Arquivo de México - Fair Play

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Pedro CouñagoJunho 12, 20187min0

No início do mês de maio lançámos os jogadores-decisivos nos Grupos do Mundial, apresentando algumas estrelas e astros, mas também desconhecidos e novidades que vão deixar o leitor entusiasmados!

Agora juntámos as quatro personagens de cada grupo na mesma arena para perceber quem vai dominar a fase de grupos, quem vai passar por uma “unha negra”, quem estará numa luta intensa pela passagem e quem serão os derrotados desta fase de grupos.

No Grupo F relembramos que escolhemos Mats Hummels, Emil Forsberg, Hirving Lozano e Heung Min-Son. Como funciona este frente-a-frente? Vamos juntar partes das análises realizadas, olhar para os dados, perceber as “condições” a nível individual e colectivo e chegar a uma (proposta) de conclusão.

O CALENDÁRIO

Os jogos do Grupo C realizam-se a 17 e 18 (1ª jornada), 23 e 27 de junho. As partidas são as seguintes:

Jornada 1

Alemanha – México – (Estádio Luzhniki) 16h00 de dia 17
Suécia – Coreia do Sul – (Estádio Nizhny Novgorod) 13h00 de dia 18

Jornada 2

Coreia do Sul – México – (Rostov Arena) 16h00

Alemanha – Suécia – (Estádio Olímpico Fisht) 19h00

Jornada 3

Coreia do Sul – Alemanha – (Kazan Arena) 15h00

México – Suécia – (Arena Ekaterimburg) 15h00

OS DUELOS

O Grupo F tem uma clara favorita, que é a Alemanha. A Mannschaft entra na competição como defensora do título e instalada no número um do ranking da FIFA, sendo, portanto, uma das virtuais candidatas a vencer a competição.

O plantel que a Alemanha leva à Rússia é absolutamente impressionante, e o onze presumivelmente candidato à titularidade é fortíssimo, em todos os setores do campo. Na baliza, Manuel Neuer está de regresso. Na defesa, Mats Hummels (o jogador destacado) é o general. No meio campo, Toni Kroos (mais atrás) e Mesut Ozil (mais à frente) fornecem uma incrível capacidade de passe e de criatividade. Na frente, o promissor Timo Werner será um constante perigo. E aqui estão apenas alguns nomes, nos quais, para surpresa de muitos, não se encontra Leroy Sané, sendo tal justificado pelas suas pobres exibições pela seleção nos particulares realizados antes da Convocatória e por opções táticas.

Neste Grupo F do Mundial 2018, a Alemanha parece ter capacidade de poder seguir em frente com três vitórias, mas existem duas equipas de uma segunda linha de boas seleções que lhe podem causar problemas. Essas nações são o México e a Suécia.

Teoricamente, o México teria uma ligeira vantagem, tal é a sua profundidade nos vinte e três que viajaram para a Rússia, principalmente a nível atacante. Jogadores como Hirving Lozano (a estrela destacada), Jesus Corona, Carlos Vela, Raul Jiménez ou Javier “Chicharito” Hernández estarão prontos a brilhar pela seleção “Tri” e podem causar bastantes dificuldades a muitas seleções. Além disso, é uma seleção que, tipicamente, se sobressai nestas grandes competições. No entanto, os erros defensivos poderão ser o seu principal Calcanhar de Aquiles face a um ataque forte como o alemão. Mas o recente escândalo em que um grande número de atletas e, por consequência, o grupo mexicano, se viu inserido, poderá ter importantes implicações nos desempenhos da seleção.

Já a principal força da Suécia passa exatamente pela sua segurança defensiva, não sendo uma seleção que marca particularmente uma grande quantidade de golos. É uma seleção que aposta no equilíbrio entre setores, estando segura na defensiva por Victor Lindelof e Andreas Granqvist e tendo dois criativos em Viktor Claesson e, principalmente, Emil Forsberg, que pode ser o jogador decisivo numa boa campanha por parte da seleção nórdica. A Suécia tem as suas hipóteses, indiscutivelmente, podendo aproveitar um menor fulgor da seleção mexicana, devido a toda a sua situação, para se qualificar. Recordemos, também, que a Suécia venceu a França na fase de qualificação e, para chegar ao certame, eliminou a Itália no playoff, pelo que as restantes seleções do grupo estão de sobreaviso.

A correr por fora temos a seleção da Coreia do Sul. A seleção coreana é, indiscutivelmente, uma das seleções mais fortes do seu continente, mas tal não é suficiente para a poder tornar numa força a reconhecer na Rússia. Ainda assim, com Heung Min-Son a destacar-se cada vez mais em Inglaterra e a chegar a solo russo vindo de uma fantástica época, quem sabe se os asiáticos não podem ser uma seleção incómoda.

O melhor jogador asiático da atualidade, o filho pródigo da Coreia (Foto: 101 Great Goals)

Fica então a nossa previsão nos duelos:

Jornada 1

Alemanha – México MÉXICO AINDA ASSUSTA COM UM GOLO DE LOZANO NOS PRIMEIROS DEZ MINUTOS, MAS A ALEMANHA ENTRA MUITO FORTE NO SEGUNDO TEMPO, MARCANDO DOIS GOLOS DE RAJADA E UM NO TÉRMINO DO ENCONTRO.
Suécia – Coreia do Sul EMIL FORSBERG ESPALHA MAGIA E ASSISTE PARA O PRIMEIRO GOLO SUECO, HAVENDO OUTRO NO FIM DA PRIMEIRA PARTE. A VITÓRIA SUECA SURGE DE FORMA NATURAL.

Jornada 2

Coreia do Sul – México ENCONTRO QUE NÃO SAI DO EMPATE A ZERO, COM UM MÉXICO MUITO APÁTICO. 

Alemanha – Suécia UM GOLO MADRUGADOR DA ALEMANHA DÁ UMA VIRTUAL SEGURANÇA À SELEÇÃO GERMÂNICA, QUE, COM DIFICULDADES E UM SUPERIOR HUMMELS, ANULA OS CRIATIVOS SUECOS.

Jornada 3

Coreia do Sul – Alemanha A ALEMANHA VENCE E CONFIRMA O PRIMEIRO LUGAR NO GRUPO MAS NÃO SEM ANTES SOFRER UM GOLO DA ESTRELA COREANA SON, FAZENDO UM SEGUNDO TEMPO QUE LHE PERMITE CHEGAR À VITÓRIA. 

México – Suécia DUELO DE “BOLA CÁ”-“BOLA LÁ” QUE TERÁ UM MÉXICO COM MAIS POSSE DE BOLA E UMA SUÉCIA MAIS CONTRA-ATACANTE, PREVENDO-SE UM EMPATE, COM O GOLO MEXICANO A SER DE LOZANO E FORSBERG A MARCAR OS TEMPOS DE JOGO. 

QUEM PASSA?

A Alemanha, de forma destacada, passará o grupo, visto ser superior e querer demonstrar que o mau momento demonstrado nos recentes amigáveis não se transmitirá para os jogos a sério.

Seleção habituada a festejar, menos não se espera nesta fase de grupos (Foto: IG Esporte)

Para o segundo lugar, pode ser uma aposta arriscada, mas apostamos na Suécia, visto ser uma seleção equilibrada, com jogadores frios e que estarão à altura da circunstância, aproveitando a instabilidade vivida no seio da seleção mexicana. No entanto, o México, se conseguir resolver as suas questões internas, que bem se notaram na passada derrota por 2-0 diante da Dinamarca e que estão espelhadas na imprensa de todo o mundo, poderá conseguir tomar o segundo lugar, porque teoricamente tem mais jogadores que podem fazer a diferença. Diríamos que as chances estão 55-45% em favor da Suécia, neste momento.

Já a Coreia, sendo a seleção mais fraca, não será propriamente o bobo da corte, causando dificuldades às restantes seleções com a mestria de Son, mas terá vida muito difícil para conseguir fazer mais.

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Pedro CouñagoMaio 16, 20182min0

Hirving Lozano (PSV Eindhoven)

Idade: 22

Clube: PSV Eindhoven (Holanda)

Posição: Extremo Esquerdo

Internacionalizações: 26/7

Conquistas mais importante na carreira: Campeão da Holanda (2018), Melhor Marcador da CONCACAF Champions League e Campeão (2017)

Mais uma seleção em que existem bastantes jogadores que poderiam ser destacados. Desde o capitão portista Héctor Herrera, que fez uma época bastante positiva, passando pelo eterno capitão Andrés Guardado ou o ponta de lança Chicharito Hernández, entre outros, os mexicanos sem dúvida que estão bem apetrechados em quase todas as posições do terreno.

De facto, a seleção do México, nos últimos anos, tem vindo a ganhar uma profundidade assinalável nas suas opções, e a verdade é que o seu coletivo funciona bastante bem. No entanto, o maior talento puro dos mexicanos é Hirving Lozano, o extremo de 22 anos que teve um primeiro ano na Europa quase de sonho.

Grande marcador de golos, jogador franzino e também com uma capacidade de drible acima da média, o futuro avizinha-se bastante positivo para o extremo. Lozano poderá ser um excelente apoio ao ponta de lança e um jogador que, com o seu talento, poderá fornecer diversificadas soluções ao ataque mexicano. Além disso, a sua presença na área e capacidade de remate de fora de área são mortíferos, como se vê no vídeo abaixo.

Depois de ser uma das principais figuras do Pachuca, ganhando o troféu de campeão do México, o troféu da Liga dos Campeões daquela zona geográfica e sendo o melhor marcador da mesma, Lozano foi um alvo bastante apetecido no verão de 2017, acabando num campeonato que lhe permite crescer mas que será também certamente uma rampa de lançamento para outras paragens.

Este Mundial pode ser uma excelente plataforma para gerar interessados, e se tudo correr bem, Mino Raiola (conhecido agente) não irá desaproveitar a oportunidade de colocar o seu representado num clube mais ambicioso.

Num grupo no qual o México tem todas as hipóteses de seguir em frente mas que tem adversários europeus de valia, poderá Lozano ser a arma-chave que o México precisa para ajudar a um coletivo já com bastantes jogadores de valor?

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Bruno DiasJulho 1, 20175min0

Nos últimos anos, o México e a Liga MX têm fornecido vários jogadores de alto nível aos grandes portugueses. O talento mexicano é de grande qualidade e continua a surgir em catadupa no país. Sugerimos aqui 3 possíveis “craques”, que poderão ser os próximos a brilhar na nossa liga.

Miguel Layún, Héctor Herrera, Jesús Corona, Raúl Jiménez. O México começa a estar presente de forma relevante no nosso campeonato, e com isso, o valor que é dado ao jogador mexicano e ao talento que vem da Liga MX tem aumentado. Apesar de ser uma liga que vende caro, é cada vez mais um local que oferece garantias de qualidade. A qualidade técnica, aliada à alta rotação de jogo e a alguns laivos de criatividade e virtuosismo, são traços característicos do jogador mexicano, que muito pode render num futebol europeu necessitado desse tipo de aspectos.

Aqui, poderão encontrar 3 sugestões para 3 sectores diferentes do terreno, com todos os jogadores aqui sugeridos a serem ainda jovens.

Nicolás Castillo

 

Posição: Avançado

Idade: 24 anos (14 de Fevereiro de 1993)

Nacionalidade: Chileno

Clube: UNAM Pumas

Já associado a clubes portugueses neste defeso (nomeadamente, ao Benfica), Nico Castillo é um jogador já conhecido no panorama futebolístico há algum tempo. Formado no Universidad Católica, cedo demonstrou uma apetência acima da média para o golo. Em 2014, rumou ao Club Brugge, da Bélgica. No entanto, talvez por ser ainda um jogador jovem, com uma personalidade forte e nem sempre fácil de gerir, a sua adaptação ao futebol europeu não correu da melhor forma, com sucessivos empréstimos a Mainz e Frosinone. Regressou então à América do Sul e à Universidad Católica, onde voltou a render, com 24 golos em 23 jogos. No último ano, ingressou a título definitivo no Pumas, onde continuou a sua boa forma, com 8 golos em 11 jogos.

Avançado de área, Castillo destaca-se pelo seu apurado faro de golo. Finaliza com qualidade, sobretudo com os pés, e possui também um remate portentoso. Não é um jogador com grande versatilidade, procurando sempre jogar perto da área, como a referência mais adiantada da equipa. No entanto, é aguerrido e combativo, e capaz de ajudar a equipa no momento defensivo. Seria uma excelente opção para o ataque de qualquer um dos “grandes” portugueses.

 

Raúl López

 

Posição: Lateral Direito

Idade: 24 anos (23 de Fevereiro de 1993)

Nacionalidade: Mexicano

Clube: Pachuca

Lateral formado no Chivas Guadalajara, um dos principais emblemas mexicanos, chega ao Pachuca por empréstimo em Julho de 2016, tendo assinado definitivamente com o clube em Janeiro de 2017. Raúl “Dedos” López é já internacional A mexicano, e um dos jogadores do sector mais recuado que mais impressiona na Liga MX.

Jogador polivalente, já tendo actuado em ambas as laterais, como médio-ala ou inclusive no corredor central, como médio interior, Raúl López destaca-se pela sua clara propensão ofensiva, assente numa qualidade técnica bastante razoável e numa capacidade física claramente acima da média, que lhe permite fazer o corredor direito durante 90 minutos, sempre com grande dinâmica e intensidade. Talvez por também actuar no corredor central, é um jogador que procura regularmente movimentos interiores quando joga como lateral direito, seja para assistir os companheiros ou para procurar aplicar o seu forte remate. Defensivamente, apresenta-se como um jogador sólido, consistente, bastante capaz no 1×1 e com capacidade para lutar pelas bolas aéreas, fruto também da sua altura (1,84m).

 

Orbelín Pineda

 

Posição: Médio Centro (“8”)

Idade: 21 anos (24 de Março de 1996)

Nacionalidade: Mexicano

Clube: Chivas Guadalajara

É uma das “coqueluches” recentes da Liga MX. Claramente o jogador com o valor de mercado mais elevado entre estes 3, mas também aquele que maior potencial e margem de progressão apresenta. Orbelín Pineda é um médio do Chivas Guadalajara, que o adquiriu em Janeiro de 2016 ao Querétaro, clube onde se formou. Com apenas 21 anos, feitos em Março, é já um dos melhores jogadores do campeonato, e certamente um daqueles que mais impacto teve no último ano do futebol mexicano.

Médio “box-to-box“, com qualidade na grande maioria dos momentos do jogo e com intensidade máxima em todas as suas acções, Pineda é capaz de influenciar o jogo em termos defensivos e ofensivos. Por possuir uma qualidade técnica acima da média, bem como alguma criatividade e qualidade no transporte de bola e no 1×1, é ocasionalmente utilizado mais adiantado no terreno, seja como médio ofensivo ou até como médio-ala. É também um médio com boa chegada à área, e com um remate potente e colocado. O seu perfil, em termos gerais, relembra-nos o de Enzo Pérez, argentino que brilhou no Benfica. No entanto, Pineda será até mais talentoso do ponto de vista ofensivo, e não demorará muito até que venha explanar todo o seu talento para a Europa. 

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André CoroadoAbril 27, 201711min0

A poucos momentos do início do Mundial de Futebol de Praia FIFA Bahamas 2017, o Fair Play finaliza a revisão do percurso das selecções apuradas até Nassau, iniciada aqui. Desta vez, a selecção anfitriã e os restantes representantes da CONCACAF são passados em revista, bem como as selecções da Ásia e da Oceânia que vão dar espectáculo na beach arena do Malcolm Park.

Anfitrião: Bahamas

As Bahamas, enquanto país-sede do mundial, gozam de apuramento directo para o torneio. Tratar-se-á da primeira presença do país na competição, o que por si só torna, na nossa opinião, controversa a atribuição da organização da prova à nação das Caraíbas.

CONCACAF

Equipas apuradas: Panamá, México

Campeão: Panamá

Surpresa: Panamá

Decepção: El Salvador

Visando empreender um ensaio geral para a grande competição global, a capital das Bahamas apressou-se a assegurar a organização do torneio de qualificação da CONCACAF para o mundial. A iniciativa da federação anfitriã da prova constituiu também uma manobra estratégica inteligente na medida em que implicava a participação da formação da casa, que assim poderia integrar um torneio de elevada competitividade na sua preparação para o torneio onde se iria estrear (as Bahamas nunca haviam participado no mundial e tentavam a todo o custo atingir um nível condizente com o dos 15 adversários que iriam receber nas areias de Nassau). Orientados por Alexandre Soares, os locais procuravam contrariar o favoritismo dos históricos da região: El Salvador, México, EUA e Costa Rica. De facto, as previsões que colocavam estas 4 equipas nos lugares cimeiros da prova acabaram por se revelar redondamente enganadas; todavia, não seriam as Bahamas os tomba-gigantes da prova.

Antes da competição, poucos teriam imaginado que o estatuto de campeão da CONCACAF seria ostentado 2 meses mais tarde naquela mesma arena do Malcolm Park por uma nação que nunca passara a fase de grupos do torneio de qualificação. No entanto, assim foi a história escrita pela selecção do Panamá na competição continental: uma selecção que fez das fraquezas forças para se transfigurar jogo após jogo e acabar por derrotar um após outro cada um dos 4 colossos da América do Norte e Central. Com um estilo de jogo muito físico, baseado na condução de bola pelo chão, aqui e ali abrilhantada por um toque de criatividade por parte dos seus jogadores mais dotados tecnicamente (atente-se em Alfonso Maquensi, Pascual Galvez ou Gilberto Rangel), o Panamá demonstrou organização, união e crença na forma imponente como foi assegurou uma qualificação tão merecida quanto inesperada.

A derradeira (e porventura mais injustiçada) vítima dos panamenhos foi a selecção de El Salvador, que caiu aos pés da surpresa do torneio na sequência de uma derrota nas grandes penalidades, numa partida muito fechada em que o Panamá teve o mérito de anular as temíveis armas de Los Cuscatlecos. A eliminação trata-se de um golpe terrível para as aspirações de Agustín Ruiz e demais companheiros, arredados do mundial pela segunda vez consecutiva, mesmo tendo vencido todos os outros jogos da prova (incluindo um triunfo sobre o mesmo Panamá na fase de grupos, também por via do desempate na marcação de grandes penalidades). Para chegar ao jogo decisivo das meias-finais, o Panamá escavou um canal através da CONCACAF, deitando por terra as ambições de EUA (derrotados por 6-4 nos quartos de final e mais uma vez afastados do mundial após uma prestação sem brio) e Costa Rica (Los Ticos caíram precocemente na fase de grupos mercê das derrotas diante de El Salvador e Panamá).

Mais sorte teve a selecção do México, que contou com um calendário mais apetecível na caminhada rumo ao mundial. Apesar de as exibições dos Aztecas não terem sido especialmente convincentes, a turma de Ramón Raya não apresentou dificuldades perante as formações menos experientes do Canadá, de Trindade e Tobago e de Guadeloupe, capitalizando da melhor forma a sua experiência. Ramón Maldonado foi o herói da qualificação mexicana ao apontar 12 golos que lhe valeram o estatuto de melhor marcador da competição, numa equipa que mantém como vozes da experiência Angel Rodríguez e Benjamim Mosco, agora complementados por muitas caras novas. Contudo, também esta nova geração mexicana se submeteu de forma mais ou menos passiva ao jugo totalitário do Panamá, numa final em que a maior consistência dos homens do Canal foi evidenciada (4-2). Restam, por isso, muitas dúvidas sobre as reais chances do México neste campeonato do mundo.

No campo das surpresas pela positiva destaca-se ainda a prestação notável de Guadaloupe, uma selecção que nunca poderia estar presente no mundial por não ser membro FIFA, mas deu provas de grande crescimento ao atingir as meias-finais da prova, num percurso que incluiu a eliminação das Bahamas, após um sólido triunfo por 5-3. Em sentido inverso, a prestação tímida da selecção da casa reforça as dúvidas sobre o que poderá ser alcançado por St. Fleur e demais companheiros nas suas areias natais e levanta sérias questões relativamente à legitimidade da escolha de um país com escassa tradição na modalidade como sede do mundial.

AFC

Equipas apuradas: Irão, EAU, Japão

Campeão: Irão

Surpresa: EAU

Decepção: Omã

Um grande jogo de Ozu Moreira não evitou o triunfo do Irão [Foto: JFA]

Já depois de o sorteio do mundial ter sido efectuado (numa cerimónia que teve lugar em Nassau a 28 de Fevereiro, após a conclusão do torneio de apuramento da CONCACAF), chegou finalmente a vez de as selecções asiáticas entrarem em campo por forma a determinar as vagas em falta nos grupos B, C e D. Desta vez, as praias malaias de Kuala Terengganu substituíram o Qatar como anfitriãs da prova, numa edição marcada pela escassez de participantes (apenas 12, um número que contrasta com as 16 equipas de edições passadas).

No meio de tantas mudanças, a imutabilidade da qualidade exibicional do Irão sobressai, principalmente se atendermos ao registo avassalador dos comandados de Mohammad Mirshamsi: 6 vitórias em outras tantas partidas, todas por pelo menos 2 golos de diferença (a maioria dos quais por resultados bem mais dilatados) e a reconquista do estatuto de reis asiáticos de forma contundente. Apenas a partida decisiva das meias finais frente ao arqui-rival Japão se investiu de maiores dificuldades para os persas, mas a maior intensidade de jogo e consistência táctica do Irão acabaria por estabelecer uma diferença entre as duas selecções traduzida no 8-6 final. A final frente aos Emirados Árabes Unidos constituiu um momento de celebração e júbilo para Ahmadzadeh e companhia, coroando a conquista do ceptro asiático com nova goleada por 7-2. Acima de tudo, o Irão prima pela maturidade técnico-táctica que foi adquirindo ao longo da última década, demonstrando uma coesão defensiva assinalável e sistemas de jogo muito bem trabalhados, que oscilam inteligentemente entre o 3:1 e o 2:2 clássicos e resultam num estilo particularmente rápido e directo. Num plantel equilibrado e coeso, Mohammadali Mokhtari foi, desta vez, o maior destaque, assenhoreando-se dos prémios de melhor marcador e melhor jogador do torneio com 12 golos.

O segundo destaque pela positiva vai para a selecção dos Emirados Árabes Unidos, que se sagrou vice-campeã asiática contra todas as expectativas. É certo que a equipa do golfo apresenta pergaminhos na modalidade, contando com 4 mundiais no currículo, e já com este plantel havia dado provas de qualidade, ao derrotar Rússia e Portugal na Copa Intercontinental de 2015. Todavia, o 8º lugar alcançado na última Copa Intercontinental, na qual o conjunto então comandado por Guga Zlockowick revelara efectiva falta de competitividade, permitiam entrever dificuldades para a formação dos emirados, tornando mais verosímil o apuramento de equipas como Omã ou Líbano. Foi, por isso, uma agradável surpresa verificar que a inépcia táctica evidenciada 4 meses antes no Dubai pelos homens do golfo não deixou vestígios numa equipa que começou a deixar uma excelente imagem desde o primeiro instante, vencendo veementemente o Iraque (6-0) e o Qatar (8-1) nas rondas inaugurais. Sendo necessário vencer o Japão para assegurar a presença nas meias finais, os pupilos de Mohamed Bashir confirmaram o excelente momento de forma que atravessam ao surpreender os nipónicos com um triunfo por 5-4. A qualificação para o mundial ficaria selada com uma vitória nas semi-finais arrancada a ferros sobre o sempre combativo Líbano, após grandes penalidades (empate 4-4 em tempo regulamentar), carimbando o regresso dos Emirados Árabes Unidos aos grandes palcos mundiais.

A lista de apurados asiáticos fica completa com a referência ao Japão – a única equipa a par do Brasil que consegue assim marcar presença em todas as 9 edições da prova. Porém, os discípulos de Marcelo Mendes não contaram com facilidades, atendendo à inesperada derrota com os Emirados Árabes Unidos (que haviam sido treinados por Mendes durante largos anos). O país do sol nascente teve de aguardar os resultados dos outros agrupamentos para no final do dia ser repescada para as meias finais enquanto melhor 2º classificado dos 3 grupos, cabendo-lhe a difícil tarefa de defrontar o Irão nas meias finais. Sendo notória a qualidade técnica do plantel nipónico, tal como a organização táctica rigorosa que actualmente enverga, o Japão parece permanecer neste momento um degrau abaixo do estatuto de superpotência mundial ostentado pelos iranianos, o que acabou por condizer com a derrota nas meias finais. Ainda assim, foi sem margem para dúvidas que o Japão venceu o Líbano (6-3) na partida de apuramento do 3º lugar, assegurando o passaporte para as Bahamas.

Em sentido inverso vale a pena destacar o desempenho desapontante da selecção omanesa, presente no mundial de Espinho. Yahya Al Araimi, Ghaith e Khaled Al Oraimi não foram além da fase de grupos do torneio asiático nesta ocasião, mercê da derrota por 4-3 diante do Líbano na partida decisiva. Os libaneses, por sua vez, repetiram o 4º lugar de 2015, uma vez que o bom momento iniciado com a vitória perante Omã não encontrou eco numa meia final teoricamente acessível frente aos Emirados Árabes Unidos, acabando depois goleado pelo mais experiente Japão. Ainda não foi desta que Haitham, Merhi e restantes companheiros reservam um lugar no mundial, mas vale a pena sublinhar o bom trabalho efectuado, que mais tarde ou mais cedo deverá ser premiado (veja-se o caso do Equador, que após 3 torneios no 4º lugar da CONMEBOL carimbou a presença no mundial das Bahamas).

Por seu turno, outra selecção que deixou uma boa imagem em Kuala Terengganu foi o Bahrain, liderado pelo português João Almeida, que terminou a sua participação na fase de grupos apenas com uma derrota frente ao Irão, mas 3 vitórias meritórias nas outras partidas. Como nota final, cabe-nos destacar a prestação do Afeganistão, também integrante do grupo A, uma selecção oriunda de um país em guerra que mesmo assim demonstrou bons indícios de qualidade desportiva, vencendo as formações da Malásia e da China.

OFC

Equipa nomeada: Taiti

Lamentavelmente, o último torneio de qualificação disputado na Oceânia tendo em vista o mundial de futebol de praia remonta a 2011, quando o Taiti se apurou pela primeira vez para a prova. Desde então, a confederação tem-se limitado a nomear um representante para participar no campeonato do mundo, que inevitavelmente acaba por ser o Taiti, mercê das duas presenças consecutivas no Top 4 do mundial. O actual vice-campeão do mundo irá assim disputar o seu 4º mundial consecutivo, mas poderá ressentir-se da falta de competitividade que enfrenta nos longínquos confins da Polinésia.

As dúvidas sobre o estatuto de favorito do Taiti começam a dissipar-se dentro em breve, após o pontapé de saída da competição no Malcolm Park, em Nassau, cabendo a Irão e México a honra de dar início à competição. Um duelo que promete, aliás como tantos outros a que irmos assistir ao longo de uma semana e meia.


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