Portugal brilha na qualificação para o Campeonato da Europa 2023

José AndradeNovembro 17, 20218min0

Portugal brilha na qualificação para o Campeonato da Europa 2023

José AndradeNovembro 17, 20218min0

Esta semana regressamos para falar sobre a seleção nacional de Portugal, o conjunto de Ricardo Vasconcelos iniciou a qualificação para o Campeonato da Europa de 2023 com uma vitória frente à Estônia e um desaire frente à seleção grega, mas duas exibições que deixaram bem evidente que o lugar da nossa seleção é entre as melhores.

Portugal – Estónia: Triunfo esclarecedor

No primeiro destes dois jogos, Portugal venceu a Estónia por 62-43, uma adversária já bem conhecida da nossa seleção visto que desde 2006 que a enfrentamos nas qualificações, nessa ocasião na qualificação para o Campeonato Europeu de 2007, mas desde lá já foram 10 confrontos num total de 10 triunfos em 11 duelos frente a este adversário. Neste jogo, uma vitória de muita classe e que deixou logo à vista aquilo que seria o constante nesta dupla jornada, a muita qualidade e a capacidade de lutar até ao último segundo.

Em Matosinhos, Portugal teve que suar para vencer no primeiro quarto frente à Estónia, aqui a equipa visitante conseguiu criar mais problemas e discutir o jogo, muito pelos confrontos físicos e aí tivemos, mais uma vez, Maria Koustorkova em grande desde o começo e num duelo com Kadri-Ann Lass nas tabelas, um duelo que vem da Liga espanhola. Depois de um primeiro quarto mais equilibrado, Portugal conseguiu superiorizar-se e dominar este encontro, além de Maria Kostourkova, Laura Ferreira esteve como sempre muito bem, foi dos elementos mais regulares e que menos errou, foi preponderante na defesa e no ataque.

O maior destaque foi Maria João Correia, mas é preciso também referir a grande exibição de Carolina Rodrigues, tal como na Liga Betclic, a jogadora do SL Benfica entrou muito bem e fez a diferença neste primeiro jogo. Portugal geriu, viu a vantagem que chegou a ser de 28 pontos ser reduzida no último quarto, quando o ritmo era mais baixo e a seleção da Estónia aproveitou para aproximar, mas em momento algum o triunfo português esteve em causa, deu para ver mais de alguns elementos e deu para gerir as nossas atletas, mas vitória categórica e com dedo de Ricardo Vasconcelos que souber ler bem o encontro e mudar, para que Portugal se superioriza e triunfasse iniciando da melhor forma a qualificação para o Europeu de 2023 que se vai realizar em Israel e na Eslovénia.

Portugal – Grécia: Por pouco não se fez história, mas qualidade que faz sonhar ainda mais!

Na Philippos Amoridis Arena, Portugal perdeu por 64-57 frente ao conjunto helênico, num jogo repleto de emoção do principio ao fim e onde a selecção das Quinas deixou evidente que pertence à elite do basquetebol, mesmo somando um desaire e num jogo difícil, nunca baixou os braços e conseguiu mesmo colocar uma das seleções europeias mais fortes em dificuldades. A seleção grega está em 9ª no ranking europeu e em 15ª no ranking FIBA mundial, algo que demonstra bem o poderio deste conjunto que conta com jogadoras experientes, de muita qualidade e que jogam nas melhores ligas, isto tudo são sinais do crescimento do nosso basquetebol, de como as nossas jogadoras são de grande qualidade e de como estamos cada vez mais perto de chegar onde merecemos.

Este duelo foi o sexto frente à Grécia, ainda não foi desta que conseguimos triunfar e fazer história, o primeiro duelo remonta a 1989 numa equipa comandada por Eliseu Beja e com nomes históricos como Ana Oliveira, Carla Esteves ou Vera Jardim, depois disso seguiram-se os desaires em 1991, 1993 num grande jogo em Tondela numa altura que a nossa seleção contava com Ticha Penicheiro ou Mery Andrade; depois seguiu-se a derrota de 2017 num elenco onde estava Michelle Brandão, uma das nossas convidadas no último Sixth Woman além de 2017 também em 2018 fomos derrotados pela Grécia. Neste jogo, foi onde estivemos mais perto de conseguir “matar o borrego”, Portugal entrou menos bem e sentiu muitos problemas, a desvantagem chegou mesmo a ser de 20 pontos.

A luta das tabelas fazia a diferença, como esperado, com as gregas a controlar aspecto e conseguiam dai dominar o encontro, com Maria Fasoula a brilhar, ela que é uma das estrelas do basquetebol europeu e um jogadora de classe mundial, ia fazendo a diferença e sendo a jogadora mais para o lado grego. Portugal melhorou ao intervalo, conseguiu ter mais Márcia da Costa Robalo em jogo e isso fazia a diferença, com também grande participação de Sofia da Silva, que começou a surgir mais nesta partida e ainda Marta Martins. Outro dos destaques foi novamente, Laura Ferreira, voltou a ser das melhores jogadoras lusas e voltou a ser preponderante.

Portugal conseguiu equilibrar, dividir o jogo com as gregas e discutir o resultado levando para o último quarto tudo em aberto. A verdade é que a seleção grega voltou a ser mais forte na altura decisiva, Portugal ainda conseguiu estar na frente do encontro no 50-49, mas a equipa da casa não acusou a desvantagem e acabaram mesmo por conseguir vencer num jogo insano, de alta intensidade e onde o elenco português mostrou que a distância para estas seleções é cada vez menor. Um grande jogo de basquetebol, onde a experiência pesou, mas onde as nossas jogadoras orgulharam o nosso país e mostraram que vão ter de contar connosco na altura das decisões. O crescimento de Portugal é notório, este embate serviu para mostrar isso mesmo e que as jogadoras portuguesas pertencem à elite do basquetebol!

MVPs – Craques de luxo

Laura Ferreira – Não sabe jogar mal

Um dos maiores destaques lusitanos foi Laura Ferreira, além de figurar entre as melhores jogadoras no Grupo G e do lance que correu mundo, Laura Ferreira a jogadora mais regular, esteve muito bem nos dois jogos e tal como muitas vezes friso nos textos da Liga Betclic, mesmo não sendo a jogadora mais exuberante é das melhores e das que menos erra no basquetebol nacional. Nestes dois jogos, Portugal teve em Laura Ferreira uma das jogadoras mais preponderantes, voltou a destacar-se nos dois lados do campo, assumindo um peso no jogo de Portugal que mais nenhuma outra assumiu. Segurança, regularidade e muita qualidade fazem de Laura Ferreira uma jogadora de altíssimo nível e uma das peças mais imprescindíveis para Ricardo Vasconcelos.

Sofia da Silva – Incansável batalhadora

O nosso segundo destaque vai para Sofia da Silva, a jogadora do Ensino Lugo voltou a exibir-se ao nível que nos tem habituada nesta temporada e ao longo da sua carreira. Dois jogos que exigiram muito das nossas atletas e Sofia da Silva mostrou-se a nível excelente tanto na defesa, como na luta das tabelas e mesmo no ataque, a atleta que começou aos 13 anos no Clube Académico de Coimbra voltou a mostrar o porquê de ser um dos destaques do Lugo neste início de temporada e o porquê de brilhar numa das melhores ligas do basquetebol europeu. A capitã nacional jogou sempre bem, em alta intensidade e perante todas as adversidades conseguiu sempre estar em evidência na nossa seleção, principalmente no período de domínio português na Grécia onde os seus pontos foram importantes para o crescimento luso.

Marta Martins – Entradas diferenciadas

Por fim, o nosso terceiro destaque vai para Marta Martins, a base do Benfica não foi titular e nem somou os minutos das jogadoras anteriores, mas a verdade é que sempre que entrou fez a diferença. No jogo com a Estónia, Marta Martins entrou muito bem ao lado de Carolina Rodrigues e no jogo com a Grécia foi ainda mais preponderante. Foram 11 pontos, 1 ressalto em 23 minutos nos dois jogos, mas além destas estatísticas a jogadora scalabitana entrou sempre muito bem, em todas as ocasiões mudou o jogo luso e conseguiu fazer o que Ricardo Vasconcelos pretendia, agitar e alterar o decorrer das partidas. A jovem portuguesa tem vindo em crescendo ao longo da temporada e a assumir cada vez mais protagonismo no Benfica e mesmo na seleção, a verdade é que como se viu nesta dupla jornada de qualificação para o Campeonato da Europa, Marta Martins não precisa de muito tempo nem de muito espaço para brilhar.

Por esta semana é tudo, ficaram as duas ótimas exibições da nossa seleção que provou a toda a Europa que o nosso talento é gigante e que vamos discutir o lugar no Campeonato da Europa até ao fim com todas as possibilidades de sonhar com uma presença em Israel e na Eslovénia em 2023.


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