FBSWC 2019: Tudo a postos para a fase decisiva em Assunção!

André CoroadoNovembro 28, 20197min0

FBSWC 2019: Tudo a postos para a fase decisiva em Assunção!

André CoroadoNovembro 28, 20197min0
Brasil, Japão, Portugal, Itália, Senegal, Rússia, Suíça e Uruguai. São estas as 8 equipas que irão disputar os quartos de final do mundial. Mas qual o caminho até aqui? E quem foi eliminado na fase de grupos? A análise Fair Play à primeira fase do mundial.

A primeira fase do mundial de futebol de praia chegou ao fim e foi sem surpresa que potências como Brasil, Portugal, Rússia ou Itália se qualificaram para a fase a eliminar. Mas a fase de grupos contou também com alguams surpresas, pela positiva e pela negativa. Em dia de quartos de final, lançamos um olhar ao que se passou em cada grupo e perspectivamos um pouco do que poderá estar reservado para a fase decisiva do Mundial!

Grupo A – Um anfitrião demasiado generoso

A grande desilusão do mundial, em termos de resultados, acaba por ser a selecção da casa. O Paraguai acabou por mostrar bons índices exibicionais a espaços, providenciando uma demonstração cabal de força na derradeira partida da fase de grupos frente aos EUA (5-1). No entanto, os Guarani já estavam eliminados, mercê das derrotas algo infelizes diante de Japão (vitória nipónica por 5-4 após um cabeceamento de Akaguma no último segundo) e Suíça (7-6 após prolongamento). Em ambos os jogos, o Paraguai conseguiu recueprar de uma desvantagem de 4-1 para alcançar um empate a 4 bolas, mas a eficácia ofensiva dos homens de Guga Zlocowick não foi acompanhada pelos índices de concentracão defensiva necessários nas fases decisivas daas partidas, acabando por deitar tudo a perder.

Por seu turno, os nipónicos venceram as três partidas em disputa e foram a única equipa a par do Brasil a alcançar os 9 pontos na fase de grupos. O campeão asiático contou com Ozu em grande forma (5 golos no torneio para o fixo naturalizado japonês), mas acima de tudo com um plantel muito rotinado dentro do modelo de jogo versátil do seleccionador Ruy Ramos, com constantes mudanças de sistema táctico (3-1, 2-2, 5×4 armado pelo guarda-redes Terukina).

A Suíça, apesar de revelar as mesmas debilidades (sobretudo defensivas) que se lhe tinham visto ao longo da época conseguiu classificar-se na segunda posição do grupo, capitalizando da melhor forma a qualidade técnica dos seus jogadores, nomeadamente a magia de Ott e a eficácia finalizadora de Stankovic (que apesar de parecer fora de forma já leva 7 golos no mundial, principalmente de bola parada). Já os EUA, apesar dos progressos evidentes numa equipa que discutiu os jogos de igual para igual com as equipas apuradas, continua um nível abaixo daquilo que se exige para a segunda fase do mundial.

Grupo B – Tiki Toa eliminados, Uruguai surpreende

O jogo inaugural deste mundial ofereceu um espectáculo curioso e de certa maneira inesperado, com a Itália a golear o vice-campeão mundial em título, Taiti. Os Tiki Toa, agora orientados pelo pivô aposentado NaeaBennett, foram completamente cilindrados pela Itália de Gori (autor de 5 golos), num jogo que se provou fulcral para as contas finais do grupo. Teoricamente, os taitianos ainda poderiam alcançar a segunda fase em caso de vitória contra os menos cotados México e Uruguai.

Porém, os sul-americanos apresentaram-se em grande nível no mundial e baralharam as contas do grupo, começando por vencer o México num jogo muito fechado (1-0, valeu o golo do capitão Gaston Laduche) e depois desfeiteando a Itália (4-3), graças a um notável pragmatismo e organização defensiva a fazer recordar o Uruguai dos velhos tempos. Taiti e Itália não tiverem problemas em ultrapassar os campeões da CONCACAF, batendo o México por 6-1 e 6-2, respectivamente, o que acabou por ditar o apuramento da Itália (6 pontos) e deixar a discussão do segundo lugar do grupo nas mãos de Taiti e Uruguai.

Os campeões da Oceania precisavam de bater os Charrúas por 3 golos para seguir em frente, o que chegou a estar perto de acontecer quando o Taiti alcançou uma vantagem de 5-1. Porém, o Uruguai reagiu e conseguiu reduzir a desvantagem, acabando por chegar ao 6-4 final por intermédio do experiente Nicolás Bella. Os sul-americanos qualificam-se assim com mérito para os quartos de final, apesar da derrota, enquanto o Taiti é vítima da falta de preparação resultante da escassez de competição na sua confederação.

Grupo C – Rússia e Senegal sobrevivem autêntica guerra a quatro

Tínhamos apontado o grupo C como o mais equilibrado e mais forte (em média) do mundial, sendo que os resultados confirmaram as nossas previsões. Os 4 conjuntos que integraram este grupo apresentaram bons argumentos em campo, embora também algumas falhas de concentração em momentos chave, numa série de jogos imprevisíveis que culminaram com as 4 equipas empatadas a 3 pontos à entrada para a última jornada da fase de grupos. A Rússia, eventualmente a equipa mais cotada em face do seu historial e do bom desempenho até ao momento em 2019, ainda conseguiu bater o Senegal numa partida de grande incerteza no marcador (8-7), mas acabou por ceder uma derrota frente a uns heróicos Emirados Árabes Unidos (4-1), precisando de trabalhar muito para vencer a Bielorrússia por 5-3 na derradeira jornada (destaque para o hattrick de Nikonorov, sempre no local certo no momento certo e dotado de uma capacidade de finalização mortífera). Custou, mas os czares estão nos quartos, onde irão defrontar o Brasil sem os castigados Makarov e Paporotny.

No entanto, o vencedor do grupo C acabou por ser o irreverente Senegal. A capacidade física e explosividade dos Leões de Teranga já não surpreende os seguidores da modalidade, mas a forma como se bateram diante da Rússia permitia entrever grandes feitos. Depois, acabaram por golear a Bielorrússia (7-2, com póquer de DIagne), carimbando finalmente a passagem aos quartos num triunfo cínico contra os Emirados Árabes Unidos (3-1), em que ficou bem patente que os senegaleses também sabem defender e sofrer. Estão nos quartos pela quarta vez na História, defrontando agora a selecção portuguesa numa reedição do confronto de 2011. Por seu turno, os Emirados Árabes e a estreante Bielorrússia acabaram por ser eliminados numa competição em que talvez pudessem ter tido um destino diferente caso tivessem sido integrados noutro agrupamento.

Grupo D – Brasil dominador, mas atenção a Portugal…

O grupo D incluía os vencedores dos mundiais de 2015 e 2017, pelo que se antevia uma equipas extremamente complicada para os outsiders Omã e Nigéria na luta pelo apuramento. Não obstante a qualidade evidente destas selecções (sobretudo Omã), tanto o Brasil como Portugal conseguiram vencer os seus respectivos jogos e carimbar o apuramento sem problemas de maior dimensão (a vitória por 3-1 da selecção das quinas frente aos asiáticos pode parecer modesta quando equiparada aos 8-2 do Brasil, mas a forma como Portugal controlou um jogo que não lhe correu de feição não é menos digna de referência).

Contudo, o grande destaque do grupo vai para o duelo de titãs entre Portugal e Brasil, que terminou com o triunfo Canarinho por 9-7. Apesar dos erros defensivos, principalmente do lado português, vale a pena sublinhar o grande espectáculo de futebol de praia a que a arena Los Pynandi assistiu, incluindo alterações constantes no marcador até ao 3-3, uma escalada do Brasil até ao 7-3 e uma valenter ecuperação lusitana até ao 7-7, com o Brasil a prevalecer na fase final graças a uma grande penalidade.

Terminado o jogo, a comunidade do futebol de praia aguarda uma reedição na final, assim como os comandados de Mário Narciso, que mostraram poder defrontar o Brasil de igual para igual. No entanto, os rivais lusófonos terão primeiro de alcançar o apuramento, num caminho que se afigura muito complicado, não fosse este o mundial mais equilibrado de sempre. Da parte de Portugal, será necessário continuar a tirar partido das movimentações rápidas do trio Jordan-Bê-Léo, mas também das outras armas da selecção, que terão de aparecer, e acima de tudo melhorar na componente defensiva, corrigindo erros que aqui e ali surgiram na fase de grupos.

O mundial entra agora na fase que todos gostam de jogar, e na qual tudo pode acontecer…


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter