Arquivo de Luis Filipe Vieira - Fair Play

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Pedro AfonsoAgosto 3, 20188min0

A saída de Jonas parece inevitável e urge analisar as decisões tomadas pela SAD Encarnada. Qual o rumo que se pretende para o clube? Qual o principal foco? Estará o dinheiro, mais que nunca, acima das decisões desportivas? Caminhará o Benfica em direção a um abismo como aconteceu com AC Milan?

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Pedro AfonsoJaneiro 30, 20175min0

Gonçalo Guedes foi o mais recente triunfo do Mercantilismo que a SAD do SL Benfica entende como sendo essencial para a manutenção da estrutura do clube, de um ponto de vista financeiro. Um modelo de negócios alicerçado na criação de jovens valores que pouco ou nada trazem ao Benfica, de um ponto de vista desportivo. Qual o futuro do plantel encarnado?

Nos últimos 4 anos, a Academia do Seixal trouxe para o Mundo do Futebol alguns dos maiores diamantes, uns mais em bruto do que outros, que o futebol português tem para oferecer. A aliar aos grandes plantéis aos quais a estrutura benfiquista nos tem habituado, que começaram a ser construídos no início do trabalho de Jorge Jesus na Luz, a abundância de opções de futuro nas hostes encarnadas traz uma sensação de confiança no futuro a qualquer adepto benfiquista. Ou pelo menos, trazia. Ao contrário daquilo que Luís Filipe Vieira tem vindo a lançar para a comunicação social, em declarações quase proféticas de uma “nova espinha dorsal da Selecção Nacional”, de apostas em jovens da casa, com a mística benfiquista, parece cada vez mais claro que o intuito da Academia não é criar condições de auto-sustentabilidade para o projeto do futebol do Benfica. Tornou-se, verdadeiramente, uma máquina da produção em série, em busca da próxima estrela para vender pelos maiores valores possíveis, novamente investidos em jogadores das mais variadas proveniências, por razões que, de quando em vez, me ultrapassam.

A “fábrica” de pérolas [Fonte: SLBenfica]

Desengane-se quem pensa que pertenço à nova vaga de afectos à Formação Benfiquista, tratando cada novo jogador como o próximo Eusébio. Penso que é claro que, qualquer clube que pretenda ter sucesso, necessita de se reforçar convenientemente com os jogadores que aparentem ter mais qualidade, que possam assumir-se como apostas de presente e não esperanças de um futuro risonho. As compras de Mitroglou, Rafa, Cervi e Zivkovic demonstram esta necessidade de um plantel se rodear da maior qualidade possível, não obstante a qualidade presente nos plantéis secundários encarnados, com Gonçalo Guedes, João Carvalho, Pedro Rodrigues, entre outros. Contudo, não nego que um plantel deve compor-se de apostas de futuro, da “casa”, que transmitam algo, um espírito, um sentimento, que muitos “estrangeiros” são incapazes de transportar em si.

Olhando para os últimos 20 anos, apenas me consigo recordar de dois jogadores que personifiquem a mística Benfiquista perante os adeptos: Rui Costa e Simão. Dois senhores do futebol, que qualquer adepto não irá esquecer, não só pela sua qualidade, mas por tudo aquilo que representavam para o adepto, pela personificação da Mística Encarnada, pela continuação do adepto no campo, na forma de jogador. E quem personifica esta Mística agora? Curiosamente, a meu ver, parece-me que o expoente máximo de Benfiquismo se concentra em Samaris, um jogador que se fez “Benfica”.

A despedida do “Maestro”, o último dos “nossos” [Fonte: Globo Esportes]

Desportivamente, é-me difícil encontrar explicações para a única afirmação da cantera Benfiquista ser Renato Sanches, que apenas passou meia-época no plantel principal da Luz, tendo sido logo vendido para o colosso Bávaro de Munique. Uma análise cuidada aos “craques” que saíram da Luz nos últimos anos mostra-nos um conjunto de negócios financeiramente discutíveis e desportivamente ruinosos:

  • Bernardo Silva, o príncipe monegasco, que abandonou o Benfica após o seu talento ser ignorado por Jorge Jesus, em 2014. 15M€ justificaram a perda de um talento raríssimo.
  • André Gomes, o pretenso herdeiro de Xavi, que, após duas épocas em Valência foi o escolhido para reforçar o meio-campo blaugrana. 15M€ voltaram a justificar a perda de uma enorme promessa.
  • João Cancelo, lateral atualmente no Valência, com passagem agendada para Barcelona no final da época, vendido por mais 15M€.
Nunca contou para o “Potenciador”, agora espalha magia no Principado [Fonte: Mais Futebol]

E o passado recente não se mostrou bom conselheiro para LFV, que parece continuar nesta senda de enfraquecimento do futuro encarnado, com as saídas confirmadas de Gonçalo Guedes e Hélder Costa, bem como as inúmeras sondagens por Lindelof, Nélson Semedo e Ederson.

Para além do claudicar de um futuro assegurado por uma estrutura que traz novos valores, a preços baixos, com a vantagem de uma formatação para um modelo de um clube, o clube perde referências de benfiquismo, jogadores que carreguem a mística, criando um vazio que as bancadas buscam procurar com craques que, tantas vezes, não compreendem o amor que o adepto sente pelo intérprete, como foi o caso de Enzo Pérez. O futebol é, mais que nunca, um negócio, contudo não podemos negar aos adeptos a oportunidade de ver em campo “um dos seus”, a oportunidade de ver miúdos crescer com a águia ao peito, que irá ser a sua segunda casa. Talvez seja utópico e um pouco romântico, mas fazem falta mais Guedes, mais Bernardos e mais Renatos ao Benfica.

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Nélson SilvaSetembro 28, 20166min0

Atribulado, nem sempre convincente, mas eficaz – assim tem sido o início de época dos encarnados. O Benfica segue embalado pelos bons resultados ao passo que as enchentes de adeptos se demonstram também determinantes para empurrar a equipa rumo às vitórias. De Rui Vitória, chega um novo leque de apostas para colmatar as ausências e, como sempre, há surpresas boas e outras que tardam a encher o olho.

Sem Renato Sanches e Gaitán no plantel, aliado a uma praga de lesões que afetou vários titulares, o técnico encarnado viu-se obrigado a encontrar soluções, algumas internas, outras adquiridas no mercado. Das más experiências salta à vista as apostas no miolo, na tentativa de garantir um suplente à altura do preponderante médio defensivo Fejsa. Samaris continua a deixar muito a desejar, está longe de conseguir “lavrar o terreno” que o sérvio lavra sempre que joga, para além de que o grego acumula imensos passes errados quando chamado ao onze. Da América do Sul chegou Celis, desviado da rota do Braga, passou de incógnita a fracasso nos poucos momentos que se apresentou em campo. Demasiado impetuoso, agressivo, arrisca o drible em zona proibida. Culminou o mau início de temporada sendo o responsável por conceder, de forma imprudente, o livre que deu no golo do empate do Besiktas para a Liga dos Campeões, já ao cair do pano. O que mais deixa frustrados os adeptos é o facto de Rui Vitória ter inscrito Celis na liga milionária, em detrimento de Danilo Barbosa, que chegou do Valência com rótulo de craque.

Ainda assim, há muito mais e melhor para contar acerca das novidades do experimentado onze encarnado. Desde reforços do mercado internacional a novas caras da formação do Seixal, certo é que as águias possuem já vários atletas para potenciar e continuar a encher os cofres da Luz.

O pequeno adepto à solta em campo

Sangue novo, bem encarnado, talento e muita mestria, a fazer lembrar o mito encarnado Rui Costa. A classe passa-lhe dos relvados para os pavilhões da Luz, onde é adepto assíduo das modalidades, numa mostra da sua dedicação ao clube, na representação máxima daquilo que é um adepto conseguir chegar ao sonho de vestir o “manto sagrado”. André Horta não dececionou, deu o grande salto para o tricampeão nacional e desde logo agarrou a titularidade. O novo diamante em bruto do Seixal traz características distintas de Renato Sanches, mas ninguém se pode queixar de falta de intensidade. A envergadura está longe de ser a mesma, mas a entrega está lá, há qualidade acrescentada no capítulo defensivo e ainda no passe, para além de um tão ou mais delicioso drible, que já lhe valeu um belo golo de estreia. Dono e senhor do lugar, o nº 8 encarnado saltou diretamente para o colo dos adeptos, de onde saíra Renato Sanches.

Foto: MaisFutebol
(Foto: MaisFutebol)

A reafirmação da surpresa

Veloz, “na raça”, tecnicista e o verdadeiro pulmão que se exige a um lateral. Quem não esqueceu Maxi depois do aparecimento de Nelson Semedo na temporada passada? Foi a grande surpresa do início da época transata, tendo até o reconhecimento de Diego Simeone antes do embate onde os encarnados viriam a bater os “colchoneros”, em pleno Vicente Calderón. Semedo volta a impressionar, principalmente pela qualidade a atacar e pela intensidade que impõe em cada partida. Resta-lhe corrigir algum posicionamento defensivo e não se excitar demasiado na fase de construção ofensiva. As combinações entre toques curtos e a capacidade de dar profundidade do português fazem com que neste momento seja André Almeida a ter que se esforçar para recuperar o lugar. Não restam dúvidas de que, melhorando algumas das suas debilidades, o lateral é mais um dos ativos que mais dinheiro pode fazer entrar nos cofres encarnados.

Foto: ntvsport.net
(Foto: ntvsport.net)

O resgate certeiro à La Masia

Da fornada de ’95, de onde o produto transpira sempre qualidade, Grimaldo foi o escolhido da “cantera blaugrana” para colmatar uma lacuna que ia sendo remendada por Eliseu. O Benfica já “namorava” o menino espanhol há algum tempo. Ele, por sua vez, sentiu que lhe faltaria espaço no plantel principal do Barcelona e aceitou o convite do Benfica para ter mais possibilidades de potenciar o seu talento. Paciente, teve uma primeira época na sombra de Eliseu, dono e senhor do lugar, apesar das deficiências defensivas que lhe eram reconhecidas. Sempre que foi chamado respondeu à altura, aguardou serenamente a sua oportunidade e não a deixou fugir quando Eliseu perdeu a pré-época devido a férias, após a conquista do campeonato europeu por Portugal. Grimaldo é um exemplo perfeito da insistência que é aplicada na formação catalã a nível tático. Toque curto, “toca e vai”, cria desequilíbrios com tabelas entre colegas e ainda demonstra rasgos individuais capazes de desmontar a defesa contrária, à medida que delicia os adeptos. Peca essencialmente por algum desacerto defensivo, para além de alguns momentos em que arrisca demais na saída para o ataque, à semelhança do novo colega da ala contrária. Incontestável é o talento do espanhol, tem confirmado as expectativas e é já cobiçado por grandes emblemas europeus, como é o caso do Manchester City de Guardiola.

Foto: Record
(Foto: Record)

O melhor Tango é tocado com “la zurda”

Trata-se de “só” mais um pé esquerdo (“la zurda”, como dizem os argentinos) a prometer fazer muitos estragos, proveniente da terra do Tango – Argentina. O Benfica parece estar a acertar em cheio na sucessão de extremos esquerdos e neste caso trata-se mesmo da maior esperança formada no Rosario Central, desde o ex-benfiquista Ángel Di Maria. A um ritmo frenético, com um drible curtíssimo e impressionantes rasgos individuais, chegou e logo fez a diferença frente ao Sporting de Braga na Supertaça. A sua aposta por parte de Rui Vitória tem sido intermitente, mas o argentino vai respondendo da melhor maneira sempre que é chamado e até foi o primeiro a marcar pelos encarnados na presente edição da Liga dos Campeões, quando fora adaptado a jogar na frente ao lado de Gonçalo Guedes. Extremos não faltam no plantel encarnado, mas Cervi tratou de corresponder e depressa, justificando que é uma mais-valia a manter e evoluir no futuro.

Foto: pbs.twimg.com
(Foto: pbs.twimg.com)

São estes os diamantes que mais reluzem, neste momento, a Rui Vitória. Contudo, espera-se o aparecimento de outros jogadores que o técnico procura evoluir, como é o caso de Zivkovic, Danilo Barbosa e os já conhecidos André Carrillo e Rafa. Assim que terminada a onda de lesões no plantel encarnado, serão mais do que boas as dores de cabeça do treinador encarnado, que continua a surpreender pelos resultados positivos e potencialização de ativos no plantel.


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