Arquivo de Pizzi - Fair Play

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Bruno Costa JesuínoAbril 13, 20207min0

Ainda faltam algumas jornadas para o fim do campeonato. logo o que poderia acontece poderia mudar a nossa percepção sobre esta lista de nomes. No entanto, mesmo assim, 80% destes nomes serão consensuais. Ou não. Já que estamos a falar de futebol, provavelmente onde há mais discordantes em temas que muitos concordante. Mas este seria provavelmente o melhor plantel da liga.

Um rácio entre qualidade e performance

Na maior parte das vezes estas listagens envolvem, na sua esmagadora maioria, jogadores das principais equipas do país, seja ele Portugal ou outro qualquer. No rácio entre qualidade e performance ao longo da época, o primeiro costuma-se soprepôr.

E o motivo é óbvio, as equipas são melhores porque tem os melhores jogadores e, mesmo quem se destaca em equipa de menor valia, muitas vezes tem dificuldade em assumir-se em equipas de maior valia. Existem inúmeros casos, como Paulinho e Ewerton do Portimonense que não se afirmaram no Porto, principalmente o primeiro, que um jogador bastante diferenciado que não se conseguiu impor. Nos casos de jogadores dessas equipa, vão integrar a lista dos 23 apenas que têm qualidade para estar entre os melhores e não tanto aqueles que podem vir a ter potencial para.

Na baliza, dois indiscutíveis

A defender as redes destacam-se os guarda-redes dos dois primeiros classificados. Marchesin e Odysseas tem sido indiscutíveis na equipa, o argentino mais decisivo na parte inicial da época e o grego com cada vez maior protagonismo com o decorrer da época. A inconstância na baliza do Sporting, primeiro com Renan, e agora com Max, em que o primeiro nunca convenceu, e o segundo, tem muito potencial mas ainda só promete. Matheus do Braga, Cláudio Ramos, do Tondela, e Helton Leite, do Boavista, são três nomes que lutariam por essa vaga. Pela predominância que tem na equipa e pela personalidade, o português seria a terceira escolha.

Na direita poucos se endireitam

Na lateral direita, nos três grandes, não tem havido muita consistência em nenhuma das opções. No Sporting, Ristovski nunca conveceu, e ainda menos o reforço Rosier. No Porto já por lá passaram Saravia, Mdemba, Manafá e Corona, uma adaptação mas o que mais convenceu. Aliás esta época tem sido provavelmente o jogador mais decisivo do Porto.

No Benfica, a intermitência física do capitão André Almeida, deu espaço ao canhoto Nuno Tavares e, mais tarde, ao ainda júnior, Tomás Tavares, que embora com muito potencial, tem apresentado muitas dores de crescimento. Ricardo Esgaio, pela regularidade, e Diogo Gonçalves pelas suas prestações em crescendo tanto a extremo como a lateral, têm qualidade para integrar uma das duas vagas.

Pela importância que tem tido na equipa e pelo equilíbrio que dá à equipa, as escolhas recaem em Corona e Esgaio.

Na esquerda? Fácil. Alex e Alex

Se na direita as escolhas são difíceis, na esquerda bem as escolhas são bem mais fáceis. Os dois Alex, Telles e Grimaldo, são sem dúvida os dois melhores activos em Portugal na lateral esquerda. Na época passada, melhor e mais decisivo o espanhol, mas nesta época o brasileiro tem sido, além de mais consistente, mais decisivo com as habituais assistências e até com golos. O espanhol, que não sendo muito forte a defender, viu o seu rendimento prejudicado pelas exibições da equipa, principalmente a nível defensivo. Uma menção para a boa época do bracarense Sequeira. E claro, Acuña, um dos melhores do Sporting.

Segurança de várias idades ao centro

Não será por acaso que são a dupla preferida de Fernando Santos para seleção Portuguesa. Separados por mais de uma década, ambos são a voz de liderança no centro da defesa das suas equipas. Pepe, durante muito anos na elite do futebol mundial, e Rúben Dias, um dos centrais mais promissores da sua Europa.

Sendo a experiência uma grande mais valia para esta posição, não será possível deixar de fora o sportinguista Mathieu. Além dos muito anos que tem “a virar frangos”, é provavelmente o melhor central em Portugal com a bola nos pés. Se este exercício fosse em Janeiro, a quarta vaga ficaria para ex-vimaranense Tapsoba que foi transferido para a Alemanha. Outra hipótese seria Ferro, mas o jovem central tem tido exibições pobres nos últimos tempos, com muita falhas defensivas e sem conseguir mostrar a sua capacidade em sair a jogar.

Assim entre Nehén Perez, Aderllan Santos, Coates e Marcano, a escolha recaí no primeiro. Mesmo sendo muito jovem, a sua qualidade não engana.

Para duplo-pivot defensivo

Quando falamos em médios defensivos em Portugal, Danilo é dos primeiros nomes que nos ocorrem. Mas tem sofrido muito com problemas físicos esta época. Mas não só ele, outros nomes fortes como Gabriel, no Benfica, e Battaglia, do Sporting, tem passado pelas mesmas dificuldades.

As opções no duplo-pivot do Benfica têm mudado muito, entre Florentino, entretanto mais desaparecido, o experiente Samaris, o recuperado Taraabt ou contratação Weigl. O Porto, recuperou com sucesso Sérgio Oliveira, Uribe tem perdido alguma preponderância, e mesmo Octávio tem jogado no miolo.

Para as quatro, a escolha passa por dois jogadores mais posicionais, Danilo e Palhinha, até pela vertigem ofensiva dos laterais, um mais de transição e cerebral – Gabriel -, e um mais criativo e de transporte, Taraabt. A ideia é ter um misto de características para comaltat as variantes do jogo.

Para dar asas e cérebro à equipa

O 442 tem sido um dos sistemas mais em moda no futebol actual, principalmente desde que Jorge Jesus passou pelo Benfica. Antes desse factor histórico, praticamente todas as equipas em Portugal jogavam em 433. Actualmente. nesse sistema, um dos alas, tem mais características organizador, justificando assim escolha de Pizzi e Octávio, para falsos alas. As outras duas escolhas recaem em extremos rápidos, com vertigem e fortes no 1×1, no entanto cerebrais e que procuram muito (e bem) zonas interiores, dando espaço para a subida dos laterais. Já adivinharam quem são? Marcus Edwards e Francisco Trincão, do Vitória Sport Club e do Sporting de Braga.

Luiz Diaz, é outro nome a ter em conta, dos jogadores mais imprevisíveis do nosso campeonato, um pouco na sequela do seu antecessor Brahimi. A opção recai mais nos jogadores do Braga, por serem mais constantes e terem menos oscilações exibicionais. Factor assumido pelo próprio Sérgio Conceição, que face à qualidade do jogador, terá as suas razões para muitas vezes o deixar de fora. O nome de Rafa e Ricardo Horta não foram esquecidos e já se vai perceber porquê.

Dois mais fixos, dois mais soltos

No sistema adoptado e face a quantidade e qualidade de extremos, a opção seguiu por dois jogadores mais fixos, embora com muita mobilidade e capacidade de jogar entre linhas, e dois avançados soltos, rápidos e que podem descair pelos flancos.

Vinicius, o melhor marcador do campeonato, e Paulinho, o português com mais golos a seguir a Pizzi, ficam com a principal missão de marcar golos. Mas a escolha não será só pelo balançar as redes adversárias, são dois jogadores que oferecem muito ao jogo, trabalham muito sem bola e conseguem participar e todas as fases do jogo. Outra alternativa seria Soares, mas foi ultrapassado por ser menos completo. Seferovic, Zé Luis e Sporar, que parece ter potencial, seriam outras alternativas.

Para jogar nas costas dos avançados, Rafa e Ricardo Horta. Apesar de mais habituados a jogar da linha para dentro, têm características para jogar soltos na costa de Vinicius e Paulinho, além de serem jogadores com golo. Nomes como Vietto, mais central e cerebral, e Marega, pela sua capacidade física e de explosão também foram tidos em conta.

Melhor plantel? Desafiamos a discordarem

Tal como foi referido inicialmente, para estas escolhas, foi tido em conta um rácio entre a qualidade global dos jogadores e o rendimento que têm tido esta época, e claro, há sempre um toque pessoal na escolha. Por isso, tal como em tudo no desporto-rei, é discutível, e vai haver sempre quem discorde, seja por ter uma opinião diferente, por clubite ou só porque sim.

Uma coisa é certa estes 23 dariam um melhor conjunto de jogadores que qualquer do planteis actuais da liga.  Desafio a discordar.

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Bruno Costa JesuínoOutubro 25, 20198min0

Jogar bem não garante vitórias mas… deixa-nos sempre mais perto de ganhar. Ainda nestes últimos dias, entre Taça de Portugal e competições europeias tivemos alguns exemplos disso. Se por um lado as vitórias na taça de Alverca, Sintra FC, Beira Mar sobre clubes de primeira liga, são exemplos da primeira premissa, a prestação do Vitória SC, diante do Arsenal, testemunha a segunda.

As surpresas (ou nem tanto assim) na Taça de Portugal

Cinco equipas da primeira liga eliminadas na Taça de Portugal na primeira na primeira ronda (em que estas entram) já era considerado um recorde. Até que no dia seguinte, caíram mais duas. Foram dados três exemplos acima – Alverca, Sintra e Beira Mar –  que foram jogos que consegui ver com mais cuidado. O que impressionou mais, além da qualidade colectiva, foi a atitude dessas equipas, que nunca se atemorizaram pelo poderio adversário e jogaram o jogo pelo jogo, sem ‘autocarros’, e na procura constante do golo, mesmo na forma como os jogadores se posicionavam no momento defensivo. Por isso, para quem viu os jogos, as surpresas na Taça de Portugal não o foram tanto assim.

Campeonato de Portugal mais forte ou Primeira Liga mais fraca? Eis a questão.

Esta é um questão que muito tem sido debatida. Já todos lemos, vimos e ouvimos defensores das duas opiniões. Talvez com mais interlocutores a acentuar que são as principais equipas que estão mais fracas. No entanto, antes de mais, o que importa destacar, é a forma como todas as equipas profissionais, semi-profissionais e até amadoras, trabalham cada vez melhor. Ao que se deve? Acima de tudo à qualidade do treinador português e ao nascimento de bons projectos apoiados em boas estruturas que não se limitam a pensar nos resultados a curto-prazo. Em termos gerais, a qualidade do treinador português é muito superior ao que era há 10 anos. E ainda mais do que há 20 anos. Se antigamente ser treinador era quase um (con)sequência da carreira de um ex-jogador, hoje em dia é o sonho de muitos jovens. Mais até do que ser jogador. E estudam e trabalham para ser reais mais valias, Óbvio que a isso não é alheio ao sucesso dos treinadores portugueses no estrangeiro, que são hoje em dia dos melhores entre os melhores do mundo. Campeonato de Portugal está mais forte? Sim. A Primeira Liga está mais fraca? Não. A diferença entre elas, isso sim, em alguns confrontos directos terá alguma tendência a ser diluída, pois existem menos diferenças na qualidade do trabalho.

Europa: nem todos os que jogaram bem ganharam e houve vitórias de quem não jogou bem

No que respeita às prestações portuguesas na jornada europeia, acabou por ser globalmente positiva: 3 vitórias, 1 empate e uma derrota. Mas mais que os resultados vamos fazer a relação entre qualidade exibicional e resultados.

Os que jogaram bem…

Quem jogou melhor? Sem qualquer dúvida, Sporting de Braga e Vitória Sport Clube. Um ganhou na sempre complicada deslocação à Turquia, o outro perdeu diante do tubarão e super-favorito Arsenal. Os vimaranenses entraram no Emirates Stadium, mantiveram a sua identidade e jogaram o jogo pelo jogo sem duvidar do potencial que têm demonstrado sob o comando de Ivo Vieira. Estiveram duas vezes em vantagem, não tremeram quando sofreram golos, e só a qualidade individual superlativa dos ‘gunners’, neste caso com dois golos. Yohann Pele, que custou 80 milhões, entrou e marcou dois grandes golos de livre directo. Nos três jogos o Vitória jogou e bem e merecia ter (pelo menos) pontuado em qualquer jogo desta fase de grupo. No entanto, a qualidade de jogo não resultou qualquer ponto. No caso do Braga, a equipa tem tido um registo quase imaculado na Europa, encontra-se no primeiro lugar no grupo, com sete pontos. Uma equipa personalizada que curiosamente fez seis pontos nos jogos fora (nas duas saídas mais complicadas) e empatou o jogo em casa (diante da equipa teoricamente menos favorita). Mas em qualquer dos três jogos da fase de grupos. a equipa de Sá Pinto demonstrou ser a melhor equipa equipa. Uma palavra de destaque para mais um golo de Ricardo Horta, desta vez ao Beksitas.

Ambas as equipas minhotas jogaram bem, e em qualidade de jogo têm sido, sem dúvida, os melhores representantes portugueses nas competições europeias, embora com resultados práticos diferentes.

Os que não jogaram bem…

Nem Benfica, nem Porto, nem Sporting jogaram bem. Em vários momentos do jogo até mostraram superioridade sobre o adversário, mas globalmente não fizeram assim tanto que justificasse mais que o empate. No caso dos ‘dragões’ acabaram mesmo por empatar, num jogo em casa onde eram super-favoritos diante de um Rangers que tenta recuperar o vigor de outros anos. Além de que, as equipas escocesas, mesmo nos seus melhores anos, sempre demonstram muitas dificuldades nos jogos fora de casa. Steven Gerrard, lenda do Liverpool, construiu uma equipa à sua imagem: competitiva, lutadora, pragmática, vertical… mas sem aquele ‘kick and rush’ característico durante anos em equipas britânicas. Aliás, o Rangers, pela sua forma de jogar, tentar replicar a forma de jogar do Liverpool de Klopp com aquele “gegenpressing*, embora com interpretes de qualidade bastante inferior. O avançado Alfredo Morelos, internacional colombiano, será provavelmente a unidade de maior valor.

*combinação da palavra alemã gegen (contra) com a inglesa pressing (pressionar) – que está alojada a alma das equipas de Jürgen Klopp. Simplificando o conceito, gegenpressing é a capacidade para exercer uma pressão alta sobre o adversário, imediatamente a seguir ao momento da perda de bola, para não o deixar sair a jogar.

O Porto, depois da derrota na Holanda, acreditava-se que iria com tudo para cima do Rangers, mas só nos últimos minutos conseguiu encostar os escoceses lá atrás. Se bem que, mesmo assim, iam conseguindo espreitar algumas situações de contra ataque. A melhor unidade em cada um dos conjuntos foi colombiana, e não só pelos golos, com Luis Diaz, a ser o maior destaque entre os ‘dragões’, mesmo tendo sido substituído aos 63 minutos(!)

Em crise de resultados e exibições, o Rosenborg seria o adversário ideal para o Sporting inverter o ciclo, e voltar a ganhar a confiança com uma vitória e um boa exibição. Cumpriu metade. Faltou jogar bem. Não deixando de ser a equipa que mais procurou o golo, abusou muito em cruzamentos para a área dos noruegueses. Além de estes já serem mais fortes no jogo aéreo, muitos desses cruzamentos eram feitos sem grande critério e com o Sporting em manifesta inferioridade numérica. Ironia (ou não), o golo da vitória acabou por sair através de… um cruzamento.

Por todos os motivos e mais alguns, era fundamental os leões ganharam em casa, na recepção à equipa mais frágil do grupo. Mesmo sem jogar bem, agora com 6 pontos em 2 jogos, o Sporting está bem dentro da luta pela qualificação.

Por fim, o Benfica. Depois de meia época de sonho, Bruno Lage tem tido dificuldade em estabilizar a equipa, seja pela saída de Félix, pelas consecutivas lesões, ou pela incapacidade de reinventar novas solução. A juntar a isso, a aura negativa que se tem abatido sobre os encarnados na maior competição de clubes. Depois de duas derrotas… em dois jogos, no segundo jogo em casa era imperial vencer, porque mesmo o empate iria sempre saber a pouco e comprometer ainda mais o futuro da equipa na Europa. A equipa entrou muito bem, com Rafa ao centro, a dar um grande dinamismo nas transições, inaugurando inclusive o marcador. Pouco depois saiu lesionado e o Benfica ressentiu-se, sendo mesmo assim globalmente superior ao Lyon na primeira parte. No entanto, tudo mudou na etapa complementar, mesmo sem os franceses criarem muitas situações de golo, os encarnados foram recuando e deixando de criar ocasiões de perigo (durante mais de 30 minutos). Após o golo do Lyon, o Benfica lá conseguiu reagir. Pizzi (entrou para o lugar de Rafa), que estava a ter uma exibição apagada, em 3 minutos atirou um poste e aproveitou um erro do guarda redes do Lyon, para marcar um golo do meio do meio campo. No jogo em que o resultado mais justo seria o empate, valeu mais o resultado que a exibição.

Com os resultados desta semana europeia Portugal conseguiu ultrapassar a Rússia no ranking, objectivo fundamental para voltar a poder ter três equipas portuguesas na Liga dos Campeões. Por isso venha de lá essa qualidade exibicional… pois estaremos sempre mais perto da vitória.


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