Arquivo de Real Sociedad - Fair Play

nike-ordem-v-la-liga-2017-2018-ball-2.jpg?fit=1200%2C900&ssl=1
Pedro NunesAgosto 22, 201712min0

Já começou, em Espanha, mais uma época de futebol onde se esperam muitas emoções fortes. Neymar saiu e deixou a liga sem uma das suas estrelas mais cintilantes. O Real parece estar a caminho de dominar a competição por mais um ano. O Barcelona está em queda enquanto que o Atlético se quer reerguer. A luta europeia está mais divertida que nunca. O Girona fará a sua estreia. Mas há mais e está tudo aqui.

Alavés

A fasquia está bem elevada no Mendizorroza. A equipa basca conseguiu um óptimo 9º lugar na época transacta a somar a uma chegada à final da Taça do Rei, que perdeu para o Barcelona, tornando-se assim numa das sensações da liga espanhola. Agora, muita coisa mudou e será bastante complicado repetir o feito. Houve mudanças no banco – Luís Zubeldia estará no lugar de Mauricio Pellegrino – e o plantel também apresentará muitas caras novas como Wakaso, Ely ou Enzo Zidane. Mesmo assim, a confiança está em alta e o Alavés não quer desiludir em 2017/2018.

 

Athletic de Bilbao

A diferença maior estará no banco de suplentes, onde os bascos apresentarão agora o antigo treinador dos B’s, Ziganda, para assumir o comando técnico da equipa principal, depois de Valverde rumar à Catalunha. Este facto mantém a formação com a sua identidade bem vincada, trazendo um conhecedor dos jogadores das equipas secundárias e jovens do clube, para os fazer chegar à equipa principal. Ziganda já tem algum trabalho desenvolvido neste papel visto que foi ele que chamou a atenção dos responsáveis para que estes fizessem subir à equipa A jogadores como o avançado Williams e o guarda-redes Kepa. Agora, poder-se-á pedir a Ziganda que também demonstre a mesma qualidade exibicional de Valverde, que será bem difícil de replicar, ou que apenas tenha uma época tranquila – mas estamos todos avisados que esta equipa é sempre capaz de surpreender.

 

Atlético de Madrid

Após algumas temporadas em que o Atlético se intrometeu entre Barcelona e Real, chegando mesmo a quebrar o duopólio espanhol com um título, a época passada ficou um pouco aquém do esperado. Esta época, os rojiblancos querem voltar a competir contra os maiores, pois sentem que é lá que pertencem. As dores de crescimento são muitas e a proibição de contratar jogadores até Janeiro complicou ainda mais as contas. Apesar disto, Vitolo foi contratado e chegará em Janeiro, por enquanto ficando emprestado ao Las Palmas. Continuar sólido na defesa – a principal chave da equipa – mas precisar de fazer mais golos é o desafio que se propõe a Simeone e aos seus pupilos para esta nova temporada.

 

Barcelona

Completamente entranhados numa crise existencial, há várias questões que se colocam à volta da equipa culé. A saída de Neymar deixou o trio da frente órfão da sua asa esquerda, que perderá qualidade obrigatoriamente, quer venha Coutinho ou Dembelé. No banco, é Ernesto Valverde quem tem a tarefa de não deixar o gigante cair. A contestação começa a ser muita e já chega mesmo ao presidente. Vivem-se tempos sem definição em Barcelona e o que acontecerá esta época é uma incógnita em toda a linha.

 

Bétis

Seguramente um dos projectos mais interessantes desta La Liga. Apesar de todas as novidades: desde o vice-presidente ao diretor desportivo, passando pelo treinador e por, pelo menos, nove caras novas no plantel, o trabalho parece ter sido bem planeado e Quique Sétien tem ao seu dispor um plantel com bastante qualidade, para por em prática o seu futebol atacante. Boudebouz é o nome mais sonante no que concerne às movimentações no mercado dos verdiblancos. Exige-se uma posição na tabela na primeira metade à equipa da Andaluzia.

 

Celta de Vigo

No ano que passou, Berizzo colocou os adeptos do Celta a sonhar. Conseguiu alcançar as meias-finais da Liga Europa, assim como da Taça do Rei. Agora saiu do clube e há novidades no banco. O argentino viajou para Sul para treinar o Sevilha e agora é Unzué, antigo assistente de Luís Enrique no Barça, que está encarregue de comandar a formação da Galiza. Sem saídas de maior nomeada e ainda com as entradas de Maxi Gomez e a assinatura definitiva de Jozabed, o Celta tem tudo para lutar por uma nova qualificação europeia.

 

Deportivo da Corunha

Na Galiza, depois de uma época em que foi necessário lutar contra o sufoco da despromoção, espera-se uma temporada mais calma. O técnico que conseguiu salvar a equipa, Pepe Mel, vai ficar para a nova época e já viu chegarem alguns reforços importantes. Para a frente de ataque, o Depor conseguiu os empréstimos de Adrian Lopez e de Zakaria Bakkali e ainda continua a novela à volta do regresso de Lucas Peréz, vindo do Arsenal. Para além disto, Fabian Schar e Guilherme também chegaram, para uma equipa que não teve saídas muito significativas e que espera passar esta nova temporada com menos sobressalto.

 

Eibar

O objetivo neste clube basco é claro: dar continuidade ao que tem vindo a ser feito nas últimas temporadas. Conhecido pela excelente gestão financeira que faz, os armeros venderam Lejeune para o Newcastle, numa movimentação que lhes trouxe 10M€ aos cofres. Com esse valor, recrutaram Paulo Oliveira ao Sporting por 3.5M€ e compensaram a perda do central gaulês. Este minúsculo emblema, tentará de novo consolidar a sua posição no futebol espanhol, sendo que já vem fazendo parte da mobília nos últimos anos.

Foto: Mantos do Futebol

Espanhol

O maior desafio de Quiqué Sanchéz Flores será dar coesão a uma defesa que já na época transacta havia sofrido bastante. Apesar dos reforços pedidos, a direção não correspondeu, o que obrigará a um jogo de cintura maior por parte do técnico. Na época passada, o clube catalão surpreendeu toda a gente com o futebol jogado e o 8º lugar conquistado, mas esta temporada parece bem mais difícil repetir esse feito, embora perfeitamente possível, face àquilo que Quiqué conseguiu. Diego Lopez e Pablo Piatti assinaram contratos definitivos e serão duas das caras mais importantes nesta nova época.

 

Getafe

A formação dos arredores de Madrid está de volta à principal competição espanhola e de futebol e consigo traz a base que permitiu a subida. Apesar de muitos dos jogadores não terem experiências nestas andanças, a manutenção do núcleo duro da equipa pode ser um factor decisivo para o técnico Bordalás, que aponta à manutenção. Nos reforços, nota ainda para a chegada do português Antunes, que vem da Ucrânia trazer mais experiência à lateral esquerda azulón.

 

Girona

Quem espera sempre alcança. Depois de muito tentar nos anos anteriores, esta foi a época em que o objectivo ficou cumprido. Para trás ficaram quatro quatros lugares nas últimas cinco épocas, o primeiro que não dá direito à subida. Pela primeira vez nestas lides, o Girona não tem nada a perder nesta nova época. Agora, tudo o que vier é por acréscimo. Com o Manchester City por detrás a colocar alguns jogadores a rodar, o Girona conseguiu montar uma equipa competitiva e disposta a lutar olhos nos olhos com qualquer clube. Vindos do clube inglês, jogadores como Maffeo, Douglas Luis e Aleix Garcia ligam as luzes da esperança para o clube catalão.

Foto: Umbro

Las Palmas

Muito investimento no ataque mas a defesa pode ser um problema, devido à carência de soluções de qualidade. As previsões apontam para uma temporada bem complicada para a formação da Gran Canaria. Boateng e Roque Mesa saíram e para os substituir chegou Vitolo, que jogará até Janeiro e depois rumará ao Atlético, e o avançado Calleri. Fazer uma boa primeira metade da temporada é obrigatório para fugir depressa ao terror da despromoção.

 

Leganés

Depois de garantida a permanência a estreia na Primera, o segundo ano tem tradição de ser bem complicado para estes emblemas. A permanência do técnico Asier Garitano é o a melhor notícia que podiam ter. Os pepineros, viram chegar alguns reforços como Ezequiel Muñoz e estão fazer valer a boa relação com a Juve, que já havia emprestado Gabriel Pires. A rivalidade com o Getafe será também um condimento para esta temporada, visto que é a primeira vez que ambos as formações jogam o principal escalão do futebol espanhol.

 

Levante

O campeão da Adelante da época passada quererá fugir rapidamente à zona dos lanternas vermelhas para fazer uma época descansada neste regresso aos escalão principal. No entanto, as más notícias não tardaram a chegar. Ainda na pré-temporada souberam que o seu goleador, Roger Matri, teria que parar 6 meses devido a uma lesão séria no joelho. Posto isto, arranjar forma de colmatar esta perda será o grande desafio que se coloca a Juan Muniz, técnico do emblema valenciano.

 

Málaga

Pode ser um ano com alguma turbulência no Sul de Espanha. Muitas saídas de grande nome podem causar dificuldades ao clube. Ignacio Camacho, Carlos Kameni, Sandro Ramirez, Pablo Fornals, entre outros, serão jogadores muito difíceis de substituir e adivinha-se uma tarefa bem complicada para Michel no La Rosaleda. É em Borja Baston e em Paul Baysse, antigo capitão do Nice, que os adeptos do clube depositam as esperanças numa época que, pelo menos, repita os níveis da anterior.

 

Real Sociedad

Já depois de ter conseguido a qualificação para a Liga Europa na época passada, a Real Sociedade aponta ainda para algo de maior esta temporada. As soluções de ataque já eram bastante boas e ainda melhoraram com as adições de Janujaz e Diego Llorente, necessárias já que a equipa vai entrar em três frentes. A saída de Yuri Berchiche para o PSG será colmatada com o regresso de lesão de Agirretxe. Há ainda a noticiar as permanências de Inigo Martinez, que vinha sendo muito cobiçado pelo Barcelona e do guarda-redes Geronimo Rulli, que esteve com um pé no Nápoles. Os muitos produtos da formação tentarão também ajudar o emblema a lutar por uma época bem conseguida.

 

Real Madrid

Por esta altura é difícil encontrar quem não considere que este Real é a melhor equipa da liga e que se sagrará vencedor da competição. Com uma equipa completa em praticamente todos os pontos, tentará continuar a hegemonia a que se tem proposto. Neste seguimento, virou-se para a renovação com reforços jovens carregados de potencial de futuro, para encaixar nas posições mais necessitadas. Vallejo, Ceballos e Theo Hérnandez darão ainda mais profundidade e qualidade a um plantel que se propõe a vencer tudo o que joga.

 

Sevilha

Na Andaluzia, as mudanças no corpo técnico não devem reflectir alterações muito significativas no jogo jogado. Sampaoli saiu para tomar conta da seleção argentina e Eduardo Berizzo foi uma solução quase natural para o substituir no cargo. O legado deixado por Monchi a nível de contratações parece ter feito boa escola e, apesar da saída do histórico diretor desportivo para a Roma, os andaluzes conseguiram reforçar-se com muita qualidade. Nomes como Nolito, Jesus Navas, Luís Muriel e Ever Banega vão estar ao serviço de Berizzo e adivinha-se uma nova época a lutar pelo altos voos.

 

Valência

Adivinha-se mais um ano como os últimos – na corda bamba entre voar alto ou cair em queda livre. Depois de muitos anos de gastos desmesurados, esta temporada o Valência tentou virar-se para os bons negócios, apesar das muitas saídas a registar. O acordo permanente com Zaza, a chegada por empréstimo de Gonçalo Guedes dão o mote para esta época, em que os ché querem quebrar o enguiço de terem ficado em 12º. A equipa, que conta com a média de idades mais baixa da liga, viu sair uma das figuras: João Cancelo está a caminho do Inter. No banco, estará Marcelino Garcia Toral, que já conseguiu devolver o Villarreal aos altos voos e tentará agora replicar o feito, mas com maior exigência que estão num nível diferente e já com um historial de treinadores falhados bem longo. A paciência começa a esgotar-se para os adeptos mas é improvável ver um Valência a terminar na parte superior da tabela.

 

Villarreal

O Submarino amarelo foi uma das defesas menos batidas e será novamente esse o mote que Fran Escribá quererá usar para esta nova temporada. A campanha da época passada foi impressionante, terminando em 5º, e esta temporada os adeptos voltam a colocar a fasquia a esse nível. Ainda chegou Carlos Bacca, que se juntará a Bakambu na frente e Semedo entrou para suplantar a saída de Musacchio. Tudo somado, mais uma vez pode lutar por um lugar na Liga dos Campeões.

Foto: Goal
Foto-Real-Sociedad_Goal_com.jpg?fit=1024%2C576&ssl=1
Bruno DiasDezembro 14, 20169min0

Com quase meio campeonato disputado, a Real Sociedad apresenta-se como uma das equipas mais entusiasmantes e imprevisíveis da La Liga. Entre o futebol positivo que apresentam, e a irregularidade que os caracteriza, é difícil prever qual a posição que ocuparão no final da temporada. Mas até lá, serão uma equipa que vale a pena acompanhar.

Ao fim de 15 jornadas, a Real Sociedad ocupa a 5ª posição da La Liga, com 26 pontos, pontuação que partilha com o Villarreal, que se encontra no 4º lugar, uma posição que dá acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Classificação bastante positiva nesta altura da temporada, que corresponde plenamente àquelas que seriam as ambições de todos os adeptos no início da temporada, e que passam pelo regresso da Real às competições europeias.

Após um início titubeante na La Liga, com uma derrota por 3-0 em casa frente ao Real Madrid e com apenas 7 pontos em 6 jornadas, a Real estabilizou e arrancou para as posições cimeiras da tabela. 5 vitórias nas 6 jornadas seguintes – incluindo uma vitória por 2-0, no Anoeta (a “casa” da Real, autêntica “fortaleza” que dificulta, e muito, a vida a qualquer adversário), frente ao Atlético Madrid – colocaram os “Txuri-urdin” (alcunha de origem basca, que se refere às cores utilizadas pelo clube: o branco e o azul) em lugares europeus. Dois períodos de jogos marcadamente distintos, que caracterizam o rendimento de uma equipa que consegue atingir o brilhantismo e a mediocridade quase com igual facilidade.

E as três últimas jornadas são o reflexo perfeito disso: em casa, frente ao Barcelona, a Real Sociedad fez a melhor exibição da temporada, e saiu do jogo com um 1-1 que soube, claramente, a pouco, face à superioridade demonstrada em campo (e que até poderia estar manifestada no resultado final, não fosse a equipa de arbitragem ter anulado, indevidamente, aquele que seria o 2-1, a Carlos Vela). Na jornada seguinte, no Riazor, estádio do Deportivo, a Real saiu vergada a uma pesada derrota por 5-1, num jogo inteiramente dominado pela equipa da Corunha. Cinco dias volvidos, e vitória por 3-2 frente ao Valencia, no Anoeta, num jogo dominado pela equipa da casa e que até poderia ter tido outra dimensão, se a eficácia na finalização tivesse sido outra. Uma imprevisibilidade de rendimento que, embora possa custar caro, a longo prazo, confere interesse a qualquer jogo desta equipa.

Eusebio Sacristán é o “timoneiro” da formação basca [Foto: elrincondelareal.com]

O futebol da Real

A qualidade de jogo apresentada pela Real Sociedad é um dos principais motivos – se não mesmo o principal – pelos quais vale a pena ocupar 90 minutos da vida a vê-los jogar. São treinados por Eusebio Sacristán, técnico de 52 anos que fez parte da lendária “Dream Team” do Barcelona, comandada pelo mítico Johan Cruyff, e que passou praticamente 15 anos no clube, como jogador e treinador. Não é, portanto, uma surpresa constatar que Eusebio tem no sangue a filosofia catalã, baseada na posse de bola e na utilização da mesma como instrumento para dominar o jogo e alcançar a supremacia sobre qualquer adversário.

É essa ideologia que ele procura reproduzir nesta Real. Normalmente em 4x3x3 (que, ocasionalmente, pode variar para um 4x2x3x1), é uma equipa que procura, sempre que possível, atacar pelo corredor central e jogar de forma apoiada, de pé para pé, em qualquer zona do terreno. Aqui, há que realçar a qualidade dada na saída de bola pelos centrais (sobretudo por Iñigo Martínez), que procuram fazê-la chegar com qualidade e pelo chão a terrenos mais adiantados, e inclusive pelo guarda-redes Rulli, que também faz da distribuição um dos seus pontos fortes. Também a utilização que a Real faz dos corredores laterais, embora seja significativa, tem apenas como objectivo o descongestionamento do corredor central e, no último terço, a utilização do cruzamento como meio de chegar ao golo, mas apenas quando existe uma presença efectiva de jogadores seus na área, que torne essa acção perigosa e realmente eficaz. Importante, aqui, a qualidade de decisão e o critério com bola exibido pelos seus laterais (Carlos Martínez ou Elustondo pela direita, Berchiche pela esquerda).

No meio-campo, a aposta recai habitualmente num trio de médios que se destacam pelo equilíbrio que conferem à equipa, através de uma boa capacidade de trabalho sem bola, e de uma qualidade de passe acima da média quando a têm. O papel de Illarramendi, Zurutuza e Xabi Prieto (o trio mais utilizado por Eusebio) é o de conferir fluidez à circulação de bola, procurando sempre o caminho mais simples para a fazer chegar ao último terço (mas tendo sempre em conta o valor da posse de bola, e o quão importante é circulá-la com segurança), sendo que possuem também grande importância na forma como a equipa reage, rapidamente, à perda da bola, e consegue pressionar de forma relativamente organizada no meio-campo adversário, complicando bastante a tarefa a equipas que pretendem sair a jogar de forma curta e apoiada. Esta estrutura apenas se altera durante o jogo, com a entrada de Canales para o jogo, um médio ofensivo bastante criativo e que possui claramente mais apetências ofensivas do que defensivas.

Já o ataque da Real Sociedad pauta-se por uma mentalidade jovem e arrojada. A partir da direita, Carlos Vela funciona como um avançado móvel e que percorre toda a frente de ataque. É o jogador mais preponderante da equipa, e é nele que os adeptos mais confiam nos momentos decisivos. O mexicano está no ponto mais alto da carreira até ao momento, e transformou-se num jogador que alia imensa qualidade a uma regularidade exibicional bastante apreciável.

Do outro lado, está a jóia da formação do clube, Mikel Oyarzabal. Com apenas 19 anos, tem um futuro muito promissor pela frente. É já internacional A espanhol, tendo feito o seu único jogo em Maio deste ano, num jogo amigável frente à Bósnia. Um extremo que representa a escola espanhola ao seu melhor nível. Apresenta qualidade com ambos os pés (embora o esquerdo seja o seu pé predominante), sente-se à vontade em espaços curtos, onde pode explanar toda a sua qualidade no drible, e possui também um entendimento do jogo digno de destaque, pela forma como encontra, com facilidade, linhas de passe que aproximam a equipa da baliza adversária. Não sendo um avançado, como Vela, é um jogador com características para poder jogar nos três corredores, e serve como um excelente complemento ao mexicano.

E depois, há o brasileiro Willian José na frente de ataque. O avançado brasileiro, de 25 anos, já tinha deixado boas indicações na temporada passada, ao apontar 9 golos em 30 jornadas pelo Las Palmas. Esta época, no entanto, finalmente “explodiu”, e tem demonstrado todo o talento que há muito lhe era reconhecido. Com 14 jogos realizados no campeonato, já igualou os mesmos 9 golos da época passada. Uma marca que lhe permite ser o actual goleador da Real, bem como um dos melhores marcadores da La Liga.

Forte fisicamente (possui uma velocidade e agilidade surpreendentes para um jogador com 1,89m), com elevada qualidade técnica e de remate fácil, Willian é a referência da Real na área e um avançado bastante completo, que oferece múltiplas soluções à equipa e cria perigo de diversas formas aos seus adversários. Apesar daquilo que a sua altura poderia indicar, é um avançado móvel. É frequente vê-lo sair da zona dos centrais, procurando participar nas fases de construção e criação da equipa. No fundo, Willian é o sucessor perfeito de Jonathas, goleador da Real na época passada, que foi transferido para a Rússia (para o Rubin Kazan), e jogador que partilha muitas das suas características.

Willian José tem sido uma das principais referências da Real nesta temporada [Foto: skysports.com]

Destaque: Iñigo Martínez

Apesar de existirem equipas com orçamentos significativamente superiores na La Liga, e com todas as condições para conseguir ter nas suas fileiras os melhores jogadores do campeonato, é na Real Sociedad que mora um dos melhores centrais a actuar em Espanha na actualidade.

Internacional A pela selecção espanhola (3 jogos realizados, tendo-se estreado num jogo amigável frente ao Equador, em Agosto de 2013), Iñigo Martínez é um jogador que se destaca, não só pelas qualidades associadas naturalmente a um central – como a capacidade de desarme ou a competência em aspectos como o jogo aéreo ou o sentido posicional –, mas sobretudo pela panóplia de opções que possui quando tem a bola em seu poder. Dono de uma qualidade de passe soberba, tanto curto como longo, com uma visão de jogo invulgar para um central e com uma qualidade técnica acima de qualquer suspeita, em todas as acções, Iñigo é o esteio da defesa da Real, e um dos pilares da equipa.

Com 25 anos (faz 26 em Maio), está na altura perfeita para “dar o salto” e demonstrar todo o seu valor num clube de outra dimensão, pois possui a qualidade necessária para o fazer. Mas tendo renovado recentemente com a Real Sociedad (em Abril do presente ano), e sendo um dos jogadores mais acarinhados (a Real é o único clube que conheceu na carreira, e aquele onde já conta praticamente com 200 jogos oficiais) e valorizados do plantel, é de esperar que os interessados sejam obrigados a “abrir os cordões à bolsa” para o retirar da formação basca. Mas ele valerá, certamente, esse esforço.

Seja pelos jogadores talentosos que alberga, pelo futebol positivo que pratica ou simplesmente por empatia com o clube, acompanhar os jogos da Real Sociedad é uma experiência que vale o tempo investido. Apesar da sua irregularidade, a equipa basca promete estar na luta pelos lugares europeus até final, numa La Liga que esta época se apresenta recheada de equipas talentosas e tacticamente interessantes.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS