24 Ago, 2017

Arquivo de Alemanha - Fair Play

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Gonçalo MeloAgosto 13, 201727min0

Vem aí mais uma edição da Bundesliga e, como sempre, será altamente disputada e imprevisível. Será difícil alguma equipa conseguir chegar ao poderoso Bayern de Munique no que toca a chegar ao ceptro de campeão da Bundesliga, apenas uma parece poder estar em condições de discutir este objetivo, e mesmo este clube está alguns passos abaixo do que poderá fazer. Quais as previsões do FairPlay para 2017/2018?

O Bayern é o maior candidato a vencer a Bundesliga, todos os anos, pelas mais diversas razões. O maior poderio da equipa, o maior poderio financeiro, o maior número de sócios… poder-se-ia continuar a lista, mas, essencialmente, o Bayern é eterno candidato pelo domínio que vem exercendo desde sempre no campeonato alemão, com maior foco nos últimos cinco anos. O clube é pentacampeão alemão e não tem dado a mínima hipótese aos concorrentes.

Do plantel saíram dois elementos nucleares: Philipp Lahm e Xabi Alonso. Será interessante acompanhar como a equipa reagirá à sua ausência. Saiu ainda Douglas Costa, um elemento de pouca importância para Carlo Ancelotti, estranhamente. Entraram Rudy, Sule, Tolisso e James Rodriguez. Todos parecem poder ser elementos úteis, recaindo o maior ponto de interrogação sobre o colombiano, por ter mais holofotes recaídos sobre si e porque não tem estado na sua melhor forma. Curiosidade para ver o que elementos como Renato Sanches e Kimmich, como substituto de Lahm, podem oferecer esta época e ver se Robben e Ribéry conseguem ainda ser fiéis escudeiros da estrela Lewandowski. A idade não perdoa, mas o Bayern também não.

Veremos se Ancelotti recairá maior consenso junto dos adeptos, depois da eliminação nos quartos de final da Champions, de não ter ganho a Taça da Alemanha e de ter feito uma má pré-época. A conquista da Supertaça, no entanto, pode dar um necessário aumento de confiança ao plantel.

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O andar calmo para mais um título?

A equipa do Borussia de Dortmund será a candidata a poder eventualmente disputar o título com o campeão. Depois de um terceiro lugar em 16/17, o Dortmund pretende escapar à ascensão do Leipzig e lutar afincadamente com o Bayern pelo título, algo que não fez na passada temporada.

Alguns acontecimentos marcantes têm vindo a marcar o defeso do Dortmund. Primeiro, e mais importante, a mudança de treinador. Peter Bosz, depois de alcançar a final da Liga Europa, foi recrutado para o clube, isto depois da saída de Thomas Tuchel em diferendo com a direção. Será certamente um futebol diferente aquele que veremos do Dortmund, mas o elenco pouco mudou, saindo dois jogadores (Matthias Ginter e Sven Bender), sendo substituídos por Omer Toprak e Mahmoud Dahoud, chegando ainda Maximilian Phillip e Dan-Axel Zagadou. Assim, o plantel parece ter mais uma ou outra opção de qualidade, destacando-se ainda a permanência do melhor marcador do último campeonato Pierre-Emerick Aubameyang e do crónico lesionado Marco Reus e a indefinição quanto a Ousmane Dembelé.

O Dortmund perdeu a Supertaça para o Bayern, num jogo em que talvez até merecesse outro resultado, mas mostrou que pode ombrear com a equipa bávara. Para tal, precisa de começar bem a liga, devendo por todas as fichas em recuperar os inúmeros lesionados que tem, pois fazem-lhe muita falta. Quanto mais rápido o conseguir, mais rápido conseguirá assumir-se como candidato. Fica a curiosidade de ver qual o cunho pessoal que Peter Bosz dará à equipa.

Peter Bosz traz novas ideias para Dortmund. Será capaz de destronar o todo poderoso Bayern?

A acesa luta pelos milhões!

A luta pelo 3º e 4º lugares da tabela é das lutas mais disputadas e mais difíceis de prever da atrativa Bundesliga. Nesta batalha, decidimos incluir 4 equipas. RB Leipzig, Hoffenheim, Bayer Leverkusen e Schalke 04. Os dois primeiros foram, no ano passado, 2º e 4º, respetivamente, e têm responsabilidade de fazer parecido ou melhor esta época. Os dois últimos tiveram campanhas medíocres na época passada, mas têm a história e o poderio financeiro/futebolístico para voltar a estar na mó de cima.

O Leipzig, grande surpresa da última edição da Bundesliga, vai, certamente, querer repetir a prestação, ou, pelo menos, aproximar-se dela. O plantel é muito semelhante ao da época transata, que apenas perdeu ate à data o avançado Davie Selke (Naby Keita ainda deve sair para o Liverpool) e ainda viu chegar o promissor avançado francês Jean-Kevin Augustin proveniente do PSG, o talentoso extremo português Bruma e o jovem guarda-redes suíço Yvon Mvogo.

O obreiro do excelente segundo lugar Ralph Hasenhüttl mantém-se no comando técnico, e vai apoiar-se nas estrelas Emil Forsberg (19 assistências na ultima edição da Bundesliga!), Marcel Sabitzer, Timo Werner e Diego Demme para realizar uma época a lutar pelos 4 primeiros lugares. Espera-se um ano mais difícil para a turma do Este da Alemanha, num ano em que o fator surpresa já não estará presente, a acrescentar à exigência de que a equipa estará sujeita na Liga dos Campeões.

Outra das surpresas o ano passado foi o Hoffenheim, juntamente com o seu timoneiro Julian Naggelsmann, o mais jovem do campeonato. Com o playoff da Champions League à porta a equipa tem garantido alguns reforços interessantes como o central/médio defensivo Havard Nordveit, o médio centro Florian Grillitsch e o talentoso extremo alemão Serge Gnabry, cedido pelo Bayern.

A equipa perdeu duas peças importantes, Rudy e Sule, mas manteve outras importantes figuras da campanha do ano passado, como os laterais Pavel Kaderábek e Jeremy Toljan, os criativos Nadiem Amiri e Kerin Demirbay, os homens-golo Sandro Wagner e Andrej Kramaric e o muro da baliza Oliver Baumann, o que deve garantir mais uma bela classificação para a turma da cidade de Sinsheim. A possível entrada na Liga Milionária será determinante para as aspirações da turma de Naggelsmann, pois, com a prova europeia, o desgaste será muito maior e poderá pôr em causa um lugar cimeiro na Bundesliga.

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Julian Naggelsmann é uma das novas coqueluches do futebol alemão, e todos esperam mais um grande ano do seu Hoffenheim

O Bayer Leverkusen foi uma das desilusões da época passada, mas está apostado em fazer melhor este ano. Com um dos melhores plantéis da liga, que, apesar de ter visto sair Chicharito e Çalhanoglu, tem nomes como Karim Bellarabi, Charles Aránguiz, Kevin Kampl, Jonathan Tah, Wendell, Julian Brandt, Kevin Volland, Admir Mehmedi e os irmãos Bender, os “farmacêuticos” agora guiados por Heiko Herrlich vão lutar pelo quarto lugar novamente, beneficiando do facto de não terem competições europeias para se concentrarem no campeonato.

A equipa ainda deverá ir ao mercado por um atacante, pois Chicharito deixou a posição “9” entregue a Stefan Kissling e ao jovem finlandês Pojahnpalo, e o meio campo ofensivo ficou órfão da criatividade e qualidade de remate de Çalhanoglu, sendo necessária uma alternativa de qualidade, a menos que o adolescente Kai Havertz acabe por explodir definitivamente este ano.

Na luta pelos lugares de Champions League estará também o Schalke 04. Os mineiros vêm igualmente de uma época abaixo do esperado, onde ficaram em 10º (tal como o Leverkusen vão beneficiar da ausência das provas europeias), e vão certamente querer fazer melhor. A equipa mudou de treinador, estando agora entregue ao jovem Domenico Tedesco, e viu sair algumas figuras como Kolasinac, Choupo Moting e Huntelaar.

No entanto a base manteve-se, com Benedikt Howedes, Naldo, Johannes Geis, Leon Goretska, Nabil Bentaleb, Max Meyer e Guido Burgstaller a transitarem para esta época, aos quais se juntam as estrelas ainda por assumir Yevhen Konoplyanka e Breel Embolo (que no ano passado não deixaram a sua marca) e os interessantes reforços Bastian Oczipka, Pablo Insúa e Amine Harit, este último uma das novas coqueluches das seleções jovens francesas. O problema dos mineiros reside sobretudo no ataque, uma vez que na época passada faltou um goleador na ausência de Huntelaar, e Burgstaller não parece ser suficiente para uma época inteira, podendo o jovem campeão europeu sub21 Felix Platte ganhar algum protagonismo e ajudar na luta pelos lugares cimeiros da tabela. Esperemos que o novo técnico coloque de novo Max Meyer na sua posição de origem, ele que é um médio criativo e o ano passado foi obrigado a jogar muitas vezes na frente devido à ausência de opções de ataque.

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Leverkusen e Schalke 04 têm uma imagem a repor nesta temporada, após o falhanço em 2016/2017

Na luta pelos lugares na Liga Europa (5º e 6º, possível 7º dependendo dos finalistas da Taça da Alemanha), vários clubes se podem incluir, incluindo alguns que terão como objetivo mais claro a chegada à Champions. Apenas existem 2 ou 3 lugares disponíveis, mas vários candidatos.

O Borussia Monchengladbach parte com aspirações bem reais à conquista de um lugar na Liga Europa, visto que tem um plantel que o merece jogar e tem capacidades para tal. Para a Champions, parece curto.

Andreas Christensen, Nico Schulz, André Hahn e, principalmente, Mahmoud Dahoud, saíram do clube, este último com uma importância acrescida, era realmente o destaque da equipa na temporada pesada. Veremos o que Denis Zakaria pode trazer à equipa, bem secundado por Christopher Kramer. Já Christensen é substituído por Matthias Ginter, uma opção de qualidade num setor recheado de talento (Kolodziejczak, Vestergaard, Elvedi).

O meio campo ofensivo e as alas são os setores mais fortes da equipa. Possuem uma profundidade bastante assinalável, com jogadores como Thorgan Hazard, Herrmann, Ibrahima Traoré, Fabian Johnson (pode também jogar a lateral, dos dois lados), Hofmann e ainda Vincenzo Grifo, contratado ao Friburgo por 6 milhões de euros e considerado uma autêntica pechincha face à sua qualidade demonstrada na temporada passada. Já no ataque, a base é a mesma, com a dupla StindlRaffael a fazer estragos. Não sendo dois pontas de lança, são dois avançados bastante móveis que se complementam bastante bem.

O clube possui alguns dos melhores adeptos da Alemanha e bem orientado pelo experiente técnico Dieter Hecking, que muito sabe sobre esta liga. Certamente que menos que a luta pela Liga Europa será também um fracasso.

Outra das equipas que pode sonhar é o Colónia. Depois do excelente quinto lugar em 16/17, a equipa parte para 17/18 com confiança face às suas capacidades de fazer boas performances. Assim, o clube parte com legítimas esperanças de alcançar novamente a Liga Europa na próxima temporada.

Face à temporada passada, saiu Anthony Modeste por 35 milhões de euros, um espetacular negócio depois do francês de 29 anos ter chegado ao clube por meros 4.5 milhões de euros. A sua saída era inevitável face aos 25 golos marcados pelo jogador na passada época, um marco incrível que lhe deu o pódio na lista dos melhores marcadores. Destacamos a contratação de jovens jogadores como Jorge Meré, central espanhol, Jannes Horn, lateral esquerdo, e João Queirós, central português, este contratado ao Braga, sem nenhum jogo pela equipa principal, por 3 milhões de euros, algo que mostra a força do scouting do clube. A principal contratação foi, no entanto, o ponta de lança Jhon Córdoba ao Mainz, tendo este a missão de substituir Modeste, tarefa aparentemente árdua.

O plantel base sai assim quase incólume, ainda que sem a sua maior estrela, mas com mais soluções para a próxima época. A equipa tem jogadores fortes em todas as posições, como Timo Horn, Dominique Heintz, Frederik Sorensen, Jonas Hector (o mais consagrado), Marco Höger, Leonardo Bittencourt, Marcel Risse e Yuya Osako, jogadores fundamentais numa equipa muitíssimo bem orientada por Peter Stöger há já quatro temporadas. O futuro parece risonho para o clube, e os seus fervorosos adeptos certamente guiarão o clube a mais uma boa temporada.

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Borussia Monchengladbach e Colónia vão tentar tudo para chegar à Europa

O Hertha BSC é outra equipa que pode aspirar a uma presença na Liga Europa. Depois de duas qualificações consecutivas, é possível que tenhamos um caso de “não há 2 sem 3”. O clube é agora estável, bastante bem orientado por Pál Dardai e, não tendo um grande conjunto de estrelas, o plantel é equilibrado e tem profundidade.

O plantel tem um misto de juventude, jogadores em “ponto rebuçado” e jogadores mais experientes. Jogadores mais jovens como jogadores como Karim Rekik, Mitchell Weiser, Niklas Stark, Ondrej Duda e David Selke permitem a irreverência. Vejamos o que este último poderá trazer à equipa e o que tal poderá significar em termos de mudança de sistema de jogo ou de nuances na forma de jogar. Jogadores como Marvin Plattenhardt (muito pretendido), Fabian Lustenberger, Vladimir Darida, Valentin Stocker, Alexander Esswein e Haraguchi permitem que a equipa avance para o próximo nível, oferecendo-lhe maturidade e maior qualidade. Por fim, jogadores como Peter Pekarik, Skjelbred e os avançados Kalou e Ibisevic oferecem a sua experiência e capacidade de decisão à equipa. De saída da equipa, destaque-se apenas a venda de John Anthony Brooks, um antigo central talismã, devido aos seus decisivos golos.

Com as suas poucas alterações no plantel e com o aumento da profundidade do mesmo, com a chegada de Mathew Leckie, por exemplo, o Hertha promete batalhar por uma nova qualificação para a Liga Europa e continuar o seu processo de ganho de notoriedade, honrando o nome da mais importante cidade alemã.

A última equipa que poderá possivelmente lutar pela Liga Europa é o Wolfsburgo. Depois de uma desastrosa época em 16/17, em que a equipa lutou até à última para não descer de divisão (safou-se no Playoff, contra o Eintracht Braunschweig), a equipa está obrigada a fazer bem melhor esta época. Com os jogadores que tem, tudo menos que a luta pela Liga Europa e a respetiva qualificação será um fracasso, ainda para mais sem competições europeias na presente época.

Do plantel base, saíram três jogadores bastante importantes: Ricardo Rodriguez, Luiz Gustavo e Diego Benaglio. Maior destaque para a saída de Ricardo Rodriguez, que vinha sendo uma das principais figuras do clube e dos poucos jogadores que não teve um péssimo desempenho na temporada passada.

Contratações dispendiosas foram feitas: Ignacio Camacho (15 Milhões de euros), Nany Landra Dimata (10 milhões de euros), John Anthony Brooks (17 milhões de euros) e William (5 milhões de euros). Foram 47 milhões gastos em quatro jogadores com muito a provar, esperando-se muito deles e estando aqui refletida a ambição de fazer bem melhor esta época.

Com a defesa comandada pelo americano Brooks e por Jeffrey Bruma, jogadores nas laterais e nas alas como Yannick Gerhardt, Vieirinha, Blaszczykowski e Paul-George Ntep, craques no meio campo como Bazoer, Max Arnold, Yunus Malli e Daniel Didavi e um ataque comandado por Mario Gómez, secundado pelo jovem Dimata, que marcou 14 golos na sua primeira época como sénior e chega bem rotulado da Bélgica, muito se pode esperar dos lobos em 17/18. Veremos se a época anterior foi uma lição a não repetir.

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Na passada temporada, o português Vieirinha marcou um golo decisivo que ditou a permanência dos lobos na Bundesliga. Nesta temporada, ele e os restantes jogadores do plantel estão obrigados a um rendimento bem superior

 

Nem todos os clubes lutam por objetivos mais altos, como competições europeias, ou estão sujeitos a lutar pela despromoção. Existem determinados clubes que estão designados a figurar a meio da tabela, sendo que destacamos três clubes nessa situação: Eintracht Frankfurt, Friburgo e Werder Bremen.

Uma das equipas dificilmente conseguirá subir mais acima do que um nono/décimo lugar será o Werder Bremen. A equipa perdeu a sua maior estrela, Serge Gnabry, não a substituindo de forma adequada. Por outro lado, adquiriu duas opções de qualidade para a lateral esquerda e para a baliza, Ludwig Augustinsson e Jiri Pavlenka, respetivamente, que podem dar a segurança necessária à equipa na hora de defender as suas redes. Jiri Pavlenka será titular face às saídas de Felix Wiedwald e Raphael Wolf, enquanto que Augustinsson chega para substituir Santiago Garcia. De destacar também a saída dos históricos Claudio Pizarro e Clemens Fritz (este acabando a carreira) e ainda a ida a custo zero de Florian Grillitsch para o Hoffenheim.

Na passada temporada, o Werder Bremen conseguiu fazer uma temporada segura, ficando-se pelo oitavo lugar, mas não será fácil repetir o feito, pois a equipa perdeu mais jogadores que aqueles que contratou. Veremos o que pode dar a equipa do Norte da Alemanha, sendo que será agora Max Kruse a assumir o papel de estrela da equipa, certamente secundado pelo extremo Fin Bartels, pelo médio ofensivo Zlatko Junuzovic, pelo médio centro Thomas Delaney e bem protegidos na retaguarda pelo esteio defensivo Lamine Sané.

O seu jovem técnico Alexander Nouri já mostrou serviço, e espera-se mais uma época de sucesso para este promissor treinador, com um lugar tranquilo mas sem incomodar os mais endinheirados.

Quanto ao Eintracht Frankfurt, será curioso perceber o que poderá fazer na próxima temporada. Saíram nove jogadores e entraram outros nove, concretizando-se assim alterações profundas no plantel. Destaquem-se a entrada do lateral holandês Jetro Willems para colmatar a saída de Bastian Oczipka, de Sebastian Haller, para colmatar a saída de Seferovic para o Benfica, e ainda a chegada de outros jogadores importantes como Gelson Fernandes ou Jonathan de Guzmán, jogadores experientes que podem oferecer qualidade à equipa. Além das saídas já destacadas, saíram também jogadores como Jesús Vallejo, de regresso ao Real Madrid, Guillermo Varela e Ante Rebic, entre outros.

Em balanço, o plantel parece que fica a ganhar opções de maior qualidade e experiência, mas dificilmente será suficiente para garantir mais que o meio da tabela ao clube histórico, muito por culpa da subida de nível dos adversários que se poderiam considerar mais diretos.

Destaque-se ainda que a equipa é bem orientada por Niko Kóvac e que é tipicamente forte na Commerzbank Arena, o seu reduto, pelo que poderá causar muitas dificuldades às equipas mais acima na tabela.

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Ambiente tipicamente espetacular na Commerzbank Arena. O Eintracht muito beneficia do apoio dos seus adeptos, criando muitas dificuldades aos seus adversários quando lá jogam

Uma das surpresas da última época foi o Friburgo. A equipa do experiente Christian Streich inicia esta época com duas baixas de peso, uma vez que Vincenzo Grifo saiu para o Gladbach e Maximilian Philipp saiu para o Borussia de Dortmund. Ainda assim, a maior parte das figuras permanecem no sudoeste alemão, como por exemplo o recente campeão europeu sub21 Marc-Oliver Kempf, o ofensivo defesa esquerdo Christian Gunter, os influentes médios Nicolas Hofler, Amir Abrashi e Janik Haberer, e os avançados Nils Petersen e Florian Niederlechner.

A nível de reforços, a equipa mantém a mesma política de sempre, aquisições cirúrgicas e a baixo custo ou empréstimos de mais-valias reais com opção de compra, como sucedeu com Niederlechner e Pascal Stenzel já este verão. Este ano os destaque vão para Phillip Lienhart que chega do Real Madrid Castilla, Barkosz Kaputska cedido pelo Leicester e Marco Terrazino, extremo italiano que foi importante na ponta final da última época do Hoffenheim. Espera-se uma época traquila para os homens de Streich, que deverão manter a coesão e coletividade, características que o ano passado permitiram o 7º lugar.

 

A aflitiva luta pela continuação na mais competitiva liga da europa!

Na época passada a luta pela manutenção revelou-se muito pouco disputada, uma vez que cedo se verificou que Darmstadt e Ingolstadt não tinham capacidade para acompanhar as restantes equipas e o fosso ficou demasiado acentuado deste bem cedo. Este ano, contudo, deverá ser bem diferente. Os históricos Estugarda e Hannover estão de regresso ao convívio dos grandes, e não vão querer certamente abandoná-lo. Mas a tarefa não se afigura fácil, uma vez que Mainz, Ausburgo e Hamburgo também devem estar nesta luta, e nos últimos anos têm conseguido campanhas que lhes têm permitido a manutenção.

O Hamburgo é um caso estranho. A equipa da segunda cidade mais populosa da Alemanha insiste em safar-se sempre à última, ano após ano. Mas a verdade é que se vai mantendo, nunca tenho falhado uma edição da Bundesliga. O plantel este ano, tal como nos outros, é limitado para o que já se viu no Hamburgo, mas está longe de ser fraco. Uma defesa com elementos como Douglas Santos, Kyriakos Papadopoulos e Gotoku Sakai, um meio campo com o brasileiro Wallace, Lewis Holtby, Aaron Hunt e Albin Ekdal e um ataque com Filip Kostic, Nicolai Muller e Bobby Wood não pode estar sucessivamente na luta pela manutenção.

A juntar a estes a equipa garantiu alguns nomes interessantes, como o titular da seleção alemã de sub21 Julian Pollersbeck e o potente e veloz avançado Andre Hahn vindo do Gladbach. Apesar da saída do patrão da defesa Johann Djourou, prevemos uma época semelhante às últimas, onde o Hamburgo vai andar entre o 16º e o 13º lugar.

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Bobby Wood vai tentar dar aos adeptos do Hamburgo uma época mais tranquila

O Mainz tem tido um decréscimo nas suas últimas prestações na Bundesliga. Há duas épocas garantiu o apuramento para a Europa, neste ultimo ano ficou-se pelo 15º lugar. Acreditamos que o plantel perdeu um pouco de qualidade, mas que ainda assim deverá ser superior aos concorrentes diretos, sendo por isso provável um lugar mais confortável na tabela do que os rivais, sem no entanto se livrar de alguns sustos.

O grupo é quase o mesmo que acabou a época passada, já sem a estrela Yunus Malli, também sem o ponta de lança colombiano Jhon Córdoba nem o criativo Bojan Krkic que estava emprestado. Ainda assim o novo técnico Sandro Schwarz viu chegar reforços para todos os setores, como o experiente internacional alemão René Adler para a baliza, o jovem francês Abdou Diallo para a defesa, o talentoso romeno Alexandru Maxim para o meio campo e Viktor Fischer e Kenan Kodro para o ataque, que chegam de Middlesbrough e Osasuna, respetivamente. Será por isso um ano em que o Mainz é candidato à luta pelos lugares da segunda metade da tabela, podendo sempre surpreender e realizar uma época semelhante à de 2015/2016.

O Augsburgo é sempre uma incógnita. A equipa tem muitos altos e baixos ao longo da época, mas o facto é que se vem mantendo na elite há alguns anos. O plantel perdeu apenas o capitão Paul Verhaegh, mantendo nomes como Marvin Hinteregger e Kostas Stayfilidis na defesa, Daniel Baier e o coreano Koo no meio-campo, os extremos Jonathan Schmid e Takashi Usami e os avançados Raul Bobadilla e Alfred Finbogasson.

A estes nomes, juntam-se ainda os interessantes reforços Rani Khedira, Marcel Heller e Michael Gregoritsch, que juntando à base da época passada vão tentar levar a formação de Manuel Baum a uma época descansada, tarefa que nos parece, ainda assim, bastante árdua.

O Estugarda e o Hannover estão de volta ao lugar que merecem, a primeira divisão. Depois de uma época em que dominaram a segunda liga, os dois históricos têm adotado a mesma medida para abordar a nova época. Manter o núcleo e juntar alguns reforços de qualidade.

O Estugarda do ex-Sporting Emiliano Insúa optou pela manutenção de grande parte das principais figuras, com Tim Baumgartl, o próprio Insúa e Benjamin Pavard na defesa, o experiente capitão Christian Gentner, e os jovens Ebenezer Ofori e Berkay Ozcan no meio campo e Carlos Mané, Julian Green, Takuma Asano e Simon Terodde no ataque.

A este núcleo juntaram-se alguns reforços interessantes, com destaque para o guarda-redes campeão do mundo pela Alemanha em 2014 Ron-Robert Zieler. Para além do ex-Leicester, chegaram para a defesa o brasileiro Ailton vindo do Estoril, o polivalente Dennis Aogo e o crónico lesionado Holger Badstuber, ambos internacionais alemães. Para o meio campo e ataque foram contratados o jovem promissor congolês Chadrac Akolo, o jovem belga Orel Mangala e o internacional grego Anastosis Donis, que estava ligado à Juventus.

O Hannover conseguiu manter todos os principais jogadores, verificando-se apenas as saídas dos centrais Andre Hoffman e Carlos Strandberg, do extremo Marius Wolf e do avançado polaco Artur Sobiech, nenhum deles titular regular a época passada. As principais figuras, como o gigante Salif Sané, Oliver Sorg, Manuel Schmiedebach, Felix Klaus, Martin Harnik, entre outros, mantêm-se no clube e vão ser certamente peças fundamentais para o timoneiro Andre Breitenreiter, que volta ao ativo após ter sido despedido do Schalke em 2015.

A estes nomes, o novo treinador junta algumas importantes adendas, como o keeper Michael Esser que não acompanha o Darmstadt à segunda divisão, os laterais Julian Korb e Matthias Ostrzolek e o médio defensivo Pirmin Schwelger, todos vindos de equipas que já estavam na Bundesliga. Será, ainda assim, um ano de muita luta e muitas dificuldades para este Hannover, que tem o plantel menos valioso do campeonato até à data, esperando-se ainda mais um ou outro ajuste até 31 de Agosto, tal como no Estugarda.

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Hannover e Estugarda estão de volta ao convívio dos grandes, e vão lutar com unhas e dentes para não o deixar

Será certamente mais um ano fantástico no campeonato alemão, onde a probabilidade de lutar por um lugar de Liga dos Campeões é quase igual à probabilidade de se encontrar em lugares próximos da zona de aflição (Vieirinha que o diga). O titulo esse, parece estar entregue, podendo sempre aparecer um super Dortmund. Os candidatos a novo Leipzig são alguns, e quererão certamente agigantar-se e realizar épocas acima do normal. É já no próximo fim de semana que o campeonato mais imprevisível da Europa começa, seguindo-se fins de semana consecutivos agarrados ao apaixonante e atrativo futebol alemão.

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Pedro CouñagoJulho 24, 201714min0

Quem analisa o decorrer dos últimos anos no Hamburgo SV percebe que o mesmo é, hoje em dia, um clube bastante diferente do que poderia e deveria ser. O FairPlay deixa aqui a análise ao que foi o passado, o que é o presente e o possível futuro de um dos maiores clubes da Alemanha.

O Hamburgo SV é o único clube que disputou as 54 edições da Bundesliga, é o único que está na primeira divisão desde que a liga foi criada no ano de 1963. Ser o único clube a disputar sempre a Bundesliga é, por si só, um símbolo daquilo que é a essência do Hamburgo. No entanto, nos últimos tempos, não têm faltado ocasiões para o clube cair no abismo. 

Uma história rica e de glória

O Hamburgo SV, como é regularmente designado em português, é um clube que representa a segunda maior cidade da Alemanha. Tem uma história riquíssima que inclui a conquista de seis campeonatos, três Taças da Alemanha, duas Taças da Liga, e ainda quatro taças europeias: a Taça dos Campeões Europeus, a Taça das Taças e duas Taças Intertoto. É uma das três equipas alemãs a conquistar o principal troféu europeu de clubes (mais o Bayern de Munique e Borussia de Dortmund), tendo perdido uma outra final.

Ambas as finais da Taça dos Campeões Europeus que o clube disputou tiveram lugar nos anos 80, os gloriosos anos do clube, sendo que a conquista dessa prova e da última Bundesliga coincidem, em 1983. A conquista da Taça das Taças surgiu no ano de 1977, pelo que se demonstra o poderio do clube na altura, com uma final perdida nove anos antes, em 1968.

Assim, conclui-se que o clube, entre 1968 e 1983, surgiu em quatro finais das principais provas europeias, tendo também conquistado os seus três títulos da Bundesliga (os restantes três surgiram antes da era Bundesliga), um período dourado que nunca mais se voltou a repetir na história do clube.

A falta de títulos, o início da decadência

O último título de real relevo foi a Taça da Alemanha, há exatamente trinta anos atrás, em 1987, não contando com duas conquistas da extinta Taça Intertoto e da também extinta Taça da Liga Alemã, que funcionava como uma espécie da atual Supertaça. Ainda que a Taça da Liga Alemã e da Taça Intertoto sejam títulos válidos e oficiais, não são títulos ao mesmo nível que os restantes, nunca foram títulos com tanto significado como os restantes.

Esta falta de títulos proporciona a decadência em que o clube foi lentamente mergulhando, sem nunca realmente cair no abismo, mas sempre em risco de tal acontecer. A última década tem sido o maior exemplo.

Com efeito, a equipa tem sido muito inconstante nos últimos dez anos, principalmente. Fixou-se como um clube de meio da tabela e, ao longo dos anos, tem cada vez mais estado em maiores dificuldades para se manter na primeira divisão. Nas últimas seis épocas, apenas uma delas ficou acima do décimo lugar (7º, em 2012/2013).

Nas épocas 13/14 e 14/15, o clube precisou de disputar o Play-off entre o 16º classificado da Bundesliga e o 3º classificado da 2.Bundesliga (a segunda divisão), frente a Greuther Fürth e a Karlsruher, conseguindo ter sucesso duas vezes consecutivas, embora com muitas dificuldades (1-1 e 2-1, respetivamente, no agregado das duas mãos).

Um dos craques da equipa, Lewis Holtby, após a vitória sobre o Karlsruher (Foto: Eurosport)

As duas idas ao playoff fizeram com que a equipa, em 15/16 e 16/17, melhorasse um pouco o seu desempenho, com uma subida ao 10º lugar e uma descida posterior ao 14º lugar. Mas a dúvida paira sobre a equipa, e prende-se com quantas mais épocas o clube aguentará se se mantiver com classificações medianas. Desde 08/09 que o clube não disputa as competições europeias, época em que até foi às meias finais da Liga Europa. E muita falta faz o clube aos palcos de decisões.

Um clube grande com grandes motivos de orgulho

O Hamburgo tem muito que se lhe diga para além do seu glorioso histórico. Possui o sexto maior estádio da Alemanha, o Volksparkstadion, que está sempre cheio com adeptos muito fervorosos. Nos últimos anos, muito têm dado o impulso e a força necessária para o clube conseguir manter-se na Bundesliga. Os adeptos têm feito a vez dos jogadores, que não têm sido da qualidade desejada, já que os recentes plantéis têm escasseado em qualidade e profundidade.

Os adeptos do Hamburgo são verdadeiramente incansáveis (Foto: Trivela)

Não será certamente por acaso que o clube tem cerca de 76 mil sócios e está no top 5 dos clubes com mais apoiantes na Alemanha. Tal significa que existe uma tradição por parte do clube, um clube que arrasta massas. Essas massas fazem-se notar nos jogos com St. Pauli e com Werder Bremen, os principais rivais do clube. Contra o St. Pauli, joga-se o Hamburger stadtderby pela supremacia da cidade, com clara vantagem para o Hamburgo; contra o Werder Bremen, joga-se o Nordderby pela supremacia no Norte da Alemanha, um duelo mais apetecível. 

O que pode fazer o clube numa liga cada vez mais competitiva?

Com o treinador Markus Gisdol ao leme, um treinador experiente e com muita “tarimba”, a equipa pode começar uma espécie de renascimento e almejar à metade superior da tabela. Se o fizer, a médio prazo, acreditamos que o clube possa regressar às competições europeias. Mas tal não se afigura fácil, tal é a competitividade do campeonato alemão, a qualidade dos plantéis, o crescimento do investimento e o nível mais alto das equipas ditas pequenas. Além disso, a liga é pródiga em surpresas, excluindo as equipas que dominam o campeonato (Bayern), portanto nenhuma se encontra totalmente a salvo. Bons exemplos recentes deste facto são o próprio Hamburgo, o Estugarda (desceu em 2015/2016, para agora voltar à elite) e o Wolfsburgo (jogou playoff de despromoção na passada época).

Até ao momento, o plantel proposto para a época 2017/2018 parece ser um pouco mais equilibrado, com algumas boas alternativas para os três terços do campo, mas existem ainda algumas lacunas. Esperar-se-ia que os patrocínios da Fly Emirates e da Adidas pudessem trazer algum investimento sólido ao clube, principalmente o primeiro. Aqui esperamos para ver o que poderão ser as novas adições ao plantel. Veja-se.

Guarda-redes

Aqui, o Hamburgo fez uma excelente contratação sob a forma de Julian Pollersbeck, proveniente do Kaiserslautern, a quem cabe a missão de fazer esquecer um dos maiores símbolos do clube nos últimos anos: René Adler. O experiente guarda-redes saiu para o Mainz, deixando uma grande herança que ficará a cargo de Pollersbeck, que certamente tem a qualidade para corresponder. Este setor parece estar bem entregue, com Christian Mathenia, chegado na passada temporada, e Tom Michel a preencherem as restantes vagas.

Defesa

O defesa tem sido o calcanhar de Aquiles do clube nos últimos anos. A equipa, principalmente nos jogos com os denominados “grandes”, sofre muitos golos. Analisando apenas os últimos 4 anos, os duelos com o Bayern têm sido aterrorizadores para a equipa, tendo sido realizados 11 jogos, com 10 vitórias do Bayern e apenas 1 empate. Mas o mais grave não é isso. O mais grave é a quantidade de goleadas neste intervalo de tempo (duas vezes 8-0, duas vezes 5-0, 9-2). Tal traduz-se em 48(!) golos sofridos nos últimos 11 jogos com o Bayern, uma média de quase 4,5 golos por jogo, com apenas 6 marcados por parte do Hamburgo. Este é apenas um exemplo daquilo que tem sido reconhecido à equipa nos últimos anos. Poderiam ser dados outros exemplos, mas pensamos que este é o mais relevante e aterrador.

Aqui estarão as maiores lacunas, que devem ser preenchidas ainda neste mercado. Deve ser contratado um central que faça parelha com Kyriakos Papadopoulos, resgatado ao Bayer Leverkusen, com Mavraj a funcionar como principal alternativa, mas que não parece ter traquejo para ter titular semanalmente. Como tal, será importante recrutar um central mais móvel e rápido, que possa complementar com o estilo mais físico do grego. 

Quanto às laterais, parecem estar bem entregues, pelo menos do lado direito. Gotoku Sakai e Dennis Diekmaier são duas alternativas bastante boas para o lugar. O japonês, capitão de equipa, parte em vantagem, tendo uma qualidade ligeiramente superior e sendo mais franzino, mas o alemão é também um jogador muito útil e com maior capacidade física, sendo, neste momento, o jogador com mais tempo de balneário e alguém muito respeitado no seio da comunidade do clube. 

O lateral alemão permanece com a mesma camisola há sete anos (Foto: Zimbio)

Na lateral esquerda, temos Douglas Santos, um bom lateral brasileiro que chegou ao clube na época passada e que deve continuar a evoluir para fazer esquecer Marcel Jansen, outro dos maiores símbolos do clube e que acabou a carreira há um ano. Ainda assim, na ala esquerda, faz falta uma alternativa que possa servir de backup ao brasileiro.

Meio Campo

No que toca à sala de máquinas, o Hamburgo tem algumas boas opções, principalmente para o meio campo ofensivo, em que Lewis Holtby e Aaron Hunt prometem fazer as despesas criativas da equipa, destacando-se o primeiro pela sua técnica e capacidade de passe e o segundo pela sua capacidade finalizadora, ainda que tenha uma grande propensão a lesões. Como tal, Lewis Holtby, até pela sua notoriedade ganha ao longo do tempo, continuará a ser o principal motor da equipa. A sua falhada passagem pelo Tottenham não lhe retirou as qualidades que o destacam.

No que toca ao meio campo mais recuado, deve-se destacar o médio defensivo brasileiro Walace e ainda o sueco Albin Ekdal, com também uma menção a Gideon Jung, ainda que seja num papel mais secundário. Quanto a Walace, esta poderá ser a época de afirmação do jovem de 22 anos na Europa, ele que já conta com três chamadas à seleção canarinha. É um jogador muito possante, com 1.88m, mas que é muito bom com bola, devendo apenas moderar o seu temperamento em campo. Se o fizer, promete ser um alvo de grandes clubes europeus em próximos defesos.

Já Albin Ekdal é um elemento extremamente útil, em qualquer circunstância a que esteja sujeito, destacando-se pela sua inteligência em campo e pela sua polivalência na ocupação dos espaços no meio campo. Gideon Jung pode ser outra alternativa, principalmente ao vértice mais recuado do meio campo, ocupado por Walace.

Neste meio campo, faltará talvez um médio todo-o-terreno, que possa complementar com o poderio físico de Walace e a técnica de Holtby (previsivelmente titulares), isto num possível meio campo a três e porque Albin Ekdal não é jogador capaz de ser totalista nesta equipa. Este médio deve ser capaz de encurtar os espaços, mas também de sair com critério, acrescentando uma capacidade de pressão que, certamente, daria muito jeito a uma equipa que necessita de se afirmar no contexto do campeonato em que está inserido e que deve dar uma melhor imagem do que é o seu futebol. 

Ataque

No que diz respeito aos avançados da equipa, existem boas alternativas, principalmente no eixo de ataque, mas falta contratar, pelo menos, um extremo esquerdo. Filip Kostic, um belo esquerdino, de fino corte e um dos melhores jogadores da equipa, inclusivamente já apontado aos grandes clubes portugueses, tem o lugar de extremo esquerdo mais que assegurado, mas não existe ninguém que o possa substituir de uma forma satisfatória. Do lado direito, Nicolai Muller parece também ter a ala direita a si assegurada, com o jovem gambiano Bakary Jatta a prometer despontar na próxima edição da Bundesliga.

Tal como dito, o centro de ataque parece bem preenchido com Bobby Wood e André Hahn, até agora a melhor contratação do clube para a próxima temporada. O norte americano foi dos melhores da equipa na última temporada. Embora só tendo marcado 5 golos, Wood fez uma época consistente, que lhe permitiu chegar à seleção e ser uma das suas maiores figuras. Será outro jogador que poderá saltar para outros voos com uma boa temporada.

Espera-se muito de Wood, veremos se será o seu ano de explosão e se levará o Hamburgo para voos mais altos (Foto: Bundesliga.com)

Quanto a Hahn, é uma excelente contratação por parte do clube. Foi uma grande promessa do futebol alemão, tendo perdido um pouco de fulgor na sua passagem pelo Borussia Mönchengladbach. Ainda assim, num patamar ligeiramente inferior, como em Hamburgo, este avançado pode dar muito à equipa, não como ponta de lança fixo, mas como um avançado móvel.

Existe ainda Pierre-Michel Lasogga, a quem é reconhecido poderio físico mas também inconsistência (nas últimas 3 épocas pelo clube marcou 15 golos), e Sven Schipplock, que nunca realmente se conseguiu destacar depois de mostrar o seu valor quando era mais jovem e que vem de um empréstimo falhado. Veremos o que estes dois jogadores podem dar à equipa.

O Hamburgo pode ambicionar e não apenas relembrar

Esta é uma análise àquilo que vem sido o Hamburgo ao longo do tempo, principalmente a sua decadência, mas também aquilo que pode ser o futuro do clube e ainda os destaques do plantel que poderão começar a tentar reverter o que vem sido feito. É um clube atrativo, que certamente tem o apoio de muitos adeptos fora da Alemanha, não só por representar uma bela cidade como por representar uma dinastia como nenhuma outra na Bundesliga.

É um clube com história, que deve tentar alterar a imagem que vem deixando de clube mediano na última década. Tem capacidade para isso, mas é preciso mais que capacidade, é preciso luta e persistência. No dia 13 de agosto, começa uma nova época para o Hamburgo, com o jogo da primeira eliminatória da taça, e dia 19 ocorre o primeiro duelo para a Bundesliga. Aí se ficará a ter uma melhor oportunidade de perceber o que este grande clube quer para o seu futuro.

O futuro pode ser mais risonho para o Hamburgo SV, é preciso que quem sente o clube internamente o queira tanto como quem está de fora e o apoia incondicionalmente. Essencialmente, espera-se que os correntes e futuros intérpretes deste grande clube tenham sempre como objetivo honrar o seu glorioso passado e solidificar a dinastia na principal liga alemã, bem como renascer nas competições europeias.

 

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Gonçalo MeloJulho 2, 20174min0

A Bundesliga é um dos campeonatos mais poderosos do futebol europeu, a nível de qualidade futebolística mas também a nível financeiro. Por esta razão, contratar jogadores neste campeonato é tarefa árdua, como o Wolfsburgo fez ver ao Sporting há um ano atrás aquando do elevado investimento em Bas Dost (contratação mais cara da história dos leões).

Ainda assim, deixamos aqui três possíveis reforços para os grandes portugueses, aqueles que têm capacidade financeira para os trazer do campeonato mais equilibrado da europa a seguir ao inglês, (tirando o Bayern, as restantes equipas pautam-se pelo equilíbrio entre si, podendo uma equipa lutar pela Champions numa época, e lutar para não descer na época seguinte, como sucedeu com o Wolfsburgo) algo que torna a Bundesliga fascinante e cativante.

Timo Horn

Posição: Guarda-Redes
Idade: 24 anos
Nacionalidade: Alemã
Clube: Colónia

Numa altura em que o sucessor de Ederson no Benfica parece não estar ainda encontrado (parece ser André Moreira mas ainda não foi oficializado) e com as permanências de Casillas e Rui Patrício a serem motivos de desconforto para os grandes portugueses devido às notícias bastante recorrentes sobre as suas possíveis saídas, dificilmente qualquer um dos clubes portugueses ficaria melhor servido. Timo Horn, que fez toda a sua ainda curta carreira no Colónia, e que é internacional sub 21 pela Alemanha, faz valer os seus 192 cm entre os postes, sendo uma barreira quase intransponível devido aos seus apuradíssimos reflexos e à sua impressionante agilidade para um guarda-redes com a sua estatura.

Aos reflexos apurados junta ainda uma rapidez notável a sair da baliza, bem como um à vontade grande com a bola nos pés (tem um belo pé esquerdo, que coloca a bola onde quer, à semelhança de toda a nova geração de guarda redes alemães) e muita confiança nas bolas pelo ar, bolas que raramente não agarra com segurança. Contudo, contratar um dos melhores e mais jovens guarda-redes da Bundesliga  implicaria sempre um investimento avultado, nunca inferior a 10 milhões de euros, quantia elevada até para os grandes portugueses. Até porque Horn tem na próxima época, o aliciante de se estrear nas competições europeias, devido ao 5º lugar do Colónia.

Marc-Oliver Kempf

Posição: Defesa Central
Idade: 22 anos
Nacionalidade: Alemã
Clube: Friburgo

Recentemente campeão europeu de sub 21 pela Alemanha Marc-Oliver Kempf foi uma das grandes afirmações da ultima edição da Bundesliga, o que lhe valeu a chamada para o europeu. Dotado de um excelente pé esquerdo, duma boa capacidade de passe, construção e progressão com bola, o jovem do Friburgo foi um dos principais obreiros da boa época dos homens do sudoeste da Alemanha, que terminaram num fantástico 7º lugar.

À elegância e capacidade na saída de bola, Kempf alia uma leitura de jogo e cultura tática elevada para um jovem da sua idade. O timing de entrada à bola e capacidade de desarme fazem dele um jogador pouco faltoso, característica sempre interessante e rara num defesa central. O jovem podia ser um excelente substituto para Victor Lindelof, ou o parceiro ideal para Coates, não sendo de estranhar se o promissor defesa estiver nas cogitações dos grandes lisboetas, uma vez que a sua transferência se poderia realizar por valores comportáveis para os cofres de Benfica e Sporting.

Filip Kostic

Posição: Extremo Esquerdo
Idade: 24 anos
Nacionalidade: Sérvia
Clube: Hamburgo

Numa altura em que diariamente se fala no interesse do Sporting em Gonzalo Martinez e Marcos Acuña, o antigo jogador do Estugarda, atualmente no Hamburgo, é igualmente uma boa opção para o lado esquerdo do ataque leonino. Outrora associado aos verdes e brancos, quando ainda representava o Groningen, o sérvio era neste momento um reforço bomba em Portugal, tanto para Sporting como para FC Porto, que irá certamente precisar de um extremo caso se confirme a saída de Yacine Brahimi, que tem sido associado a clubes ingleses e franceses.

Filip Kostic foi muitas vezes uma espécie de oásis no deserto de ideias que foi a equipa do Hamburgo, provocando estragos com a sua técnica, velocidade e explosão. Uma autêntica locomotiva pelo lado esquerdo, capaz de tirar excelentes cruzamentos ou de procurar zonas mais interiores para finalizar com o seu potente pé esquerdo. O sérvio iria ver certamente uma transferência para Portugal com bons olhos, que lhe permitiria disputar as competições europeias, o que em época que antecede o campeonato do mundo poderia ser vital para garantir a presença de Kostic nos eleitos sérvios, onde tem forte concorrência de elementos como Zoran Tosic, Dusan Tadic, Lazar Markovic e Andrija Zivkovic.

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Pedro CouñagoJunho 9, 20178min0

Por essa Europa fora, existem ligas e países com paixão pelo futebol que nos fascinam de sobremaneira. Neste artigo vamos nos focar na Bundesliga e o futebol germânico. Desde o futebol atrativo e os jogadores/treinadores de qualidade, o ambiente nos estádios, a classe dos intervenientes e como ela se reflete nas seleções, passando pelo domínio do Bayern de Munique, esta é uma liga que tem um pouco de tudo.

O futebol atrativo

O futebol alemão é reconhecido por ser um espetáculo garantido em todos os jogos, com a presença de uma mentalidade ofensiva por parte das equipas na maioria dos jogos (ressalve-se, aqui, algumas das equipas pequenas contra o Bayern de Munique). São muitos os golos que tipicamente acontecem nestes jogos. Na nossa opinião, não se trata de desorganização tática, como muitos podem pensar, mas sim de uma abordagem ultra-competitiva de todas as equipas em todos os jogos.

Na Bundesliga, todas as formações acabam por ter jogadores entusiasmantes, como o Bayern com o seu Lewandowski, o Dortmund com o seu Aubameyang, o Schalke com o seu Max Meyer ou Goretzka, o Leverkusen com Brandt ou Bellarabi, o Leipzig com Forsberg ou Werner ou o Hoffenheim com Sule (transferido entretanto para o poderoso Bayern). Não há como não ver esta liga.

As duas estrelas maiores da Bundesliga frente a frente (Foto: GettyImages)

Falando em técnicos, além dos conceituados Ancelotti e Tuchel (veremos qual será o seu próximo destino), há que destacar, de forma bem breve, os trabalhos de Ralph Hasenhüttl no Leipzig, o trabalho do muito jovem Julian Nagelsmann ao serviço do Hoffenheim e ainda Christian Streich, no Friburgo, três equipas que tiveram notáveis prestações no campeonato em 2016/2017. Com três autênticos mestres da tática e da paixão pelo futebol, esperamos que não sejam “one season wonders”.

Raramente existe um jogo de difícil acompanhamento nesta liga. Ninguém desiste de lutar pela bola, não se vêem perdas de tempo, observa-se, sobretudo, a classe e a inteligência dos jogadores. Vêem-se mentalidades ganhadoras e guerreiras, que permitem que os jogos durem, muitas vezes, até ao último segundo, e onde existe uma constante emoção que é um privilégio para quem assiste.

O ambiente nos estádios

Pegando no ponto do espectador, e face a aquilo que descrevemos, não é difícil imaginar a razão pela qual os estádios estão sempre cheios e isto não é apenas na primeira liga. Em grande parte da Alemanha, as bancadas estão sempre com uma lotação acima de 90%. Vejamos a média de assistências da Bundesliga, que rondou os 41 mil espectadores por jogo na passada temporada, a maior da Europa, estando mesmo à frente da Premier League.

Neste campo, destacamos, pois claro, o Borussia de Dortmund, que consegue ter lotação completamente esgotada, acima dos 81 mil espectadores em mais de metade dos jogos. Não é para qualquer clube.

Uma das fantásticas coreografias da apaixonada claque do Borussia de Dortmund (Foto: talkSPORT)

Veja-se que o campeão da 2.Bundesliga, o Estugarda, um clube que, nos últimos anos tem estado em declínio (algo que se traduziu na sua descida em 2015-2016) tem um estádio com capacidade para 60 mil espectadores e a lotação média na época rondou os 95%, algo que demonstra o compromisso dos adeptos deste clube com a equipa, sendo um belo exemplo do que acontece em tantos outros casos.

Escusado será então referir o domínio da liga nos rankings de assistência média em toda a Europa (10 equipas neste ranking em 40), algo que reflete bem o poder da liga a nível europeu. Óbvio que existem determinados fatores que levam a que isto seja possível, tal como o maior poder de compra e os maiores incentivos por parte dos organizadores para que se possa ir ao futebol com regularidade. Não obstante isto não deixa de ser absolutamente notável que isto aconteça, era tão bom que se existisse 1/4 desta paixão em Portugal.

Como a competitividade do futebol alemão se demonstra na seleção

Quando se olha para a seleção alemã, o primeiro sentimento de muitas congéneres europeias será sentir algum medo. São poucas aquelas que conseguem ter o poderio da Maanschaft , em qualquer competição que esteja presente. É assustador a quantidade de talento nela existente, e muito disto deriva do viveiro de jogadores feitos (Neuer, Thomas Muller, Hummels), potenciais grandes jogadores (Max Meyer, Julian Weigl, Timo Werner) e grandes promessas (Brandt, Gnabry) que se encontram constantemente a despontar na Bundesliga.

O melhor guarda redes do mundo (Foto: GettyImages)

Sim, porque são raríssimos os exemplos de jogadores que não jogam na Alemanha, especialmente na última década, como Ozil, Podolski e Schweinsteiger (ambos já abandonaram a seleção). Podemos falar de Emre Can, de Rudiger e de Ter Stegen, mas não são jogadores de uma influência extrema como os atrás mencionados, pelo menos por enquanto. Os jogadores optam por ficar na sua liga nativa, sabem que existe uma competitividade que lhes permite estar sempre a um alto nível.

Não é por acaso que se diz o ditado: “11 para 11 e no fim ganha a Alemanha”, é uma seleção sempre que prepara com excelência cada desafio. Todo este trabalho é feito desde as camadas jovens, passando pelos técnicos que incutem aos jogadores uma mentalidade competitiva e vencedora desde muito cedo.

O monopólio de Munique

O único corrente “senão” na liga alemã tem sido a hegemonia do conjunto de Munique nos últimos anos. Jürgen Klopp, nos seus tempos áureos no Borussia de Dortmund, ainda conseguiu dar uma intensa luta aos bávaros, algo que já não acontece nos últimos cinco anos.

Já vêm sendo recorrentes estes festejos (Foto: Bayern Central)

Nesta temporada, em que o Bayern teve apenas concorrência até ao final da primeira volta por parte do surpreendente RB Leipzig (que acabou, naturalmente, por acusar a pressão e perder gás) que acabou por garantir um notável segundo lugar. As mesmas aspirações com que o Borussia de Dortmund procura entrar, porque fez um campeonato sempre no limiar dos lugares de Champions, garantindo apenas na última jornada. Para o Dortmund há que fazer muito mais na próxima época já sem Tuchel e agora com Bosz. Será fundamental que Leipzig e Dortmund regressem em “força” para pôr fim ao domínio do Bayern.

Ainda assim, não se afigura fácil a tarefa, pois quando se comparam os plantéis, a profundidade dos mesmos e a capacidade de reter estrelas, o Bayern está muitos furos acima da concorrência, algo que deriva do astronómico poderio financeiro que possui. Os principais fatores revelam-se no número de sócios mais elevado a nível mundial, que acaba por se refletir no elevado valor recebido pelas suas transmissões televisivas e, por fim, os patrocínios provenientes da notoriedade que o clube tem a nível mundial.

A diferença financeira é estratosférica, e não será fácil para as equipas germânicas contrariá-la. No entanto, acreditamos nas equipas que mencionámos acima possam fazer algo. A somar elas ainda podem surgir o Bayer Leverkusen ou Schalke 04, que têm equipa e obrigação para fazer muito mais que as medíocres épocas feitas nos últimos anos.

O futebol alemão é, sem dúvida, um fascínio. Poderíamos perder horas, dias, semanas e meses a falar sobre o mesmo que os elogios não se esgotariam. Deixámos aquilo que pensamos ser as principais ideias sobre aquilo que são as virtudes deste país do futebol, que são muito mais que estas apenas. O principal fator a mudar é a hegemonia do Bayern de Munique, mas isto já  dependerá da capacidade de arranjar alternativas ao poderio financeiro dos bávaros. A garra e a massa adepta certamente podem fazer a diferença.

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Gonçalo MeloJunho 7, 20176min0

Após analisados os destaques de mais uma edição da Bundesliga é tempo de analisar e comentar as desilusões ou, como de diz na gíria futebolística, os “flops”. Numa lista composta por algumas surpresas, algumas delas jogadores já internacionais, salta à vista um nosso bem conhecido, o campeão europeu Renato Sanches.

É pelo jovem internacional português formado no Seixal que começamos. Contratado por 35 milhões de euros com apenas 18 anos, Renato chegava à Baviera em alta após ter sido campeão português pelo Benfica e campeão europeu por Portugal.

No entanto, fruto da forte concorrência e inadaptação ao estilo de jogo do Bayern, Renato foi pouco utilizado, sem nunca conseguir expor o futebol apresentado no anterior clube e na seleção, tornando-se provavelmente no maior flop do ano na Alemanha, devido ao que custou e à qualidade e esperança que nele depositavam (explicamos melhor a sua situação no artigo dedicado ao jovem prodígio).

Mas, para alem dos vários flops individuais, como Douglas Costa que não deu seguimento à qualidade apresentada na primeira época, ou Marco Reus que não consegue jogar dois meses seguidos sem se lesionar (podia ser o melhor jogador alemão da atualidade, não fosse ele de cristal) os principais flops desta edição da Bundesliga foram coletivos.

O Bayer Leverkusen, que se propunha a disputar o terceiro lugar, terminou num paupérrimo 12º lugar a uma longa distância de 23 pontos do seu objetivo. Um ano para esquecer para os farmacêuticos, com vários jogadores a realizarem épocas abaixo do esperado.

O capitão Lars Bender teve um ano fustigado por lesões, o turco Hakan Çalhanoglu nunca conseguiu expor a qualidade técnica e visão de jogo a que nos habituou, Karim Bellarabi parece ter estagnado (foi ultrapassado por Julian Brandt e Leon Bailey nas alas, para alem de ter perdido o comboio da seleção) e os avançados Stefan Kiessling, Kevin Volland e Admir Mehmedi foram pouco produtivos a nível de golos, sendo muitas vezes Chicharito o abono de família da equipa, com a sua finalização e sobretudo abnegação a trabalhar em prol da equipa.

A nível defensivo, Jonathan Tah e Aleksandar Dragovic nunca deram a segurança necessária, e os laterais ofensivos Wendell e Benjamin Henrichs deixaram muitas vezes espaço para os oponentes, revelando dificuldades a fechar os corredores. Valeu muitas vezes o inspirado guarda redes Bernd Leno, que já pede voos mais altos. A dececionante campanha levou ao despedimento do técnico Roger Schmidt, algo que não fez subir a produção da equipa, bem pelo contrário.

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Foto: Der Bild

Outra grande desilusão foi o histórico Schalke 04. Com um defeso movimentado e cheio de aquisições que prometiam, como Breel Embolo, Yehven Konoplyanka, Nabil Bentaleb, Coke ou Baba Rahman, previa-se uma época a lutar pelos lugares de Champions League, algo que não sucedeu.

Com um novo timoneiro, Markus Weinzierl, que tinha realizado um bom trabalho ao serviço do Augsburgo, o Schalke nunca conseguiu ser uma equipa coesa e constante (as lesões não ajudaram, Embolo e Huntelaar quase não jogaram, e o lateral direito Coke só realizou a ponta final da época para alem dos jogos iniciais de Agosto).

O craque ucraniano Konoplyanka eclipsou-se, nunca sendo uma mais valia nem apresentando o talento que demonstrou no Dnipro e na seleção e sendo suplente a maior parte dos jogos, Baba Rahman nunca consegui destronar Kolasinac, Johannes Geis teve uma temporada abaixo do esperado, tal como Benjamin Stambouli que chegava do PSG com rótulo de craque, e os avançados Choupo Mouting e Di Santo que nunca conseguiram suplantar a ausência do goleador Huntelaar.

Por outro lado, valeram a Weinzierl o talentoso Leon Goretzka, os experientes defesas Naldo e Benedikt Howedes e os reforços de inverno Guido Burgstaller e Daniel Caligiuri, que conseguiram que a equipa terminasse num menos mau 10º lugar.

Max Meyer conseguiu por pouco escapar ao rótulo de flop nesta temporada (jogou muitas vezes fora da sua posição, a descair para a esquerda ou demasiado na frente de ataque) devido ao talento individual demonstrado muitas vezes, sem grande constância no entanto.

Apesar destes dois flops, nada bate a péssima época dos novos ricos do futebol alemão. O Wolfsburgo do português Vieirinha escapou à despromoção apenas no playoff diante do Eintracht Braunschweig, realizando a pior época dos últimos anos.

Numa anarquia tática constante, os lobos nunca pareceram ter uma ideia e forma de jogar definidas, vivendo à base de rasgos de Julian Draxler na primeira metade da época, e dos golos de Mario Gomez na segunda.

É portanto fácil identificar vários flops desta dispendiosa equipa, como o lateral esquerdo Ricardo Rodriguez que baixou muito o rendimento que o tornou num dos mais apetecíveis laterais esquerdos da europa, os médios defensivos Josuha Guilavogui e Luiz Gustavo, os criativos Maximilian Arnold e Daniel Didavi, os contratados em Janeiro Paul-George Ntep (que nunca apresentou o nível e qualidade que levaram o clube patrocinado pela Volkswagen a desembolsar 18 milhões na sua aquisição) e Riechedly Bazoer, ou até o guarda redes Diego Benaglio que perdeu o lugar para Koen Casteels. Salvaram-se os jovens Yannick Gerhardt, Vieirinha e Yunus Malli.

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Foto: Martin Rose / Getty Images

Nas restantes equipas, o Mainz e o Hamburgo podem também ser consideradas flops desta temporada que agora findou, devido à dificuldade em manter-se acima da linha de água.

No Mainz, o suíço Fabian Frei teve uma época num nível baixo, tal como o jovem promissor Kevin Oztunalli e o defesa central/trinco André Ramalho.

No Hamburgo, que mais uma vez se consegui manter na primeira liga, destaque negativo para o central Yohan Djourou, para o avançado Pierre Lasogga que marcou apenas 1 golo na temporada, e para o jovem trinco brasileiro Wallace Silva que denotou alguns problemas de adaptação a uma nova realidade fora do Brasileirão.

Num ano de descida para Darmstadt e Ingolstadt, que nem podem ser considerados flops devido ao baixo nível da maioria dos seus jogadores em relação a jogadores de outras equipas rivais na luta pela permanência (salvo alguns casos como Dario Lezcano, Matthew Leckie, Pascal Gross, Jerome Gondorf ou Marcel Heller), estes foram os principais destaques negativos de um campeonato disputado e atrativo até à ultima ronda.

Na próxima época, estas desilusões vão certamente querer dar a volta por cima e esquecer esta má temporada. Em Agosto começa tudo novamente, e tudo pode acontecer.

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Gonçalo MeloJunho 2, 20177min0

Nova moedinha, nova voltinha. Mais uma época se passou na Bundesliga, com o mesmo desfecho. Título na Baviera. Mas, fora a luta pelo título, que desde cedo parecia entregue, as restantes equipas pautaram-se por um equilíbrio assinalável, tendo havido algumas surpresas/destaques e algumas desilusões.

Nos destaques de mais uma edição da Bundesliga era impossível não falar no Leipzig. A equipa orientada por Ralph Hasenhüttl estreou-se esta temporada na primeira divisão alemã, com um fantástico segundo lugar. Com um meio campo fortíssimo, onde Naby Keita, Diego Demme e Stefan Ilsanker se destacaram, alas criativos e rápidos como Marcel Sabitzer e Emil Forsberg (19 assistências no campeonato!) e uma dupla de ataque móvel e mortífera formada por Yuray Poulsen e Timo Werner, o RB Leipzig fez um campeonato imaculado que lhe permite estar na próxima edição da Liga dos Campeões. Ainda em lugares de prova milionária ficou o extraordinário Hoffenheim do jovem Julian Nagelsmann, melhor lugar da história do clube. Individualmente, destaque para as épocas Nicklas Sule e Sebastian Rudy que lhes valeu a transferência para o campeão Bayern, bem como os criativos Nadiem Amiri e Kerin Demirbay e os avançados Andrej Kramaric e Sandro Wagner.

A luta pela Europa foi renhida ate final com Colónia, Friburgo, Hertha de Berlim e Werder Bremen a proporcionarem um atractivo espectáculo até à ultima jornada. No Colónia o destaque tem de ser dado a Anthony Modeste. O francês apontou 25 golos no campeonato, mais de metade do total de golos da equipa, sendo esta de longe a melhor época do ponta de lança que já passou pelo Bordéus e pelo Hoffenheim . Para alem do francês, épocas positivas da maioria dos elementos, com destaque para o médio-defensivo/lateral esquerdo titular da selecção alemã Jonas Hector e para o defesa central Dominic Heintz. No Friburgo, destaque para o italiano Vincenzo Grifo, grande municiador do ataque dos homens do sudeste, com 13 assistências (já se comprometeu com o Borussia de M’gladbach para as próximas temporadas), para Maximilian Philipp, avançado fundamental na forma de jogar da equipa e que deve ser um dos eleitos para os sub-21 alemães e para o lateral-esquerdo Christian Gunter, jogador mais utilizado na Bundesliga da equipa do Friburgo, sempre com uma regularidade impressionante.

No Hertha, menção para Vladimir Darida, Peter Pekarik e John Anthony Brooks, os mais regulares e sempre em nível superior da equipa, mas também para os abonos de família Solomon Kalou e Vedad Ibisevic, os goleadores da turma do húngaro Paul Dardai. No Werder Bremen, o destaque vai para o jovem técnico Alexander Nouri, responsável pela subida incrível de produção da equipa na segunda metade da época, apoiado nas figuras Zlatko Junozovic,  Serge Gnabry, Max Kruse, Fin Bartels e Thomas Delaney (o dinamarquês chegou em janeiro para se tornar talvez no melhor jogador da equipa).

Foto: The World Game

Nas restantes equipas (todas elas desilusões pois todas as restantes ficaram abaixo dos objetivos a que se propuseram) houve também jogadores que se destacaram. Ousmane Dembelé chegou, viu e venceu em Dortmund, justificando plenamente os 15 milhões pagos ao Rennes, fazendo estragos com a sua técnica individual e velocidade. Pierre Emerick Aubameyang teve mais uma época brutal (31 tentos), que lhe valeram o prémio de melhor marcador. Marcel Schmelzer, Julian Weigl e Rapha Guerreiro protagonizaram também boas épocas. No Gladbach que ficou longe do seu objectivo (Champions League), o maior destaque vai para o jovem Mahmoud Dahoud, adquirido entretanto pelo Dortmund, que com a sua qualidade técnica e energia elevou a equipa para um nível que sem ele nunca se verificou, para o talentoso belga Thorgan Hazard e para o capitão Lars Stindl.

Nas duas grandes desilusões da Bundesliga, Bayer Leverkusen e Schalke, os destaques são poucos, podendo salientar apenas a regularidade do central Omer Toprak, a entrega de Kevin Kampl e os golos de Chicharito nos Farmacêuticos. Nos mineiros, o grande destaque vai para Guido Burgstaller, que chegou em Janeiro proveniente do histórico Nuremberga mas conseguiu ser o melhor marcador da equipa na Bundesliga. Os jovens Leon Gorestka  e Sead Kolasinac (pode estar a caminho do Arsenal) protagonizaram épocas de bom nível, tal como o guarda-redes Ralf Fahrmann, muitas vezes o salvador da formação de Markus Weinzierl. No Eintracht Frankfurt, o mexicano Marco Fabián jogou e fez jogar, fazendo jus à fama que trazia do seu país (muita qualidade técnica e visão de jogo). O jovem sueco Benjamin Hrgota e o capitão Bastian Oczipka foram também protagonistas da época tranquila dos comandados de Nico Kovac, que tiveram uma descida grande na segunda metade da época (estiveram em lugares de Champions em Dezembro),

Na parte de baixo da tabela, Augsburgo, Mainz e Hamburgo tiveram épocas atribuladas, conseguindo por pouco escapar aos lugares de despromoção. No Augsburgo, destaque para o goleador Alfred Finnbogasson, o criativo coreano Koo, o médio-defensivo Dominic Kohr e o lateral esquerdo Philip Max, que foram os melhores da equipa. No Mainz houve muitas épocas abaixo do esperado, destacando-se Yunus Malli que em janeiro se transferiu para o Wolfsburgo, Jhon Córdoba que foi o melhor marcador da equipa a par do japonês Yoshinori Muto e o potente lateral Daniel Brosinski. No Hamburgo, que insiste em “safar-se” sempre à ultima, o norte-americano Bobby Wood foi muitas vezes o abono da equipa, com Lewis Holby e  Filip Kostic a serem dos jogadores mais utilizados e regulares, e Gotoku Sakai a ser a fonte de rendimento e trabalho da equipa, tanto a médio defensivo como a lateral direito.

Numa época em que consagrou mais uma vez o crónico campeão BayernAlaba, Thiago Alcântara, Lewandowski (mais golos que o polaco só Auba) e Robben voltaram a fazer das suas e a protagonizarem belíssimas temporadas, na época de despedida dos lendários Xabi Alonso e Philip Lahm que voltaram a fazer o que nos habituaram nas ultimas duas décadas, espalhar charme e qualidade pelos relvados que pisam. Numa época disputada e aguerrida foram estes os destaques daquele que é para muitos o campeonato com melhor e mais atractivo futebol do velho continente. Na próxima época a pressão para estes será maior, uma vez que a expectativa dos adeptos será por consequência mais elevada. Agora, será que alguns destes destaque terão capacidade para inverter a tendência de domínio bávaro? 2017/2018 está já ao virar da esquina, e mal podemos esperar.

Foto: dw.com

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Gonçalo MeloAbril 16, 20177min0

Renato Sanches vive dias atribulados em Munique, provavelmente os mais atribulados da sua ainda curta carreira. Opção de banco na maioria dos encontros (foi apenas titular em 10 ocasiões esta época), o antigo jogador do Sport Lisboa e Benfica estará numa situação problemática? Mas quais as razões para um jovem talento, campeão nacional, campeão europeu e Golden Boy não se conseguir impor num colosso como o Bayern?

Orientado por Carlo Ancelotti, o Bayern tornou-se uma equipa mais incisiva na forma como aborda os jogos, mudando um pouco o chip que existia na era Guardiola, em que a posse de bola era altamente elevada em todos os jogos, passando, agora, para uma forma de jogar mais pragmática e calculista, bem ao jeito italiano.

No entanto, os ensinamentos de Guardiola ainda perduram, notando-se uma preocupação por parte de todos os jogadores em ter muita bola e em produzir jogadas elaboradas em que a mesma passa por grande parte dos elementos.

Com laterais de topo mundial e centrais fortes na saída de bola torna-se mais fácil a implementação de um estilo de jogo que preze a posse de bola, podendo os médios pegar o jogo em zonas mais adiantadas do terreno, não precisando de baixar excessivamente.

Aqui reside um dos principais problemas para o menino da Musgueira. Habituado a enorme liberdade quando jogava no Benfica (aparecia em todas as zonas do campo, quer a atacar quer a defender), no Bayern essa liberdade é reduzida. O jogo de posse de bola constante não permite ao internacional português aqueles raides a que ele habituou às bancadas, sendo por isso obrigado a tornar-se um jogador mais de toque curto, na linha dos restantes médios do Bayern como Thiago Alcântara, Xabi Alonso ou Joshua Kimmich.

Mas deve um jogador, selvagem como Renato Sanches, (que com o seu estilo rebelde e irreverente conquistou um lugar a titular na seleção campeã europeia e conquistou o prémio de Golden Boy) ser obrigado a mudar a sua forma de jogar? Ou a única solução será a equipa moldar-se ao jovem craque? A resposta pode parecer impossível de dar, mas estará algures no meio das duas hipóteses.

Renato Sanches não é um médio altamente eficaz no passe, não o era no Benfica (colocava a equipa em dificuldade muitas vezes com passes errados ou perdas de bola, tendo no entanto grande parte dessas vezes a capacidade física e a velocidade para ir apagar o fogo que o próprio tinha ateado) e continua a ter esse problema em terras Bávaras.

Um dos problemas é que na Bundesliga a exigência é bastante superior em comparação com a da Liga Nos, uma vez que um erro contra o Arouca ou o Tondela não vai causar as mesmas repercussões que um erro ou uma perda de bola contra um Hoffenheim ou um Bayer Leverkusen.

Outra das contrariedades que o campeão europeu enfrenta é a exigência dos adeptos. Quando na Luz tudo lhe era perdoado, fruto de ser a pérola da formação que os adeptos tanto ansiavam ver impor-se na equipa principal, em Munique a paciência e o carinho dos adeptos para com o médio é manifestamente inferior. Cada passe errado ou cada perda de bola é mais uma forma de criticar o jovem português, e mais uma forma de pôr em causa o valor e o preço de Renato Sanches. Cabe ao portento da Musgueira dar a volta à situação.

Foto: TransferNews

O que se segue? Qual a melhor solução? Moldar-se a uma nova forma de jogar ou manter a irreverência e o futebol de rua puro que tantos apaixonou e cativou?

Na opinião de muitos o melhor para Renato é mesmo mudar de ares, pois o colosso bávaro não é a equipa ideal para o crescimento do jovem. Para outros, onde nos incluímos, o problema prende-se no timing da transferência (mais uma época com a camisola encarnada do Tricampeão Nacional teria sido o ideal, onde teria tempo e compreensão para melhorar as suas debilidades continuando a ser uma referencia no 11 e a ter muito tempo de jogo).

Ora, não sendo possível recuar no tempo só resta olhar para o futuro, e Renato tem razões para olhar sorridente para o mesmo. Sendo um jovem, tem tudo para se poder afirmar na segunda época onde já não vai ter os típicos problemas de ambientação, tanto ao estilo de jogo da nova equipa como a toda a realidade envolvente a que é sujeito um jogador de 19 anos quando se muda do seu bairro e cidade de sempre para uma cidade nova, a falar uma língua completamente diferente e a ganhar 5 vezes mais do que ganhava (para muitos a questão monetária é vital para um bom rendimento, e muitas vezes ganhando mais vai levar a um descurar da competitividade e empenho no treino e no jogo).

A juntar a isto, na próxima época Renato tem um novo aliciante. Com a reforma de Xabi Alonso, abre-se uma vaga no trio do meio campo de Ancelotti, juntamente com Arturo Vidal e Thiago Alcântara. E agora? Sanches ou Kimmich? A favor do português tem a sua força e capacidade física, podendo recuar Vidal e entrar Renato para o seu lado.

Porém, Kimmich está mais identificado com o estilo de jogo bávaro, sendo mais evoluído tacticamente e evidenciando uma considerável maior qualidade de passe. No meio destas duas hipóteses está outra que nos parece menos plausível, mas que para os alemães pode ser possível.

E se Renato Sanches assumir o lugar de Xabi Alonso? Poderá um irreverente e selvagem menino assumir um lugar (e mais que um lugar, uma forma de jogar) ocupado por um dos jogadores mais elegantes e inteligentes das últimas duas décadas? Um jogador com uma qualidade de passe tremenda, tanto curto como longo?

Renato Sanches tem várias lacunas, sobretudo ao nível do passe, embora já se note uma clara melhoria neste aspeto, sobretudo no passe longo. Mas daí a assumir o lugar do bicampeão europeu e campeão mundial por Espanha vai uma enorme distância. Para além da enorme melhoria que tinha de evidenciar ao nível do passe e do posicionamento tático, o prodígio teria de abandonar o seu estilo irreverente e de rua para assumir o papel do craque espanhol, algo que poderá tornar Renato num jogador banal.

Será o Benched Boy, que tão criticado tem sido pelo pouco que tem apresentado e pelo que custou, capaz de dar a volta às criticas e de assumir uma posição de destaque no meio campo bávaro, ainda para mais na posição 6? Ou o melhor será manter o seu estilo esperando que o mesmo resulte e que isso o leve a garantir a titularidade? Ou o melhor será mudar de ares para onde possa assumir livremente o seu futebol? Seja qual for a solução, Renato terá na próxima época uma tarefa, decidir que tipo de jogador quer ser.

E a sua decisão irá influenciar para sempre a sua carreira, podendo tornar-se num dos melhores de sempre do nosso país ou tornar-se um jogador banal como aconteceu a várias promessas. Para os adeptos portugueses, é preferível a primeira e acreditamos que o Benched Boy de 2016/17 vai saltar dessa condição para se afirmar como um dos melhores médios da Europa. É que o Bayern não liberta 35 milhões por um jovem de 18 anos recorrentemente, e vai querer provar que os gastou bem.

Foto: L’Equipe

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Pedro NunesMarço 30, 20175min0

Os muitos golos de Modeste têm sido um dos temas quentes desta edição da Bundesliga. Um francês que até agora vinha passando pelos pingos da chuva, acaba por estar também à espreita da Bota de Ouro. À beira de fazer 29 anos, segue entre Aubameyang e Lewandowski, na melhor forma da sua carreira. Para Modeste, vestir a camisola do Colónia tem funcionado como um incentivo para chegar a estas marcas estratosféricas.

Flop em Inglaterra, questionado em França, goleador na Alemanha e pretendido pela China. Nos últimos tempos, têm sido estas as diferentes perspectivas acerca de Anthony Modeste. Até há cerca de duas temporadas, o avançado gaulês vinha passando meio que despercebido aos olhos do comum adepto. No entanto, a chegada a Colónia para jogar no maior clube da cidade acabou por mudar tudo o que se pensava dele.

Foi uma carreira de altos e baixos até chegar a este ponto. Depois de fazer finalizar a formação nas escolinhas do Nice, o clube da Riviera emprestou-o por uma temporada ao Angers, onde começou a ganhar visibilidade. Os 20 golos em 37 jogos na segunda liga francesa chamaram a atenção do Bordéus, que desembolsou 3,7M€ para a sua contratação. Nos girondins demorou a afirmar-se e foi emprestado por duas vezes. A experiência em terras de Sua Majestade não correu nada bem. Nove jogos na Premier League e um total acumulado de zero golos pelo Blackburn, valeram-lhe o rótulo de flop. No segundo empréstimo, acabou por fazer 15 golos em 36 jogos com a camisola do Bastia.

Foto: Youtube

Esta marca levou-o à Alemanha. Depois de dois anos a representar o Hoffenheim com alguns golos à mistura, Colónia foi a cidade seguinte. E foi exatamente nos Billy Goats que deu a conhecer todo o seu poderio. Talvez como uma espécie de premonição, o primeiro golo com a camisola do Colónia demorou 45 segundos a chegar, numa partida da taça alemã. A partir passou a aplicar-se a máxima do nosso pensador madeirense – foi como o ketchup.

O golo típico de Modeste é um golo fácil. Normalmente um toquezinho chega. Característica de um autêntico matador e de um jogador muito auto-sustentável. Dos 37 golos do Colónia na liga, 22 são do avançado gaulês, o que significa que 60% dos golos são seus. Um dado que fala por si. Outra marca também bastante interessante é a sua eficácia. Para fazer golo, precisa de menos tentativas que Lewa e Auba. Para chegar à marca de 22 que carrega no momento, necessitou apenas de 74 ocasiões. Como referência de comparação, Aubameyang dispôs de 84 e Lewandowski de 100.

Considerando apenas a variável do impacto que tem na equipa, Modeste está bastante à frente dos outros dois. Com 25 jornadas já jogadas, o francês segue na roda de Lewandowski e Aubameyang, na luta pelo desejado Torjägerkanone. Esta época têm sido batidos recordes na Bundesliga neste sentido. Até à data, a liga nunca havia visto três jogadores com mais de 20 golos à 25ª jornada.

Foto: Squawka

Os que defendem que Modeste deve estar na seleção nacional usam de um argumento poderoso. Afirmam que o francês é melhor que Aubameyang e Lewandowski. A razão é simples. O gabonês e o polaco têm uma equipa recheada de estrelas, com companheiros de classe mundial que lhes fazem chegar excelentes bolas. Com Modeste isso não acontece. O Colónia é uma equipa de meio de tabela, que o francês está a colocar na luta pelos lugares europeus, aos quais não chega desde a época de 92/93. Apesar disto, entrar para as contas para a frente de ataque gaulesa não é pêra doce. Por entre os elegíveis para aquela posição estão nomes com Griezmann, Gameiro, Giroud, Lacazette, Moussa Dembelé e Gignac.

Na luta pela Bota de Ouro, o dianteiro segue em 5º – a par de Belotti, que é outro caso semelhante. Sempre atenta ao que se passa no futebol ocidental, a China já acenou com muitas notinhas. Modeste vive agora o melhor momento da carreira mas também o mais decisivo visto que está perto de fazer 29 anos. Entre ir para a China para ter uma reforma descansada, tentar os altos voos europeus ou ficar em Colónia, tudo é opção para Anthony Modeste.

Foto. ZeroZero

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Gonçalo MeloFevereiro 27, 20175min0

Na competitiva e atractiva Bundesliga, onde o valor dos contratos publicitários e dos direitos televisivos só são superados pela Premier League e pela La Liga, as equipas encontram-se praticamente todas num patamar de equilíbrio, com excepção do colosso Bayern de Munique. Ainda assim, existem diferenças salientáveis nos orçamentos de algumas equipas e só com uma estratégia bem definida e uma ginástica financeira consistente se consegue dar a volta a essas diferenças. E nenhum clube faz isso melhor que o SC Friburgo, a temível equipa do sudoeste alemão.

Fundado no ano de 1904 (ano de fundação de outros grandes clubes como o Bayer Leverkusen, o Schalke 04 ou o tricampeão nacional Benfica) e situado na cidade Freiburg im Breisgau no sudoeste da Alemanha, este centenário clube tem uma filosofia muito bem definida, para além de um conhecimento perfeito das suas limitações, conseguindo assim desta forma dar a volta às dificuldades financeiras.

Com um plantel avaliado em pouco mais de 52 milhões de euros, o terceiro plantel com valor de mercado mais baixo dos 18 planteis da Bundesliga (mais baixo só os planteis do Ingolstadt e do Darmstadt) conseguimos analisar a ginástica efetuada pelos dirigentes do clube, onde a aposta na formação é um dos maiores orgulhos dos adeptos.

Com uma das melhores formações do futebol alemão, com óptimas condições no seu centro de estágio, bons treinadores e um acompanhamento desportivo e escolar exímio para com os seus utentes o Friburgo vende frequentemente jovens talentos às melhores equipas alemãs, como por exemplo Mathias Ginter, jovem central do Borussia de Dortmund e campeão mundial em 2014 no Brasil, mas nem por isso deixa de ter jovens com qualidade na sua equipa principal.

O guarda redes Alexander Schwolow, o central Marc-Oliver Kempf, o lateral esquerdo Christian Gunter são os grandes destaques da formação do clube (estes dois últimos internacionais jovens pela Alemanha).

Mas para além da aposta em jovens talentos formados no clube, o Friburgo notabiliza-se pela excelente visão de mercado, ao contratar segundas opções de equipas mais fortes (Nils Petersen, internacional alemão ex-Bayern e Werder Bremen, ou Aleksandar Ignjovski, internacional sérvio ex Eintracht Frankfurt) e jovens valores desconhecidos para a maioria.

Falamos de: o talentoso italiano Vicenzo Grifo (jogador mais influente da equipa com 8 golos) o internacional albanês Abrashi, o jovem promissor turco Onur Bulut ou o internacional norueguês Håvard Nielsen, aos quais se juntam os experientes defesas Marc Torrejón e Georg Niedermeier e os médios Mike Frantz, Nicolas Hofler e Julian Schuster (os lideres de balneário), que orientados pelo homem da casa Christian Streich (no clube desde 1995, desde 2011 na equipa principal) ocupam neste momento um sensacional 9º lugar na Bundesliga.

9 vitórias, 10 derrotas e 3 empates, um registo extremamente positivo para a realidade do clube, sendo das equipas mais difíceis a jogar na condição de visitado, onde soma 7 das suas 10 vitórias.

Com um plantel limitado em relação à maioria dos adversários directos (Augsburg, Bremen e Hamburgo têm orçamentos muitos superiores e estão abaixo do clube do sudoeste alemão neste momento) o Friburgo vai fazendo o seu caminho nesta edição da Bundesliga, após a fantástica subida de divisão na época transata.

Streich tem sabido fazer das fraquezas forças, ao implementar esta época um 4-4-2 agressivo e pressionante que coloca em dificuldade os adversários logo no seu meio campo, ganhando muitas bolas em zona perigosa para os oponentes.

Foto: Bild

Todavia, é uma equipa que depende muito de rasgos individuais das principais figuras, seja Grifo com a sua qualidade técnica e destreza nas bolas paradas, seja Petersen em finalizações quase impossíveis, Abrashi numa ruptura pelo meio ou Gunter num dos seus raides pela esquerda.

A equipa revela alguma dificuldade quando o adversário se apresenta mais recuado, e não se apresenta a jogar “como equipa grande”, algo que a equipa tem tentado contrariar, tendo já uma ideia de jogo mais atractiva aquando da posse de bola, onde Abrashi, Hofler e Grifo se parecem multiplicar ao ofereceram inúmeras linhas de passe aos colegas e aparecendo sempre quando a equipa necessita.

Do ponto de vista defensivo a equipa também tem vindo a melhorar de forma substancial, sendo cada vez mais difícil batê-los devido à boa forma dos centrais Torrejón, Söyüncü e Niedermeier, bem como da consistência da dupla de médios Hofler-Abrashi que trabalha incansavelmente durante todo o jogo.

Os laterais Ignjovski e Gunter também dão segurança defensiva assinalável, não fossem eles jogadores habituados a grandes palcos (são ambos internacionais). Apesar da segurança defensiva, os laterais nunca se coíbem de ajudar no momento ofensivo sendo igualmente capazes de criar desequilíbrios nas subidas que fazem.

O Friburgo é neste momento uma das equipas mais difíceis de bater na Bundesliga, apesar do percalço nesta jornada diante do Borussia de Dortmund, onde perderam por 3-0, e ninguém fica incólume ao ambiente e à dificuldade que se encontra no Schwarzwald-Stadion, onde a cada duas semanas cerca de 20 mil entusiasmados adeptos puxam fervorosamente pelo seu Friburgo.

Um clube com limitações, mas que sabe dar a volta às mesmas, vivendo dentro das suas possibilidades mas não descurando a competitividade e a vontade de ganhar, trabalhando muito na análise e prospetiva de jogadores e na formação.

Um verdadeiro exemplo de como sobreviver ao futebol atual. Queiram as equipas portuguesas segui-lo, sobretudo o exemplo de não viver acima das possibilidades.

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Pedro NunesJaneiro 21, 20174min0

Treinador despedido, diretor desportivo pelo mesmo caminho e a maior estrela vendida. Na primeira metade da época, estes foram alguns dos momentos mais relevantes do Wolfsburgo. A três pontos da linha de água, contamos o que aconteceu e levantamos uma pontinha do véu, para percebermos o que poderá trazer o futuro dos Lobos.

Nesta primeira metade da época, houve pouca coisa a correr bem no Volkswagen Arena. Se em Maio do ano que passou a equipa se encontrava num grande momento – bateu o Real Madrid para a Liga dos Campeões em casa -, a partir daí o estado de graça do Wolfsburgo começou a cair a pique e entraram numa espiral de resultados negativa, quando nos primeiros 15 jogos do campeonato conseguiram apenas 10 pontos.

Dieter Hecking iniciou a temporada com apenas uma vitória em sete encontros, conseguida logo na jornada de abertura, contra o Augsburg. Sem espaço para manobra, o treinador acabou despedido e para o seu lugar foi chamado o treinador dos sub-23 e antigo jogador do Bayern, Valerien Ismael. Seguidamente, também o diretor desportivo do clube, acabou por deixar o seu cacifo livre. Klaus Allofs terminou a ligação com os Lobos depois de uma derrota por 5-0 contra o Bayern.

O ambiente não era, de facto, o melhor para trabalhar. O escândalo da Volkswagen que ainda ninguém sabe bem que implicações trará aos Lobos, as contratações falhadas, os jogadores com estatuto de estrela que não rendiam, o treinador trazido à pressão que não mostrava resultados. Tudo contribuiu para a saída do antigo avançado alemão, que em tempos tinha vencido uma DFB-Pokal e se tinha qualificado para a Champions.

Julian Draxler foi o expoente desta queda livre, com várias exibições aquém das expectativas, depois de rejeitada a proposta do PSG no verão. Se havia sido o melhor exemplo do futebol pobre e triste da equipa, foi também em Draxler que se iniciou a tentativa de reconstrução dos Lobos. Na abertura do mercado, o médio alemão acabou mesmo por ser transferido para o PSG que, à segunda tentativa, acabou por o contratar por uma quantia a rondar os 40M€.

Foto: The Sun

Com estes valores nos cofres, o Wolfsburgo iniciou um processo de recrutamento para melhorar os pontos fracos do seu plantel. Sem perder tempo, o avançaram para as contratações de Malli, Ntep e Bazoer.

Com 29 golos e 19 assistências em 129 golos, Malli foi sempre um dos homens-chave do Mainz. O médio ajudou o clube a chegar à Europa na época passada e é um dos melhores nomes que o Wolfsburgo poderia resgatar neste inverno. Ficará com a camisola de Draxler e será por ele que começará esta reformulação. Por detrás desta revolução quase total, está agora ao leme dos destinos do clube, está agora o novo diretor desportivo, Olaf Rebbe.

Foto: Sport DE

Não tem sido uma temporada muito proveitosa para os históricos emblemas alemães. Equipas como o Wolfsburgo, Werder Bremen e Gladbach – para não falar do Hamburgo, que se vê em mais um ano na mesma situação – têm tido épocas bastante fracas, cada um pelos seus motivos.

Das quatro mencionadas, a que parece estar com mais vontade de dar a volta por cima é o Wolfsburgo. Tal intenção ficou evidente nesta paragem no campeonato, com as mexidas no mercado de transferências e com a procura de renovar o estado de alma.

Os dois últimos jogos para a liga acabaram com vitórias (contra Gladbach e Werder Bremen) e as mexidas nas equipas foram feitas de forma a tirar a equipa da mó de baixo. Os adeptos dos Lobos ainda vão tendo esperanças na sua equipa. A primeira vitória em casa da temporada chegou tarde e questionou-se muitas vezes como é que uma equipa com jogadores como Benaglio, Ricardo Rodriguez, Luiz Gustavo e Goméz, podia ter performances tão más.

O Estugarda é um exemplo recente de quão mal podem correr as coisas para um histórico e esse espectro deverá agora pairar sobre os jogadores dos Lobos. Com a temporada a meio, e o abanão necessário ao intervalo dado, veremos se os jogadores respondem no que resta da temporada. Se é mudar o rumo dos acontecimentos que querem, parece uma boa altura para dar início a essa tarefa.

Foto: Trivela


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