alves.

Tantos e tão bons na direita que algum pode ir parar à esquerda

Na esquerda Raphael Guerreiro é indiscutível. Apenas o sineense Mário Rui, normalmente titular no Nápoles lhe consegue fazer sombra. A terceira opção andará muito longe.

No entanto o lugar de Mário Rui pode estar ameaçado pela ‘excesso’ de qualidade existente à direita. Nélson Semedo, João Cancelo, Ricardo Pereira, qualquer um deles já jogou várias vezes à esquerda, e ainda o campeão europeu Cédric.

Ordem de preferência: Ricardo Pereira, Nélson Semedo, João Cancelo e Raphael Guerreiro.

Seja para 442 ou 433 opções para o meio não faltam

Danilo, o mais defensivo de todos os médios, poderá beneficiar da polivalência de poder jogar a central, e assim Fernando Santos levar apenas três (tendo em conta da idade de Pepe e Fonte, poderá ser mais arriscado).

Rúben Neves e William Carvalho serão as opções mais fortes para jogar de início, seja num meio campo a 3 com um médio mais ofensivo ou com duplo pivot. João Moutinho, apesar dos seus 33 anos, será a opção seguinte para alternar com William e Rúben, até pelo entendimento que tem com Rúben no clube inglês. Sérgio Oliveira e André Gomes são ainda nomes a ter em conta.

Renato Sanches, também opção para jogar como falso ala no 442 também será um nome a ter em conta, tanto pelas suas diferentes características como pelas prestações no Lille.

Ordem de preferência: William, Rúben, Danilo, Renato Sanches, João Moutinho

Mais à frente ou como ala

A seleção tanto se tem apresentado em 442 como em 433. Na primeira opção jogadores como Bruno Fernandes e João Mário são opções para falso ala, tal como Bernardo Silva. E o já referenciado Renato Sanches, que tem jogado assim no Lille, e no Europeu 2016 jogou muitas vezes com essa função. Pizzi será outra opção a ter em conta.

Ordem de preferência: Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Renato Sanches, Pizzi

Avançados soltos e talvez um mais fixo

Na frente não dúvidas quanto ao capitão e melhor marcador de sempre da seleção. Tendo por base o 442, Cristiano Ronaldo deverá ter companhia de João Félix, Gonçalo Guedes ou Diogo Jota que tem estado em grande forma.

Na maioria das vezes, face às características dos jogadores a seleção tem optado, e bem, por jogar muitas vezes com jogadores móveis, sendo Cristiano o mais fixo.

No Euro 2016 jogou com Nani, no Mundial 2018 teve o apoio de Gonçalo Guedes ou André Silva, ficando este mais fixo. André tem sido o ponta-de-lança desde Nuno Gomes e Pauleta que tem apresentado melhores números. Depois de um época quase sempre lesionado, tem estado em boa forma no Eintracht Frankfurt. Curiosamente terá como principal concorrente o colega de equipa Gonçalo Paciência.

Éder, será sempre um nome a ter em conta, mas a sua chamada será pouco provável, e o próprio bracarense Paulinho partirá à frente.

Entre a posição de extremo no 4 do meio campo e a possibilidade de jogar na frente de ataque temos ainda a opção Rafa, importante para quando for preciso acelerar e agitar o jogo. Em circunstâncias normais será um dos selecionados. Ricardo Horta e Bruma, e o próprio Gonçalo Guedes, com características semelhantes serão alternativas dentro da mesma linha.

Ordem de preferência: Ronaldo, João Félix, Diogo Jota, Rafa, André Silva/Gonçalo Paciência, Ricardo Horta, Paulinho, Bruma e Éder.

Os “meus” 23

Guarda-redes: Rui Patrício, Anthony Lopes e José Sá

Defesas centrais: Pepe, Rúben Dias e José Fonte

Defesas Laterais: Nélson Semedo, Ricardo Pereira, João Cancelo e Raphael Guerreiro

Médio centro: William Carvalho, Rúben Neves, João Moutinho e Danilo

Médios ofensivos / Falsos Ala: Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Pizzi e Renato Sanches

Ala / Avançado: Rafa, Guedes e Diogo Jota

Avançado: Cristiano Ronaldo e Gonçalo Paciência/André Silva

Mas o europeu foi adiado um ano, o que muda?

Estas escolhas foram feitas tendo em conta o momento actual, mas sendo o europeu adiado (e bem) num ano muito coisa pode mudar. Desde já a performance que os jogadores venham a fazer na próxima época, possíveis lesões, aparecimento de novos valores e… a idade dos mais velhos.

Pegando neste último ponto, o destaque principal vai para o centro da defesa. Pepe em 2021 terá 38 e José Fonte 37. Levar os dois pode ser arriscado, e será normal que pelo menos um caia, ainda para mais se a opção for apostar convocar apenas três centrais. No entanto, salvo qualquer quebra física gigante ou lesão pelo menos um dos dois irá para ser a voz da experiência. Principalmente Pepe.

No meio campo, João Moutinho com 34, e face rotação da sua posição, poderá perder fulgor. Mas se fizer mais uma época gual a estas duas (na qual foi eleito pelos adeptos como melhor jogador) que argumentos teremos para não o chamar face à qualidade e inteligência que vai demonstrando dentro quatro linhas?

Na frente Ronaldo. Será o Ronaldo dos 36 anos inferior ao Ronaldo dos 35? Esperamos e, pelo “monstro” físico que ele é, acreditamos que vai continuar a ser decisivo.

Lado positivo? Poderemos ser o primeiro campeão europeu em título por 9 anos seguidos.

Nota: Importante todas as medidas que estão a ser tomadas. Quanto maior for o nosso sacrifício AGORA e cumprirmos as regras, mais rapidamente retomaremos a nossa vida normal. #FicaemCasa

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Bruno Costa JesuínoMarço 20, 20206min0

Em três décadas de vida nunca eu vi falar-se tão pouco de futebol. Muitas vezes parece ser um desporto que funciona num mundo à parte mas é jogado e gerido por humanos. E o ser humano tem a capacidade tanto de nos surpreender como de nos desiludir de um minuto para o outro. Mas depois de muita hesitação o futebol entrou em quarentena num mundo de oito e oitentas.

Pára. Não Pára. Pára um bocadinho. Até que pára de vez.

Houve quem tentasse manter o futebol activo mesmo numa altura em que já era o que menos interessava, mas felizmente houve consciências que o pararam. Aos poucos, mas pararam. O mundo começou a parar. O desporto parou. O futebol tinha de parar.

Várias actividades desportivas já deveriam ter parado há mais tempo. Sendo um problema transversal a todo a toda a humanidade, não fez qualquer sentido realizarem-se jogos num determinado local, enquanto outros jogavam à porta fechada ou iam sendo adiados.

Felizmente houve quem teve a ‘coragem’ de parar mais cedo. Num mundo global e com poucas fronteiras não serve a desculpa: “ah e tal mas aqui não tínhamos casos”. Com a constante circulação de pessoas de um lado para outro, um vírus de transmissão fácil como este viaja de um lado ao outro do mundo num ápice. Bons exemplos como de Macau, que ali ao lado da origem do vírus, fechou as suas fronteiras desde as primeiras notícias de casos.

O vírus que está a virar tudo de ‘pernas para o ar’

Ligamos a televisão, olhamos para as notícias. Fazemos zapping. Passamos pelos canais de informação. Nada. Nada de futebol. Vá quase nada. Nem para segundo, nem para terceiro plano, passou para décimo plano. Sendo que os outros nove se referem, por motivos tão óbvios quanto sérios, ao vírus que está a virar tudo de pernas para o ar.

O mais importante agora não é saber quem vai ser campeão ou a forma mais justa de o decidir, quando vai ser o Europeu, como os jogadores podem treinar… Como diria o grande JJ – que felizmente acusou negativo ao terceiro teste – isso são ‘peaners’. Importa centrar-nos nesta ‘guerra’ contra um inimigo invisível em que a nossa maior arma é o civismo e respeito pela ordem de quarentena, sendo esta voluntária ou não.

“O futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes”

Gostaria muito de dizer que esta frase era da minha autoria, mas infelizmente não é. Adoro frases que em poucas palavras dizem muita coisa e, esta afirmação do treinador italiano Arrigo Sacchi, encaixa que nem uma luva na situação actual. Encaixa tanto, que vou voltar a escrevê-la só para a lerem uma vez mais: “O futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes”,

A paixão sem limites que nos tira os pés do chão

Não será por acaso que é apelidado de desporto rei. O futebol move multidões, emoções, desejos, vontades, desesperos, frustrações e, tantos outros, sentimentos. É um verdadeiro fenómeno social, fortemente ligado à vida cultural em todo o mundo. Desperta a paixão de milhões de pessoas, libertando o lado mais instintivo e competitivo daqueles que acompanham cada jogo, na televisão ou na internet e até viajam para o outro lado do mundo para apoiar as cores do seu clube.

Com base neste comportamento social, o futebol muitas vezes parece a coisa mais importante da vida… pelo menos durante 90 minutos.

Futebol é uma das indústrias importantes

Apesar de não ser o mais importante, não podemos deixar de ver o futebol como uma ‘indústria’ importante. Tanto a nível de clubes como de seleções move milhões e milhões, e tem um impacto significativo no sector da economia e até do turismo. Deve ser tratado com a devida importância mas pondo, pelo menos por agora, a parte mais irracional de lado.

Muitos dos responsáveis do futebol, um pouco por todo o mundo, tentaram adiar as paragens dos campeonatos centrando-se apenas no desastre financeiro que seria. No entanto, como deveria ser sempre, os protagonistas principais foram os jogadores. Aproveitando o popularidade que têm, muitos deles lançaram nas redes sociais apelos para o futebol parar e para as pessoas ficarem em casa. Felizmente funcionou.

Portugal como campeão europeu até 2021?

O Campeonato da Europa vai ser mesmo adiado, ao que tudo indica para 2021. No entanto, também é possível que possa acontecer nos últimos meses de 2020, servindo de adaptação para o Mundial do Qatar de 2022 que se vai realizar de 21 novembro a 18 de dezembro. É uma hipótese que poderá fazer muito sentido, caso esta situação pandémica fique controlada nos próximos 3 ou 4 meses. Até lá, Portugal continua como campeão europeu até 2021.

Mas por enquanto vamos centrar-nos em vencer o campeonato da vida derrotando o Covid-19.

Vamos jogar o verdadeiro derby

Ontem, enquanto escrevia este artigo, tinha feito o apontamento que o queria acabar com o mote  “vamos jogar o verdadeiro derby”. Pouco depois, deparei-me com uma partilha que tinha esta descrição:

“Num momento que nunca foi por nós vivido, pede-se que sejamos os atores principais de um qualquer filme apocalíptico que nos habituámos a ver pela televisão”

“Agora coloquemo-nos todos a centrais e de forma bem clara vamos deixar este vírus fora de jogo!”
Venceremos ❣️🙏🏻 “

Conteúdos de qualidade. Precisam-se.

Numa altura em que a infodemia é maior que a pandemia, é bom dar relevo, partilhar e agradecer os conteúdos de qualidade, sejam eles informativos ou inspiracionais, como este. Bem precisamos. Obrigado ao Guilherme, pela autoria (mais uma), e à Sara, cujo timing de partilha fez com que visse este vídeo e o incluísse no artigo.

 

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Bruno Costa JesuínoFevereiro 17, 20206min0

A Liga Europa está aí à porta e há muito tempo que não tínhamos quatro equipas nesta fase da prova. Por sinal os quatro primeiros classificados da primeira liga não só neste momento mas como tem sido habitual. Haverá força para conquistar a Europa?

Sorteio com sortes diferentes

No que diz respeito ao sorteio houve sorte diferentes para as equipas portuguesas. Benfica e Porto com equipas experientes que vão no mínimo dividir as possibilidades de passagem, o Braga tem tudo para se superiorizar a uma equipa que deu muita luta ao Porto na fase de grupos, e o Sporting se estiver ao seu melhor nível tem muitas hipóteses de afastar uma das equipas teoricamente mais acessíveis e menos experientes da prova.

O melhor Sporting seria mais que favorito. E este será?

O Sporting, que ficou em segundo lugar no seu grupo, foi o que lhe saiu o adversário mais acessível, embora estejamos a falar do actual segundo classificado do campeonato turco. No entanto, tendo em conta os adversários que lhe podiam calhar é o que menos se pode queixar… da sorte! No entanto, tendo em conta a época que está a correr, seja talvez o representante em português com menos potencial, ainda mais com a saída do capitão Bruno Fernandes.

O Istambul, embora sem grandes pergaminhos nestas andanças, está a fazer uma excelente época tanto a nível interno como na Europa. No campeonato está a disputar o título e na fase de grupos ficou em primeiro num grupo difícil com os favoritos Roma e Borussia Monchengladbach. No entanto, todos sabemos que a experiência é algo que conta muito nestas fases mais avançadas na prova, mas um Sporting unido que consiga apresentar um nível semelhante ao que apresentou nos clássicos contra Benfica e Porto, tem boas hipóteses de passar a eliminatória.

Mesmo não tendo aquele que era de longe o jogador mais influente nos últimos anos, o melhor 11 do Sporting com Vietto e com os dois centrais disponíveis e com Battaglia em boas condições físicas terá hipótese para no mínimo lutar taco-a-taco com os turcos.

Será o SC de Super-(clube)-Braga?

É verdade e não só de agora, pois nas competições europeias este Braga tem sido super, já tinha sido super com Sá Pinto irrepreensível. O problema era a nível interno, e agora até aí tem sido extraordinário. Com Rúben Amorim, apenas cedeu um empate caseiro, venceu a Taça da Liga e já ganhou duas vezes ao Sporting e Porto.

Mais recentemente venceu o Benfica em pleno Estádio da Luz, tal como já tinha vencido no Dragão. Teve a sorte do jogo? É verdade. Mas para se ter sorte é preciso procurá-la e o Braga, que muitas vezes vacilava nos duelos com os grandes, tem-se mostrado um equipa adulta em todos os momentos do jogo e na maior parte dos 90 minutos. E isso, tem feito a diferença, além das mudanças tácticas, a mentalidade dos jogadores.

Depois de uma fase de grupos que ficou em primeiro lugar, saiu-lhe em sorte o Rangers de Gerrard. Não sendo um nome assustador, a equipa escocesa esta época deu muita luta com o Porto e chegou a até a superiorizar-se em ambos os jogos. No entanto, o melhor Braga, este Braga, tem mais futebol que este Rangers, e saindo da Escócia com um bom resultado, terá tudo para mostrar que é mais forte na segunda mão.

E se Rúben Amorim conseguir manter um nível alto nas duas frentes, podemos estar aqui perante um caso sério, como até já foi previsto num artigo aqui escrito.

Serão os dragões capazes de ‘queimar’ os difíceis?

As equipas portuguesas nunca costumam ter vida fácil diante os alemães. A história mais antiga ou mais recente é prova disso. Mas se há clube que já venceu os alemães, o Porto é um deles. E este Porto de Sérgio Conceição parece ter sete vidas. Ainda há duas semanas parecia acabado e agora está cada vez mais próximo do primeiro lugar com uma vitória diante do Benfica e do Vitória de Guimarães.

Parece estar num momento crescendo e com alguns jogadores à aparecerem muito bem nesta fase da época, como é o caso de Sérgio Oliveira. Importante seria contar com Pepe em boas condições físicas para dar aquelas experiência e voz de comando que por vezes tem faltado à equipa, e ainda é mais importante, nestes desafios europeus.

O Bayern Leverkusen, é uma das boas equipas alemãs e uma habitué nestas andanças europeias. Está a fazer um boa época com comprova o actual quinto lugar a 6 pontos do líder Bayer. Na fase de grupos da Champions não conseguiu superiorizar-se aos favoritos de Juventus e Atlético de Madrid, garantindo a terceiro lugar à frente do Lokomotiv de Moscovo.

Espera-se um jogo equilibrado em que os pequenos detalhes irão definir o vencedor.

As possibilidades dependerão de que Benfica entrar em campo

Certamente que há duas semanas a confiança era outra. A equipa a jogar bem ou pelo menos qb e com a moral em cima. Duas semanas depois parece passar por uma crise de confiança com (e pelas) derrotas seguidas diante de Braga e Porto. As exibições não foram péssimas mas os resultados sim. e vantagem que tinha esfumou-se num ‘piscar de olhos’.

Contra aquele que tem sido o crónico campeão ucraniano, uma equipa com um projecto bem definido desde há muitos anos que privilegia o bom futebol. Depois de muitos anos com Lucescu na liderança, a aposta tem recaído em treinadores portugueses. Depois do excelente trabalho de Paulo Fonseca, aposta recaiu em Luís Castro que tem mantido a equipa ao nível que a tem caracterizado na última década. Presença assídua na Liga dos Campeões, nem sempre as boas exibições têm acompanhado os resultados… e caiu uma vez mais para a Liga Europa, onde será um dos candidatos.

Em teoria, seria um jogo com 50 por cento de hipóteses para cada lado, no entanto, não sabemos que Benfica vamos encontrar, ainda por mais, estando na pior fase do campeonato em termos de resultados. O nível de concentração geral da equipa baixou consideravelmente e confiança no último terço caiu muito, e isso notou-se bem nos últimos jogos.

Já não falando da época passada, o melhor versão do Benfica desta época tem muito boas hipóteses de passar. Mas, para começar, na sempre difícil deslocação à Ucrânia, de fazer um resultado que lhe permita disputar a eliminatória em Lisboa.

Prognósticos em percentagem. Vale o que vale.

Como diria um lendário capitão do Porto, “prognósticos” só no fim do jogo, mas os últimos, feitos aqui neste espaço, não foram nada maus. Desta forma, eis os prognósticos em percentagem, da probabilidade de as equipas nacionais seguirem em frente, tendo em conta o momento actual das equipas e a qualidade do adversário.

Braga 65%  – Sporting 60 % – Porto 55% – Benfica 50%

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Bruno Costa JesuínoJaneiro 26, 20206min0

É óptima aquela sensação de ‘amor à primeira vista’. Mas como todas as histórias, até chegar a um final feliz, há uma sem número de ‘vistas’ que vão mensurado esse ‘amor’, que passa de bestial a besta num piscar de olho. E falamos de Rúben Amorim. Que nestes primeiros jogos tem sido um caso amor(im) à primeira, segunda e terceira vista.

O pleno de vitórias em todas as ‘vistas’

Na realidade já 5 vistas. Leia-se 5 jogos. E em todos eles fez o pleno de vitórias. Destacam-se três delas porque foram contra dois dos dos ‘grandes’ do futebol português. Duas com o Porto e uma com o Sporting. Mas vamos ao antes disso. Rúben Amorim pega na equipa de Sá Pinto, que com um brilhante percurso europeu, estava a desiludir a nível interno. Muitos pontos perdidos e a claudicar nos jogos com os grandes. Mais que os resultados, sentia-se que nesses duelos o Braga não se impunha com equipa ‘grande’ que quer vir a sair. Aliás, isto não só com Sá Pinto, pois salvo raras excepções, o saldo e as exibições com os grande deixaram algo a desejar para a nação bracarense.

A estreia não podia ser melhor. Na deslocação ao Jamor uma goleada das antigas por 7-1. Mas, como se costuma dizer, “o futebol é o momento” e na recepção ao Tondela foram muitas as dificuldades para vencer. Nesse jogo chegou-se a ouvir assobios na bancada. Depois, mostrou-se uma equipa mais consistente (com e sem bola) no Dragão, e com a sorte do jogo venceu onde não ganhava há muitos, muitos anos.

Chegado o momento da ‘final four’ da Taça da Liga, onde uma vez mais foi anfitrião, o Braga superiorizou-se ao Sporting na meia final. No cômputo geral demonstrou ser mais equipa, tanto a jogar contra 11, como depois contra 10. Mais pressionante e com muita dinâmica acabou por marcar perto do fim e dar justiça ao resultado, onde tinha sofrido o golo do empate num momento de distracção numa reposição de bola de Bruno Fernandes. Na final, um jogo mais equilibrado, onde a defesa se superiorizou o ataque. Mas o resultado aceita-se, o Braga mostrou-se quase sempre mais confiante e compacto, acabando o jogo a pressionar o Porto. Pressão essa que acabou por dar frutos com o golo de Ricardo Horta aos 95 minutos, o penúltimo dos descontos.

A história de um golo que esteve longe de ser só sorte

Ah e tal foi uma carambola que acabou por ir parar aos pés do Ricardo Horta. E foi. Mas o que antecedeu a jogada do golo esteve longe de ser só sorte. No lançamento lateral longo de Sequeira para a área do Porto, de destacar a forma como a equipa bracarense se posicionou (e bem) ainda com bola. Preparando a transição defensiva, marcou Soares em cima, o jogador seria o ponto de partida para  ligar um possível transição ofensiva dos ‘dragões’. Assim foi. O central do Braga ganha no duelo com o avançado, e depois a classe de Paulinho a colocar a bola entre linhas e o instinto de Ricardo Horta fizeram o resto. Ah, claro. E a sorte também.

O Rúben por detrás do  treinador

Rúben, dividiu a formação de jogador entre Benfica e Belenenses. Como jogador, não sendo um daqueles considerado fora de série, destacou-se acima de tudo pela sua polivalência. E para desempenhar várias funções com sucesso, muito se devia à sua inteligência. Sempre se entendeu que percebia o jogo como poucos. Saber sempre onde devia estar com e sem bola, fosse a jogar na “posição 8”, a mais natural face às suas características, num duplo pivô, a falso ala e até a defesa direito.

O factor mais negativo da carreira foi o facto de ter sido sempre muito propenso as lesões, muitas vezes, em fases em que estava a crescer. Como por exemplo aquela lesão grave (mais uma) joelho no sintético do Bessa. A sua personalidade forte fazia dele um dos líderes em campo, tanto para puxar pela equipa como para ajudar a corrigir posicionamentos dos colegas.

Quando se assumiu como treinador…

Como treinador, pegou no Casa Pia e deixou a sua marca, nos jogadores, no clube e na comunicação social. Devido a alguns problemas disciplinares, foi afastado, e depois do convite para assumir a equipa de sub23 do Benfica (que rejeito) assumiu o Braga B.

Quando o contratou, António Salvador já deveria ter na ideia um dia ‘dar-lhe o lugar’ o treinador principal, até porque também já o conhecia bem pela sua passagem pelo Braga. Assumiu a posição mais cedo do que era esperado (por todos), mas até tem deixado a sua marca, tendo em conta os grandes resultados, as boas exibições, as ideias positivas e, por agora. a sorte… que protege os audazes.

O fato de campeão de inverno serve-lhes bem

Rúben pegou na equipa e foi logo criticado por não ter o curso de treinador. Mas isso é uma outra história que agora não será esmiuçada. Com uma forma de perceber o futebol muito própria, implementou rapidamente as ideais que já lhe reconhecia nas passagens pelo Casa Pia e pelo Braga B.

Um sistema assente em três centrais, mas com muitas dinâmicas, que consoante as nuances do jogo, tanto defende numa linha com três, quatro ou cinco. Mas mais que o sistema, é a nova ideia que o treinador trouxe para a equipa. Um modelo que tem apresentado mais soluções ofensivas, algo que a equipa vinha sentido dificuldades diante de adversário que se fecham mais.

Se calhar, mais até que os resultados e exibições é a postura e a personalidade da equipa que tem surpreendido. Todos sabemos que são resultados que mandam, e uma fase má pode quase apagar o que de bom Rúben Amorim trouxe para Braga, mas que o início é prometedor, lá isso é.

Um bom arsenal de armas

Muito já se elogiou o plantel do Braga por ser muito homogéneo, com duas opções de valor semelhante para cada posição. Basta pensar que no duplo pivot do meio campo, tem sido usados Palhinha e Fransérgio, estando no banco André Horta e João Novais! Jogadores que poderiam caber no plantel dos três grandes. Na frente Ricardo Horta e Francisco Trincão têm feito companhia a Paulinho. Mas a concorrência é forte, com Wilson Eduardo, Galeno, Rui Fonte. E ainda há Bruno Xadas.

O dinamismo e toda aquela basculação que a equipa vai fazendo, permite entre outras coisas, dar maior liberdade aos principais desequilibradores (por norma os extremos Horta e Trincão) que lhes permite, por exemplo, recuperar mais tarde na transição defensiva.

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Bruno Costa JesuínoJaneiro 20, 20207min0

Rivalidade. Rivalidade não é guerra. Embora pareça que no futebol há uma linha, demasiado ténue, que as separa. Felizmente, os protagonistas, ou pelo menos aqueles que o deviam ser, ainda nos dão muitos bons exemplos. Um desses casos é o badalado “Bruno Fernandes”, que nos últimos tempos tem dado bons exemplos de fair play fora de campo. Além disso, vamos falar no futebol. Mas daquela parte que interessa.

Bom exemplo, um que está sempre a reclamar durante os 90 minutos?

É um facto. O seu perfil em campo faz com que passe muito tempo a reclamar com árbitros e adversários durante os 90 minutos. Mas não é essa parte que o artigo quer destacar. É a capacidade de Bruno Fernandes não ter receio em falar sem tabus de assuntos que muitos não têm coragem de o fazer. Os elogios públicos aos “inimigos”. Ah, espera, isso é a forma como muitos pensam. Vou reformular. O capitão dos ‘leões’ elogiou publicamente a qualidade de vários rivais. No final da época passada, em declarações à RTP, no final da época passada, elogiou a capacidade um jogador portista.

Não vou dizer que sou eu. Não é uma questão de humildade a mais, mas não me consigo ver dessa maneira. Há um jogador que este ano até pode não ter sido tão preponderante, mas que gosto muito: o Brahimi. Para mim, quando quer, é o melhor jogador do campeonato.

As palavras estenderam-se ainda a outros destaques do rival da segunda circular, pelas excelentes época que fizeram.

Dos portugueses… Temos a surpresa João Félix, que fez um grande campeonato, mas pela influência que tem diria o Pizzi. Talvez até o possa colocar no mesmo patamar que o Brahimi.

Mas não se ficou por aqui, ainda esta época, o capitão do Sporting, fez um comentário nas redes sociais a elogiar a excelente prestação do benfiquista diante do Zenit.

Adivinhem o que aconteceu?

Se calhar não é preciso muito para se adivinhar o que aconteceu. Pois bem, no futebol, o elogio a rivais tem sempre o reverso da medal. Para grande parte dos adeptos ser simpático para um adversário é algo proibido, e quem o faz é considerado pelos mais radicais, como ‘traidor’. Inclusive por aqueles adeptos ‘famosos’ que vão à televisão. Lembro-me quando o Benfica ganhou ao Porto, um desses em adeptos, no Prolongamento, ter criticado por no fim do jogo Ricardo Quaresma ter dado um abraço a Jorge Jesus. Para ele, é inconcebível depois de uma derrota ser ‘simpático’ com um adversário. Óbvio que anos depois, também apoiou o ‘não cumprimentar’ que Sérgio Conceição fez a João Félix no mesmo estádio, e também após um desaire.

It’s  footbal, not war

O futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes das nossas vidas.

Esta famosa frase é da autoria do ex-jogador e treinador italiano Arrigo Sacchi, e devia ser lembrada todos os dias. Lembrada e levada à letra. E após o apito final não eternizar guerras sem sentido e com base num clubismo exacerbado, que mais se aproxima de ódio. E tudo começar quando se odeia mais um rival do que se gosta do seu clube.

It’s football, not war. E sigam o exemplo, dos jogadores. Que por vezes não demonstram mais devido às más reacções de parte significativa dos adeptos. Por isso, parabéns Bruno. E que o teu ‘grande’ futebol continue a acompanhar a tua ‘grande’ postura. Seja onde for.

Nélson Semedo e Bruno Fernandes:

João Félix responde a Bruno Fernandes:

O nosso futebol: ponto de situação

Acabou a primeira volta do campeonato e em pouco mais de quatro meses muitas coisas há destacar. Vamos pegar em dois pontos positivos e um negativo.

A ‘dança’ dos treinadores ja dava (quase) para fazer um ‘onze’

Começar por um menos positivo. Desde o início houve dez mudanças de treinador. Quer dizer onze, com  saída de Folha do Portimonense durante o fim de semana. O Sporting, contando com o interino Leonel Pontes, e o Belenenses, já vão na terceira escolha. Não será por acaso as épocas conturbadas e abaixo das expectativas que ambas as equipas têm tido. Aliás, curiosamente, Silas, actual treinador do Sporting, começou a época no Belenenses (ou será que deverei B Sad ou Code City!).

Mas mais que a mudança de treinadores é a mudança de estratégia em poucos meses. O Marítimo começou a época com Nuno Manta Santos (agora no Aves), um treinador de transição, e ao fim de alguns meses mudou para José Gomes, um treinador que aposta num jogo de posse. O mesmo com Vitória Futebol Clube, que depois de Sandro, que montava a equipa centrada na segurança defensiva, apostou no espanhol Júlio Velasquez.

Em sentido oposto, o Belenenses que depois de Silas e Pedro Ribeiro, apostou em Petit. Treinador que se tem especializado em assumir salvar da descida equipas que assume a meio da época, mas que ao contrário dos antecessores, apresenta uma forma de jogar antagónica.

O grande Fama, o Gil de Oliveira e os recordes de Lage

A grande sensação da época tem sido o Famalicão, ainda por cima neste regresso à primeira liga depois de algumas décadas de ausência. Um projecto que está a ser criado há alguns anos e que está a dar frutos. Uma aposta em jogadores jovens, que têm tudo ainda para mostrar. Reforçou-se tanto no verão como agora no mercado do inverno. Até ver ainda não deixou sair nenhum dos principais jogadores, e está no sensacional terceiro lugar. Será que vai continuar a surpreender?

Quase tão surpreendente, o também regressado Gil Vicente. Com um plantel por montar a partir do zero, escolheu o experiente Vitor Oliveira, o mestre das subidas de divisão. Uma missão difícil nas mãos certas. Destaca-se a vitória sobre o Porto e Sporting, e mesmo depois de alguma séries negativas, encontra-se no 8º lugar, seis pontos acima da linha de água.

Mesmo com algumas fases negativas, principalmente após a derrota com o Porto, o Benfica de Bruno Lage teve a força de ir ganhando quando jogou mal. Com o regresso Gabriel e depois de Chiquinho, e a explosão de Vinícius a equipa estabilizou, mesmo quando perdeu o jogador que em melhor forma: Rafa. Em 51 pontos, conquistou 48, apresentando o melhor ataque e a melhor defesa (+7 golos e -5 que o Porto, respectivamente).

Uma palavra para a qualidade de jogo do Vitória Sport Clube, apesar de alguns resultados menos positivos do que as exibições adivinhavam.

Do trio benfiquista ao incontornável Bruno Fernandes

A prova quase imaculado do Benfica tem tido em Pizzi, desde o início, e melhoria exibicional com a entrada de Chiquinho e Vinícius. O primeiro porque é aquele que mais aproximou o Benfica das dinâmicas da época passada (quando tinha João Félix) e o brasileiro pelas novas soluções que deu à equipa, além da excelente média de golos.

No Porto o maior destaque tem sido Corona. O mexicano, jogue em que posição jogar é actualmente o mais imprescindível. Os reforços Marchesin, entrou muito bem na equipa, e Luis Diaz, embora a espaços, tem oferecido à equipa aquilo que Brahimi tinha de melhor.

No Braga, Ricardo Horta tem sido o mais influente na frente, enquanto Palhinha tem crescido muito. A capacidade de equilíbrio de dá a equipa faz lembrar a influência que Fejsa já teve no Benfica.

Na cidade de Guimarães, com um plantel bem recheado, Ivo Vieira tem rodado muito a equipa de jogo para o jogo. No entanto, o jogador mais utilizado, tem sido Tapsoba, um dos melhores centrais do nosso campeonato. No Sporting, Bruno Fernandes. Sempre, Bruno Fernandes.

Outros destaques: Kraev (Gil Vicente), Davidson (Vitória SC), Nehuén Perez, Pedro Gonçalves, Fábio Martins (Famalicão), Taremi (Rio Ave), Pepelu (Tondela), Filipe Soares (Moreirense) e Mehrdad Mohammadi (Aves).

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Bruno Costa JesuínoDezembro 25, 20197min0

Não só este Natal, como em todos, “All I want for Christmas is you” é provavelmente a música que mais ouvimos. Reza a história que Mariah Carey já ganhou cerca de 50 milhões só com este êxito. Mas neste artigo a música é outra. Futebol. E fazendo uma tradução livre e adaptada da música cantarolava qualquer coisa como “O que mais quero para o futebol são…” mentalidades renovadas.

E perguntam vocês, mentalidades renovadas, explica lá isso melhor

Ok. Já que perguntam, eu explico. Aliás não só explico como exemplifico. Em termos geral os adeptos portugueses auguram quase sempre o desastre e decepção antes de uma competição, mas depois, em caso de sucesso, esses mesmo adeptos passam da desconfiança à confiança exarcebada, às vezes à primeira vitória. Mas não ganhando o jogo seguinte entram novamente em estado ‘depressivo’. É dessa ambiguidade, de passar do 8 para 80, e do 80 para o 8, num simples estalar de dedos.

Ah Éder é um cone… Golo do Éder…. Ah eu sabia que ele ia marcar

O rapaz que marcou o golo mais importante da história do futebol português foi provavelmente o mais ‘mal amado’ de sempre entre os convocados nacionais numa competição de selecções. Mais consensual que a convocatória de Ronaldo, Rui Patrício, Pepe… só mesmo a não convocatória de Éder. Quase unânime. Talvez 1% do adeptos portugueses, e isto contabilizando família e amigos! Havia razões para isso. Sim havia. Ou poucos golos e as exibições cinzentas iam ao encontro disso. Mas Fernando Santo decidiu levá-lo, não para ser titular ou opção regular, mas porque podia ser útil em ‘determinados’ momento… de ‘determinados’ jogos. E foi mesmo.

Por acaso vi o jogo no Terreiro do Paço, o local onde possivelmente estariam mais portugueses juntos a ver o jogo, a seguir a Saint Denis. Um pouco por todo o lado houve uma espécie de coro de críticas misturada com assobios. Principalmente um grupo que estava ao meu lado.

E eu? Eu fiquei calado pois o meu pensamento voou de imediato para uma reportagem que vi meses antes do início europeu. Pediram a um jornalista para simular um golo de Portugal na final. E que nesse relato ensaiado era um golo de Éder frente à França. E até timidamente, para não mal augurar, comentei com alguém que estava ao meu lado. Atenção que se fosse o seleccionador, naquele momento, mais facilmente punha o (na altura) novato Rafa que o Éder.

Voltando ao grupo de pessoas que estava ao meu lado. Uma dessas pessoas estava mais ‘desbocada’ e descontrolada nas críticas. Tanto que um indivíduo, que não o conhecia, deu-lhe com o capacete na cabeça! (felizmente sem consequências). Sim, deve ter sido o único momento que deixei de olhar para o ecrã gigante. Mais
comedido só voltou a reagir após o golo do Éder e enquanto festejava gritou alto: “Eu sabia! Eu sabia que era o Éder a resolver”. É dessa dissonância de comportamento que falo. Está tudo mal, mas mesmo se quem resolve é quem mais crítica, passa de besta a bestial num instante. Rapidamente passou de ‘cone’ e ‘patinho feio’ para o “gajo que os f… tramou”, cantarolada vezes sem conta.

Futebol como fenómeno social

Essa alteração de opiniões acontece não só no futebol. Mas consegue diferente no futebol. Em que outra actividade de ‘ajuntamento de grandes quantidades de pessoas’ se abraça alguém ao lado que não se conhece após um golo ou uma vitória apenas e só porque torcem pela mesma equipa? A miscelânea de emoções é muita, por vezes até demasiada. Um exemplo: no parágrafo acima falo do indivíduo do capacete que agrediu outro por estar farto de ouvir. Após o golo do Éder abraçaram-se os dois como se fossem os melhores amigos. Ao mesmo tempo que consegue ser mágico tem o reverso da medalha, que leva a comportamentos desviantes.

O desafio para essas mentalidades renovadas seria começar por gostar mais do futebol em si e não apenas e só da equipa pela qual torce e pensar que o resto será só para enfeitar ou (ainda pior) odiar.

Euro2020: “França, Alemanha no nosso grupo, mas vale nem irmos!”

Após o sorteio de há algumas semanas, que não pensou, disse ou ouviu alguém dizer. Meto as minha mãos no fogo que pelo menos uma destas hipóteses aconteceu com qualquer uma das pessoas que se tenha cruzado com este artigo. É típico. Quem se lembrar do Euro 2000, a reacção foi idêntica. Portugal no grupo da morte diante de Alemanha, Inglaterra e uma Roménia, que na altura era uma selecção significativamente mais forte do que a actual. Passámos a fase de grupo com 3 vitórias. No terceiro jogo, já com a passagem assegurada, rodámos a equipa e vencemos a Alemanha por 3-0, com um hattrick de Sérgio Conceição (no primeiro jogo vencemos a Inglaterra por 3-2 depois de estarmos a perder por dois golos – um jogo épico – e com a Roménia marcámos bem perto do fim).

Não fazemos futurologia para saber como vai correr, mas tal como há 20 anos atrás, o ‘velhos do Restelo’ que há dentro de ‘nós’ vem ao de cima. Nem será bem ‘sofrer por antecipação, será mais algo como ‘para evitar sofrer mais valia nem irmos’. Os mesmo que à primeira vitória vão dizer “vamos ser campeões” são os que gritam o famoso “eu sabia que ia ser assim” à primeira derrota.

De qualquer das formas, reza a história que Portugal contra equipas de maior reputação não raras vezes se transcende e, por vezes facilita com equipas em que tem maior responsabilidade. O importante é ter a noção que não é um resultado que faz de nós nem os melhores nem os piores do mundo, evitando a bipolaridade de quem passa do pessimismo deprimente ao optimismo exagerado. E vice-versa.

Por falar em Portugal campeão europeu…

Por falar em Portugal campeão europeu em 2016, lembrei-me de um pequeno texto que escrevi, a 12 de Fevereiro de 2018, após a selecção nacional de futsal se ter sagrado campeã europeia… também pela primeira vez.

Coincidências e felizes acasos

Há coisas que parecem tão destinadas a acontecer que mesmo por linhas tortas os ventos acabam por soprar a favor.

Ricardinho no mês passado revelou: “Cristiano Ronaldo sofreu muito até realizar o sonho de ser campeão europeu, durante a final levou uma pancada e ficou a sofrer até sermos campeões europeus. ESPERO QUE ACONTEÇA O MESMO”. E não é que aconteceu! Literalmente. Mas as coincidências não ficam por aqui.

Ambas as finais foram num dia 10. Ambos os jogadores nasceram no mesmo ano, foram considerados 5 vezes como melhor do mundo, são capitães e, nos últimos anos, semana após semana, fazem os espanhóis renderem-se ao seu talento, e num ano em que foram campeões europeus de clubes, cumpriram o sonho de o ser pela selecção.

(Bruno Costa Jesuíno – Fevereiro 2018)

Concluir o artigo com uma mensagem positiva. Sermos optimistas e não deixar de acreditar que os felizes acasos podem acontecer. Mas que quando não acontecem não é o fim do mundo.

Ah e claro, Bom Natal.

Ver vídeo original AQUI (SIC NOTÍCIAS)

Ver vídeo original em SIC NOTÍCIAS: https://sicnoticias.pt/desporto/2018-02-11-O-sonho-de-Ricardinho-aconteceu


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É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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