Arquivo de Boca Juniors - Fair Play

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Diogo AlvesJulho 6, 201712min0

Boca Juniors campeão duas épocas depois, e mostra-se ser o rei dos campeonatos regulares com 30 equipas. O bipolar River Plate que ao longo da época mostrou duas facetas, e, volta a falhar o título que falta no palmarés de “Muñeco”. Um campeonato mais emocionante, com luta pela Libertadores até à última jornada. Contudo, algo manchado com a polémica e emblemática greve dos jogadores no mês de Março.

O trigésimo segundo do Boca Juniors

O Boca Juniors regressou aos títulos duas épocas depois, apenas uma época de interregno nas conquistas, os Xeneize regressaram assim em 2017 aos grandes títulos internos, e, além do 32º campeonato nacional, arrecadaram para o seu historial o 66º título da história do clube.

Orientados pela dupla Guilhermo e Gustavo Barros Schelotto – os gémeos – o Boca Juniors apresentou para esta época um dos melhores – se não o melhor – plantéis da Argentina. Carregados de talento os “azul e ouro” montaram um elenco a pensar na conquista do campeonato, já que, não havia Libertadores da América – face da péssima época passada – o conjunto de Buenos Aires capitalizou forças na prova doméstica.

Um inicio de época algo inconstante, com derrota na primeira jornada, e uma séria de empates consecutivos longe do (mítico) La Bombonera, o Boca nunca foi perdendo de vista o líder – à altura – Estudiantes de La Plata. A demonstração de força e que ajudou a “assaltar” e solidificar a liderança aconteceu já em meados de Dezembro, antes da paragem natalícia (que viria a prolongar-se por mais tempo).

Wilmar Barrios, o silencioso que foi muito importante na recta final (Foto: AS.com)

Quatro vitórias consecutivas (cinco se contarmos já com a vitória pós-pausa natalícia) onde destaca-se a conquista dos três pontos na casa do San Lorenzo e do eterno rival e vizinho River Plate na catedral dos “milionários”.

No regresso à competição, já em Março deste ano, o Boca regressou já sem a sua estrela maior Carlitos Tévez que partiu – depois do superclássico com o River Plate – para a China. Centurión, Gago e Bendetto – a espaços também Pavón – assumiram a batuta da equipa sem a estrela maior e trabalharam para fazer do Boca campeão.

Guillermo Barros Schelotto foi arguto na recta final do campeonato numa fase algo intermitente do Boca – onde perderam vários pontos, inclusive derrota na La Bombonera com o River Plate que chegou a encostar no líder e parecia relançar o campeonato. Adicionou Wilmar Barrios ao meio-campo – na função de médio-defensivo – e fez subir Gago para junto de Pablo Pérez. Esta mudança táctica foi importante (os próprios jogadores elogiaram a decisão do técnico) para estabilizar o centro nevrálgico do terreno e permitiu que Gago conecta-se mais com Centurión, Pavón e Benedetto com maior liberdade posicional, uma vez que, nas suas costas tinha Wilmar Barrios para o proteger.

A sagacidade e inteligência de Gago assumir a construção de jogo através de passes verticais a queimar linhas do adversário, a criação e irreverência de Centurión no último terço e o instinto matador de Bendetto (que não foi só pelos golos que destacou-se) na área adversária. Acrescenta-se ainda a recta final de Pavón, terminou a época num óptimo momento de forma com golos e assistências.

(Foto: Lanacion.com)

River de duas caras

Ainda não foi em 2017 que Marcelo Gallardo conseguiu somar o campeonato ao seu vasto palmarés como treinador principal. Já venceu tudo que havia para ganhar, excepto a Primera División.

Uma época que foi claramente de menos a mais e em que se pode dizer que foi um River de duas facetas. Embora fosse visível o crescimento de vários jogadores como Pity Martínez e Sebástian Driussi (um dos melhores jogadores actuar na Argentina), o colectivo não rendia o desejado, e os resultados não apareciam.

Muito também culpa da aposta na passagem aos oitavos-de-final da Libertadores da América e em vencer a Taça da Argentina. O torneio local foi muitas vezes colocado para segundo plano, inclusive houve jogos em que Gallardo apostou em equipas jovens e de jogadores da equipa de reservas para poupar jogadores como Maidana, Ponzio, Nacho Fernández e Lucas Alário.

Rotatividade essa que acabou por ter efeitos, uma vez que conseguiram garantir o passaporte para os oitavos-de-final da Libertadores e a vitória na Taça da Argentina. Já o campeonato parecia – à data – estar perdido e até em causa a garantia de chegar a postos que dessem entrada directa na Libertadores do próximo ano.

O título que escapa a Marcelo Gallardo por mais um ano (Foto: glbimg.com)

A pausa no campeonato permitiu refrescar o plantel e recarregar baterias para a segunda metade da temporada. Chegou Ariel Rojas (um histórico do clube) e partiu Andrés D’Alessandro.

O River Plate do terço final do campeonato foi o oposto da versão deixada em 2016. Uma equipa com ideias renovadas e atractivas, que privilegiavam bastante um futebol mais combinativo e onde surgiu a melhor versão de Driussi, Nacho Fernández, Pity Martínez e Alario. A entrada de Rojas foi significativa para o 4-4-2 de Gallardo ter a sua melhor versão e aquela que permitiu jogar bem, ter um processo de jogo e resultados.

Tiveram 6 meses sem conhecer o sabor da derrota (última derrota tinha sido a 11 de Dezembro) e passaram de um mísero 11º lugar para o 2º posto e chegaram a cheirar a liderança. A vitória na La Bombonera fez sonhar as tropas de Muñeco, mas, voltaram a ser assombrados pela inconstância na recta final da Primera División. Derrota na casa do San Lorenzo e com o Racing abriu novamente o fosso para Boca Juniors a somente 4 jornadas do fim e acabou por ser irremediável.

O plantel vai sofrer bastante agora com o mercado de transferências e muito provavelmente irão perder as duas maiores estrelas: Pity Martínez e Driussi. No entanto, já chegaram Germán Lux, Javier Pinola, Enzo Pérez e Ignacio Scocco. O River já começa a preparar o ataque ao campeonato da próxima época, mas é também a pensar na Libertadores que chegam estes quatro jogadores ao conjunto de Marcelo Gallardo que promete vencer a Copa dos Libertadores da América de 2017.

Sensação Banfield

Julio Falcioni, um dos treinadores mais carismáticos da Argentina, conseguiu fazer do Banfield um candidato ao título quando menos se esperava. Uma equipa sem grandes argumentos, e que raramente entra nas contas do título, acabou a época como o rival directo do Boca Juniors na luta pelo título.

A derrota na penúltima jornada no reduto do San Lorenzo – com golo do ex-portista Fernando Belluschi – acabou por roubar o sonho aos verdes e brancos e directamente deu o título ao Boca que jogava apenas no dia seguinte.

Não obstante, a época de El Taladro foi uma das melhores dos últimos, e, conseguiram ficar com a última vaga para a Copa dos Libertadores de 2018. Um feito muito grande para o pequeno clube que lançou James Rodriguez.

Julio Falcioni conduziu o Banfield a uma época acima da média (Foto: Lanacion.com)

O grupo perseguidor

Ao longo da época foram vários foram os clubes que andaram na perseguição ao líder Boca Juniors, que jornada após jornada aproveitava sempre os deslizes do grupo perseguidor. Estudiantes, Newell’s Old Boys, os supracitados Banfield e River Plate e ainda o San Lorenzo foram os conjuntos que andaram sempre pelos lugares cimeiros na expectativa de assumir a liderança.

O Estudiantes de Nélson Vivas foi o primeiro líder da época e até com boa vantagem sobre os demais perseguidores. O término da primeira metade da época acabou por ser crucial para a perda da liderança e da queda na tabela. Cinco jogos sem vencer, onde pode contar-se quatro derrotas, das quais três foram consecutivas. Nélson Vivas acabou mesmo por não acabar a época ao serviço do clube platense, contudo já tem clube para a próxima época: Defensa Y Justicia.

San Lorenzo e Newell’s Old Boys – dois históricos – que acabaram em 7º e 9º lugar, respectivamente, foram a certa altura os dois emblemas que mais se bateram com o Boca e andaram sempre muito perto do clube de Buenos Aires. A inconstância de ambos acabou por sair-lhes cara nas contas finais e ambos ficam de fora de lugares com acesso à Copa dos Libertadores. Esta queda também deve-se em muito à competitividade que houve do 2º lugar para baixo, nunca houve grandes fossos entre os lugares cimeiros e o meio da tabela.

Por fim, salientar aproximação de Racing (4º na geral) e do Independiente já na recta final do campeonato. Um e outro acabaram por beneficiar bastante da troca de treinadores que fizeram em meados de Dezembro. O regresso de Darío Cocca a Avellaneda foi determinante para que o Racing garantisse o acesso à Libertadores e potencializa-se o plantel que tem à sua disposição.

O mesmo para o rival do outro lado da rua que apostou em Ariel Holan – um treinador super respeitado pela suas convicções e ideias de jogo – e conseguiu tirar máximo proveito da qualidade flamejante que possui La Roja nos seus quadros. Não deu ainda assim para terminar no top-4 que dá acesso à Copa dos Libertadores da América de 2018.

Os relegados

O sistema de despromoção na Argentina ainda é por médias de 3 épocas, e não o sistema mais usual na Europa, em que, os três últimos classificados (podem ser mais ou menos, depende do país) descem de divisão.

Atlético Rafaela foi um dos despromovidos que até ficou distante dos últimos lugares, contudo a média de pontos das últimas 3 épocas não dava para salvar La Crema da despromoção. Sarmiento ainda lutou até aos últimos jogos pela manutenção, mas, tal como o caso supracitado, também o sistema que está em voga na Argentina acabou por despromover o clube de Junín.

Quilmes e Aldosivi acabaram eles também despromovidos pela má época que realizaram e por uma série de resultados bastante maus nas últimas jornadas. Olimpo, Huracán e Temperley acabaram por salvar-se na última jornada.

As revoluções nos bancos

A Primera División começa a tornar-se terreno hostil para treinadores que não consigam resultados no imediato. Tempo e paciência não existem na Argentina. Em 30 equipas só 8(!) treinadores chegaram “vivos” desde a 1ª jornada até a 30ª jornada. Boca, River, San Lorenzo, Talleres, Banfiel, Atlético Rafaela e Patronato.

63(!) treinadores em 30 jornadas é um número muito grande para um campeonato de somente 30 jornadas. É uma pequena amostra de que o tempo dado a um treinador para mostrar a sua qualidade é pouco.

A greve

A AFA viveu tempos de grande agitação, não bastava as polémicas eleições em 2014 – onde pairou o clima de corrupção – com a contagem dos votos polémica, a terminar com um empate entre os dois candidatos à presidência do organismo que tutela o futebol argentino (38 votos para os dois).

Para piorar e manchar ainda mais o futebol argentino, os jogadores decidiram realizar uma greve no regresso aos trabalhos depois da paragem natalícia. As dívidas dos clubes para com os jogadores (ordenados e prémios em atraso) motivaram a greve. Não eram todos os clubes que deviam aos jogadores, mas por solidariedade todos os clubes juntaram-se ao movimento em forma de protesto pelo sucedido.

O imbróglio ficou resolvido com o pagamento de alguns salários com o dinheiro vindo dos direitos de transmissão, cerca de 21 milhões de euros.

Distinções

Jogador do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Treinador do Ano: Guillermo Barros Schelotto (Boca Juniors)

Avançado do Ano: Darío Benedetto (Boca Juniors)

Médio do Ano: Pity Martínez (River Plate)

Defesa do Ano: Tagliafico (Independiente)

Guarda Redes do Ano: Esteban Andrada (Lanús)

Golo do Ano

Classificação Final

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Diogo AlvesMaio 5, 20177min0

O Boca Juniors habituou-nos a lançar todos os anos novas promessas para o futebol argentino. ‘Pibes’ como se diz na Argentina. No passado domingo dia 30 de Abril, no duelo contra o Arsenal de Sarandí, La Bombonera ficou a conhecer um novo canterano bostero: Gonzalo Maroni. Apenas 18 anos e com uma estreia digna de estrela.

Costuma-se dizer que há males que vêm por bem, e, a história do pequeno pibe Gonzalo Maroni, nascido e criado no Instituto – de onde saiu Paulo Dybala – começa com a lesão de Ricky Centurión. O enganche do Boca atravessava um dos melhores momentos da sua carreira, sendo uma das figuras de proa do líder da Primera Divisón.

Maior protagonismo ganhou com a saída de Tévez, o técnico Guillermo Barros Schelotto elegeu-o para suprimir a falta de um criativo no terço ofensivo. Infelizmente para o jogador e para a sua equipa, sofreu uma lesão nos ligamentos do joelho esquerdo, e, em princípio estará de baixa cerca de dois meses.

A aposta não caiu logo no pibe argentino, o jovem ainda teve de esperar dois jogos até à estreia com o Arsenal de Sarandí. Com o Patronato aposta foi em Nazareno Solís e diante do Atlético Rafaela coube a Franco Zuqui assumir a posição que outrora fora de Riquelme e Tévez. Nenhum dos jogadores convenceu, e para piorar, os resultados em ambos os jogos foram maus para o Boca, dois empates que deixaram o Boca somente com 3 pontos de distância para o Newell’s.

A hora de Gonzalo Maroni

Foi no passado domingo, dia 30 de Abril, que o jovem de apenas 18 anos fez a sua estreia como titular na equipa principal do Boca. Diante do Arsenal de Sarandí coube ao pibe assumir a posição de médio criativo. As comparações com Riquelme apareceram num ápice, logo pela posição em que jogam e pela estreia ter sido muito semelhante. Ambos estrearam-se com 18 anos e assinaram uma exibição de luxo com direito a golo.

Gonzalo Maroni deixou logo a sua marca aos 45’ minutos, recebeu a bola e passou a bola por cima da cabeça do primeiro que lhe apareceu à frente com um sombrero e logo de seguida fez um caño (túnel) sobre o segundo opositor que lhe apareceu à frente. Deixou logo todos em polvorosa na La Bombonera a quem assistia pela TV. Já antes tinha dado sinais positivos, sempre que recebia a bola procurava atacar a baliza adversária e não tinha receio de assumir o jogo.

O melhor ficou guardado para a segunda parte. À passagem do minuto 60’ o momento mais aguardado pelo jovem jogador, o golo na estreia. Tal e qual como Riquelme. Aproveitou muito bem um alívio pouco eficaz de um defensor do Arsenal e de primeira desferiu um remate cheio de intenção para o fundo das redes. Nove minutos depois saiu do relvado debaixo de uma enorme ovação e ficou a sensação que o miúdo agarrou o lugar para o resto da temporada.

Afinal quem é Gonzalo Maroni

O médio é natural de Córdoba e desde muito cedo que revelou predicados. Apresentou-se ao mundo do futebol num torneio infantil, e, como é normal nestas idades, o pequeno Maroni demonstrou estar mais à frente dos restantes companheiros de equipa. Somava golos atrás de golos e driblava os adversários com facilidade e sempre com vista em chegar à baliza adversária.

Do torneio infantil passou para um clube a sério, o Instituto de Córdoba. Influência da sua família que são todos adeptos do clube que lançou Mário Kempes, Osvaldo Ardilles e mais recentemente Paulo Dybala. Foi ao serviço do seu clube – é sócio desde os 3 anos de idade – que ganhou o apelido de “Maravilha” e rapidamente foi comparado ao ex-jogador do SL Benfica, Pablo Aimar.

As boas exibições do “Maravilha” despertavam a atenção dos grandes clubes e bem antes de aparecer o Boca, já o Belgrano e o San Lorenzo haviam tentado a sua contratação. Porém, sem êxito. O sonho da família e do jovem jogador era de só sair do Instituto depois da estreia pela equipa principal. E assim foi, aos 16 anos subiu ao escalão sénior pela mão de Héctor Rivoira e estreou-se a 11 de Agosto de 2015 na vitória sobre o Atlético Tucumán. Nesse ano ainda jogou mais quatro partidas a contar para o Nacional B: Guillermo Brown de Puerto Madry, Santamarina de Tandil, Chacarita e Guaraní Antonio Franco.

As boas exibições suscitaram o interesse de vários clubes, mas foi o Boca quem convenceu o Instituto e ao próprio jogador – que guarda mágoa de não ter jogado mais pelo clube do seu coração – a mudar-se para Buenos Aires para representar o clube azul y oro.

Tem em Paulo Dybala a sua maior referência, e prometeu que num próximo golo iria imitar o festejo da máscara que a “Joya” da Juventus faz sempre que marca um golo. Em 2016 numa partida de solidariedade estiveram juntos com a camisola rojiblanca do clube que os formou. O sonho do pequeno cordobés é mesmo o de jogar lado a lado com o seu ídolo na Europa.

Gonzalo Maroni ao lado do seu ídolo Paulo Dybala [Foto: infobae.com]

Assim joga Gonzalo Maroni

Jogador com uma boa capacidade para progredir no terreno com bola controlada, forte nos duelos individuais e com um bom remate de meia distância. Nas reservas do Boca era o principal responsável por bater os livres directos devido à sua boa valentia nos remates exteriores. De apenas 1,72m fisicamente não é um jogador forte, mas compensa isso com uma boa capacidade técnica e agilidade para fugir aos duelos mais físicos que vão surgindo no terreno de jogo. Com apenas 18 anos mostrou uma boa maturidade.

Aproxima-se o embate sempre histórico e intenso com o eterno rival, o River Plate. Não haverá maior desejo que não seja o de ser titular no superclássico do próximo dia 13 de Maio. A famosa frase de que o ser humano tem de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro, os adeptos do Boca e do River acrescentaram o marcar um golo no superclássico. Portanto a fase é: Plantar uma árvore, ter um filho, escrever um livro e marcar um golo no superclássico. Estaremos cá para ver se Maroni consegue a proeza do golo no superclássico, e, mais importante que isso, conseguir ser mais um dos grandes pibes do futebol argentino dos próximos anos.

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Fair PlayAbril 2, 201716min0

O que é o mundo do futebol? Esta é uma questão que espelha bem a realidade que nos rodeia, em termos absolutos, e que podemos transpor para o fenómeno futebolístico. A realidade que conhecemos é uma ínfima, maior ou menor, parte do todo real e aquilo a que tantos apelidam de mundo do futebol retrata habitualmente uma fatia pequena daquilo que é, do que envolve, da verdadeira dimensão do ‘mundo do futebol’.

Esta pode ser uma viagem pelo meu mundo, de mente e braços abertos, sem preconceitos, procurando abrir horizontes, como tento fazer a cada dia – e já antes da sua criação – no Observatório das Ligas Europeias de Futebol, que começou como uma página de suporte a uma ideia de investigação científica, não concretizada por falta de apoios, mas que se transformou numa referência para quem gosta do alternativo, de se aprofundar nas várias temáticas envolventes do ‘Belo Jogo’, de tirar dúvidas, de seguir a Diáspora portuguesa menos mediatizada, de olhar para todas as ligas europeias, mundiais, secundárias, terciárias, distritais, seguido por diversos profissionais de medias desportivos portugueses e internacionais.

Respondendo ao desafio do Ricardo Lestre em escrevinhar algo para o Fair Play, com liberdade temática, optei por uma crónica de índole mais intimista e pessoal, para fugir realmente ao que se lê, seja na análise de um encontro ou de um atleta, seja nas imensas temáticas que envolvem o futebol e o desporto e que muito me fascinam, a psicologia, o marketing, a comunicação, a promoção.

Portugal sempre viveu confundido, somos uma sociedade confusa e com imensas dificuldades em se olhar ao espelho. Pela minha experiência in loco por toda a Europa, Ocidental, Central, Nórdica, Balcânica, Mediterrânica, pelo Médio Oriente, somos o povo com maior dificuldade em assumir culpas, em se enfrentar ao espelho e isso reflecte-se em todas as áreas, na justiça, na saúde, na educação e, claro, no desporto.

O meu gosto pelo desporto nasceu cedo, talvez por razões genéticas, sem grandes influências directas, mas crescendo rodeado de alguns jovens que seriam futuras estrelas do(s) desporto(s) português(es), e logo tido, respeitado e procurado como ‘enciclopédia desportiva’, na verdadeira essência da expressão, ao contrário do utilizado em Portugal para tantos outros. A confusão que se faz entre se saber um pouco, ou bastante, de futebol – desde tenra idade – e realmente ter-se conhecimento multidesportivo é uma das notas fáceis de conotar com a falta de cultura desportiva portuguesa e como se toma o futebol por todo o desporto.

Foto: Getty Images

Desde os 12 anos, talvez, ainda os jornais desportivos lusos eram editados três vezes por semana, que chegava à escola com o periódico debaixo do braço, pernas arqueadas e dar ‘postulados’, de quando em vez, para receber os ‘cognomes’ de ‘Mister’ ou ‘Almirante’ (sim, gostava do David Robinson, é verdade, entre outras estrelas da NBA). Eram tempos em que nos intervalos de aulas não se falava apenas de futebol, discutia-se andebol, o basquetebol da NBA, que acabava de chegar à RTP2, hóquei em patins (em escola de ‘campeões’ como Reinaldo Ventura – ainda me lembro quando calçou patins as primeiras vezes no café do seu padrinho, deveria ter ele 2/3 anos), voleibol, Fórmula 1, Rali, Moto GP, entre os amantes de Kevin Schwantz, de Wayne Rayney, de Wayne Gardner, de Eddie Lawson, de Mick Doohan e eu, um confesso admirador do espectáculo que Randy Mamola trazia a cada corrida, em interessantíssimas e ricas conversas (não, não se pense que apenas se discutia desporto).

Mais tarde, já adolescente, no café matinal cruzava-me por vezes com as ‘estrelas’ jovens do Salgueiros, Pedrosa e Sá Pinto, um bar chamado ‘Help’ onde as manhãs (pelas 8h00) tinham grandes ‘serões’ futebolísticos, entre N conversas paralelas, as dicotomias entre secundária e colégio, que ali partilhavam espaço, o fumo, a confusão, por vezes ânimos exaltados, mas sem nunca ir além de encontrões, o futebol ganhava dimensão e a minha voz era solicitada, afinal já tinha experiência passada de rádio (ainda eram piratas quando o fiz) e apresentava argumentos bem justificados e ponderados, qual século das luzes, eram mesmo o final dos anos 80 e anos 90.

A vantagem de cedo e facilmente aprender e conhecer outras línguas, das viagens quando ainda nem tinha a maioridade completa, de ter acesso a parabólica, deram-me imensos utensílios, ferramentas para me aprofundar neste meu amor, o desporto.

 

Foto: sjpf.pt

Amor!

Eis mais um tema onde o português se confunde, os significados e significâncias das palavras amor, paixão, tesão, obsessão fundem-se e baralham-se nas mentes, seja em termos latos, seja no sentido estrito que aqui se relaciona – o futebol. Existe uma enorme obsessão por clubes em Portugal, não é amor, pode ser paixão, mas é muitas vezes obsessão pura, ali encontrando uma fuga, uma relação para substituir problemas na ‘vida real’.

É engraçado como tanto se diz e escreve que os portugueses amam ou adoram o futebol… mentira. Nota-se que não existe tanto interesse assim pelo futebol no seu conceito mais puro, há gostos relativos, entreténs, mas não uma adoração, essa existe – como acima notado, a extravasar para a obsessão – por equipas de futebol. Essa é uma parte, importante, dos problemas constantes, crónicos e estruturais do futebol português. Não havendo um amor pelo jogo, uma capacidade de compreender para além do próprio umbigo, onde se incluem profundamente vários dos responsáveis de clubes, de pensar micro e macro, de raciocinar e não agir meramente por emoções, aceitando – após esfriar a mente – as derrotas como parte da vida.

Percebe-se – ou intui-se, pelo menos – que o ‘Belo Jogo’ na visão portuguesa apenas existe na medida da vitória do clube desse indivíduo, basta ouvir comentários do género “bom mesmo é ganhar nos descontos com penálti inventado” para se ter essa noção bem presente. Isto tem muito a ver com a falta de cultura desportiva, uma ausência de respeito mútuo, uma sensação de impunidade e o gosto pela trapaça, pelo ‘chico-espertismo’, que tanto caracterizam a sociedade portuguesa.

Foto: Fotos da Curva

Media

A obsessão mediatizou-se, assumiram gestão dos media portugueses pessoas com estas visões redutoras, que entendem o fenómeno futebol como a soma de três partes, acrescentando-lhes outras duas ou três, como sejam a selecção sénior masculina e os mediáticos Mourinho e Cristiano Ronaldo, deixando de valorizar aquilo que faz cada clube existir, a competição.

Se não existissem competições a sério essas forças tão sobrevalorizadas pelos media portugueses não seriam nada além dos Harlem Globetrotters do futebol ou, se preferirem, o Hungaria, aquela famosa equipa de desertores magiares liderada por Daucik e onde estavam Fuzesi, Liska, Gyula Toth, Hrotko, Zsengeller, Ferenc Mészáros (o que alinhou no Sporting Braga nos anos 50), Janos Kiss, Andrej Nagy, Imre Danko, Turbeky, Bela Sarosi, Monsider, Rakoczi, Magay, Marik e, claro, a lenda Kubala, que brilharam em amigáveis na Europa Ocidental enquanto a FIFA não permitiu que alinhassem por clubes do lado de cá da ‘Muralha de Ferro’, geniais, mas uma equipa de amigáveis, que seria aplicável a estas mesmas equipas caso não existissem ligas, taças e outras competições.

As televisões contratam especialistas a peso de ouro, muitos deles pelo menos, mas sem o necessário conhecimento, são indivíduos que se guiam por uma avaliação de campeonatos e equipas assente em visões enviesadas dos mesmos, desconstroem uma liga por três ou quatro equipas que vêem ou, ainda pior, assentes em pressupostos definidos alguns anos antes, já desactualizados e descontextualizados, como se vem notando desde 2015, por exemplo, com a Série A italiana.

Foto: imortaisdofutebol.com

Exemplos

Como nas outras áreas da sociedade e onde os media intervêm, as comparações cingem-se quase sempre a nações/liga de comparação quase impossível, seja pelos distintos estágios de desenvolvimento/capacidade económico-financeira, população, desenvolvimento industrial, mas a falta de capacidade para ir além do óbvio traz este recalque cíclico.

Ainda sou do tempo em que os estádios portugueses – como os pavilhões – estavam bem compostos. Por um lado, os clubes não souberam acompanhar a evolução dos tempos, o surgimento de tantas novidades ao nível do entretenimento, o afastamento dos mais jovens, a vertente virtual-social, a comunicação, todas estas áreas continuam com exploração desajustada e pouco potenciada, acordando-se tarde para todos estes fenómenos, a nível de clubes e estruturas federativas nacionais e regionais.

Por outro lado, o serviço público de televisão tem muito que se lhe aponte. Ainda hoje tenho conversas onde me lembram dos tempos do domingo desportivo e das tardes de sábado e domingo com desporto na RTP2, com os directos das várias modalidades. Esse serviço era essencial. Apesar de hoje ser mais fácil encontrar toda a informação, o ser humano é preguiçoso, é como deixar de se raciocinar para fazer um cálculo ou lembrar uma informação quando se tem uma ligação à internet disponível e dois cliques ou três dão a resposta – ou não. Ter o ‘cartaz’ dos jogos, dos horários, fazer abordagens com o devido distanciamento e sem a obsessão acima identificada, levava o adepto mais facilmente ao estádio, estava motivado por toda aquela informação que lhe entrava pelo televisor adentro.

A RTP subtraiu-se por completo do seu dever enquanto serviço público, no que ao desporto diz respeito, não só deixou de garantir os directos das várias modalidades (excepção aos grandes campeonatos de atletismo e à Volta a França, além de uma ou outra adenda mais) como também se abstraiu de passar quaisquer informações sobre o desporto português, optando pela estratégia de ‘seguidismo’, que nunca deveria guiar um serviço público de televisão. Sim, transmitiu os Jogos Olímpicos, sim, vai assegurando uma ou outra, como os mundiais de hóquei em patins, mas sem o devido enquadramento e acompanhamento que permita ao telespectador melhor compreender e querer se aprofundar, querer ir ver ao vivo, ganhar interesse. Ao invés, perde horas de discussões vazias sobre tácticas e tacticismos em torno de três equipas de futebol, traz comentadores às manhãs, tardes e noites informativas, bem pagos, para se debruçarem apenas sobre isso, continuamente.

Foto: RTP

Escolas

Uma das temáticas que mais me fascina dentro do universo futebol relaciona-se com as escolas de futebol. Como na música, na filosofia, na literatura, no cinema e noutras áreas, o futebol também tem escolas bem vincadas e cada uma delas com características muito próprias. É interessante notar como os italianos são os classicamente associados ao tacticismo, ainda que sejam mais cínicos do que tacticistas, não têm a obsessão absurda que lhes é conotada por tal, sabem é tirar o melhor partido das tácticas para o sucesso (ou sabiam), contudo os técnicos franceses são realmente absurdamente obcecados pelo tacticismo, uma das razões do seu insucesso europeu, o frenesim pela gestão do golo marcado impede-os de serem mais ambiciosos e chegarem mais longe. A inteligência de Leonardo Jardim percebeu isso, notando-se o sucesso da ousadia – que nunca se lhe tinha visto antes – no Mónaco 16/17.

As escolas de futebol são-no de treinadores, mas também de futebolistas, de formação de futebolistas, onde Portugal também necessita de melhorar. O exemplo alemão, de trabalhar os jovens nas várias posições dentro da sua zona de intervenção, de experimentarem as outras zonas de intervenção, no seu processo de aprendizagem, faz seniores capazes de desempenhar funções muito mais amplas no terreno, dão uma versatilidade obrigatória num desporto sempre em movimento e em evolução.

Seria fastidioso viajar pelas várias escolas, mas um dos casos mais contagiantes pela sua inesperada idiossincrasia é o servo-croata. Mesmo tendo-se desenvolvido para o futebol moderno dentro de um mesmo país, a Jugoslávia, dispondo de armas técnicas desportivas de topo, o que facilmente se comprova com quase todos os países resultantes do fim da Jugoslávia se terem tornado referências nas várias modalidades, no basquetebol, no andebol, no voleibol, no pólo aquático, nas vertentes masculina e feminina de todas, a verdade é que a Sérvia apresenta-se com jogadores tecnicamente dotados mas uma vertente de jogo muito anglófona, como que bebida do antigo modelo inglês de futebol, física, menos burilada colectivamente, enquanto a Croácia ganhou o epíteto de ‘Brasil da Europa’, o perfume dos seus futebolistas parece ser ainda maior dado o rendilhar futebolístico que boa parte das suas equipas apresenta, tantas vezes abdicando mesmo de um médio defensivo (quando o fazem é comum avançarem um central para posição), para terem unidades de criação no miolo.

É fascinante, como o é a forma tão única da Eslovénia jogar andebol, um ‘andebol total’ que pode não dar títulos mas chega a dar ‘ouras’ de ver, os seis em constante movimento. Escolas tão distintas que evoluírem até 1990 em comum, dentro de um mesmo país, mas que ainda assim criaram identidades nacionais (para quem não sabe, um país pode ser ou ter um conjunto de nações).

Foto: Record

Mundo do Futebol

Já vi jogos de todas as camadas jovens, desde os benjamins até aos veteranos, já mirei partidas de mais de 100 países, em mais de metade destes olhei para diversos escalões, sempre procurando enquadrar o meu próprio visionamento no contexto de cada faixa etária ou escalão. Claro que se pode comparar um encontro do quinto escalão sueco com a Allsvenskan, mas de forma vazia, em sentido lato apenas, um desafio de uma quinta divisão deve ser enquadrado dentro do contexto desse escalão e, mesmo ao estabelecer pontes comparativas com quintas ou quartas divisões de outros países, deve-se ter bastante cuidado, para compreender os estágios evolutivos, o nível de preparação, de treino, a escola.

É curioso como várias vezes leio, ouço comentários depreciativos sobre ligas, outras ligas, outros futebolistas, habitualmente por desconhecedores, que se limitam a ler ou ver algo sobre essa situação, que porventura nem uma partida viram, mas apresenta logo um juízo de valor, assente na sua própria realidade, curta, ou em visões distorcidas que são alimentadas, bebidas dessas estéreis horas de televisão dedicadas a partes mínimas do futebol e com as mesmas ideologias desconhecedoras das realidades.

Só assim se compreende a crítica da liga mexicana, a piada à liga japonesa, o desrespeito pelos feitos na liga polaca, o riso perante as ligas do Médio Oriente e a incompreensão (europeia) do porquê talentos daquelas regiões não rumarem à Europa, o achincalhamento da liga chinesa, como se alguém que rotula as escolhas de futebolistas pela CSL iria abdicar de se mudar para o mesmo local se lhe oferecessem três, quatro, dez vezes o salário que aufere, além de tudo o resto pago, habitação de luxo e restante enquadramento.

Foto: essentiallysports.com

Eu gosto de ir à Islândia virtualmente ver jogos, já adorava antes do Europeu 2016, de ver os pitorescos sintéticos das Ilhas Faroé, de me imaginar a atravessar uma vinha georgiana para chegar a três degraus cheios de erva e assistir a uma partida local, de ver o comboio a passar o estádio na Eslováquia, de ir até ao reino do Butão e ver a liga local ou sentir o frenesim vibrante das ligas nipónicas, sempre a acelerar, de atravessar o antigo relvado do Platanias e ver o Mediterrâneo atrás da baliza, de sair do Riazor e ir tomar um banho gélido nas águas do Atlântico, de sentir o Adriático a entrar pelo Kantrida de Rijeka ou de passear pela Riviera francesa e me perder nos vários campos e relvados locais, entre as vilas e os areais, tenho saudades de chegar a Turim e escandalizar os locais como adepto ‘Granata’ e ‘Bianconero’, gosto do Torino e da Juventus, é verdade, ou deixar em choque os escoceses por ser um católico de 12 ou 13 anos e preferir o Rangers ao Celtic, de passear pelas margens do Reno à espera de ver o Fortuna no Rheinstadion, de virtualmente ver as ligas secundárias australianas, do Território do Norte à Tasmânia, as ligas indonésia, filipina, de me fascinar com os estádios a rebentar pelas costuras na República Democrática do Congo, do ‘Todo Poderoso’ Mazembe, de ver os perigos que rodeiam os ‘derbies dos derbies’, do Al Ahly x Zamalek em Cairo, dos Boca x River e Nacional x Peñarol, separados por dois países mas apenas uma baía, de ver o sucesso ‘luso’ dos ‘Ferroviários da Transilvânia’, o Ce-Fe-Re de Cluj-Napoca, de imaginar-me a viajar interminavelmente de Kaliningrado até Vladivostok para observar os ‘Tigres’ do Luch receberam o Baltika, ou ir até à ilha de Sacalina ver o Sakhalin, em pleno Pacífico, a passear pelo Shopping de Belgrado antes de subir ao seu topo para observar o Vozdovac, gosto, adoro tudo isto e tanto mais, pois o mundo do futebol é enorme, sem fim.

O dérbi do Cairo. (Foto: footyfair.com)

Artigo da autoria de António Valente Cardoso – Observatório Ligas Europeias de Futebol e autor do livro “Globall – Do Foot-Ball ao Futebol”

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Diogo AlvesMarço 14, 20176min0

O Boca Juniors é o actual líder da Primera Divisón Argentina, com 34 pontos em 15 jornadas – os comandados de Guillermo Barros Schelotto seguem isolados na liderança. Juntamente com o seu irmão gémeo – Gustavo Barros Schelotto –, Guillermo chegou ao clube há precisamente um ano para substituir o então treinador Rodolfo Arruabarrena, que passava por momentos muito difíceis e que acabou demitido do cargo ainda no início do campeonato de 2016.

Guillermo Barros Schelotto é um ex-jogador do Boca Juniors, um dos mais carismáticos e com mais anos de casa. Tendo partilhado o vestiário com nomes como Riquelme, Martín Palermo, Diego Maradona (já na parte final da carreira do astro argentino), Claudio Cannigia entre outros grandes nomes do Boca Juniors.

Fez parte de uma das melhores equipas do Boca, tendo conquistado quatro das seis Copa dos Libertadores que o Boca tem no seu histórico. E ainda duas Taças Intercontinentais, vencendo o Real Madrid e o AC Milan.

Terminada a carreira em 2011, ao serviço do Lanús, foi precisamente em Lanús que começou a treinar na época de 2012/2013. Na época de estreia conseguiu vencer a Copa Sudamericana, o primeiro título continental do Lanús em toda a sua história. Schelotto começava a sua carreira de treinador como se habituou-se enquanto jogador: a vencer grandes títulos. Foram mais duas épocas em Lanús, mas sem o mesmo êxito da primeira, no entanto deixou as bases para Jorge Almirón vencer o campeonato de 2016.

Aventura Europeia sem sucesso…

Guillermo Barros Schelotto, enquanto jogador nunca teve a oportunidade de jogar na Europa, tendo feito grande parte da sua carreira na Argentina e contou com uma passagem pela MLS, já em final de carreira.

Como treinador pode dizer que já pisou solo europeu e esteve numa das melhores ligas europeias, a Serie A de Itália. Chegou, viu…e partiu. Guillermo era para ser treinador do Palermo que não passava por uma fase fácil na Serie A, estando em 15º com apenas 26 pontos.

Guillermo no jogo contra o AC Milan. Apenas dirigiu a equipa com o Frosinone, Carpi, Sassuolo e AC Milan. [Foto: ilpost.it]

Não foi por maus resultados ou má metodologia de treino que veio embora do Palermo. Foi por causa do Diploma de Treinador. A FIFA não reconheceu os mínimos para que Guillermo pudesse trabalhar na Europa, era preciso um mínimo de cinco épocas ao serviço de um clube de máxima categoria. E Guillermo tinha, à altura, apenas três épocas no Lanús, pelo que não era suficiente para poder treinar na Serie A.

O início na Bombonera

Com a saída de Rodolfo Arruabarrena, o Boca procurou contratar um novo treinador que tivesse um conhecimento profundo do Boca Juniors, e, Guillermo Barros Schelotto era o nome mais indicado naquele momento.

O Boca não passava por uma fase fácil a nível interno, num dos campeonatos mais curtos de sempre na Argentina, o Boca estava fora da luta pelo título, e para piorar, estava fora dos lugares de qualificação para a Copa dos Libertadores.

Não foi fácil o início, mas pior foi o término. O Boca acabou por abdicar do campeonato e apostar as fichas todas na Libertadores, tendo chegado às meias-finais da prova continental. Aí perderam diante de um surpreendente Independiente Del Valle do Equador.

Foi um final de época desastroso e penoso para Guillermo e para os seus jogadores que apostavam tudo na prova continental e acabaram por não alcançar metas a nível interno nem continental.

Episódio Dani Osvaldo

[Foto: lagaceta.com]

O princípio de Guillermo ficou marcado por um episódio problemático com Dani Osvaldo no final de um jogo no Uruguai para a Copa dos Libertadores. Um episódio que marcou a posição do treinador no clube.

O problemático Dani Osvaldo que regressava ao Boca depois de uma aventura no FC Porto. O jogador era uma escolha do treinador anterior – Rodolfo Arruabarrena – que tinha um carinho especial por ele e até o achava de loco lindo, fazendo alusão à loucura de Osvaldo.

O ítalo-argentino no final da partida com o Nacional (do Uruguai) abandonou o relvado e seguiu rapidamente para o balneário onde, tranquilamente, acendeu um cigarro e por lá ficou. Guillermo não gostando da atitude do jogador repreendeu de imediato e deu-lhe ordem de expulsão do clube assim que chegassem a Buenos Aires. Guillermo não tolera maus comportamentos muito menos dentro de um balneário, pelo que Osvaldo acabou expulso do clube e assim terminou a sua estada no Boca e parece que também no futebol.

O reerguer do “monstro”

Após uma época bastante periclitante, era hora de Guillermo mostrar o seu valor e ter a oportunidade de começar uma nova época, uma época desde o dia 0. Com o regresso do campeonato a 30 equipas em apenas uma volta, o objectivo passa por vencer o campeonato e regressar à Libertadores do próximo ano.

Sem grandes mexidas na equipa, apenas algumas entradas no verão, como Sebástian Pérez do Atlético Nacional, uma das grandes revelações da Copa dos Libertadores, e também entrou o argentino Ricardo Centurión, extremo formado no Racing de Avellaneda.

Uma ideia de jogo com futebol ofensivo, ideias e equipa bem estruturada em campo, Guillermo quer colocar o Boca a praticar um bom futebol e aquele que coloque a equipa o mais próximo possível dos grandes êxitos.

Guillermo tenta fugir ao padrão do futebol argentino, desgarrado com muitos espaços entre os sectores da equipa e muito baseado em futebol directo. O Boca procura ser uma equipa de ataque posicional, saídas curtas e procura a profundidade só no último terço, procura fundamentalmente os laterais para usar (e por vezes abusar) de cruzamentos à procura do avançado, mas além do avançado, mete também sempre mais dois homens acompanhar o goleador.

Para já tudo está a correr de feição e o Boca segue na liderança com mais três pontos que o San Lorenzo – 2º classificado. Os adeptos do Boca estão bastante confiantes na reconquista do campeonato, e nem a saída de Tévez para a China parece ter abalado a equipa. No regresso do campeonato venceram o Banfield por 2-0.

[Foto: soccerway.com]
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Diogo AlvesJaneiro 31, 201711min0

O Campeonato Argentino por esta altura está em pausa devido ao verão no hemisfério sul. Já passaram catorze jornadas desde o pontapé de saída na Primera Divisón da Argentina, e, o balanço a fazer deste campeonato é bastante positivo. Fique a saber quem é o líder. Quem são os destaques. As surpresas. As desilusões. E os jovens «promessa» para a segunda metade do campeonato.

O Campeonato Argentino voltou ao molde de há duas épocas atrás, o de 30 equipas em 30 jornadas e apenas uma volta, não há o “casa e fora”. Com este molde de mais equipas teme-se sempre que o campeonato perca qualidade e equilíbrio, mas, esta época tem provado o contrário e ao olharmos para a tabela constatamos isso mesmo.

Boca Juniors, o líder da “primeira volta”

Carlitos no último clássico com o River [Fonte: saquelateral.com]

O Boca chegou à pausa de verão em total crescimento e isso valeu-lhes a liderança do campeonato à 14ª jornada, com mais três pontos que o Newell’s Old Boys e o San Lorenzo, segundo e terceiro classificado, respectivamente. Barros Schelotto apesar do início de época inconsequente e com muitas dificuldades nos jogos fora de casa, sobretudo, conseguiu colocar o Boca a praticar um bom futebol e com os melhores intérpretes disponíveis no onze. Passaram no grande teste antes da pausa de verão, a ida a casa do eterno rival: o River Plate. Venceram por 4-2 no Monumental de Nuñez num jogo marcado pela despedida de Carlitos Tévez dos grandes clássicos argentinos, ele que foi uma das grandes figuras do jogo e até marcou.

O grande desafio agora para o recomeço de época será o de fazer esquecer a partida de Tévez para a China, ele que a par de Gago eram os “motores” deste Boca Juniors. Com o campeonato bastante equilibrado não haverá muito tempo para procurar grandes invenções. Barros Schelotto terá aqui um grande desafio e terá de agir em contra relógio para conseguir manter a regularidade e não ver escapar a liderança do campeonato que tanto custou a conquistar.

Reina o equilíbrio

Apenas três pontos separam o líder Boca Juniors (31 pontos) do segundo e terceiro classificado, o Newell’s Old Boys e o San Lorenzo (28 pontos). Mas se formos mais para baixo vemos que a diferença entre o décimo classificado – o Racing – e o líder é de somente dez pontos. Se pensarmos na Premier League, a diferença entre o primeiro classificado e o segundo classificado é de oito pontos.

A luta pela manutenção também terá uma luta até final, e, mais uma vez a diferença entre o último e o meio da tabela é de apenas doze pontos de diferença. Faltando ainda dezasseis jornadas vê-se que não é muito e ainda há imensos pontos para disputar.

Promete ser uma luta equilibrada e competitiva esta segunda fase do campeonato, tanto na luta pelo título como pela qualificação para a Taça dos Libertadores da América. Uma sequência má de resultados pode atirar uma equipa que esteja no topo da tabela para o meio da tabela num piscar de olhos.

Muitas mudanças nos bancos

Gabriel Milito não foi capaz de ter sucesso no Independiente [Fonte: tn.com.ar]

Esta época fica marcada por um número bastante grande de despedimentos de treinadores, ao todo foram catorze o número de treinadores que já não estão a comandar o clube pelo qual começaram a época. Em trinta equipas, praticamente metade dos clubes já mudaram de treinador e ainda estamos a meio da época.

Um dos mais mediáticos a ser demitido acabou por ser Gabriel Milito, que começou a época no “seu” Independiente, mas não durou mais que as catorze jornadas feitas até o momento. Acabou substituído por Ariel Holan, treinador que havia sido demitido semanas antes do Defensa Y Justicia por maus resultados. Um treinador que até reúne críticas positivas em relação à forma como coloca as suas equipas a jogar, por isso a expectativa é muita alta para o ver ao serviço do Independiente.

Eduardo Coudet, treinador muito cobiçado na Argentina, também não resistiu aos maus resultados ao serviço do Rosário Central e terminou assim a sua ligação ao clube rosarino. Assim como Zielinski acabou por cessar funções no Racing Club, sendo substituído por Dario Concca, último treinador a vencer um campeonato por La  Academia.

As surpresas Unión e Banfield, e a desilusão Rosário Central

O Unión de Santa Fé vai na sua segunda época na Primera Divisón e tem assinado uma época de grande categoria para o que é o clube. Clube humilde e sem “estrelas” no seu plantel. Ocupam a oitava posição e fazem parte do leque de equipas que não está longe do topo da tabela. Se mantiveram a qualidade na segunda fase da época poderão almejar um lugar numa competição continental.

O Banfield regressou recentemente à Primera Divisón, há dois anos, e esta época também está a ter uma época de grande qualidade. Em quinto lugar na tabela classificativa e apenas a quatro pontos do líder Boca Juniors. Uma das equipas mais constantes esta época desde o seu começo. Um plantel com alguns nomes mais conhecidos e com uma mescla de juventude e experiência. A maior figura era Santiago “Tanque” Silva, o avançado uruguaio – que já passou pelo Beira-Mar – apontou sete golos em catorze partidas. Rumou agora ao Universidade Católica do Chile. Um desafio para Julio Falcioni substituir o seu avançado goleador.

O Rosário Central, a maior desilusão desta época, passa por momentos de grande aperto e apenas está a seis pontos do último classificado. Um plantel recheado de talento e com uma das formas de jogar mais divertidas e apaixonantes da Argentina, porém neste momento são uma equipa completamente de rastos e sem ideias. Eduardo Coudet já foi demitido e o plantel começa a ficar desmembrado. Primeiro foi Cervi para o Benfica, agora em Janeiro partiu Lo Celso para o PSG e Walter Montoya estará muito perto do Sevilla. Quem se seguirá no banco da equipa rosarina terá um grande desafio, o desafio de voltar a colocar o Rosário entre os grandes da Argentina.

Os «portugueses»

O campeonato argentino inevitavelmente conta com alguns jogadores que já passaram por clubes portugueses, uns com mais sucesso que outros. Há também alguns que passaram pelo nosso campeonato quase como despercebidos como o caso de José Luís Fernández que assinou pelo SL Benfica, mas acabou emprestado ao Olhanense e não teve grande notoriedade.

O supracitado Santiago “Tanque” Silva que fez uma belíssima época no Beira-Mar em 2003/04 e esta época é um dos melhores artilheiros do campeonato argentino. Conta já com 36 primaveras, mas ainda assim assinou sete golos em catorze partidas, está agora de partida para a Universidade Católica do Chile.

No San Lorenzo actua Fernando Belluschi, ex-FC Porto. Foi considerado um dos melhores médios da actual época. Titular no meio-campo do San Lorenzo, o antigo camisola 7 do FC Porto ainda mostra dotes de “mágico” e mantém afinação na cobrança de bolas paradas. Tem feito uma bela época e é o “patrão” do meio-campo do San Lorenzo.

No Racing Club joga Lisandro López, um dos avançados mais “raçudos” e trabalhadores que passaram pelo campeonato português. Actualmente é capitão do Racing e conta com 33 anos, mas com uma frescura física invejável. A sua valentia em campo ainda se nota e a capacidade goleadora está intacta. Seis golos em dozes jogos. Terá a partir de agora Marcelo Meli como companheiro de equipa, reforço vindo do Sporting.

O sportinguista Jonathan Silva está no Boca Juniors emprestado pelo Sporting, mas não tem tido grande utilização por Barro Schelotto. Apenas fez até o momento cinco partidas e continua a demonstrar alguma impetuosidade na forma como encara os lances defensivos, talvez por isso não seja utilizado mais vezes.

Rodrigo Mora passou quase despercebido pelo Benfica, só ganhou maior expressão pelas notícias que iam saindo dos seus empréstimos ao Peñarol e posteriormente ao River Plate. Não tem tido uma grande época e vai sendo mais vezes relegado para o banco, o que antes não acontecia tanto. Esteve com um pé no futebol árabe mas preferiu manter-se no River Plate.

O último jogador a vir de Portugal para o campeonato argentino foi o avançado Hernan Barcos. Assinou pelo Vélez Sarsfield emprestado pelo Sporting, mas tal como em Portugal, também na Argentina não teve grande impacto a sua chegada. Em onze partidas apontou somente dois golos e já partiu para o Liga de Quito do Equador.

As «promessas» para 2017

Ezequei Barco, o menino que nasceu na cidade de Messi [Fonte: lanacion.com.ar]

O campeonato argentino tem uma panóplia de jovens jogadores a espontar e prontos para jogarem ao mais alto nível. Este ano de 2017 não será excepção e para a segunda metade da época já há alguns jovens jogadores na voga para afirmarem-se no futebol sénior.

Ezequiel Barco do Inependiente é um dos jogadores que mais expectativa vai gerando, o médio de apenas 17 anos, nascido em Rosário (cidade que viu nascer Messi) é uma das revelações desta época e paulatinamente vai ganhando o seu lugar no meio-campo do Independiente. É um médio-ofensivo tipicamente argentino, rápido com bola, bom tecnicamente e bastante inteligente. É destro, mas faz lembrar os esquerdinos que “colam” a bola o pé. Para seguir.

No Racing Club vai espontando dois jovens jogadores de somente 19 anos. Brian Mansilla e Lautaro Martínez. Ambos estão por estes dias a representar a selecção da Argentina na Copa Sul-Americana de Sub-20 e têm sido destaque. Brian Mansilla é um extremo vertiginoso e tecnicamente bastante bom, esta época já leva seis partidas na equipa principal de La Academia. Lautaro Martínez é um avançado bastante trabalhador e já leva onze partidas na equipa principal, apontou já um golo.

O River Plate, uma vez mais, prepara-se para lançar mais uma fornada de jogadores formados na sua cantera. Luis Olivera, lateral-esquerdo de 18 anos já é presença assídua na equipa principal do River Plate. Matías Moya é um dos nomes que vão aparecendo na equipa principal, médio-ofensivo de apenas 18 anos. Foi titular na deslocação ao terreno do Independiente e deixou boas notas. É um dos jovens a seguir em 2017.

No San Lorenzo começa a espontar o defesa-central Nicólas Zalazar de 20 anos, e o avançado Tomas Conechny. No Vélez espera-se muito que este seja o ano da afirmação de Maximiliano Romero, avançado de 18 anos e de Nicólas Delgadillo de somente 19 anos.

[Fonte: soccerway]
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Diogo AlvesSetembro 27, 20165min0

Qual a melhor forma de um avançado calar as críticas dos adeptos? Com golos. E foi isso que o avançado argentino Darío Benedetto fez no passado domingo ao apontar três golos diante do Quilmes. Um hat-trick histórico conseguido em menos de 25’ minutos e com golos para todos os gostos e feitios. De calcanhar, de cabeça e num remate contundente de fora da área.

Os adeptos já estavam a ficar desesperados com a seca de golos do avançado argentino Darío Benedetto, que apenas tinha apontado um golo nos últimos seis jogos e tinha sido na Taça da Argentina diante do Santamarina.

No passado domingo diante do Quilmes, na La Bombonera, santuário dos adeptos do Boca, o avançado argentino finalmente “agrediu” a baliza adversária com golos, e não foi apenas um, foram três golos de rajada. Pelo meio ainda assistiu – de calcanhar – o seu companheiro Ricardo Centurión.

Começou esta epopeia com um golo de calcanhar, um golo à Madjer, seguiu-se pouco depois um remate contundente do meio da rua. O golo da jornada, sem dúvida. Para terminar respondeu com efectividade a um cruzamento de Pavón com um cabeceamento potente que terminou em mais um golo, o 4-1. Antes, assistiu Centurión para o 3-1.

Darío Benedetto tirou assim um peso de cima das costas e resfriou as críticas que vinha sendo alvo há umas semanas. O avançado já no decorrer da semana passada tinha deixado umas palavras para os adeptos «Sei que os avançados vivem de golos. Trato de não ficar desesperado nem louco, porque se não é pior». Mas o mais curioso, relatado pelo periódico argentino La Nácion, foi a oferta que Benedetto recebeu na véspera do jogo, um trevo de quatro folhas dado por duas senhoras (adeptas do Boca, julga-se). Agradecido o jogador disse que ia colocar o trevo numa das chuteiras. A verdade é que marcou três golos e fez uma assistência. Fica no ar se o jogador jogou mesmo com o trevo de quatro folhas e, quem sabe, se não torna isso num ritual.

Agora resta saber se este momento de Benedetto foi uma situação esporádica ou se será para manter de agora em diante. É um desafio e uma responsabilidade que o jogador agora terá pela frente e terá de mostrar que também consegue facturar diante de adversários com mais categoria. Ninguém lhe pode exigir um novo hat-trick, mas espera-se que seja um avançado cada vez mais efectivo na hora da finalização. O jogador conseguiu também um feito que não se via desde os tempos de Martín Palermo: apontar três golos numa só partida.

Agora com Carlitos

Guillermo Schelotto quer juntar Benedetto a Tévez na frente de ataque do Boca [Foto: www.gettyimages.com]
Guillermo Schelotto quer juntar Benedetto a Tévez na frente de ataque do Boca [Foto: www.gettyimages.com]

A contratação de Dário Benedetto tem o objectivo de dar a Carlitos Tévez uma maior liberdade em campo e que permita ao histórico avançado do Boca sentir-se mais móvel e solto no ataque como ele tanto gosta, enquanto o outro avançado – Benedetto – lutará mais com os defesas e fixa-se mais na área. Com Calleri havia isso, o jovem avançado lutava mais com os centrais, enquanto Carlitos era o 9,5. Mas Calleri acabou vendido ao São Paulo e regressou Dani Osvaldo, resgatado em Janeiro ao FC Porto, mas a verdade é que o jogador fez 0 golos em 5 jogos e acabou dispensado devido a problemas disciplinares.

Carlitos preferia Ramon Ábila, avançado agora no Cruzeiro que jogava no Huracán, mas os dirigentes do Boca acharam melhor contratar Dário Benedetto ao América do México por 5.5 Milhões de Dólares. Formado no Arsenal de Sarandí e com passagens pelo Defensa y Justicia, Gimnasia de Jujuy, Tijuana do México e América do México, onde deixou marca ao apontar 76 golos em 214 jogos. Para já a dupla ainda não rendeu o que era pretendido por Guillermo Barros Schelotto, mas agora com a subida de forma de Darío Benedetto espera-se que finalmente a dupla argentina comece a carburar.

Esta época ainda só tiveram juntos na ronda inaugural, na derrota com o Lanús, curiosamente a dupla poderá voltar com o Lanús a meio desta semana no embate com o actual campeão a contar para os oitavos-de-final da Taça da Argentina. Carlitos Tévez no campeonato ainda está castigado, cumprirá na próxima ronda o último jogo de suspensão, por ter agredido um adversário no jogo com o Belgrano e isso custou-lhe três jogos de suspensão.

O ataque ao título por parte do Boca Juniors passa muito pelo que esta dupla de avançados conseguirá fazer de agora em diante. Faz falta ao Boca uma frente de ataque harmoniosa e que se complete, algo que já não se vê há algum tempo. Desde a saída de Calleri que Carlitos nunca mais foi o mesmo e tem passado quase uma autêntica travessia do deserto nos últimos meses. Já Benedetto parece que está a chegar ao fim a sua travessia no deserto ao serviço do Boca Juniors. Mas só os próximos jogos nos poderão dar mais certezas quanto à efectividade de Benedetto ao serviço do Boca.


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