Arquivo de Rafael Nadal - Fair Play

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André Dias PereiraJunho 8, 20223min0

Não é à toa que Rafael Nadal tem uma estátua à porta do court Philippe Chatrier. O espanhol não para de aumentar a sua lenda em Paris e no ténis. No domingo, o maiorquino conquistou pela 14 vez o título de Roland Garros. Um registo absolutamente impressionante, que o coloca entre os grandes feitos da história do desporto em geral.

Nadal não apenas consolidou ainda mais a sua supremacia na terra batida, como subiu no ranking e ampliou a vantagem de Majors sobre Djokovic e Federer. São agora 22 Grand Slam contra 20 dos rivais.

O agora número 4 do mundo confirmou o favoritismo com que entrou no torneio e venceu a final de forma relativamente tranquila. Casper Ruud tem vindo mostrar méritos na terra batida mas não conseguiu ferir o espanhol, perdendo os 3 sets: 6-3, 6-3 e 6-0.

Este foi, aliás, um torneio que confirmou também a força de Casper Ruud, Zvevev e Alcaraz na terra batida. Embora uns tenham sido mais bem sucedidos que outros.

Nadal teve um caminho quase sem sobressaltos até aos quartos de final, quando defrontou Novak Djokovic. Para trás ficaram Jordan Thompson (6-2, 6-2, 6-2), Courentin Moutet (6-3, 6-1, 6-4), Van Zandschulp (6-3, 6-2, 6-4) e Felix Aliassime (3-6, 6-3, 6-2, 3-6, 6-3).  E foi quase sem sobressaltos, porque o canadiano quase eliminou o espanhol, que precisou de 5 sets para seguir em frente.

Mas o grande duelo seria com Novak Djokovic, o campeão em título. O sérvio entrou no torneio para igualar Nadal com 21 Majors, mas acabou por ver o maiorquino distanciar-se ainda mais. O espanhol venceu, também em cinco sets, por 6-2, 4-6, 6-2, 7-6. Ao cair nos quartos de final, o sérvio prepara-se para perder a liderança do ranking, na segunda-feira, dia 13, para o russo Daniil Medvedev. Nas meias-finais, Nadal beneficiou de desistência de Zverev.

Ruud sobe ao sexto lugar

Roland Garros confirmou o bom momento de Casper Ruud. O norueguês jogou, pela primeira vez, uma final em Paris e subiu ao sexto lugar da hierarquia. E não se pode dizer que tenha sido ao acaso. Só este ano já havia ganho na terra batida de Buenos Aires e Genebra. Dois oito títulos ATP conquistados nos últimos três anos, sete são neste tipo de piso.

Ao longo do torneio, foi deixando para trás, Tsonga, Ruusuvuori, Sonego, Hurkacz, Rune e Cilic. Nota para o croata que voltou a jogar uma semi-final de Grand Slam. Um registo que o coloca como o quinto jogador em atividade a jogar as meias-finais de todos os Majors (os outros são Nadal, Federer, Djokovic e Murray). Cilic teve ainda o mérito e afastar Daniil Medvedev (6-2, 6-3, 6-0) e Rublev (5-7, 6-3, 6-4, 3-6, 7-6). Acabaria por ser afastado por Casper Ruud (6-3, 4-6, 2-6, 2-6).

Apesar de ter chegado também às meias-finais, Zverev não tem razão para sorrir. O alemão, candidato à vitória final, acabou por se retirar do jogo com Nadal por lesão no tornozelo, que o forçou a uma operação. Ainda assim, voltou a mostrar grande capacidade para no futuro vencer em Paris. O problema é que Zverev, apesar do talento, precocidade e títulos alcançados, continua sem ganhar um Major. Um fantasma que não parece largá-lo.

Ainda assim, o alemão teve o mérito também de afastar Carlos Alcaraz. A grande sensação do circuito em 2022, caiu nos quartos de fnal: 4-6, 4-6, 6-4, 7-6.

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André Dias PereiraMaio 11, 20223min0

Começa a ser difícil encontrar sinónimos para o que tem sido a ascensão de Carlos Alcaraz. Ele deixou de ser o jogador do futuro para passar a ser o jogador do momento. Por outras palavras, já não é uma promessa, é uma certeza.

O espanhol tornou-se, no domingo, o mais jovem de sempre a ganhar o Masters de Madrid. E fê-lo em grande estilo, diga-se. Alcaraz venceu na final o Alexander Zverev por 6-3 e 6-1, naquele que foi o corolário de uma semana perfeita.

O triunfo sobre o alemão, de forma tão autoritária, já seria um feito digno de registo. Mas o que o espanhol fez ao longo da semana foi muito além disso e merece várias leituras.

A começar pelo óbvio: Alcaraz é, eventualmente, o melhor jogador da atualidade. Ou, pelo menos, quem está em melhor momento de forma. Este foi o segundo triunfo consecutivo do espanhol no seu país – em Abril ganhou o ATP Barcelona – e o seu quarto título do ano. Recorde-se que para além de Madrid e Barcelona, venceu no Rio de Janeiro e em Miami. Um registo que o fez ascender à sexta posição da hierarquia mundial. Considerando que há um ano não estava sequer no top-100 e que só este mês completou 19 anos de idade não deixa de ser impressionante o que tem vindo a fazer.

Mas não sendo pouco, o espanhol conseguiu ainda o feito de se tornar o primeiro jogador a derrotar, numa semana, em terra batida, e de virada, ninguém menos que Rafael Nadal (6-2, 1-6, 6-3) e Novak Djokovic (6-7, 7-5, 7-6). Aconteceu nos quartos de final e meias-finais. Esperava-se, por isso, que Alcaraz pudesse chegar fisicamente e emocionalmente desgastado à final. Nada mais errado. No vigor dos seus 19 anos e altamente motivado, despachou o número 2 do mundo de forma arrasadora. “Tu és o melhor do mundo”, reconheceu Zverev, claramente rendido ao espanhol. Também Nadal não poupou elogios ao compatriota mostrando-se feliz por Espanha ter produzido outro jogador de topo.

Roland Garros a ferver

Com Roland Garros à porta – arranca dia 22 de maio –  o ATP Madrid serve como um apalpar de pulso ao que podemos esperar de Paris. E a verdade, porém, é poderemos esperar tudo de bom. Sim, Rafael Nadal continua a ser o grande favorito, mesmo aos 35 anos. É o campeão do Australian Open e mostrou alto nível em Madrid. Tal como Novak Djokovic. Pese embora todas as contrariedades e polémicas que o têm acompanhado. É o campeão em título, quer igualar o espanhol com 21 Majors, e tem sido o único a contrariar o favoritismo de Nadal.

Só que, agora, há um novo rosto na área. Carlos Alcaraz mostrou em Madrid que está pronto para o nível seguinte e pode jogar de igual para igual com Nadal e Djokovic. E levar a melhor sobre eles fisicamente. Mas, já sabemos, um Grand Slam é um torneio e realidade à parte. Será, pois, interessante saber como Alcaraz vai encarar Roland Garros, agora com a pressão acrescida da expectativa.

E há ainda, não podemos esquecer, Zverev e Tsitsipas, ambos muito fortes na terra batida. O alemão chegou à final de Madrid e o grego às semifinais (perdeu para Zverev – 6-4, 3-6, 6-2), mostrando que estão não apenas preparados, como em bom momento de forma.

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André Dias PereiraMarço 23, 20223min0

Poucos tenistas têm mais razões para sorrir do que Taylor Fritz. O norte americano conquistou o seu primeiro Masters 1000 e subiu ao top-10 da hierarquia mundial. Aconteceu em Indian Wells, no domingo. Fritz não era o favorito, mas a verdade é que conseguiu impor a primeira derrota do ano a Rafael Nadal (6-3 e 7-5). Foi um triunfo e tanto por vários motivos. Mas vamos por partes.

Este foi o primeiro grande título de um dos mais promissores tenistas norte americano dos últimos anos. Os EUA sempre foram, tradicionalmente, uma das grandes escolas do ténis mundial. Nos anos 90, com Pete Sampras, André Agassi e Michael Chang, lideraram a cena mundial. Mas desde Andy Roddick, o último tenista norte americano a ser número 1, que o país não tem um verdadeiro protagonista na modalidade. Aliás, o último tenista dos EUA a ganhar Indian Wells tinha sido André Agassi, em 2001. Para se ter uma ideia mais concreta, o torneio existe desde 1990 e até 2001 só por quatro vezes o título não ficou em casa. E é por isso que este feito tem um gosto especial para Taylor Fritz.

Há muito que os norte americanos clamam por um novo símbolo. E Fritz, 24 anos, é um dos mais promissores. Mas nenhum ícone sobrevive sem títulos. O seu primeiro troféu no circuito aconteceu no relvado de Eastbourne. Mas era pouco. Até que ponto o título de Indian Wells pode catapultar Fritz só o tempo o dirá. Para já está assegurada pela primeira vez a sua subida ao top-10 mundial.

A caminhada: da estreia em 2015 à vitória em 2022

É preciso recuar até 2015 para recordar a estreia de Taylor Fritz em Indian Wells. Dois anos depois, em 2017, venceu o primeiro jogador do top-10 mundial. Marin Cilic foi a vítima. Em 2018 alcançou pela primeira vez os 16 avos de final. E o ano passado, as meias-finais.

Este ano chegou à glória. Para isso, deixou para trás Kamil Majchzark (duplo 6-1), Jaume Munar (6-4, 2-6, 7-6), Alex de Minaur (3-6, 6-4, 7-6 ), Miomir Kecmanovic (7-6, 3-6, 6-1), Andrey Rublev (7-5 e 6-4) e, finalmente, Rafa Nadal (6-3 e 7-6).

Esta foi também a primeira derrota do ano para o campeão do Australian Open. Rafael Nadal, ainda assim, sobe ao terceiro lugar do ranking ATP, atrás do líder Djokovic e de Medvedev. Frente ao californiano, o espanhol sentiu problemas físicos, chegando a ser atendido várias vezes pela equipa médica. Recorde-se que Nadal teve uma longa paragem por lesão em 2021, regressando no seu melhor em Melbourne. “Dei o meu melhor nas últimas duas semanas, mas desta vez não foi possível vencer”, disse o maiorquino.

Mas Indian Wells fica também marcado por mais um grande torneio de Carlos Alcaraz. O jovem de 18 anos é apontado como o sucessor de Rafa Nadal. E a verdade e que os dois se defrontaram nas meias-finais, com o triunfo a sorrir para o multicampeão (6-4, 4-6, 6-3).

Quem também mostrou estar em um bom momento é Andrey Rublev. O número 7 mundial já ganhou dois torneios em 2022, em Dubai e Marselha, alcançando agora as meias-finais, onde perdeu para o campeão. Para trás, tinha deixado rivais como Dimitrov, Hurkacz e Tiafoe.

Indian Wells acaba por confirmar o bom momento de vários jogadores, mesmo que a glória final pertença apenas a Taylor Fritz. Mas a temporada é longa e muito há ainda por acontecer.

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André Dias PereiraFevereiro 5, 20224min0

Vinte e uma vezes Rafael Nadal. O espanhol tornou-se o primeiro tenista a conquistar 21 Majors. Aconteceu no domingo, em Melbourne, na Austrália. Nem Quentin Tarantino escreveria um desfecho tão épico e improvável quanto foi a final do Australian Open e o feito do espanhol.

Entre o Big-3, Nadal era o único que poderia chegar já aos 21 Majors. Porque Federer continua a recuperar de lesão e porque Djokovic foi deportado em virtude de não cumprir os regulamentos sanitários do país. Mas isso não tornava a tarefa do espanhol mais fácil. Tal como o rival suíço, o maiorquino também atravessou um longo calvário de lesões. Foram mais de 6 meses de paragem. Nadal ainda participou em torneios de pares para ganhar ritmo, mas a sua condição física preocupava.

Além disso, outros contestantes ao título pareciam mais mais posicionados à conquista do primeiro Major do ano.  Como Zverev, Tstitsipas ou, sobretudo, Medvedev. E o russo teve título na mão. Quando, na final, chegou a estar com 2 sets de vantagem poucos acreditariam na recuperação de Nadal. Porque o espanhol já não tem o fulgor de antes (são já 35 anos), porque já vinha de uma longa batalha com Sahapovalov, mas sobretudo porque Medvedev é muito forte mentalmente.

Só que o russo cometeu um pecado capital que se paga caro contra adversários como Nadal. Não “matou” o jogo à entrada do terceiro “set“, permitindo, gradualmente, a recuperação de Rafa. E há três coisas que em Nadal, nunca podem ser negligenciadas, mesmo quando tecnicamente o seu jogo não resulta. A sua raça, capacidade de sacrifício, força mental e lutar até ao fim. Nadal acredita em cada ponto como se fosse o último e na vitória quando mais ninguém acredita. E foi assim que resgatou o jogo para um triunfo de 2-6, 6-7, 6-4, 6-4 e 7-5.

Quem acaba carreira com mais Majors?

Foi a segunda vez que Rafael Nadal venceu o Australian Open. A primeira havia sido em outra final memorável, contra Roger Federer, em 2009. À época, vivia-se o auge da era “Fedal”, com os dois jogadores a dominarem completamente a cena do ténis. Djokovic estava ainda em ascensão. Essa final ficou marcada pelas lágrimas de Federer, após derrota, por não conseguir igualar Pete Sampras com 14 troféus.

De então para cá algumas coisas mudaram. Federer e Nadal envelheceram bem e têm sabido manter-se no topo. Só que Djokovic tem feito uma década absolutamente arrasadora e à entrada para 2022, os três somavam, juntos, 60 Grand Slams (20 para cada um). O espanhol conseguiu agora adiantar-se, em Melbourne em relação aos rivais, nesta corrida a três. E continua a ser o grande favorito para Roland Garros, onde somou 13 dos seus 21 Majors.

O espanhol reconhece que 21 Grand Slam não serão suficientes para se tornar o maior campeão de sempre. Também por isso Nadal continua a treinar-se e a motivar-se com novos objetivos. E isso explica que logo após a vitória sobre Medvedev tenha ido fazer bicicleta e retomado os treinos.

Fora do Australian Open por não estar vacinado, Djokovic vive momentos difíceis. O seu posicionamento anti-vacina já lhe custou vários dissabores e Paris já anunciou que não aceitará jogadores que não estejam vacinados. O quanto isso impacta a carreira e o momento de Nolan? Bom, por enquanto pode ser barrado de outros torneios. E caso fique de fora do Masters 1000 Miami e Indian Wells, poderá mesmo perder a liderança mundial.

Que Federer vai regressar?

De acordo com o biógrafo Daniel Muksh, após o triunfo de Nadal em Melbourne o sérvio terá decidido vacinar-se. Caso venha a confirmar-se a sua participação em Roland Garros, será interessante continuar acompanhar a rivalidade com o espanhol. Por um lado, o sérvio é o campeão em título e quer igualar o Nadal com o máximo de Majors, e por outro lado, o maiorquino quer recuperar o título perdido e aumentar a sua lenda em Paris e em Majors.

Há ainda Federer. O suíço não está fora destas contas mas parece mais distante. Aos 40 anos e afastado dos courts desde 2021, só deverá voltar em Wimbledon. A pergunta que se coloca é que Federer teremos por essa altura? Poucos acreditam que o helvético tenha condições para disputar o título nos maiores torneios. A situação mais provável é que regresse para ser competitivo q.b. para seguir até, quem sabe, aos quartos de final de grandes provas, e arrecadar alguns títulos em torneios menores, em uma espécie de tourné de despedida.

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André Dias PereiraJaneiro 26, 20223min0

Nadal e Berrettini são os primeiros semi-finalistas conhecidos do Australian Open. À data da publicação deste artigo ainda faltava conhecer os outros 2 jogadores que compõem a meia final. E a verdade é que outros nomes grandes se podem juntar ao espanhol e italiano.

Mas vamos por partes. Rafa Nadal chega à sua 36 meia final da carreira, a nona em Melbourne. Um registo impressionante, apenas ultrapassado por Federer e Djokovic. E a verdade é que o maiorquino não tem sido sempre brilhante. É normal que assim o seja. Aos 35 anos e após longa paragem por lesão dificilmente poderíamos esperar que o nível do espanhol fosse o de outrora. Mas a verdade é que a falta de inspiração é compensada com garra. Foi assim que Rafa venceu o canadiano Shapovalov (6-3, 6-4, 4-6, 3-6 e 6-3), numa batalha de mais de 4 horas.

Como tem acontecido nos últimos anos, a verdade é que Nadal vai respondendo dentro de court, com resultados,  a todos os que vaticinaram o fim da sua era. E a verdade é que é único jogador que pode atingir 21 majors. Isto porque Federer continua a recuperar de 2 cirurgias e Djokovic falhou o primeiro major do ano após ter sido deportado de Austrália por não estar vacinado.

Até aqui Nadal deixou para trás Yannick Haffman (6-2, 6-3 e 6-4), Karen Kachanov (6-2, 6-3, 3-6 e 6-1) e Adrian Mannarino (7-6, 6-2 e 6-2), para além de Shapovalov.

Zverev cai outra vez ceedo demais

O canadiano proporcionou, aliás, uma das principais surpresas do torneio, ao afastar Alexander Zverev (6-3, 7-6 e 6-3). Uma surpresa, diga-se, pelo momento que os jogadores atravessam. É inequívoco que o canadiano é um dos mais talentosos jogadores do circuito. Mas a verdade, porém, é que nem sempre tem resultados em conformidade com a sua capacidade. O alemão, por seu lado, continua o calvário dos Grand Slam. Aos 24 anos o número 3 do mundo soma 19 títulos, entre os quais 6 em 2021 – e entre eles o ATP Finals – mas não conseguiu ainda qualquer major. A pressão sobre o alemão tem vindo a intensificar-se nesse quesito nos últimos anos.

A vez de Berrettini?

Quem também está nas meias finais é Matteo Berrettini. O italiano tornou-se o segundo jogador do país com mais presenças nesta fase de um major. Desta vez deixou para trás o francês Gael Monfils (6-4, 6-4, 3-6, 3-6 e 6-2). Antes disso, afastou Brandon Nakashima, Stefan Kozlov, Carlos Alcaraz e Carrño Busta. Entre estes, destaque para o confronto com Alcaraz. O espanhol voltou a mostrar que é preciso contar com ele no futuro, deixou tudo em court, apesar do resultado: 6-2, 7-6, 4-6, 2-6 e 7-6.

Agora, contra Nadal, o italiano vai reviver as meias finais do US Open 2019. É a terceira vez, aliás, que Berrettini chega a esta fase de um Major. Será que é desta que dá o passo em frente?

Por enquanto não são conhecidos ainda os outros semi-finalistas. Mas um dos favoritos é Daniil Medvedev. O número 2 do mundo procura o seu primeiro título em Melbourne. E para já tem alternado entre vitórias consistentes, como diante Laaksonnen ou Zandschulp e triunfos apertados como Nick Kyrgios ou Maxime Cressy, sendo obrigado a jogar 5 sets. Agora, contra Aliassime o russo terá novamente que subir o seu nível. O canadiano é um dos melhores jogadores da sua geração e tem vindo a colecionar resultados importantes. Outro jogador com grandes ambições é Stefanos Tsitsipas. O grego também busca o seu primeiro título em Melbourn, depois de já ter ganho o ATP Finals e Roand Garros. Mais importante, um bom arranque em 2022 mais bem sucedido que o segundo semestre de 2021.

 

 

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André Dias PereiraJaneiro 19, 20223min0

Arrancou o Australian Open. Mas independentemente do que acontecer nos courts, esta edição é marcada pelo que acontece fora deles. Porque mesmo não jogando, Djokovic é nome dominante. Após uma novela que durou mais de uma semana, certo é que o sérvio não disputa o primeiro Grand Slam do ano.

Nolan foi deportado para o seu país natal por não cumprir os regulamentos de segurança sanitária em Austrália, chegando a ser detido. Djokovic não está vacinado e mantém uma postura ativista na luta pela liberdade individual de vacinação. Uma luta que, para já, o afasta da possibilidade de disputar o seu décimo título em Melbourne e alcançar o 21 Major da carreira. Mas as coisas podem não ficar por aqui, porque a participação em Roland Garros também está condicionada à vacinação.

Mesmo com Djokovic de fora, o show tem que prosseguir. Salvatore Caruso assume, assim, a vaga deixada em aberto pelo número 1 do mundo. “O perdedor mais sortudo do mundo” foi como o próprio “lucky looser” se assumiu. De todo o modo, o italiano foi eliminado por Miomir Keckmanovic (6-4, 6-2, 6-1).

Sem Djokovic em court, quem são então os grandes favoritos ao título? À cabeça, Daniil Medvedev. O número 2 do mundo foi finalista vencido o ano passado e deu o passo em frente no US Open. Melbourne poderá ser, pois, o momento de transição na sua carreira, com vista ao topo da hierarquia. Mas pela frente poderá ter que ultrapassar o sempre incómodo Nick Kyrgios na segunda ronda. O russo tem um jogo muito consistente, é regular e possui uma força mental que o torna fiável.

Mas não é pela ausência de Djokovic que Medevedev terá uma passadeira estendida. Até porque Zverev é agora o segundo cabeça de série e um dos mais consistentes jogadores do circuito.

Nadal de regresso

Claro que é importante ficar de olho também em Tsitsipas e Nadal. Em 2021 o grego eliminou Nadal e Federer, mas a verdade é que durante o segundo semestre do ano decaiu. Que jogador teremos nesta fase? Bom, isso é uma resposta que teremos durante o torneio. E ninguém dúvida do que Tsitsipas pode fazer em um bom dia.

Sem Djokovic nem o lesionado Federer, Nadal será o único integrante do Big-3 a jogar em Melbourne. O espanhol regressa após uma longa paragem por lesão. Não tem o fulgor de outros tempos, é certo, mas é sempre um nome a ter em conta quando se fala em favoritos. Até porque em caso de vitória torna-se o maior campeão da história de Majors, ganhando vantagem sobre o sérvio e o suíço.

Outro nome para seguir com atenção é o de Andy Murray. O britânico já não é o que foi, mas a verdade é que tem vindo a tornar o seu ténis mais consistente. Aliado à sua experiência é um nome que, em um bom dia, pode causar surpresas. E para já começou bem. Contra Basilashvili levou a melhor, ganhando por 6-1, 3-6-4, 6-7 e 6-4. Outros “jokers” podem ser Francis Tiafoe, Alex de Minaur ou até mesmo Carlos Alcaraz.

De uma forma ou de outra, há mais Australian Open para além de Djokovic. Mas este pontapé de saída da temporada poderá marcar uma viragem no que tem sido o ATP nas últimas décadas.

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André Dias PereiraJaneiro 5, 20222min0

Após avanços e recuos parece que Novak Djokovic vai  jogar o próximo Australian Open. O número 1 do mundo confirmou no seu Instagram que vai disputar o primeiro Major do ano, entre 17 e 30 de Janeiro.

Em causa está a não vacinação contra o Covid-19. Por várias vezes o número 1 mundial posicionou-se contra a vacinação obrigatória. Para poder defender o título de 2021, Djokovic viu ser-lhe concedida uma isenção do comprovante de vacina por parte da organização.

O tema não é pacífico, nem entre a organização nem entre os tenistas. O ano passado, o sempre polémico Nick Kyrgios declarou que apesar de ter tomado todas as vacinas não concordava com a exigência da vacinação obrigatória. Novak Djokovic não perdeu tempo em se posicionar ao lado do australiano, defendendo a liberdade de escolha: “Não importa se é no ténis ou em qualquer outra área da vida, todos devem ter a liberdade de escolher o que querem ou não fazer”.

Recorde-se também que desde o início da pandemia, Nolan tem colecionado polémicas. Desde a organização de torneio nos Balcãs, que culminou com vários jogadores e público infectado, à preparação de Grand Slams.

Outro caso curioso é o de Tennys Sandgren. O número 96 do mundo desistiu do torneio por não estar vacinado, contudo, pediu regime de exceção por acreditar que não cumpria os protocolos exigidos no país.

Certo é que o Governo já tinha anunciado, ainda em 2021, que para jogar o Australian Open todos os jogadores teriam que apresentar o certificado de vacinação. Um dos visados era justamente Djokovic, que para já perdeu a possibilidade de jogar ATP Cup.

Nadal quase a postos

Craig Tiley, diretor do torneio, garante que não existe uma exceção para Djokovic. O que acontece é que foram pedidos 26 exceções e a maioria não cumpria todas as regras.

Novak Djokovic pode assim lutar pelo seu décimo título em Melbourne. Caso o faça torna-se o primeiro a atingir 21 Majors. Mas Nadal também está na parada. O espanhol regressou à competição na variante de pares do ATP 250 de Melbourne. Juntamente com o também maiorquino Jaume Munar, a dupla venceu Sebastian Baez e Tomas Etcheverry.

Após uma longa paragem, Nadal vai ganhando ritmo para o primeiro Major do ano. E mesmo não sendo favorito, é interessante acompanhar o nível a que se vai apresentar. Talvez o torneio que o maiorquino tem mais chances de vencer é Roland Garros.  Até porque há Medveded e Zverev a jogarem o melhor ténis das suas carreiras. De fora do torneio está Roger Federer. O suíço também se encontra a recuperar de duas cirurgias e na melhor das hipóteses só deverá voltar em Wimbledon.

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André Dias PereiraAgosto 30, 20213min0

A grande interrogação do US Open, que arrancou esta segunda-feira, dia 30, é saber quem pode travar Novak Djokovic. O número um mundial é o grande favorito à conquista do torneio nova-iorquino. E não é para menos. Sem Nadal, Thiem (lesionados) e Federer (sujeito a nova operação), o sérvio surge como o grande favorito.

Em caso de vitória, Djokovic consegue dois feitos importantes: tornar-se o primeiro jogador a ganhar 21 Majors e vencer os 4 Grand Slam no mesmo ano, algo que nenhum tenista conseguiu desde Rod Laver.

E há razões para acreditar que Nolan se apresentará ao mais alto nível. A principal das quais é a que, desde as olimpíadas, o sérvio abdicou dos torneios de Tóquio e Cincinatti para se preparar para o US Open. Isso quer dizer que Djokovic se deverá apresentar no seu auge físico, técnico e mental.

É verdade que o líder do ranking mundial saiu feio na fotografia dos jogos de Tóquio, mas a história do sérvio mostra-nos que é nestes momentos que ele se supera. É através dos pontos baixos que Djokovic responde com o seu melhor ténis. Um bom exemplo foi o Australian Open deste ano.

O contra poder do US Open

Mas sem Nadal, Federer e Thiem, quem pode travar o sérvio? Bem, a verdade é que as ausências de jogadores históricos tem feito emergir finalmente novos talentos. Sobretudo Zverev, Tsitsipas e Medvedev. Os três encontram-se, provavelmente, no seu auge de carreira. E a tendência é continuar a melhorar. O alemão, por exemplo, tem melhorado muito o seu saque. Não por acaso, eliminou Djokovic nas meias finais dos Jogos Olímpicos. Medvedev, número 2 do mundo, tem jogado o fino do ténis. Só este ano já ganhou em Marselha, Maiorca e o ATP 1000 do Canadá. É bem verdade que não tem um estilo elegante, mas é extremamente eficiente e tem uma ambição e força mental como poucos.

Tsitsipas também é uma boa aposta para alcançar, pelo menos, as quartos de final Em Roland Garros, por exemplo, empurrou Djokovic para um jogo de cinco sets. Será interessante acompanhar o primeiro jogo da ronda inaugural contra Andy Murray. Apesar do estatuto do britânico, o grego encontra-se hoje em outro patamar e é amplamente favorito. Caso avance, Tsitsipas poderá enfrentar Cameron Norris, Ugo Humbert ou Cristian Garin.

Há ainda Andrey Rublev. O número sete do mundo procura ainda ser consistente. Este ano ganhou o torneio de Roterdão mas mostrou ter condições para vencer qualquer um.

Entrada tranquila de Djokovic

Se olharmos para o ranking mundial, pela primeira vez desde 2005, apenas um jogador do Big-3, Djokovic, está no top 3. Isso diz-nos que, aos poucos, o ténis se vai renovando. Mesmo tendo em conta a longevidade de Federer, Nadal e Djokovic.

Se olharmos para a chave do torneio, percebemos que o sérvio não deverá ter problemas nos primeiros jogos. A começar com o dinamarquês Rune. Mais à frente poderá jogar com Nishikori. O japonês tem-se mostrado este ano bem regular e consistente mas longe dos melhores tempos. Caso dê a lógica, apenas nas meias finais o sérvio poderá defrontar Zverev. Caso o faça será a reedição das semi-finais de Tóquio. O ouro olímpico então conquistado pelo alemão mostra a boa fase em que se encontra. Aliás, este pode ser também o momento chave para o alemão conquistar o seu primeiro Major. Apontado como um dos mais promissores tenistas do circuito, a verdade é que o alemão tem falhado nos momentos chave. Veremos, pois, se os Jogos de Tóquio foram o virar de ficha ou uma exceção que confirma a regra. Certo é que olhando para o ténis de Zverev, o alemão está muito mais sólido e com um saque que já se tornou uma arma. Veremos se é o suficiente.


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