Arquivo de Aaron Smith - Fair Play

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Francisco IsaacDezembro 20, 20208min0

Depois dos três melhores seleccionadores, é altura de escolher os 5 melhores jogadores da temporada 2020, existindo vários que mereciam ter o seu nome inscrito nesta lista, sejam atletas do Hemisfério Norte ou Sul, do Top14 ou Premiership, dos All Blacks ou da Inglaterra. As nossas opções foram tomadas de acordo com o impacto individual e com o papel no colectivo, olhando para os números (sejam ensaios, assistências, placagens, números de quebras-de-linha etc), troféus e importância gerada em seu redor na luta pelos maiores títulos que este ano havia disponível para se ganhar!

Qual o teu favorito? E quem devia estar nesta lista? Deixa as tuas opções nos comentários.

SAM SIMMONDS (EXETER CHIEFS)

O nº8 dos Exeter Chiefs foi uma das peças fundamentais para a dobradinha dos Exeter Chiefs, com o emblema de Dover a levantar o seu segundo título de campeão da Premiership e o primeiro na Heineken Champions Cup, afirmando-se como um dos clubes de topo do Planeta da Oval. Mas o que Simmonds realmente conseguiu a nível individual?

A nível de ensaios, foi autor de 19 ensaios em 25 jogos, somando-se as 12 assistências, notabilizando-se como o melhor finalizador da Heineken Champions Cup com 9 toques de meta na área de validação contrária, impondo-se entre os seus pares devido à sua agilidade e poder de explosão que tem a capacidade de desbloquear a maioria das placagens que têm-no como alvo; o 3ª linha de 26 anos foi considerado o melhor jogador da época da Heineken Champions Cup, tanto pela influência na hora de finalizar uma boa jogada (e enganam-se aqueles que pensam que o 8 só faz ensaios a partir de maul dinâmico) ou no comandar de um dos melhores packs avançados da Europa; e o papel de líder dentro de um elenco jovem e altamente pronto para assumir a hegemonia no rugby inglês nos próximos anos.

Caso tivesse ido à selecção inglesa – que falha desde o ano de 2018 – poderia ter juntado o título das Seis Nações e Autumn Nations Cup, só que Eddie Jones prefere dar o palco a outro tipo de número 8, apesar de reconhecer o imenso talento do enforcer dos Exeter Chiefs.

RICHIE MO’UNGA (CRUSADERS E ALL BLACKS)

Continua a dúvida se Beauden Barrett é ou não melhor que Richie Mo’unga, mas é inegável o papel decisivo do abertura no título dos Crusaders no Super Rugby Aotearoa, sem esquecer a estrondoso exibição a nível individual frente à Austrália em Sydney. Foi considerado como o MVP do SR Aotearoa, com uma série de exibições de nível estrondoso, impondo-se como um dos mairoes desequilibradores do rugby neozelandês e mundial tanto pelo seu virtuosismo na hora de fazer o passe ou ditar a jogada, como em encontrar soluções para desmontar a boa defesa do adversário, reinando em Mo’unga uma visão de jogo ao nível dos melhores.

Foi, talvez, a melhor temporada a nível de clube para o médio-de-abertura, tendo sido ele o principal responsável pela vitória dos Crusaders na recepção aos Blues (aquele pontapé de recomeço de jogo foi das jogadas mais inteligentes vistas nos últimos tempos ao mais alto nível) ou na visita ao campo dos Chiefs, enchendo o campo com pormenores técnicos deliciosos e decisões tácticas extraordinárias. Mesmo que não tenha convencido totalmente ao serviço dos All Blacks (duas grandes exibições frente a Pumas e Wallabies, mas outras três menos conseguidas), foi o 10 titular da caminhada para a revalidação da Bledisloe Cup e a conquista do Tri Nations 2020 e é importante lembrar que foi o jogador com mais títulos conquistados nesta temporada, a par dos seus colegas dos Crusaders.

MARO ITOJE (SARACENS E INGLATERRA)

Dificilmente Maro Itoje não surgirá na lista dos maiores de todos os tempos ou não vencerá o prémio de Melhor do Ano para a World Rugby, muito graças ao seu papel instrumental na Inglaterra e Saracens, capitalizando grandes exibições quando é necessário surgir alguém que faça a diferença ou, pelo menos, se imponha como a grande figura. Itoje sabe fazer tudo, seja aparecer em jogo contínuo e montar uma combinação ofensiva com as unidades das linhas atrasadas, surgir no alinhamento e captar qualquer bola no ar por mais difícil que seja, ou placar e imediatamente se disponibilizar para ir ao breakdown e arrancar a oval das mãos dos seus adversários, tudo pormenores vistos ao serviço da Inglaterra neste ano.

Sem Itoje a Inglaterra não teria conquistado 17 penalidades durante os Test Matches desta temporada; sem Itoje, o alinhamento inglês teria perdido alguma da sua força e capacidade agressiva de batalhar por cada introdução; sem Itoje, não haveria uma voz de comando não só forte mas também astuta e inteligente, que consegue guiar os seus colegas no sentido desejado. Durante a campanha europeia dos Saracens foi ele um dos principais elementos que conduziu os antigos campeões ingleses às meias-finais da Heineken Cup, expondo todo o seu poderio em cada novo jogo.

É decididamente um dos principais nomes da actualidade do rugby e 2020 foi outro ano de alto capricho de um dos 2ªs linhas mais sensacionais dos últimos anos.

ANTOINE DUPONT (STADE TOULOUSAIN E FRANÇA)

Rápido, intenso, astuto, virtuoso, mágico, irritante, inabalável, trabalhador e maestro, são todos adjectivos que facilmente podem ser atribuídos a um dos formações mais especiais da modalidade e que melhor se apresentou em 2020, sendo ele um das chaves-mestras que faz a França de Fabien Galthié se mexer daquela maneira efusiva e apaixonante. O nº9 é aquele jogador que pode definir como se desenrola e acaba um jogo, orientando ele os timings e velocidade com que se joga, mexendo e manipulando tanto os seus colegas de equipa com os adversários, sempre com a capacidade de proporcionar uma dimensão entusiasmante a qualquer embate e duelo, com os olhos de tudo e todos colocados sobre si, pois a qualquer momento pode fazer algo impensável ou genial.

A França acabou por não conquistar as Seis Nações (Dupont só alinhou num jogo da Autumn Nations Cup que pouco há para falar sobre) terminando num honorável 2º lugar, mas foi o suficiente para Antoine Dupont conquistar o prémio de melhor jogador da competição europeia de selecções, seja pelos 200 metros somados, 8 quebras-de-linha, 3 ensaios e 6 assistências, que auxiliaram aos Les Bleus mostrarem as suas melhores cores e assustar os seus parceiros do Velho Continente.

Sem esquecer o seu papel decisivo ao serviço do Stade Toulousain, Dupont é aquele jogador que pode facilmente levar a França a chegar bem longe nos próximos torneios internacionais, como bem demonstrou em 2020.

AARON SMITH (HIGHLANDERS E ALL BLACKS)

Aos 32 anos, Aaron Smith parece ter renascido novamente, tendo sido fundamental em duas frentes: deu uma força total aos Highlanders quando parecia ser a continuação da decadência para uma franquia de enorme importância para o rugby neozelandês, impondo-se como um das peças-chave a par de Ash Dixon, Mitch Hunt ou Dillon Hunt; e nos All Blacks foi o jogador mais consistente a par de Sam Cane e Ardie Savea, conferindo ao ataque e contra-ataque neozelandês um sentido de ameaça constante, exercendo toda uma influência nas acções como a selecção agora comandada por Ian Foster se movia em campo.

Nesta temporada voltou a mostrar o porquê de ser considerado o melhor formação do século XXI pela maioria dos adeptos e comentadores, onde aquele papel de dar instruções e exigir o máximo dos seus colegas não se fica só pelas palavras, já que revela isso também pelos seus actos essa preponderância que ressuscita qualquer equipa dos “mortos”, mesmo que a situação seja temerária.

Com 6 ensaios, 12 assistências e mais uma série de apontamentos estatísticos de nível, Aaron Smith foi decididamente um dos jogadores que melhor se exibiu nesta temporada, apresentando sempre aquele passe tenso e certo, um entendimento excpecional de como o adversário se vai mover aproveitando essa leitura para ganhar a frente de ataque e toda uma voz que consegue dar energia aos seus parceiros de campo.

 

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Francisco IsaacAbril 5, 20178min0

Os irmãos Barrett deram o “mote” para a vitória em Queensland, Lions-Sharks foi o grande jogo da ronda e os Stormers continuam a “assustar” a concorrência. Estes e outros pontos na nossa análise do Super Rugby

O LUXO: PERENARA + BARRET’S + SAVEA’S = SHOW

Quem pensava que ia ser um passeio dos campeões em título em Queensland estava totalmente enganado. A equipa dos Reds deu luta, cresceu e obrigou aos Hurricanes suarem durante 80 minutos.

Não fossem as exibições magníficas de TJ Perenara (o melhor formação do Super Rugby de momento), Jordie Barrett (uma assistência e três quebras de linha para além de um pé de ouro), Ardie Savea (100 metros corridos pelo nº8 e uma assistência para ensaio mais 10 placagens e três turnovers) e Beauden Barrett.

O médio de abertura foi o deal breaker nos momentos em que a equipa de Wellington sentiu-se mais “ameaçada”, conseguindo encontrar espaço para fugir ou para passar.

O primeiro ensaio do jogo, por Julian Savea, foi graças a uma movimentação de Barrett que deixou a defesa australiana “presa”, sem saber pelo que optar: ir ao 10 ou esticar a linha de defesa?

Barrett quando consegue estar a escassos centímetros da passar a linha de vantagem é uma total ameaça para quem defende…mínima “frecha” e ele vai encontrá-la para “fugir” para o ensaio.

Foi assim que aconteceu no último ensaio do encontro, quando Barrett recebe a bola perante uma defesa que meteu uma pressão a dois tempos, concedendo demasiado espaço.

O 10 simulou o passe, meteu o pé para dentro e acelerou até à linha de ensaio… não havia forma de pará-lo para o desespero dos Reds.

Quando uma equipa tem Perenara, os Savea e os Barrett, para além de outros nomes, o luxo pode dar direito a vitórias… mas voltará a dar títulos em 2017?

O CLÁSSICO: ENTRE MANDÍBULAS DE LEÕES E TUBARÕES

Jogo inacreditável em Joanesburgo entre Lions e Sharks… incrível o ambiente, com 58 mil espectadores a assistir a um dos clássicos da África do Sul.

Se o ambiente foi arrebatador o que dizer do jogo em si? Teve de tudo desde ensaios de alto gabarito (o último, por Kriel por exemplo), placagens de estalar ombros (Du Preez e Mostert foram os monstros da defesa), drops de 50 metros (Curwin Bosch começa a “assustar” com tanto rugby nas pernas), quebras de linha, dribles, offloads… bem de tudo.

Foi um jogo imenso, um tipo de encontro que faz falta ao rugby sul-africano já que promove toda uma imagem diferente daquele rugby maçador, sem velocidade ou dinâmicas nas linhas atrasadas.

Com jogadores como Skosan, Van Wy, Mvovo, Andries Coetzee (começa a surpreender o defesa dos Lions), o jogo só podia ser jogado em alta velocidade, sem nunca parar.

Se tiverem tempo seria o jogo (a par dos Reds-Hurricanes) que convidaríamos a ver pela qualidade que se reflectiu nos 80 minutos.

Notem que aos 75′ o encontro estava empatado num 29-29, com um barulho frenético, uma loucura incontrolável e as duas equipas em busca da vitória… no final sorriu aos vice-campeões em título, os Lions.

O rugby só tem a ganhar com este tipo de jogo, com este tipo de abertura e de vontade de jogar… a equipa jovem dos Sharks e a dos Lions podem ser os grandes catalisadores dos Springboks no futuro… é só dar espaço e tempo para que assim o seja.

Tomem gosto do 1º ensaio do jogo, aos 7’… reparem na velocidade de jogo, na forma como o nº9 dos Sharks, Jacobus Reinach, põe a equipa toda a mexer com o seu ritmo alto de jogo, com um 1ª linha a correr quase 20 metros com a oval na mão.

O PEDIDO: IS IT TIME TO GIVE THE 15 TO MCKENZIE?

Respondendo à pergunta que está no título, na nossa opinião…ainda não é o momento, muito pelo facto de Ben Smith ainda estar a 100% nos All Blacks por exemplo.

Mas que McKenzie é um jogador surpreendente, que reúne tudo aquilo que uma equipa precisa para ganhar, sim isso sim.

Neste momento, o 15 dos Chiefs soma quase 500 metros com a oval nas mãos, com 10 quebras de linha e 16 defesas batidos.

Não tem stats tão altos como em 2016, o que não significa nada… os números muitas vezes não nos contam metade de uma “história” que merece ser lida alto a todos.

Veja-se o impacto que McKenzie teve no jogo frente aos Bulls, onde a vitória por 28-12 foi conquistada depois de muito batalhar.

O 1º ensaio é só de Stevenson, com uma leitura brilhante do ponta, aproveitando uma subida do ponta e um centro dos Bulls para meter uma finta de passe e um pontapé curto para chegar ao ensaio.

O ensaio de McKenzie foi uma jogada incrível de Kerr-Barlow (que pontapé mágico) com o electrizante defesa a vir a correr e a apanhar a bola do chão (dificuldade máxima) para meter a oval entre os postes.

McKenzie fez uma exibição que deu bastante trabalho aos Bulls de defender, com uma série de quebras de linha, defesas “plantados” no chão (6 batidos) e uma mão cheia de pormenores que fazem dele o grande diamante da Nova Zelândia do momento.

Não esquecer outro destaque do jogo, o 150º jogo de Liam Messam pelos Chiefs, um momento sempre de celebração!

A CELEBRAÇÃO: HAPPY 100th GAME AARON SMITH

Aaron Smith, o mestre da camisola nº9 dos All Blacks e Highlanders celebrou o seu centésimo jogo no Super Rugby com uma vitória frente aos Rebels.

Num ano que está a ser particularmente difícil, já que a equipa conta com 10 lesões (8 deles titulares), Aaron Smith vai ressurgindo como o líder da formação de Dunedin.

No encontro frente aos Rebels, Smith foi importante logo no 1º ensaio, onde a forma como “grita” com os avançados, pedindo mais um “go, go” permitiu conquistarem a formação ordenada, levando o 9 a jogar directamente para o nº10.

Smith deu sempre um ritmo alto jogo, obrigou aos avançados quererem ter a bola nas mãos, de procurarem o espaço e de a devolverem em condições para fazer jogo outra vez.

Com 90 passes em 80 minutos, Smith é uma das “pilhas duracell” da formação dos Highlanders, que estão a tentar recuperar o tempo (e as derrotas) perdido na competição.

Com Aaron Smith tudo fica mais acessível, é um 9 que sabe ler o jogo, encontrar os pontos críticos dos adversários e explorá-los com exactidão, para além de perceber como “respira” a formação ordenada da sua equipa.

Numa vitória por 51-12, os 100 jogos de Smith valem uma “soma” incalculável para a formação de Dunedin.

Happy 100th game Aaron Smith!

O BANCO: IOANE’S TO THE RESCUE

Estava particularmente difícil pôr fim aos Force, não estava Tana Umaga? Os Blues continuam a não estar no seu melhor e nem uma nova vitória pode disfarçar esse ponto.

Os Force, de Perth, chegaram a estar à frente do resultado por 08-00 durante 29 minutos, o que é um claro sinal que existe alguma inconsistência da parte dos homens de Auckland.

Mas, quando se tem um banco espectacular tudo pode mudar de figura… Akira Ioane, o nº8 que estava no banco, saltou de lá aos 26′ e quatro minutos depois fez o 1º ensaio dos Blues, após uma boa saída de um maul.

Akira entrou para fazer uma exibição monumental, já que percorreu 80 metros, foi responsável por três quebras de linha e colocou uma pressão soberba sobre a linha ofensiva dos Force, que tiveram dificuldades em passar pela defesa dos Blues.

Quando os Force voltaram a aplicar pressão e estavam perto de criar problemas à equipa da casa, lá veio outro jogador, saído do banco, para dar a volta à questão: Rieko Ioane.

Recordam-se do jovem de 19 anos que marcou um hattrick na estreia? Bem, dele nasceu o ensaio da “acalmia” com uma corrida a partir dos 22. É perfeito o movimento de Ioane que explora o espaço entre dois defesas, obrigando-os a quase juntarem-se.

Depois veio um offload (a defesa podia ter placado o centro), com Collins e Nanai a explorarem o espaço para o último transmitir a oval para Ioane e este a seguir para a área de validação.

E só para ser a “cereja em cima do bolo” foi outro jogador saído do banco a construir o 4º e último ensaio dos Blues: Ihaia West. O abertura recebeu a bola em movimento, alargou a passada e aproveitou uma desatenção para fura a defesa…depois foi só passar a Collins e ver a sua equipa a festejar.

Os Blues não estão a jogar bem e há várias lacunas no seu jogo, tudo verdade… mas quando um banco destes opera com excelência tudo é possível. Há possibilidade de Tana Umaga conquistar um lugar no playoff 2017?

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Francisco IsaacMarço 22, 201712min0

Crusaders voltam a “arrancar” a vitória na 2ª parte, Chiefs quase que tropeça em Melbourne, Jaguares vão para duas vitórias consecutivas e Quade Cooper vai para o “duche” mais cedo. Mais uma ronda “quente” do Super Rubgy 2017

A MÁQUINA: THE ALL BLACK TERMINATOR… RETALLICK 1.0

Melhor 2ª linha do globo quem é? Maro Itoje? George Kruis? Iain Henderson? Alun Wyn Jones? Richie ou Jonny Gray? Pieter-Steph du Toit? São todas boas opiniões, mas vamos optar por Brodie Retallick.

Terminator dos Chiefs realizou uma exibição de tal forma categórica, que nem foi preciso muito mais para a equipa de Waikato arrancar os 5 pontos de Melbourne.

Exageramos um pouco, já que o jogo foi muito complicado para os neozelandeses que só nos últimos dez minutos conseguiram desatar um nó de 14-14 frente aos Rebels.

Retallick decidiu liderar o pack de avançados, que estava sem “líder”, uma vez que Liam Messam estava mais preocupado com picardias e Sam Cane (que desempenhou com excelência as suas funções de asa) ainda estava a ambientar-se ao jogo.

O 2ª linha foi sempre para a frente, obrigou os Rebels a placarem baixo e a tentarem pará-lo quando já tinha alguns metros no seu “bolso”.

Uma categoria nas situações estáticas, um “voador” nato nos alinhamentos e um “dínamo” nos rucks, Retallick castigou de tal forma os australianos, que à passagem do minuto 66′ conseguiu chegar à área de validação num pick and go portentoso.

Aguentou dois placadores, continuou a dar às “pernas” e aterrou no terreno com a cara para permitir que nenhum adversário conseguisse pôr as mãos na bola. O sacrifício pelo bem da equipa, demonstra a grandiosidade do Terminator.

A somar ao ensaio, os 25 metros conquistados, as nove placagens e os três turnovers (sem penalidades), Retallick merece a menção da “Máquina” da semana.

Foi essencial para dar “agressividade” ao jogo dos Chiefs em Melbourne, onde o seu desempenho junto ao ruck e na pressão alta foi importante para a vitória por 27-14.

25 anos, com 60 internacionalizações pelos All Black’s e 71 jogos pelos Chiefs, o Terminator é uma das grandes “armadas” da Nova Zelândia para os próximos anos.

E para finalizar, vejam o último ensaio dos Chiefs e observem quem começa a jogada do ensaio com um offload que até McKenzie deve ter ficado surpreendido.

O AVISO: O TANGO DOS JAGUARES OU COMO SER LETAL EM TRÊS MOVIMENTOS

Nova vitória para equipa de Buenos Aires, naquela que é a sua 2ª época no Super Rugby, desta feita as vítimas foram as Cheetahs do Free State.

Raúl Pérez só pode estar orgulhoso do início de campeonato dos seus Jaguares, uma vez que já somam três vitórias em quatro jogos.

Um rugby com mais “classe”, mais paciente e menos de reacções “à flor da pele”, que lhes tem permitido sorrir mais em 2017.

No jogo frente à equipa sul-africana das Cheetahs (que podem estar de saída do Super Rugby em 2018 ou 2019), os argentinos completaram 153 placagens, num jogo em que só tiveram 41% do domínio territorial.

O que é que este dado prova? Que a defesa activa, a recuperação de bola e o relançamento de jogo rápido permitiu conquistarem três dos seus cinco ensaios.

Ramiro Moyano, o ponta internacional argentino, arrecadou três ensaios, sendo que o 1º é um dos momentos (senão o ensaio) da semana, destacando-se a forma rápida de jogo, os offloads de risco e o bom apoio no ataque.

Há uma consistência mais fiável nestes Jaguares, onde existe uma maior noção de estratégia e de ocupar melhor os espaços, para além que se nota uma maior disposição física e um apoio mais veloz ou, pelo menos, mais eficaz e que lhes dá estabilidade.

No jogo frente às Cheetahs notou-se isso, para além de uma versatilidade maior, capacidade de passar de jogo de avançados para fases rápidas e dinâmicas

Acima de tudo, os argentinos já contam com 14 pontos em 4 jornadas… em 2016 somaram apenas 22 em 15 jogos disputados no Super Rugby… isto serve de um sério aviso que os argentinos estão a crescer, as “garras” estão mais polidas e a “fome” é ambiciosa.

No entanto, deixamos um alerta para os fãs dos Jaguares que vem na forma de cartões: seis amarelos em quatro jornadas. E isto explica-se pelo excesso de “intensidade”, a interacção na defesa (muitas faltas no chão e de forma sucessiva) e a má postura com a equipa de arbitragem.

O VILÃO: QUADE COOPER VOLTA AO PASSADO?

Razia… é o conceito que melhor se pode atribuir ao que os Lions fizeram à equipa de Queensland no passado sábado. 44-14 é um resultado que espelha vários problemas e lança um debate “quente”: os Reds têm futuro no Super Rugby?

Num jogo que acabou com sete ensaios dos vice-campeões da competição, os Reds podem centrar a faixa de tempo dos 44-46′ como o momento do jogo.

Primeiro Eto Nabuli, o ponta que já conta com 4 ensaios em 2017, recebe ordem de expulsão temporária por anti-jogo (falta no chão a impedir saída rápida dos jogador dos Lions) aos 44′ quando perdiam por 15-00.

Na sequência da falta, a equipa de Joanesburgo vai conseguir o terceiro ensaio por Van Rensburg (excelente início de temporada para o jovem centro) que ainda resulta num cartão vermelho para Cooper.

Ora, num primeiro momento ninguém tinha notado a entrada alta de Cooper… aliás, tinham notado mas ninguém se apercebeu da gravidade ou a intensidade com que o abertura placou o seu adversário.

Placagem alta, ao pescoço, com alguma intensidade… não há espaço para discussão. Vermelho directo e os Reds com o jogo estragado… nova derrota, a terceira em quatro jogos.

Mas estaremos a ser duros com Cooper? Bem, o jogo frente aos Lions foi mais um de nível medíocre por assim dizer.

Pouco mais de 18 metros com a bola em seu poder, 14 passes, 1 offload e um erro forçado. Pouco mais que isto. Não é o mesmo Quade Cooper de outros tempos, falta a visão de jogo, a velocidade catapultante e a capacidade de criar jogadas fascinantes.

A 3ª linha dos Reds também não tem ajudado muito na “suavização” de pressão defensiva das equipas adversárias, o que põe uma pressão desgastante em cima do médio de abertura Wallabie.

Curioso que os únicos ensaios dos Reds foram feitos já com Quade Cooper fora, mas não deixou de ser um jogo traumatizante para uma equipa que foi campeã em 2011.

Conseguirá Quade Cooper voltar à sua forma ideal?

PORMENORES: BARRETT CLASS AND SMITH DEMISE

Um jogo de opostos entre os Hurricanes e Highlanders, onde o duelo teve momentos altos, especialmente no que toca a ensaios ou placagens.

Há muito mais para além disso e podemos dizer que foi um jogo de extremos com pormenores de interesse e que vale a pena os discutir aqui.

Seja pelos rasgos de Jordie Barrett ou pela inteligência de Aaron Smith, os Highlanders-Hurricanes foi um jogo “cheio” com detalhes bem interessantes, especialmente da parte dos campeões em título do Super Rugby.

Smith terminou o jogo com duas assistências para ensaio, sendo que a resultou no ensaio de Matt Faddes foi um “mimo” no que toca a uma boa saída de bola e na forma como “prende” tanto Perenara e Shields para dar espaço a Faddes de vir solto para o ensaio.

Para além disso, a forma como o centro entra na linha, só com olhos para a área de validação e em que a velocidade atinge um máximo no ponto em que mete o pé na linha da bola é um must para todos os que gostam de entrar com a bola no espaço.

Porém, Aaron Smith vai ter um erro de “participante” aos 37 minutos de jogo. Após mais uma bela jogada de Faddes (offload de categoria), Smith vai acabar por receber a bola e só com Jordie Barrett pela frente vai cair no erro de exceder-se nas fintas.

Se o nº9 dos Highlanders tivesse continuado pela esquerda tinha chegado ao ensaio… ao bater o pé para dentro ficou à mercê de Barrett (Beauden) e de Perenara que conseguem forçar o erro ao formação neozelandês.

Falando em Jordie Barrett, o 2º jogo a titular do “miúdo” já foi mais aceitável com duas assistências para ensaio e um par de detalhes muito interessantes.

Aos 35′, na ressaca do ensaio de Faddes, Jordie recebe a bola do irmão e num pontapé audacioso mete a bola à disposição de Laumape.

É incrível a calma que o nº15, de 20 anos, tem em perceber da possibilidade em criar a situação e arriscar num jogo em que os Hurricanes estavam a perder por 05-03.

No reatamento de jogo, Jordie volta a fazer uma assistência vertiginosa com um passe por detrás das costas após ter aguentado o seu placador com uma mão abrindo espaço para esse passe delicioso.

O Super Rugby é feito destes detalhes e riscos, que obrigam as equipas a superarem-se semana após semana.

Como último detalhe, vejam como Ardie Savea tira o ensaio a Fekitoa ao agarrar a bola mal Fekiota começa a rebolar no chão… isso e a placagem aos pés de Jordie.

MUDANÇAS: SUPER RUGBY PARA SUPER 16?

Poderíamos falar da execução atlética dos ensaios de Henry Speight, da forma que os Kings quase que ganharam aos Sharks ou no facto dos Sunwolves continuarem a não nos impressionar.

Porém, as notícias de um possível emagrecimento do Super Rugby “roubaram” a nossa atenção e merecem destaque final na nossa rubrica semanal.

Tudo começou quando Harold Vester, presidente executivo da franquia das Cheetahs, disse que a formação do Free State não seria alvo da “guilhotina” na próxima reformulação da competição.

Ironicamente, as últimas notícias que saíram é que seriam as Cheetahs a serem uma das equipas convidadas a abandonar a competição. Isto para além de uma equipa australiana, que poderão ser os Rebels ou Reds.

Para além disto, a reformulação visa uma formatação do calendário e das viagens de forma a não criar uma despesa maior do que as franquias já suportam, mas sim garantir que haja um “balão de oxigénio” melhor para todos, especialmente as formações sul-africanas.

Há algumas questões por responder no meio da nova “confusão” da SANZAAR (a federação que “governa” a competição do Super Rugby e o The Rugby Championship) como: haverá espaço para uma equipa do Pacífico (e há sponsor para tal)? O Japão não terá interesse em ter mais uma franquia? E as expansões para a América do Norte?

Todas as nossas perguntas vão para o factor aumentar, algo que não parece ser o objectivo da SANZAAR e das demais franquias.

Esse goal é agora arranjar uma sustentabilidade para as equipas com maior força (convergência do poder económico, nº de adeptos e sponsors), garantir uma maior paridade entre todas as franquias (haverá sempre os mais fortes e os menos fortes, mas ideia é que sejam todos fortes) e tornar o Super Rugby a competição mais vista no Hemisfério Sul.

As opiniões divergem, com vários artigos de opinião de interesse. Deixamos aqui alguns: TVNZ, The Roar ou The Guardian

Foto: Rugby365

DICAS PARA A FANTASY

Semana, no mínimo, complicada para quem arriscou nos jogos dos Bulls-Sunwolves e Sharks-Kings… os pontos dos pontas foram “fracos” e acabaram por prejudicar quem “apostou” nessa negra. Para esta semana recomendamos que arrisquem nos seguintes jogadores…vão trazer pontos!

  • Tevita Li (Higlhanders) ou Matt Duffie (Blues) vão ter um fim-de-semana em grande. Ambos os pontas têm de procurar o caminho para o ensaio e a recepção dos Blues aos Bulls poderá ser vantajoso para Duffie, enquanto que Li vai tentar “furar” o moral dos Brumbies;
  • Israel Folau (Waratahs) tem tido um início de época “estranho” com três ensaios, mas sem o brilhantismo do costume. Todavia, será uma aposta boa para o Rebels-Waratahs;
  • Wheto Douglas (Crusaders), Pablo Matera (Jaguares) e Warren Whiteley (Lions) são boas apostas para a 3ª linha nesta 5ª ronda;

Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


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