Wolves não contratou um treinador, mas um projeto a longo prazo

Pedro SousaFevereiro 28, 20204min0

Wolves não contratou um treinador, mas um projeto a longo prazo

Pedro SousaFevereiro 28, 20204min0
Quando se contrata um treinador, a direção do clube tem de saber bem o que pretende. O exemplo do Wolves é ilustrativo disso e Nuno Espírito Santo está em Inglaterra para ficar!

Pedro Sousa é autor do projeto Bola na Relva e colaborador do Fair Play!


Quando se contrata um treinador, a direção do clube tem de saber bem o que pretende.

Tomo por exemplo o Wolverhampton de Nuno Espírito Santo. Quando o técnico decidiu abraçar o projeto dos lobos, já sabia o que queria implementar na equipa inglesa que, na altura da aquisição do treinador português, estava no Championship. Desde a contratação que a formação inglesa tem vindo a crescer e já são quase três anos a comprovar a teoria.

A base deste grande Wolves que temos assistido na Premier League e, este ano, na Liga Europa começou no segundo escalão inglês. A ideia começou a ser formada e resultou. As contratações foram acertadas para as ideias do técnico e Nuno Espirito Santo teve a tranquilidade e o investimento necessário para levar a equipa de regresso ao futebol inglês.

Espírito Santo é o líder da armada portuguesa em Inglaterra (Foto: The Star)

Olhando para as aquisições, na primeira época, observámos que o plano passava por construir a equipa com três defesas e com o meio campo a ser montado à volta de Rúben Neves, um jogador do conhecimento de NES, pois treinou-o no FC Porto. Misturar força com a velocidade, mas sem perder a criatividade foi uma ideia montada para conquistar o Championship. A mobilidade do ataque foi algo que acompanhou a equipa durante a época com Diogo Jota, outro jogador bem conhecido pelo treinador, a assumir protagonismo.

Os resultados da preparação

A equipa estava bem montada e, em alguns jogos, parecia intransponível. Durante a temporada, o Wolves conseguiu séries longas de triunfos. Contudo, na altura da contratação, o plano não era apenas para subir de divisão e lutar para não descer. Era para mais e isso foi comprovado na temporada seguinte.

Mais uma vez, Nuno exigiu alguns reforços específicos, para as suas ideias de jogo, e o “upgrade” feito fez catapultar os Wolves para a qualificação europeia na época de regressos à Premier League. Rúben Neves continuou a ser peça chave e teve a companhia de João Moutinho. Diogo Jota também ganhou um parceiro e Raul Jiménez passou a ser o goleador de serviço.

Dois dos portugueses que mais brilham na Premier League (Foto: Getty Images)

O trabalho que o mexicano fez, e continua a fazer, na frente de ataque, é crucial, mesmo sem perder a capacidade goleadora. Um jogador com carimbo Nuno Espírito Santo. Com exibições fortes e consistentes, mesmo frente aos top-6, o Wolves conseguiu o apuramento para a Liga Europa e, esta temporada, está a viver o maior desafio.

Esta época, e para termos uma ideia, a equipa inglesa já realizou mais de 40 jogos. Na temporada transata efetuou 46 partidas. Um desafio enorme e onde NES está a conseguir tirar dividendos. Com um arranque aos solavancos, os lobos endireitaram-se e estão mais estáveis. Sem mexer muito no plantel, o técnico português optou por trabalhar com aquilo que tem, apesar de ter recebido dois reforços importantes: Pedro Neto e Daniel Podence. Dois jogadores que são a cara do projeto Wolves e que veem acrescentar qualidade e impressibilidade ao ataque.

A maior surpresa: Adama Traoré

Contudo, quem cresceu mais nas mãos do técnico foi Adama Traoré. A viver a segunda época no clube, o espanhol evoluiu de certa fora que está a atingir patamares bastante elevados. Ganhou capacidade física, mas sem nunca perder o recorte técnico. É uma das pechas chaves o Wolves de Nuno Espírito Santo.

Uma equipa que começou a ser talhada para o sucesso há três anos e um projeto que tem pernas para andar.

Uma das estrelas deste Wolves (Foto: New York Times)

Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter