Milhões de euros, dezenas de fragilidades – Mibster Time

Fair PlaySetembro 18, 20205min0

Milhões de euros, dezenas de fragilidades – Mibster Time

Fair PlaySetembro 18, 20205min0
O SL Benfica está eliminado da Liga dos Campeões e o director da revista Mibster dá a sua opinião em relação aos problemas inerentes a um plantel que custou alguns milhões. Um simples percalço ou premonição para uma época pouco positiva?

Foram 6 jogos à “porta-aberta” (entre-aspas porque o Covid assim obrigou) que o novo Benfica disputou antes do arranque do campeonato 2020/2021. Cinco vitórias e uma derrota. Cinco amigáveis e um oficial. Foi neste último que os pupilos de Jorge Jesus não conseguiram passar pelo PAOK de Abel Ferreira. No único jogo que era obrigatório vencer, o Benfica acabou por ceder ao excesso de confiança que o próprio treinador das águias acabou por admitir.

JJ admitiu também que a equipa ainda não está ao nível pretendido em vários setores do campo. Que setores estaria o mister a falar? Onde é que precisa de ser melhorado, este Benfica?

É isso que quero aqui analisar hoje, tentando traçar uma análise daquilo que são as fragilidades desta valiosa equipa encarnada.

Instabilidade defensiva

Com a contratação de Vertonghen, todos os Benfiquistas esperariam melhores prestações a nível defensivo. A verdade é que os defesas encarnados viram-se Gregos no último jogo, sobretudo nas transições. Tzolis, extremo-esquerdo do PAOK, muito rápido e ágil, conseguiu desequilibrar facilmente as linhas do adversário através da ala esquerda. André Almeida, o homem da braçadeira de capitão, foi constantemente ultrapassado pelo jovem jogador, e isso demonstrou aquilo que já tem vindo a ser apontado pelos adeptos há algum tempo: por muita raça e determinação que tenha, André Almeida não apresenta qualidade suficiente para jogar neste Benfica.

No lado esquerdo, Grimaldo também mostra que não está no seu melhor momento de forma. Esta queda abrupta de rendimento pode ser um indicador de que o sistema de Jesus não potencia as melhores qualidades do Espanhol, mas vamos dar tempo ao tempo.

A pressão alta é uma característica que faz falta a este Benfica, e que é tão típica das equipas do mister Jesus, assim como uma maior intensidade na reação à perda da bola. Isto pode ajudar a condicionar o adversário em momentos de transição. Jorge Jesus tem de colocar mais intensidade no capítulo da recuperação defensiva. Os encarnados ainda têm de crescer, mas já não têm muito tempo para isso.

A construção de jogo

Não é algo novo nas equipas de Jorge Jesus, mas é algo que salta à vista desde o primeiro amigável com transmissão televisiva. Embora os encarnados já procurassem algumas vezes estes movimentos com Bruno Lage, agora, sob as ordens de Jorge Jesus, é evidente a descida do médio mais recuado para o momento de construção do Benfica desde a sua grande área, formando, no momento ofensivo, uma linha de 3. Acontece que, por jogar a partir de trás, e com esta linha defensiva bastante subida, exige-se aos centrais que saibam distribuir jogo com passes verticais para o 2º e 3º terço do terreno. Vertonghen, Rúben Dias e Weigl são capazes disso, mas tem faltado algum empenho aos homens mais recuados das águias. É urgente melhorar este aspeto. As ideias de JJ passam muito por aqui.

Indefinição no onze

A pré-época serve para fazer testes, dar ritmo e preparar o que aí vem. Serve para definir quem merece ou não lugar no 11 inicial. Problema: Jorge Jesus mostrou que há lugares mais definidos do que outros. Se os titulares do meio-campo para trás parecem praticamente certos (falta dar ritmo a Grimaldo, e, como referi, tirar André Almeida), do meio-campo para a frente, com exceção dos extremos, não é bem assim. Weigl e Pizzi parecem as escolhas mais claras do novo técnico dos encarnados. No entanto, o meio-campo dos encarnados mostrou sentir ainda algumas dificuldades. Taarabt e Gabriel dificultam as contas a Jorge Jesus. Na frente, a chegada mais tardia de Darwin Núñez, a possível venda de Vinícius, a provável saída de Seferovic e a presença de Waldschmidt na seleção Alemã… baralham as contas.

Esta indefinição não é positiva para o Benfica. Existem boas dores de cabeça, Jesus quer tê-las, mas estas são daquelas que acontecem por indefinição tática. JJ tem de delinear melhor o que quer deste plantel.

Pouco entrosamento em alguns setores

Talvez por reação às incertezas táticas do mister, nota-se, em alguns setores do campo, alguma ausência de química entre jogadores cujas posições necessitam de se relacionar bem. É o caso de Grimaldo com Cebolinha. Everton procura muito o jogo interior, abrindo a ala para o defesa-esquerdo Espanhol, mas a falta de entrosamento entre ambos é ainda notória. Também Taarabt parece ainda não se encaixar muito bem neste sistema complexo. O Marroquino deve funcionar como dínamo do meio-campo encarnado, mas não tem sido capaz de o fazer com constância. Quanto ao resto da equipa, principalmente na frente de ataque, é perfeitamente normal que ainda não esteja ‘enturmada’: Darwin chegou há uns dias, e Waldschmidt ainda não amealhou minutos.

Todas estas fragilidades aqui referidas são efémeras. Podem ser corrigidas. Jesus sabe disso e vai jogar com o tempo. Problema: já deixou os milhões e o prestígio da Champions para trás… vamos ver como correm as primeiras jornadas do Campeonato!

Um exemplo claro dos problemas do SL Benfica: a derrota com o PAOK


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