Arquivo de Stanislas Wawrinka - Fair Play

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André Dias PereiraJulho 9, 20183min0

Terminou na segunda ronda a participação Wawrinka em Wimbledon. Este é, aliás, o único torneio em falta para o suíço completar o carreer Grand Slam. Contudo, o helvético estava longe de representar um favorito à vitória final. Depois de recuperar de uma lesão no joelho que obrigou a uma longa paragem, Stan regressou à competição em Roma, perdendo da ronda inaugural para Steve Johnson.

Wawrinka entrou em Wimbledon ainda à procura da melhor forma física e longe do seu melhor ténis. Outrora top-3 mundial, o suíço é hoje 224 do ranking ATP. Havia, portanto, uma expectativa q.b. sobre o que poderia o helvético fazer na prova. E logo na ronda inaugural, o adversário era nada menos que Grigor Dimitrov, número 6 mundial.

Em bom rigor, o búlgaro também não atravessa a melhor fase da carreira. Depois de um 2017 com quatro títulos, entre os quais o ATP Finals, em 2018 ainda não logrou qualquer troféu. O encontro com Wawrinka era, pela história e estatuto dos dois, o jogo mais aguardado para ronda inaugural do Torneio dos Cavalheiros. A vitória acabou por sorrir, de virada, para o suíço: 1-6, 7-6 (7-3), 7-6 (7-5) e 6-4.

O triunfo do helvético representou uma dose importante de confiança. Contudo, não foi suficiente para ultrapassar, na ronda seguinte, o italiano Thomas Fabbiano, 133 do mundo: 7-6 (9-7), 6-3 e 7-6 (6-4). Esta foi, também, a primeira vez que o italiano venceu um set em Major esta temporada. A derrota de Wawrinka acabou por representar uma desilusão depois do feito perante o búlgaro. “Estou muito desiludido por perder um encontro como o de ontem e de hoje. Acho que ontem estava a jogar muito bem”, disse. O helvético acredita também irá regressar à melhor forma. “Aceito sempre que quando estás fora por algum tempo pode demorar algum tempo até voltar ao bom nível e resultados. Não espero que os resultados apareçam de um dia para o outro, depois de uma boa semana de treinos. Sei o quão duro é o ténis, toda a minha carreira tem sido assim.”

Quem também partilha da mesma ideia é Gael Monfils. “Não tenho dúvidas de que vai ficar bem e vai voltar a ficar tão forte como antigamente. Ele trabalha muito e é super apaixonado pela modalidade. Ele é um campeão. Acredito que seja apenas uma questão de tempo.

Marin Cilic, outro favorito, também está fora de Wimbledon. Terceiro cabeça de série e finalista vencido em 2017, o croata foi afastado pelo argentino Guido Pella na segunda ronda.

Quem pode roubar a cena a Federer?

Wimbledon segue agora para os quartos de final. Roger Federer é o grande favorito. O suíço já deixou para trás Dusan Lajovic, Lukas Lacko e Adrian Mannarino não tendo perdido qualquer set. Federer busca o nono título em Wimbledon e o 21º Grand Slam da carreira. Só que Rafa Nadal, Novak Djokovic e Juan Martin Del Potro também ainda estão em cena. Destaque também para Kei Nishikori que, aos poucos, vai regressando à melhor forma. Tal como Wawrinka, Murray (que desistiu de Wimbledon) e Djokovic atravessou o deserto das lesões e busca a melhor forma. Só que, tal como Djokovic, e ao contrário de Wawrinka, o nipónico já tem mais jogos nas pernas desde que regressou da lesão. Neste seu percurso eliminou de Nick Kyrgios (6-1, 7-6 e 6-4).

Existe, também, a possibilidade de Djokovic e Nadal se enfrentarem nas meias-finais. Tudo está, portanto, ainda em aberto. Esta segunda-feira marcou o arranque da semana decisiva de Wimbledon. Alguém pode roubar a cena Federer? Domingo, tudo vai ser decidido.

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André Dias PereiraJulho 2, 20183min0

Arranca esta segunda-feira mais um torneio de Wimbledon. É preciso recuar até ao ao ano de 1877 para lembrar a primeira edição, então vencida por Spencer Gore. Mas de então para cá ninguém foi mais bem sucedido do que Roger Federer. Foram oito vitórias, a última das quais o ano passado.

A questão levantada é se aos 36 anos o tenista suíço vai ampliar a sua lenda no All England Club. Federer parte como favorito, mas a sua condição de número 2 mundial obriga-o a um percurso mais espinhoso para atingir a final. A estreia será feita diante Dusan Lajovic (57º). Mas poderá encontrar Borna Coric – com quem perdeu a final de Halle – ou Marin Cilic, a partir dos quartos-de-final.

Roger Federer repete a fórmula de sucesso de 2017. Este ano falhou novamente toda a temporada de terra batida, regressando em Estugarda. O helvético venceu o torneio germânico e perdeu, depois, a final de Halle. Ganhar Wimbledon é o grande objetivo de Federer para 2018. Foi o próprio quem o disse, explicando que para isso “é importante estar mentalmente forte e em boas condições físicas”.

Como grande rival o suíço terá, como sempre, Rafael Nadal. O espanhol decepcionou nas últimas edições mas, este ano, chega com outra pujança. E com confiança reforçada. Nadal, recorde-se venceu há um mês Roland Garros. O maiorquino arranca no torneio britânico diante o israelita Dudi Cela. Ser número 1 do mundo garante-lhe também um percurso melhor para atingir uma eventual  final. Ainda assim, Del Potro, Denis Shapovalov e David Goffin são alguns possíveis rivais.

Murray ausente, Edmund é a esperança da casa

Quem está fora de Wimbledon é Andy Murray. O britânico desistiu de disputar o torneio britânico na véspera do seu início. A recuperar de uma lesão no quadro, Murray diz não estar em condições de jogar. Aos 31 anos, o bicampeão de Wimbledon atingiu os quartos de final o ano passado. Parado há onze meses por lesão e com uma cirurgia em Janeiro, o seu regresso estava apontado para Wimbledon.

Quem também corre por fora é Novak Djokovic. Com uma temporada irregular o sérvio pode jogar com Nadal nas meias-finais. O início será, contudo, diante Tennys Sandgren. Mais difícil poderá ser Kyle Edmund (18º), que, desde a ausência de Murray se tornou a grande esperança britânica. No Australian Open foi semi-finalista. Em Marraquexe, foi finalista vencido. Agora, a jogar em casa, será interessante acompanhar o seu percurso. Djokovic e Edmund porderão medir forças na terceira ronda.

Jogadores como Alexander Zverev, Nick Kyrgios e Denis Shapovalov são outros jogadores da nova geração que correm por fora. Tal como o já citado Borna Coric, que, na relva, tem evoluído a um nível capaz de conquistar Halle sobre Federer.

Contudo, o jogo mais atraente da ronda inaugural coloca frente a frente Stanislas Wawrinka e Grigor Dimitrov. O suíço está a ter um ano de pesadelo, longe da sua melhor forma e fora do top-200. O búlgaro, número seis mundial, ainda não conquistou qualquer troféu este ano.

Mais do que um torneio, Wimbledon é o mais importante evento de ténis do ano. Tradição, glamour e prestígio aliados a ténis de alto calibre. O torneio dos cavalheiros vai começar.

 

Wimbledon, 2018. O trailer

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André Dias PereiraJunho 6, 20184min0

Roland Garros está a chegar às meias-finais e a pergunta mantém-se. Quem pode travar Rafa Nadal de vencer pela 11ª vez Roland Garros? Se o espanhol já era o grande favorito à vitória, à medida que o torneio se encaminha para o final, poucos apostam contra o maiorquino.

Nadal jogará o acesso às meias-finais contra David Schwartzman. O argentino, vencedor do Rio Open, é 11º mundial e atravessa um bom momento. A vitória contra Borna Coric (7-5, 6-3 e 6-3) e Kevin Anderson (1-6, 2-6, 7-5, 7-6 e 6-2) são exemplos disso. Contudo, a história diz que Nadal venceu os dez encontros com o argentino. O último dos quais no Masters 1000 de Madrid (6-3 e 6-4).

Nadal vem de uma vitória sobre Maximilian Martener (6-3, 6-2 e 7-6), uma das sensações do torneio. O alemão, 22 anos, vive na sombra de Alexander Zverev. Número 70 mundial chegou aos oitavos de final com pouco alarido. Para trás deixou Jurgen Zopp, Denis Shapovalov e Ryan Harrison. Esta foi a terceira vez que jogou no quadro principal de um Grand Slam. As outras foram no US Open 2017 e Australian Open, no início deste ano.

Se confirmar o favoritismo contra Schwartzman, Nadal jogará com o vencedor do jogo entre Marin Cilic e Del Potro. Uma partida sem favoritos entre os números três e cinco mundiais. O argentino, contudo, lidera por 10-2 no confronto directo. De resto, é preciso recuar até 2005 para encontrar dois argentinos nos quartos de final do Major de Paris: Guillermo Cañas e Mariano Puerta.

Thiem na terceira meia-final

Thiem joga pela terceira vez as meias-finais de um Grand Slam. Foto: AFP PHOTO /Christophe Simon

Quem já está nas meias-finais é Dominic Thiem e Marco Cecchinato. O austríaco alcançou a terceira meia-final consecutiva em Paris depois de vencer Alexander Zverev (6-4, 6-2 e 6-2). O alemão, número três mundial, conseguiu pela primeira vez chegar aos oitavos de final de um Grand Slam. Contudo, esperava-se um pouco mais do finalista vencido do ATP Roma. Zverev tem na terra batida um dos seus pontos mais fortes, mas vem sofrendo um desgaste físico que claramente o condicionou na partida com o austríaco. No segundo set precisou de enfaixar a perna esquerda, depois de pedir atendimento médico.

Thiem torna-se, assim, o austríaco que mais vezes chega a esta fase da competição, ultrapassando Thomas Muster, campeão em 1995. E o austríaco tem uma oportunidade de ouro de jogar a sua primeira final de Grand Slam Pela frente terá Marco Cecchinato. O italiano, 72 mundial, é a maior surpresa da prova. Para trás, Cecchinato deixou nada menos que Novak Djokovic (6-3, 7-6, 1-6 e 7-6). O sérvio tem vindo a crescer no circuito mas está longe da sua melhor forma. O mais baixo jogador (1,85 metros) do torneio desde Medvedev, em 1999, esteve suspenso por 18 meses por manipulação de resultados. Agora, obtém para já o melhor registo da sua história. O italiano afastou ainda David Goffin, Marco Trungelliti e Marius Copil.

As desilusões de Roland Garros

Apesar de ter caído nos oitavos de final não se pode dizer que a eliminação de Novak Djokovic tenha sido uma surpresa. O sérvio tem vindo a tentar recuperar a melhor forma e está ainda longe dos seu melhores tempos. Ainda assim, vai obtendo resultados em crescendo face ao registado no início deste ano. Talvez a grande desilusão, para já, seja mesmo Alexader Zverev. Apesar dos inéditos oitavos de final, a verdade é que se esperava mais do número 3 mundial, vencedor do Masters de Madrid, e que chegou a Paris confiante e como o grande adversário para Rafa Nadal.

Já o japonês Kei Nishikori mostrou ainda não ter argumentos para ultrapassar os quartos de final. Ainda assim é possível que em Wimbledon ou US Open tenhamos o nipónico ao nível que nos habituou. Pior estiveram Thomas Berdych, Stan Wawrinka e Jack Sock, todos eliminados na ronda inaugural. O calvário de Wawrinka parece não ter fim. Apesar de irmos a meio da época, ela parece já perdida.

Marin Cilic e Del Potro parecem ser os maiores entraves ao título mais que provável de Nadal. Thiem também pode ser um adversário duro, mas o espanhol continua sem perder qualquer set no torneio. A pergunta mantém-se. Quem poderá destronar o rei da terra batida?

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André Dias PereiraMaio 21, 20184min0

Rafa Nadal conquistou, este domingo, pela oitava vez o Masters de Roma. Uma conquista que recoloca o maiorquino como número um mundial na véspera de Roland Garros. O Toro Miura teve, contudo, que passar por momentos de aperto. É que Alexander Zverev, número 3 mundial, voltou a mostrar que pode ser um osso duro no Major francês.

Depois de vencer o Masters de Madrid, Zverev vendeu a cara a derrota para Nadal em Roma: 6-1, 1-6 e 6-3. O alemão tem feito valer a ideia de que a terra batida é o seu piso preferencial e pode ser o maior obstáculo de Nadal em Paris.

Em alguns momentos, Zverev conseguiu jogar de igual para igual com Nadal. Começou por surpreender quebrando o serviço ao espanhol logo no primeiro jogo da partida. Nadal, contudo, fez valer a sua experiência e variedade de jogo para se impor. No segundo set, Zverev impôs-se como poucos o fizeram frente a Nadal na terra batida. No terceiro set, o alemão chegou a estar a ganhar por 3-1, até a chuva interromper o jogo. E a partir daí tudo foi diferente. Nadal conseguiu virar para a vitória (6-3).

Nadal repete as vitórias de 2005, 2006, 2007, 2009, 2010, 2012 e 2013. O espanhol é o maior campeão da história da prova, que se joga desde 1930. De resto, Espanha tem dominado neste século o torneio de Roma. Desde 2000 que por 11 vezes o título foi para um tenista espanhol. Para além de Nadal, também Juan Carlos Ferrero (2001), Felix Matilla (2003) e Carlos Moya (2004) imperaram em Roma.

Já Alexander Zverev não conseguiu revalidar o título alcançado o ano passado. O alemão parte agora para Roland Garros com o objetivo de quebrar a malapata dos Grand Slam. É que apesar de todo o talento e ser número 3 mundial, o alemão tarda em se afirmar em Major. Na edição de 2017 de Roland Garros, por exemplo, caiu logo na ronda inaugural perante Fernando Verdasco.

Djokovic recupera, Nishikori e Wawrinka nem tanto

Depois de vencer em Madrid, Zverev foi finalista vencido em Roma. Foto: Risesportes.com.br

A edição desde ano do ATP Roma mostrou também a recuperação de Novak Djokovic e reafirmou a consistência de Marin Cilic. Depois das lesões e de resultados menos conseguidos, o sérvio caiu nas meias-finais perante Nadal: 7-6 e 6-3. Num jogo intenso e espectacular, Nolan mostrou que está finalmente em crescendo. Olhando para o seu percurso na terra batida desde o seu regresso, é, contudo, difícil antecipar o que pode fazer em Roland  Garros. Ainda assim, o ex-número 1 mundial é sempre um nome a considerar, embora passe a ideia de estar atrás, neste momento, de Zverev, Marin Cilic e, claro, Rafa Nadal.

E por falar em Cilic, o croata jogou, pela primeira vez, uma meia-final de um ATP 1000 de terra batida. Nas cinco vezes anteriores que jogou os quartos-de-final, perdeu sempre. Desta vez, não atingiu a final porque Zverev foi melhor: 7-6 e 7-5.

Destaque também para Kei Nishikori, que procura igualmente a melhor forma. O japonês caiu nos quartos de final perante Djokovic 2-6, 6-1 e 6-3. Na retina, fica, contudo, um lance de fair play. Cedeu um ponto para o adversário contrariando a marcação do juiz, Carlos Bernardes.

Se Nishikori está longe do seu melhor ténis, o que dizer de Stan Wawrinka? O suíço foi eliminado na ronda inaugural perante Steve Johnson, por duplo 6-4. Actualmente no 23º lugar do ranking, Stan vai jogar o ATP 250 de Genebra, antes de entrar em cena em Roland Garros. É, contudo, pouco crível que possa lutar por lugares cimeiros no Major francês.

No quadro das duplas, destaque para João Sousa. O português tornou-se no primeiro tenista luso a atingir uma final de um ATP 1000. Ao lado do espanhol Pablo Carreño Busta, a dupla acabou por perder a final para Juan-Sebastian Cabal e Robert Farah: 6-3, 4-6 e 4-10.

 

Como Nadal venceu Zverev em Roma

 

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André Dias PereiraAbril 7, 20183min0

Está decidido. Roger Federer vai falhar toda a temporada de terra batida, devendo regressar no torneio de Halle, na Alemanha. A confirmação foi feita pelo suíço após a derrota diante do australiano Thanasi Kokkinakis, no Masters 1000 de Miami. “Decidi não jogar em terra batida. Foi bom voltar a ser o número um em Roterdão, mas manter essa posição não é importante nesta altura”, esclareceu o helvético. Entre outros torneios, Federer falhará Roland Garros.

O multicampeão volta, assim, a repetir a estratégia de sucesso que o levou a fazer um bom segundo de semestre em 2017. Venceu Wimbledon e também em Halle, Shangai e Basileia.

A derrota perante Kokkinakis retirou-lhe a liderança mundial, mas conforme referiu, não é o mais importante neste momento. E, verdadeiramente, há boas chances de Federer recuperar essa condição mesmo sem jogar. Senão vejamos. Nadal defende 4.680 pontos nos próximos meses, apenas  mais100 que Federer.  Contudo, o helvético não terá nenhum desconto até a temporada de relva.

A temporada de terra batida, de resto, apresenta-se como uma incógnita quanto a favoritos. Tudo por conta das lesões. O último torneio de Nadal foi o Open de Austrália. Falhou, depois, Acapulco, Miami e Indian Wells. Apesar de dominante na terra batida há dúvidas sobre as condições em que defende o título de Roland Garros. Murray também só regressará na temporada de relva. Djokovic mostrou estar limitado em Miami e Indian Wells. Wawrinka também recupera de lesão ao joelho e não tem previsão de regresso. Dominic Thiem está inscrito em Monte Carlo mas recupera de lesão no tornozelo. Del Potro e Cilic, os melhores de 2018 a par de Federer, também não têm na terra batida o seu piso preferencial.

Um dos segredos da longevidade de Federer é a gestão do seu esforço. Por isso, a escolha de torneios é muito criteriosa. Até porque, aos 36 anos e com 20 Grand Slams, nada tem a provar, jogando para desfrutar do jogo. A terra batida, ocupa, de resto, um período grande do calendário, necessitando de recuperação e preparação. E é o próprio Federer quem o diz ao jornal francês Le Parisien. “Quem o joga vai precisar de desistir de outra coisa“. O título de Roland Garros em 2009, permite-lhe, igualmente, aceitar melhor esta decisão.

Oportunidade perdida?

Contudo, há quem não corrobore da mesma ideia. Ion Tiriac, director do Open de Madrid, considera que Federer não age de forma correta, comparando o tenista a Lewis Hamilton. “Ele não opta por não competir depois de disputar apenas cinco corridas de F1”.

Federer já o disse. Quer continuar a somar títulos e ser número 1. Com os rivais enfraquecidos por lesões, esta seria uma boa chance para tentar somar um segundo troféu de Roland Garros e em outros torneios. Em todo o caso, seria sempre um favorito. O que nos leva a outra pergunta. Será justo um número 2 do mundo falhar um torneio Grand Slam? E que impacto representa um nome como Federer falhar Roland Garros? O certo é que o mesmo já acoteceu em 2017. Certo é que este ano haverá aumento de premiação. Cada vencedor irá receber 2,2 milhões de euros, mais 100 ml euros do que na última edição. A prova joga-se em 27 de Maio e 10 de Junho.

Em todo o modo é mais uma oportunidade perdida para os fãs verem o suíço jogar. Mas um bom segundo semestre, com o US Open e Masters Final na calha, rapidamente faria esquecer Paris e ver a lenda crescer ainda mais.

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André Dias PereiraDezembro 23, 20173min0

As lesões marcaram o ano de 2017. Djokovic, Murray, Wawrinka, Nishikori, foram algumas das estrelas que sofreram na pele a intensidade do ténis e falharam importantes torneios. Com o início de uma nova temporada à porta todos partem para um novo começo.

Bem, quase todos. Kei Nishikori, afastado desde Agosto por problemas no punho direito, anunciou que não irá participar no torneio de Brisbane, na primeira semana do ano. O japonês adia, assim, o seu arranque de época. Nishikori, 22º do mundo, diz estar “desapontado” por falhar a prova em que este ano perdeu a final para Grigor Dimitrov.

Também Andy Murray, ex-número 1 mundial, está em dificuldades para o arranque de 2018. De acordo com a imprensa britânica, Murray voltou a sentir dores na anca a pode regressar só em Wimbledon.

Recorde-se que o britânico está afastado precisamente desde Wimbledon e o seu regresso está, supostamente, previsto para Brisbane. Apesar de os directores do torneio manterem confiança na participação do ex-número 1, tudo aponta para que Murray se submeta a nova cirurgia. Segundo o The Times, o tenista tinha previsto uma viagem a Austrália para participar em treinos, mas isso não aconteceu.

Dúvidas pairam também sobre Rafael Nadal. O espanhol tinha agendado treinos com João Sousa em Maiorca, mas segundo o português, Rafa cancelou por não estar bem. Nadal desistiu na primeira rodada do Masters Final e deverá participar em duas exibições em Abu Dhabi, antes de Brisbane.

Quem não vai a Abu Dhabi é Stan Wawrinka. O suíço, de 32 anos, está ainda à procura da melhor forma física para se apresentar a um bom nível no Australian Open. Neste momento ainda não consegue disputar pontos, estando ainda a trabalhar a sua preparação física. Há um ano a contas com leão no joelho e desgaste na cartilagem, Stan perdeu também o seu treinador, Magnus Norman, e pensou, inclusivamente, no final de carreira. Com a ajuda do preparador Pierre Paganini – que já trabalho com Federer – Stan deverá voltar no primeiro Major do ano.

Australian Open, o ponto de ignição

Se o arranque de 2018 é marcado por alguns solavancos, todos apontam baterias para o Australian Open, que será como que o verdadeiro ponto de ignição do ano. É lá que, por exemplo, Novak Djokovic e Milos Raonic deverão regressar em pleno. Raonic terminou a sua temporada em Tóquio e teve tempo para preparar a nova temporada, devendo ainda falhar Abu Dhabi, por estratégia. Mas o retorno mais esperado é o de Novak Djokovic.

O sérvio, ex-número 1 do mundo, está confirmado no Tie Break Tens, na Austrália, tal como Nick Kyrgios, como forma de preparar o primeiro Major do ano. Raonic acredita que o Nolan poderá, em 2018, atingir o mesmo patamar de Federer na época passada.

E Djokovic não fez por menos. Apostando tudo em 2018, o sérvio rodeou-se de nomes como Andre Agassi, Radek Stepanek e o analista Craig O’Shannessy. Tudo parece estar a ser pensado ao detalhe para devolver o sérvio novamente à liderança mundial. 2018 promete.

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André Dias PereiraJunho 14, 20175min0

Rafael Nadal repetiu, pela décima vez, a vitória no torneio dos Mosqueteiros. Mais do que um triunfo, foi uma demonstração de força do agora número dois mundial. Uma história de superação, quando todos o davam morto para o ténis, que só os grandes campeões podem proporcionar. Tal como Jelena Ostapenko, a improvável campeã no quadro feminino. A letã, 20 anos de idade, está a começar a escrever a sua história. Mas tal como Nadal, Roland Garros foi um capítulo de um livro ainda por terminar.

Somos felizardos. Vivemos numa era em que o desporto nos proporciona ícones tão grandes que serão recordados não apenas pelas referências e recordes quebrados – tão vincados na cultura do século XXI – ou rivalidades, mas porque atingem uma dimensão que vão além, muito além, do seu próprio tempo. Dentro de 50, 70 anos, quando já estivermos num lar, os nossos netos terão no imaginário lendas como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Usain Bolt, Michael Phelps, Rogerer Federer e Rafael Nadal. Nós poderemos dizer os vimos jogar, correr, nadar, o que for em que modalidade for. Nós presenciámos história. Como no passado domingo, em Paris.

Rafael Nadal conquistou pela décima vez o torneio de Roland Garros, aumentando a sua lenda na terra batida, e tornou-se, com 15 títulos de Grand Slam, o segundo maior vencedor de torneios Major, apenas superado por outra lenda contemporânea: Roger Federer. E pensar que em 2002, há apenas 15 anos, Pete Sampras dizia adeus aos courts como o maior campeão da história, com 14 Grand Slam. Quem poderia imaginar que na geração seguinte surgiriam Roger Federer e Rafael Nadal?

Os dois tenistas estão umbilicalmente ligados ao ténis e ao crescimento qualitativo e de popularidade na última década e meia. Mas o que faz os dois serem recordados como os maiores e uma das grandes rivalidades da história, é a matéria com a qual os campeões se constroem: trabalho, esforço, sacrifício e capacidade de superação.

O regresso do Toro Miúra

Rafael Nadal foi dado como morto para o ténis e o próprio chegou mesmo a dizer, com humildade, que muito dificilmente poderia voltar aos tempos de outrora. O ano de 2017 e este torneio de Roland Garros provaram o contrário.

Com 47 vitórias e sete derrotas em 2017, o Toro Miura ascendeu ao segundo lugar do ranking ATP. E para isso muito contribuíram os triunfos em Monte Carlo, Barcelona, Paris e, agora, Roland Garros, que lhe valeram ainda o apuramento directo para o ATP Finals.

A final deste domingo colocava frente a frente os dois melhores do mundo da actualidade na terra batida. Nadal, pois claro, diante o suíço Stanislas Wawrinka, vencedor em 2015. O espanhol, que renasceu para o ténis como uma fénix, atropelou o rival por 6-2, 6-3 e 6-1, numa clara demonstração de força, classe e capacidade de superação. Tal como em 2008 e 2010, Rafa venceu o torneio sem perder qualquer set. Roland Garros, conhecido como o torneio dos Mosqueteiros, tem em Rafael Nadal o cavaleiro maior dos valores que perpetua.

Wawrinka, finalista vencido e que na meia-final tinha deixado para trás o número um mundial, Andy Murray (6-7, 6-3, 7-5, 6-7 e 1-6) não tem dúvidas em apontar que perdeu para o melhor Nadal de sempre. “Ele está a jogar melhor que nunca desde o início do ano. Mais agressivo e mais perto da rede”, disse o suíço, número três mundial, que voltou a disputar mais uma final de Grand Slam.

Thiem repete meias-finais e Djokovic desilude

Roland Garros não serviu apenas para consagrar o regresso de Rafael Nadal ao mais alto nível. O torneio francês confirmou ainda o crescimento de Dominic Thiem, agora número oito na hierarquia mundial, que repetiu a semi-final alcançada também em 2016. O austríaco, que este ano já venceu no Rio de Janeiro e foi finalista vencido em Madrid e Barcelona, voltou a cair perante o melhor ténis de Rafael Nadal (6-3, 6-4 e 6-0).

Apesar da derrota pesada, o austríaco mostrou-se a um bom plano e revelou que está ao nível que o seu talento sempre prometeu. A prova mais cabal foi a forma como despachou, nos quartos-de-final, o sérvio Novak Djokovic, a grande desilusão do torneio e que tem vindo a ter um 2017 de altos e baixos: 7-6, 6-3 e 6-0. O triunfo do austríaco serviu como ‘troco’ pela eliminação de Roland Garros no ano passado. Desde 2005 que Djokovic não ‘zerava’ um set num Grand Slam. Esta foi ainda a primeira derrota em três sets desde 2013 por parte do sérvio, que agora é quarto no ranking ATP, o seu pior ranking desde 2009.

Jelena Ostapenko, da Letónia para o mundo

Jelena Ostapenko, a improvável campeã letã. Foto: Indian Express

Tem 20 anos, vem da Letónia e saltou para o estrelato em Paris. Jelena Ostapenko conquistou Roland Garros contra todas as expectativas, alcançando o triunfo mais relevante da história do seu país. Ostapenko venceu a favorita Simona Halep na final e logo de reviravolta: 4-6, 6-4 e 6-3.

“Não posso acreditar, estou muito feliz“, disse a letã, que deixou para trás tenistas como Caroline Wozniacki ou Samantha Stosur. Nas meias-finais, a letã deixou para trás Timea Bacsinszky (7-6, 3-6 e 6-3) numa partida em que, ditou o destino, se jogasse no dia de aniversário de ambas e logo na primeira vez que as duas chegavam a esta fase da competição.

É também destas pequenas histórias, destas vitórias inesperadas e destas histórias de superação que o ténis constrói a sua própria história. Este ano, Roland Garros, teve muitas para contar e a certeza que as de Nadal e Ostapenko estão ainda inacabadas.

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André Dias PereiraAgosto 2, 20165min0

Pela primeira vez desde o ano 2000 o suíço termina a temporada sem títulos e há quinze anos que não acabava um ano fora do top-10, sem jogar o ATP Finals. As lesões foram o maior adversário do multicampeão suíço, que se recusa, aos 34 anos, a retirar-se. Não é um adeus. É um até já, promete a lenda.

Se há coisa que a carreira de Roger Federer nos ensina é que não há impossíveis. Foi assim quando, em 2009, ganhou Roland Garros e completou finalmente o carreer Grand Slam após ter perdido três finais para Rafael Nadal. E foi assim depois, quando continuou a contrariar o tempo e a manter-se, mesmo aos 34 anos, no top-3 três mundial a disputar finais.

Mas estará a lenda suíça no fim da linha? É cedo para dizer, mas uma coisa é certa. Pelo menos até ao início de 2016 não haverá mais aparições do multicampeão helvético em jogos oficiais.  É o ponto final numa época para esquecer, marcada por lesões, e a garantia que o suíço vai terminar o ano fora do top-10 mundial, o que acontece pela primeira vez nos últimos 14 anos.

E as coisas até nem começaram mal. Em Brisbane, na Autrália, Federer repetiu a final de 2015 mas perdeu para Milos Raonic. Apesar dos 34 anos de idade o helvético mantém-se fiél ao seu estilo e a um nível raramente visto num tenista da sua idade. É certo que não tem condições para discutir a liderança mundial com Novak Djokovic, no auge da sua capacidade física e de jogo, mas tem vindo a manter-se de forma consistente no top-3 a par de Andy Murray.

Desde 2009, quando Federer conseguiu, enfim, quebrar a maldição de Roland Garros e conquistar o 15º Grand Slam, que o suíço respirou fundo e passou a desfrutar mais do jogo. E isso deve-se, acima de tudo, a uma gestão física exemplar e a um planeamento de torneios criterioso.

E este ano, mais do que voltar a vencer mais um Grand Slam, Federer apostou as fichas nos Jogos Olímpicos. Depois de ter conquistado o ouro em Londres ao lado de Stan Wawrinka, o suíço preparava-se para disputar todas as categorias no Rio de Janeiro, incluindo pares mistos ao lado de Martina Hingis.

Mas a verdade é que Federer nunca conseguiu recuperar da intervenção cirúrgica a que foi submetido após ter sido afastado nas meias-finais no Australian Open. O helvético foi obrigado a parar vários meses, falhando os torneios de Roterdão, Dubai e Indian Wells. O regresso deu-se em Miami mas foi efémero. Um vírus no estômago obrigou Roger Federer a desistir após a primeira eliminatória, prolongando o seu calvário.

Depois do ouro por pares em 2012, Federer apostava época nos Jogos do Rio (Foto: Globo)
Depois do ouro por pares em 2012, Federer apostava época nos Jogos do Rio (Foto: Globo)

Lesões e desistências

E foi em França, em Monte Carlo, já no circuito da terra batida que regressou para vencer o primeiro jogo desde Australian Open, acabando por cair nos quartos-de-final perante Jo-Wilfred Tsonga. Seguiram-se mais duas desistências. O torneio de Madrid e o mais doloroso, Roland Garros, para recuperar de uma lesão nas costas.

Uma vez mais, o ex-número um mundial mostrou fibra de campeão e tentou reerguer-se, apontando baterias a Wimbledon. A caminhada começou em Estugarda, onde caiu nas meias-finais perante Dominic Thiem, um dos melhores do ano até ao momento. Depois, em Halle, onde ganhou por oito vezes, voltou a ser afastado às portas da final perante Alexandr Zverev.

O último capítulo teve lugar no All England Club. Em Wimbledon, a sua prova de eleição, conseguiu afastar Guido Pella, o surpreendente Marcus Willis, Daniel Evans e Steve Johnson, até cair, outra vez, na semi-final, para Milos Raonic.

Federer disse depois adeus à temporada, anunciando que vai recuperar até ao final do ano para tentar surgir na melhor forma no próximo Austrian Open. Pela primeira vez, desde 2000, que acaba uma época sem conquistar qualquer título. E será a primeira vez desde 2001 que terminará o ano fora do top-10 mundial e não jogará a ATP Finals.

As reações

O mundo do ténis e do desporto não demorou a reagir à ausência de Federer nos Jogos Olímpicos, US Open e ATP Finals. “Uma decisão triste, mas sábia”, disse Robin Soderling, tenista sueco que perdeu para o suíço, em 2009, a final de Roland Garros. “O ténis já sente a tua falta”, “É depressivo. Nem quero imaginar quando se retirar”, “É triste. Espero que venha ainda mais forte em 2017”. Kevin Anderson, John Isner, Rio Open, Wimbledon, Miami Open. As reações vieram de todos os lados e de todas as organizações

Que Roger Federer teremos em 2017 é a pergunta que está na cabeça de todos, sobretudo do próprio. Mas se há coisa que com que os grandes campeões são feitos é de fibra para renascerem das cinzas e se manterem no topo. Com Federer sempre foi assim e sê-lo-à até acabar a sua carreira, quando a lenda der lugar ao mito.


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