O jogo das nossas vidas

Tiago MagalhãesMarço 16, 20203min0

O jogo das nossas vidas

Tiago MagalhãesMarço 16, 20203min0
Numa altura em que atravessamos uma crise a nível mundial, o desporto passou para um plano secundário no que na verdade realmente importava - os resultados. Porém tomou uma proporção bem maior num plano fulcral - o de juntar toda a sociedade, numa altura em que a distância é fundamental.

O desporto, desde a mestria dos seus protagonistas até ao espetáculo imaculado que nos proporciona, sempre teve um papel fundamental na nossa cultura. Ele distraiu-nos e curou-nos em tempos de stress e tragédia, provando ser sempre um escape para todos nós e uma distração para o mundo real que por vezes não queremos enfrentar.

Apesar de todos os nossos problemas, acabamos sempre por esboçar um sorriso num golo da nossa equipa favorita, de abraçar alguém a festejar um cesto marcado sobre a buzina ou de recordar para sempre um momento marcante dentro do desporto que nos ficará inevitavelmente na memória.

A verdade é que ao final de algum tempo acabamos por nos sentirmos estranhos porque finalmente apercebemos, num momento como este, que o desporto não passa apenas disso para nós, ou pelo menos assim deveria ser.

Vivemos um tempo de incerteza e o que foi para nós um refúgio durante a maioria do tempo, neste momento não tem importância alguma. Neste tempo de angústia, sempre acreditamos que os desportos nos ajudariam, até que nos deixaram de ajudar e que entendemos que infelizmente nunca serão uma solução.

Neste tempo onde a quarentena é mais do que necessária, estarmos juntos pode ser uma tragédia e as ramificações desportivas e monetárias nunca se irão sobrepor ao que realmente importa, a nossa sociedade.

Os eventos desportivos foram adiados e cancelados quase em catadupa numa medida mais do que necessária, e esta é apenas uma consequência de um mal maior, que esperemos proteja a nossa sociedade, para além dos atletas com que nos maravilhamos em frente a televisão ou em eventos ao vivo.

A frase “The show must go on” pareceu, durante algum tempo, encaixar na perfeição nestes momentos de aflição e constrangimento porque o desporto para além de nos distrair, faz-nos esquecer, nem que seja por apenas um momento, o que se passou de mal no passado e consegue, instantaneamente, oferecer-nos potencial de cura contra tudo o que de mal se passa à nossa volta.

Agora, o desporto tornou-se fulcral numa batalha que tomou proporções mundiais de um dia para o outro, frente a um adversário que desconhecemos, totalmente incomum e que parece nos querer aterrorizar.

Este é um vírus que tem tocado em várias facetas do nosso dia-a-dia e que tirou vidas a pessoas com quem provavelmente nunca nos cruzamos, nem nunca o iríamos fazer, porém o seu trajeto acabou abruptamente, e sem qualquer sinal de aviso que fizesse prever e deixou-nos impotentes de sequer ajudar.

Todos somos importantes, neste jogo a que chamamos vida.

Mas infelizmente teremos de nos curar, sem o desporto que sempre esteve ao nosso lado, para que um dia nos possamos reunir com ele e continuar a partilhar memórias inesquecíveis, seja onde for.


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