Arquivo de Wasps - Fair Play

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Francisco IsaacJaneiro 24, 20178min0

Ponto final na fase de grupos da European Rugby Champions Cup, com a surpresa dos Glasgow Warriors a “desembrulhar-se” em Leicester; os Saracens acabam invictos; Clermont passa o “rolo compressor” ao sonho dos Chiefs; Quartos-de-final decididos, com um Leinster-Wasps a abrir. A 6ª jornada em 5 pontos

Uma formidável exibição escocesa em terras inglesas premiou a PRO12 com mais uma equipa na fase a eliminar. Os Saracens continuam invictos na Europa (a última derrota na Europa foi em 2015, ou seja, 14 vitórias e 1 empate em 15 jogos possíveis), o Clermont está pronto para voltar ao “domínio” (com ou sem títulos este ano) e o Munster “assusta” meia-Europa.

Para os que não leram a 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 5ª jornada deixamos o link de acesso à mesma: goo.gl/mmuq8kgoo.gl/7yO3Qdgoo.gl/yQqzopgoo.gl/28HYX6 e goo.gl/tI0Hes

A Equipa: IT IS DONE, SCOTLAND REACHED THE FINALS!

Finalmente! Ao fim de tantos anos a Escócia volta a ter um representante na fase a eliminar da European Champions Cup, com os Glasgow Warriors de Gregor Townsend a confirmarem o excelente momento de forma.

A equipa de Glasgow precisava de uma vitória para chegar à fase seguinte… porém, o jogo era em casa dos Leicester Tigers, uma equipa “agressiva” dentro de portas e que, raramente, deixa os adversários fazer a festa no seu terreno. Ora, o mais improvável aconteceu para surpresa dos 20,000 adeptos que estiveram em Welford Road pois os escoceses “varreram” os adversários ingleses por 43-00.

Uma “orquestra” de Glasgow em sintonia e harmonia, começou a desenhar o seu “bilhete” para os playoffs logo a partir dos 5 minutos, com Tommy Seymour (grande exibição do ponta da Escócia) a “rasgar” os tigres, impondo os primeiros 5 pontos do jogo. A partir daqui foi, como dissemos, uma “orquestra” que não parou de acreditar no apuramento com ensaio atrás de ensaio.

As boas movimentações no meio-campo que resultavam em incursões até à área de validação da equipa da casa ou penalidades cometidas pela mesma equipa (os Tigers cometeram 16 penalidades, algo que não lhes acontecia desde 2014) que permitiam a Finn Russell ou Stuart Hogg colocar a bola nos últimos metros de jogo.

O trabalho de excelência dos avançados (dos seis ensaios, quatro foram da autoria dos 8 da frente e os outros dois de movimentações das linhas atrasadas), a eficácia dos 3/4’s (Price e Russell têm formado uma parelha de médios de grande qualidade) resultou num resultado “pesado” e que carimba, assim, o seu bilhete para os quartos-de-final. Agora é ganhar ao campeão em título: Saracens!

A Confirmação: FIBRA DE CAMPEÃO, UMA LIÇÃO DOS SARACENS

Por falar no diabo, os Saracens voltaram a ganhar e desde 2015 que não sabem o que é perder um jogo para a Champions Cup. São 1200 minutos sem derrotas, o que prova o domínio total da equipa de Mark McCall e que parece estar longe de acabar.

Num jogo muito duro contra o Toulon, em que o resultado final de 10-03 serve de prova máxima para essa ideia, a equipa londrina soube sofrer e garantir a vitória já na segunda parte com novo ensaio de Chris Ashton (está imparável o ponta inglês, que não conta para Eddie Jones). Para além disso, foi um jogo “fechado” e, por vezes, algo parado já que as equipas tentaram tirar o máximo das suas avançadas, que raramente conseguiram avançar com eficácia após os alinhamentos.

O Toulon “carregado” com as suas estrelas de todo o planeta pouco conseguiu para quebrar a “fortaleza” do wolfpack de Londres, que terminou com 140 placagens (20 falhadas, sendo que 14 foram no meio-campo do adversário) forçando alguns erros da equipa de Ma’a Nonu, Matt Giteau ou Bryan Habana.

A fibra de campeão foi notória em campo, valendo a pena reverem os dez minutos finais deste encontro para perceberem do que são feitos os campeões: saber sofrer e dar a volta em situações difíceis. Daqui a 1 ano talvez ninguém se lembre da placagem gigantesca de Michael Rhodes a Giteau a escassos 3 metros da linha de ensaio ou de Will Skelton a Samu Manoa num choque de titãs.

O Regresso: HERE COMES THE MEAN MACHINE: JAMES HASKELL

Porventura um dos melhores asas a nível mundial, James Haskell marcou o seu regresso na Champions Cup no jogo frente ao Zebre. Após 7 meses de fora por lesão, o super asa voltou a pisar os campos de rugby (da Champions Cup, já que tinha feito o regresso na Premiership) com uma exibição q.b., onde a “arte” de defender foi um must

Haskell somou 12 placagens (o segundo jogador com mais placagens em campo) e 2 turnovers, num jogo que esteve sempre controlado pelos Wasps, com um 27-41 final. Haskell pouco atacou, já que a aposta de Dai Young foi criar o máximo de jogadas rápidas de forma a infligir ensaios e dano suficiente na defesa italiana.

Notou-se que o 7 ainda não está na forma perfeita, com alguma lentidão em acompanhar as movimentações de Kurtley Beale (novo jogo de classe e magia do defesa Wallaby) ou de Chris Wade (segue com 10 ensaios em toda a temporada), mas aos poucos voltaremos a ter o asa na sua melhor forma.

Para já ficamos com um regresso de força a defender e a prometer algo mais a atacar de um jogador que é um dos líderes da nova Inglaterra de Eddie Jones.

Haskell de regresso (Foto: BBC)

O Resultado: LA RESISTANCE À LA JAUNARDS DU CLERMONT

Se o Clermont não está a preparar-se para fazer um assalto ao título de Campeão Europeu, então está a fazer um péssimo esforço por disfarçá-lo. A equipa francesa tem estado numa forma incrível nesta temporada, tendo somado só 5 derrotas em 22 jogos, ocupando o 1º lugar do Top14 e da sua Pool na Champions Cup.

No último jogo da fase de grupos, os Jaunards receberam a equipa dos Exeter Chiefs que sonhava conquistar um lugar na fase seguinte da competição. Contudo, a capacidade ofensiva e a organização consistente francesa levaram a melhor num jogo com quase 80 pontos no total.

Um equipa perfumada com a velocidade e garra de Fofana, a aceleração e inteligência de Camille Lopez ou a capacidade de choque e vontade de superação de Benjamin Kayser, só tem um objectivo a cada jogo: ganhar. O ASM Clermont tem tudo para ser um dos grandes campeões desta temporada e a formo como “despachou” os Exeter Chiefs, é um argumento para essa “tese”.

Um 34-00 na primeira parte, para depois “relaxar” suavemente e terminar num 48-26, pode ser considerado um dos encontros da ronda 6 e mesmo de toda a fase de grupos, com os Chiefs a ficarem à porta da fase seguinte.

A “Besta”: NADOLO SINÓNIMO DE ATROPELAMENTO E ENSAIO 

Nemani Nadolo deixou um caminho polvilhado de “destruição e caos” no adeus do Montpellier às competições europeias. O ponta fijiano marcou mais dois ensaios nesta prova, somando aos três que já tinha conseguido fazer nos jogos anteriores. Um dos melhores estreantes de sempre na prova, Nadolo despediu-se à sua maneira: atropelando adversários pelo caminho até à área de validação.

Aos 50′, Nadolo recebe a bola à ponta e com ainda mais de 40 metros pela frente até que conseguisse atingir a linha de ensaio, o fijiano foi correndo e atirando adversários para o lado… Tuala, Mallinder, Estelles ou North, bem tentaram parar o TGV das Fiji mas ninguém conseguiu-o.

O ponta já tinha sido o responsável pela criação do primeiro ensaio da sua equipa, com uma boa quebra de linha e um offload inexplicável para as mãos de Gelletier, que só teve de correr em direcção dos postes.

Nadolo em 6 jogos, marcou 5 ensaios e assistiu por 4 vezes, impondo todo o seu peso, impacto e agilidade sempre que tinha a oportunidade de o fazer. Um jogador de extrema qualidade que veio para “dominar” as alas em França.

 

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Francisco IsaacDezembro 31, 20169min0

A última jornada antes da paragem para Natal, trouxe várias “prendas” de última hora tanto para o Munster como para os Wasps. Mas, foi em terras escocesas que se fez ouvir o mair estrondo da semana: os Glasgow Warriors “abateram” os vice-campeões europeus e campeões do TOP14, o Racing 92. Este jogo e outros 3 pontos na nossa análise da 4ª jornada

Será a temporada 2016/2017 o “grito” das equipas da PRO12? Munster, Ulster, Leinster, Connacht e Glasgow Warriors são todos candidatos a passar à fase a eliminar da Champions Cup, algo que seria inédito para o rugby europeu. Mas no horizonte estão os Saracens que são, para já, a única equipa que não consentiu derrota nesta fase-de-grupos. Fiquem com as nossas ideias, opiniões e questões da 4ª jornada da ERCC

Para os que não leram a 1ª, 2ª e 3ª jornada deixamos o link de acesso à mesma: goo.gl/mmuq8kgoo.gl/7yO3Qd e goo.gl/yQqzop

A Equipa: NEVER PLAY GAMES WITH A SCOTTISH WARRIOR!

Bem-vindos a Scotstun, reino dos Glasgow Warriors, reino onde tudo é possível para as gentes que vivem nas Highlands. Em 2015/2016 a equipa de Gregor Towsend terminou em 3º lugar com 14 pontos, muito devido às duas vitórias ante os Scarlets que se ficaram pelo último lugar com 0. Coincidência ou golpe do destino, a equipa escocesa voltou a encontrar o Racing 92 nesta nova temporada na fase-de-grupos.

Na altura, tinha conseguido uma vitória e uma derrota – frente aos parisienses -, insuficientes para seguir em frente na competição máxima de clubes da Europa. Porém, esta temporada já foi diferente… a 1ª vitória aconteceu em Paris (23-14) e “impulsionou” os escoceses para o 2º lugar do grupo. Para poderem continuar a sonhar com um apuramento quase histórico (a última vez que foram à fase a eliminar foi exactamente há dez anos), tinham de garantir quatro pontos em casa.

Perante a sua massa adepta, as cores do azul escuro brilharam com grande fulgor naquela que foi uma das melhores prestações de sempre da equipa escocesa em provas europeias. Com Finn Russell a “deslumbrar”, a equipa dos Warriors “varreu” os vice-campeões europeus com facilidade. 18-00 no final da 1ª parte, com ensaios de Josh Strauss (100 jogos com a camisola de Glasgow ao peito) e Fraser Brown (o 1ª linha pode ser uma das revelações da Vern Cotter para as Seis Nações), permitiram um segundo tempo ainda mais “calmo”, sem necessidade de acelerar o jogo (excelente Russell, Hogg e Price nesse aspecto), aproveitando da falta de capacidade em transformar posse de bola e metros (550 metros conquistados).

Foram 20 os erros ofensivos da equipa de Paris, com 11 avants, 8 turnovers e um pontapé interceptado, algo incomum para uma equipa do TOP14. A somar isto tudo, Dan Carter acabou o jogo sem qualquer metro conquistado, quebra-de-linha, defesa batido e com meros 15 passes, ao contrário que o seu adversário escocês, Russell, completou 81 metros, 1 assistência para ensaio, 4 quebras de linha e 5 defesas batidos.

Feita as contas, a equipa de Glasgow está com a “passagem” nas mãos, para isso basta só ganhar ao Leicester ou Munster que garantirão um lugar na fase a eliminar. Conseguirá Gregor Towsend quebrar com a malapata que dura há dez anos? Será interessante ver como Towsend vai voltar a montar o “cerco” às equipas do Munster e Leicester Tigers. A receita para ganhar o jogo frente ao Racing, passou pela construção de fases curtas e “pesadas”, com a avançada escocesa a não perder o controlo da oval.

Depois de “amontoar” a defesa parisiense, Russel/Hogg/Dunbar pediam a bola para colocar uma jogada de alta rotação (com a participação mínima de um avançado na linha da frente de ataque), abrindo espaço entre os defesas. Depois foi só explorar os “buracos”, encontrar o caminho e garantir uma linha de corrida com grande apoio. É o jogo que a Escócia gosta de jogar, mas com um pouco mais de velocidade e mais disponibilidade mental para assegurar boas transições de jogo.

Fiquem com a exibição de Finn Russell:

O “David” da Jornada: CONNACHT ALERT!

Tínhamos alertado que o Connacht podia ser uma “caixinha de surpresas” durante esta prova… os campeões da PRO12 em título, receberam a equipa dos London Wasps, que esperava um jogo controlado e que a vitória não fugiria, mesmo que fosse por um ponto.

Bem, a surpresa caiu encima dos 82 minutos (dois minutos para lá do tempo regulamentar), quando a equipa irlandesa Galway marca um ensaio para Jack Carty converter… o olhar atento do médio de abertura a fitar os postes… silêncio profundo, pontapé enviado e bola a voar… passou! 20-18 e o Connacht está na disputa para seguir em frente na competição.

Mas vamos recuar no tempo de jogo para percebermos como é que isto pode ter acontecido a uma das grandes equipas da actualidade da Europa. Os Wasps começaram com a “guerra” de ensaios, com o primeiro a surgir aos 13′ pelo formação Joe Simpson. Excelente insistência de Thomas Young e Nathan Hughes, para depois o nº9 captar e “afundar” na área adversária.

O domínio de jogo inverteu-se a partir deste momento, com o Connacht a duplicar esforços e a tentar ir ao ensaio. Porém, uma boa defesa dos ingleses (Thomas Young estava irrepreensível na hora de parar os seus oponentes, com 16 placagens no final do encontro, para além do “monstro” Joe Launchbury), impediu a equipa de Pat Lam de chegar ao ensaio… até ao 39′.

Nesse momento, após 5 fases de ataque e em cima dos últimos 5 metros, Carty (MVP deste encontro) “arma” um crosskick que Danie Poolman consegue apanhar do ar, passando a linha da área de validação, deixando a oval pelo caminho.

Uma entrega completa, uma vontade de apostarem no virtuosismo e um acreditar, motivou ainda mais os homens do Connacht que iam atrás das investidas de Bundee Aki (novamente foi um dos jogadores com mais metros percorridos, com 94 em 19 carries, o que prova que é a peça principal deste esquema de Lam).

Só que o “balde de água fria” (o primeiro daquela noite gelada) veio por parte dos Wasps, quando Simpson sai rápido de um ruck e atira um passe para Bassett marcar o seu 3º ensaio na competição à ponta. Gopperth não converte e deixa o resultado num 18-13 com 5 minutos para jogar. Os Wasps nunca pensaram no que se iria suceder a seguir… primeiro uma sequência de faltas que os recuou até à sua área de 22, com os irlandeses a terem noção que uma penalidade não lhe servia de nada.

Os ingleses de Coventry defenderam, defenderam e defenderam, atirando as intenções de ensaio para trás… não havia jogada que passasse pela linha de defesa, bem montada, com uma pressão alta. Chegámos aos 80′, nova penalidade… alinhamento e ensaio… 18-18. E pronto, voltamos ao primeiro parágrafo deste 2º ponto. A força de provar que até os mais “pequenos” têm uma palavra a dizer na maior competição europeia de rugby.

O Jogador: MY NAME IS FARRELL… OWEN FARRELL! 

2016 marca um ano formidável para vários atletas: Israel Dagg, Beauden Barrett, Samu Kerevi, Stuart Hogg, Maro Itoje, James Haskell, Brice Dulin, entre outros… mas Owen Farrell é outro dos nomes a incluir.

A sua importância no desenho táctico e estratégia de jogo dos Saracens demonstra o seu peso a todos os níveis. Nos 24 pontos da vitória no fim-de-semana passado frente aos Sale Sharks (24-19), Owen Farrell foi responsável por 19, tantos como os seus adversários (pouco importa este dado, mas sempre importante de observar o “peso” da pontuação final de um jogador).

Farrell é um jogador moderno, rápido, com uma visão de jogo soberba, para além de reunir todas as competências e valências que gostamos de ver num abertura/centro. No jogo frente aos Sale Sharks, Owen Farrell completou duas quebras-de-linha, 40 metros conquistados, um ensaio (excelente a captar um offload de Bosch) e oito placagens (mais que qualquer outro colega dos 3/4’s), num jogo muito intenso e duro.

Farrell foi sempre uma peça fundamental para que o jogo estivesse – quase – sempre sob domínio dos campeões em título. No final dos 80′ nova vitória sorria aos londrinos que agora são a única equipa que não perdeu na European Champions Cup e devem isso, em muito, a Owen Farrell. 67 pontos em quatro jogos, dá uma média de 17 pontos (aproximadamente) por jogo.

O Caso: NOT SO SAINT(S) AS WE THOUGHT

Um pouco de polémica? Os Northampton Saints estão sob alçada disciplinar porque possivelmente não levar a sua melhor equipa até Dublin, naquela que foi uma das maiores vitórias de uma equipa irlandesa ante uma formação inglesa. 60-13 a favor do Leinster, com um atropelamento dos Saints a ficar bem  vincado.

Os irlandeses foram imperiais em todos os sectores do jogo, como provam os 60 pontos finais. A equipa de Northampton ainda começou com o “pé direito” com um ensaio espectacular de Pisi aos 20’… só que depois começou tudo a tremer e, com facilidade, a equipa liderada por Jamie Heaslip somou uma vitória em grande. Passado um dia de ter terminado o jogo, começaram a sair as grandes questões… terão os Saints jogado com a sua melhor equipa? Houve alterações deliberadas para poupar jogadores para o campeonato?

Até este momento, a EPCR (organização que rege as competições europeias de rugby de clubes) afirmou que está a analisar a situação uma vez que destaca que o rugby é um desporto que faz valer o espírito do fairplay, da honestidade e integridade. Há dúvidas se os Saints assim o fizeram, uma vez que já tinham poucas oportunidades por passar à fase seguinte.

É possível que tenha existido um problema desta magnitude? Ou será simplesmente excesso de zelo da EPCR? Dúvidas por esclarecer nas próximas semanas.

Seguem-se duas jornadas de grandes decisões com muito por decidir, em que só há uma equipa invicta (Saracens), dois candidatos em queda (Wasps e Ulster) e uma reafirmação da PRO12. Quem serão os finalistas?

 

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Francisco IsaacOutubro 11, 201637min0

Aí está o “Super Rugby” do Hemisfério Norte, a European Champions Cup, a competição que alberga as melhores formações dos principais campeonatos europeus. Inglaterra, Irlanda, Escócia, País de Gales, França e Itália vão ter a oportunidade de meter as suas melhores “unidades” em campo… serão os Saracens os grandes candidatos? Voltará o Toulon a sonhar? E o Leinster terá coração para se reerguer? Parte I da análise à competição.

O confirmar de um sonho, o início de um Império ou o desiludir de toda uma Nação… é este o espírito da European Champions Cup. Com a final marcada para Maio de 2017 em Edimburgo, vamos começar já no fim-de-semana de 14/15 de Outubro com a 1ª jornada, de 6, das 5 Pools/Grupos da competição. Nesta primeira parte vamos destacar as Pools 1,2 e 3, para depois, na 2ª parte, destacar a 4, 5 com as nossas apostas pessoais de como vai decorrer a competição.

Como funciona a competição? 5 grupos, cada uma com cinco equipas, o que perfaz um total de 20 formações europeias a discutir uma passagem para a fase seguinte. Só os 1ºs de cada grupo é que têm apuramento directo para os quartos-de-final, enquanto que no caso dos 2ºs classificados só se apurarão os três melhores. Ou seja, das 20 equipas só ficarão oito, depois quatro e, no final, duas. Ou seja, vai ser uma luta altamente intensa para conquistar um lugar ao “sol” da maior competição de clubes da Europa… há candidatos anunciados que vão ficar de fora da fase final, newcomers (como o Connacht ou Montpellier) que vão surpreender e deixar os “gigantes” em brasa e todo um Universo de rugby europeu do mais alto nível. É um momento em que o físico vai contra o técnico, em que as formações ordenadas imperam sobre as quebras de linha, em que os rasgos de genialidade vão deixar por “terra” os melhores placadores deste lado do Hemisfério.

A Champions Cup vai para a sua 21ª edição, com os Saracens de Londres como campeões e favoritos a ir à 2ª consecutiva (não será inédito, atenção), teremos muito rugby para “beber e brindar” ao longo de 7 meses (a competição pára entre Fevereiro e Abril devido às Seis Nações). Uma atenção especial a todos os adeptos… a European Champions Cup só é jogada aos fim-de-semana, intercalando com as competições nacionais, algo quase único no desporto Mundial. Ao todo serão 9 fins-de-semana reservados para a competição, com os jogos a decorrer entre 6ªas, Sábados e Domingos.

Em caso de quererem conhecer os campeões europeus dos últimos 21 anos, propomos que vejam directamente no seguinte site oficial da competição: goo.gl/rqypmf. Algumas considerações: o Toulouse (máximo campeão da competição com 4 títulos) está a passar uma fase de reestruturação mas parece estar de volta ao caminho das vitórias, assim como o Leinster de Dublin, onde desponta Johny Sexton (esperemos que este seja o seu ano de regresso às grandes exibições) que estão a tentar voltar a dominar a PRO12… ambas as equipas têm três títulos de campeões europeus, cada. Depois o RC Toulon que vive num autêntico marasmo de emoções (apesar de uma excelente entrada na temporada) com as ameaças do seu presidente (Mourad Boudjellal afirmou que pode estar de saída de uma equipa “amamentada” pelos seus milhões), tendo também três títulos de campeão. De resto, Waps, Tigers, Ulster, Munster vão estar todos presentes para tentarem ir a mais um título da sua história… já o Bath Rugby (época desastrosa em 2015/2016) e o Brive (já afastado destas andanças há uns bons anos) não poderão lutar pelo seu segundo troféu já que estão afastados da European Champions Cup por uma época.

Passemos agora à análise das Pools 1, 2 e 3

POOL 1 – THE DOOM HUSTLE

Quatro super-representantes de cada uma das principais nações do Rugby vão ter que gladiar-se pelo 1º (em caso de queda para um 2º lugar, há que ter o máximo de pontos para ficarem em um dos 2ºs melhores). Da Escócia, o Glasgow Warriors, de França o Racing Metró 92 (vice-campeões da Champions Cup e campeões do Top14 em título), a renovada equipa do Munster (longe dos tempos em que tinha uma “palavra” a dizer na discussão do título europeu) e os Leicester Tigers (em busca de novas glórias, já que desde 2013 não tocam em algum tipo de título).

GLASGOW WARRIORS

Localização: Glasgow, Escócia
Estádio: Scotstoun Stadium (10,000)
Palmarés: 0 títulos europeus; 1x campeão da Pro12
2015/2016: 3º lugar na fase de grupos
Jogador a seguir: Stuart Hogg (Escocês)
Treinador: Gregor Towsend (Escocês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

O ano do adeus de Grego Towsend ao seu Scotstoun Stadium e os Warriors, após 5 épocas em que conseguiu levá-los ao inédito título de campeões da Pro12 (liga que compõe os maiores clubes de Gales, Escócia, Irlanda e Itália), em 2014/2015. Com uma equipa recheada de talentos, poderão fazer algo mais na competição? Só por uma vez é que conseguiram seguir em frente e foi no distante ano de 1997, ainda quando a competição era apelidada de Heyneken Cup, tendo somado só 2ºs, 3ºs e 4ºs lugares na fase de grupo. Agora em 2016, na despedida de um treinador que ajudou a revolucionar os Warriors, a equipa de Glasgow tem uma pequena hipótese de seguir em frente, uma vez que os seus adversários parecem estar ao seu nível: o Racing 92 não está em boa forma (12º lugar no Top14), o Leicester Tigers está muito permeável na defesa (4ª defesa mais batida no Aviva Premiership) mas com um ataque algo “demolidor” e o Munster está a reerguer-se aos poucos (forte arranque de temporada). A equipa dos Warriors tem, talvez, dos melhores XV da Europa liderados pelo “mágico” Stuart Hogg (Internacional pela Escócia e um dos melhores atletas na sua posição a nível mundial), Tommy Seymour, Henry Pyrgos, Mark Bennett (uma autêntica “máquina de guerra”, com capacidade para fazer a diferença em qualquer jogo), Jonny Gray (o gigante capitão) e o regressado Finn Russell, que está desde Maio de fora com uma lesão grave (pescoço). O rugby é rápido na linha de 3/’4’s, há uma vontade de explorar com criatividade a defesa adversária, onde os pontapés altos de Stuart Hogg, são captados pelo mesmo com uma qualidade de excelente “quilate”. A questão está na avançada e na capacidade de gerirem os jogos mais complicados… trancar a oval durante vários minutos, deixar o adversário atingir um grau de frustração que permita a Russell ou Hogg pedirem “postes”, somando pontos preciosos a certos momentos do jogo. A maior experiência do squad fará diferença nesta fase-de-grupos… todavia, dificilmente conseguirão superá-la e deixar o Racing Metró e o Leicester Tigers de fora da fase final. Se é possível acontecer uma surpresa? Sim, claro que sim. Mas para isso há que Jonny Gray conseguir reunir a sua avançada (reforçada com o experiente talonador neozelandês Corey Flynn) e apontar o caminho de um rugby mais inteligente e dominador, em que o apoio tem de ser mais rápido (o problema de perder a oval no ruck ainda é um assunto nevrálgico para o rugby escocês) e efectivo.

Warriors go for Glasgow! (Foto: Craig Watson)
Warriors go for Glasgow! (Foto: Craig Watson)

LEICESTER TIGERS

Localização: Leicester, Inglaterra
Estádio: Welford Road (30,000)
Palmarés: 2x campeões europeus; 10x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Meias-finais
Jogador a seguir: Manu Tuilagi (Inglês)
Contratação a seguir: Matt Toomua (Australiano)
Treinador: Richard Cockerill (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

Go Tigers! é o nosso pensamento para a nova temporada da formação comandada por Richard Cockerill, um treinador que já ajudou os seus Leicester Tigers a levantarem a Aviva Premiership por 3 vezes (2009, 2010 e 2013). Uma equipa pesada, de raça e com uma qualidade gritante, foi ao mercado reforçar-se com Matt Toomua, um dos grandes centros da Austrália que vai trazer entrega, velocidade e capacidade de leitura defensiva. Depois de uma temporada passada desanimadora, é agora o momento de os Tigers tentarem quebrar com a hegemonia dos Saracens e aplicarem o seu bom rugby na Europa. Têm, talvez, das melhores 1ªs linhas do Hemisfério Norte com Tom Youngs na posição de 2, ladeado por Marcos Ayerza (o “tanque” ex-Pumas faz a diferença na formação ordenada) e Dan Cole, o bad boy da Selecção de Sua Majestade. É uma equipa talhada para os jogos de luta e tem uma boa capacidade de resposta, já que acredita, quase sempre, que consegue dar a volta ao rumo dos acontecimentos (primeira jornada da Aviva, chegaram ao final da 1ª parte a perder por 31-03 e acabaram por ganhar 38-31 ao Gloucester). Infelizmente, Manu Tuilagi está a contas com uma lesão (continua a “saga” de injuries atrás de injuries) e Matt Toomua só vai começar a alinhar pelos Tigers a partir deste fim-de-semana (uma semana antes da estreia na Champions Cup). Ou seja, neste momento tem sido Matthew Tait e Peter Betham (o ponta aussie tem dado boa resposta, uma vez que alinha à ponta), com JP Pietersen a ser uma das caras fortes destes Tigers de 2016. Agora… estão num grupo em que o grande rival vai ser o Racing Metró 92, a equipa que o ano passado inviabilizaram a Cockerill a nova final europeia com um 16-19, que deitou por terra esse objectivo. Para esta nova temporada, a entrada de Pietersen e Toomua vai dar outra profundidade às linhas atrasadas, para além de terem uma avançada de grande capacidade. O 1º lugar parece-nos o objectivo mínimo, apesar de terem que ter cuidado com os guerreiros de Glasow e os “matreiros” da província de Munster.

A new type of Leicester? (Foto: ESPN)
A new type of Leicester? (Foto: ESPN)

RACING METRÓ 92

Localização: Paris, França
Estádio: Stade Olympique Yves-du-Manoir (14,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 6x campeão do Top14
2015/2016: Finalista vencido
Jogador a seguir: Dan Carter (Neozelandês)
Contratação a seguir: Anthony Tuitavake (Neozelandês)
Treinador: Laurent Travers e Laurent Labit (Franceses)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Les Ciel et Blanc, em alusão às suas camisolas de jogo muito similares à Argentina, com o azul claro e o branco a preencherem todo o Yves-du-Manoir. Uma época que começou com o “pé” errado, tendo registado, até ao momento, 4 derrotas em 7 jogos do Top14, algo preocupante para os lados de Paris. Os campeões em título do Top14 e vice-campeões europeus, têm um plantel recheado de estrelas, como Daniel Carter, uma das lendas de sempre do rugby mundial, Johan Goosen (classe, velocidade e técnica de pontapé do defesa sul-africano), Bernard le Roux, Eddy Ben Arous, Camille Chat, entre outros jogadores do topo do rugby mundial. Porém, nem todas estas estrelas juntas significaram um início de temporada bom, com as tais derrotas que têm marcado a formação treinada pelos Laurent’s, Laurent Travers e Laurent Labit. Um rugby muito focado no jogo positivo, na procura do espaço, em combinações pulsantes a partir dos alinhamentos, com o eléctrico Imhoff a procurar as tais “brechas”, com o “mágico” Carter a 10 e o incrível gaulês Maxime Machenaud a 9. Falta alguma consistência física, já que o Racing atravessa uma onda de lesões sem precedentes, que tem tirado algumas das estrelas do jogo ou da sua melhor forma. Para além disso, falta profundidade ao jogo dos parisienses, que necessitam de encontrar outras fórmulas de “abater” equipas que se apresentam mais agressivas no contacto e de fechar melhor os gaps defensivos. Um 2º lugar tem de ser um objectivo obrigatório, mas a “batalha” pela European Champions Cup vai ser dura, muito dura… não poderão vacilar nas viagens a terras escocesas ou irlandesas e terão que mostrar ao Leicester o porquê de terem ido à final da temporada passada. Há hipóteses de ir à final, mais uma vez? Depende muito de como Carter recuperar, de como a avançada vai trabalhar nas próximas semanas e se as poucas contratações farão a diferença no fim (de grandes nomes assinou Tuivake, Ali Williams e pouco mais).

Le classe du Racing (Foto: L'Equipe)
Le classe du Racing (Foto: L’Equipe)

MUNSTER RUGBY

Localização: Limerick, Irlanda
Estádio: Thomond Park (25,600)
Palmarés: 2x campeões europeus; 3x campeão da PRO12/Celtic League
2015/2016: 3º do grupo;
Jogador a seguir: CJ Stander (Sul-Africano/Irlandês)
Contratação a seguir: Jean Klyne (Sul-Africano)
Treinador: Anthony Foley (Irlandês)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

Be afraid, be very afraid from the Red Army of Limerick!, como são conhecidos entre as Províncias irlandesas. O exército vermelho está de regresso às grandes “marchas” e poderão ser uma surpresa na competição… se tudo correr bem aos irlandeses e algo de mal correr às formações do Leicester Tigers e Racing Metró 92. Desde 2010/2011 que não há títulos em Limerick, após uma final estupenda frente aos rivais do Leinster… de lá para cá, só foram à final da Pro12 por uma vez (2014/2015) perdida para os adversários da Pool 1, os Glasgow Warriors. Na primeira temporada de Foley, não correu da melhor forma já que ficaram de fora das decisões finais, algo que não acontecia desde 2012/2013, o que prova o carácter “esquizofrénico” desta equipa da província de Munster. Foley tem ideias bem vincadas no estilo de jogo a praticar no Munster, mesmo que 2015/2016 tenha sido uma temporada abaixo das expectativas. A partir de um colectivo forte, encabeçado pelo tremendo asa da Selecção da Irlanda, CJ Stander (Sul-africano de origem), o Munster vai tentar fazer um jogo fechado, de recuperação de bolas altas e de contínuas fases até atingir pontos mais avançados do terreno. Não são muito hábeis nos 8 “monstros”, antes pelo contrário, são muito terra-a-terra, optando por conquistar metros com um jogo mais rudimentar – e pouco entusiasta – mas que serve para atingir objectivos de jogo. Na linha de 3/4’s há alguns astros, seja Connor Murray (internacional irlandês e dono da camisola nº9), o “mago” Simon Zebo e algumas novas potências do rugby irlandês como Cian Bohane (grande início de época, contra o Edimburgo o centro conseguiu “trancar” 12 placagens) ou Darren Sweetnam (ponta rápido, com capacidade de choque e de lutar no “ar”). Peter O’Mahony parece finalmente estar de regresso e será um input fundamental para dar outro “corpo” à 3ª linha dos ulsterinos. Em relação à fase de grupos, como apontamos no BI do Munster, não conseguimos dar qualquer favoritismo à equipa de Foley e até arrisca-se a andar pelo 3º/4º lugar, dependendo de como se vai bater em casa frente às outras formações. Falta algum “charme” às linhas atrasadas e falta alguma consistência, assim como profundidade, para conseguirem “danificar” equipas como o Leicester Tigers ou Racing Metró 92′.

The Stags will rule Ireland? (Foto: Billy Stickland)
The Stags will rule Ireland? (Foto: Billy Stickland)

pool1

POOL 2 – WASPS IN FOR THE WIN

London Wasps terão uma missão “fácil” nesta Pool2, onde estão os enigmáticos do Connacht Rugby (campeões pela 1ª vez na Pro12, na temporada passada), os Zebre Rugby, que terão zero “chances” de ultrapassar esta fase da competição, e a “fénix” do Toulouse que parece ter uma – ou duas – palavra(s) a dizer na discussão da luta pelo 1º. Porém, a equipa inglesa está cada vez mais apetrechada e será difícil para qualquer um dos outros conseguir roubar o spotlight da equipa de James Haskell.

CONNACHT RUGBY

Localização: Galway, Irlanda
Estádio: Galway Underground (8,100)
Palmarés: 0x campeões europeus; 1x campeão da PRO12
2015/2016: Não Participou;
Jogador a seguir: Ultan Dillane (Irlandês)
Contratação a seguir: Eoin Griffin (Irlandês)
Treinador: Pat Lam (Samoano)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

The Devil’s Own, em honra de um regimento de infantaria, os Connaught Rangers, do exército do Reino Unido (findou em 1922) que não arredavam pé do campo de batalha. Toda a massa humana do Connacht é um autêntico “exército” de fiéis à causa em impressionar tudo e todos que duvidam da força da província de Connacht, que até 2016 nunca tinham tocado em qualquer título da Celtic League/Pro12/Heyneken Cup/Challenge Cup, quebrando a hegemonia de Munster, Ulster e Leinster, todas províncias que têm vivido sempre debaixo da “sombra” do sucesso. Agora é a vez dos jogadores de Pat Lam (treinador que pegou a equipa em 2013 e mudou radicalmente a forma de estar dos connachts) usarem o símbolo de campeão, pelo menos durante esta temporada. O início de época foi algo desastroso, com apenas 1 vitória em 4 jogos e quase o último lugar da tabela, so à frente do Edimburgo, Zebre e Bennetton Treviso. O ano passado foi o rugby imediato, de domínio electrizante e onde os 30 jogadores que compunham o plantel transcenderam-se física e tecnicamente, com o tal rugby de domínio, eléctrico, e que, a cada penalidade conquistada, pediam ao abertura de então, AJ MacGinty (transferência para os Sale Sharks), para esboçar um pontapé que lhes desse margem para conquistarem vitórias atrás de vitórias. Sem MacGinty, agora é Jack Carty a assumir o papel de nº10, enquanto não chega Marnitz Boshoff o abertura dos Lions que só chegará em Janeiro (instalou-se uma pequena “guerra” entre os irlandeses e sul-africanos devido a este tema). O rugby de Pat Lam promete muita luta, um rugby de apoio rápido (ao bom estilo dos All Blacks) com algum do sacrifício e garra do espírito à irlandesa. Nesta temporada, tem falhado a comunicação dentro de campo e os reforços ainda não deram mostras de responder às saídas de Rodney Ah You, Robbie Henshaw, George Naoupu ou Aly Muldowney. Para além disso, mais 6 lesionados têm tirado experiência, peso e força ao pack avançado, o que tira capacidade e qualidade ao XV de Lam. Naquela que será a 3ª experiência na fase-de-grupos da Heyneken Cup (última foi em 2013/2014), a equipa do Connacht não ficará em último, mas também não conseguirá atacar os lugares cimeiros da tabela, uma vez que o rugby imponente e imperial dos Wasps se fará sentir e o Toulouse não voltará a falhar a fase final (o ano passado foi um autêntico desastre) como demonstra o seu plantel bem apetrechado. Caberá a Pat Lam, ao grande Ultan Dillane (das novas revelações da Selecção do Trevo) e ao público do Connacht carregar a equipa para outros vôos… conseguirão?

Connacht, a style of life (Foto: PRO12)
Connacht, a style of life (Foto: PRO12)

WASPS RFC

Localização: Coventry, Inglaterra
Estádio: Ricoh Arena (33,000)
Palmarés: 2x campeões europeus; 6x campeão da AVIVA Premiership
2015/2016: Meias-finais;
Jogador a seguir: Danny Cipriani (Inglês)
Contratação a seguir: Kurtley Beale (Australiano)
Treinador: Dai Young (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

The Hornet of the Wasps will make anyone run…. início de temporada devastador, para quem estava do outro lado do campo, dos jogos contra os Wasps. A equipa de Dai Young está com as ideias assentes em reconquistar um título que lhes foge desde 2007. Numa equipa polvilhada por excelentes jogadores, a administração Wasp decidiu trazer mais algumas estrelas para a constelação da equipa de Coventry: Danny Cipriani (desde que ingressou na equipa tem sido um dos melhores, com cross-kicks únicos, passes delirantes para abrir a equipa adversária ou uma visão de jogo bem mais madura), Kyle Eastmond, Nick de Luca, Tommy Taylor (o talonador de 24 anos pode ser uma das futuras soluções para Eddie Jones na selecção inglesa), Kurtley Beale (só regressa em Dezembro, visto que está com uma lesão desde Maio de 2016 no joelho) e Willie Le Roux, o defesa da África do Sul e um dos melhores na sua posição. É uma equipa formidável do princípio ao fim e será a única a conseguir fazer frente aos Saracens em Inglaterra, em termos de fase finais. Dai Young gosta primar por um rugby de “agressividade”, de força e de frieza, apoiado na velocidade imparável das suas linhas atrasadas, como Chris Wade e Frank Halai nas pontas, fornecidos por Danny Cipriani, onde Kyle Eastmond e Elliot Daly completam o par de centros… isto sem contar com as estrelas que ainda não chegaram, como Le Roux ou Beale… por isso, mal esta equipa tenha esses dois inputs e se Dai Young conseguir criar a harmonia perfeita, os Wasps podem “varrer” toda a competição nacional e internacional. Contudo, e com alguma atenção, há a questão da avançada que apesar de ser comprometida e trabalhadora, não é a das mais criativas e intensas… especialmente, sem James Haskell, o asa inglês que tem vindo a “calar” muitos críticos, demonstrando um rugby de raça, energia, onde a placagem é uma honra. Será importante em Dezembro Haskell entrar a “matar”, assim como Beale, para dar um novo reforço de vitalidade e ideias à equipa das vespas de que precisarão para aguentar uma longa temporada. Os jogos grandes com o Toulouse serão, sem dúvida, uma luta acérrima por cada metro, pontapé, placagem, ensaio e ponto, com o favoritismo a cair para o lado dos ingleses, já que o seu rugby parece mais lúcido e completo do que os franceses, que têm feito um bom arranque de época. 1º lugar é o objectivo para voltar à carga pela European Champions Cup.

The sting for the Wasps! (Foto: David Rogers)
The sting for the Wasps! (Foto: David Rogers)

STADE TOULOUSAIN

Localização: Toulouse, França
Estádio: Stade Ernest-Wallon (20,000)
Palmarés: 4x campeões europeus; 19x campeão do Top14
2015/2016: 4º lugar do grupo;
Jogador a seguir: Gaël Fickou (Francês)
Contratação a seguir: Richie Gray (Escocês)
Treinador: Ugo Mola (Francês)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Os maiores campeões da European Champions Cup estão de regresso à boa forma. Após uma época algo decepcionante (5º lugar no Top14 e eliminados no playoff de acesso às meias), a equipa de Ugo Mola está de regresso às boas exibições. Neste início de temporada, e ao fim de 7 jornadas, o Stade Toulousain/Toulouse encontra-se em 5º lugar a 5 pontos do 1º, Clermont. Nas duas primeiras jornadas registaram 2 vitórias, para depois terem uma quebra de forma e, ao fim de 3 derrotas, lá voltaram às vitórias nas duas últimas semanas frente aos rivais do Stade Français e Brive. O rugby toulousiano tenta entrar dentro da linha do rugby francês, ou seja, o tal denominado rugby champagne, com uma ligação à qualidade técnica, à criação de lances de grande espectacularidade, em que a avançada assume o papel de “desmontar” a equipa adversária e os 3/4’s a quererem “brincar” aos pontapés e passes que deixam o público em delírio. Para ter isto, o Toulouse tem uma das linha atrasadas mais completas do rugby francês com os internacionais “gauleses” Sebastian Bézy a formação, Jean-Marc Doussain a 10, Gäel Fickou a 13, Yoann Huget à ponta no apoio a Maxime Médard que está a defesa. Pelo meio, aparece o inglês Tobias Flood, com alguma incerteza na hora de escolher o outro ponta, seja Alexis Palisson ou Semi Kunabuli. A grande contratação foi Richie Gray, o “gigante” escocês que saiu do Castres Olympique para ingressar na equipa de Mola, assim como Guitone. Entre 2015 e 2016, o plantel sofreu alguma “limpeza” com a saída de Louis Picamoles para Inglaterra, por exemplo, ou Corey Flynn para a Escócia… a grande perda – para além do nº8 Picamoles – foi a saída de Vincent Clerc para o Toulon, mas, para já, a linha de 3/4’s tem dado conta do recado. Em termos da European Champions Cup há muito trabalho pela frente, já que os Wasps vão ser um “osso” quase impossível de roer e o Connacht não poderá ser olhado como um simples outsider sem importância. Era bom para o Top14 que o Toulouse voltasse a pegar na “estaca” e impusesse respeito na Europa, já que são das equipas míticas do Continente Europeu… sem eles, parece que a Heyneken/European Champions Cup fica vazia e sem a mesma graça. Para contornar os Wasps (que será uma “batalha” entre 3/4’s), há que pedir um trabalho superior, mais rigoroso e bravo dos avançados do Stade Toulousain… se entrarem numa disputa territorial, sem velocidade ou ritmo, os ingleses vão aproveitar para criar espaços suficientes para irem direitos à vitória. Será uma luta ao estilo das Seis Nações e mal esperamos por vê-la.

Le Stade est moi! (Foto: L'Equipe)
Le Stade est moi! (Foto: L’Equipe)

ZEBRE RUGBY

Localização: Parma, Itália
Estádio: Stadio Sergio Lanfranchi (5,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 0x campeão da PRO12
2015/2016: Não Participou;
Jogador a seguir: Carlo Canna (Italiano)
Contratação a seguir: Joshua Furno (Italiano)
Treinador: Gianluca Guidi (Italiano)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

Ao fim de de dois anos de espera, os italianos do Zebre estão de regresso à competição máxima da Europa. Este retorno à European Champions Cup será, mais uma vez, algo para “espevitar” as hostes italianas em acarinharem a o rugby como uma modalidade importante no contexto europeu e mundial. Todavia, o Zebre não conseguirá fazer qualquer ponto na competição, já que o desnível perante os restantes membros do grupo é avassaladora. Será tudo numa ideia de ganhar experiência, tirar alguns dividendos e tentar, em casa, criar alguma espécie de oposição forte e capaz de não sofrer muitos pontos. O Zebre Rugby ainda está a léguas dos seus restantes “colegas”, uma vez que o rugby italiano só entrou para as Seis Nações em 2000 e a partir de 2010 é que foram convidados para fazer parte da PRO12. Por isso, ainda teremos que esperar alguns anos até termos uma equipa italiana a forçar a sua presença na disputa pelos lugares na fase de grupos. A equipa guiada por Gianluca Guidi tem alguns nomes sonantes, a começar pela grande contratação da temporada: Joshua Furno. O asa italiano estava nos Newcastle Falcons, mas após duas temporadas, abandonou a equipa inglesa e agora ingressa no Zebre. Com ele, a equipa do nordeste italiano terá uma “arma” na 3ª linha, que possa desbloquear certos momentos de jogo assim como trazer uma boa voz na formação ordenada. Kurt Baker, atleta dos 7’s da Nova Zelândia, aceitou o desafio e sai do Hemisfério Sul para ingressar na sua primeira experiência na Europa. Dentro do plantel há o irrequieto e visionário, Carlo Canna, que tem sido uma das boas novidades da Itália nos últimos tempos. As linhas atrasadas têm algumas figuras de interesse “público”, a começar pelo três de trás que será completo com dois internacionais italianos: Mattia Bellini, Giovanbattista Venditti e Kayle van Zyl. Poderá ser por aqui que a equipa faça alguma mossa, sem criar grandes sustos aos seus adversários, uma vez que a formação ordenada não aguenta os 80 minutos e o alinhamento não é confiável… veremos até que ponto as saídas de Leonardo Sarto (Glasgow Warriors), Mils Mulaina (o veterano All Black rumou aos EUA), Mirco Bergamasco, Kelly Haimona, Jean Cook e Luke Burgess farão diferença no resultado final de cada jogo.

The Italian Zebra's (Foto: Zebre Twitter)
The Italian Zebra’s (Foto: Zebre Twitter)

pool2

POOL 3 – A CLASH NOT FOR THE FAINT OF HEART

O sorteio rodou, rodou e rodou…e na Pool 3 estão dois “gigantes” europeus, mais uns galeses prontos para distribuir “placagens” e uma surpresa da Aviva. Os campeões em título, Saracens, vão ter que disputar o 1º lugar com os “milionários” do RC Toulon que bem procuram igualar o feito do Toulouse, sabendo que têm os Dragões de Scarlett a “pairar” nos céus e os “tubarões” do Sale prontos para “mordiscar” a competição e sonharem com uma surpresa.

SARACENS FC

Localização: Londres, Inglaterra
Estádio: Allianz Park (10,000)
Palmarés: 1x campeões europeus; 3x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Campeão;
Jogador a seguir: Owen Farrell (Inglês)
Contratação a seguir: Schalk Burger (Sul-Africano)
Treinador: Mark McCall (Inglês)
Previsão FairPlay: 1º lugar do grupo;

The wolfpack will take the crown? Os campeões em título estão de regresso com um plantel altamente “rico” e apetrechado, para aquela que é, a par do Toulon (Top14), a equipa que mais tem dominado nos últimos 4 anos no contexto Europeu. Em 2016 confirmou-se que também tinham direito à glória europeia e parece que não há fome que sacie estes “lobos” de Londres. Mark McCall está com os Saracens desde 2010 e tem sido uma das peças-chave para o sucesso conquistado por uma formação polvilhada de talento inglês, e não só. Seja por terem Owen Farrell, um chutador de classe mundial que faz lembrar Johny Wilkinson e que não se escusa a placar, terem um defesa de enorme categoria e “coração”, Alex Goode, a terem o melhor nº8 (a par de Kieran Read e David Pocock) do Mundo, Billy Vunipola. O talento internacional também existe já que conseguiram ir buscar o poderoso asa da África do Sul (e uma das lendas dos Springboks) Schalk Burger, que dará outra versatilidade e força à 3ª linha dos “lobos”. Para além disso, imaginem esta primeira linha: Vincent Koch (saída surpreendente dos Stormers), Jamie George (o talonador tem uma qualidade mãos e pés ao nível de Danes Coles) e Mako Vunipola. Se estes três entrarem em total harmonia, vai ser muito difícil quebrá-los no primeiro impacto na formação ordenada… já que nos segundos seguintes, há Maro Itoje (o jogador-sensação da Europa em 2016) e George Kruis (com Jamie Hamilton na sua “sombra”). Por isso, o pack avançado é altamente intenso, forte e capaz de criar problemas a equipas que se apresentem pouco motivadas para entrar numa autêntica “guerra” no chão e no contacto. A linha de 3/4’s é formidável, mesmo com a suspensão de 10 semanas de Chris Ashton (voltou a ter uma reacção e acto ilegais), uma vez que têm Sean Maitland e Chrys Wyles para responder à ausência. É uma equipa que gosta de dominar, de ter bola e de fazer um jogo dinâmico, sem entrar em picos altos de jogo… muito ao estilo de uma África do Sul do ano 2007. Jogam com cautela, mas sempre com um “olho aberto” para o risco, algo que Goode, Wyles, Ashton, Maitland, Taylor bem gostam de fazer. Será uma luta titânica com o Toulon, mas o favoritismo tem de estar do lado dos ingleses… são campeões europeus, têm um plantel recheado e pronto para qualquer problema e há uma vontade em continuar a dominar o contexto europeu.

The Saracen Menace (Foto: David Rogers)
The Saracen Menace (Foto: David Rogers)

RC TOULON

Localização: Toulon, França
Estádio: Stade Mayol (15,000)
Palmarés: 3x campeões europeus; 4x campeão do TOP14
2015/2016: Quartos-de-final;
Jogador a seguir: Ma’a Nonu (Neozelandês)
Contratação a seguir: François Trinh-Duc (Francês)
Treinador: Diego Domínguez (Italo-Argentino)
Previsão FairPlay: 2º lugar do grupo;

Os “milionários” não estão num momento feliz… não é em termos desportivos, já que estão em 3º lugar a 3 do 1º lugar, com um rugby até bem interessante e mexido. O problema é o presidente Mourad Boudjellal que parece estar “cansado” das críticas que é alvo todas as semanas… muito por culpa sua, já que tem tido algumas opiniões e ideias pouco fundamentadas, ou alimentadas por ameaças suas a quem não seguir o que ele pensa. Em termos do European Champions Cup, o Toulon vai bater-se pelo 1º lugar com os “rivais” do Saracens, numa luta que terá de ser bem delineada, já que o ano passado o Toulon via-se na frente em alguns jogos e depois, quase do nada, dava um passo em falso e perdia jogos que estavam ao seu alcance. Já foi uma equipa mais “animada” e que tinha claramente uma fome em dominar todos os jogos, com um rugby sempre muito característico e diferente do típico rugby francês. É o “Real Madrid” do rugby moderno, com uma constelação de estrelas que deram títulos e honras, mas agora parecem estar sob alvo de críticas do seu presidente… entre elas está Ma’a Nonu, um dos bicampeões mundiais pela Nova Zelândia e que tem estado intermitente no RC Toulon; Duane Vermeulen que quando chegou a Toulon era um 8 rápido, com boa capacidade de aceleração e de conquista de metros, acabou por ficar mais pesado e cair numa forma pouco agradável para um jogador internacional. Estas são duas das várias estrelas residentes em Toulon, sendo que para esta temporada foram buscar um novo abertura (Quade Cooper saiu sem ter tido um bom jogo pelos franceses), o internacional francês François Trinh-Duc. O médio de abertura vai ser fundamental para meter a equipa em outra rotação, com um pontapé sempre estratégico, uma capacidade de ser mais um a defender na linha (não foge à placagem ou a luta no contacto) e de ser um dos jogadores com melhor visão de jogo no Top14. Se conseguirem meter Leigh Halfpenny ao nível que estava antes da lesão, terão uma três-de-trás de grande categoria (completada com Josua Tuisova e Bryan Habana que estará de regresso a partir da próxima semana, assim como Drew Mitchell ou James O’Connor que estão lesionados). O que esperar do Toulon de 2016/2017? Melhor que o de 2016. Houve redefinições em termos do plantel, os reforços que chegaram serão importantes e decisivos (seja Clerc ou Goromaru por exemplo) e a “limpeza” foi importante para dar outra mentalidade à equipa. Se chega para serem campeões? Depende dos dois jogos frente aos Saracens.

Can Nonu reign supreme? (Foto: The Guardian)
Can Nonu reign supreme? (Foto: The Guardian)

SALE SHARKS

Localização: Barton-upon-Irwell, Inglaterra
Estádio: AJ Bell Stadium (12,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 1x campeão da Aviva Premiership
2015/2016: Não Participou;
Jogador a seguir: Mike Phillips (Galês)
Contratação a seguir: AJ MacGintyc (Norte-americano)
Treinador: Steve Diamond (Inglês)
Previsão FairPlay: 3º lugar do grupo;

The Sharks are looking for fresh hunt… a equipa de Steve Diamond quer ser uma surpresa na Pool 3 da European Champions Cup. Mas terão capacidade para tal? A equipa dos tubarões realizou uma excelente temporada na época anterior, com um 6º lugar que lhes valeu o apuramento para a maior competição de clubes da Europa. Todavia, esses bons resultados significaram algumas saídas de jogadores que tinham sido fundamentais: Danny Cipriani (Wasps), Tom Brady (Leicester Tigers), Tommy Taylor (Wasps) e Nick McLeod (Newport Gwent Dragons). Cipriani foi, com certeza, a saída mais fracturante para o plantel e forma de jogar, mas a direcção dos Sale Sharks soube responder a esta saída com a contratação de AJ MacGinty, que trará um médio-de-abertura similar a Cipriani, com capacidade de decidir jogos. Não é uma equipa de estrelas, é uma equipa de colectivo de somar alguns jogadores de grande calibre com novas revelações, o que potencia um rugby mais “jovem” com os toques da experiência. Com Mike Phillips a 9, a equipa terá sempre uma rotação inesgotante o que obriga aos avançados quererem trabalhar, correr e apoiar o portador da bola seja em 5 ou 30 metros. Assente nessa ideia, a equipa dos Sale Sharks recebeu dois novos pilares, Laurence Pearce e Kieran Longbottom, que trarão experiência e capacidade de trabalhar bem nas formações ordenadas. Os Sale gostam muito de trabalhar o jogo curto e depois lançar pontapés bem colocados nas laterais, para tentar ganhar algum ascendente sobre os seus adversários. Para além disso, a equipa gosta de procurar capacidade de “comer” território, de encontrar através dos alinhamentos soluções para ganhar pontos importantes nesta presente época. O arranque de época não foi famoso, com 2 vitórias, 1 empate e 2 derrotas (117 pontos marcados para 119 sofridos), mas é algo que se espera de um clube que poucas condições tem de ir ao título. Este regresso à Champions Cup (falharam a temporada passada) vai ser importante para dar força mental aos seus jogadores em quererem algo mais… um descuido e podem cair para último do Pool e terem uma resposta negativa na liga.

A bite from a real Shark (Foto: Sharks FB)
A bite from a real Shark (Foto: Sharks FB)

SCARLETS

Localização: Llaneli, País de Gales
Estádio: Parc y Scarlet (15,000)
Palmarés: 0x campeões europeus; 1x campeão da PRO12/Celtic League
2015/2016: 4º lugar no grupo;
Jogador a seguir: Liam Williams (Galês)
Contratação a seguir: Jonathan Davies (Galês)
Treinador: Wayne Pivac (Neozelandês)
Previsão FairPlay: 4º lugar do grupo;

E nos céus, paira o Dragão de Llaneli! Ao jeito do País de Gales, a equipa de Llaneli tem como símbolo o dragão, um símbolo muito ligado a estas paragens do Reino Unido. Infelizmente, os Scarlets parecem estar a atravessar uma fase da sua existência complicada, com um arranque terrível na PRO12 (só 8 pontos conquistados em 5 jornadas, a 13 do 1º lugar), os Scarlets ainda estão a definir o seu XV base para atacar da melhor forma possível a sua temporada. Houve várias chegadas desde o fantástico centro Jonathan Davies (um jogador que é a emulação do espírito galês de luta, raça e qualidade técnica), à surpreendente vinda do antigo Crusader Johny McNicholl (deverá só chegar em Novembro, altura que expira o seu contrato com a NZRU), ao portentoso Wayne Kruger (saída dos Blue Bulls poderá catapultar Kruger para outro nível) e ao “mago” Rhys Patchell, para além de mais algumas “afinações”. Porém, ao contrário do que se pensava, estas contratações ainda não deram o tónico necessário para mudar os destinos da equipa galesa que anda muito longe dos lugares de decisão da PRO12 (a última vez que passaram a fase regular, foi em 2012/2013 quando atingiram as meias-finais). O problema está na forma lenta e algo desorganizada que os avançados dos Scarlets têm operado e,também, a fraca postura ofensiva dos 3/4’s… felizmente, contra o Connacht (que também não está “famoso” em termos de arranque) conseguiu fazer um jogo completo, equilibrado, em que Liam Williams decidiu desbloquear ao fazer dois ensaios. A partir de meados de Outubro já terão 90% da equipa a jogar, com DTH Van der Merwe a ter regressado no último fim-de-semana (marcou um ensaio), para além de mais uns quantos, que poderão fazer a diferença. Wayne Pivac terá uma época dura pela frente e a European Champions Cup será um teste muito complicado para os seus dragões, que precisarão de “inventar” formas de atacar a linha, para garantir território e bola… seria interessante termos uma equipa galesa em forma, porém duvidamos que seja – ainda – a época dos Scarlets. Para ganhar pontos aos Saracens ou Toulon teriam de fazer o jogo perfeito, imaculado e em que o domínio de bola fosse totalmente garantido, sem perder o “fio à meada” na defesa e sem erros em termos de aproveitamento de lances no ataque. Será uma missão muito difícil, mas na European Champions Cup pode dar-se uma surpresa.

Never play with the Dragons (Foto: PRO12)
Never play with the Dragons (Foto: PRO12)

pool3A parte II fica reservada para a Pool 4 e 5 e uma conclusão final.


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