Arquivo de Nuno Espírito Santo - Fair Play

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Diogo AlvesMaio 29, 201714min0

Mais uma época se passou, e, volvido mais um ano o balanço feito para os Dragões continua a ser pouco positivo. Nova época sem conquistas que marca o fim da uma hegemonia portista que durava há mais de 30 anos.

“É um momento de grande emoção, de enorme prazer e é uma honra estar aqui e sentir que fui a pessoa em que o FC Porto confiou para ser treinador para a próxima temporada. Creio que não é o momento de promessas, mas de garantias. Sou uma pessoa que segue as suas convicções e que tem uma convicção absurda de que podemos ganhar sempre. Garanto à nação portista que com trabalho e união vamos conseguir o que todos pretendemos, que é ganhar”.

Estas foram as primeiras palavras de Nuno Espírito Santo há sensivelmente um ano no relvado do Dragão aquando da sua apresentação como treinador-principal dos azuis e brancos. Palavras fortes, ambiciosas e de esperança dirigidas a toda a nação portista que ouvia atentamente o novo timoneiro. O homem que há uns anos, numa célebre conferência de imprensa, foi autor da palavra “Somos Porto” que hoje vulgarmente é utilizada. Esperava-se o regresso da mística e de alguém que coloca-se o clube na rota dos títulos.

Nuno Espírito Santo recebeu em mãos um plantel com algumas lacunas – não tantas como se quis passar – a nível defensivo, e, sem um avançado de créditos firmados, alguém com maior maturidade competitiva. Houve também casos estranhos como o “vende, não vende” de Yacine Brahimi, o afastamento e logo depois a reintegração de Adrián Lopez. Houve também a aposta numa fase inicial da pré-época em Vincent Aboubakar, Juanfer Quintero e Josué, mas, que na hora da verdade acabaram dispensados. Sentia-se a necessidade de ir ao mercado contratar mais um defesa-central e um avançado para competir com André Silva.

O plantel foi emagrecendo mas ainda assim foram ficando algumas “gorduras” como Evandro, Sérgio Oliveira e Adrián Lopez (que numa fase ainda chegou a ser aposta) as quais só foram resolvidas pelo novo director-geral Luís Gonçalves no mercado de inverno.

INVESTIMENTO DEFENSIVO

Os reforços foram chegando a conta-gotas e só mesmo no dia 31 de Agosto já pela noite dentro o plantel ficou completo com a entrada de Boly. O defesa-central que faltava para ser alternativa a Felipe e Marcano.

O investimento desta época foi todo canalizado para o reforço defensivo, o sector que na época de 2015/2016 mais críticas recebeu. Da época passada manteve-se Layún, Maxi e somente um defesa-central, o espanhol Iván Marcano.

Um dos grandes louros de NES esteve na forma como conseguiu montar muito bem a sua teia defensiva durante toda a época. Além do quarteto defensivo conseguiu ainda potencializar ao máximo Iker Casillas e o médio-defensivo Danilo Pereira. Estes seis jogadores foram fundamentais na temporada e só mesmo lesões ou castigos os afastaram das escolhas iniciais.

O FC Porto terminou a época com menos onze golos sofridos em relação à época passada, desta vez sofreu apenas 19 golos e foi durante largas jornadas a melhor defesa do campeonato, e, também da Europa. É factual que em termos defensivos o trabalho do timoneiro azul e branco foi meritório.

MARASMO OFENSIVO

Se do ponto de vista defensivo a época esteve dentro das expectativas – até mais tendo em conta os números da época passada -, do ponto de vista ofensivo a época não foi um regalo para a vista. Apesar de os números – por mais incrível que pareça – nos dizerem exactamente o contrário. Foram 72 golos marcados – menos um que o campeão nacional Benfica.

As equipas de Nuno Espírito Santo nunca foram conhecidas por terem uma grande organização ofensiva, de resto nas épocas do Rio Ave os vila-condenses eram conhecidos por ganhar mais pontos fora de casa do que em casa. Não gostam de assumir o jogo as equipas do (agora) ex-treinador do FC Porto. E isso como se sabe é um contra-senso muito grande quando pensamos que os dragões têm de assumir o jogo e manipular o adversário através da posse de bola.

As ideias ofensivas foram sempre muito viradas para o lado mais individual e menos colectiva do grupo. Viveu sempre das referências individuais. Numa primeira fase da época graças à afirmação de André Silva na frente de ataque e na criatividade de Otávio. Mais tarde coube a Yacine Brahimi tomar conta da batuta ofensiva.

O avançado para competir com André Silva só chegou em Janeiro, talvez já tarde demais, uma vez que, a primeira opção passou por Laurent Depoitre, um avançado belga totalmente desconhecido do público em geral e até do presidente.

Ainda hoje está-se para perceber as razões que levaram o FC Porto a comprar o “pinheiro” Belga ao Gent por uma módica quantia de 6,5M€. Ainda assim conseguiu ser decisivo contra o Desportivo de Chaves numa altura do jogo que o FC Porto perdia por 1-0, foi o belga que empatou o jogo e ajudou na reviravolta.

O OXIGÉNIO VINDO DA FORMAÇÃO

O momento marcante da temporada teve como protagonista um Sub-19. Rui Pedro de apenas 18 anos. O inexperiente avançado foi uma carta lançado numa altura em que os dragões atravessavam a maior seca de vitórias da época. Eram seis jogos sem vencer, entre Liga NOS, Liga dos Campeões e restantes competições internas.

O jogo com o SC Braga foi o ponto de viragem, e, quando já se esperava pelo sétimo empate consecutivo, um passe de Diogo Jota isolou o jovem de Cinfães e este “só” teve de picar a bola – cheio de classe – sobre Marafona.

Este jogo marcou um ponto de ruptura com os seis jogos que ficaram para trás e deram ao timoneiro e ao clube um balão de oxigénio para atacar as jornadas que faltavam até à pausa natalícia. As exibições foram melhores, houve afirmação definitiva de Brahimi, melhoraram os resultados e houve uma aproximação clara ao líder do campeonato.

[Foto: maisfutebol.iol.pt]

DA AFIRMAÇÃO AO ESQUECIMENTO

André Silva prometeu e cumpriu. O jovem gondomarense na época passada deixou boas sensações quando foi chamado à equipa principal pela mão de José Peseiro. O avançado teve um arranque de época muito bom, e, como qualquer avançado que se preze, conseguiu fazer o gosto ao pé por várias vezes. A afirmação foi imediata e rapidamente conseguiu a chamada à selecção principal.

No decorrer da época o rendimento foi sendo inconstante, apesar dos bons sinais demonstrados no início da mesma, o rendimento colectivo acabou por prejudicar o individual de André Silva. E como os golos não apareciam as culpas foram começando a ser colocadas em André Silva.

Como aqui já analisamos as tarefas do artilheiro-mor (antes de Soares) dentro de campo eram, por vezes, algo exageradas para aquelas que um ‘9’ deve ter em campo. Não raras vezes desgastava-se com acções que em nada o ajudavam para ter frescura naquilo que é mais forte: a finalização. Um problema de impetuosidade e de excesso de tarefas dadas por Nuno Espírito Santo.

A época do internacional A foi de mais a menos, e, depois de experiência como extremo-direito acabou mesmo por cair do onze portista. A chegada de Tiquinho Soares acabou por relegar para segundo plano a jóia do Dragão. Um término de época bastante abaixo do que seria de esperar. Ainda assim para época de estreia foram 21 golos em 44 jogos.

O DESCARRILAMENTO DO COMBOIO

[Foto: sicnoticias.sapo.pt]

A máquina azul e branca a determinado momento pareceu ter entrado nos eixos, e, após o empate na Mata Real, na 16ª jornada, os azuis e brancos puseram pés a caminho e melhoraram de forma exponencial os seus resultados. Foram nove vitórias em nove jogos consecutivos.

Neste iate de tempo houve a chegada de Tiquinho Soares que ajudou bastante ao óptimo momento de forma do FC Porto. Dava boas sensações o momento que se vivia no Dragão e tudo parecia estar a conjugar-se para que houvesse um final feliz. Vitórias em catadupa, entre as quais uma por 7-0 ao Nacional da Madeira no reduto azul e branco.

O comboio do Dragão ia a uma velocidade elevada e parecia chegar a bom porto, no entanto, tudo começou a desmoronar-se em casa contra o Vitória FC em vésperas da ida ao Estádio da Luz. Um empate que acabou por tirar a oportunidade aos dragões de assaltarem a liderança da Liga NOS.

Os empates após a jornada 26 voltaram em força e as boas sensações voltaram a dar lugar à incerteza e ao desespero entre adeptos, e, também deu sinais de chegar aos jogadores. As exibições eram más e os resultados por arrasto também o eram.

Voltou o fantasma da (in)eficácia. Já nem Tiquinho Soares conseguiu salvar a honra do Dragão, sobretudo desde que sentiu ser o artilheiro-mor do Dragão, o rendimento do brasileiro, que chegou em Janeiro vindo do Vitória SC, baixou jogo após jogo, já não era o mesmo. Nem ele, nem o mesmo grupo que tinha conseguido nove vitórias em nove possíveis. Um descarrilamento há muito anunciado na recta final da Liga NOS.

FALTA DE EXPERIÊNCIA OU DE MAIOR OUSADIA?

Nuno mostrou sempre ser um treinador conservador. [Foto: DN.pt]

É factual que o plantel azul e branco é jovem e faltou alguma ponta de maior maturidade e/ou experiência em momentos decisivos da época. Como foi a deslocação à Luz e os jogos em que, uma vitória poderia levar os portistas para a liderança isolada do torneio.

Nos momentos de maior tensão / pressão não houve discernimento suficiente. E em muitos momentos sentiu-se a falta de ousadia do timoneiro. Na forma pausada como abordava os jogos nas conferências de imprensa (não passava mensagens fortes para o exterior e interior), e nas escolhas técnicas e tácticas que foi fazendo ao longo do tempo.

O conservadorismo esteve sempre presente e, inclusive, na última jornada do campeonato, sem nada a ganhar ou perder, esse conservadorismo não deixou de existir. Em momentos oportunos não houve maior ousadia, assumir o risco e procurar somar mais alguma coisa ao jogo que não faço o previsível, o lado mais seguro.

Um problema que parece já ser intrínseco de Nuno Espírito Santo, um modo de estar dentro do futebol. Muito seguro, muito equilibrado e sem fugir muito a esse padrão da segurança máxima. Prepara o jogo com um objectivo muito claro: não o perder. Falta dar o passo seguinte, assumir mais o jogo e preparar os jogos para vencer, sem ter em mente que um ponto pode ser suficiente. Sobretudo quando estamos a falar de um clube como o FC Porto.

RESTANTES COMPETIÇÕES

A época do Futebol Clube do Porto começou com um teste de fogo, o jogo com a AS Roma a contar para o Play-Off da Liga dos Campeões. Um jogo de máxima importância até para as contas do clube que procurava o encaixe financeiro para atacar ainda o mercado, e, com isso atrair ainda mais 2/3 jogadores. Foi que aconteceu, chegou Óliver Torres, Diogo Jota e Boly.

Uma eliminatória de risco, mas de uma certeza inicial, passar este teste era uma demonstração de força. Melhor o jogo em Roma que no Dragão, logo a começar pelo resultado, como é óbvio, mas também, muito pela qualidade exibicional. Algo atípico em Roma, com duas expulsões para os romanos, num jogo que culminou com uma vitória sem espinhas por 3-0.

A carreira europeia foi inconstante e chegou a correr riscos. Num grupo extremamente insólito com Leicester, Copenhaga e Brugge, a decisão final ficou guardada para a última jornada onde os dragões conseguiram o 2º lugar com uma vitória esmagadora de 5-0 sobre o Leicester. Chegados aos oitavos de final e defrontado a Juventus era impossível pedir mais. Em suma, cumpriram com os objectivos estabelecidos. Chegar à fase de grupos e depois aos oitavos de final.

Nas Taças internas, os dragões não fizeram boa figura. Em ambas foi eliminado por muito cedo, na Taça de Portugal caíram em Chaves, num jogo muito polémico. E na Taça da Liga ficaram-se pela fase de grupos da prova. Um desempenho muito pobre, sobretudo na Taça de Portugal.

QUE FUTURO PARA O FC PORTO?

Qual será o projecto que Jorge Nuno Pinto da Costa apresentará ao novo treinador? [Foto: rr.sapo.pt]

O futuro não avizinha-se risonho, muito pelo contrário, há a necessidade de fazer urgentemente receitas a rondas os 115M€ para escapar a uma multa pesada da UEFA por incumprimento do Fair-Play Financeiro.

Novamente o timoneiro cai, o elo mais fraco é sempre o treinador e o caminho mais fácil é o de rescindir contrato com o mesmo. Ainda que, de certa forma, era já anunciado que NES pudesse sair do clube, por todas as razões. Resultados, falta de títulos e um futebol triste, pobre e que definitivamente não se coaduna com o Porto.

Ainda sem novo treinador, a resposta urge e tem de marcar pela diferença. Os adeptos já começam a desconfiar da capacidade de decisão da actual SAD, a resposta dos mesmos terá de ser afirmativa e audaz.

A massa associativa chama por alguém que marque pela diferença e com um passado de sucesso, ideias fortes, mas também, um modelo de jogo ofensivo, alguém que tecnicamente e tacticamente seja superlativamente superior aos antecessores. Um discurso forte e cativante e um bom condutor de homens, alguém que saiba liderar e potencializar todas as unidades do plantel.

DISTINÇÕES FAIR-PLAY

Jogador do Ano: Danilo Pereira

Revelação do Ano: Alex Telles

Desilusão do Ano: Miguel Layún

Melhor Guarda-Redes: Iker Casillas

Melhor Defesa: Iván Marcano

Melhor Médio: Danilo Pereira

Melhor Avançado: Francisco Soares

GOLO DO ANO

DEFESA DO ANO

ONZE DO ANO

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Diogo AlvesAbril 27, 20176min0

A crise dos golos parece ter regressado ao Reino do Dragão, um filme já visto há cinco meses atrás, e, que, aqui já o tínhamos avisado. A culpa é da “eficácia” ou do “processo”? Questionávamos na altura. Cinco meses volvidos e os problemas do FC Porto continuam bem visíveis a todos.

Faltam 4 “finais” para o final da época e os dragões continuam atrás do Benfica, agora a 3 pontos de distância, já foi de apenas 1 ponto, e, em determinado momento houve a oportunidade para realizar uma ultrapassagem ao actual campeão nacional. Os pupilos de Nuno falharam os dois rounds que tiveram para serem líderes da Liga NOS e ainda permitiram que o tri-campeão nacional aumentasse a distância pontual. Fica no ar a ideia de que falta estofo de campeão ao grupo azul e branco. A idade jovem não pode ser usada como desculpa para tudo, quem chega à casa do Dragão sabe que vem para lutar por títulos e jogar debaixo de uma enorme pressão.

O timoneiro azul e branco tem culpas no cartório, o antigo guardião de Deportivo da Corunha e FC Porto continua a acumular erros na forma como monta o onze inicial de jogo para jogo, e, apesar de continuar a falar num processo em evolução, a verdade é que vemos um Porto com um modelo de jogo descontextualizado para a sua realidade, sem evolução e sem ferramentas que ajudem a potencializar jogadores como Óliver, André Silva, Corona e até Brahimi.

O FC Porto vai vivendo imenso das acções individuais para sustentar o seu jogar. Em todos os momentos os dragões vivem muito da qualidade dos executantes e não da qualidade colectiva.

Defensivamente foi montada uma fortaleza e é um dos momentos de jogo – a organização defensiva – que mais vezes foi elogiada pela crítica. Numa análise quantitativa vemos que o Porto melhorou de uma forma superlativa de uma época para a outra, nem há comparação possível com os 39 golos encaixados na época passada por Casillas.

Esta época os dragões são a melhor defesa da Liga NOS – apenas 14 golos sofridos – e uma das melhores dos principais campeonatos. Numa análise mais qualitativa já vemos que, muito do mérito defensivo parte de um conjunto de individualidades que estão ao dispor do clube. Neste caso, Felipe, Marcano e Danilo. Este trio tem sido fundamental. Também Casillas com as suas magníficas defesas tem ajudado – e de que maneira – a manter as balizas da Invicta invioláveis. Assim como na organização ofensiva também na fase defensiva os azuis e brancos apoiam o seu processo num conjunto de acções individualizadas e não em mecanismos e dinâmicas colectivas.

Sem ideias e sem critério…

[Foto: www.fcportonosjornais.blogspot.pt] Com Brahimi o rendimento de todos melhorou bastante.

Sem Brahimi o FC Porto empobrece bastante na fase mais decisiva do terreno, a magia do astro argelino é fundamental para rasgar as defesas contrárias, inventar, procurar espaços e servir em condições os avançados residentes. A expulsão diante do Braga fez disparar os alarmes do Dragão, ainda por cima com Corona – de novo – lesionado os portistas diante do Feirense viram-se privados dos dois maiores artistas.

Com o Feirense notou-se todas as dificuldades que a equipa tem mostrado nos últimos tempos. Sem criatividade, ideias e critério. Basearam o seu jogo na procura incessante dos corredores laterais – sobretudo Alex Telles – e apostaram em chegar ao golo através de cruzamentos para a área. Caótica e aleatória a forma como iam chegando à baliza do Feirense. Confiavam no lado mais imprevisível do jogo, uma bola pelo ar, um canto ou um livre.

A dupla que não é dupla

[Foto: www.11tegen11.net]

Com ajuda deste mapa de redes-sociais que vão acontecendo ao longo do jogo, é possível ver que André Silva e Soares não comunicam (através de passes) entre si. Uma dupla de avançados tem de viver em sintonia, criar as suas dinâmicas (sem fugir ao padrão colectivo) e ajudar-se entre si.

Os dois avançados jogam longe um do outro, quase não convivem dentro da área do adversário. André Silva desloca-se para o corredor direito e Soares cai muitas vezes no corredor esquerdo. Ambos vivem melhor dentro da área, mas por algum motivo, que só Nuno saberá, os dois têm jogado em zonas exteriores.

Em contra-relógio até ao fim

Um dos passos que terá de ser dado para os quatro jogos que faltam é voltar a associar os dois avançados. Voltar a criar mini sociedades entre jogadores para conseguirem resolver os problemas que irão encontrar em Chaves, na Madeira, com o Paços de Ferreira em casa e com o Moreirense.

Esteticamente já não veremos nada demais nestes próximos jogos, o tempo é pouco para grandes inovações e agora o que realmente importa são os três pontos. O técnico azul e branco e o seu staff terão de tentar pelo menos criar alguns mecanismos e dinâmicas simples para que os criativos como Óliver, Corona e Brahimi consigam impor a sua magia em campo. Deixar de lado a nuance de André Silva no corredor, exterminar com os movimentos exteriores de Soares e focá-lo para estar no seu habitat que é a grande área do adversário. Permitir que haja mais corredor central e um jogo mais metódico em busca do golo e não querer chegar ao golo através da garra, da aleatoriedade e do lado mais caótico do jogo.

O tempo corre contra Nuno e os seus pupilos, mas já vimos um pouco de tudo ao longo dos últimos anos no campeonato português. Achar que isto está decidido é um erro.

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Francisco IsaacMarço 2, 201710min0

No meio de uma época em que o FC Porto só caiu derrotado por 5 vezes, Nuno Espírito Santo vai fintando (algumas) críticas que lhe tinham sido etiquetadas. Mas estará o FC Porto assim tão forte? As decisões do técnico são sempre bem tomadas? E há um sentido de oportunismo? Um treinador que só “deseja” ganhar para sobreviver

Definição de Matrioska: Também conhecida como “boneca russa”, a matrioska é caracterizada por reunir uma série de bonecas de tamanhos variados que são colocadas uma dentro das outras. De acordo com a cultura russa, as matrioskas simbolizam a ideia de maternidade, fertilidade, amor e amizade.

Começámos o texto de forma estranha e que poderá criar algum tipo de reacção menos comum, mas passamos a explicar. Desde André Villas-Boas que o Dragão “comprou” uma autêntica Matrioska de treinadores… começou com um resiliente e apaixonado Vítor Pereira, passou para o perdido mas com nuances de génio Paulo Fonseca, seguindo para o (in)carismático e intransigente Julen Lopetegui, finalizando em o recurso do recurso do último recurso, José Peseiro.

Como a Boneca da Matrioska os treinadores do Porto parecem estar a decrescer em qualidade, em esclarecimento técnico, pecando tanto no discurso como a postura. Poderíamos acrescentar outros pedaços como Luís Castro ou Rui Barros, mas não seria justo para nenhum deles receber essa (des)honra pelo facto que foram decisões internas para “tapar um buraco” no imediato mas nunca a prazo.

Nuno Espírito Santo chegou em 2016 e nem com desenhos (que fariam corar Pablo Picasso) ou moldes tácticos tem conquistado o interesse dos adeptos, colocando a mesma dúvida que os seus antecessores: será Nuno mais uma “camada” da Matrioska?

Matrioska Azul e Branca (Foto: Lusa)

O FC Porto fracassou na Taça de Portugal, deixou ir a Taça da Liga para o Moreirense (a culpa é do Porto!) e está, praticamente, fora da Liga dos Campões (a derrota por 2-0 em casa, frente à Juventus terá sido o princípio do ponto final).

Resta só uma competição… o Campeonato Nacional. A Liga NOS foge aos dragões desde 2013, um ano que serviu de prova que o FC Porto estava a iniciar o seu processo de crise a nível do departamento de futebol.

A 1 ponto do SL Benfica, com ainda muito campeonato pela frente e um jogo na Luz, Nuno Espírito Santo tem todas as possibilidades de se sagrar campeão Nacional. Porém, algumas questões abrem-se no seio da equipa azul-e-branca.

O FC Porto tem apresentado um futebol de domínio, de classe e de carisma?
Nuno Espírito Santo tem guiado os seus “homens” da melhor forma, pondo-os num nível alto de confiança e harmonia?

São questões pertinentes e que ocupam (e vão ocupar) o espaço de discussão nas próximas semanas, especialmente antes do dérbi com o tri-campeão Nacional, SL Benfica… até porque a imprensa portuguesa gosta de criar um sentimento de destabilização ou propaganda (dependendo para onde sopra o “apoio” dos vários serviços de comunicação social) antes dos grandes confrontos.

Mas sem controvérsia e polémica, vejamos como se desenrolam estas questões, o contexto em que estão inseridas e para onde caminha o FC Porto.

Nos últimos 5 encontros (de Rio Ave até ao Boavista) a equipa do Dragão só apresentou bom futebol em 95 minutos, divididos pelo jogo contra o Sporting CP (35 minutos sensivelmente), Rio Ave (10 minutos), Tondela (40 minutos) e Guimarães (cerca de 10 minutos).

Nos restantes minutos de jogo, o futebol de Nuno Espírito Santo foi sofrível, com o meio-campo a tornar-se um passadouro, valendo a acção de Danilo Pereira em segurar a equipa em certos momentos de maior aflição (veja-se a contribuição do trinco nos jogos frente ao Rio Ave, Estoril ou Sporting).

Para além disso, a equipa re-aprendeu a defender com eficácia e equilíbrio, algo que escapava ao FC Porto desde os tempos de Paulo Fonseca. É aqui, talvez, o maior mérito de Nuno Espírito Santo… pôs a defesa do Dragão à altura do que é exigido de um clube de grande dimensão europeia.

Uma verdadeira equipa? (Foto: Lusa)

Marcano e Felipe têm feito uma dupla de excelência, com o central espanhol a mostrar o seu melhor e, mais importante, a ter eliminado (para já) todos os pormenores que em tempos faziam o Porto perder jogos (ver o jogo da final da Taça de Portugal em 2016).

Iker Casillas parece ter voltado aos seus 20 e poucos anos, com defesas de alto quilate, uma comunicação de ponta e uma capacidade de organizar a equipa que tem merecido um “amor” por parte da massa adepta do FC Porto que o pôs quase em Cheque-Mate em 2016.

Por isso, de Casillas a Danilo, o FC Porto tem sido, praticamente, perfeito… tirando o golo sofrido do SL Benfica (no empate 1-1) e mais um ou outro pormenor (notem pormenor e não Lei como aconteceu nos últimos três anos).

A acrescentar a isto, é o facto de até Yacine Brahimi, um mal-amado (e que dava razões para tal comportamento) auxiliar a equipa na Arte de Defender por Nuno Espírito Santo, o Sun Tzu do Norte.

Todavia, defender extraordinariamente bem não quer dizer que se tenha de atacar mal ou com alguma inoperância, especialmente em dois sectores. Verticalidade e velocidade entre a saída do meio-campo até à grande área e eficácia/agressividade na hora de finalizar.

A chegada de Soares (apelidado por alguns adeptos e jornais por o novo “Hulk”, algo que explica a banalização dos super-heróis nos dias correntes) trouxe golos. Cinco, para ser mais preciso.

O brasileiro tem jeito para ser um finalizador de área, tem faro de golo e descola-se bem da defesa nos últimos centímetros. E será só isto que define Soares e nada mais? É verdade que pressiona tanto os centrais como os laterais, tenta apoiar a defesa (especialmente cobrir a triangulação entre Marcano, Telles e Brahimi)… mas não consegue chegar perto do trabalho que André Silva faz.

Porém, e mais uma vez é importante ressalvar este facto, trouxe cinco golos… e Nuno Espírito Santo demonstrou o seu sentido de oportunismo com a mudança do nº1 do ataque de André Silva para o avançado brasileiro.

Já tinha sido assim com Layún, que assumiu a posição de titular após a lesão de Maxi em Roma. Nuno aguentou e destacou o lateral por inúmeras vezes, “gritou” algumas odes de amor ao mexicano e… deixou-o cair no jogo frente ao SL Benfica.

O comum adepto pode defender-se que Layún sofreu uma lesão e assim foi atirado às “cordas”, o que não deixa de incluir alguma verdade (Layún esteve a contas com uma mialgia de esforço entre Dezembro e Janeiro). Porém, passou de titular para suplente pouco ou nada utilizado.

E na verdade, é que quando foi chamado para substituir Maxi Pereira foi responsável sempre por erros preocupantes… contra o Rio Ave não foi expulso por “simpatia” do juiz de jogo (já tinha um amarelo quando rasteira Roderick para o penalti do Rio Ave) e contra a Juventus faz uma assistência para Pjaca.

O mesmo está a acontecer com André Silva, o jovem talentoso avançado que tem sido uma das coqueluches da equipa deste ano. Com 38 jogos (inclui os da Selecção Nacional), André conta com 22 golos e 9 assistências.

O “escape” de Nuno (Foto: Ojogo)

Isto são dados directos, ou seja, influência directa no placard de jogo, o que faz dele um avançado com um potencial enorme e que deveria ser bem trabalhado, educado e explorado.

Porém, o oportunismo de Nuno Espírito Santo vai ditar o “até já” de André Silva à titularidade, a ser a coqueluche e nº1 do ataque. Diogo Jota já o tinha sofrido com a chega de Soares (bastou o jogo com o Estoril, onde foi retirado logo aos 30 minutos de jogo por opção) e agora é outro avançado português a sofrer com o sentido de oportunismo de Nuno.

Podemos discutir e dizer que André precisava de descanso, que a sua qualidade de jogo estava a “divagar” e que não marcava golos. Tudo pontos válidos, mas não correctos.

É fácil ver que no 1º golo de Soares, frente ao Sporting, a influência directa de André Silva na captação da defesa dos leões… está a ser marcado por dois jogadores (Semedo e Coates), o que liberta Soares para cabecear, sem oposição, para o golo.

Em Guimarães, a defesa do Guimarães centrou-se toda no que André Silva ia fazer… saiu um remate “furado” que surtiu em passe… golo de Soares.

São duas situações interessantes e que se repetem bem mais vezes do que o comum adepto pode pensar… o jogo de futebol é jogado, principalmente, nestes detalhes sórdidos que determinam o resultado final.

Nuno Espírito Santo aproveita-se do melhor que a equipa produz para se “agarrar” e estampá-lo na sua ideia de jogo… mesmo que isso implique trocar para um 4x3x3 como aconteceu no Bessa (jogo muito “suado” do FC Porto, que pouco fez para além do golo).

É maquiavélico, chega a ser desrespeitoso para o plantel e não há espaço para “ensinar”… Nuno está sob pressão, é a sua 5ª época como treinador sem títulos para mostrar, com poucos resultados óbvios e com plantéis de bom calibre (apesar do FC Porto ter algumas lacunas deficitárias).

Há um sentido de oportunidade que vai resultar até ao fim de época, se o Porto ganhar todos os jogos. A equipa vive numa aura de positivismo, tudo é possível, não há desistências no jogo, há um sentimento de “revolta” com tudo o que seja fora da Invicta e há uma “paixão” esmagadora com o público (que tem sido o verdadeiro motor do FC Porto em 2016/2017, veja-se o apoio no Bessa) o que eleva os Dragões até ao topo (ou praticamente).

Reergueu Marcano, “resgatou” Brahimi, descobriu a utilidade de Jota e tornou a defesa do Porto um baluarte… tudo pontos a favor de Nuno Espírito Santo.

Porém, se o Porto vacilar, se vir o SL Benfica a ganhar na Luz, o plantel pode “quebrar”, a confiança na postura de Nuno irá ser questionada e a pressão vai “arruinar” com o sentido de oportunidade tão bem explorada pelo técnico.

Em suma, Nuno não tem conseguido impor um futebol “bonito de se ver”, o FC Porto está longe de ser uma equipa dominante no campo (até Dezembro foi possível ver o Porto dominador em certos momentos) e não há muito espaço para criar um meio-campo de génio… há uma necessidade de bombear a bola para área onde está o oportunista Soares.

O cronómetro está a correr, a bomba-relógio existe e poderá “arrebentar” no dérbi de todas as decisões, um clássico que vai prometer tudo e no final nos dará nada, em termos de espectáculo bonito, fairplay e qualidade de jogo.

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Diogo AlvesDezembro 22, 20168min0

Costuma-se dizer que há males que vêm por bem, e, no caso do FC Porto, a lesão de Otávio permitiu que o argelino Brahimi voltasse às contas de Nuno Espírito Santo. O regresso de Brahimi foi muito importante, não só no jogo com o Braga – quando entrou para substituir Otávio -, mas em todos os encontros que se seguiram para o FC Porto, entre os quais um desafio decisivo diante do Leicester. Um olhar sobre os Dragões em Dezembro.

Otávio desde que regressou ao FC Porto tornou-se rapidamente uma das principais peças no onze de Nuno Espírito Santo. O pequeno criativo brasileiro teve um início de época soberbo onde encantava os adeptos com dribles desconcertantes que deixavam os rivais de cabelos em pé. Otávio actuava a extremo-esquerdo e relegou para o banco o argelino Yacine Brahimi que no início da época parecia estar de saída do Futebol Clube do Porto. Apesar de não ter muito golo – apenas dois -, o médio brasileiro era fundamental na criação de jogo do FC Porto no último terço.

O bom momento de Otávio terminou com o Braga, embora já nos jogos anteriores o médio brasileiro começasse a dar sinais de alguma fadiga e já não solucionava muito bem os problemas que iam surgindo ao longo do jogo, tornando-se por vezes num jogador que emperrava a equipa.

As soluções para substituir o médio não eram muitas e naquela altura só havia mesmo Yacine Brahimi, que parecia esquecido e até mesmo excluído do plantel do FC Porto,. Mas, por obra do acaso (ou não), a verdade é que nos últimos tempos revelou-se como pedra fulcral nas recentes vitórias dos azuis e brancos. A lesão de Otávio acabou por abrir a porta a Brahimi que parecia, a dada altura, fechada.

Entrou no decorrer do jogo com o Braga – ainda na primeira parte – e foi um dos maiores agitadores do jogo a favor do Porto. É verdade que Rui Pedro foi o herói e Diogo Jota o obreiro, mas muito do jogo ofensivo do Porto passou – e bem – pelos pés de Brahimi.

Cimentou o seu lugar no pós-Braga e não mais saiu do onze, assim como também nunca mais Nuno Espírito Santo mexeu na equipa titular. Nos três jogos seguintes ao seu regresso, Brahimi fez questão de dar sinais de total compromisso com o treinador, com os colegas e com o clube. Mais comprometido em missões defensivas, mas sobretudo mais assertivo nas acções ofensivas. Menos individualista e mais colectivo. O drible em vez do passe estará sempre lá, porque é-lhe intrínseco, corre-lhe nas veias, mas já vemos um Brahimi a usar esse lado mais individual para ajudar mais a equipa e menos para jogar para ele e para a plateia ver.

Diante do Leicester, Feirense e Marítimo, o argelino apontou três golos, um em cada partida. Com o Leicester apontou um dos golos mais bonitos desta fase de grupos da liga milionária: de calcanhar a fazer lembrar outro argelino que passou pelo FC Porto, o inesquecível “mago” Rabah Madjer.

O que trouxe Brahimi à forma de jogar de Nuno

O 4x4x2 de Nuno Espírito Santo ganhou assim dois extremos “puros” em ambos os corredores e possibilitou que Óliver – indirectamente também beneficiou com a saída de Otávio – se posicionasse, em exclusivo, no corredor central ao lado de Danilo. Com Corona e Brahimi a partir dos flancos, a manobra ofensiva do FC Porto melhorou em relação aos jogos anteriores. Viu-se mais dinâmica, mais criatividade, mais fluidez e, finalmente, apareceram os golos.

No entanto, a manobra ofensiva do FC Porto, ainda precisa de ser refinada e terá de levar com afinações nas oficinas do Olival. Ainda é tudo muito feito na base da individualidade e não tanto, para já, com trabalho colectivo através de ideias colectivas ou de jogadas padronizadas. Embora haja sinais de melhorias que podem deixar os adeptos do FC Porto esperançados numa segunda parte da época com melhor rendimento em todas as fases do jogo.

Um FC Porto que cada vez mais é paciente com bola, menos futebol directo e mais pausado, uma construção mais bem definida com Danilo próximo dos centrais, mas a soltar-se cada vez mais, apesar de algumas limitações a nível de visão de jogo, passe e criatividade. Enquanto isso, o criativo Óliver aparece mais numa segunda linha da fase de construção e aproxima-se do último terço do campo, associando-se mais com Diogo Jota e com os extremos Brahimi e Corona.

Os laterais continuam a dar a profundidade e largura nas faixas e deixam que os extremos, Brahimi e Corona, tenham liberdade para aparecer em zonas interiores, que é onde jogadores como o argelino e o mexicano poderão ser mais preciosos para desmontar as defesas compactas que habitam na Liga NOS.

A saída do onze do mexicano Héctor Herrera também tem de ser analisada como algo positivo para a forma como a equipa quer jogar, e não apenas como o “castigo” do pós-Benfica. Com Herrera na meia-direita, o FC Porto era pouco assertivo a atacar e as decisões nem sempre eram as melhores nem as mais céleres, porque Herrera sentia-se como peixe fora de água a jogar numa posição mais de extremo e menos de médio-interior. Tornava muitas vezes o jogo mais físico e pouco fluido e sem a imprevisibilidade e criatividade que há agora com Corona na meia-direita.

[Foto: Record.xl.pt]

O que se segue para Nuno Espírito Santo em 2017

O grande desafio para Nuno Espírito Santo agora em 2017 será o de conseguir trabalhar a manobra ofensiva com o mesmo afinco que fez com a organização defensiva – aí ninguém tem dúvidas que o FC Porto melhorou significativamente. É uma das melhores defesas da Europa com apenas 7 golos sofridos, e para trás ficam 7 jogos sem sofrer qualquer golo.

Essa boa solidez defensiva deve-se muito às boas rotinas criadas entre Felipe e Marcano que contam também com o bom momento de Iker Casillas e o trabalho “invisível” de Danilo, que tem sido fundamental na manobra defensiva da equipa. Danilo tem sido o jogador mais importante para impor uma pressão alta e agressiva no momento da perda de bola. No entanto, sente-se em toda a equipa muito empenho para recuperar logo a bola quando a perde. Tudo muito bem trabalhado até aqui.

Com Brahimi na CAN como será?

Nuno Espírito Santo não terá apenas o desafio mais táctico para solucionar em 2017, o treinador portista terá de agora lidar com a ida de Brahimi para a Taça das Nações Africanas (CAN) já no início de Janeiro. Perderá o jogador mais influente actualmente na manobra ofensiva da equipa, um jogador que lhe estava a trazer golo, assistências e ajudava a desbloquear os jogos quando estes estavam mais complicados.

Voltará a ter Otávio e ganhará um jogador mais altruísta e disciplinado tacticamente ao contrário de Brahimi, mas será que Otávio conseguirá ter o mesmo peso do argelino no onze? Uma resposta que só saberemos em meados de Janeiro, data prevista para o regresso de Otávio, que, por agora, continua em recuperação.

João Carlos Teixeira nas próximas semanas poderá ter a verdadeira oportunidade de se mostrar, e até poderá ser o substituto imediato de Brahimi no onze. Nuno Espírito Santo tem lançado o jogador português nos últimos jogos e este tem entrado sempre para o lugar de Brahimi. Por natureza João Carlos Teixeira é mais um médio-interior, mas também poderá actuar como ala esquerdo no 4x4x2 de Nuno Espírito Santo, uma vez que no Liverpool começou a jogar mais vezes como ala e menos como médio-interior.

João Carlos Teixeira poderá ter a sua oportunidade [Foto: Global Imagens / Leonel de Castro]

Em Janeiro abre também o mercado de inverno e o FC Porto, como os outros clubes, estará atento a bons negócios que possam surgir, seja para vender ou para comprar. Nos últimos tempos têm surgido rumores de que os dragões estarão interessados em mais um avançado e a imprensa vai avançado com insistência o nome de Luiz Adriano. Não saberemos se o brasileiro a actuar no AC Milan virá ou não, mas certo é que o Fair-Play estará atento e trará artigos sobre este defeso de inverno.

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Diogo AlvesNovembro 28, 20167min0

Zero. Zero é o número de golos que o Futebol Clube do Porto marcou nos três últimos jogos consecutivos. A crise de golos agudiza-se de jogo para jogo, e mais, a crise será só dos golos? Ou da forma como a bola chega à zona de finalização? Uma questão que só o técnico azul e branco pode responder, mas de conferência em conferência, Nuno Espirito Santo refugia-se apenas, e somente, na «falta de eficácia». Portanto, atira as culpas para o último momento do jogo: a finalização.

O FC Porto continua numa espiral negativa e acumula maus resultados que deixam os adeptos à beira de um ataque de nervos, ansiedade, revolta e sentimento de frustração perante o futebol anárquico, pouco pensado e rudimentar que os dragões têm praticado neste mês frio de Novembro. Novembro ficará marcado pelo mês em que o FC Porto foi eliminado na Taça de Portugal, em Chaves, após 0-0 no tempo regulamentar e prolongamento, os dragões acabaram eliminados nas grandes penalidades. Para piorar adiaram o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, empatando a zero em Copenhaga e viram o rival Benfica aumentar a vantagem pontual. De 5 para 7 pontos.

A SAD quando contratou Nuno Espirito Santo esperava que o treinador português pudesse dar aos jogadores que tem à disposição ferramentas que os levassem de novo à rota dos títulos, mas neste início de época não é isso que se tem visto. Temos visto um Nuno Espirito Santo muito tenebroso e indeciso nas decisões que tem tomado de jogo para jogo. Muda o jogar da sua equipa de jogo para jogo e isso não tem contribuído em nada para o processo evolutivo da ideia de jogo que o técnico portista tanto tem falado ao longo dos últimos meses.

Nuno fala em dinâmicas em vez de sistemas (4.3.3, 4.4.2, etc…), mas não temos visto um Porto com grandes dinâmicas nem ideias em jogo. Defesas-centrais sem apoios na primeira fase de construção, os médios com dificuldades em juntar-se para associarem-se com os avançados, e o avançado – André Silva – a ter de sacrificar-se muitas vezes para comunicar com o resto da equipa em vez de estar numa posição privilegiada onde “apenas” tivesse de finalizar.

Diogo Jota foi o último jogador a marcar pelo FC Porto Foto: maisfutebol.iol.pt
Diogo Jota foi o último jogador a marcar pelo FC Porto
Foto: maisfutebol.iol.pt

Tem sido um Porto com um futebol pouco elaborado e daí a pergunta inicial: É um problema de eficácia ou de processo? O que temos visto e cada vez mais é visível é que quando a bola chega à zona de finalização, nem sempre chega nas melhores condições para que os homens mais adiantados consigam ter sucesso na finalização.

Em Belém foi altamente notório a dificuldade que o FC Porto teve em conseguir construir uma jogada com qualidade, apenas uma em que aí sim, pode-se “culpar” Óliver pela decisão duvidosa que tomou quando estava na cara do guarda-redes e decidiu passar em vez de rematar. Mas, tirando essa jogada não houve mais nenhuma em que os avançados, ou médios, pudessem finalizar com qualidade.

Pelo meio há também decisões muito duvidosas que Nuno Espirito Santo tomou ao longo do mês. O afastamento súbito de Yacine Brahimi da equipa quando o argelino é claramente um dos melhores jogadores do plantel, não se entende a sua ausência nas duas últimas deslocações (Copenhaga e Belém), e o porque de não ter entrado com o Chaves ou o Benfica, por exemplo.

Por explicar está também a ausência de Adrián Lopez, Sérgio Oliveira, o porquê de João Carlos Teixeira não ter uma oportunidade digna e justa na equipa e o desaparecimento súbito do capitão Herrera das opções no pós-Benfica. Estará a pagar pelo erro cometido no último lance com o Benfica? Uma questão que só Nuno e a SAD poderão responder.

Empate dramático com o Benfica terá destruído psicologicamente os jogadores?

Foto: maisfutebol.iol.pt
Foto: maisfutebol.iol.pt

O jogo com o Benfica teve uma carga emotiva muito grande em cima dos atletas do FC Porto, mais do que jogar bem, os adeptos e toda a massa associativa pediam que fossem Porto e dessem tudo em campo para conseguir os 3 pontos que tão importantes eram naquele momento, uma vez que podiam reduzir a desvantagem de 5 para 2 pontos.

A mensagem para dentro do grupo era clara: ganhar ou ganhar. E os jogadores entenderam isso, até porque na véspera do jogo Óliver disse que «Domingo vamos morrer em campo» e Felipe nas redes sociais também deixou uma mensagem a toda a nação azul e branca «Vai ser até à última gota de sangue». Portanto, os jogadores estavam decididos em vencer e prometeram a tal raça que os adeptos muito gostam.

E justiça seja feita aos atletas e a Nuno, a primeira parte e os primeiros quinze minutos da segunda parte mostraram que havia um FC Porto decidido a vencer e, mais que isso, houve uma ideia de jogo, houve dinâmica, houve um FC Porto a praticar um futebol que o adepto gosta de ver e se delicia, mas faltou ser contundente na hora de “matar o jogo”.

A vencer por 1-0 Nuno Espirito Santo decidiu recuar a equipa e defender a sete chaves o resultado mínimo. Mas a mensagem que passou para a equipa não foi a melhor e os últimos vinte minutos foram já de extrema dificuldade em conseguir reter bola e colocar o Benfica longe do seu meio-campo. Nuno conseguiu em vinte minutos estragar o que estava de bom na equipa e viu a sua equipa sofrer um golo aos 90+2’ minutos. Dramático e cruel.

Após este jogo o FC Porto não mais marcou, não mais voltou a jogar um futebol refrescante e entretido que mostrou em 60’ minutos com o Benfica e mostrou sinais de fraqueza. Se desportivamente o FC Porto não estava muito bem, parece que psicologicamente este empate com o Benfica esvaziou por completo o tanque motivacional dos jogadores. Amorfos, sem ideias, pouco lestos e muito perdulários em vários momentos.

As ideias do treinador já são tenebrosas, mas que será deste FC Porto com jogadores fisicamente e psicologicamente em baixo? Dias negros aproximam-se e dentro do FC Porto alguém terá de reabilitar rapidamente a equipa para que não se volte a repetir o filme da época passada, de há duas épocas e há de três épocas atrás.

São muitos anos sem conquistar títulos e os adeptos mostram sinais de impaciência e por este andar já nem o amado presidente Jorge Nuno Pinto da Costa fugirá à contestação. O FC Porto precisa rapidamente de reconquistar a cultura de vitória que tem feito tanta falta nos últimos anos.

Foto: maisfutebol.iol.pt
Foto: maisfutebol.iol.pt
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Francisco IsaacSetembro 1, 201612min2

Jorge Nuno Pinto da Costa, Antero Henrique e Alexandre Pinto da Costa são os protagonistas de um Mercado de Transferências de pesadelo para o Dragão. Sem contratações sonantes ou reforços para colmatar as claras deficiências do plantel, Nuno Espírito Santo enfrentará a vaga de críticas sozinho e sem apoio. Um Manual de como não dirigir um plantel.

Voltemos, por escassos momentos, ao final de temporada do FC Porto de 2015/2016. Final da Taça perdida para o Braga, 3º lugar longe do 1º e 2º, e um plantel debaixo de um coro de assobios e críticas. E aonde estavam os membros da direcção da SAD e/ou do Clube? Escondidos atrás do púlpito, sem grandes manifestações ou promessas… para além da notícia de que Rafa, Josué e Paciência iriam ser reforços para a nova temporada dos Dragões (curiosamente nenhum dos três ficou às ordens de Nuno Espírito Santo).

Com o término da época, os adeptos e analistas desportivos apressaram-se em indicar que sectores estavam com claras deficiências, apontando, desde logo, a faixa da defesa (três centrais e todos eles de qualidade média-baixa) ou a questão de ser necessário um nº 10 criativo que fizesse o público vibrar. Porém, ao fim de dois meses de Mercado, o FC Porto conseguiu fazer quase o oposto, numa política de transferências caótica, anormal e sem rumo aparente. Nem o apuramento para a Liga dos Campeões valeu de alguma coisa para os Dragões, que tiveram sérias dificuldades em convencer jogadores de gabarito europeu/mundial a aceitar entrar nas contas de Nuno Espírito Santo. A questão do fairplay financeiro também terá preocupado os administradores da SAD que acabaram por voltar a ter um ano horriblis em termos de mercado e de preparação da equipa para a nova época. Observemos por sectores as mudanças (ou não) em termos de chegadas e saídas, para além de perceber se o plantel ficou deficitário.

Na baliza tudo igual, com Iker Casillas a iniciar o seu 2º ano de Dragão ao peito sem a competição de Helton (a saída do lendário guarda-redes brasileiro foi tudo menos agradável) mas com José Sá a ganhar a confiança da equipa técnica. Até que ponto Casillas conseguirá ser mais um protagonista de vitórias do que um arauto da “desgraça”? Para já, e perante o cenário actual, o FC Porto fica bem apetrechado.

Uma Defesa de Betão feita de Madeira

É na defesa que começam os graves problemas e as questões mais críticas: saídas de Maicon, Reyes, Indi, José Angel ou Lichnovsky colmatadas com a vinda de Felipe (ex-Corinthians, muito criticado no Brasil pela falta de capacidade de lidar com a pressão), Willy Boly (um negócio em cima da linha de meta) e Alex Telles (temporada mediana ao serviço do Inter de Milão). Por isso, para a nova temporada o FC Porto vai lutar pelo campeonato com quatro centrais: Felipe (começou com a “cabeça quente”, apontando dois golos), Marcano (um dos responsáveis por algumas das derrotas dos Dragões nas últimas duas temporadas), Boly (transferência de última hora, com as opiniões a divergirem em relação à real qualidade do central) e Chidozie (o nigeriano acabou por ser uma “ilusão” e nem na equipa B tem sido uma escolha consensual).

Por escassos segundos a faixa central iria ficar ainda mais “pobre” do que na temporada transacta, com a contratação de Boly a pacificar – q.b. – a massa adepta. Dificilmente o FC Porto aguentará estar em quatro competições diferentes só com 4 jogadores (se contarmos com Chidozie) para o lugar de defesa-central. Nas faixas, Alex Telles chegou para a esquerda, tendo Layún conseguido a tão desejada renovação. Maxi Pereira ficou “sozinho” na direita, com a invenção de Peseiro a estender-se a Espírito Santo, colocando Silvestre Varela como um lateral direito de recurso. Se Telles é um lateral de origem, com uma qualidade interessante, com picos e quedas (uma crítica geral em todos os clubes por onde passou), já não se ter assegurado mais um lateral direito de raiz poderá ser um problema de maior. Ou seja, nada mudou em 3 anos: o FC Porto continua numa política de invenções no que toca à defesa, um sector que foi sempre tratado como realeza no Reino do Dragão.

O jogo do meinho com os mesmos protagonistas? 

Avancemos para o sector intermediário. Danilo Pereira continuará a lutar com Rúben Neves pelo lugar de trinco (as questões divergem no tipo de médio-defensivo que o Porto precisa), com Héctor Herrera (muito associado ao Nápoles, acabou por voltar a ficar) e André André a enfrentarem a competição de João Carlos Teixeira, Diogo Jota e Óliver Torres (o reforço mais sonante do Porto), com Evandro e Sérgio Oliveira a serem suplentes dos suplentes.

Em Alvalade, na derrota por 2-1 frente ao Sporting CP, a equipa de Nuno Espírito Santo vacilou neste sector, com Danilo a perder quase todos os confrontos físicos e técnicos, Héctor Herrera a falhar mais de 55% dos passes (especialmente para zonas mais dianteiras, com as tentativas de passes profundos a não surtirem qualquer efeito) e André André a aguentar apenas 45 minutos de jogo (foi a unidade que melhor conseguiu movimentar-se, mas caiu a pique na segunda metade do jogo). Mas o técnico azul-e-branco optou por colocar Adrián López (um regresso que até tinha começado com o pé direito mas as exibições têm vindo a piorar) e Laurent Depoitre (um reforço “mistério” para os lados do Dragão), mantendo intocável o meio-campo até ao minuto 75′, quando retirou André André do campo. Óliver Torres estreou-se, porém sem qualquer papel importante no jogo (natural a falta de entrosamento), não querendo isto dizer que o “mago” espanhol não vá ser fundamental para a manobra ofensiva do FC Porto.

Por isso, as vindas de Jota e Teixeira serão reforços a sério ou apenas recursos de 2ª categoria? Só o tempo dirá se Nuno acredita ou não nestas soluções para o meio-campo. Para já, o FC Porto tem soluções mas parece que só algumas contam, num meio-campo titular muito pálido, estático e confuso.

Juventude ao Cubo no ataque aos golos

Depois no sector mais avançado do terreno, Otávio, Corona e André Silva têm composto o tridente de ataque (se recuarmos 6 anos atrás, a frente de ataque estava dividida por Varela, Hulk e Falcão, um tridente  com mais experiência, qualidade e força), com Adrián López, Óliver Torres e Laurent Depoitre a apresentarem-se como os substitutos.

Há, claro, Yacine Brahimi que ficará mais uma temporada (ou pelo menos até Janeiro) a jogar no Dragão. Todavia, o argelino nunca foi opção para Nuno durante a pré-temporada e terá agora que fazer uma autêntica “revolução” mental para surgir como opção na lista de convocados do treinador português. André Silva tem qualidade e ao jeito que foi com Gomes, Domingos Paciência (o filho poderia ter entrado nas contas para uma 3ª solução para a frente de ataque), Hélder Postiga e Hugo Almeida, o Reino do Dragão volta a confiar a frente do ataque a um jovem português das camadas jovens. Se tem qualidade para fazer 20 golos por época? Dependerá de como as alas e meio-campo forneçam jogo ao bomber luso. Corona é sempre um vertiginoso, com Otávio a assumir um papel preponderante, apesar da tenra idade.

Todavia, até que ponto a juventude em excesso pode comprometer em jogos de maior impacto contra equipas com maior experiência? Adrián López e Laurent Depoitre são os substitutos, com o avançado belga a ser uma “espécie” de Marc Janko ou Edgaras Jankauskas (parece possuir um toque de bola mais apurado) e o extremo espanhol a não reunir a capacidade mental para se afirmar no onze do FC Porto (bom final de temporada pelo Villarreal, com 16 jogos, 4 golos e 3 assistências).

Queda anunciada de um Gigante ou reforma para o longo-prazo?

Por isso, em dois meses de contratações (não dando o mês de Abril e Maio de graça) o clube liderado por Jorge Nuno Pinto da Costa reforçou-se só com 8 jogadores, sendo que apenas 3 entraram para o sector defensivo.

E o que dizer das vendas – ou, melhor, não vendas? O FC Porto que tinha assumido o estatuto de maior exportador até 2014, acabou no último lugar, mesmo atrás de SC Braga ou Vitória SC (Guimarães). Isto demonstra descrédito do FC Porto no seio europeu? Rafa, Paciência, Martins Indi, Josué, Diego Reyes, Alberto Bueno, Moussa Marega, Hernâni, Licá, Andrés Fernandéz, Suk ou Aboubakar renderam cerca de 12M€ (9M€ por Maicon e 3M€ por Aboubakar) aos cofres do FC Porto, uma vez que saíram todos por empréstimo. Curiosamente, alguns destes nomes teriam lugar no plantel do FC Porto como solução para o banco de suplentes (Bueno, Josué ou Reyes), só que não foi essa a ideia do novo treinador dos portistas ou da direcção.

Isto sem falar dos investimentos em vários jogadores que têm corrido da pior forma possível, com a parceria com a Doyen Sports a verificar-se “dolorosa” (o caso Imbula ainda paira na memória). Para além da ideia que os media portugueses foram transmitindo, de que Jorge Mendes iria fornecer jogadores de qualidade acrescida ao plantel do FC Porto como forma de “ajuda” ao seu treinador (Nuno é agenciado por Jorge Mendes) que acabou por se provar uma ideia estapafúrdia e desprovida de qualquer sentido. Não houve os investimentos duvidosos de outrora, o que acaba por ser um ponto positivo – o despesismo com alguns jogadores como Juan Quintero, Yacine Brahimi, Aboubakar, Adrián López, Marega ou Reyes demonstra a perda de qualidades dos departamentos de scouting e desportivo dos dragões –, pondo fim, para já, às constantes “brincadeiras e devaneios” de agentes e administradores do clube da Invicta.

Os rivais da Luz e Alvalade souberam “capturar” excelentes activos para a nova época, com as chegadas de Markovic, Bas Dost, Castaignos, Campbell ou Meli (perderam o “mágico” João Mário e o “matador” Islam Slimani) no Sporting CP. Já o SL Benfica ganhou a corrida por jovens pérolas como Cervi, Cellis ou Horta, para além dos fortes reforços como Carrillo, Danilo e Rafa (a “novela” do extremo terminou no último dia de mercado), num ano em que ‘apenas’ perderam Renato Sanches e Gaitán. Ou seja, o FC Porto está em clara desvantagem perante os seus rivais de sempre e terá de fazer algo de “milagroso” para “roubar” o título a qualquer um dos clubes de Lisboa.

Alguns números que interessa observar:

2014/2015

Valor gasto em entradas: 40M€
Transferência mais cara: Adrián López (11M€ por 70% do passe)
Pior transferência: Martins Indi (7,7M€)
Transferência para o futuro: Otávio (3M€)
Valor total ganho em saídas: 80M€
Transferência mais rentável: Eliaquim Mangala (35M€);
Pior decisão de transferência: Jorge Fucile (rescisão a custo zero)

2015/2016

Valor gasto em entradas: 38M€
Transferência mais cara: Gianelli Imbula (20M€)
Pior transferência: Gianelli Imbula (20M€) / Moussa Marega (3,5M€)
Transferência para o futuro: José Sá (valor não divulgado)
Valor total ganho em saídas: 100M€
Transferência mais rentável: Jackson Martínez (35M€)
Pior decisão de transferência: Rolando (rescisão a custo zero)

2016/2017

Valor gasto em entradas: 30M€
Transferência mais cara: Felipe (7M€)
Pior transferência: Zé Manuel (valor não divulgado)
Transferência para o futuro: Nenhuma
Valor total ganho em saídas: 12M€
Transferência mais rentável: Maicon (9M€)
Pior decisão de transferência: Diego Reyes (empréstimo)

Em suma, o que dizer do Mercado de Transferências do FC Porto? Um caos total, acompanhado de várias desilusões, um tremer irreconhecível e uma falta de ideias e/ou categoria sem igual. O FC Porto de 2016/2017 relembra o FC Porto de 2001/2002 quando chegaram Quintana, Alessandro, Rafael, Ruben Junior, Paulo Costa, Mário Silva ou Esnáider/Kaviedes às Antas, naquilo que, para além de desastre classificativo e de temporada, viu José Mourinho assumir o lugar de treinador a partir de Janeiro de 2002.

Neste momento ainda há alguns sorrisos e abraços, uma harmonia entre direcção e treinador, muito pelo feito de se ter conquistado a eliminatória da CL frente à Roma. Mas como aconteceu com José Peseiro, Paulo Fonseca e Julen Lopetegui, mal haja uma queda de forma e resultados a ganharem contornos “negros”, a administração do clube e da SAD desaparecerá da “tela”, abandonando Nuno Espírito Santo ao acaso dos assobios, lenços brancos e críticas. O fracasso no Mercado de Transferências deverá ser uma “desculpa” para Nuno Espírito Santo em caso de uma época negativa? Ou o treinador dos azuis-e-brancos terá as soluções necessárias para fazer uma temporada de mudança e de luta pelo título?

A chama findou no Dragão? (Foto: Lusa)
A chama findou no Dragão? (Foto: Lusa)

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