Renato Salgado, Author at Fair Play

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Renato SalgadoMaio 14, 20205min0

Na semana passada, São Paulo e Corinthians tiveram derrotas importantes na Justiça trabalhista. Derrotas que podem ser muito perigosas para o futuro do futebol brasileiro. Ambas as equipas foram condenadas a pagar adicional noturno e valores extras referentes a trabalho aos sábados / domingos e feriados.

O meio-campista Maicon, atualmente no Grêmio, atuou pela equipa do São Paulo entre 2012 e 2015. A equipa do Morumbi entrou com recurso, mas não obteve êxito. Na votação do recurso, os magistrados da turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da segunda região entenderam que o tricolor paulista deve pagar integralmente as verbas pedidas pelo jogador.

A condenação ficou em R$ 200 mil reais (além das custas processuais, avaliadas em R$ 3.400,00). No entanto, com juros e correção monetária, o montante pode chegar aos R$ 700 mil reais, uma vez que a ação foi iniciada em 2016, há quatro anos.

Maicon conduz a bola durante jogo entre São Paulo e Bahia, em 2014 Foto: Gazeta Press

Em mensagem postada no seu Instagram (veja abaixo), Maicon afirmou que estava cobrando seus direitos.

“Futebol é entretenimento para quem assiste. Para nós, é nosso ganha pão, nossa profissão. E todo trabalhador tem seu direito garantido. Só que, por sermos jogadores de futebol e todo mundo achar que ganhamos muito, jamais teremos que cobrar essas coisas. Está errado”, escreveu, em trecho de longo desabafo.

“Independentemente da profissão ou valores de salários, direitos são direitos, e ponto final”, completou.

 

No processo, foram apresentadas diversas súmulas que mostram a participação de Maicon em jogos terminados após 22h, que é o horário em que o trabalhador passa a ter direito ao adicional noturno. Além disso, foram anexadas outras súmulas que comprovam a participação do atleta em partidas realizadas aos domingos e feriados, o que dá direito a jornada dobrada. Maicon jogou de 2012 a 2015 no São Paulo, disputando 161 jogos e anotando 9 gols.

Corinthians também tem derrota na Justiça para Paulo André

O Corinthians resolveu mais uma ação trabalhista na Justiça. Desta vez com o ex-jogador Paulo André, atualmente diretor de futebol do Athletico-PR. As partes, além de selarem a paz, entraram em acordo em dezembro do ano passado, no Parque São Jorge e o clube terá de pagar R$ 750 mil reais em 15 parcelas.

De acordo com o que apurou a reportagem do Fair Play, o jogador moveu uma ação acusando o Timão de não cumprir algumas obrigações trabalhistas, além disso, queria o pagamento dobrado em relação aos dias trabalhados aos sábados / domingos e após as 22hs00. O processo é referente ao período entre 2009 e 2014, enquanto defendeu a camisa alvinegra. O clube foi derrotado na Justiça do Trabalho.

Paulo André é ex-zagueiro do Corinthians – Foto: Portal Meu Timão

Paulo André atuou pelo Corinthians por cinco anos, período em que conquistou praticamente tudo o que disputou: Campeonato Paulista (2013), Campeonato Brasileiro (2011), Recopa Sul-Americana (2013), Copa Libertadores (2012) e Mundial de Clubes (2012). Ao todo foram 153 jogos e 10 gols marcados.

Decisão polêmica da justiça, abre Jurisprudência para novas ações de jogadores contra os clubes, que ameaçam tomar atitudes enérgicas contra CBF/Federações e até mesmo, contra a Rede Globo de televisão

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez enviou um comunicado à CBF e Federação Paulista de Futebol com o pedido para não jogar mais no período noturno e aos sábados & domingos, além dos feriados. A ideia é evitar processos futuros e mais complicações com ex-atletas do clube. O comunicado foi estendido à Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão dos campeonatos. 

Presidente do Corinthians Andrés Sanches – Foto: Portal Meu Timão

Após essa atitude do dirigente corintiano, outros clubes prometem aderir ao movimento caso a Justiça Trabalhista não reveja a sua decisão, uma vez que os jogadores de futebol e tudo que envolve o esporte, não podem ter a mesma legislação trabalhista que tem um trabalhador comum.

 

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Renato SalgadoAbril 23, 202015min0

Valendo-se de uma estratégia para mudar de função no papel, o ex-jogador, atual coordenador da seleção brasileira, não deixou por completo a possibilidade de lucros em duas empresas em que tinha participações, responsáveis pelo gerenciamento do futebol do Ituano FC, que disputa a primeira divisão do campeonato paulista.

Pelo Código de Ética da CBF, o campeão mundial de 2002 teria que deixar qualquer atuação nas empresas, por “constituir situação de conflito de interesse ter participação em direitos de atletas, clubes, empresas e ativos e bens que possam vir a sofrer valorização direta ou indireta pela atuação da respectiva entidade”.

O agora cartola arrumou uma forma de driblar esse artigo 13 do código e assim seguir nas duas frentes, tanto na CBF como mantendo os pés nos negócios em um clube que recebe verba da entidade maior do futebol através de premiações e cujos atletas podem se valorizar se convocados para a seleção.

Com um ato na Junta Comercial, deixou de constar como sócio para virar “usufrutuário”.

Foi um drible sutil.

Dessa forma: o futebol do Ituano é gerido pela “JP Gerenciamento de Futebol” e pela “Dimache Participações Esportivas” desde 2009, como mostram os balanços financeiros do clube. Ambas com participação de Juninho Paulista. Nos balanços, está dito que tais contratos foram ampliados e prorrogados em 2015 e especifica que a Dimache seguirá gerindo o Ituano até 2030.

Em 9 de abril de 2019, o responsável pela gestão do futebol do Ituano assume como “diretor de desenvolvimento de futebol” da CBF, cargo que já o obrigaria a deixar a participação nas empresas.

Três meses depois, 8 de julho, recebe promoção e é anunciado como o novo coordenador da seleção principal. No lugar de Edu Gaspar, que no dia seguinte é apresentado oficialmente pelo clube inglês Arsenal como diretor técnico.

O cargo na CBF exige a saída de uma empresa que tem negócios ligados ao futebol, como mostra o estatuto. A Dimache, gestora do Ituano, tem dois sócios: a JP Gerenciamento de Futebol e a Oxi Esportes e Entretenimentos.

Em 30 de julho, 22 dias depois de Juninho assumir a coordenação da seleção principal, a Dimache entra no protocolo da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) para comunicar que o ex-atleta deixava a função de gestor da empresa para dar lugar a Paulo Silvestri. Em 7 de agosto o ato é publicado. Com o ato, Juninho deixa o cargo de gestor da Dimache como pessoa física, mas a sua “JP Gerenciamento de Futebol” prossegue na empresa.

O drible no estatuto se completa em 7 de dezembro do mesmo 2019. Se já tinha saído da “Dimache” mas a “JP Gerenciamento de Futebol” permanecia, faltava deixar a empresa que leva suas iniciais.

É quando, na “JP Gerenciamento de Futebol”, no lugar da saída como determinaria o Código de Ética, o dirigente da CBF lança mão de uma artimanha muitas vezes usada para mascarar a participação de pessoas públicas com conflitos de interesse: a “JP Gerenciamento de Futebol” comunica a saída de Oswaldo Giroldo Júnior, o Juninho Paulista, da empresa, transferindo sua parte por R$ 992.000,00 (novecentos e noventa e dois mil reais) para Edney Arakaki.

E no ato seguinte, a JP Gerenciamento de Futebol estabelece que Juninho Paulista passa a ser “usufrutuário” do capital desse mesmo Edney Arakaki.

Pelo sistema jurídico do direito civil, o usufrutuário tem posse naquela parte mas não a sua propriedade. E pode assim, mesmo sem constar na sociedade, “obter os seus frutos, tanto naturais como civis”. Assim, para todos os efeitos, o usufrutuário, não tem mais participação acionária na empresa, mas pode se beneficiar dos ganhos.

Dessa forma, em resumo, a “Dimache”, administradora do Ituano, tem a “JP Gerenciamento de Futebol” na sociedade mas esta, no papel, não teria mais Juninho, evitando conflito de interesse.

Salvo se não tivesse deixado de ser acionista para ser “usufrutuário”.

A reportagem mostrou o caso para diversos profissionais da área do direito que foram unânimes em afirmar, ao lerem os documentos, que nessa condição, Juninho Paulista pode vir a receber eventuais ganhos em transações do Ituano e das empresas.

No conselho executivo da Dimache estão ainda o pai de Juninho Paulista, o senhor Oswaldo Giroldo, e também Edney Arakaki, de quem é usufrutuário.

Na história recente do Brasil, o mais famoso usufrutuário foi Eduardo Cunha, o ex-presidente da Câmara dos Deputados atualmente preso por corrupção. Em tentativa desesperada para se livrar da perda de mandato, em entrevista ao Fantástico em 2015, afirmou que não era dono das contas no exterior atribuídas a ele e sim “usufrutuário”. Posteriormente, precisou se retratar em sessão da Comissão de Ética do Congressso pela falsa versão, mas alegou que a condição de usufrutuário não representava patrimônio e sim “expectativa de direito”, e portanto não era beneficiário. No fim acabou cassado pela farsa e posteriormente preso.

Saída de Gabriel Martinelli do Ituano para o Arsenal coincide com data da ida de Edu Gaspar para Londres e chegada de Juninho na CBF

Foto: globoesporte.globo.com

Julho de 2019 foi especialmente movimentado em relações comuns e coincidentes entre Edu Gaspar e Juninho Paulista.

Ao mesmo tempo em que Gaspar deixava a seleção para assumir a direção do Arsenal, na Inglaterra, onde foi apresentado no dia 9, Juninho Paulista pegava o lugar dele na CBF, oficializado no dia 8.

Uma semana antes, no dia 2, o jovem atacante Gabriel Martinelli, de 18 anos, foi anunciado no clube londrino para onde estava indo Edu Gaspar, em transação, segundo o site Transfermarket, tradicional do mercado do futebol, de 6,70 milhões de euros. O jovem foi revelado no Ituano, gerido por Juninho Paulista e suas empresas, e estava na mira de diversos clubes da Europa.

Cronologia da negociação de Gabriel Martinelli entre Ituano e Arsenal :

2/7/2019: Gabriel Martinelli é anunciado pelo Arsenal

8/7/2019: O ex-gestor do Ituano mas ainda usufrutuário Juninho assume na CBF como coordenador no lugar de Edu Gaspar

9/7/2019: Edu Gaspar deixa o posto de coordenador na CBF e assume o Arsenal

Foto: globoesporte.globo.com

Edu Gaspar, Juninho Paulista e o Arsenal,foram perguntados por quem a transação foi conduzida entre as partes. Se Juninho Paulista e Edu Gaspar participaram, mesmo estando ainda na CBF. Através da sua assessoria de imprensa pessoal, a mesma do Ituano, Juninho Paulista afirmou que participou do início da transação mas “já não fazia mais parte da administração do Ituano” no momento da venda.

Gabriel Martinelli está tendo um início arrasador na Premier League inglesa. A avaliação é de que esteja valendo já o triplo do que custou. Com o jovem especulado até para o Real Madri, o Arsenal acena com também triplicar o salário daquele que já marcou 10 gols em 21 jogos e já é o jogador mais jovem da história do clube londrino a fazer gol na estreia como titular na primeira divisão ao empatar o jogo contra o West Ham, no encerramento da 16ª rodada.

Apenas como exemplo de possível interesse de conflitos entre eventual obtenção de lucros como “usufrutuário” da participação na gestão de um clube e a condição de dirigente da CBF: o Arsenal não informa os termos da transação. Mas no modelo de transações atuais, é comum que entre as metas esteja a remuneração do clube vendedor em caso de convocações do atleta para seleção nacional. Assim, se Gabriel Martinelli vier a ser convocado, hipoteticamente, havendo essa cláusula, o Ituano poderia lucrar com isso. E ainda no campo das hipóteses, a empresa gestora também, tendo o Coordenador da seleção brasileira e também usufrutuário dos ganhos. O jogador já foi convocado uma vez para amistoso da sub-23, atuando na derrota do Brasil para a Argentina por 1×0, em Buenos Aires, no dia 17 de novembro de 2019. Na ocasião, os documentos da “JP Gerenciamento de Futebol” apontam Juninho ainda entre os sócios, já que a mudança para a condição de usufrutuário está registrada apenas no dia 7 de dezembro.

A Berlain Team: Juninho nega relação com empresa em paraíso fiscal que tem documentos em nome de Oswaldo Giraldo Júnior

A reportagem encontrou registros de uma empresa em nome de Oswaldo Giroldo Júnior no paraíso fiscal do Panamá, a Berlain Team, aberta em 14 agosto de 2007 no equivalente a Junta Comercial daquele país.

Na documentação, o endereço que consta como de Oswaldo Giroldo Júnior é Banque Safdié AS, em Genebra, Suíça. O dirigente da CBF negou conhecer tal empresa. (veroutro lado” abaixo).

Ter offshore não é crime, desde que a existência seja comunicada a Receita Federal do Brasil.

Oswaldo Giroldo Júnior, o Juninho Paulista, nega conhecer a Berlain Team, offshore em paraíso fiscal em que consta um “Oswaldo Giroldo Júnior”:

Outro lado:

Juninho Paulista:

A reportagem enviou as questões abaixo para Oswaldo Giroldo Júnior, o Juninho Paulista, através da assessoria de imprensa da CBF, que reencaminhou para a assessoria pessoal de Juninho Paulista, que é a mesma que a do Ituano.

Perguntas:

1- Depois de assumir o cargo de Coordenador da Seleção Brasileira, foram verificadas movimentações nas empresas responsáveis pela gestão do Ituano Futebol Clube nas quais o senhor tinha sociedade, como a JP Gerenciamento de Futebol e a Dimache Participações Esportivas. No entanto, através dessas movimentações, é possível se constatar que o senhor ainda tem algum vínculo com elas, na condição de “usufrutuário”. Também os representantes que entraram em seu lugar nas empresas são os mesmos que assumiram responsabilidades e cargo no Ituano.

2- Gostaria de saber se o senhor não considera que pode haver conflito de interesse e descumprimento do “Código de Ética” da CBF em manter a possibilidade de ganhos com as empresas gestoras de um filiado da CBF.

3- A venda do jogador Gabriel Martinelli do Ituano para o Arsenal se concretizou no exato período em que o senhor assumia o cargo de coordenador no lugar de Edu Gaspar, que foi para o clube inglês. Gostaria de saber se a negociação por parte do Ituano teve sua participação.

4- Em caso negativo, se o senhor não tomou parte, quem conduziu as negociações por parte do Ituano? As empresas JP e Dimache não obtiveram dividendos com a venda? Em caso positivo, o senhor não considera que pode ter existido conflito de interesses em função do cargo ocupado na CBF?

5- O senhor abriu a Berlain Team no Panamá em 2007. A empresa está registrada no Brasil?

Resposta:

“Desde o início do mês de abril de 2019, quando fui oficializado como Diretor de Desenvolvimento da Confederação Brasileira de Futebol, eu deixei a administração do Ituano Futebol Clube.

Sobre a negociação do atleta Gabriel Martinelli com o Arsenal, fui o responsável pelas primeiras conversas no final de 2018 até o acordo em março de 2019. A venda só se concretizou em junho de 2019, quando o atleta completou 18 anos de idade. Quando o contrato foi formalizado, já não fazia mais parte da administração do Ituano. Por fim, desconheço a existência da empresa Berlain Team”.

Arsenal e Edu Gaspar:

A reportagem enviou, através da diretoria de comunicação do Arsenal, questões para Edu Gaspar e para o próprio clube. A assessoria mandou apenas uma resposta para os dois. Ver questões e respostas abaixo:

Para Edu Gaspar:

  1. A compra do jogador Gabriel Martinelli se concretizou exatamente no momento em que o Sr deixava o cargo na CBF e ia para o Arsenal. Em seu lugar, ficou o ex-jogador Juninho Paulista, ex-dirigente do Ituano, clube de Martinelli. Gostaria de saber se a negociação do jogador já foi feita pelo senhor, então ainda ocupando cargo na CBF?

2. Em caso negativo, se o senhor não tomou parte alguma, quem conduziu as negociações por parte do Arsenal? Em caso positivo, se não acha que existia conflito de interesses sendo diretor da CBF em negociar o jogador.

3. Em caso de ter participado das negociações, quem era o representante do Ituano nas negociações?

Para o Arsenal:

  1. Quem foi o representante do Arsenal nas negociações com o Ituano para contratação de Gabriel Martinelli?

2. Quem era o representante do Ituano nas negociações?

3. Qual foi o preço final? Houve comissão para intermediários? Se houve, quanto?

Resposta:

“A transferência de Gabriel Martinelli foi concluída antes que Edu se juntasse a nós. Não divulgamos pagamentos por transferência nem detalhes específicos sobre transações de transferência para nenhum jogador.”

Decisão de CBF

Já o presidente da CBF, Rogério Caboclo, decidiu manter Juninho Paulista no cargo de coordenador da seleção brasileira, apesar de o ex-jogador ter permanecido como usufrutuário da empresa que gere o Ituano. O caso foi revelado pela Agência Sportlight.

Segundo Caboclo, a CBF tomou conhecimento de que o ex-jogador permanecia como usufrutuário da empresa somente quando foi consultada para a matéria.

– Para ele, a questão do usufruto era suficiente para que ele tivesse deixado (o Ituano) porque, na prática, ele já não frequentava mais o clube, não tinha gestão. Segundo orientação de advogados, ele entendeu que o usufruto era o suficiente, desde que não exercesse mais poderes sobre a empresa. Surgiu a notícia, eu disse a ele que não era suficiente. Ele compreendeu. Tinha que sair da empresa. Foi suficiente. É uma questão que passou. Ele saiu da empresa e a vida vai continuar do jeito que estava. Existiu a definição. Ele deixou a empresa definitivamente – disse Rogério Caboclo ao GLOBO.

O presidente da CBF entende que Juninho não chegou a concretizar desvio ético, apesar de ter passado mais de seis meses como usufrutuário da companhia – período no qual já trabalhava como diretor de desenvolvimento da CBF. O status na companhia permitia a Juninho se beneficiar do dinheiro, mesmo não permanecendo como sócio. Foi o Ituano quem vendeu o atacante Gabriel Martinelli ao Arsenal. Uma eventual convocação à seleção principal pode valorizá-lo, gerar nova transferência e render percentual ao Ituano pelo mecanismo de solidariedade.

– Não houve erro ético porque ele não fez nenhuma venda e não se valeu do cargo dele aqui para nenhum tipo de negócio. A situação do Martinelli (ida ao Arsenal) é anterior à entrada dele. E não tem nada com a saída do Edu Gaspar também, que assumiu o clube pós-Copa América e não tinha ingerência no Arsenal. O negócio do Martinelli estava engatilhado desde março, antes de o Juninho entrar aqui e muito antes de o Edu ir para lá – completou Caboclo.

Na decisão de manter Juninho, o presidente da CBF indicou que pesou o fato de não haver substituto natural com o perfil que a entidade quer para o cargo de coordenador da seleção: ser ex-jogador. Caboclo recordou os questionamentos sobre Gilmar Rinaldi, que era empresário antes de trabalhar na seleção ao lado de Dunga.

– As pessoas cobram presença de atletas na CBF. Eu sou entusiasta disso. Acho que algum dia a CBF pode ter um ex-atleta como presidente. É algo natural para mim. Mas tem que ser um ex-atleta preparado. Não tem um ex-atleta preparado vagando no mercado. Ou seja, que esteja desempregado, sem atividade relacionada ao futebol. Ou você traz ele de alguma atividade, função. Para isso, você tem que compreender que ele tem que se desligar da atividade. Cobraram porque Gilmar Rinaldi exercia a função de agente. Ele era, e precisou de um tempo para se desvincular. Com Juninho, não foi diferente – afirmou o dirigente.

Mas a manutenção de Juninho Paulista não o livra do procedimento aberto pela Comissão de Ética do Futebol Brasileiro. Segundo o artigo 13 do Código de Ética do Futebol Brasileiro, ao qual a CBF está submetida, um dos itens que constituem conflito de interesse é o funcionário possuir participação de empresas que possam sofrer valorização direta ou indireta pela atuação na respectiva entidade.

– A comissão de ética é independente. Eles vão avaliar sob o ponto de vista ético, com análise crítica deles – finalizou o presidente da CBF.

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Renato SalgadoAbril 9, 202011min0

Sem sucesso na negociação coletiva, os clubes da elite do Brasil iniciaram abril em situações distintas em relação aos salários de jogadores e funcionários durante a paralisação do futebol. Há quem não mexerá na remuneração, quem ainda tenta acordo e outros que já acertaram uma redução.

As férias coletivas já estão em curso, mas Atlético-MG e Fortaleza foram os que anunciaram um corte mais profundo na própria carne, chegando a até 25%. O time mineiro manteve um piso de R$ 5 mil. Ou seja, quem ganha menos que isso não sofre perdas: 77% dos funcionários, segundo estimativa do presidente Sérgio Sette Câmara. Além disso, o desconto percentual é escalonado. Os 25% atingem o topo da pirâmide.

No Rio, o Flamengo mantém o salário integral de abril e já informou no balanço que, caso a interrupção de jogos dure até três meses, o impacto será “absorvível”, sem representar riscos para as finanças do clube.

O Botafogo, que do exercício de 2020 pagou só janeiro, decidiu que não mexerá no salário dos jogadores.

— Não vamos tomar a decisão de salário agora. Não é algo tão simples, traz desgaste junto ao elenco. Queremos evitar ao máximo. É uma decisão extrema. Não tem sentido se precipitar — explicou Luiz Felipe Novis, vice de finanças alvinegro.

O Vasco conseguiu nesta semana finalmente encerrar os compromissos relativos a 2019. Em relação aos salários, o clube apostava inicialmente no acordo coletivo com a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf). Apesar do fim das conversas entre a entidade e a comissão de clubes, cuja recomendação é negociar individualmente, o cruz-maltino ainda não avançou. O presidente Alexandre Campello mantém diálogo com o capitão Leandro Castan, mas não há números fechados.

O presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, foi quem capitaneou a negociação com o sindicato dos jogadores. Mas ele também tem as questões internas para resolver. Diretores, gerentes e prestadores de serviços toparam 15% de redução salarial enquanto durar a pandemia. Nesta quarta-feira, o tricolor pagou 25% da folha de fevereiro, que venceu no quinto dia útil de março.

Na Série A, há clubes que fecharam acordo com os jogadores, mas evitam revelar o percentual. É o caso de Ceará e Grêmio. O Bahia também costura acordo:

— Estamos conversando com os atletas para definirmos até o início da próxima semana. Só vamos falar em números após o acordo. Estamos fazendo internamente primeiro — explicou Guilherme Bellintani, presidente do clube baiano.

No futebol paulista, há um cenário de incerteza em relação ao São Paulo. A primeira proposta do clube — redução de 50% dos salários — foi rejeitada pelos jogadores. O Palmeiras quer honrar os compromissos por inteiro. O Santos segue essa linha, enquanto o Corinthians analisa o cenário de crise antes de formalizar qualquer movimentação.

O Atlético-GO vive um certo aperto. Decidiu pagar março integralmente, mas abril é uma incógnita, até porque precisa lidar com a saída de patrocinadores.

— Esperamos que haja alguma medida do governo e da CBF. Nosso segmento emprega muita gente — disse o presidente Adson Batista.

Situação nos clubes da Série A

Athletico: Jogadores liberados por tempo indeterminado.

Atlético-GO: Além de férias, pagará março integralmente. Não definiu os meses seguintes.

Atlético-MG: Redução de 25% sobre o salário de funcionários, incluindo diretoria, jogadores e comissão técnica, pelo período em que durar a pandemia do coronavírus.

Bahia: Férias de 1º a 20 de abril. Conversa com atletas para definir questão salarial até o início da próxima semana.

Botafogo: Férias entre 1º e 20 de abril. Decidiu não reduzir salários dos jogadores agora.

Red Bull Bragantino: Pagará salário integral dos atletas. Férias de 1º a 20 de abril.

Ceará: Fez acordo para redução percentual do salário dos jogadores em março e abril. Não revela o número. Deu férias de 20 dias.

Corinthians: Férias de 20 dias. Não definiu a questão salarial.

Coritiba: Pagará salários de forma integral.

Flamengo: Férias de 20 dias. Pagará os salários integralmente.

Fluminense: Férias de 1º a 20 de abril. Diretores, gerentes e prestadores de serviços propuseram redução de 15% dos salários durante paralisação.

Fortaleza: O salário do elenco de março, pago em abril, terá abatimento de 25%, a ser quitado depois. Do salário de abril, jogadores renunciaram 10% em definitivo. Mais 15% será pago depois. Executivos do clube toparam 15% de renúncia definitiva enquanto durar o problema.

Goiás: Férias até o dia 20 de abril. Jogadores e clube negociam redução salarial.

Grêmio: Deu férias de 1º a 20 de abril. Anunciou redução salarial dos jogadores, mas não informou percentual.

Internacional: Concedeu férias de 1º a 20 de abril. Ainda avalia números antes de decidir negociar redução salarial com os jogadores.

Palmeiras: Férias de 1º a 20 de abril. Pretende manter os salários dos jogadores.

Santos: Férias de 1º a 20 de abril. Não pretende reduzir salários.

São Paulo: Determinou férias de 2 a 21 de abril. Propôs aos jogadores corte de 50% no salário pago em carteira e suspensão dos direitos de imagem a partir deste mês (com pagamento previsto para o início de maio). O acordo não foi fechado.

Sport: Tenta negociação individual. Férias de 20 dias.

Vasco: Deu férias de 20 dias. Aguarda negociação coletiva com os jogadores.

 

CBF anuncia medidas de apoio financeiro aos clubes e Federações

Entidade repassará às equipes que disputam as Séries C e D valores equivalentes à média de duas folhas salariais dos atletas de cada competição. O mesmo apoio será dado aos participantes das Séries A1 e A2 do Campeonato Brasileiro Feminino.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai destinar R$ 19 milhões, a título de doação, para a base da pirâmide do futebol coordenado pela entidade em competições de nível nacional, em função das dificuldades causadas pela pandemia do novo coronavírus. Cada clube que disputa as séries C e D do Campeonato Brasileiro vai receber um auxílio financeiro direto no valor equivalente a duas vezes a folha salarial média dos atletas de cada uma dessas divisões, segundo dados apurados no sistema de registro de contratos da CBF. A mesma medida será aplicada ao futebol feminino e destinada aos clubes que disputam as Séries A1 e A2 do Campeonato Brasileiro.

Serão beneficiados 140 clubes, em uma ação realizada pela CBF com o apoio das Federações Estaduais. O objetivo é colaborar para que esses clubes possam cumprir seus compromissos com os jogadores e jogadoras durante o período de paralisação do futebol. Além disso, a CBF decidiu doar para cada uma das Federações Estaduais o valor de R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais).

“Vivemos um momento inédito, de crise mundial, cuja extensão e consequências ainda não podem ser calculadas. É necessário, portanto, agir com critério e responsabilidade. O nosso objetivo, com essas novas medidas, é fornecer um auxílio direto imediato. Mas, além disso, temos que seguir trabalhando para assegurar a retomada do futebol brasileiro no menor prazo possível, quando as atividades puderem ser normalizadas”, afirma o presidente da CBF, Rogério Caboclo.

Os recursos de R$ 19.120.000,00 serão destinados da seguinte forma:

– Para os 68 clubes da Série D, o auxílio individual será de R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais), num total de R$ 8.160.000,00 (Oito milhões, cento e sessenta mil reais).

– Para os 20 clubes da Série C, o auxílio individual será de R$ 200.000,00 (Duzentos mil reais), num total de R$ 4.000.000,00 (Quatro milhões de reais).

– Para os 16 clubes da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino, o auxílio individual será de R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais), somando R$ 1.920.000,00 (Um milhão, novecentos e vinte mil reais).

– Para os 36 clubes da Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino, o auxílio por clube será de 50.000,00 (Cinquenta mil reais), com o desembolso total, pela CBF, de R$ 1.800.000,00 (Um milhão e oitocentos mil reais).

– Para as Federações Estaduais, são R$ 120.000,00 (Cento e vinte mil reais) por entidade, num total de R$ 3.240.000,00 (Três milhões, duzentos e quarenta mil reais).

O pagamento dos valores destinados aos clubes será realizado a partir desta terça-feira, 7. Essas ações se somam a outras medidas tomadas anteriormente pela CBF, também com impacto financeiro direto para o sistema do futebol:

– Isenção por tempo indeterminado aos clubes das taxas de registro e transferência de atletas. A medida deve gerar aos clubes uma economia em torno de R$ 4.000.000,00 (Quatro milhões de reais) nos primeiros três meses de aplicação.

– Adiantamento de uma parcela de R$ 600.000,00 (Seiscentos mil reais) para os clubes da Série B do Campeonato Brasileiro referentes aos direitos de TV da competição, feito com recursos próprios da CBF, no valor total de R$ 12.000.000 (Doze milhões de reais).

– Adiantamento aos árbitros do quadro nacional do pagamento de uma taxa de arbitragem, calculada a partir da maior taxa paga pela CBF em 2019 para sua categoria, no valor total de R$ 900.000,00 (Novecentos mil reais).

Com isso, as doações e isenções da CBF aos clubes e Federações alcançam R$ 23.120.000,00 (Vinte e três milhões, cento e vinte mil reais). Somadas aos R$ 12.900.000,00 (Doze milhões e novecentos mil reais) em adiantamentos, as ações da CBF representam um total de R$ 36.020.000,00 (Trinta e seis milhões e vinte mil reais).

Além dessas medidas emergenciais, a CBF mantém seu compromisso com o investimento no futebol. Em 2019, a entidade aplicou R$ 535 milhões no futebol brasileiro, em suas diversas áreas. A CBF arca com os custos, no todo ou em parte, de 20 competições, que garantem milhares de empregos na indústria do futebol. Por exemplo, somente na realização das Séries C e D do Campeonato Brasileiro, há um investimento de cerca de R$ 80 milhões.

“Vamos manter os investimentos para permitir a realização das competições previstas para 2020”, diz Rogério Caboclo. “O nosso maior compromisso para preservar clubes e empregos é fazer a indústria do futebol voltar a funcionar quando a retomada for possível”, completa Caboclo.

Desde que suspendeu todas as competições nacionais e articulou com as Federações Estaduais para que fizessem o mesmo, a CBF trabalha em quatro eixos de ações:

1 – Preservação dos contratos e receitas dos clubes: a manutenção dos contratos existentes, em especial os contratos de direitos de televisão, que são a base da sustentação dos clubes, além dos patrocínios. Em relação à receita advinda da bilheteria, a CBF vem construindo diferentes alternativas de adequação do calendário, a partir da primeira data em que seja possível retomar as competições. Além disso, a CBF terá total flexibilidade para adotar medidas que viabilizem a conclusão de todas competições previstas para 2020.

2 – Acordos trabalhistas: através da Comissão Nacional de Clubes, a CBF apóia um processo de diálogo que permita acordos trabalhistas justos e equilibrados para clubes, atletas e funcionários. O primeiro fruto foi a decisão por consenso dos clubes de concessão de férias coletivas no mês de abril.

3 – Governo Federal: a Entidade está levando propostas juridicamente sustentáveis para que o futebol seja preservado. A CBF defende que sejam estendidas aos clubes as medidas que o governo federal vem oferecendo para as empresas, no sentido de resguardar empregos e os compromissos financeiros de curto prazo. No caso do PROFUT, uma lei específica para o futebol, a proposta é que os clubes recebam um prazo para readequar o pagamento de suas obrigações tributárias.

4 – Crédito: A CBF tem dialogado com o mercado financeiro para permitir o acesso dos clubes a linhas de crédito com juros baixos, que viabilizem atravessar o momento de paralisação dos campeonatos.

A CBF continua trabalhando intensamente, em conjunto com clubes e Federações, para que o futebol brasileiro supere esse enorme desafio.

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Renato SalgadoMarço 25, 20207min0

Assim que a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil, uma das primeiras medidas de combate adotadas pelas autoridades foi recomendar a paralisação do futebol. Capazes de atrair multidões semanalmente em várias regiões do país, os eventos esportivos logo foram suspensos com o intuito de evitar aglomerações. Os campeonatos paulista e carioca, os mais populares do país, tiveram sua última rodada disputada no fim de semana dos dias 14 e 15 – a maioria dos jogos de portões fechados. Desde então, os clubes envolvidos dispensaram atletas de todas as categorias e boa parte dos funcionários, desocupando estádios e centros de treinamento. Em uma situação de calamidade pública, algumas estruturas esportivas que estão vazias foram colocadas pelos responsáveis a serviço das autoridades públicas em diferentes Estados “para aquilo que for necessário”, de postos de vacina a recepções de doentes, enquanto durar a pandemia.

O primeiro da lista a agir foi o Athletico Paranaense. Curitiba está num dos Estados com 25 casos confirmados até sábado, e Athletico soltou um comunicado na hora do almoço de quinta-feira (19) informando que coloca à disposição das autoridades de saúde do Estado e do município o Centro Administrativo de Treinamentos Alfredo Gottardi, conhecido como CAT do Caju, e o Estádio Joaquim Américo Guimarães, a popular Arena da Baixada, que foi sede da Copa do Mundo de 2014, “para o uso que entenderem necessário, visando a vacinação e/ou tratamento de pessoas acometidas pelo Covid-19”.

Foto: ORLANDO KISSNER/AFP via Getty Images

A atitude foi seguida pelo São Paulo, clube que fica no epicentro da epidemia do novo coronavírus no Brasil. Na capital paulista, até esta sábado foram registrados 459 casos, e 15 mortes, o epicentro da crise. Poucas horas após o Athletico, o São Paulo divulgou uma nota oficial assinada pelo presidente Carlos Augusto de Barros e Silva “assumindo a responsabilidade social (…) em disponibilizar toda a infraestrutura do São Paulo Futebol Clube para aquilo que for necessário, inclusive o Estádio Cícero Pompeu de Toledo”. Conhecido como Morumbi, o estádio, que tem um clube e um complexo social alocado a ele, pode desempenhar uma função estratégica por ficar localizado nos arredores do Hospital Albert Einstein, um dos mais importantes no combate contra a doença na capital. Os responsáveis pelo clube sugerem usar o estádio como local para coleta de sangue ou alojamento dos pacientes. A assessoria da Secretaria de Saúde do Estado confirmou ao jornal Folha de S. Paulo que recebeu o comunicado e avaliará as opções disponíveis.

Estádio Allianz Parque que está sendo usado de posto de saúde para campanha de vacinação contra H1N1. Foto: blogspot.com

Corinthians, Palmeiras e Santos seguiram o exemplo pouco tempo depois. Corinthianos deixaram à disposição do Governo a Arena Corinthians em Itaquera, o Centro de Treinamento Joaquim Grava e o Parque São Jorge, enquanto santistas disponibilizaram “todas as suas dependências para que sejam utilizadas pela Secretaria de Saúde do município”, que incluem o estádio Vila Belmiro e o CT Rei Pelé. O Palmeiras autorizou sua arena, o Allianz Parque, a receber a campanha de vacinação contra a gripe influenza, que começa no próximo dia 23 para idosos com mais de 60 anos e profissionais de saúde. As autoridades confiam que a campanha pode ser fundamental por diferenciar os pacientes da gripe dos que sofrem de coronavírus e diminuir a possível sobrecarga do sistema de saúde. Palmeirenses disseram que seus “recursos” estão “a serviço da sociedade”.

Foto do hospital de campanha no Estádio do Pacaembu começou a ser construído no domingo(22). Serão 202 leitos com objetivo de liberar espaço nas unidades municipais e aumentar a capacidade dos hospitais de atender pacientes com Covid-19. FOTO: FELIPE RAU/ESTADAO

Ainda em São Paulo, a Prefeitura anunciou na manhã desta última sexta-feira que o estádio do Pacaembu receberá 200 leitos de baixa complexidade para atender pacientes com suspeita de infecção pelo novo coronavírus. Outros 1.800 leitos serão colocados no sambódromo do Anhembi, que também pertence à Prefeitura. “Nesses espaços nós podemos fazer o acompanhamento da população que não se encontra numa situação de alto risco, mas precisa de uma atenção do poder público”, afirmou o prefeito Bruno Covas.

Outros Estados tiveram exemplos de solidariedade vindos de dentro do campo. No Rio de Janeiro, onde três mortes pelo novo coronavírus foram divulgadas até sábado, o Botafogo deixou seu estádio Nilton Santos à disposição do Governo “no que for necessário no período da pandemia”. O mesmo fez o Cruzeiro em Belo Horizonte com seus dois clubes sociais, sede campestre e parque esportivo no bairro do Barro Preto. Bahia e Fortaleza também agiram, oferecendo os CTS Fazendão e Ribamar Bezerra, respectivamente. A estrutura baiana foi inspecionada pela Secretaria de Saúde do Estado e já foi aprovada para a recepção de pacientes da Covid-19.

Assim como o Palmeiras, o Goiás se comprometeu a ajudar na campanha da vacina contra a gripe influenza. A partir do dia 23, o estádio Serrinha, localizado em Goiânia, será um posto de vacinação para idosos e profissionais de saúde. Longe do epicentro brasileiro da Covid-19 e das estruturas mais ricas do futebol nacional, o Juventude de Caxias do Sul deixou seu ginásio coberto, localizado no centro de treinamento, à disposição da Prefeitura, e o Náutico de Recife colocou seu CT a serviço do Governo pernambucano. O Rio Grande do Sul tem, por enquanto, 60 casos confirmados, enquanto Pernambuco tem 30. “O mundo precisa ganhar essa”, resumiu a diretoria do Náutico através de comunicado. “E somos todos do mesmo time, porque a luta pela vida está em jogo”.

A concessionária Arena BSB, que administra o Estádio Nacional de Brasília, mais conhecido como Mané Garrincha, colocou a arena mais cara da Copa do Mundo de 2014 à disposição do governo do Distrito Federal para o combate à pandemia do novo coronavírus. O estádio poderá ser utilizado como centro de triagem ou hospital de campanha pela Secretaria de Saúde. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sinalizou apoio à medida. “Já vistoriamos e é um bom local”, afirmou. De acordo com a gestora do Mané Garrincha, a localização central do estádio pode aliviar a rede hospitalar para pacientes com maiores gravidades. “Entendemos que disponibilizar a estrutura do estádio é assumir uma cota de responsabilidade social neste momento tão crítico. Estamos dispostos a colaborar em todas as ações necessárias para a minimização da epidemia e suas consequências”, afirmou o diretor presidente da Arena BSB, Richard Dubois, em nota.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Estádio Mané Garrincha, em Brasília

Agora, é esperar que o povo brasileiro tenha a noção da importância de ficar em quarentena em casa para impedir o contágio e a contaminação do coronavirus como vem ocorrendo em diversos países na Europa, Ásia e agora nos EUA. E apesar de toda essa situação caótica que estamos vivendo, vale ver a solidariedade das pessoas e dos clubes de futebol para impedir uma tragédia maior!

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Renato SalgadoMarço 12, 202011min0

Poucos assuntos são tão maltratados no futebol quanto o fair play financeiro. Quando não são as teorias da conspiração, vêm as conclusões equivocadas pelo desconhecimento de como o mecanismo funciona e para que serve – ainda mais depois que acontece um caso controverso e gigantesco, como o banimento do Manchester City da Liga dos Campeões pela Uefa por dois anos.

Quais são as regras? Haverá um sistema similar no Brasil? Caso tivéssemos as mesmas regras do futebol europeu, nossos clubes passariam pela prova? Baseado no estudo do economista e consultor Cesar Grafietti – que dedicou o último ano ao estudo do fair play financeiro a partir de Milão, na Itália, em contato direto com dirigentes do futebol europeu, o portal tenta esclarecer as principais dúvidas.

Para que serve o fair play financeiro?

Para melhorar a condição financeira dos clubes de futebol e tornar o mercado como um todo mais estável e sólido. Caso você prefira o palavreado oficial, o trecho abaixo consta no documento em que a Uefa explica o sistema de licenciamento e fair play financeiro.

“a) Para melhorar a capacidade econômica e financeira dos clubes, aumentando a transparência e a credibilidade deles;

b) Para colocar a proteção necessária a credores e garantir que clubes cumpram suas obrigações com funcionários, impostos e outros clubes;

c) Para introduzir mais disciplina e racionalidade nas finanças dos clubes de futebol;

d) Para encorajar clubes a operar com base nas receitas deles;

e) Para encorajar o gasto responsável pelo benefício de longo prazo do futebol;

f) Para proteger a viabilidade e a sustentabilidade do futebol europeu no longo prazo.”

O sistema tenta reequilibrar o futebol?

Não. A desigualdade financeira é um problema evidente no futebol europeu, com a concentração de dinheiro em alguns poucos clubes em detrimento da maioria, tendo como consequência mais grave a perda da competitividade e a previsibilidade de campeonatos nacionais. Mas esta não é uma questão endereçada pelas regras do fair play financeiro.

Fair play financeiro é novidade?

Não. A Alemanha adota regras para estimular a boa administração financeira desde 1962, por meio da Bundesliga. Na Itália, o sistema começa a vigorar em 1981 por força de legislação. Na Holanda, o fair play financeiro surge em 2003 pelas mãos da KNVB – a federação nacional.

A Uefa cria seu próprio sistema de licenciamento e fair play financeiro em 2009, a partir daí com regras para todo o continente europeu, num momento em que os clubes passavam por mau momento financeiro. O mundo inteiro passava por uma crise econômica, na verdade.

Quais são as regras ditadas pela Uefa?

  • Prejuízo máximo de 5 milhões de euros por no máximo três anos, podendo chegar a 30 milhões de euros, se houver aporte de recursos por parte do acionista para cobrir a diferença. Custos com infraestrutura, categorias de base e futebol feminino são desconsiderados do cálculo para incentivar esse tipo de investimento
  • Acionistas ou empresas que façam parte do mesmo conglomerado – leia-se: partes relacionadas – podem injetar dinheiro na operação desde que o aporte não seja maior do que 30% sobre a receita bruta
  • A auditoria externa precisa concluir, em seu parecer sobre o balanço financeiro, que não existe risco de descontinuidade operacional
  • O patrimônio líquido deve ser positivo. Ou seja, o clube precisa ter mais ativos (bens) do que passivos (dívidas)
  • O endividamento não pode ser maior do que 30 milhões de euros. A quantia também não pode representar mais do que sete vezes o EBITDA – isto é, a diferença entre receitas e custos operacionais, antes de considerar impostos, depreciações e amortizações
  • O investimento na contratação de jogadores não pode ser maior do que 100 milhões de euros na diferença entre compras e vendas

Por que o Manchester City foi punido?

O Manchester City foi comprado pelo atual proprietário em 2008 e pertence majoritariamente à Abu Dhabi United Group, conglomerado dos Emirados Árabes que tem como controlador o sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, por sua vez membro da família real de Abu Dhabi.

Eis que o clube recebeu patrocínio da Etihad Airways, companhia aérea que pertence ao mesmo conglomerado. A Uefa entendeu que o patrocínio, muito acima do valor praticado no mercado, foi feito para burlar a regra que limita o aporte de recursos por parte de acionistas.

Manchester City — Foto: Reuters

Por que o PSG não foi punido?

O caso é muito parecido com o anterior. O Paris Saint-Germain foi comprado em 2010 e pertence ao Qatar Sports Investiments, um braço esportivo do Qatar Investiment Authority (QIA), que por sua vez representa o governo do Qatar nos negócios que realiza pelo mundo.

O Brasil vai ter fair play financeiro?

A CBF tem planos para implementar seu próprio sistema ainda em 2020, mas o anúncio oficial ainda não foi realizado pela entidade. Cesar Grafietti, inclusive, foi contratado como consultor para estudar os mecanismos europeus e desenhar um modelo para o futebol brasileiro.

Quais clubes poderiam ser punidos?

Enquanto a CBF não anunciar as regras do fair play financeiro para o país, não haverá clareza sobre ajustes necessários e riscos enfrentados pelos clubes brasileiros. Num exercício de lógica, caso as mesmas regras europeias fossem aplicadas aqui, muitos teriam problemas.

  • A maioria dos clubes possui pareceres de auditorias externas que apontam para o risco de descontinuidade operacional
  • A maioria dos clubes possui patrimônio líquido negativo – quando dívidas são maiores do que todos os bens, contratos etc
  • Apesar de ser uma exigência do Profut, muitos clubes registram deficits (prejuízos) superiores ao limite imposto pela legislação
  • No caso do Bragantino, os investimentos feitos pela Red Bull, com dinheiro vindo da Áustria, quebrariam a regra que limita em 30% do faturamento os aportes de partes relacionadas. A empresa precisaria repensar sua estratégia se houvesse esse mecanismo no Brasil

Especificamente no quesito sobre o patrimônio líquido, tendo como base os balanços patrimoniais referentes a 2018, os mais recentes disponíveis, mais da metade dos clubes do Campeonato Brasileiro reprovaria.

O patrimônio líquido do futebol brasileiro

2018 Patrimônio líquido Reprovaria no fair play?
Athletico-PR 424 Não
Atlético-GO -3 Sim
Atlético-MG 133 Não
Bahia -104 Sim
Botafogo -654 Sim
Red Bull Bragantino Não tem balanço Não tem balanço
Ceará 1 Não
Corinthians 263 Não
Coritiba -55 Sim
Flamengo 1 Não
Fluminense -257 Sim
Fortaleza -18 Sim
Goiás -12 Sim
Grêmio -60 Sim
Internacional 337 Não
Palmeiras 60 Não
Santos -302 Sim
São Paulo 107 Não
Sport 20 Não
Vasco -358 Sim
Cruzeiro -46 Sim
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Renato SalgadoFevereiro 26, 202011min0
Após uma pesquisa ouvindo atletas e treinadores negros de 60 clubes das Séries A, B e C. E do futebol brasileiro o levantamento, feito sob a condição de anonimato por parte dos entrevistados, aponta: 48,1% afirmam terem sido vítimas de racismo no futebol. A histórica falta de punição das entidades que organizam as competições é um ponto a ser destacado. Afinal, somente nesta temporada Fifa e CBF criaram protocolos minimamente rígidos relacionados a casos discriminatórios.
O problema não começa nem acaba nos estádios. A comoção causada após os insultos a Taíson, na Ucrânia e a agressão verbal proferida contra um segurança no estádio do Minerão no final do ano passado, expõem ainda mais uma ferida aberta há séculos na humanidade e, em particular, em nossa sociedade.
Foto: Infografia GloboEsporte.com

“Embranquecimento” nos campos

Esporte destinado às elites, até então, o futebol não era palco para negros nas primeiras décadas do século passado. Em 1914, Carlos Alberto, que trocou o America-RJ pelo Fluminense, tinha por hábito passar pó de arroz no corpo para disfarçar a pele parda. Dez anos depois, foi a vez do Vasco da Gama sentir o peso social ao se ver obrigado a recusar o convite da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (Amea) de ingressar no Campeonato Carioca de 1924, por insistir em manter em seu elenco 12 atletas negros. Em um país que escravizou cinco milhões de indivíduos, 40% do total que foi trazido às Américas, ser negro era visto como algo inferior.

No documento que ficou conhecido como Resposta Histórica, o Vasco se negou a aceitar o corte dos atletas. Veja trecho:

“Estamos certos que V. Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um acto pouco digno da nossa parte, sacrificar ao desejo de fazer parte da A.M.E.A., alguns dos que luctaram para que tivessemos entre outras victorias, a do Campeonato de Foot-Ball da Cidade do Rio de Janeiro de 1923.

São esses doze jogadores, jovens, quasi todos brasileiros, no começo de sua carreira, e o acto publico que os pode macular, nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que elles com tanta galhardia cobriram de glorias.”

Foto: Reprodução site oficial do Vasco

 Falta engajamento?

Nem mesmo o maior atleta do esporte, Edson Arantes do Nascimento, passou incólume.Antes de se tornar Pelé, o principal nome que encantou os gramados do mundo era chamado de Gasolina (derivado do petróleo), Alemão, Crioulo… alcunhas que tinham como intuito ironizar a cor da pele do atleta. A questão racial, deixada de lado pelo Rei do futebol, enquanto atleta, segundo consta na biografia “Pelé: estrela negra em campos verdes”, de Angélica Basthi, veio à tona quando maior o nome do desporto mundial virou Ministro Extraordinário dos Esportes, no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1995.

Se com a bola nos pés Pelé colocou por terra qualquer ideia de inferioridade negra, afinal, que suposta supremacia não se curvou ao 10? Na posição de ministro, Edson Arantes do Nascimento direcionou os holofotes para a falta de representatividade política dos negros.

Foto: Marcos Arcoverde/Ag. Estado

“É bem mais fácil você eleger um negro para discutir o problema do negro. Se o negro quer que se tenha uma melhora na sua posição social e uma melhora do Brasil de uma maneira geral, temos de botar a gente no Congresso, para defender a nossa raça. Onde o Pelé chega, está chegando um cidadão brasileiro de cor negra. A minha bandeira é a do exemplo, da coisa séria,” disse o Rei, à Rádio CBN, após reunião com a Executiva do Movimento Marcha contra o Racismo

Vinte e quatro anos depois, o panorama segue alarmante: três das 81 cadeiras do Senado são ocupadas por negros. Governadores? Nenhum.

Vítima direta de racismo, em 2005, durante o jogo entre São Paulo e Quilmes, pela Libertadores, o ex-atacante Grafite diz entender os ex-companheiros de profissão e traz, consigo, um argumento que mostra mais um fator para a falta de engajamento em torno do tema: o reducionismo das vítimas.

Foto: Eryck Gomes

“No Brasil, o engajamento é pequeno. Não só dos jogadores, mas também das pessoas que trabalham na mídia. Quando aconteceu o meu caso, em 2005, ninguém mais falava sobre o que eu representava para o futebol. Eu passei a ser o Grafite do caso do racismo. Ninguém falava sobre os gols que eu fazia, o fato de eu ser convocado para defender a Seleção, de ir bem no futebol alemão”

O comentarista do Grupo Globo ressalta que esse tipo de repercussão diminuiu sua vontade de ir além na denúncia. E que pode afetar outros jogadores.

– Isso me incomodou muito, e eu realmente não gostava. Tanto que não dei prosseguimento. Precisamos falar, mas não tratar as pessoas como se elas fossem só isso.  Talvez por isso muitos atletas não gostem de falar sobre o tema.

Posicionamento e representatividade

Uma das vozes mais ativas contra o racismo no futebol nacional, o técnico do Bahia, Roger Machado, acredita que a naturalização do preconceito e a falta de oportunidades para que negros ascendam além das quatro linhas, assumindo cargos de liderança, são dois fatores que contribuem para o problema. A fala do treinador é um reflexo de um país em que 12,8% dos negros chegam ao ensino superior, segundo o IBGE.Número ainda mais alarmante quando vemos que apenas 6,3% dos cargos de gerência nas grandes empresas são ocupados por pessoas de pele escura, de acordo com o instituto Ethos – que aponta indicadores de Responsabilidade Social Empresarial. Panorama que, segundo Roger Machado, também tem reflexo no futebol.

Foto: DUDU MACEDO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

“Nós nos posicionamos mais, muito mais do que em outros momentos. Mas isso gera enfrentamento. Quando você se posiciona, dizem que você está legislando em causa própria ou que você não pode falar, porque somos todos iguais. Somos todos humanos. Todos somos humanos, mas temos oportunidades bem diferentes. Quantos têm oportunidade que eu tenho de falar e ser falado?”, questiona Roger Machado.

 

O treinador do Bahia também levanta a importância do seu papel, como comandante negro de um clube de futebol. Para dar voz e quebrar paradigmas.

– O meu lugar é um lugar de resistência e protesto, para que outros possam se ver treinadores de futebol, em posição de comando e liderança. Liderança que se denota que o atleta de futebol só tenha virtude na arte do futebol, e não tenha capacidade intelectual. Falaram que não sei gerir grupo. Isso é um preconceito estrutural, que vem há 300 anos, sendo colocados a conta-gotas. Temos que descolonizar o Brasil. Temos que ter educação formal. O maior preconceito é estrutural. Quando você não conhece a história através do estudo, é difícil de as pessoas entenderem e se sentirem parte disso tudo.

Ídolo do Wolfsburg-ALE, Grafite traça um paralelo entre Brasil e Alemanha, país marcado pelo Nazismo, que com base no pensamento eugênico pregava a supremacia da raça ariana entre os anos de 1933 a 1945. Com a expertise de quem atuou no clube por quatro temporadas, o ex-jogador acredita que o fato de os alemães reconhecerem o passado, além de aceitar o problema como algo não setorizado, faz com que o país tenha um debate mais aberto sobre o tema.

– Na Alemanha, que é um país marcado por isso, o debate sobre o racismo é o ano todo e vai além do futebol. A gente fala do futebol, mas imagina o que acontece todos os dias com pessoas anônimas… Aqui, as pessoas falam quando acontece um caso, no dia 20 de novembro e 13 de maio, que são datas simbólicas. Não existe um trabalho mostrado na mídia a esse respeito. É algo espalhado pelo país, mas que a gente não fala e não busca uma melhora efetiva.

Ouvindo os jogadores

O problema não está restrito a casos isolados. Segundo o relato dos jogadores, há casos de injúrias raciais em 14 estados, espalhados pelas cinco regiões do país.

– Entender que o futebol tem o racismo estrutural muito grande e entender que isso é algo espalhado por todo país é fundamental para que possamos minimizar as questões raciais. É o caminho que precisamos seguir. A educação é importante, mas precisamos punir e entender que, no geral, o torcedor teme a punição. O medo de ver o seu clube punido inibe – disse o pesquisador Marcelo Carvalho.

A fala anônima de um dos atletas a responder o levantamento traz uma vertente dos atos racistas dentro dos estádios, onde 63% das ofensas partem da torcida adversária. Essas ofensas fazem com que 39% dos jogadores peçam punição aos agressores. Mas outro fator chama a atenção: 27,7% dos entrevistados acreditam que campanhas educativas, que mostrem a origem do problema, podem reduzir os casos.

– Eu não posso ser julgado pela minha cor, e sim pelo que aprendi e posso fazer. O futebol, como esporte de massa, pode ajudar nisso. A rede de apoio é muito falha para negros – ressalta Grafite.

Pesquisa do Observatório da Discriminação Racial no Futebol registrou 44 ocorrências racistas contra brasileiros só em 2018. O número, aliado a uma ameaça de punição por parte da CBF – de multa a perda de pontos, de acordo com o Art. 243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva – fez com que os clubes intensificassem as ações educativas

O Vasco usou o histórico de luta contra o racismo como mote para o lançamento de uniforme. O Bahia, que vem ampliando o engajamento nos debates sociais, aderiu à campanha contra o racismo junto ao Gêmio. E o Santos, que teve um torcedor acusado de injúrias racistas e xenofóbicas durante a partida contra o Ceará, pela 26ª rodada do Brasileiro, fez uma ação pedindo para que racistas deixem de torcer pelo clube – responsável pelo surgimento de Pelé.

O racismo nos estádios, que reflete uma sociedade em que a população foi conduzida a silenciar negros e pardos, precisa ampliar o debate para além da culpabilidade individual e das hashtags solidárias, tão comuns nas redes sociais a cada caso. É preciso entender e aceitar que, em um país onde 12,8% dos negros, entre 18 e 24 anos, estão no ensino superior – de acordo com dados do IBGE – e em que brancos recebem salários 72,5% mais altos que negros, a responsabilidade para uma mudança de paradigma é de todos. E, diante deste cenário, nada mais pertinente que o futebol, responsável por prender a atenção de milhões de brasileiros, use seu poder popular para combater um problema que vai muito além das quatro linhas e não se limita a uma data no ano.

Conclusão

Ao que tudo indica, esse cenário no mundo do futebol só deverá ter alguma mudança, quando a FIFA e todas as outras entidades passarem à ter tolerância ZERO. Suspendendo as equipas das competições nacionais e internacionais.


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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