21 Jun, 2018

A Estreia pelos Wasps e o regresso ao XV – Francisco “Mini” Vieira ep. V

Fair PlayDezembro 21, 20179min0

A Estreia pelos Wasps e o regresso ao XV – Francisco “Mini” Vieira ep. V

Fair PlayDezembro 21, 20179min0
Francisco G. Vieira foi convidado para jogar pelos Wasps na A-League e voltou à titularidade nos Titans. Tudo nesta 5ª página do Diário do internacional

Novembro começou com um fim-de-semana livre, mas não necessariamente um fim-de-semana sem rugby. Estive em Twickenham a ver os All Blacks vs Barbarians, ver o haka ao vivo pela primeira vez, presenciar de perto a chegada de jogadores como Beauden Barrett ou Sony Bill Williams aos famosos portões da catedral do Rugby e “espiar” o Steven Luatua, adversário do fim-de-semana seguinte.

Nada melhor para voltar à titularidade que um grande jogo num excelente estádio contra uma grande equipa, e já no campo, depois de um longo solo de Trompete em honra dos que perderam a vida na guerra, estava cara a cara com jogadores como Tusi Pisi, que me lembro de comentar com o meu irmão a sua genialidade no RWC2011, Tom Varndell, o recordista de ensaios na Premiership ou Siale Piutau o poderoso centro e capitão das Ilhas Tonga.

Apesar de um bom começo e de termos posto os primeiros pontos no marcador, o Bristol acabou por mostrar o seu valor saindo da jornada com a pontuação máxima de 5 pontos, os mesmos que tive de levar na testa, resultado de uma placagem ao Piutau. As semanas que se seguiram foram de treino, não só colectivo como individual e aqui têm um exemplo de um exercício específico para médios de formação.

Temos feito uma vez por semana (restantes dias estão reservados a outras técnicas específicas) no final dos treinos e o principal objectivo sendo condicionamento específico, a ideia é que consigamos atacar as “franjas” do Ruck (atacando ou criando eventuais buracos na Defesa) e mesmo assim conseguir executar um passe com precisão para o 1º receptor, tudo em condições de fadiga. Porque afinal de contas, o que é um Skill se não o conseguimos executar sob pressão?

Com a chegada do Inverno, veio também o frio e a neve, e se toda a pressão de ter de acertar todos os passes em condições atmosféricas razoavelmente favoráveis, já era suficiente para ter de pensar nisso, agora tenho de o fazer sem sentir a mãos.

É complicado, mas não impossível e é apenas uma questão de hábito mas, ter de fazer um passe sem sentir mas mãos, é razão suficiente para que um dos treinos específicos seja simplesmente apanhar a bola do chão e garantir que está segura nas minhas mãos e em posição para fazer o passe. Contudo, a grande história deste mês foi ter tido a oportunidade de vestir uma camisola dos London Wasps e participar num jogo da A-league. Recebi um email a uma quinta-feira do meu treinador a informar que ia estar envolvido num jogo dos London Wasps na próxima segunda-feira.

O jogo foi contra os Newcastle Falcons em Newcastle e infelizmente, desta vez, não tive o prazer de partilhar o campo com o Diogo que esteve envolvido num jogo do campeonato Universitário.

Apesar de ter jogado mais ou menos 15 minutos, onde “evitei” um ensaio para os Falcons e fiz um passe, valeu por toda a experiência e orgulho de vestir uma camisola de um clube tão importante em Inglaterra, e se por alguma razão esperava algum tipo de arrogância, fiquei espantado com toda a simpatia e humildade com que me receberam Staff e jogadores. Foi uma oportunidade que surgiu um pouco à última hora não tendo tido oportunidade de treinar com a equipa.

Apanharam-me a meio caminho e seguimos viagem até Kingston Park, onde no balneário já estava tudo preparado para a nossa chegada. Nada de muito diferente ao que já fui habituado, mas o que captou a minha atenção foi o facto de alguns jogadores usarem os famosos GPS, ter 3 camisolas de jogo de diferentes tamanhos para escolher, toalha com o meu número e mais uma data de equipamento para tornar uma noite fria em Newcastle, não tão fria.

Desta vez não houve 3a parte, e com alguma fome, achei que só quando chegasse a casa poderia comer qualquer coisa quando, para meu espanto, entro no autocarro e descubro que há uma pizza, acabada de fazer, para cada um! E assim acabou o meu dia, sentado na camioneta dos London Wasps, equipa pela qual tinha acabado de jogar, a comer uma pizza com um sorriso na cara a pensar: “Porquê é que as pessoas odeiam Segunda-Feira?”.

Obviamente vi esta oportunidade como motivação extra para continuar a treinar e conseguir chegar ao patamar de uma equipa como os London Wasps. Um mês nada aborrecido,  com a oportunidade dos London Wasps, o convite para o RugbyLab  e para ser uma das “Championship Tales” (https://goo.gl/3nQJGF). Ao mesmo tempo, o retirar da pressão do jogo ao fim-de-semana também me permitiu focar em outros aspectos do meu jogo e com isso sentir me mais à vontade dentro do campo.

Com a chegada de Dezembro, voltei a usar a camisola 9 contra o Ealing Trailfinders e a merecer a confiança para voltar a usar este fim de semana outra vez contra o Ealing Trailfinders numa “back to back fixture”.

Foto: Bristol Rugby

ENGLISH VERSION | VERSÃO INGLESA

November started with a weekend off, but not necessarily a weekend without Rugby. I was in Twickenham crossing items off from my bucket list. I watched the Haka live for the first time as well as the God save the Queen. Also, I was able to see the arrival of the All Blacks team to the famous Rose & Poppy gates. Besides all of this I still got the opportunity to “spy” on one of my opponents for the following weekend, Steven Luatua.

The return of the number 9 to my jersey couldn’t have had a better setup has we would be playing Bristol at Ashton Gate, and after a tribute to those who have lost their lives in the war, I was face to face with the likes of Tusi Pisi, who I remember commenting on his brilliance on the RWC2011 with my brother while  watching him on TV, Tom Varndell, the current record Try holder of the Premiership or Siale Piuatau, the powerful Tongan Captain.

Despite a good start, and we being the first team on the scoreboard, Brisol proved to be one step ahead by taking the 5 points from the fixture with an attacking bonus point, curiously the same amount I had to have on my forehead after tackling Piutau.

The following weeks meant a lot of training, not only collective but also individual and here you have an example of a scrum-halves practice. Usually we do this once a week (on the other days we do other specific skills) after the team session and the main focus is conditioning. The idea is that we can maintain execution in fatigue and in this case, precision while we attack the edges of the breakdown and still manage to give a good ball to the 1st receiver, because, what is skill if we can’t execute it under pressure when it matters?

With the arrival of Winter, obviously the cold came along with it and eventually the snow, and as if it wasn’t enough pressure already having to hit every single pass in reasonably good atmospheric conditions, now I have to do it without feeling my hands! Complicated, yes! But not impossible and it is just a matter of habit, nonetheless not an easy one to acquire. I have to make it an individual practice just to pick the ball up from the freezing ground and making sure it is secure and ready to pass.

However, the story of month was the opportunity I had to represent the London Wasps in an A-League match. I received the email on a Thursday from my coach informing that I would be involved with Wasps in A-league fixture next Monday. Wasps would be playing Newcastle Falcons in Kingston Park and unfortunately, this time, I couldn’t face my Portuguese friend Diogo because he was involved in a BUCS fixture.

In spite of having had only around 15 minutes of game time, it was worth the trip for the pride and honor of representing such an important and historic English club, and if, by any reason, I was expecting some arrogance, I was pleasantly surprised by all the kindness the staff  welcomed me with. The opportunity came in  short notice and that meant I hadn’t had the chance to practice with the Squad. They picked me up on their way to Newcastle where we arrived to an already ready changing room.

Not to dissimilar to what I’ve been used to with the Titans and Gran Sasso, but the thing that caught my attention the most, was the fact that some players where using the famous GPS, the fact that I had 3 playing jerseys for me to choose the size that best fitted me, a towel with my number on it and a bunch of kit to make a cold night in Newcastle not so cold.

To my disappointment, there wasn’t any 3rd half,  I was  starving, however I was overwhelmed when I stepped on to the bus and found out there was a freshly baked pizza for everyone there waiting. And this concluded my day, sitting on the London Wasps bus, the team that I had just played for, eating a hot pizza with a smile on my face and wondering “ Why do people hate Mondays?”.

Not at all a boring month, with the arrival of winter and the first practice with snow falling, the London Wasps opportunity, the invitation to RugbyLab (a Portuguese Podcast goo.gl/g4QgjV) and “Championship Tales” (https://goo.gl/3nQJGF). At the same time, without the pressure of the weekend game, I was able to focus on other areas of my game and with it came another sense of confidence on the pitch. With the start of December, I was back on the number 9 jersey for a back to back fixture against Ealing Trailfinders.

Foto: Bristol Rugby


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