O Porquê da Europa dominar o ténis mundial

André Dias PereiraSetembro 26, 20174min0

O Porquê da Europa dominar o ténis mundial

André Dias PereiraSetembro 26, 20174min0
O triunfo na Laver Cup reafirmou o domínio do ténis na Europa, com Federer e Nadal, sobre o mundo.O Fair Play foi tentar perceber o porquê dessa tendência.

A Europa conquistou, este domingo, a primeira edição da Laver Cup, competição que reúne os melhores tenistas do planeta e os divide em duas equipas: uma em representação da Europa e outra do Resto do Mudo.

Os Europeus, liderados por Bjorn Borg, venceram a equipa treinada por John McEnroe(15-9) numa competição disputada em Chicago. Parte desse sucesso deveu-se à possibilidade de juntar jogadores como Roger Federer, Rafael Nadal, Dominique Thiem, Alexandr Zverev, Marin Cilic e Thomas Berdych. O Resto do Mundo foi composto por Jack Sock, John Isner, Nick Kyrgios, Sam Querrey, Denis Shapovalov e Francis Tiafoe.

Para a história ficam momentos como aqueles que reuniram os dois maiores e mais titulados jogadores de sempre na equipa de pares, ou os festejos de Nadal com Federer, quando o suíço carimbou o triunfo europeu, após vitória sobre Kyrgios: 4-6, 7-6 e 11-9. Mas, mais importante, a prova deixou visível a superioridade de talentos europeus sobre o resto do mundo, tendência pautada desde que Pete Sampras e Andre Agassi saíram da cena mundial.

Da equipa europeia, cinco jogadores integram o top 10 mundial, sendo que os restantes dessa lista também são europeus (Andy Murray, Stanislas Wawrinka, Novak Djokovic, Grigor Dimitrov e Pablo Cerrano Busta). Da equipa do Resto do Mundo, Sam Querrey (16º do ranking ATP) é o mais bem colocado. Aliás, o primeiro tenista não europeu da hierarquia mundial é o japonês Kei Nishikori, que ocupa um modesto 14º posto e que tem estado a recuperar de lesão.

Andy Roddick, o último não europeu como número 1

Roddick, o último nº1 não europeu (Foto: Daily Mail)

A clivagem entre o ténis europeu e o resto do mundo torna-se ainda maior se olharmos para a liderança mundial. Durante anos, Pete Sampras, André Agassi e Jim Courier ditaram uma dinastia no ténis. Contudo, na geração seguinte, o surgimento de novas lendas como Roger Federer e Rafael Nadal, marcaram um novo período de domínio europeu, mudando o jogo. Tenistas ambiciosos como Djokovic, Murray, Wawrinka não poderiam ter chegado ao seu patamar se não fossem obrigados a trabalhar pela força da dinastia Fedal.

É preciso recuar até 1 Fevereiro de 2004 para encontrar o dia em que outro norte-americano, Andy Roddick, deixou de ser número um mundial. Antes dele, o brasileiro Gustavo Kuerten e o australiano Lleyton Hewitt também marcaram presenças na liderança mundial, mais ou menos fugazes. Contudo, nos últimos 13 anos Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Andy Murray escreveram as páginas mais douradas da história do ténis.

Na Taça Davis a tendência mantém-se, embora a Argentina seja a detentora do troféu, após vencer a Croácia (3-2) em 2016. Desde 2000, apenas a Austrália (2003), EUA, (2007) e Argentina (2016), travaram o domínio europeu na competição. Espanha tem sido a mais dominadora com cinco títulos. Aliás, os espanhóis, com Rafael Nadal e Pablo Cerraño Busta, incluem dois jogadores no top-10 mundial, tal como a suíça, com Roger Federer e Stan Wawrinka.

Porque os EUA perderam preponderância

Mike H, treinador norte-americano de formação, explica algumas razões sociais que levaram à perda de influência do país na cena mundial. Entre elas, a ascensão de popularidade de outros desportos nos EUA, mas também a “perda de foco e motivação”, por força da “obsessão das redes sociais, mais vincada nos EUA do que em qualquer outro país”. Para este treinador o “colapso da classe média”, “o acesso caro à saúde”, limitou o acesso ao desporto a uma elite.

“A perda de foco e motivação (…) a obsessão pelas redes sociais, mais vincada nos EUA do que em qualquer outro país são razões para a saída de cena dos EUA como grande força no ténis.”

Há, contudo, razões para ser otimista. Federer e Nadal, apesar do fulgor físico e técnico, já ultrapassaram a barreira dos 30 anos. Tal como Novak Djokovic. E apesar de haver nomes muito promissores na Europa, como Alexandr Zverev ou Dominic Thiem, o Resto do Mundo tem no norte-americano Jack Sock (21º do ranking ATP), no australiano Nick Kyrgios (20º do ranking ATP), ou Francis Tiafoe, norte-americano de 19 anos de idade, algumas promessas para a médio ou longo voltarem a dominar o planeta do ténis. O tempo e o talento o dirão.

Europa, de Rafael Nadal e Roger Federer, venceu a primeira edição da Laver Cup


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