Arquivo de Monaco - Fair Play

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João NegreiraJulho 29, 20176min0

O mercado de transferências em Inglaterra continua bastante agitado e, consecutivamente, os clubes ingleses continuam a comprar jogadores por quantias exorbitantes, e algumas até injustificáveis. Desta feita, analisamos os negócios de Bakayoko para o Chelsea e de Mendy e de Danilo para o Manchester City.

Tiémoué Bakayoko

Começando pelo campeão em título, o Chelsea, que comprou ao Monaco, Tiémoué Bakayoko. O médio defensivo francês com dupla nacionalidade atuou 51 vezes na época passada pelo clube monegasca e fez uma temporada que encheu os olhos aos responsáveis do Chelsea que acabaram por dar 40 milhões de euros pelo jogador.

Que a qualidade que o jogador tem é inegável, não se questiona, mas o que mais poderá oferecer ao seu novo clube tendo em conta que já lá estão jogadores para a sua posição que fizeram uma excelente época 2016/2017? A verdade é que Kanté e Matic (apesar deste último poder estar na porta de saída) partem em melhores posições para o onze inicial do Chelsea para a nova temporada, até porque é um clube e país novos para Bakayoko, tendo ainda que assimilar as ideias do seu novo treinador. E mesmo estando Matic na porta de saída, ou não, terá sido prudente comprar um jogador por 40 milhões de euros e talvez ter que deixá-lo no banco durante grande parte da temporada? Estes 3 médios mais centrais do Chelsea, terão, à partida, um papel mais defensivo no sistema de Conte, a não ser que um destes possa fazer o papel de Fabregas. Resta esperar para ver o que Conte quererá fazer e que papéis poderão desempenhar esses jogadores.

Quanto ao Monaco, que já vendeu 4 dos seus habituais titulares da época passada, Bernardo Silva, Germain, Bakayoko e Mendy, (falaremos deste último mais à frente) podemos afirmar que será nitidamente difícil suprir as saídas de todos estes jogadores. Mas a saída do médio defensivo francês parece já ter sido colmatada, com a compra de Tielemans, que poderá fazer recuar Fabinho no terreno de jogo, mas também com a compra de Soualiho Meïté, com características semelhantes às de Bakayoko.

Tiémoué Bakayoko, com a camisola do seu novo clube, o Chelsea (Foto: Site – Chelsea)

 

Benjamin Mendy

O lateral esquerdo francês de 23 anos, também ele com dupla nacionalidade, acaba de se tornar o defesa mais caro da história, tendo custado aos cofres dos citizens cerca de 57 milhões de euros.

Após as saídas de Kolarov e de Clichy, era necessário comprar um lateral esquerdo que rendesse a nível desportivo no presente. Posto isto, os responsáveis do clube de Manchester voltaram ao Monaco (depois de já terem comprado Bernardo Silva por 50 milhões de euros) e adquiriram o jogador. Este lateral esquerdo de origem, também pode jogar como médio esquerdo, sendo que após o jogo de preparação com o Real Madrid, conseguimos verificar que Guardiola poderá estar a preparar um novo sistema tático, em que o jogador encaixa nessa outra posição; não obstante o jogador ainda não somou quaisquer minutos com a camisola do City nesta pré-temporada. Apesar disso, o jogador parece ser o mais preparado para jogar no lado esquerdo mais defensivo, seja com 3 ou com 2 centrais atrás de si. A verdade é que na época que passou, Mendy foi peça importante na formação de Leonardo Jardim, sendo ele um defesa lateral bastante atacante, influenciando imenso o jogo ofensivo da equipa.

Falamos outra vez de uma saída do Monaco, e há que referir que neste defeso os citizens pagaram cerca de 110 milhões de euros (pasme-se) por 2 jogadores monegascas. Contrastando com a situação de Bakayoko, o caso de Mendy parece-me ainda um pouco atrasado, pois o substituto natural será Jorge que fez apenas 5 jogos com a camisola do Monaco na época passada, não me parecendo também capaz de desempenhar e de render o mesmo que Mendy. A outra hipótese será Terrence Kongolo, defesa central que pode também jogar a lateral esquerdo, comprado ao Feyenoord por 15 milhões de euros, sendo que um defesa central de raiz a jogar a lateral esquerdo, nunca poderá ter o mesmo impacto ofensivamente como um lateral esquerdo de origem.

Mendy, já com as cores do seu novo clube, o Manchester City (Foto – Site – Manchester City)

 

Danilo

O lateral direito brasileiro de 26 anos, ex- Porto e Real Madrid foi transferido para o Manchester City que pagou por ele cerca de 30 milhões de euros. Após a sua saída para os madrilenos nunca chegou a jogar tanto tempo como nos azuis e brancos, e tem, aqui uma nova oportunidade para se mostrar ao mesmo nível do que se mostrou quando estava em Portugal.

Do lado direito da defesa saiu Pablo Zabaleta, o titular indiscutível, obrigando assim os citizens a contratar, mais uma vez, para o presente. Kyle Walker foi contratado por 51 milhões de euros e parece ser o escolhido para ocupar o lugar da lateral direita, tendo ainda a concorrência de Danilo que também pode jogar como lateral esquerdo. No jogo amigável, há pouco referido com o campeão espanhol, jogou Danilo como médio esquerdo, pois estando Guardiola a preparar um sistema diferente, o brasileiro pode ser uma mais valia, sendo que pode jogar nos dois lados do campo, tendo até afirmado que não estava preocupado em que posição iria jogar, mas sim se iria jogar. O jogador já jogou a alto nível numa das melhores equipas do mundo, tendo já uma vasta experiência de Champions, o que pode jogar a seu favor. No entanto, o jogador não aparenta poder ser o titular de qualquer uma das alas da equipa inglesa, sendo, apesar disso, uma opção muito viável a Mendy e a Walker.

O Real Madrid, perdeu o seu segundo lateral, sendo que tem Carvajal para a lateral direita e Marcelo para a esquerda. Assim, o clube espanhol vendeu o jogador pela mesma quantia que o comprou e o jogador não era indiscutível na equipa; um negócio razoável, tendo em conta os dois anos de salário do jogador. Pois na verdade, o campeão espanhol não terá urgência em contratar alguém para substituir Danilo, recebendo uma boa quantia por ele.

Danilo, a assinar contrato, vestido à Manchester City (Foto: Site – Manchester City)

 

A Premier League é a melhor liga do mundo e, por conseguinte, a mais competitiva. E é sempre difícil para um jogador vir para Inglaterra e afirmar-se na sua primeira época, mas, pelos valores monetários apresentados e pelo valor desportivo que estes 3 jogadores já nos habituaram, a expectativa é grande. Resta aos jogadores compreenderem o que os seus treinadores querem deles e dar em campo o seu melhor.

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Pedro NunesMaio 4, 201712min0

Têm 18 aninhos (ou até menos) mas para eles não é a idade que define o posto. Estes meninos saltaram a fase de serem considerados jovens promessas e já são opções regulares nas suas equipas. Montamos um onze com jogadores deste perfil, que poderão ser as grandes estrelas do mundo do futebol nos próximos tempos.

Nota: para este artigo filtramos apenas jogadores que nasceram depois de 1998 (inclusive) e que já sejam presenças habituais nas suas formações.

Gianluigi Donnarumma (AC Milan | Itália | 25-02-1999 | 18 anos)

Buffon pode ter um final de carreira mais descansado. A passagem do testemunho está a ser feita aos poucos e a sucessão devidamente acautelada. De Gianluigi para Gianluigi, a comparação é óbvia, obrigatória e fácil de fazer. São já várias as vozes que assumem que a seleção italiana tem um homem destinado à sua baliza para mais 20 anos. Donnarumma é feito de tudo o que um guarda-redes de alto nível deve ter. Com cento e noventa e seis centímetros e uma agilidade pouco comum, multiplica-se em defesas de encher o olho, muitas delas completamente decisivas e que já salvaram muitos pontos ao clube.

Para além disto, revela uma capacidade de comando de área “especial” para a idade. Com 15 anos, Inzaghi deu-lhe a oportunidade de se sentar no banco de suplentes contra o Cesena. A estreia deu-se pouco depois, quando um Diego Lopez em baixa forma deu lugar ao menino. Naquela que é, muito provavelmente, uma das piores fases da sua história, este ano zero da formação transalpina pode ser o indicador do que aí vem. A reconstrução começará pela baliza, onde o keeper já pegou de estaca.

Felix Passlack (Borussia Dortmund | Alemanha | 29-05-1998 | 18 anos)

O nome deste versátil alemão surge sempre lado a lado com o de Pulisic, visto que ambos despontaram aproximadamente na mesma altura, aparecendo na equipa principal do Dortmund. No entanto, há algumas diferenças entre ambos que devemos vincar. Enquanto Pulisic é um criativo, Passlack é mais “pau para toda a obra”. Apesar de ter feito a formação como médio ofensivo, não são raras as vezes que o vemos a actuar nas laterais, à esquerda ou à direita. Isto deve-se à excelente capacidade do jovem perceber o jogo, fazendo esquecer a tenra idade.

A estes atributos, adiciona ainda uma capacidade de tackle muito aprimorada e sabe usar muito bem o físico para ganhar duelos individuais. A questão de ter jogado em zonas mais adiantadas do terreno durante a formação faz também com que consiga emprestar à equipa uma capacidade de passe de excelente nível, seja qual for a posição em que jogue. Passlack é, por isso, um dos jogadores mais completos dos “Golden Boys” de Dortmund.

Dayot Upamecano (RB Leipzig | França | 27-10-1998 | 18 anos)

Dayotchanculle Upamecano é, de longe, o nome mais hipster desta lista. Mas não é só isso que faz deste central um jogador diferente. Com apenas 18 anos, contempla um físico de respeito e já se revela um central muito completo, capaz de ser influente em ambas as áreas. Este produto da escola dos clubes da Red Bull já passou por várias etapas na formação dos vários emblemas da empresa. Há poucos sítios melhores para um jovem evoluir neste momento. Os holofotes começaram a apontar para este central quando o RB Salzburgo deu 4 milhões de euros ao Valenciennes pelos seus serviços — valores nada comuns quer para a posição, quer para a idade. Na altura tinha ainda 16 anos.

Antes de ser opção regular para Hasenhüttl em Leipzig, passou pela “filial” em Salzburgo e ainda pelo Liefering, da segunda divisão austríaca, clube que também faz parte da companhia de bebidas energéticas. Pelo meio, foi também campeão Europeu sub-17 juntamente com Mbappé. Numa eventual parelha com Sarr, Upamecano vem para garantir que a ‘zaga’ francesa está aí para durar.

Malang Sarr (Nice | França | 23-01-1999 | 18 anos)

Numa nação que parece não conseguir parar de produzir talento, Malang Sarr é outro dos nomes a seguir com atenção. Só nesta lista cujos perfis são bastante restritos, a França consegue apresentar uma dupla de centrais que pode ser a titular da seleção dentro de 10 anos. Com poucas jornadas por jogar na liga francesa, o Nice continua a ser uma das surpresas da época. E isso tem algumas justificações que saltam à vista. Uma delas é ser uma das melhores defesas da liga.

Lucien Favre pegou na equipa e não torceu o nariz a dar a titularidade a um rapaz de 17 anos, atirando-o às feras. Neste momento, Sarr é um dos jogadores com mais minutos na liga e continua a ser uma das bases da equipa. Dominador no jogo aéreo e, ao mesmo tempo, muito rápido, é um bom protótipo daquilo que se pede a um central do futuro. A falta de experiência não tem sido um problema, pois é um dos factores que este adolescente consegue fazer passar despercebido. A aposta do clube na sua formação é conhecida e os frutos do trabalho desenvolvido começam a ser notados.

Ryan Sessegnon (Fulham | Inglaterra | 18-05-2000 | 16 anos)

Da lista, é talvez o menos conhecido e também o mais novo. O único que nasceu já depois de virar o milénio. Essa questão não o impede de ser titular e cada vez mais influente no Fulham, da segunda divisão inglesa. Ainda adolescente, está no clube desde os 9 anos e estreou-se aos 16 anos e 81 dias. Uma marca absurda. Embora jogue a defesa esquerdo, já fez vários golos com a camisola dos The Whites, fruto da excelente capacidade de chegar à área para finalizar. São 5 golos, 3 assistências e várias nomeações como o melhor em campo.

O grande companheiro de Sessegnon nesta aventura tem sido Scott Parker. O experiente médio tem ajudado o menino a adaptar-se às novas lides, à fama e a manter os pés na terra. Com esta idade e estas capacidades, obviamente já começa a entrar nas cogitações dos grandes europeus. Um caso sério a acompanhar.

Foto: The Sun

Manuel Locatelli (AC Milan | Itália | 8-01-1998 | 19 anos)

A base de uma grande equipa que se quer ganhadora é a chamada ‘prata da casa’. É denominador comum praticamente para todas elas. Normalmente, os jogadores que cresceram e fizeram a formação num clube são os que têm mais entrega quando é tempo de o representar profissionalmente. A revolução rossoneri assenta em devolver ao clube os jovens que foram lá formados e posicioná-los de maneira a que possam ser opções regulares. A par de Donnarumma, Manuel Locatelli é o outro grande talento saído das camadas jovens do gigante adormecido AC Milan. A carreira ainda curta já tem algumas histórias para contar. A mais bonita delas no golo que deu a vitória ao Milan sobre a Juventus – a primeira desde 2012.

O médio foi entrando na equipa para fazer frente às sucessivas lesões que iam aparecendo nas opções do plantel principal para aquela posição. Substituindo Montolivo, tem um papel muito similar de Busquets em Barcelona, colocando-se à frente da linha defensiva e fazendo girar o jogo da equipa para os todos os lados. Usa a capacidade de posicionamento como grande aliado para a sua postura em campo. Para além disso, conta com uma excelente capacidade chegada à área para fazer golos. Com Locatelli, a posição de regista não será dor de cabeça para quem treinar a equipa do AC Milan nos próximos anos.

Christian Pulisic (Dortmund | EUA | 18-09-1998| 18 anos)

Do país do soccer, chega-nos a mais recente coqueluche e grande esperança do país para os próximos tempos – onde lhe colocaram o rótulo de ‘American Messi’. A ascenção deste jovem foi rapidíssima. Tornou-se no estrangeiro mais novo de sempre a marcar na Bundesliga e um mês depois registou a marca de mais jovem a marcar com a seleção dos yanks. As prestações ao serviço das seleções jovens americanas fizeram soar o alarme na prospeção do Dortmund.

Antes disso teve ainda o seu bocadinho de globetrotter — fez testes no Porto, Chelsea, Barcelona e PSV Eindhoven — mas o físico não deixou que a sua carreira prosseguisse nesses clubes. Solucionadas algumas questões relacionadas com a nacionalidade do jogador, está num dos clubes mundiais com melhor ambiente para ajudar à sua progressão. É opção regular de Thomas Tuchel e a história deste menino melhora de dia para dia a olhos vistos.

Tom Davies (Everton | Inglaterra| 30-06-1998 | 18 anos)

Meias para baixo, cabelo loiro sem grandes manias e calções por cima do joelho. Tudo é nostalgia em Tom Davies. O último talento das escolinhas de Finch Farm estreou-se com Roberto Martinez, foi opção válida para David Unsworth e cimentou o seu lugar com Ronald Koeman.

O jogo da consagração foi contra o City, em que o Everton venceu por 4-0, no qual culminou a partida com a sua estreia a marcar. E que golo. Com De Bruyne e David Silva pela frente, o ‘puto’ não se sentiu, de todo, amedrontado e fez uma exibição de encher o olho. Isto apesar de ser apenas a sua segunda partida a titular na Premier League. Volvidos alguns meses, é seguro admitir que estamos perante um dos pilares da equipa de Ronald Koeman. Com todos estes argumentos, o Everton apressou-se a renovar-lhe o seu contrato por 5 anos. O futuro do miolo da equipa de Liverpool passará por aqui.

Foto: Goal

Kai Havertz (Bayer Leverkusen | Alemanha | 11-06-1999 | 17 anos)

Num Leverkusen a tentar encontrar-se a si próprio, Havertz tem sido uma das boas notícias da equipa. O estilo de jogo deste playmaker é o que mais impressiona. A calma com que joga com os mais velhos, procurando sempre ser racional e tomar a melhor decisão possível, augura-lhe um futuro risonho. Nos farmacêuticos, tem vindo a fazer história. Foi o mais novo de sempre a vestir a camisola do Leverkusen na Bundesliga e foi também o mais novo de sempre a marcar pelo clube.

Numas vezes a sair do banco, noutras a titular, a verdade é que o jovem de 17 anos vai ganhando o seu espaço. E até a seleção alemã também começa a ver nele uma das grandes apostas dos próximos anos. É o próprio capitão do Leverkusen, Lars Bender, que se desfaz em elogios ao companheiro de equipa, admitindo que nunca viu ninguém tão completo nesta fase tão embrionária da carreira e que ficou espantando com a maturidade do miúdo ao chegar a um balneário com jogadores profissionais há quase tantos anos como ele tem de vida. Com serenidade e simplicidade – na vida e em campo – o futuro será risonho para este jovem alemão. Ballack e Özil têm aqui um possível sucessor.

Justin Kluivert (Ajax | Holanda | 05-05-1999 | 17 anos)

Kluivert é um apelido já com bastante história no futebol holandês e mundial. A herança é pesada e isso, desde logo, é um desafio ainda maior para aquilo que o Kluivert mais novo poderá vir a ser no futebol. Para já, não se tem notado nem um bocadinho dessa pressão de ter um pai como lenda. Este driblador nato tem vindo a confirmar o seu potencial jornada após jornada e é cada vez mais figura de proa neste Ajax.

O clube de Amesterdão é, como se sabe, uma excelente incubadora para estes jovens talentos em bruto e Justin Kluivert é mais um para lapidar. O estilo de jogo equipara-se a Neymar num contexto mais europeu, com menos técnica e mais ordem tática. Pelas alas, já se estreou a marcar pela equipa — curiosamente no Dia do Pai — e tem sido utilizado a titular, somando minutos numa formação que ainda luta para chegar à final da Liga Europa deste ano.

Kylian Mbappé Lottin (Mónaco | França | 20-12-1998 | 18 anos)

Nasceu em 1998, ano em que Buffon jogava o Mundial de França. Hoje estarão frente-a-frente numa meia final da Champions. Kylian Mbappé Lottin tem deixado a Europa rendida aos seus feitos e à sua maturidade. Os números dizem-nos que, comparativamente a Messi e Ronaldo aos 18 anos, o francês é melhor que ambos. Foi o mais novo jogador de sempre a chegar aos 15 golos na liga. Uma capacidade goleadora astronómica.

Tem marcado em quase todos os jogos com uma consistência inacreditável para um rapaz desta idade. Fez golos nos quartos da Liga dos Campeões, em Dortmund, e é uma das peças fundamentais do Mónaco de Jardim, que vai deixando a Europa de queixo caído. Um bom menino, com a cabeça no lugar. Alia uma capacidade física e técnica a uma humildade significativa para a idade e para a forma como lhe está a correr a carreira. O grande ídolo é Ronaldo e a possibilidade de o enfrentar pela primeira vez na final da Champions está em cima da mesa. A ver vamos.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24 e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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Fair PlayAbril 2, 201716min0

O que é o mundo do futebol? Esta é uma questão que espelha bem a realidade que nos rodeia, em termos absolutos, e que podemos transpor para o fenómeno futebolístico. A realidade que conhecemos é uma ínfima, maior ou menor, parte do todo real e aquilo a que tantos apelidam de mundo do futebol retrata habitualmente uma fatia pequena daquilo que é, do que envolve, da verdadeira dimensão do ‘mundo do futebol’.

Esta pode ser uma viagem pelo meu mundo, de mente e braços abertos, sem preconceitos, procurando abrir horizontes, como tento fazer a cada dia – e já antes da sua criação – no Observatório das Ligas Europeias de Futebol, que começou como uma página de suporte a uma ideia de investigação científica, não concretizada por falta de apoios, mas que se transformou numa referência para quem gosta do alternativo, de se aprofundar nas várias temáticas envolventes do ‘Belo Jogo’, de tirar dúvidas, de seguir a Diáspora portuguesa menos mediatizada, de olhar para todas as ligas europeias, mundiais, secundárias, terciárias, distritais, seguido por diversos profissionais de medias desportivos portugueses e internacionais.

Respondendo ao desafio do Ricardo Lestre em escrevinhar algo para o Fair Play, com liberdade temática, optei por uma crónica de índole mais intimista e pessoal, para fugir realmente ao que se lê, seja na análise de um encontro ou de um atleta, seja nas imensas temáticas que envolvem o futebol e o desporto e que muito me fascinam, a psicologia, o marketing, a comunicação, a promoção.

Portugal sempre viveu confundido, somos uma sociedade confusa e com imensas dificuldades em se olhar ao espelho. Pela minha experiência in loco por toda a Europa, Ocidental, Central, Nórdica, Balcânica, Mediterrânica, pelo Médio Oriente, somos o povo com maior dificuldade em assumir culpas, em se enfrentar ao espelho e isso reflecte-se em todas as áreas, na justiça, na saúde, na educação e, claro, no desporto.

O meu gosto pelo desporto nasceu cedo, talvez por razões genéticas, sem grandes influências directas, mas crescendo rodeado de alguns jovens que seriam futuras estrelas do(s) desporto(s) português(es), e logo tido, respeitado e procurado como ‘enciclopédia desportiva’, na verdadeira essência da expressão, ao contrário do utilizado em Portugal para tantos outros. A confusão que se faz entre se saber um pouco, ou bastante, de futebol – desde tenra idade – e realmente ter-se conhecimento multidesportivo é uma das notas fáceis de conotar com a falta de cultura desportiva portuguesa e como se toma o futebol por todo o desporto.

Foto: Getty Images

Desde os 12 anos, talvez, ainda os jornais desportivos lusos eram editados três vezes por semana, que chegava à escola com o periódico debaixo do braço, pernas arqueadas e dar ‘postulados’, de quando em vez, para receber os ‘cognomes’ de ‘Mister’ ou ‘Almirante’ (sim, gostava do David Robinson, é verdade, entre outras estrelas da NBA). Eram tempos em que nos intervalos de aulas não se falava apenas de futebol, discutia-se andebol, o basquetebol da NBA, que acabava de chegar à RTP2, hóquei em patins (em escola de ‘campeões’ como Reinaldo Ventura – ainda me lembro quando calçou patins as primeiras vezes no café do seu padrinho, deveria ter ele 2/3 anos), voleibol, Fórmula 1, Rali, Moto GP, entre os amantes de Kevin Schwantz, de Wayne Rayney, de Wayne Gardner, de Eddie Lawson, de Mick Doohan e eu, um confesso admirador do espectáculo que Randy Mamola trazia a cada corrida, em interessantíssimas e ricas conversas (não, não se pense que apenas se discutia desporto).

Mais tarde, já adolescente, no café matinal cruzava-me por vezes com as ‘estrelas’ jovens do Salgueiros, Pedrosa e Sá Pinto, um bar chamado ‘Help’ onde as manhãs (pelas 8h00) tinham grandes ‘serões’ futebolísticos, entre N conversas paralelas, as dicotomias entre secundária e colégio, que ali partilhavam espaço, o fumo, a confusão, por vezes ânimos exaltados, mas sem nunca ir além de encontrões, o futebol ganhava dimensão e a minha voz era solicitada, afinal já tinha experiência passada de rádio (ainda eram piratas quando o fiz) e apresentava argumentos bem justificados e ponderados, qual século das luzes, eram mesmo o final dos anos 80 e anos 90.

A vantagem de cedo e facilmente aprender e conhecer outras línguas, das viagens quando ainda nem tinha a maioridade completa, de ter acesso a parabólica, deram-me imensos utensílios, ferramentas para me aprofundar neste meu amor, o desporto.

 

Foto: sjpf.pt

Amor!

Eis mais um tema onde o português se confunde, os significados e significâncias das palavras amor, paixão, tesão, obsessão fundem-se e baralham-se nas mentes, seja em termos latos, seja no sentido estrito que aqui se relaciona – o futebol. Existe uma enorme obsessão por clubes em Portugal, não é amor, pode ser paixão, mas é muitas vezes obsessão pura, ali encontrando uma fuga, uma relação para substituir problemas na ‘vida real’.

É engraçado como tanto se diz e escreve que os portugueses amam ou adoram o futebol… mentira. Nota-se que não existe tanto interesse assim pelo futebol no seu conceito mais puro, há gostos relativos, entreténs, mas não uma adoração, essa existe – como acima notado, a extravasar para a obsessão – por equipas de futebol. Essa é uma parte, importante, dos problemas constantes, crónicos e estruturais do futebol português. Não havendo um amor pelo jogo, uma capacidade de compreender para além do próprio umbigo, onde se incluem profundamente vários dos responsáveis de clubes, de pensar micro e macro, de raciocinar e não agir meramente por emoções, aceitando – após esfriar a mente – as derrotas como parte da vida.

Percebe-se – ou intui-se, pelo menos – que o ‘Belo Jogo’ na visão portuguesa apenas existe na medida da vitória do clube desse indivíduo, basta ouvir comentários do género “bom mesmo é ganhar nos descontos com penálti inventado” para se ter essa noção bem presente. Isto tem muito a ver com a falta de cultura desportiva, uma ausência de respeito mútuo, uma sensação de impunidade e o gosto pela trapaça, pelo ‘chico-espertismo’, que tanto caracterizam a sociedade portuguesa.

Foto: Fotos da Curva

Media

A obsessão mediatizou-se, assumiram gestão dos media portugueses pessoas com estas visões redutoras, que entendem o fenómeno futebol como a soma de três partes, acrescentando-lhes outras duas ou três, como sejam a selecção sénior masculina e os mediáticos Mourinho e Cristiano Ronaldo, deixando de valorizar aquilo que faz cada clube existir, a competição.

Se não existissem competições a sério essas forças tão sobrevalorizadas pelos media portugueses não seriam nada além dos Harlem Globetrotters do futebol ou, se preferirem, o Hungaria, aquela famosa equipa de desertores magiares liderada por Daucik e onde estavam Fuzesi, Liska, Gyula Toth, Hrotko, Zsengeller, Ferenc Mészáros (o que alinhou no Sporting Braga nos anos 50), Janos Kiss, Andrej Nagy, Imre Danko, Turbeky, Bela Sarosi, Monsider, Rakoczi, Magay, Marik e, claro, a lenda Kubala, que brilharam em amigáveis na Europa Ocidental enquanto a FIFA não permitiu que alinhassem por clubes do lado de cá da ‘Muralha de Ferro’, geniais, mas uma equipa de amigáveis, que seria aplicável a estas mesmas equipas caso não existissem ligas, taças e outras competições.

As televisões contratam especialistas a peso de ouro, muitos deles pelo menos, mas sem o necessário conhecimento, são indivíduos que se guiam por uma avaliação de campeonatos e equipas assente em visões enviesadas dos mesmos, desconstroem uma liga por três ou quatro equipas que vêem ou, ainda pior, assentes em pressupostos definidos alguns anos antes, já desactualizados e descontextualizados, como se vem notando desde 2015, por exemplo, com a Série A italiana.

Foto: imortaisdofutebol.com

Exemplos

Como nas outras áreas da sociedade e onde os media intervêm, as comparações cingem-se quase sempre a nações/liga de comparação quase impossível, seja pelos distintos estágios de desenvolvimento/capacidade económico-financeira, população, desenvolvimento industrial, mas a falta de capacidade para ir além do óbvio traz este recalque cíclico.

Ainda sou do tempo em que os estádios portugueses – como os pavilhões – estavam bem compostos. Por um lado, os clubes não souberam acompanhar a evolução dos tempos, o surgimento de tantas novidades ao nível do entretenimento, o afastamento dos mais jovens, a vertente virtual-social, a comunicação, todas estas áreas continuam com exploração desajustada e pouco potenciada, acordando-se tarde para todos estes fenómenos, a nível de clubes e estruturas federativas nacionais e regionais.

Por outro lado, o serviço público de televisão tem muito que se lhe aponte. Ainda hoje tenho conversas onde me lembram dos tempos do domingo desportivo e das tardes de sábado e domingo com desporto na RTP2, com os directos das várias modalidades. Esse serviço era essencial. Apesar de hoje ser mais fácil encontrar toda a informação, o ser humano é preguiçoso, é como deixar de se raciocinar para fazer um cálculo ou lembrar uma informação quando se tem uma ligação à internet disponível e dois cliques ou três dão a resposta – ou não. Ter o ‘cartaz’ dos jogos, dos horários, fazer abordagens com o devido distanciamento e sem a obsessão acima identificada, levava o adepto mais facilmente ao estádio, estava motivado por toda aquela informação que lhe entrava pelo televisor adentro.

A RTP subtraiu-se por completo do seu dever enquanto serviço público, no que ao desporto diz respeito, não só deixou de garantir os directos das várias modalidades (excepção aos grandes campeonatos de atletismo e à Volta a França, além de uma ou outra adenda mais) como também se abstraiu de passar quaisquer informações sobre o desporto português, optando pela estratégia de ‘seguidismo’, que nunca deveria guiar um serviço público de televisão. Sim, transmitiu os Jogos Olímpicos, sim, vai assegurando uma ou outra, como os mundiais de hóquei em patins, mas sem o devido enquadramento e acompanhamento que permita ao telespectador melhor compreender e querer se aprofundar, querer ir ver ao vivo, ganhar interesse. Ao invés, perde horas de discussões vazias sobre tácticas e tacticismos em torno de três equipas de futebol, traz comentadores às manhãs, tardes e noites informativas, bem pagos, para se debruçarem apenas sobre isso, continuamente.

Foto: RTP

Escolas

Uma das temáticas que mais me fascina dentro do universo futebol relaciona-se com as escolas de futebol. Como na música, na filosofia, na literatura, no cinema e noutras áreas, o futebol também tem escolas bem vincadas e cada uma delas com características muito próprias. É interessante notar como os italianos são os classicamente associados ao tacticismo, ainda que sejam mais cínicos do que tacticistas, não têm a obsessão absurda que lhes é conotada por tal, sabem é tirar o melhor partido das tácticas para o sucesso (ou sabiam), contudo os técnicos franceses são realmente absurdamente obcecados pelo tacticismo, uma das razões do seu insucesso europeu, o frenesim pela gestão do golo marcado impede-os de serem mais ambiciosos e chegarem mais longe. A inteligência de Leonardo Jardim percebeu isso, notando-se o sucesso da ousadia – que nunca se lhe tinha visto antes – no Mónaco 16/17.

As escolas de futebol são-no de treinadores, mas também de futebolistas, de formação de futebolistas, onde Portugal também necessita de melhorar. O exemplo alemão, de trabalhar os jovens nas várias posições dentro da sua zona de intervenção, de experimentarem as outras zonas de intervenção, no seu processo de aprendizagem, faz seniores capazes de desempenhar funções muito mais amplas no terreno, dão uma versatilidade obrigatória num desporto sempre em movimento e em evolução.

Seria fastidioso viajar pelas várias escolas, mas um dos casos mais contagiantes pela sua inesperada idiossincrasia é o servo-croata. Mesmo tendo-se desenvolvido para o futebol moderno dentro de um mesmo país, a Jugoslávia, dispondo de armas técnicas desportivas de topo, o que facilmente se comprova com quase todos os países resultantes do fim da Jugoslávia se terem tornado referências nas várias modalidades, no basquetebol, no andebol, no voleibol, no pólo aquático, nas vertentes masculina e feminina de todas, a verdade é que a Sérvia apresenta-se com jogadores tecnicamente dotados mas uma vertente de jogo muito anglófona, como que bebida do antigo modelo inglês de futebol, física, menos burilada colectivamente, enquanto a Croácia ganhou o epíteto de ‘Brasil da Europa’, o perfume dos seus futebolistas parece ser ainda maior dado o rendilhar futebolístico que boa parte das suas equipas apresenta, tantas vezes abdicando mesmo de um médio defensivo (quando o fazem é comum avançarem um central para posição), para terem unidades de criação no miolo.

É fascinante, como o é a forma tão única da Eslovénia jogar andebol, um ‘andebol total’ que pode não dar títulos mas chega a dar ‘ouras’ de ver, os seis em constante movimento. Escolas tão distintas que evoluírem até 1990 em comum, dentro de um mesmo país, mas que ainda assim criaram identidades nacionais (para quem não sabe, um país pode ser ou ter um conjunto de nações).

Foto: Record

Mundo do Futebol

Já vi jogos de todas as camadas jovens, desde os benjamins até aos veteranos, já mirei partidas de mais de 100 países, em mais de metade destes olhei para diversos escalões, sempre procurando enquadrar o meu próprio visionamento no contexto de cada faixa etária ou escalão. Claro que se pode comparar um encontro do quinto escalão sueco com a Allsvenskan, mas de forma vazia, em sentido lato apenas, um desafio de uma quinta divisão deve ser enquadrado dentro do contexto desse escalão e, mesmo ao estabelecer pontes comparativas com quintas ou quartas divisões de outros países, deve-se ter bastante cuidado, para compreender os estágios evolutivos, o nível de preparação, de treino, a escola.

É curioso como várias vezes leio, ouço comentários depreciativos sobre ligas, outras ligas, outros futebolistas, habitualmente por desconhecedores, que se limitam a ler ou ver algo sobre essa situação, que porventura nem uma partida viram, mas apresenta logo um juízo de valor, assente na sua própria realidade, curta, ou em visões distorcidas que são alimentadas, bebidas dessas estéreis horas de televisão dedicadas a partes mínimas do futebol e com as mesmas ideologias desconhecedoras das realidades.

Só assim se compreende a crítica da liga mexicana, a piada à liga japonesa, o desrespeito pelos feitos na liga polaca, o riso perante as ligas do Médio Oriente e a incompreensão (europeia) do porquê talentos daquelas regiões não rumarem à Europa, o achincalhamento da liga chinesa, como se alguém que rotula as escolhas de futebolistas pela CSL iria abdicar de se mudar para o mesmo local se lhe oferecessem três, quatro, dez vezes o salário que aufere, além de tudo o resto pago, habitação de luxo e restante enquadramento.

Foto: essentiallysports.com

Eu gosto de ir à Islândia virtualmente ver jogos, já adorava antes do Europeu 2016, de ver os pitorescos sintéticos das Ilhas Faroé, de me imaginar a atravessar uma vinha georgiana para chegar a três degraus cheios de erva e assistir a uma partida local, de ver o comboio a passar o estádio na Eslováquia, de ir até ao reino do Butão e ver a liga local ou sentir o frenesim vibrante das ligas nipónicas, sempre a acelerar, de atravessar o antigo relvado do Platanias e ver o Mediterrâneo atrás da baliza, de sair do Riazor e ir tomar um banho gélido nas águas do Atlântico, de sentir o Adriático a entrar pelo Kantrida de Rijeka ou de passear pela Riviera francesa e me perder nos vários campos e relvados locais, entre as vilas e os areais, tenho saudades de chegar a Turim e escandalizar os locais como adepto ‘Granata’ e ‘Bianconero’, gosto do Torino e da Juventus, é verdade, ou deixar em choque os escoceses por ser um católico de 12 ou 13 anos e preferir o Rangers ao Celtic, de passear pelas margens do Reno à espera de ver o Fortuna no Rheinstadion, de virtualmente ver as ligas secundárias australianas, do Território do Norte à Tasmânia, as ligas indonésia, filipina, de me fascinar com os estádios a rebentar pelas costuras na República Democrática do Congo, do ‘Todo Poderoso’ Mazembe, de ver os perigos que rodeiam os ‘derbies dos derbies’, do Al Ahly x Zamalek em Cairo, dos Boca x River e Nacional x Peñarol, separados por dois países mas apenas uma baía, de ver o sucesso ‘luso’ dos ‘Ferroviários da Transilvânia’, o Ce-Fe-Re de Cluj-Napoca, de imaginar-me a viajar interminavelmente de Kaliningrado até Vladivostok para observar os ‘Tigres’ do Luch receberam o Baltika, ou ir até à ilha de Sacalina ver o Sakhalin, em pleno Pacífico, a passear pelo Shopping de Belgrado antes de subir ao seu topo para observar o Vozdovac, gosto, adoro tudo isto e tanto mais, pois o mundo do futebol é enorme, sem fim.

O dérbi do Cairo. (Foto: footyfair.com)

Artigo da autoria de António Valente Cardoso – Observatório Ligas Europeias de Futebol e autor do livro “Globall – Do Foot-Ball ao Futebol”


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