SL Benfica: Vieira ou surpresa?

Guilherme CatarinoSetembro 25, 20205min0

SL Benfica: Vieira ou surpresa?

Guilherme CatarinoSetembro 25, 20205min0
Poderá haver uma mudança na direcção do SL Benfica? Ou Luís Filipe Vieira sobreviverá a um momento conturbado para si a nível pessoal? Guilherme Catarino explica o seu ponto de vista para as eleições que estão quase a chegar

Tudo indica que será no próximo dia 30 de Outubro que se irão realizar as eleições presidenciais no Sport Lisboa e Benfica. Como clube histórico habituado a grandes intervenientes, nada de menor dimensão se espera, quer da parte dos simpatizantes votantes, quer daqueles que tentarão dar luta a uma hegemonia de Luís Filipe Vieira que se estende há mais de 14 anos.

Numa recente sondagem realizada pela Aximage para a TSF e o Jornal de Notícias, Luís Filipe Vieira lidera por larga maioria o favoritismo do universo benfiquista, com 81,2%, à frente dos insuficientes 3,3% de Rui Gomes da Silva e 2,7% de João Noronha Lopes. Por terem assumido as candidaturas à presidência apenas no último mês, e pelas ditas cujas ainda estarem sob apreciação, Bruno Carvalho e Francisco Benitez ainda não aparecem nos resultados das amostras. Contudo, a vitória obséquia de Luís Filipe Vieira parece estar bem encaminhada e apenas uma hecatombe retirará um lugar ao sol ao atual timoneiro benfiquista. Analisemos porém.

De ínicio, parece-nos importante informar os leitores sobre os “opositores” ao reinado de Luís Filipe Vieira. Falamos dos suprarreferidos Rui Gomes da Silva, João Noronha Lopes, Francisco Benitez e, em caso de aceitação do seu programa, Bruno Costa Carvalho.

Conhecido dos portugueses mais atentos, com presenças assíduas em debates televisivos e uma ligação intrínseca à estrutura diretiva encarnada até 2016, Rui Gomes da Silva formou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, antes de tornar militante do PSD, e trabalhou posteriormente como Ministro dos Assuntos Parlamentares desde 2004, no XVI Governo Constitucional. Afastado da lista de re-candidatura de Luís Filipe Vieira em Outubro de 2016 por alegados motivos pessoais, Gomes da Silva nunca mais representou os órgãos sociais do Benfica e aparece agora como um dos principais opositores a uma lista à qual afirmou veementemente nunca se opor…

Rui Gomes da Silva não inspira grandes confianças aos adeptos encarnados. Apesar de ser indúbia a paixão que nutre pelo clube, esta não costuma ser suficiente para mover massas associtativas e conquistar simpatizantes. Veja-se o recente exemplo de Bruno de Carvalho, no Sporting, onde a, porventura, excessiva emoção e devoção e o desmedido fervorismo acabaram por provocar uma tremenda catarse cujos prejuízos se estimam estender por longos anos pelos lados de Alvalade.

O antigo vice-presidente do Benfica prometeu ainda “livrar o Benfica de negócios obscuros, de processos judiciais e de falta de resultados”, algo que certamente não o distinguirá dos outros candidatos vista a natural vontade de transparência no Benfica da parte de todos os envolvidos no clube. Acima disso, pretende vencer a Liga dos Campeões no futebol sénior masculino e feminino. A recente falha nesta competição europeia, após todo o investimento feito na equipa sénior masculina e respetiva equipa técnica – recorde-se o regresso de Jorge Jesus – certamente favorecerá os objetivos dos opositores de Luís Filipe Vieira e, acima disso, poderá retirar votos ao líder máximo benfiquista, o que beneficiará indiretamente os outros candidatos.

João Noronha Lopes aparece como o terceiro candidato mais bem posicionado na corrida eleitoral. O nome talvez seja mais desconhecido de alguns, porém o gestor lisboeta foi vice-presidente do clube da Luz durante o famoso (e único) mandato de Manuel Vilarinho, consequente à saída traumática de Vale e Azevedo, onde se aprovou ainda a construção do novo Estádio da Luz e se iniciou a nova era contra o fantasma do suprarreferido empresário.

Conhecido essencialmente pela panóplia de cargos que desempenhou numa das maiores cadeias mundiais de restaurantes de fast-food – McDonalds – iniciou aqui o seu percurso no ano de 2000, como Diretor de Franchising para Portugal e Sul da Europa, subindo gradualmente na cadeia executiva, passando pela Presidência no Sul da Europa entre o ano de 2008 e 2014, até em 2018 deixar a cadeia após cumprir o cargo de Corporate Vice-President e Worldwide Chief Franchising Officer. Com participação integral no programa “Executives in Residence”, em colaboração com a Universidade Católica Portuguesa, o seu estatuto de gestor de topo tem permitido a alunos e professores terem a oportunidade de beneficiarem de uma experiência de convivência com titulares de cargos honorários na área de Gestão, fortalecendo e reforçando o laço entre a comunidade estudantil e empresarial.

Sob o lema “A Glória é agora”, a candidatura de Noronha Lopes ganha especial importância pelo papel, infelizmente esquecido, que o seu gabinete presidencial ganhou, ao reerguer um Benfica que andava pelas ruas da amargura no pós-Vale e Azevedo. Defende o empresário, que no mais recente ano de Luís Filipe Vieira reinou a desordem, incoerência e a contradição e que Jorge Jesus deve uma explicação aos adeptos benfiquistas. Talvez Noronha Lopes tenha especial razão nestes últimos dois campos, e será aqui que poderá ferir o timoneiro benfiquista no próximo dia 30 de Outubro. Particularmente pela maneira como Jesus saiu durante o mandato de LFV, com ações judiciais e polémicas entre os dois, onde o líder encarnado acabou até referindo que o treinador amadorense nunca mais treinaria no clube enquanto aquele presidisse o Sport Lisboa e Benfica…

Muitas dúvidas assombram a atual estrutura diretiva de Luís Filipe Vieira. Não haverá maneira de o negar, especialmente depois de no mais recente ano este ter sido interveniente arguido em inúmeros casos judiciais e ainda se encontrar envolvido em diversos casos, sendo o Football Leaks aquele que maior importância traz ao universo benfiquista. Parece uma luta eleitoral desigual, pela experiência e garantias que Luís Filipe Vieira vem garantindo aos adeptos benfiquista ao longo dos últimos anos, porém esperaremos para ver o que Rui Gomes da Silva e Noronha Lopes conseguirão fazer no mês que falta até às votações, e ainda se Bruno Costa Carvalho ou Francisco Benitez terão alguma palavra a dizer.


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