Tiago Magalhães, Author at Fair Play

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Tiago MagalhãesSetembro 2, 20187min0

No espaço de um mês vemos duas lendas do basquetebol a escala mundial a retirarem-se da modalidade e aqui no FairPlay não poderíamos deixar passar em revista as brilhantes carreiras de Manu Ginobili e Juan Carlos Navarro.

Para alguém nascido como eu na década de 90, Manu Ginobili e Juan Carlos Navarro são indubitavelmente duas referências da modalidade e de quem guardaremos momentos verdadeiramente únicos, quer na EuroLeague quer na NBA, mas sobretudo a nível de seleções que representaram toda a vida, a Argentina e a Espanha, respectivamente.

Estes serão para sempre duas figuras incontornáveis do basquetebol por milhentas razões onde todavia, a sua maior vitória, foi irem contra todos os precedentes e estereótipos criados a sua volta nas situações em que estavam inseridos, e isso é o que os torna lendários.

Manu Ginobili iniciou a sua carreira como professional na Argentina antes de rumar a Itália onde despoletou como um enorme talento. Em 1998 e com apenas 21 anos foi um dos jogadores mais influentes na campanha do Reggio Calábria na ascensão a Lega A italiana que motivou o interesse dos olheiros dos San Antonio Spurs tendo draftado o argentino com a escolha número 57 do Draft de 1999. Contudo, e com todas as incertezas que pairavam sobre a sua permanência no plantel de Greg Popovich, Ginobili voltou para Itália por mais 3 temporadas onde se tornou, na altura, um dos melhores jogadores do mundo fora da NBA, tendo sido MVP das finais da Euroleague e MVP da Lega A italiana por duas vezes, ao serviço do mítico Kinder Bologna.

Juan Carlos Navarro, sempre será um “Blaugrana”. Com apenas 17 anos e vindo da formação do Barcelona, Navarro fez a sua estreia na ACB numa altura em que o clube catalão não estava na plenitude das suas capacidades. Com o aparecimento de jogadores da “cantera” como Navarro e Pau Gasol e a aquisição de atletas de topo na Europa em anos seguintes como Dejan Bodiroga, Sasha Djordjevic, Arturas Karnisovas o Barcelona formou uma equipa que viria a ser prolífica em títulos sobretudo de 2000 a 2003, quer a nível interno quer a nível de EuroLeague. O base/extremo seria escolhido na posição número 40 no Draft 2002 pelos Washington Wizards, pelos quais nunca viria a jogar.

O amor pelo país

Apesar do domínio mundial dos norte americanos a nível de selecçoes nos torneios mais importantes, Ginobili e Navarro foram preponderantes em momentos chave para os seus países onde conseguiram contornar essa hegemonia e arrecadar títulos que não mais se voltariam a repetir até a actualidade.

La Bomba (a sua alcunha mais utilizada), experimentou pela primeira vez esse sabor ainda alinhando pelas selecçoes jovens onde, a título de curiosidade no Mundial de 1999 realizado em Lisboa, fez parte da “Geracion de Oro” que bateu os EUA na final da competição garantindo assim um título inédito. Porém esse era apenas o início.

Manu é provavelmente o maior talento argentino da, por sua parte, “Geracion de Oro Argentina” com nomes como Luís Scola, Fabrício Oberto, Pablo Prigioni e o seu melhor amigo Andres Nocioni.

Um dos atletas mais medalhados a nível europeu, mundial e olímpico, Navarro teve um dos seus melhores momentos no Mundial de 2006 no Japão onde a Espanha se tornou campeã após bater a Grécia que vinha de chocar o mundo ao bater os EUA na meia final. Navarro foi um dos jogadores mais influentes dos espanhóis rumo ao título.

Por sua parte, Ginobili tem um título que, certamente Navarro ambicionou toda a carreira, visto que o argentino nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 garantiu a medalha de Ouro na competição tornando-se assim a única equipa a auferir de tal distinção nos últimos 16 anos para além da selecção norte americana.

Ginobili a representar a Argentina

No que é, considero quase unanimemente, o melhor jogo de sempre do basquetebol da era moderna, Navarro teve uma brilhante performance na final dos Jogos Olímpicos de 2008 onde marcou 18 pontos e foi um dos motores de Espanha que quase bateu os EUA que vinham recheados de estrelas, sendo uma partida que marcou uma época – onde se começou a perceber que a distinção de talento a nível mundial começava a ser cada vez menor e o basquetebol estava cada vez mais espalhado pelos quatro cantos do mundo.

10 são as medalhas que o espanhol ganhou pela La Roja, ao longo de 11 anos.
7 são as medalhas que o argentino ganhou pelos Celestes, ao de 17 anos.

Caminhos diferentes, sucesso constante

Manu Ginobili passaria toda a sua carreira a representar apenas uma franchise na NBA, os San Antonio Spurs, a quem se juntou no Verão de 2002.
Seria impossível termos de escolher um momento ou um facto que caracterizasse a carreira do argentino pelos Spurs.Talvez os 4 títulos obtidos? A aceitação de, apesar de ser um dos melhores jogadores do mundo, começar no banco em prol do bom funcionamento da equipa? As suas fantásticas lutas contra as suas sapatilhas ou contra um morcego, que o tornaram Batmanu? Ou talvez a sua amizade com Tim Duncan, Tony Parker e Greg Popovich?

Se tivesse de escolher, seria toda a magia que trazia ao jogo, a forma como aliava a capacidade física fenomenal com a inteligência para ler o jogo ou então a técnica exímia que tantos passes e highlights nos proporcionaram durante estes anos.

O argentino representaria assim a equipa do Texas durante 16 temporadas, onde se tornou o melhor sexto homem de sempre, líder em roubos de bola do clube e um dos jogadores mais influentes de uma dinastia que, inequivocamente, o tornará um futuro Hall of Famer.

Juan Carlos Navarro, teria uma breve excursão em 2007 pelos Memphis Grizzlies onde se reuniu com o seu companheiro Pau Gasol durante uma temporada em que sentiu vários problemas de adaptação a cultura norte americana, tendo mesmo assim sido onsiderado um dos melhores Rookies do ano. Os problemas com tempo de jogo, adaptação e sistemas ofensivos da NBA fez com que voltasse ao seu clube de origem, o Barcelona.

Na capital da Catalunha, viiveu sem dúvida os seus melhores momentos que o tornam um dos 5 melhores jogadores de sempre a nível individual e colectivo. Detentor de 8 Ligas Espanholas, 3 MVP de finais da Liga Espanhola, 2 títulos da EuroLeague e 2 troféus MVP (Fase Regular e Final4), Navarro estará na história do basquetebol europeu durante muitos anos nem que seja nos livros de recorde onde é o jogador com mais jogos de sempre na EuroLeague, com mais pontos e com mais pontuação de MVP.

Navarro numa das suas últimas partidas no Palau

Mas o seu maior feito? A forma como dissecava as defesas adversárias nos seus frágeis 1.90m e 85kg com uma panóplia tremenda de arsenal ofensivo que o tornou uns dos melhores scorers de sempre, o verdadeiro “La Bomba”.

Novos ciclos se avizinham, talentos emergem e muita da história fica na sombra dos feitos actuais. Emanuel Ginobili e Juan Carlos Navarro terão sempre uma luz própria para uma geração, a que eles próprios criaram no escuro do pavilhão quando ninguém dava por eles e que brilhou na altura mais importante e fascinando-nos para sempre!


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