3 destaques da final do Super Rugby Trans-Tasman 2021

Francisco IsaacJunho 17, 20216min0

3 destaques da final do Super Rugby Trans-Tasman 2021

Francisco IsaacJunho 17, 20216min0
Os Blues são os vossos campeões do Super Rugby Trans-Tasman e explicamos o que se passou numa final emotiva mas nem por isso bem jogada

Terminou a temporada de franquias no Hemisfério Sul, mais precisamente na Nova Zelândia e Austrália, e os Blues são os campeões do Super Rugby Trans-Tasman, pondo fim a 18 anos sem qualquer troféu em torneios ou competições de rugby XV. Mas como é que os homens de Leon MacDonald derrotaram os Highlanders? O 1º destaque dos três tenta oferecer pistas ao como os Blues obtiveram esta vitória memorável.

O DESTAQUE: OS BLUES SÃO CAMPEÕES

Vitória incontestável? Não. Vitória memorável? Claro que sim. Os Blues de Auckland aguentaram a um ressurgimento dos seus rivais do sul durante os últimos 30 minutos do encontro, altura em que os Highlanders inverteram o resultado de 06-13 para 15-13, resultado que sofreria nova reviravolta a favor da equipa a jogar em casa aos 70 minutos para nunca mais mudar. Mérito de quem ganhou ou demérito dos visitantes que poderiam ter saído com outro resultado de Auckland? É perfeitamente discutível o mérito dos vencedores, já que naquela segunda metade do jogo pareceu que tudo se encaminhava para termos uma recuperação estupenda dos landers, que voltaram a crescer graças a mais uma exibição soberba de Aaron Smith, Michael Collins e Hugh Renton.

Contudo, os Blues mostraram galões de campeão quando reuniram forças para ir para cima do adversário, impondo boa disciplina no contacto, insistindo no breakdown, plataforma onde seria cavada a penalidade do 16-13 (excelente pontapé de Harry Plummer) e, depois, o contra-ataque que acabaria em ensaio de Blake Gibson depois de Hoskins Sotutu ter marchado dentro do ruck, recuperado a oval e iniciado essa tal jogada que colocou um ponto final na discussão do Super Rugby Trans-Tasman.

Um encontro extremamente imbuído nos detalhes tácticos, em que as fases-estáticas foram o principal ponto de discussão, com os Blues a estarem melhor na formação-ordenada, obtendo altos dividendos de possuir duas fornadas de 1ªs linhas praticamente dos All Blacks, afectando este pormenor os últimos 10 minutos do jogo, como se viu pelas duas penalidades conquistadas pela franquia de Auckland na FO. A intensidade física acabou por ser determinante, pois os Highlanders não resistiram às substituições nem ao facto da 3ª linha dos Blues ter mantido aquele dinamismo energético de lutar por cada centímetro, ruck ou entrada no contacto, e a formação de Dunedin acabou o encontro a pontapear a oval em excesso e a perder vontade de arriscar na posse de bola, algo que lhes tinha beneficiado anteriormente durante quer o Aotearoa ou Trans-Tasman.

Os Blues celebram, o fim de 18 anos sem conquistas chegou e a reafirmação como 2ª melhor franquia da Nova Zelândia tem de ser totalmente aceite.

O “DIAMANTE”: HOSKINS SOTUTU (BLUES)

Será interessante perceber se Hoskins Sotutu consegue finalmente ter uma oportunidade ávida e séria como nº8 dos All Blacks, ou se voltará a ter de esperar por oportunidades a partir do banco de suplentes, isto depois de ter terminado a temporada em alta ao serviço dos Blues, como se viu nesta final do Super Rugby Trans-Tasman.

O 3ª linha-centro foi responsável por iniciar a jogada do 2º ensaio (que podemos determinar como o da vitória), lutando por entrar no eixo do ruck até conseguir abrir uma brecha, para depois capturar a oval e iniciar o movimento que acabou com Blake Gibson a mergulhar para dentro da área de ensaio, somando ainda 50 metros de conquista, 5 tackle-busts, 2 offloads, 1 quebra-de-linha, 5 defesas batidos e 10 placagens (nenhuma falhada), rubricando uma das melhores exibições individuais da final.

A vida que Sotutu injecta à estratégia dos Blues a partir da sua posição é inegavelmente decisiva, quer seja a governar a formação-ordenada ou a aparecer como opção no jogo ao largo, vestindo o papel de contínua ameaça no ataque e defesa, sendo semelhante a Ardie Savea nos dinamismos e qualidade que apresenta. Foi uma das chaves da conquista do Super Rugby Trans Tasman para os homens de MacDonald e é altura de receber a máxima confiança para tentar fazer o mesmo pela selecção neozelandesa.

O “DIABRETE”: JOGAR PELO SEGURO NÃO SIGNIFICOU VITÓRIA…

Depois dos 80 minutos é fácil dizer que a opção por terem ido aos postes na 2ª parte, em especial quando estavam só a perder por 1 ponto, foi errada e que deviam ter sido tomadas outras escolhas, como o alinhamento (a formação-ordenada seria um risco constante, pois os Blues estiveram claramente sempre por cima neste aspecto), pormenor onde os Highlanders estiveram claramente por cima e até dominaram através de bons mauls dinâmicos, com dois deles a resultarem em duas penalidades a favor, mas em abono da verdade a equipa de Otago estava demasiado temerária em querer ter a oval em seu poder, como se viu em vários momentos no encontro.

Entrou em “campo” a frieza e o cinismo de transformar todas as penalidades dentro dos últimos 30 metros ofensivos em pontapés aos postes, não tendo grande vontade de ir atrás do ensaio, um elemento que os Blues procuram bem mais durante os 80 minutos, tendo conseguido dois ensaios contra nenhum dos seus rivais do ponto mais a sul da Nova Zelândia.

Faltou vontade de arriscar dentro daquilo que é a estratégia de jogo dos landers, houve um “medo” claro em procurar Jona Nareki, Michael Collins ou Sio Tomkinson – este trio só apareceu pontualmente no jogo quando realmente houve tentativa de explorar o jogo à mão -, optando por constantemente deixar Mitch Hunt ou Josh Ioane pontapearem a oval, uma opção erradamente tomada como se viu pelo resultado final. Olhando para a exibição do abertura e defesa dos Highlanders foi claro que ambos deixaram a pressão enovoar o seu virtuosismo e capacidade para procurar momentos de rasgo técnico, preferindo por manter um controlo demasiado rígido táctico que os deixou à margem dos principais momentos do encontro.

Os Highlanders bem podem se queixar da sua falta de vontade para procurar algo de diferente (dentro do seu plano de jogo) e a derrota na final do SR Trans-Tasman justifica-se por tudo o que aconteceu no Eden Park.

OS STATS DA JORNADA

Melhor marcador de pontos (jogador): Mitch Hunt (Highlanders) – 15 pontos
Melhor marcador de pontos (equipa): Blues – 23 pontos
Melhor marcador de ensaios (jogador): Mark Telea (Blues) e Blake Gibson (Blues ) – 1 ensaio
Melhor placador: Billy Harmon (Highlanders) – 20 placagens (2 falhadas)
Maior diferencial no ataque (jogador): Mark Telea – 45 metros conquistados, 1 ensaio, 2 quebras-de-linha e 4 defesas batidos


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