21 Nov, 2017

Arquivo de messi - Fair Play

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Pedro NunesSetembro 23, 20174min0

Um Barcelona com muitas dúvidas existenciais e que viu sair dois dos seus grandes aliados dos últimos anos, uma Argentina com a possibilidade de falhar o Mundial, um Ronaldo prestes a igualar o número de bolas de Ouro. Aos 30 anos, esta é uma das épocas mais desafiadoras da carreira de Lionel Andrés Messi.

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Diogo AlvesJulho 25, 20175min0

A nova direcção da Asociación del Fútbol Argentino (AFA) está a operar uma autêntica renovação e mudança de paradigma dentro da selecção Argentina. Mudança que começou com a nomeação de Jorge Sampaoli como técnico principal, e, já estendeu-se às camadas jovens. Desde os Sub-13 até aos Sub-20.

Chiqui Tapia, o novo presidente da Afa – eleito em Março – tem trabalhado de forma empenhada para melhorar todo o “edifício” do futebol argentino. Desde as selecções maiores até as selecções de base.

Começou por rescindir com Edgardo Bauza (treinador contratado pela administração anterior) por maus resultados e por também entender que a Argentina necessitava de outro perfil para treinador principal. A escolha recaiu em Jorge Sampaoli. Treinador que ao serviço do Chile venceu uma Copa América em 2015, curiosamente contra a Argentina de Messi.

Deslocou-se a Sevilla para convencer o rosarino aceitar a sua proposta e a convencer os directores do clube andaluz abdicar dele. Não foi preciso muito para convencer o treinador, uma vez que o seu sonho era o de ser eleito seleccionador nacional. Foi preciso alguma paciência com os directores do Sevilla, mas as negociações chegaram a bom porto. No final do dia todos saíram contentes. O Sevilla contratou “Toto” Berizzo para novo treinador (um treinador argentino de grande qualidade) e a Afa tinha assim o seu eleito preferencial.

O início da Era Sampaoli

Sampaoli trouxe consigo todos os adjuntos e analistas – onde se inclui o mediático Matías Manna –, mas teve de abdicar do seu “irmão” do futebol, Juanma Lillo, que seguiu para outras paragens. Nomeadamente para o Atlético Nacional da Colômbia. Para suprimir essa ausência, Jorge Sampaoli voltou a chamar o jovem e ambicioso Sebastián Beccacece que era o seu braço direito há longos anos, excepto na aventura em Sevilla, porque esteve a treinar o Universida do Chile e o Defensa Y Justicia (onde se manteve até final da época).

Jorge Sampaoli começou logo pelas mudanças mais técnicas e tácticas na selecção. Chamou jogadores de um perfil mais adequado às suas ideias, onde destaca-se a convocatória de Guido Rodriguez, Leandro Paredes, Joaquin Correa, Lanzini e “Papu” Gómez. Recuperou o ostracizado Mauro Icardi e o ausente “Toto” Salvio. Além dos habituais como Messi, Dybala, Aguero, Higuain, Dí Maria, entre outros. Agora, há uma aposta em jogadores de um cariz mais criativo e ofensivo.

Uma mudança também verificada nas vitórias diante do Brasil (1-0) e da Singapura (6-0) onde viu-se uma selecção com traços diferentes e mais à imagem de Sampaoli. Conceptualmente ainda há um longo trabalho a fazer, mas já há princípios sampaolistas nesta nova era.

[Foto: Scoopnest.com] O primeiro “onze” de Jorge Sampaoli. Em cima: Maidana, Mercado, Otamendi e Romero; Em baixo: Messi, Dí Maria, Dybala, Higuain, Jorge Luís Gomez, Biglia e Banega.

Novo ciclo

A chegada de Jorge Sampaoli abriu um novo ciclo em toda a estrutura desportiva da Afa. Desde a selecção A até aos Sub-13 houve mudanças no corpo técnico das selecções.

A era de Carlos Úbeda à frente da selecção de Sub-20 chegou ao fim depois do fracasso que foi o último Mundial da categoria. Com uma selecção com bons nomes próprios, a selecção das pampas não conseguiu passar o seu grupo e só venceu na última jornada (5-0) a frágil Guiné Conacri. Para suceder a Carlos Úbeda, o elegido – por Jorge Sampaoli, em concordância com Chiqui Tapia – foi o próprio adjunto de Sampaoli, o também argentino, Sebastián Becaccece. Assim as ligações entre selecção A e Sub-20 ficarão mais limpas e com uma maior e melhor interacção entre os seleccionadores. Jorge Sampaoli, inclusive, marcou presença no mini-estágio dos Sub-20 que realizaram há poucos dias na Cidade Desportiva de Ezeiza.

Com a batuta das selecções jovens ficou Hermes Desio. Também rosarino como Sampaoli, é um ex-jogador de futebol e alinhou em clubes como o Independiente na Argentina e em Espanha teve passagens pelo Celta de Vigo, Salamanca e Deportivo Alavés. Desio actualmente era o coordenador das camadas jovens do Estudiantes La Plata, terá agora o mesmo cargo mas ao serviço do seu país coordenando todas as categorias base das selecções argentinas.

Nos Sub-17 a escolha recaiu sobre “Payaso” Aimar, o ex-jogador de River Plate e Benfica, foi o escolhido para orientar os Sub-17 que é o último patamar antes de incorporarem o futebol sénior. O ex-jogador há alguns meses que andava a formar-se para ser treinador, pensou-se até que seria adjunto de Eduardo Coudet no Xolos Tijuana por ter estagiado com ele nos últimos tempos. Aimar tem como inspirações Marcelo Bielsa (um histórico na Argentina) e o flamejante e nosso conhecido Jorge Jesus. Como adjunto terá Carlos Desio e Enrique Cesana.

Na categoria de Sub-15 o novo timoneiro é o ex-jogador Diego Placente, enquanto os Sub-13 terão Alejandro Sagesse. A escolha foi sobretudo em ex-jogadores como Aimar e Placente para seleccionadores e ter um coordenador também ele com experiência de campo. As bases estão montadas e os alicerces parecem ser seguros e com bons valores, futebolísticos e humanos, o trabalho para melhorar o futebol argentino começa agora e os frutos a serem colhidos têm de ser ainda amadurecidos e permitir que haja tempo para chegar a bom porto.

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Pedro NunesJulho 23, 20174min0

Há uns meses, o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresentou um Livro Branco aos eurodeputados em que delineava os possíveis cenários da União Europeia. Resumidamente, Juncker previa que a União podia evoluir de cinco formas: recuando muito, recuando pouco, ficando na mesma, avançando pouco ou avançando muito.

Talvez pareça que o primeiro parágrafo não tenha nada a ver com o tema que se vai tratar em seguida, por isso é melhor contextualizar. Ora, não há dúvidas que Juncker usou uma excelente forma de prever o futuro – até porque dificilmente poderá falhar. E já que as boas ideias são para ser aproveitadas, o momento do Barça pode ser pensado da mesma forma, tentando imaginar as possibilidades futuras da equipa blaugrana.

Segundo a Lei de Murphy, tudo o que puder correr mal, correrá. Se assim é, combater Murphy será o desafio de Ernesto Valverde. O técnico que chegou de Bilbau tem agora de recuperar um império em queda, onde não há espaço para margem de erro. Outras mudanças, talvez mais profundas, vão sendo noticiadas na comunicação social. A mais impactante é que Neymar pode estar de saída numa transferência astronómica. Entra muito dinheiro, sai muito talento. Qual valerá mais neste momento para o Barcelona? Com a hegemonia europeia a voltar-se para a capital espanhola a grande velocidade, Camp Nou começa a ver o seu império desmoronar-se aos pouquinhos.

Neste momento, as principais decisões estão centradas naquilo que o mercado pode, ou não, oferecer. A direção sabe o que quer mas não sabe como fazer para ter. O buraco deixado por Dani Alves na ala direita tem sido bem difícil de colmatar. Sergi Roberto remendou, mas não chega para cumprir toda uma época ao nível Champions, tal como é requisito obrigatório em Camp Nou. Semedo chegou para o lugar. Para complicar, o interior daquele lado tem sido o lugar mais rotativo do plantel, pois não há quem o assuma totalmente. Rakitic caiu de forma, Denis não vingou e André Gomes apanhou-se num contexto em que não consegue fazer valer as suas capacidades. Agora, é falado Paulinho para o lugar, visto que a escolha inicial, Verratti, parece não ter modo de sair de Paris.

A previsão mais conservadora aponta para que tudo fique na mesma em Barcelona. Imagine-se este cenário hipotético. Se este ano Valverde vencer a Taça do Rei e cair na Champions e no campeonato, isso será uma boa ou má época? A resposta não é clara. Uns dirão que ficou aquém, outros que já foi um bom trabalho. Objectivamente falando, ganhar o mesmo é ficar na mesma – e não é assim tão descabido que tal volte a acontecer.

As melhores recordações da temporada passada para os adeptos culés foram a vitória para a Taça do Rei, a remontada épica contra o PSG e a partida no Santiago Barnabéu. Após estes dois últimos momentos, o Barça cedeu e deu passos em falso, que os fizeram cair dessas mesmas competições. São experiências como as de Turim e Málaga que os dirigentes não querem que volte a acontecer. Costuma-se dizer que as grandes organizações mudam antes de ser obrigadas a mudar. Numa visão progressista, para os fãs culés estas mudanças eram necessárias e foram efectuadas no momento certo, de maneira a não perder totalmente a hegemonia para a capital.

Num cenário de revolução como o que se vive em Camp Nou, a perspectiva mais positivista – que assume que este envolvimento tem sido o melhor para todas as partes – é praticamente inexistente. Mudanças na direcção, treinador novo, tácticas novas e novos reforços. É o primeiro ano de uma nova era e a reconstrução de um Barcelona que, em tempos, já foi totalmente dominador. A melhor notícia já chegou – a renovação de Leo Messi. A partir daí, é aguardar por mais desenvolvimentos.

Foto: Mantos do Futebol

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Daniel FariaAbril 2, 20179min0

A selecção argentina atravessa um momento delicado no que diz respeito à qualificação para o Mundial que se disputa no próximo ano, em território russo. Com o principal “astro” suspenso por quatro jogos, – Lionel Messi – conseguirá a equipa alviceleste garantir o apuramento, quando faltam precisamente quatro jornadas por disputar?

A Argentina ocupa neste momento o 5º lugar do grupo de qualificação da CONMEBOL. Os quatro primeiros vão ao Mundial, sendo que o 5º classificado disputa um “play-off” de acesso à fase final da maior competição de selecções do mundo. Em 14 jornadas, a equipa argentina tem 22 pontos, fruto de 6 vitórias, 4 empates e 4 derrotas… Nada famoso. É caso para perguntar: o que se passa Argentina?

A equipa mostra limitações, que podem ficar mais visíveis sem a presença do seu “jogador estrela” Lionel Messi, que tem sido o “abono” da sua selecção. Ora vejamos: sem Messi, a Argentina somou apenas 7 pontos em 24 possíveis. Já com o jogador do Barcelona, a equipa conseguiu amealhar 15 pontos em 18 possíveis, perdendo só no reduto do líder, o Brasil. Que diferença. Só este facto comprova o quão limitada e dependente é a Argentina. Arrisca-se a não disputar o Mundial, se não acordar, pois apesar de estar ainda perto da zona de qualificação (a um ponto do Chile, quarto classificado), dependerá sempre de terceiros.

Lionel Messi não joga mais para a fase de qualificação pela Argentina. (Foto: rpp.pe)

Bi-campeão mundial fora da jogada?

De recordar que no Mundial de 2014, a Argentina foi finalista da competição, frente à “todo-poderosa” Alemanha, perdendo o encontro por 1-0. Estamos a falar de uma selecção finalista vencida, ou seja, não é qualquer uma. O mundo do futebol está já habituado a vislumbrar a selecção das “pampas” nos grandes palcos no que a selecções diz respeito. Uma selecção campeã mundial por duas vezes: em 1978 e 1986! Será que assistiremos à ausência de um histórico do futebol mundial? Só o tempo o dirá.

A verdade é que ninguém imagina um Mundial sem a Argentina. Ou melhor… os brasileiros imaginam e daria até um certo “gostinho”, dada a rivalidade entre os dois países. De resto, penso que quem gosta de futebol quer ver as melhores selecções nos grandes palcos. Se bem que o nível de jogo exibido pela Argentina nesta fase de qualificação não faça jus ao histórico da selecção sul americana, que já nos habituou a grandes equipas e a um futebol bonito.

Messi, Aguero, Di Maria, Dybala, Higuain, são alguns nomes que qualquer equipa ou competição gostaria de poder contar… Serão “apagados” da elite mundial para 2018? Seria uma pena.

A seleção Argentina conta com grandes valores individuais. (Foto: cleubercarlos.blogspot.pt)

Depois das vitórias por 3-0 com a Colômbia e 1-0 com o Chile, os argentinos pareciam ter recuperado a confiança, mas foram tramados pela altitude boliviana, perdendo com a selecção local. Desceram assim ao 5º lugar do grupo de qualificação, que não dá qualificação direta para o Mundial.

Instabilidade é cenário dominante

Se olharmos atentamente para o panorama do futebol argentino, deparamo-nos com um cenário de crise. Instabilidade, polémica, escândalos na Associação de Futebol Argentina… O organismo do futebol local vive alguns momentos conturbados, principalmente desde 2014, quando morreu Julio Grondona, presidente da associação desde 1979. Luis Segura assumiu o cargo de forma interina, com eleições marcadas para Dezembro de 2015. O então presidente interino concorria com Marcelo Tinelli, apresentador de televisão no país. Só que o acto eleitoral ficou envolto num grande escândalo, contando com um voto a mais do que o previsto. Na eleição, verificou-se que ambos os candidatos tiveram 38 votos, somando 76 no total quando só estavam habilitadas para votar 75 pessoas… As eleições acabaram por ser anuladas, causando um “reboliço” no país…

Corrupção e ilegalidades financeiras, entre outros problemas, são debatidos, num grande clima de instabilidade.

No entanto, já se conseguiu encontrar um presidente para o organismo: trata-se de Claudio Tapia, que prometeu recuperar a “institucionalidade que merece o nosso querido futebol argentino”, disse o novo presidente depois de ser eleito.
Das questões federativas, passamos novamente aos assuntos futebolísticos. A nação Argentina está faminta por títulos. E a verdade é que a Argentina não os tem conseguido, acabando por afastar um pouco os seus adeptos da selecção e não só… Recorde-se que Messi já abdicou de jogar pela sua selecção, mas depois acabou por voltar.

Claudio Tapia quer revitalizar o futebol argentino. (Foto: conmebol.com)

O grupo conta com vários atletas de grande destaque. Nicolás Otamendi é um dos melhores defesas da Premier League, com a camisa do Manchester City; Rojo é titular absoluto no Man. United e mostra bom rendimento. Mascherano dispensa apresentações. Banega é um dos bons jogadores do Inter.

Vemos as figuras da Argentina em destaque no seu clube, mas quando chegam à equipa nacional parece que “apagam”. É diferente sim jogar na selecção, por vezes os sistemas tácticos diferem. Mas um profissional de futebol deve saber adaptar-se às situações e estar preparado para tudo.

A formação da América do Sul entra em todas as competições e é apontada como potencial vencedora. Será a pressão? Pode ser, mas como se disse atrás, um profissional tem que lidar com a pressão e tudo o que envolve ser futebolista, principalmente a este nível. As coisas no futebol são demasiado rápidas. Passam num instante. Ou ganhas, ou perdes. Se ganhas, adoram-te. Se perdes, és odiado, algo que tem acontecido a Messi e companhia. Demasiados desaires que originam uma selecção traumatizada e com medo do futuro… Uma selecção que tem conseguido chegar a finais, mas que não as ganha…

Fome de títulos e demasiado ruído

Parece que o fracasso é uma constante. Em 2014, perderam a final do Mundial com a Alemanha, e em 2015, foram novamente derrotados na final da Copa América. Em 2016, na edição especial de centenário da Copa América, voltaram a cair na final perante o Chile, fazendo Messi alegadamente renunciar à selecção… são demasiados golpes no coração de uma Argentina ferida e sedenta de títulos. Será que vai continuar a “malapata” com o não apuramento para o Mundial, ou os argentinos terão forças para evitar mais um rude golpe nas suas ambições? Pelo menos potencial não falta para evitar esse dissabor, mas outros factores poderão pesar na balança.

A seleção das pampas parece atravessar uma crise emocional. (Foto: Goal.com)

Outro dado com que nos deparamos, é o extremo “burburinho” em torno da selecção e a sua deficiente relação com a comunicação social. Como se sabe, a relação dos jogadores argentinos com a imprensa não tem sido muito pacífica. Recorde-se que em Novembro, os mesmos anunciaram um “blackout” aos jornais locais e isso é uma das piores coisas que se pode fazer. Fechar um clube ou uma nação futebolística à comunicação social só “afunda” mais uma determinada equipa, ainda para mais quando a mesma está em crise. Os adeptos precisam de saber o que se passa no seio da equipa, e o melhor veículo de transmitir isso são os media.

Na “saga” do ruído de fundo relativamente à Argentina, já se ouviu de tudo. Já surgiram acusações de que só os “amigos de Messi” ou de Mascherano eram convocados para a selecção, já se disse que Messi não deveria ter voltado à selecção… A juntar a isto, surge também a figura intrometida do histórico argentino Maradona, que de vez em quando, deita “achas” na fogueira. Numa recente declaração do antigo “astro” argentino, o mesmo afirmou que o “futebol argentino está quebrado”, tendo por isso se tornado embaixador da FIFA na Argentina, com vista a tentar solucionar a crise do futebol do seu país.

Para Maradona, os presidentes dos clubes estão “mais preocupados com o próprio lucro que podem conseguir” num contrato de televisão do que com os “problemas reais do futebol”, por isso pediu que deixem “a soberba em casa” e comecem a “trabalhar”.

Maradona quer ajudar o futebol argentino em articulação com a FIFA. (Foto: The Telegraph)

Também Mauricio Macri, ex-mandatário do Boca Juniors refere-se à situação do futebol argentino como uma «crise terminal».

«O futebol argentino está em uma crise terminal. Talvez, ainda pior do que o país que recebemos. Ao invés de encarar o tema e colocá-lo para discutir, os dirigentes seguem tentando encontrar um atalho, um remendo. Não levam as coisas com seriedade suficiente», garantiu Macri numa entrevista concedida em Janeiro.

Estes pequenos trechos espelham uma nação sem confiança na sua equipa, mostrando-se frustrada no futuro do futebol, que outrora era respeitado e temido e actualmente atravessa uma crise de valores e de identidade.

Por isso, sob um clima de descrença e falta de crédito no panorama futebolístico internacional, a Argentina, orfã da sua estrela, Lionel Messi, procura o apuramento para o Mundial, pretendendo dar um “pontapé na crise” e calar os críticos com a presença na Rússia em 2018. É caso para dizer: está na hora de acordar, Argentina!

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Francisco IsaacDezembro 19, 201610min0

Nunca gostei de Iker Casillas, é assim que se inicia este artigo. O guarda-redes espanhol que bateu recordes e números, para além de ter conquistado todos os títulos ao seu “alcance”, foi sempre alvo de uma eterna paixão ou irritação por parte dos adeptos do desporto Rei. Um olhar e uma opinião sobre quem é Iker Casillas

Nunca gostei de Iker Casillas, o guardião espanhol que conquistou um Mundial e dois Europeus ao serviço da Roja. Durante anos olhava para o madrileno com algum desdém, seja pelo olhar “arrogante” com que fitava os seus adversários, seja pelo modo como defendia “agressivamente” as cores do Real Madrid e a sua Espanha ou pelo facto de ter dominado o balneário dos madrilenos durante anos a fio depondo os treinadores que iam contra a “sua vontade”.

Casillas foi o epíteto de sucesso do Real Madrid durante anos a fio, com três Champions League em mais de 16 aparições na prova máxima de clubes na Europa. Para além disso, Iker Casillas conquistou mais 15 troféus (destaque para as 5 La Ligas) nos tais 16 anos ao serviço de um dos maiores colossos a nível Mundial.

Foram cerca de 725 jogos com a camisola dos merengues (no caso de Iker seriam outras cores), um número “pesado” e histórico para o futebol mundial. Outro número curioso é o cruzamento de jogos com golos sofridos. Em toda a carreira, o guardião espanhol somou cerca de 830 jogos, consentindo 798 golos, saindo “impune” em 291 ocasiões.

Casillas participou em mais de 10 competições diferentes (está incluída a Liga NOS, já que curiosamente o guarda-redes do FC Porto não participou nem na Taça da Liga nem na Taça de Portugal em dois anos no clube), defendendo remates, soqueando cruzamentos e organizando a sua defesa com grande qualidade.

Olhando para todos estes números e metas, qualquer apaixonado pelo Desporto Rei tem respeito pela imensa carreira do guardião. Porém, continuo a dizer que nunca gostei de Iker Casillas.

Casillas com a Copa na mão (Foto: The Guardian)

Aquela Bomba de Nuno Gomes em 2004

Tinha sempre mais gosto quando Portugal, ou as equipas portuguesas, conseguiam completar uma jogada com um golo ao portero da Roja. Recordo-me bem daquele remate do Nuno Gomes no Euro 2004: Casillas, com o nº23 nas costas, nem teve reacção ao potente remate do avançado do SL Benfica, levando os portugueses a uma emoção que iria continuar nos seus picos até à desditosa final.

Ver Casillas a cair na fase de grupos trouxe um sentimento “venenoso”, já que guardava algum rancor para com ele. Os anos passaram, a Espanha reergueu-se e conquistou – quase – tudo o que havia para conquistar entre 2008 a 2012. O seu mérito na baliza de la Roja ficou sempre algo “obstruído”, pois “viveu” com outros maestros durante esses anos de grandes vitórias.

O espectáculo que era aquele jogo dos espanhóis tinha vários responsáveis: entre o “namoro” táctico de Xavi, a “arte” apaixonada do drible e criação de Iniesta, a eficácia cruel de Fernando Torres ou a ligação surpreendente entre Ramos-Piqué. Mas Casillas estava lá e foi fundamental para que conseguissem levantar os troféus nas três competições máximas da FIFA/UEFA.

É ainda mais interessante quando observamos o Euro 2008 e 2012 e o Mundial 2010 e notamos que Casillas sofreu zero golos na fase a eliminar… Zero! É um número inédito para qualquer guarda-redes que tenha marcado presença em vários torneios europeus e mundiais.

Os golos sofridos foram só consentidos na fase de grupos. Curiosamente, no Euro 2008 sofreu três golos, no Mundial 2010 foram só dois os remates certeiros (começou com uma derrota frente à Suíça por 1-0) e no Europeu de 2012 só um remate é que encontrou o caminho da baliza do espanhol.

Mais uma vez, os números são interessantes e merecem respeito por toda comunidade do futebol… mas não garante que tenhamos de gostar da imagem de Iker Casillas. Para quem está de fora da capital espanhola, o guardião de 1,85 metro era encarado como o exemplo da arrogância máxima e desconsideração de Madrid perante os restantes territórios de Espanha.

As Peleas com Barcelona e o sanar do Conflito

As guerras entre Casillas e Piqué eram entendidas como uma batalha entre a Andaluzia e a Catalunha, entre o espírito de domínio e o de rebeldia anunciada, atingindo o seu êxtase em plenos clássicos entre os culés e os merengues.

Curiosamente, foi o próprio Casillas (com Xavi) a colocar “fim” ao intenso espírito de guerra que se sentia em La Liga, entre os catalães do Barcelona e os andaluzes do Real Madrid. A reunião foi alvo de críticas por parte das gentes de Madrid, mas Iker só queria pôr fim (motivado pelo balneário) a uma forma de se estar errada no desporto. Xavi, que também foi responsável por alguns episódios menos bons, trouxe o seu melhor lado para “cima da mesa” e o acordo de mútuo respeito ficou estabelecido. Este foi, talvez, um dos momentos mais categóricos da passagem do espanhol pelo futebol de nuestros hermanos.

Depois chegou o “adeus” ao Real Madrid, um dos momentos mais trágicos da história recente dos madrilenos. Por que é que falamos em tragédia? Pela forma como a direcção do clube espanhol “despachou” o guarda-redes, sem direito a honras nem mercês, sentado sozinho perante os repórteres que, acima de tudo, ficaram pasmados com a situação que estavam a viver.

Para surpresa de muitos, o lendário guardião escolheu (se assim o podemos dizer) o FC Porto como novo destino profissional. Sair de uma “casa” que habitava desde sempre para agora um destino desconhecido era, no mínimo, “assustador”.

A primeira temporada nos dragões não foi satisfatória, apesar de ter brilhado em alguns jogos: na Luz e no Dragão frente ao SL Benfica (fenomenal no 1×1 frente quer a Jonas quanto a Pizzi); em Tondela (segura um penalty que daria o empate à equipa da casa); ou diante do Vitória de Guimarães, em casa; entre outros tantos.

Em abono da verdade, Casillas também falhou em momentos críticos da época para o FC Porto, com aquele lance em Guimarães a ficar como uma “mancha” pesada no seu reportório. Porém, subitamente ocorreu algo que mudou a minha opinião perante Iker Casillas.

No meio daquele marasmo de temporada que foi 2015/2016 para os azuis-e-brancos, o espanhol teve sempre uma postura de defesa dos ideais do clube, de trabalho intenso que muitas vezes não teve retorno e uma forma de estar com os adeptos mais próxima do que a maioria alguma vez pensou.

A época terminou sem títulos (no jogo da Taça de Portugal ficou no banco, não deixando de ficar histérico com o 2º golo de André Silva), com críticas “agressivas” a todos os parâmetros e secções da equipa, com a própria permanência de Casillas a ser questionada.

A saída fácil para a lenda da Roja seria o abandono do Dragão para ir em busca de outras paragens mais rentáveis (Estados Unidos da América ou Inglaterra), terminando a carreira de forma mais segura, estável e calma.

Aquelas defesas… (Foto: Ojogo)

A grandiosidade da carreira no Dragão

Todavia, para surpresa de todos aqueles que seguem a carreira de Casillas, o guarda-redes decidiu ficar na cidade do Porto, apostando em mais uma temporada na Invicta. Com esta decisão o respeito pela sua imagem cresceu, os adeptos ganharam um “carinho” especial e até os seus adversários “aplaudiram” a humildade de Iker.

Em 2016/2017, a equipa do FC Porto sofreu, até agora, 9 golos em 22 jogos, tendo Casillas alinhado em 20 partidas. Na Champions League os dragões foram a 3ª defesa menos batida (só Juventus e Atlético Madrid se saíram melhor); e, em termos internos, é a formação com menos golos sofridos na Liga. Para tal registo, Casillas já foi “senhor” de uma série de belas defesas a remates complicados, especialmente em jogos que culminaram em empates para os dragões – no estádio do CF “Os Belenenses” salva a sua equipa de um golo de Camará que poderia ter sido fatal.

Para além disso, nota-se uma excelente comunicação com os seus parceiros da defesa, como demonstram as situações nas bolas paradas (apesar de alguns golos terem provindo dessa situação, isto no início de temporada), ou a leitura de várias situações de perigo iminente (destaque para a reacção e estratégia a defender em situação resultante de contra-ataque).

Nota-se um Casillas mais “calmo”, concentrado e “alegre” com a vida na Invicta, com uma raça mais fiel ao código do que é o FC Porto.

“Nunca gostei de Iker Casillas” – foi assim que começámos esta breve rábula de ideias… No final, posso dizer que não sou apaixonado pela forma de ser do espanhol, mas ganhei um respeito e carinho especial pela forma como tem representado a sua carreira enquanto guarda-redes.

Façam um simples exercício de reflexão: Iker Casillas passou mais de 820 jogos “sozinho” entre os postes. Sentiu várias as vezes o “Mundo” contra si, com um coro de assobios, de críticas e de vexame escusado.

Em Madrid a relação com a direcção, treinadores e afición foi sempre de amor-ódio, onde foi “obrigado” a provar que era o melhor dos melhores entre os merengues. Salvou o Real de muitas derrotas, levou a que a Espanha subisse aos pódios e carimbou o seu lugar entre as maiores lendas do Desporto.

Casillas jogou com e contra todas as grandes lendas da viragem do século XX para o XXI, festejou com os Ronaldos, sofreu golos de Messi ou Henry, digladiou-se com Tévez e Kluivert, trocou de camisolas com Kahn ou Buffon, entre outros marcos.

Uma lenda do futebol mundial, um mito da sua Espanha e um “bombeiro” de categoria mundial, Iker Casillas merece mais respeito, carinho e consideração pela enormidade de guarda-redes que foi/é e será na memória histórica do Desporto Rei.

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Tomás da CunhaDezembro 5, 20166min0

Quando se fala na formação de jogadores, há clubes que não podem ser esquecidos. O Dínamo Zagreb é um desses nomes incontornáveis, tendo sido considerado recentemente o terceiro maior produtor de talentos a nível europeu, apenas atrás de Ajax e Partizan. Nas ‘top 5’ do Velho Continente há 55 jogadores fabricados no gigante croata; um deles chama-se Alen Halilovic, “novo Messi” que ainda não cumpriu o que prometeu.

É no mínimo estranho perceber que o menino a quem todos auguravam um futuro brilhante está, neste momento, à procura de uma carreira de sucesso num clube que luta pela manutenção. Aquele craque com um pé esquerdo do outro mundo, que colava a bola no pé e ia ziguezagueando por entre adversários com uma facilidade arrebatadora, encarando os grandes como se não lhes devesse nada, porque o talento não se mede aos palmos.

O menino cresceu e “já” tem 20 anos. Para trás deixou uma passagem infeliz por Barcelona, onde nunca conseguiu lidar com o peso das expectativas. Chegou como futura estrela mundial e saiu sem glória, à procura de um lugar que o traga de novo à ribalta. Foi uma aposta sem retorno para os catalães, que em 2014 se anteciparam a meio mundo na transferência do “Messi da Croácia”, contratando-o por valores bastante razoáveis no panorama actual – em final de contrato com o Dinamo, custou apenas 2,2 milhões de euros.

Não foi, porém, por falta de talento que Halilovic não se afirmou em Camp Nou. Detentor de inúmeros recordes no campeonato croata – o mais novo de sempre a jogar e a marcar – e internacional pelo país desde os 17 anos (estreou-se frente a Portugal), cedo ganhou cotação pela sua qualidade prematura. Ainda assim, numa fase inicial percebia-se que a fama não lhe tinha subido à cabeça. “Admiro o Leo, mas estou muito longe da sua qualidade. Por agora, o meu objectivo é jogar bem e mostrar ao treinador [Ante Čačić] que pode contar comigo”, disse em 2012.

O problema veio depois. Não querendo renovar com o Dinamo, Halilovic terá dado o primeiro passo em falso. De malas feitas para Barcelona, o miúdo deixou o conforto de casa e das caras conhecidas para abraçar um novo desafio. Na teoria, a escolha até parecia oferecer boas probabilidades de sucesso, tendo em conta o passado recente dos blaugrana com jovens promissores. Contudo, Halilovic estagnou no conjunto secundário, perdendo todas as perspectivas de chegar à equipa principal.

O empréstimo ao Sporting Gijón foi bastante produtivo para o croata, que realizou uma época de bom nível. Já sem crédito em Barcelona, acabou por ser vendido ao Hamburgo, onde tem sido – estranhamente – pouco utilizado. Aos 20 anos, Halilovic talvez não seja o adolescente ingénuo e apressado que se deixou iludir, mas ainda sofre com o rumo que deu à sua carreira.

Ante Coric: a maturidade aliada ao talento

Ante Coric é um dos rostos da nova geração croata Foto: Clive Brunskill/Getty Images
Ante Coric é um dos rostos da nova geração croata
Foto: Clive Brunskill/Getty Images

A nova fornada do Dinamo tem, para não variar, um potencial muito elevado. Depois da saída de Marko Pjaca para a Juventus, Ante Coric é a principal esperança do clube, não só pelo que oferece em termos desportivos mas também pela mais valia financeira que pode vir a representar. As comparações com craques anteriores, como Modric ou Halilovic, são inevitáveis, mas o jovem médio, além de um talento enorme, parece ter a cabeça no lugar.

Coric tem muito em comum com o compatriota que se perdeu em Barcelona. A fisionomia de ambos pode ajudar a explicar a forma como se desenvolveram enquanto jogadores. Mais baixos e mais fracos do que quase todos os outros, desde sempre tiveram de inventar soluções criativas para fugir ao confronto físico. Tornaram-se médios ofensivos muito imaginativos, rápidos a pensar e a executar, criando desequilíbrios com tremenda facilidade.

Tal como Halilovic, o “wonderkid” Coric entrou rapidamente na órbita dos colossos do futebol europeu. Numa fase em que os clubes identificam cada vez mais cedo as possíveis estrelas do futuro, a capacidade de antecipação é um atributo negocial indispensável. Mas o jovem de 19 anos não foi no engodo, dando uma prova de maturidade que pode ser decisiva no seu crescimento. Aparentemente, terá recusado propostas do Real Madrid e do Chelsea em Janeiro deste ano, preferindo continuar a evoluir no Dinamo.

Em Zagreb, o médio internacional pela Croácia tem garantias de que o seu talento não será desperdiçado. O início da época não foi famoso para Coric, mas a chegada do treinador Ivaylo Petev devolveu-lhe a confiança e a motivação para mostrar o melhor do seu futebol. Agarrou, finalmente, um lugar cativo na equipa titular, e tem sido um dos principais responsáveis pela recente subida de forma do Dinamo. Além de toda a velocidade que empresta ao ataque dos campeões croatas, seja através de um passe mortífero ou da condução acelerada, marcou golos importantes frente ao Inter Zapresic e ao Osijek. Com liberdade total no terreno de jogo, é difícil travar Coric.

O interesse dos grandes clubes não terá certamente esmorecido, sendo expectável que surjam novos “ataques” no final desta temporada. Os exemplos do passado devem servir para que o talentoso croata não tome decisões precipitadas, que possam comprometer o crescimento natural de um jogador com imensa margem de progressão. Não estando pronto para um Barcelona ou Real Madrid, o mais indicado seria fazer a transição para um clube de uma liga competitiva, mas sem ter a pressão de corresponder no imediato à aposta efectuada. A gestão de expectativas anda de mãos dadas com a gestão de carreira, e Coric parece ser, por enquanto, um melhor gestor do que Halilovic.


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