Sem Plano B

Francisco da SilvaNovembro 21, 20204min0

Sem Plano B

Francisco da SilvaNovembro 21, 20204min0
A equipa secundária do FC Porto encontra-se há mais de duas temporadas numa verdadeira travessia no deserto sob o comando técnico de Rui Barros.

Há muito que a liderança de Rui Barros à frente da equipa secundária do FC Porto é colocada em causa pelos aficionados mais atentos e mais preocupados com o sucesso deste projeto de formação. Nas duas primeiras temporadas aos comandos do FC Porto B, Rui Barros teve um rácio de vitórias inferior a 30% dos encontros disputados, o que por si só não seria preocupante, contudo, a dinâmica e a performance coletiva têm sido absolutamente deprimentes e amorfas, impedindo o ambiente ideal para o despoletar de jovens talentos portistas.

A época 2020/2021 parece reunir todos os ingredientes necessários para mais uma season medíocre no reino do Dragão sob a batuta de Rui Barros. Até ao momento, a formação B do FC Porto somou somente 2 vitórias e 1 empate em 9 jogos disputados na segunda liga do futebol português. Neste momento, só o SL Benfica B e o Varzim SC têm menos pontos conquistados, ambos com 6, o que posiciona o FC Porto B em antepenúltimo lugar, em igualdade pontual com o Académico de Viseu. Como se isso não bastasse, os comandados de Rui Barros têm-se exibido a um nível baixíssimo, sem grandes princípios de jogo, muitos erros infantis e com uma série de 4 derrotas consecutivas, onde a equipa concedeu 10 golos.

Danny Loader gerou elevadas expectativas mas não está a corresponder (Fonte: FC Porto)

Para além da falta de liderança e de qualidade do comando técnico, também alguns bons valores da formação portista não estão a corresponder às expectativas, ajudando a aprofundar a falta de rendimento desportivo. Desde logo Pedro Justiniano parece não ter conseguido subir o nível e, apesar de toda a entrega e das suas impressionantes características físicas, continua a acumular erros de posicionamento e de leitura, já Rodrigo Valente é um médio com muita rotação, muita intensidade, mas tem que melhorar a sua chegada à área adversária, bem como, afinar de vez o seu potente remate. Na frente de ataque, a velocidade e a irreverência de Danny Loader, de Ángel Torres e de Gonçalo Borges são completamente ofuscadas pela inconsequência dos seus atos e pela irregularidade das suas exibições.

Porém, nem tudo são más notícias para a formação azul e branca, o guardião Ricardo Silva continua a ser um muro muito difícil de transpor, revelando segurança e altíssimos níveis de concentração, João Marcelo chegou sem grandes referências do modesto Tombense de Minas Gerais mas não tem tido dificuldades em se assumir como o patrão do eixo defensivo portista, na casa das máquinas do emblema azul e branco tem brilhado Francisco Conceição, médio ofensivo com um baixo centro de gravidade e com uma capacidade de drible estonteante à boleia do seu pé esquerdo dotado, na frente de ataque há a destacar a dupla de avançados Kelvin Boateng, jogador móvel e atual melhor marcador da equipa com 3 golos, e Igor Cássio, elemento possante e com uma boa relação com o golo.

João Marcelo é um dos principais destaques positivos (Fonte: FC Porto)

O futuro não só de Rui Barros, mas também de vários jogadores desta geração parece estar em risco, aliás, o rendimento coletivo deprimente e a ausência de uma cultura de vitória podem estagnar completamente um conjunto de elementos que estão a entrar na fase mais decisiva do seu desenvolvimento futebolístico. A sabedoria popular do “não há duas sem três” parece ter alimentado o voto de confiança dado pela direção portista a Rui Barros, todavia, se Rui Barros não conseguir extrair o melhor de si e dos seus jogadores, provavelmente “à terceira é de vez”.


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