Waratahs e a reviravolta do momento! – Quartos-de-final Super Rugby 2018

Francisco IsaacJulho 22, 20187min0

Waratahs e a reviravolta do momento! – Quartos-de-final Super Rugby 2018

Francisco IsaacJulho 22, 20187min0
A perder por 06-23, os australianos de Nova Gales do Sul fizeram uma reviravolta improvável mas sensacional. Acompanhaste os quartos-de-final da competição?

NEM DMAC, NEM SAM CANE… OS HURRICANES VÃO ÀS MEIAS!

Ponto final no sonho dos Chiefs de chegarem às meias-finais, que esbarraram contra uma das melhores prestações defensivas dos Hurricanes deste ano. Nem Sam Cane, nem Charlie Ngatai e nem Damian McKenzie conseguiram encontrar soluções para impor um maior domínio a partir daquelas combinações rápidas que foram um sucesso durante a fase regular. Foi precisamente o abertura da equipa de Hamilton a dar o mote para a derrota da sua equipa, com um passe logo ao 1º minuto interceptado pelo Bus, Julian Savea.

Os Chiefs ainda conseguiram igualar passado 6 minutos, com um belo ensaio de Brad Webber, equilibrando um encontro que seria sempre apertado para as duas franquias neozelandesas. Contudo, os Hurricanes foram mais eficazes, frios na saída para o ataque e ponderados na hora de defender e garantir que os seus adversários não conseguiam criar sérias dificuldades nos últimos metros.

Note-se que nos stats finais os Chiefs lideravam em quase todos os cômputos atacantes: 750 metros (mais 200 que os ‘canes), 25 quebras-de-linha , 42 defesas batidos e mais corridas. Mas esses números de nada valeram na maioria do tempo, pois os erros também iam-se acumulando e a eficiência dos campeões do Super Rugby em 2016 acabou por ser a chave da vitória.

O trabalho cuidadoso no manuseamento de bola (foi de longe a melhor exibição no controlo da oval com só 9 erros próprios) e a segurança garantida no ruck (não perderam um único durante todo o jogo, mesmo com Sam Cane e Lachlan Boshier a “bater”) a equipa da casa foi construindo o resultado e a 10 minutos do final do jogo, estavam na frente com um 32-17… confortável o suficiente para fazer as substituições e deixar o jogo se desenrolar.

Os Chiefs ainda reduziram para 31-32 mas já de nada valeu… Hurricanes estão nas meias com uma exibição personalizada e que deeve preocupar (só um pouco) os Crusaders.

CRUSADERS EM MODO “50%” CHEGAM PARA OS SHARKS

Fácil, demasiado fácil para os campeões em título…40-10 ante a 2ª melhor franquia sul-africana deve dar o mote suficiente para mostrar que estão aqui para chegar ao bicampeonato.

Não há equipa que pratique o melhor rugby em termos de seriedade, eficácia, dureza e inteligência… não precisam de galgar muitos metros, de fazer “magia” ou de andar aos pontapés, precisam só de ter a oval e ganhar de forma consecutiva a linha de vantagem, para depois lançar Crotty (quebrou a linha por duas vezes e foi sempre um motor na criação de linhas de ataque) ou Goodhue (16 placagens)  como manobradores exímios e Mo’unga como mentor das linhas atrasadas.

Os sul-africanos ainda aguentaram os primeiros 40 minutos, sendo engolidos na segunda-parte com uma velocidade ímpar e fisicalidade agressiva dos Crusaders que derrubou a defesa dos Sharks.

Matt Todd caçou quatro bolas no ruck, Scott Barrett decidiu que era dia de explodir na linha e a avançada da formação de Christchurch foi delicerando os Sharks a cada nova formação-ordenada ou maul. Scott Robertson sabe montar uma equipa com uma genialidade única, agressiva a cada novo metro/placagem e paciente na criação de linhas de pressão.

As meias-finais são um resultado óbvio e daqui até à final têm o caminho aberto… o bicampeonato está na mão de um dos melhores conjuntos de sempre do Super Rugby. Há forma de os derrotar?

UMA LIÇÃO DE HUMILDADE E RESPEITO PARA OS HIGHLANDERS

A ganhar 23-06 para perder por 30-23… há forma de explicar isto Highlanders? Para quem viu o jogo foi notório que houve a certa altura um crescimento fenomenal dos Waratahs, mas também uma ausência de “fome” e humildade por parte da franquia dos Smith&Smith.

Se na primeira parte deslumbraram com um rugby de ponta, com aquela frieza que Aaron Mauger trouxe, a segunda foi um autêntico espectáculo de horrores por parte da franquia de Dunedin. Erros atrás de erros, atrapalhações constantes, combinações fracas e uma total ausência de discernimento que devia colocar várias perguntas a Aaron Smith pela sua falta de inteligência na hora de ter a oval em seu poder.

Exemplo: aos 50′, tinham conseguido chegar aos últimos 15 metros dos Waratahs, com os australianos em pânico para pôr um fim a esse avanço constante… Aaron Smith achou que podia “brincar” com o adversário e invés de fazer um passe simples para Thompson decide fazer um grubber tão mal desenhado que acabou como um pontapé de reinício de jogo. Mauger não soube manter a bitola da sua equipa no balneário e foi notória a queda num período de tempo proibido de o fazer..

Por outro lado, Bernard Foley foi extraordinário, mais uma vez, nesta época não só pelos ensaios mas pela forma como explorou a defesa mal montada dos Highlanders, abrindo espaço para Folau (voltou a ser imperial no jogo no ar, pondo Naholo completamente “assustado” nestas batalhas) e Naiyaravoro saíssem de rompante a ganhar consideráveis metros.

Em 30 minutos viraram um 06-23 num 30-23, naquela que pode ser considerada a melhor reviravolta desta época dos Waratahs. Para os Highlanders, pede-se uma lição de humildade e que deixem de ser rufiões no campo. Para sê-lo não basta parecer… há mesmo que fazer algo para sê-lo.

LIONS ASSUSTAM MAS TIRAM O SONHO ARGENTINO

Os vice-campeões em título estão vivos e a vitória por 40-23 frente aos Jaguares tem de ser uma factor motivacional para o jogo que se segue: Waratahs. A franquia de Joanesburgo jogou à crusaders, ou seja, entregou a oval aos argentinos, esperou que estes fizessem as suas jogadas e arriscassem o máximo possível para depois conquistarem a posse de bola e rapidamente chegarem à linha de ensaio.

Só aos 55′ é que houve um sufoco para os sul-africanos, pois os Jaguares de Ledesma chegaram a estar a meros 4 pontos de empatarem o encontro… Jantjies viu a sua equipa em apuros e começou a disparar ao pé, seja através de conversão de penalidades ou drops (já tínhamos algumas saudades deste pontapé-de-ressalto tão raro nos dias de hoje) ampliando o resultado.

Creevy, Matera, Chaparro e Lavanini caíram na “asneira” de começar a fazer faltas nos rucks permitindo aos Lions meter gelo no jogo, segurar a vitória com calma e explorar outras soluções com a bola em seu poder. Ter Malcolm Marx, Franco Mostert, Warrent Whiteley “frescos” e com uma raça tremenda providencia os pontos-fulcrais para elevar uma equipa a outro patamar.

Vale a pena perceber a visão dos Lions na defesa, sempre em busca de encaixar a placagem mais eficiente possível, permitindo logo um “roubo” ou pelo menos um chatear que crie serás dificuldades aos seus adversários. Fazem a “pesca” com excelência, relançam bem a bola de seguida e colocam pressão ao pé de uma forma quase imprevísivel. É uma equipa bem idealizada e que com as suas linhas todas disponíveis conseguem equiparar-se aos melhores do Super Rugby.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter