Onde é que anda o Flop: Kikin Fonseca, o avançado de “chama” curta

Francisco IsaacJaneiro 11, 20215min0

Onde é que anda o Flop: Kikin Fonseca, o avançado de “chama” curta

Francisco IsaacJaneiro 11, 20215min0
Foi uma das primeiras contratçaões estratosféricas da direcção de Luís Filipe Vieira mas que nunca rendeu o desejado. Terá sido Kikin Fonseca um flop no SL Benfica?

José Francisco Guzman Fonseca, ou como é mais conhecido, “Kikin Fonseca” foi um dos primeiros reforços “milionários” da era Luís Filipe Vieira no SL Benfica, já que foi contratado por 3,5/4M€ em Julho de 2006, numa altura em que as “águias” precisavam de um matador total, para fazer parelha com o inesquecível Fabrizio Miccoli, havendo ainda Nuno Gomes no plantel treinado na altura por Fernando Santos. Contudo, a história do ponta-de-lança mexicano terminou em Janeiro de 2007 quando foi transferido para os Tigres UANL por 3,8M€, conseguindo os encarnados reaver todo o investimento imposto na sua contratação. No que concerne a dados, Kikin Fonseca foi autor de 1 golo em 12 jogos, com o único tento marcado a ter sido precisamente no seu último jogo com as cores do SL Benfica frente ao CF “Os Belenenses” (o festejo está na foto de destaque deste artigo), não tendo deixado história alguma em Lisboa.

Com estes dados à cabeça, merecerá o antigo internacional mexicano o adjectivo de flop? Será mais um caso como Imbula, que quando parecia estar mais adaptado ao campeonato e futebol português acabou por sair de forma surpreendente? Importante perceber o hype que rodeou a contratação de Kikin Fonseca, sendo este o caminho mais fácil para percebermos o estatuto do mexicano nesta escala das contratações-fracasso em Portugal e, por isso, vamos ao antes, ou seja, os capítulos pré-Luz.

Francisco Fonseca tem dois momentos que definiram o seu estatuto no México, com o 1º a ser a sua estada no UNAM, clube pelo qual ganhou os títulos mais relevantes da sua carreira, atingindo uma forma física que acabou por lhe abrir as portas da selecção principal do seu país. Ao serviço dos “Pumas” chegou aos 32 golos em três temporadas, com a época de 2003/2004 a ser a sua melhor, concretizando 20 golos em 44 jogos, 17 dos quais no campeonato mexicano, ajudando a equipa sediada na Cidade do México, a levantar o Torneo Apertura e Clausura de 2004, dois dos últimos títulos de campeão deste emblema histórico (2007 e 2011 levantaram o troféu de campeões do Clausura), com a cereja no topo do bolo a ser a conquista da Libertadores em . Esse crescimento e revelação, abriu-lhe as portas de outro grande emblema do México, talvez um dos maiores de todos… o Cruz Azul.

Aí, surgiu o melhor Kikin Fonseca de toda a carreira, erguendo-se na frente-de-ataque dos Los Celestes a todo o vapor, somando diversos golos entre 2004 e 2006, somando um total de 53 aparições e 25 golos, sem qualquer título ou competição conquistada. Porém, o talento de Fonseca na área era apaixonante, apresentando um poder de cabeceamento de grande qualidade, surgindo bem ao segundo poste ou na antecipação aos centrais, apesar de não ser um avançado especialmente rápido em termos de corrida de fundo.

O poder de finalização e a cultura táctica davam a Kikin Fonseca ares de um ponta-de-lança dinâmico e fadado para as grandes decisões, conquistando o seu espaço não só a nível do campeonato mexicano mas também na selecção, onde somava em Julho de 2006 cerca de 12 golos em 36 internacionalizações, com um dos quais a ter sido marcado frente a Portugal no Mundial de Futebol em 2006 (os portugueses derrotariam o México por 2-1).

Por isso, a Julho de 2006 o hype era grande quando Kikin Fonseca aterrou no Aeroporto de Lisboa, prometendo a sua contratação enriquecer um plantel que procurava ser mais dominante na frente-de-ataque, na procura de contrariar o domínio do FC Porto na Bwin Liga. Passados 6 meses, o mexicano acabou por nunca conseguir encontrar o rumo e a guelra goleadora de épocas anteriores, acabando por resultar num negócio positivo para o SL Benfica, um negócio que ainda foi alvo de investigação por parte da FIFA devido a dúvidas em relação a pagamento a intermediários, entre os outros.

Ultrapassando esse pormenor negocial, coincidentemente, nunca recuperou os atributos e qualidade que abriram-lhe a porta da Europa após jogar pelo SL Benfica, apesar de ter passado por emblemas de significativa importância no México, como o Tigres e Atlante, contabilizando um total de 200 e poucos jogos, atingindo uns “pobres” 30 golos durante essas nove temporadas subsequentes após ter saído de Portugal. Terminaria a carreira no Santos de Guápilles, da Costa Rica, algo esquecido e longe do universo de importância do futebol mexicano.

A queda anímica de Kikin Fonseca acabou por pesar no seu peso como goleador, manifestando-se por temporadas onde pautava qualidade nas movimentações no ataque sem que tivesse influência na hora de marcar, como é provado pelo facto de nunca ter ultrapassado a marca de 7 golos marcados numa edição da liga mexicana. Não há dúvidas que passado quase uma década e meia da ida e saída do mexicano da Luz, poucos se recordam do valor desembolsado na sua contratação, da manifestação de contentamento por parte de alguns comentadores (nada contra, uma vez que o ponta-de-lança tinha realizado um bom Mundial ao serviço do México) e do potencial técnico que ostentava o avançado responsável por marcar golos até a Portugal.

Flop a nível de exibições, que só não recebe nota máxima porque a SAD encarnada foi capaz de resgatar os 3,5M€ na venda ao Tigres em Janeiro de 2007. Um dos poucos mexicanos que não foi capaz de deixar marca em Portugal, apesar daquele golo voador frente ao Belenenses na sua despedida da Luz.

O único golo de Kikin Fonseca ao serviço do SL Benfica (00:36)


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