Ricardo Lopes, Author at Fair Play

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Ricardo LopesJaneiro 17, 20235min0

Para completar este G3 do futebol brasileiro teremos de refletir sobre o Atlético Mineiro. Como conseguiu chegar ao topo do futebol brasileiro sem ter tantos adeptos como Flamengo ou Palmeiras? Pela boa gestão do investimento realizado. O Galo beneficia de um grupo de empresários que investe no clube e trata da administração, denominado 4R’s (Rafael Menin, Ricardo Guimarães, Renato Salvador e Rubens Menin), que conseguiu montar um projeto para levar o seu clube à glória (esse projeto tem a estimativa de terminar em 2026, com o clube a sustentar-se sozinho).

Foram contratados elementos como Guilherme Arana, Everson, Allan, Zaracho, Pedrinho, Hulk, Paulinho, Sasha entre muitos outros, nos últimos anos. Este começo de nova época tem sido mais movimentado devido à desilusão que existiu em 2022, conseguindo somente o sétimo lugar. Sem a entrada de capital, seria impossível em pouco tempo montar um elenco de tanta qualidade. Cuca conseguiu conquistar um Brasileirão, mas o seu regresso foi uma desilusão (tal como o trabalho de António Mohamed), cabendo a Eduardo Coudet gerir este plantel de estrelas e levá-los ao título. Em termos de técnico as três equipas estão extremamente bem servidas. A acrescentar à boa equipa técnica e ao elenco estrelado, o nascimento da Arena MRV é outra vantagem do Galo, tendo o estádio mais moderno de toda a América do Sul.

Flamengo, Atlético Mineiro e Palmeiras têm bem definidas as ideias a curto e longo prazo, com uma estrutura montada para o sucesso e uma expansão de respetivas marcas ao nível global. Antes era uma raridade ver elementos jovens ou na flor da idade a regressarem ao Brasil, movimentos que Paulinho e Gerson realizaram recentemente. Também era pouco provável que promessas de outros países rumassem ao Brasileirão em vez de assinarem por equipas europeias, como no caso de Zaracho ou “Flaco” López. Com estas equipas a mostrarem outra pujança financeira e capacidade de vencer títulos, mais promessas e bons jogadores vão querer assinar por elas. Na atualidade, são perfeitamente capazes de rivalizar com as equipas portuguesas dentro do mercado de transferências. Se o restante do G12 e outras equipas apresentar esta capacidade, rapidamente o Brasileirão tornar-se-á imponente fora da América do Sul, onde já domina com facilidade.

Os três protagonistas da Série A, preveem-se como os principais candidatos da Libertadores, isto se não se defrontarem em fases iniciais, longe da final. Com a crise do futebol argentino (muito justificada pela má estrutura da Liga), a possibilidade de termos quatro semi-finalistas brasileiros não é assim tão descabida, dando-se enfase aos melhor organizados.

Podemos esperar mais movimentos de jogadores em todas as equipas até ao começo do Brasileirão 2023, porém é factual que esta época terá estes três protagonistas. Como se pode desfazer o fosso entre elas e as demais? As SAF apresentam ser uma das soluções. Se um clube criar uma SAF, permitirá que algum investidor/grupo empresarial compre uma grande parcela, levando à entrada de capital e a uma gestão mais profissional, geralmente.

No entanto, tudo o que temos visto são projetos para funcionar a longo prazo e que em 2023 não vão estar envolvidos (salvo exista alguma surpresa) na luta pelo título. Os três clubes a destacar, que estão nesta situação, são o Cruzeiro, o Botafogo e o EC Bahia. Os dois primeiros já tinham criado SAF na temporada passada, tendo Ronaldo Nazário e John Textor trabalhado nos seus projetos em 2022, fazendo crescer as respetivas marcas. O primeiro conseguiu a subida da Raposa para a Série A com relativa facilidade, o segundo montou um elenco para crescer dentro do Brasileirão, atingindo a qualificação para a Sul Americana. Não verificámos em nenhum destes clubes a chegada de enormes craques em somente um ou dois períodos de mercado, já que querem realizar um crescimento sustentado e consciente.

O Bahia entrou no City Group no final de 2022, porém o caminho a seguir aparenta ser semelhante ao de Cruzeiro e Botafogo: contratações pensadas para o crescimento e aposta na formação. Notar que dois destes três projetos têm em portugueses os treinadores: Luís de Castro no Botafogo, Renato Paiva no Bahia (Paolo Pezzolano, uruguaio, está na liderança de Cruzeiro). Menção honrosa para o projeto da 777 com o Vasco da Gama, criado igualmente para arrancar em 2023 e a afirmação total do RB Bragantino.

O futuro do futebol brasileiro aparentam ser as SAF’S (o próprio Atlético Mineiro está a ser “seduzido” para criar a sua, com interessados já à vista) e os investidores, de modo a que futuros anos não sejam semelhantes ao que está a acontecer desde 2020, com três equipas a ganhar uma enorme vantagem e ficando com todo o mérito desportivo. Para já, a expressão G3 faz cada vez mais sentido, resta saber se ficará na História.


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