27 Abr, 2018

Arquivo de Monaco - Fair Play

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João NegreiraJulho 29, 20176min0

O mercado de transferências em Inglaterra continua bastante agitado e, consecutivamente, os clubes ingleses continuam a comprar jogadores por quantias exorbitantes, e algumas até injustificáveis. Desta feita, analisamos os negócios de Bakayoko para o Chelsea e de Mendy e de Danilo para o Manchester City.

Tiémoué Bakayoko

Começando pelo campeão em título, o Chelsea, que comprou ao Monaco, Tiémoué Bakayoko. O médio defensivo francês com dupla nacionalidade atuou 51 vezes na época passada pelo clube monegasca e fez uma temporada que encheu os olhos aos responsáveis do Chelsea que acabaram por dar 40 milhões de euros pelo jogador.

Que a qualidade que o jogador tem é inegável, não se questiona, mas o que mais poderá oferecer ao seu novo clube tendo em conta que já lá estão jogadores para a sua posição que fizeram uma excelente época 2016/2017? A verdade é que Kanté e Matic (apesar deste último poder estar na porta de saída) partem em melhores posições para o onze inicial do Chelsea para a nova temporada, até porque é um clube e país novos para Bakayoko, tendo ainda que assimilar as ideias do seu novo treinador. E mesmo estando Matic na porta de saída, ou não, terá sido prudente comprar um jogador por 40 milhões de euros e talvez ter que deixá-lo no banco durante grande parte da temporada? Estes 3 médios mais centrais do Chelsea, terão, à partida, um papel mais defensivo no sistema de Conte, a não ser que um destes possa fazer o papel de Fabregas. Resta esperar para ver o que Conte quererá fazer e que papéis poderão desempenhar esses jogadores.

Quanto ao Monaco, que já vendeu 4 dos seus habituais titulares da época passada, Bernardo Silva, Germain, Bakayoko e Mendy, (falaremos deste último mais à frente) podemos afirmar que será nitidamente difícil suprir as saídas de todos estes jogadores. Mas a saída do médio defensivo francês parece já ter sido colmatada, com a compra de Tielemans, que poderá fazer recuar Fabinho no terreno de jogo, mas também com a compra de Soualiho Meïté, com características semelhantes às de Bakayoko.

Tiémoué Bakayoko, com a camisola do seu novo clube, o Chelsea (Foto: Site – Chelsea)

 

Benjamin Mendy

O lateral esquerdo francês de 23 anos, também ele com dupla nacionalidade, acaba de se tornar o defesa mais caro da história, tendo custado aos cofres dos citizens cerca de 57 milhões de euros.

Após as saídas de Kolarov e de Clichy, era necessário comprar um lateral esquerdo que rendesse a nível desportivo no presente. Posto isto, os responsáveis do clube de Manchester voltaram ao Monaco (depois de já terem comprado Bernardo Silva por 50 milhões de euros) e adquiriram o jogador. Este lateral esquerdo de origem, também pode jogar como médio esquerdo, sendo que após o jogo de preparação com o Real Madrid, conseguimos verificar que Guardiola poderá estar a preparar um novo sistema tático, em que o jogador encaixa nessa outra posição; não obstante o jogador ainda não somou quaisquer minutos com a camisola do City nesta pré-temporada. Apesar disso, o jogador parece ser o mais preparado para jogar no lado esquerdo mais defensivo, seja com 3 ou com 2 centrais atrás de si. A verdade é que na época que passou, Mendy foi peça importante na formação de Leonardo Jardim, sendo ele um defesa lateral bastante atacante, influenciando imenso o jogo ofensivo da equipa.

Falamos outra vez de uma saída do Monaco, e há que referir que neste defeso os citizens pagaram cerca de 110 milhões de euros (pasme-se) por 2 jogadores monegascas. Contrastando com a situação de Bakayoko, o caso de Mendy parece-me ainda um pouco atrasado, pois o substituto natural será Jorge que fez apenas 5 jogos com a camisola do Monaco na época passada, não me parecendo também capaz de desempenhar e de render o mesmo que Mendy. A outra hipótese será Terrence Kongolo, defesa central que pode também jogar a lateral esquerdo, comprado ao Feyenoord por 15 milhões de euros, sendo que um defesa central de raiz a jogar a lateral esquerdo, nunca poderá ter o mesmo impacto ofensivamente como um lateral esquerdo de origem.

Mendy, já com as cores do seu novo clube, o Manchester City (Foto – Site – Manchester City)

 

Danilo

O lateral direito brasileiro de 26 anos, ex- Porto e Real Madrid foi transferido para o Manchester City que pagou por ele cerca de 30 milhões de euros. Após a sua saída para os madrilenos nunca chegou a jogar tanto tempo como nos azuis e brancos, e tem, aqui uma nova oportunidade para se mostrar ao mesmo nível do que se mostrou quando estava em Portugal.

Do lado direito da defesa saiu Pablo Zabaleta, o titular indiscutível, obrigando assim os citizens a contratar, mais uma vez, para o presente. Kyle Walker foi contratado por 51 milhões de euros e parece ser o escolhido para ocupar o lugar da lateral direita, tendo ainda a concorrência de Danilo que também pode jogar como lateral esquerdo. No jogo amigável, há pouco referido com o campeão espanhol, jogou Danilo como médio esquerdo, pois estando Guardiola a preparar um sistema diferente, o brasileiro pode ser uma mais valia, sendo que pode jogar nos dois lados do campo, tendo até afirmado que não estava preocupado em que posição iria jogar, mas sim se iria jogar. O jogador já jogou a alto nível numa das melhores equipas do mundo, tendo já uma vasta experiência de Champions, o que pode jogar a seu favor. No entanto, o jogador não aparenta poder ser o titular de qualquer uma das alas da equipa inglesa, sendo, apesar disso, uma opção muito viável a Mendy e a Walker.

O Real Madrid, perdeu o seu segundo lateral, sendo que tem Carvajal para a lateral direita e Marcelo para a esquerda. Assim, o clube espanhol vendeu o jogador pela mesma quantia que o comprou e o jogador não era indiscutível na equipa; um negócio razoável, tendo em conta os dois anos de salário do jogador. Pois na verdade, o campeão espanhol não terá urgência em contratar alguém para substituir Danilo, recebendo uma boa quantia por ele.

Danilo, a assinar contrato, vestido à Manchester City (Foto: Site – Manchester City)

 

A Premier League é a melhor liga do mundo e, por conseguinte, a mais competitiva. E é sempre difícil para um jogador vir para Inglaterra e afirmar-se na sua primeira época, mas, pelos valores monetários apresentados e pelo valor desportivo que estes 3 jogadores já nos habituaram, a expectativa é grande. Resta aos jogadores compreenderem o que os seus treinadores querem deles e dar em campo o seu melhor.

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Pedro NunesMaio 4, 201712min0

Têm 18 aninhos (ou até menos) mas para eles não é a idade que define o posto. Estes meninos saltaram a fase de serem considerados jovens promessas e já são opções regulares nas suas equipas. Montamos um onze com jogadores deste perfil, que poderão ser as grandes estrelas do mundo do futebol nos próximos tempos.

Nota: para este artigo filtramos apenas jogadores que nasceram depois de 1998 (inclusive) e que já sejam presenças habituais nas suas formações.

Gianluigi Donnarumma (AC Milan | Itália | 25-02-1999 | 18 anos)

Buffon pode ter um final de carreira mais descansado. A passagem do testemunho está a ser feita aos poucos e a sucessão devidamente acautelada. De Gianluigi para Gianluigi, a comparação é óbvia, obrigatória e fácil de fazer. São já várias as vozes que assumem que a seleção italiana tem um homem destinado à sua baliza para mais 20 anos. Donnarumma é feito de tudo o que um guarda-redes de alto nível deve ter. Com cento e noventa e seis centímetros e uma agilidade pouco comum, multiplica-se em defesas de encher o olho, muitas delas completamente decisivas e que já salvaram muitos pontos ao clube.

Para além disto, revela uma capacidade de comando de área “especial” para a idade. Com 15 anos, Inzaghi deu-lhe a oportunidade de se sentar no banco de suplentes contra o Cesena. A estreia deu-se pouco depois, quando um Diego Lopez em baixa forma deu lugar ao menino. Naquela que é, muito provavelmente, uma das piores fases da sua história, este ano zero da formação transalpina pode ser o indicador do que aí vem. A reconstrução começará pela baliza, onde o keeper já pegou de estaca.

Felix Passlack (Borussia Dortmund | Alemanha | 29-05-1998 | 18 anos)

O nome deste versátil alemão surge sempre lado a lado com o de Pulisic, visto que ambos despontaram aproximadamente na mesma altura, aparecendo na equipa principal do Dortmund. No entanto, há algumas diferenças entre ambos que devemos vincar. Enquanto Pulisic é um criativo, Passlack é mais “pau para toda a obra”. Apesar de ter feito a formação como médio ofensivo, não são raras as vezes que o vemos a actuar nas laterais, à esquerda ou à direita. Isto deve-se à excelente capacidade do jovem perceber o jogo, fazendo esquecer a tenra idade.

A estes atributos, adiciona ainda uma capacidade de tackle muito aprimorada e sabe usar muito bem o físico para ganhar duelos individuais. A questão de ter jogado em zonas mais adiantadas do terreno durante a formação faz também com que consiga emprestar à equipa uma capacidade de passe de excelente nível, seja qual for a posição em que jogue. Passlack é, por isso, um dos jogadores mais completos dos “Golden Boys” de Dortmund.

Dayot Upamecano (RB Leipzig | França | 27-10-1998 | 18 anos)

Dayotchanculle Upamecano é, de longe, o nome mais hipster desta lista. Mas não é só isso que faz deste central um jogador diferente. Com apenas 18 anos, contempla um físico de respeito e já se revela um central muito completo, capaz de ser influente em ambas as áreas. Este produto da escola dos clubes da Red Bull já passou por várias etapas na formação dos vários emblemas da empresa. Há poucos sítios melhores para um jovem evoluir neste momento. Os holofotes começaram a apontar para este central quando o RB Salzburgo deu 4 milhões de euros ao Valenciennes pelos seus serviços — valores nada comuns quer para a posição, quer para a idade. Na altura tinha ainda 16 anos.

Antes de ser opção regular para Hasenhüttl em Leipzig, passou pela “filial” em Salzburgo e ainda pelo Liefering, da segunda divisão austríaca, clube que também faz parte da companhia de bebidas energéticas. Pelo meio, foi também campeão Europeu sub-17 juntamente com Mbappé. Numa eventual parelha com Sarr, Upamecano vem para garantir que a ‘zaga’ francesa está aí para durar.

Malang Sarr (Nice | França | 23-01-1999 | 18 anos)

Numa nação que parece não conseguir parar de produzir talento, Malang Sarr é outro dos nomes a seguir com atenção. Só nesta lista cujos perfis são bastante restritos, a França consegue apresentar uma dupla de centrais que pode ser a titular da seleção dentro de 10 anos. Com poucas jornadas por jogar na liga francesa, o Nice continua a ser uma das surpresas da época. E isso tem algumas justificações que saltam à vista. Uma delas é ser uma das melhores defesas da liga.

Lucien Favre pegou na equipa e não torceu o nariz a dar a titularidade a um rapaz de 17 anos, atirando-o às feras. Neste momento, Sarr é um dos jogadores com mais minutos na liga e continua a ser uma das bases da equipa. Dominador no jogo aéreo e, ao mesmo tempo, muito rápido, é um bom protótipo daquilo que se pede a um central do futuro. A falta de experiência não tem sido um problema, pois é um dos factores que este adolescente consegue fazer passar despercebido. A aposta do clube na sua formação é conhecida e os frutos do trabalho desenvolvido começam a ser notados.

Ryan Sessegnon (Fulham | Inglaterra | 18-05-2000 | 16 anos)

Da lista, é talvez o menos conhecido e também o mais novo. O único que nasceu já depois de virar o milénio. Essa questão não o impede de ser titular e cada vez mais influente no Fulham, da segunda divisão inglesa. Ainda adolescente, está no clube desde os 9 anos e estreou-se aos 16 anos e 81 dias. Uma marca absurda. Embora jogue a defesa esquerdo, já fez vários golos com a camisola dos The Whites, fruto da excelente capacidade de chegar à área para finalizar. São 5 golos, 3 assistências e várias nomeações como o melhor em campo.

O grande companheiro de Sessegnon nesta aventura tem sido Scott Parker. O experiente médio tem ajudado o menino a adaptar-se às novas lides, à fama e a manter os pés na terra. Com esta idade e estas capacidades, obviamente já começa a entrar nas cogitações dos grandes europeus. Um caso sério a acompanhar.

Foto: The Sun

Manuel Locatelli (AC Milan | Itália | 8-01-1998 | 19 anos)

A base de uma grande equipa que se quer ganhadora é a chamada ‘prata da casa’. É denominador comum praticamente para todas elas. Normalmente, os jogadores que cresceram e fizeram a formação num clube são os que têm mais entrega quando é tempo de o representar profissionalmente. A revolução rossoneri assenta em devolver ao clube os jovens que foram lá formados e posicioná-los de maneira a que possam ser opções regulares. A par de Donnarumma, Manuel Locatelli é o outro grande talento saído das camadas jovens do gigante adormecido AC Milan. A carreira ainda curta já tem algumas histórias para contar. A mais bonita delas no golo que deu a vitória ao Milan sobre a Juventus – a primeira desde 2012.

O médio foi entrando na equipa para fazer frente às sucessivas lesões que iam aparecendo nas opções do plantel principal para aquela posição. Substituindo Montolivo, tem um papel muito similar de Busquets em Barcelona, colocando-se à frente da linha defensiva e fazendo girar o jogo da equipa para os todos os lados. Usa a capacidade de posicionamento como grande aliado para a sua postura em campo. Para além disso, conta com uma excelente capacidade chegada à área para fazer golos. Com Locatelli, a posição de regista não será dor de cabeça para quem treinar a equipa do AC Milan nos próximos anos.

Christian Pulisic (Dortmund | EUA | 18-09-1998| 18 anos)

Do país do soccer, chega-nos a mais recente coqueluche e grande esperança do país para os próximos tempos – onde lhe colocaram o rótulo de ‘American Messi’. A ascenção deste jovem foi rapidíssima. Tornou-se no estrangeiro mais novo de sempre a marcar na Bundesliga e um mês depois registou a marca de mais jovem a marcar com a seleção dos yanks. As prestações ao serviço das seleções jovens americanas fizeram soar o alarme na prospeção do Dortmund.

Antes disso teve ainda o seu bocadinho de globetrotter — fez testes no Porto, Chelsea, Barcelona e PSV Eindhoven — mas o físico não deixou que a sua carreira prosseguisse nesses clubes. Solucionadas algumas questões relacionadas com a nacionalidade do jogador, está num dos clubes mundiais com melhor ambiente para ajudar à sua progressão. É opção regular de Thomas Tuchel e a história deste menino melhora de dia para dia a olhos vistos.

Tom Davies (Everton | Inglaterra| 30-06-1998 | 18 anos)

Meias para baixo, cabelo loiro sem grandes manias e calções por cima do joelho. Tudo é nostalgia em Tom Davies. O último talento das escolinhas de Finch Farm estreou-se com Roberto Martinez, foi opção válida para David Unsworth e cimentou o seu lugar com Ronald Koeman.

O jogo da consagração foi contra o City, em que o Everton venceu por 4-0, no qual culminou a partida com a sua estreia a marcar. E que golo. Com De Bruyne e David Silva pela frente, o ‘puto’ não se sentiu, de todo, amedrontado e fez uma exibição de encher o olho. Isto apesar de ser apenas a sua segunda partida a titular na Premier League. Volvidos alguns meses, é seguro admitir que estamos perante um dos pilares da equipa de Ronald Koeman. Com todos estes argumentos, o Everton apressou-se a renovar-lhe o seu contrato por 5 anos. O futuro do miolo da equipa de Liverpool passará por aqui.

Foto: Goal

Kai Havertz (Bayer Leverkusen | Alemanha | 11-06-1999 | 17 anos)

Num Leverkusen a tentar encontrar-se a si próprio, Havertz tem sido uma das boas notícias da equipa. O estilo de jogo deste playmaker é o que mais impressiona. A calma com que joga com os mais velhos, procurando sempre ser racional e tomar a melhor decisão possível, augura-lhe um futuro risonho. Nos farmacêuticos, tem vindo a fazer história. Foi o mais novo de sempre a vestir a camisola do Leverkusen na Bundesliga e foi também o mais novo de sempre a marcar pelo clube.

Numas vezes a sair do banco, noutras a titular, a verdade é que o jovem de 17 anos vai ganhando o seu espaço. E até a seleção alemã também começa a ver nele uma das grandes apostas dos próximos anos. É o próprio capitão do Leverkusen, Lars Bender, que se desfaz em elogios ao companheiro de equipa, admitindo que nunca viu ninguém tão completo nesta fase tão embrionária da carreira e que ficou espantando com a maturidade do miúdo ao chegar a um balneário com jogadores profissionais há quase tantos anos como ele tem de vida. Com serenidade e simplicidade – na vida e em campo – o futuro será risonho para este jovem alemão. Ballack e Özil têm aqui um possível sucessor.

Justin Kluivert (Ajax | Holanda | 05-05-1999 | 17 anos)

Kluivert é um apelido já com bastante história no futebol holandês e mundial. A herança é pesada e isso, desde logo, é um desafio ainda maior para aquilo que o Kluivert mais novo poderá vir a ser no futebol. Para já, não se tem notado nem um bocadinho dessa pressão de ter um pai como lenda. Este driblador nato tem vindo a confirmar o seu potencial jornada após jornada e é cada vez mais figura de proa neste Ajax.

O clube de Amesterdão é, como se sabe, uma excelente incubadora para estes jovens talentos em bruto e Justin Kluivert é mais um para lapidar. O estilo de jogo equipara-se a Neymar num contexto mais europeu, com menos técnica e mais ordem tática. Pelas alas, já se estreou a marcar pela equipa — curiosamente no Dia do Pai — e tem sido utilizado a titular, somando minutos numa formação que ainda luta para chegar à final da Liga Europa deste ano.

Kylian Mbappé Lottin (Mónaco | França | 20-12-1998 | 18 anos)

Nasceu em 1998, ano em que Buffon jogava o Mundial de França. Hoje estarão frente-a-frente numa meia final da Champions. Kylian Mbappé Lottin tem deixado a Europa rendida aos seus feitos e à sua maturidade. Os números dizem-nos que, comparativamente a Messi e Ronaldo aos 18 anos, o francês é melhor que ambos. Foi o mais novo jogador de sempre a chegar aos 15 golos na liga. Uma capacidade goleadora astronómica.

Tem marcado em quase todos os jogos com uma consistência inacreditável para um rapaz desta idade. Fez golos nos quartos da Liga dos Campeões, em Dortmund, e é uma das peças fundamentais do Mónaco de Jardim, que vai deixando a Europa de queixo caído. Um bom menino, com a cabeça no lugar. Alia uma capacidade física e técnica a uma humildade significativa para a idade e para a forma como lhe está a correr a carreira. O grande ídolo é Ronaldo e a possibilidade de o enfrentar pela primeira vez na final da Champions está em cima da mesa. A ver vamos.

O presente artigo foi realizado no âmbito da parceria que o Fair Play estabeleceu com o Sapo24 e a sua publicação original pode ser consultada aqui.

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Fair PlayAbril 2, 201716min0

O que é o mundo do futebol? Esta é uma questão que espelha bem a realidade que nos rodeia, em termos absolutos, e que podemos transpor para o fenómeno futebolístico. A realidade que conhecemos é uma ínfima, maior ou menor, parte do todo real e aquilo a que tantos apelidam de mundo do futebol retrata habitualmente uma fatia pequena daquilo que é, do que envolve, da verdadeira dimensão do ‘mundo do futebol’.

Esta pode ser uma viagem pelo meu mundo, de mente e braços abertos, sem preconceitos, procurando abrir horizontes, como tento fazer a cada dia – e já antes da sua criação – no Observatório das Ligas Europeias de Futebol, que começou como uma página de suporte a uma ideia de investigação científica, não concretizada por falta de apoios, mas que se transformou numa referência para quem gosta do alternativo, de se aprofundar nas várias temáticas envolventes do ‘Belo Jogo’, de tirar dúvidas, de seguir a Diáspora portuguesa menos mediatizada, de olhar para todas as ligas europeias, mundiais, secundárias, terciárias, distritais, seguido por diversos profissionais de medias desportivos portugueses e internacionais.

Respondendo ao desafio do Ricardo Lestre em escrevinhar algo para o Fair Play, com liberdade temática, optei por uma crónica de índole mais intimista e pessoal, para fugir realmente ao que se lê, seja na análise de um encontro ou de um atleta, seja nas imensas temáticas que envolvem o futebol e o desporto e que muito me fascinam, a psicologia, o marketing, a comunicação, a promoção.

Portugal sempre viveu confundido, somos uma sociedade confusa e com imensas dificuldades em se olhar ao espelho. Pela minha experiência in loco por toda a Europa, Ocidental, Central, Nórdica, Balcânica, Mediterrânica, pelo Médio Oriente, somos o povo com maior dificuldade em assumir culpas, em se enfrentar ao espelho e isso reflecte-se em todas as áreas, na justiça, na saúde, na educação e, claro, no desporto.

O meu gosto pelo desporto nasceu cedo, talvez por razões genéticas, sem grandes influências directas, mas crescendo rodeado de alguns jovens que seriam futuras estrelas do(s) desporto(s) português(es), e logo tido, respeitado e procurado como ‘enciclopédia desportiva’, na verdadeira essência da expressão, ao contrário do utilizado em Portugal para tantos outros. A confusão que se faz entre se saber um pouco, ou bastante, de futebol – desde tenra idade – e realmente ter-se conhecimento multidesportivo é uma das notas fáceis de conotar com a falta de cultura desportiva portuguesa e como se toma o futebol por todo o desporto.

Foto: Getty Images

Desde os 12 anos, talvez, ainda os jornais desportivos lusos eram editados três vezes por semana, que chegava à escola com o periódico debaixo do braço, pernas arqueadas e dar ‘postulados’, de quando em vez, para receber os ‘cognomes’ de ‘Mister’ ou ‘Almirante’ (sim, gostava do David Robinson, é verdade, entre outras estrelas da NBA). Eram tempos em que nos intervalos de aulas não se falava apenas de futebol, discutia-se andebol, o basquetebol da NBA, que acabava de chegar à RTP2, hóquei em patins (em escola de ‘campeões’ como Reinaldo Ventura – ainda me lembro quando calçou patins as primeiras vezes no café do seu padrinho, deveria ter ele 2/3 anos), voleibol, Fórmula 1, Rali, Moto GP, entre os amantes de Kevin Schwantz, de Wayne Rayney, de Wayne Gardner, de Eddie Lawson, de Mick Doohan e eu, um confesso admirador do espectáculo que Randy Mamola trazia a cada corrida, em interessantíssimas e ricas conversas (não, não se pense que apenas se discutia desporto).

Mais tarde, já adolescente, no café matinal cruzava-me por vezes com as ‘estrelas’ jovens do Salgueiros, Pedrosa e Sá Pinto, um bar chamado ‘Help’ onde as manhãs (pelas 8h00) tinham grandes ‘serões’ futebolísticos, entre N conversas paralelas, as dicotomias entre secundária e colégio, que ali partilhavam espaço, o fumo, a confusão, por vezes ânimos exaltados, mas sem nunca ir além de encontrões, o futebol ganhava dimensão e a minha voz era solicitada, afinal já tinha experiência passada de rádio (ainda eram piratas quando o fiz) e apresentava argumentos bem justificados e ponderados, qual século das luzes, eram mesmo o final dos anos 80 e anos 90.

A vantagem de cedo e facilmente aprender e conhecer outras línguas, das viagens quando ainda nem tinha a maioridade completa, de ter acesso a parabólica, deram-me imensos utensílios, ferramentas para me aprofundar neste meu amor, o desporto.

 

Foto: sjpf.pt

Amor!

Eis mais um tema onde o português se confunde, os significados e significâncias das palavras amor, paixão, tesão, obsessão fundem-se e baralham-se nas mentes, seja em termos latos, seja no sentido estrito que aqui se relaciona – o futebol. Existe uma enorme obsessão por clubes em Portugal, não é amor, pode ser paixão, mas é muitas vezes obsessão pura, ali encontrando uma fuga, uma relação para substituir problemas na ‘vida real’.

É engraçado como tanto se diz e escreve que os portugueses amam ou adoram o futebol… mentira. Nota-se que não existe tanto interesse assim pelo futebol no seu conceito mais puro, há gostos relativos, entreténs, mas não uma adoração, essa existe – como acima notado, a extravasar para a obsessão – por equipas de futebol. Essa é uma parte, importante, dos problemas constantes, crónicos e estruturais do futebol português. Não havendo um amor pelo jogo, uma capacidade de compreender para além do próprio umbigo, onde se incluem profundamente vários dos responsáveis de clubes, de pensar micro e macro, de raciocinar e não agir meramente por emoções, aceitando – após esfriar a mente – as derrotas como parte da vida.

Percebe-se – ou intui-se, pelo menos – que o ‘Belo Jogo’ na visão portuguesa apenas existe na medida da vitória do clube desse indivíduo, basta ouvir comentários do género “bom mesmo é ganhar nos descontos com penálti inventado” para se ter essa noção bem presente. Isto tem muito a ver com a falta de cultura desportiva, uma ausência de respeito mútuo, uma sensação de impunidade e o gosto pela trapaça, pelo ‘chico-espertismo’, que tanto caracterizam a sociedade portuguesa.

Foto: Fotos da Curva

Media

A obsessão mediatizou-se, assumiram gestão dos media portugueses pessoas com estas visões redutoras, que entendem o fenómeno futebol como a soma de três partes, acrescentando-lhes outras duas ou três, como sejam a selecção sénior masculina e os mediáticos Mourinho e Cristiano Ronaldo, deixando de valorizar aquilo que faz cada clube existir, a competição.

Se não existissem competições a sério essas forças tão sobrevalorizadas pelos media portugueses não seriam nada além dos Harlem Globetrotters do futebol ou, se preferirem, o Hungaria, aquela famosa equipa de desertores magiares liderada por Daucik e onde estavam Fuzesi, Liska, Gyula Toth, Hrotko, Zsengeller, Ferenc Mészáros (o que alinhou no Sporting Braga nos anos 50), Janos Kiss, Andrej Nagy, Imre Danko, Turbeky, Bela Sarosi, Monsider, Rakoczi, Magay, Marik e, claro, a lenda Kubala, que brilharam em amigáveis na Europa Ocidental enquanto a FIFA não permitiu que alinhassem por clubes do lado de cá da ‘Muralha de Ferro’, geniais, mas uma equipa de amigáveis, que seria aplicável a estas mesmas equipas caso não existissem ligas, taças e outras competições.

As televisões contratam especialistas a peso de ouro, muitos deles pelo menos, mas sem o necessário conhecimento, são indivíduos que se guiam por uma avaliação de campeonatos e equipas assente em visões enviesadas dos mesmos, desconstroem uma liga por três ou quatro equipas que vêem ou, ainda pior, assentes em pressupostos definidos alguns anos antes, já desactualizados e descontextualizados, como se vem notando desde 2015, por exemplo, com a Série A italiana.

Foto: imortaisdofutebol.com

Exemplos

Como nas outras áreas da sociedade e onde os media intervêm, as comparações cingem-se quase sempre a nações/liga de comparação quase impossível, seja pelos distintos estágios de desenvolvimento/capacidade económico-financeira, população, desenvolvimento industrial, mas a falta de capacidade para ir além do óbvio traz este recalque cíclico.

Ainda sou do tempo em que os estádios portugueses – como os pavilhões – estavam bem compostos. Por um lado, os clubes não souberam acompanhar a evolução dos tempos, o surgimento de tantas novidades ao nível do entretenimento, o afastamento dos mais jovens, a vertente virtual-social, a comunicação, todas estas áreas continuam com exploração desajustada e pouco potenciada, acordando-se tarde para todos estes fenómenos, a nível de clubes e estruturas federativas nacionais e regionais.

Por outro lado, o serviço público de televisão tem muito que se lhe aponte. Ainda hoje tenho conversas onde me lembram dos tempos do domingo desportivo e das tardes de sábado e domingo com desporto na RTP2, com os directos das várias modalidades. Esse serviço era essencial. Apesar de hoje ser mais fácil encontrar toda a informação, o ser humano é preguiçoso, é como deixar de se raciocinar para fazer um cálculo ou lembrar uma informação quando se tem uma ligação à internet disponível e dois cliques ou três dão a resposta – ou não. Ter o ‘cartaz’ dos jogos, dos horários, fazer abordagens com o devido distanciamento e sem a obsessão acima identificada, levava o adepto mais facilmente ao estádio, estava motivado por toda aquela informação que lhe entrava pelo televisor adentro.

A RTP subtraiu-se por completo do seu dever enquanto serviço público, no que ao desporto diz respeito, não só deixou de garantir os directos das várias modalidades (excepção aos grandes campeonatos de atletismo e à Volta a França, além de uma ou outra adenda mais) como também se abstraiu de passar quaisquer informações sobre o desporto português, optando pela estratégia de ‘seguidismo’, que nunca deveria guiar um serviço público de televisão. Sim, transmitiu os Jogos Olímpicos, sim, vai assegurando uma ou outra, como os mundiais de hóquei em patins, mas sem o devido enquadramento e acompanhamento que permita ao telespectador melhor compreender e querer se aprofundar, querer ir ver ao vivo, ganhar interesse. Ao invés, perde horas de discussões vazias sobre tácticas e tacticismos em torno de três equipas de futebol, traz comentadores às manhãs, tardes e noites informativas, bem pagos, para se debruçarem apenas sobre isso, continuamente.

Foto: RTP

Escolas

Uma das temáticas que mais me fascina dentro do universo futebol relaciona-se com as escolas de futebol. Como na música, na filosofia, na literatura, no cinema e noutras áreas, o futebol também tem escolas bem vincadas e cada uma delas com características muito próprias. É interessante notar como os italianos são os classicamente associados ao tacticismo, ainda que sejam mais cínicos do que tacticistas, não têm a obsessão absurda que lhes é conotada por tal, sabem é tirar o melhor partido das tácticas para o sucesso (ou sabiam), contudo os técnicos franceses são realmente absurdamente obcecados pelo tacticismo, uma das razões do seu insucesso europeu, o frenesim pela gestão do golo marcado impede-os de serem mais ambiciosos e chegarem mais longe. A inteligência de Leonardo Jardim percebeu isso, notando-se o sucesso da ousadia – que nunca se lhe tinha visto antes – no Mónaco 16/17.

As escolas de futebol são-no de treinadores, mas também de futebolistas, de formação de futebolistas, onde Portugal também necessita de melhorar. O exemplo alemão, de trabalhar os jovens nas várias posições dentro da sua zona de intervenção, de experimentarem as outras zonas de intervenção, no seu processo de aprendizagem, faz seniores capazes de desempenhar funções muito mais amplas no terreno, dão uma versatilidade obrigatória num desporto sempre em movimento e em evolução.

Seria fastidioso viajar pelas várias escolas, mas um dos casos mais contagiantes pela sua inesperada idiossincrasia é o servo-croata. Mesmo tendo-se desenvolvido para o futebol moderno dentro de um mesmo país, a Jugoslávia, dispondo de armas técnicas desportivas de topo, o que facilmente se comprova com quase todos os países resultantes do fim da Jugoslávia se terem tornado referências nas várias modalidades, no basquetebol, no andebol, no voleibol, no pólo aquático, nas vertentes masculina e feminina de todas, a verdade é que a Sérvia apresenta-se com jogadores tecnicamente dotados mas uma vertente de jogo muito anglófona, como que bebida do antigo modelo inglês de futebol, física, menos burilada colectivamente, enquanto a Croácia ganhou o epíteto de ‘Brasil da Europa’, o perfume dos seus futebolistas parece ser ainda maior dado o rendilhar futebolístico que boa parte das suas equipas apresenta, tantas vezes abdicando mesmo de um médio defensivo (quando o fazem é comum avançarem um central para posição), para terem unidades de criação no miolo.

É fascinante, como o é a forma tão única da Eslovénia jogar andebol, um ‘andebol total’ que pode não dar títulos mas chega a dar ‘ouras’ de ver, os seis em constante movimento. Escolas tão distintas que evoluírem até 1990 em comum, dentro de um mesmo país, mas que ainda assim criaram identidades nacionais (para quem não sabe, um país pode ser ou ter um conjunto de nações).

Foto: Record

Mundo do Futebol

Já vi jogos de todas as camadas jovens, desde os benjamins até aos veteranos, já mirei partidas de mais de 100 países, em mais de metade destes olhei para diversos escalões, sempre procurando enquadrar o meu próprio visionamento no contexto de cada faixa etária ou escalão. Claro que se pode comparar um encontro do quinto escalão sueco com a Allsvenskan, mas de forma vazia, em sentido lato apenas, um desafio de uma quinta divisão deve ser enquadrado dentro do contexto desse escalão e, mesmo ao estabelecer pontes comparativas com quintas ou quartas divisões de outros países, deve-se ter bastante cuidado, para compreender os estágios evolutivos, o nível de preparação, de treino, a escola.

É curioso como várias vezes leio, ouço comentários depreciativos sobre ligas, outras ligas, outros futebolistas, habitualmente por desconhecedores, que se limitam a ler ou ver algo sobre essa situação, que porventura nem uma partida viram, mas apresenta logo um juízo de valor, assente na sua própria realidade, curta, ou em visões distorcidas que são alimentadas, bebidas dessas estéreis horas de televisão dedicadas a partes mínimas do futebol e com as mesmas ideologias desconhecedoras das realidades.

Só assim se compreende a crítica da liga mexicana, a piada à liga japonesa, o desrespeito pelos feitos na liga polaca, o riso perante as ligas do Médio Oriente e a incompreensão (europeia) do porquê talentos daquelas regiões não rumarem à Europa, o achincalhamento da liga chinesa, como se alguém que rotula as escolhas de futebolistas pela CSL iria abdicar de se mudar para o mesmo local se lhe oferecessem três, quatro, dez vezes o salário que aufere, além de tudo o resto pago, habitação de luxo e restante enquadramento.

Foto: essentiallysports.com

Eu gosto de ir à Islândia virtualmente ver jogos, já adorava antes do Europeu 2016, de ver os pitorescos sintéticos das Ilhas Faroé, de me imaginar a atravessar uma vinha georgiana para chegar a três degraus cheios de erva e assistir a uma partida local, de ver o comboio a passar o estádio na Eslováquia, de ir até ao reino do Butão e ver a liga local ou sentir o frenesim vibrante das ligas nipónicas, sempre a acelerar, de atravessar o antigo relvado do Platanias e ver o Mediterrâneo atrás da baliza, de sair do Riazor e ir tomar um banho gélido nas águas do Atlântico, de sentir o Adriático a entrar pelo Kantrida de Rijeka ou de passear pela Riviera francesa e me perder nos vários campos e relvados locais, entre as vilas e os areais, tenho saudades de chegar a Turim e escandalizar os locais como adepto ‘Granata’ e ‘Bianconero’, gosto do Torino e da Juventus, é verdade, ou deixar em choque os escoceses por ser um católico de 12 ou 13 anos e preferir o Rangers ao Celtic, de passear pelas margens do Reno à espera de ver o Fortuna no Rheinstadion, de virtualmente ver as ligas secundárias australianas, do Território do Norte à Tasmânia, as ligas indonésia, filipina, de me fascinar com os estádios a rebentar pelas costuras na República Democrática do Congo, do ‘Todo Poderoso’ Mazembe, de ver os perigos que rodeiam os ‘derbies dos derbies’, do Al Ahly x Zamalek em Cairo, dos Boca x River e Nacional x Peñarol, separados por dois países mas apenas uma baía, de ver o sucesso ‘luso’ dos ‘Ferroviários da Transilvânia’, o Ce-Fe-Re de Cluj-Napoca, de imaginar-me a viajar interminavelmente de Kaliningrado até Vladivostok para observar os ‘Tigres’ do Luch receberam o Baltika, ou ir até à ilha de Sacalina ver o Sakhalin, em pleno Pacífico, a passear pelo Shopping de Belgrado antes de subir ao seu topo para observar o Vozdovac, gosto, adoro tudo isto e tanto mais, pois o mundo do futebol é enorme, sem fim.

O dérbi do Cairo. (Foto: footyfair.com)

Artigo da autoria de António Valente Cardoso – Observatório Ligas Europeias de Futebol e autor do livro “Globall – Do Foot-Ball ao Futebol”

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Fair PlayMarço 1, 20177min1

A capacidade negocial dos 3 grandes evoluiu e tornou mais difícil o recrutamento em Portugal. Mas e quanto aos restantes? Como é (e como pode ser) a vida dos clubes portugueses mais pequenos no global mercado futebolístico? Uma perspectiva diferente sobre um nicho que tem material de qualidade indubitável para ser explorado.

Já fica para trás o tempo em que clubes das grandes ligas europeias utilizavam os grandes da liga portuguesa como um autêntico viveiro de talento do qual retiravam jogadores de qualidade e elevado potencial a preço de saldo. Constantes provas dadas por jogadores formados ou transformados em Portugal – como é o caso dos muitos jovens estrangeiros que o FC Porto e SL Benfica aproveitaram e moldaram –, somados às capacidades negociais dos grandes clubes portugueses, fizeram com que isso deixasse de acontecer. O crescimento da importância de agentes como Jorge Mendes e a enorme reputação dos treinadores portugueses, que continuam a influenciar a carreira de tantos destes jovens jogadores, ajudaram também.

Hoje só clubes de alta dimensão têm capacidade para pagar a Porto, Benfica e Sporting – que finalmente começou a acompanhar os rivais neste espectro durante a era Bruno de Carvalho – o que estes exigem pelos seus melhores talentos. No entanto, continuo a notar uma falta de exploração por parte do mercado internacional para com uma grande parte do mercado português: os clubes de menor dimensão.

As diferenças económico-financeiras continuam a ser gritantes entre os grandes do futebol português (somados ao SC Braga que se encontra num plano intermédio) e as outras 14 equipas que compõem a Primeira Liga. Esta situação leva a que muitas vezes estes clubes vendam os seus maiores valores a preços abaixo da sua “valorização”. Sejam eles jovens portugueses formados pelos próprios clubes ou sul-americanos já com experiência europeia devido a um par de boas temporadas na nossa liga, grandes clubes de ligas medianas europeias ou clubes de meia tabela das grandes ligas tendem a aproveitar-se da situação… mas não o suficiente. Com o intuito de demonstrar tal situação construí uma tabela na qual disponho as transferências internacionais de relevo de clubes portugueses que não os “4 grandes” nas últimas épocas.

Quadro da autoria de Tiago Estêvão (@tiagoestv)

As siglas “Value ATT” e “Value ATM” são, respetivamente, os valores no momento da compra e o valor neste momento. O primeiro tem o intuito de ser comparado com aquilo que foi realmente pago pelo clube – provando ou não a teoria de que os clubes muitas vezes conseguem jogadores abaixo do seu valor –, enquanto o valor neste momento é suposto relacionar-se com a evolução de tal jogador após a transferência e, consequentemente, o elevado potencial dos jogadores do nosso campeonato.

É bom relembrar que os valores são todos retirados do site Transfermarkt e não são necessariamente a melhor maneira de avaliar a performance de um atleta nem o seu potencial futuro – foi simplesmente um prisma uniforme pelo qual decidi olhar este fenómeno. Para além disso a escolha das transferências em foco foi minha: mencionei grande parte das que movimentaram valores mais elevados, deixei de fora todas as transações nos quais os valores não foram divulgados – como a recente de Jorginho para o Saint Étienne, por exemplo – e, devido a ser uma lista curta, vão sempre faltar alguns.

De uma lista que contém 25 jogadores, apenas em 6 transferências foi pago um montante acima do valor do jogador no momento. Desses 6 atletas – Jota, Dalbert, Deyverson, Vezo, Lucas Lima e João Pedro –, 5 têm neste momento um valor superior ou igual àquele pago pelo clube, demonstrando que nas poucas vezes que os clubes portugueses exigem um valor superior fazem-no por saber o potencial talento que têm em mãos. A situação acaba por beneficiar ambas as partes.

O único que ainda não chegou a esse valor é João Pedro, recentemente contratado pelo LA Galaxy da MLS – competição que arranca esta semana. Não tenho qualquer dúvida de que “JP” vai ver o seu valor aumentado dentro de meses, já que tudo aponta à sua titularidade na Califórnia. Gerso encontra-se numa situação similar – apesar de não estar incluído na lista –, sendo que o Sporting KC acabou por pagar um valor superior à sua valorização para o levar para a MLS.

João Pedro trocou o Vitória SC pelo LA Galaxy (Foto: MaisFutebol)

Vemos ainda mais alguns padrões de mercado na tabela. O Málaga, por exemplo, é um clube que muito tem aproveitado esta situação, comprando Antunes (agora em Kiev), Horta (que se tornou internacional A português a jogar pelos Malaguenhos) e Flávio Ferreira – sem clube aos 25 anos mas que estava valorizado em 2.5M€ quando saltou da Académica para os espanhóis por apenas meio milhão.

Em França já há uma série de clubes a seguir atentamente o nosso mercado: 9 das 25 transferências mencionadas ocorreram de Portugal para França. Seri, muito elogiado por Paulo Fonseca nos seus tempos de Paços, está juntamente a Dalbert a surpreender ao serviço do Nice. O costa-marfinense tem 9 assistências esta temporada, ninguém tem mais nas grandes ligas europeias. Fabinho continua as excelentes exibições pelo Monaco e, com maior ou menor influência de agentes, também ele passou por Portugal antes de dar o salto. Apesar do último lugar na tabela, Cafú tem mais de 1000 minutos jogados pelo Lorient e a ele se juntou Wakaso. Interessante ainda o estranho caso de Afonso Figueiredo que, após uma grande temporada pelo Boavista e muitos rumores que o ligavam aos grandes, seguiu para o Rennes mas infelizmente ainda só tem 90’ jogados pelo clube.

Por fim, temos ainda os países da Península Arábica e o aumento da quantidade de jogadores que assinam por estes clubes de grande capacidade económico-financeira. Para o Al-Fateh foram Ukra e Nathan Júnior, de momento cada um tem cinco golos e quatro assistências em 18 e 19 partidas respetivamente, sendo simultaneamente os melhores marcadores e melhores assistentes da equipa. Leo Bonatini, fora da lista por falha minha, assinou pelo Al Hilal após a sua época fantástica com o Estoril – demonstrando todo o seu poder económico, a equipa saudita pagou 5M€ pelos seus serviços (2M€ valor de mercado na altura, 3.5M€ agora).

Ukra também deixou a Liga NOS rumo a um destino exótico (Foto: Público)

Não se encontram aqui incluídas as transferências de jogadores que deram o salto de equipas menores em Portugal para os “quatro grandes”. Mas Soares, André Horta, Paulo Oliveira, Sérgio Oliveira e Ricardo Ferreira são exemplos daquilo que seria outra enorme lista.

Existe qualidade e preços baixos em Portugal comparativamente àquilo que encontraríamos noutras ligas europeias de cariz similar e tanto o mercado internacional tem de tomar a Liga Portuguesa mais em conta para o seu próprio benefício, como os próprios grandes têm de aproveitar as oportunidades, apostando em talento já com provas dadas em Portugal, contraditoriamente às apostas em jogadores incertos do mercado internacional que contribuem ainda mais para o agravamento das suas folhas salariais.

Artigo da autoria de Tiago Estêvão, analista de futebol português nas plataformas WhoScored e PortuGOAL.net 

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Pedro NunesFevereiro 17, 20175min0

O rolo compressor que Jardim montou no Mónaco reencontrou a melhor versão de Falcao, que tem feito uma parceria mortífera com Germain. Praticamente tudo naquela equipa funciona às mil maravilhas. Bernardo Silva consegue agora também mostrar todo o potencial prometido. E ainda há Kylian Mbappé Lottin, a nova coqueluche do clube, em quem nos centramos na parceria com a Talent Spy.

Kylian Mbappé Lottin é da colheita de ‘98. A nova jóia da coroa monegásca começou desde bem cedo a pulverizar recordes. A 2 de Dezembro de 2015, contra o Caen, tornou-se no mais jovem de sempre a representar o Mónaco. Tinha, então, 16 anos e 11 meses. Meses depois, já com 17 aninhos completos, tornou-se no mais novo de sempre a marcar pela equipa do Principado. A maior parte da história ainda está por escrever, mas já temos alguns bons episódios.

O seu desenvolvimento foi muito rápido e nada comum para a idade. Já com alguns jogos realizados com a camisola monegásca, foi um dos jogadores mais em foco no Europeu sub-19, realizado em Julho passado na Alemanha, a par do seu colega de equipa, Augustin. Os dois lideraram uma equipa gaulesa que venceu a competição, com o avançado do PSG a terminar como melhor marcador e o extremo do Mónaco a fixar a sua marca pessoal em 5 golos. Relevante realçar novamente que por essa data tinha 17 anos.

Mesmo numa equipa com Bernardo Silva, Lemar e Dirar para as alas, o “puto” tem conseguindo vir a impor-se, reservando o seu espaço. Depois de Martial, o Mónaco demorou pouco mais de um ano a dispor de mais um grande talento nas suas fileiras, vindo da sua formação.

Como é quase obrigatório nestes casos de rapazinhos novos que começam a encher o olho aos adeptos pelo seu futebol, Mbappé Lottin também já tem o seu ascendente definido. Thierry Henry, no caso. O estilo de jogo que promove tem muito a ver como o da antiga estrela gaulesa. A principal característica é a velocidade de ponta, algo em que os dois se assemelham bastante, assim como a jogada preferencial – da esquerda para o meio. Para além disso, ambos tiveram o Mónaco como rampa lançadora das suas carreiras.

Foto: L’Équipe

Apesar de ser conhecido como um clube vendedor – especialmente nos últimos anos -, o Mónaco não quis abrir mão da sua mais recente pérola. A situação passou-se no Verão passado, quando o Arsenal chegou ao Stade Louis II com 40M€ para levar o extremo para Londres. Em nome daquilo que seria o projecto alinhavado para a temporada, Kylian Mbappé ficou em terra. Foi o próprio Arsène Wenger a assumir a proposta e a referir-se ao jogador como “enérgico”.

A decisão não podia ter tido melhor resultado. Desportivamente está à vista de todos e, a continuar assim, financeiramente também. Para o ano a cifra poderá bem dobrar.

Este interesse dos tubarões europeus no jovem já vem de trás. Zidane tem-no debaixo de olho há mais tempo que os outros. Espantado com um jogo que viu dele em Clarefontaine, o agora treinador do Real Madrid convidou-o a passar uma semaninha à experiência no Barnabéu. Com uns curtos 14 anos de vida, Kylian e o pai decidiram que ainda era demasiado cedo para deixar França.

Duas das boas qualidades de Mbappé são a sua capacidade de auto-avaliação e auto-crítica. Afinal ninguém o conhece melhor que ele mesmo. É assim quando diz “tenho uma velocidade de ponta boa e gosto de rematar, mas penso que posso mudar em muitas vertentes. Devia ser mais consistente e aumentar a minha contribuição defensiva”.

Leonardo Jardim, técnico que tem sido responsável por lapidar o diamante, sabe disto, toma conta do seu menino e doseia os minutos, para que a evolução continue a ser sistemática. “O talento não se mede em função dos anos. O Kylian tem um grande talento, mas deve continuar a trabalhar para chegar ao mais alto nível”, afirmou o técnico português recentemente.

E como nestas coisas os números nos trazem sempre informações relevantes, vamos a eles. Só ao longo desta época, Mbappé Lottin já anotou na sua ficha de jogo 7 golos só na liga. 3 deles foram conseguidos na última jornada, frente ao Metz. E nem sequer foi o seu primeiro hat-trick. Na Taça de França já havia balançado as redes adverárias por 3 vezes no mesmo jogo, contra o Rennes.

Os exercícios de futurologia em relação ao que virá a ser o jogador, ficam para depois. Tal como diz um dos mais conceituados filósofos do futebol do séc. XX: “Os prognósticos só se fazem no final do jogo”. Mesmo assim, é seguro afirmar que há vários pontos de interesse em Mbappé e o futebol do futuro pode contar com ele.

BOA OPÇÃO PARA…

Três grandes – Perante o nível que tem demonstrado no Mónaco, Mbappé na realidade portuguesa tinha tudo para ser uma das estrelas dos plantéis. Não é à toa que os tubarões europeus já lhe seguem o rasto há bastante tempo e acenam com vários milhões para o levar.

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Pedro NunesDezembro 10, 20166min0

O provérbio “não há fome que não acabe em fartura” adapta-se categoricamente à situação vivida no Principado. O Mónaco de Jardim, depois de ser caracterizado como clorofórmico na época passada, é agora a formação mais concretizadora da Europa, dando festival a praticamente todos os adversários que se atravessam no caminho. O clube foi submetido a uma metamorfose e é, neste momento, uma ameaça real à hegemonia parisiense.

Se há coisa em que o futebol português está atrasado em relação ao que se faz lá fora, é no uso de combinações químicas para se caracterizar as táticas das equipas. O desafio está lançado, Sr. Luís Freitas Lobo. Em França já se faz disto há algum tempo. O melhor exemplo chegou-nos na época passada, altura em que alguns comentadores gauleses diziam que Leonardo Jardim tinha inventado uma nova forma de jogar – a tática clorofórmica.

Este conceito veio associado a mudança de política desportiva com menos investimento, por parte da direção do clube, que deixou Jardim de mãos atadas e obrigado a desenrascar-se com o que tinha, fazendo descer bastante o nível exibicional da equipa por consequência da saída de jogadores de classe mundial. Mas este facto nunca foi desculpa para o técnico, que nunca se queixou do que lhe era dado – e tirado. Há dois anos, James saiu para o Real e Falcao foi emprestado. Dmitry Rybolovev, dono do clube, apontava para o recrutamento jovens talentos, mais baratos, que começaram a chegar às fornadas ao Principado. No início da época transacta, houve nova razia no plantel. Martial, Carrasco, Abdennour, Ocampos, Kondogbia e Kurzawa são apenas alguns dos nomes que deixaram o Mónaco rumo a novos destinos e deixaram o português obrigado a remendar a equipa novamente.

Foto: SFHandBook

A solução encontrada foi um estilo de jogo pragmático – algumas vezes bastante apático e soporífero, de facto – em que se revelou por diversas vezes a margem mínima no marcador. Depois do golinho da praxe ser conseguido, os monegáscos juntavam esforços para que o placard não mais se alterasse até final e a estratégia foi funcionando. Apesar de ter perdido a vice-liderança para o Lyon na última jornada, o objectivo Champions ficou cumprido.

Todavia, este ano tudo mudou. Para explicar este o novo paradigma que se vive no Principado, recorremos à explicação de Rudi Garcia, treinador do Marselha, que enfrentou o Mónaco recentemente, e afirma que “aquela equipa até de olhos vendados marcava”. De facto, quem os viu e quem os vê. A passagem de um futebol pragmático para um dos mais entusiasmantes da Europa foi nítida e os números ainda vêm clarificar mais a situação. Com 17 jornadas decorridas, o Mónaco tem 53 golos marcados – a segunda melhor marca da história da competição a esta altura. A química é realmente outra.

A postura no mercado também mudou e os monegáscos foram resgatar alguns nomes que vieram melhorar o exponencialmente o seu futebol. Começando pelo regressado Radamel Falcao, que depois de épocas completamente desastrosas em Inglaterra, está a jogar o seu melhor futebol depois da gravíssima lesão contraída. O avançado colombiano já conta com 10 golos na liga, é capitão, e está aí para as curvas.

Destaque também para as aquisições feitas internamente, como Sidibé e Mendy – dois dos melhores laterais da Ligue 1 -, assim como o regresso do avançado que havia sido emprestado, Germain, e para a compra de Glik, central ex-Torino, que veio dar outra segurança defensiva a uma equipa que sofria golos bastante comprometedores na época transacta.

Tudo isto para somar ao talento já existente, agora um ano mais maduro, que vem demonstrando muitíssima qualidade. Jogadores como Fabinho, Bernardo Silva, Thomas Lemar ou Bakayoko, têm sido nomes de extrema importância para o técnico nascido na Venezuela. O brasileiro já se afigura desde a época passada como um dos melhores jogadores da equipa, oferecendo versatilidade aliada a uma consistência exibicional que leva os grandes da Europa a estarem de olho nele. Bakayoko é a sequência do treinador em campo e nas alas estão os dois grandes playmakers da equipa, Bernardo e Lemar, que fazem a equipa mexer a nível ofensivo. Nota ainda para o aparecimento de Mbappé-Lottin, um jovem de apenas 17 anos, que já conta com exibições e números muito interessantes para tão tenra idade.

Foto: sportmediaset.it

Estamos apenas em dezembro e os monegáscos já marcaram mais golos em casa do que na época anterior toda. O mais impressionante é que não existe um marcador de golos declarado, nem sequer um assistente, que se destaque em termos de números. Já houve 13 marcadores diferentes e 14 assistentes. O melhor marcador da equipa é Falcao, mas os golos aparecem por todos os lados e de todas as formas.

Posto isto, nunca, nos últimos anos, a hegemonia do PSG esteve tão ameaçada. Esta época as equipas do Nice e Mónaco têm sido um osso duro de roer para os parisienses. Os jovens talentos das duas formações do Sul de França têm obrigado os da capital a olhar desde baixo para o topo da tabela, algo que não acontecia há vários anos. Na Champions, a equipa de Jardim também foi uma das únicas que já estava qualificada à quinta jornada, e em primeiro do grupo. Apesar disto tudo, é o adversário que muitos adeptos querem para os seus clubes no sorteio da Champions de segunda-feira. Rezem para que em fevereiro esta forma não continue ou serão apanhados de surpresa.

A equipa foi transformada numa verdadeira máquina de fazer golos, e com o recurso ao rumo dos acontecimentos que mudaram obrigatoriamente o modo de pensar do treinador, percebemos facilmente as causas que levaram àquele estilo de jogo clorofórmico. Jardim simplesmente não jogava como queria, mas sim como podia.

Foto: Foot The Ball

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Filipe CoelhoNovembro 27, 201610min0

A Alemanha recebeu a competição e a França devorou-a. Para lá do que se jogou (com Portugal a cair nas meias-finais), houve nomes a ficarem na retina e a preencherem a memória. Como se têm saído no regresso aos seus clubes depois de brilharem a todo o nível no Euro Sub-19?

Philipp Ochs

(Alemanha, Hoffenheim)

Foi um dos jogadores que mais se destacou dentro do colectivo germânico que acabou por ter uma prestação com traços de desilusão (logrou apenas o 5º lugar). Ocupando a zona próxima do #9, caído sobre qualquer uma das faixas ou atrás do avançado – a Alemanha mostrou uma interessante versatilidade táctica –, Ochs destacou-se pelos 4 golos em 4 jogos, cotando-se como um dos melhores marcadores. Tornou-se impossível não reparar no pé esquerdo do jovem loiro, com um jogo bastante imprevisível (é de remate fácil), habilidoso e repentista (tremenda a facilidade para recepcionar e girar sobre si mesmo). Pese embora a tendência para assumir o 1×1 ofensivo (de origem, é extremo esquerdo), não aparentou ser demasiado individualista, procurando e combinando com os colegas.

Pertencendo aos quadros do Hoffenheim, Philipp Ochs não é, no entanto, uma promessa aparecida no último Europeu de Sub-19 – com efeito, estreou-se na Bundesliga há mais de um ano, em Agosto de 2015. Todavia, de lá para cá, contou apenas 15 jogos, sendo que esta época somou somente 90 minutos (na 1ª jornada) e como … defesa esquerdo. De facto, o camisola 30 do ‘Hoff’ tem sido testado nessa posição recorrentemente – quer nas breves aparições junto da equipa principal, quanto na equipa secundária, onde tem actuado com regularidade (leva 1 golo e uma assistência em 7 jogos). Não sendo fácil entrar num conjunto que tem rubricado um excelente inicio de época – o Hoffenheim, do prodigioso Nagelsmann, é 5º classificado com os mesmos pontos do 4º –, Ochs precisa de encontrar um espaço competitivo que lhe permita confirmar todas as excitantes indicações que deixou na competição de Julho.

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(Foto: zimbio.com)

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(Foto: bild.de)

Alex Meret

(Itália, Udinese (emprestado ao SPAL 2013))

A carreira italiana apenas terminou na final graças a um nome: Alex Meret. O keeper italiano esteve em grande nível do inicio ao fim da competição, evidenciando uma capacidade de presença (à qual o seu 1.90m não é alheio) e uns reflexos dignos dos maiores elogios. Ficam sobretudo na retina as quatro defesas de grande categoria diante dos alemães na primeira jornada ou a forma como foi evitando e/ou adiando o golo francês na final. Méritos de um guarda-redes que demonstra uma serenidade e uma qualidade no posicionamento positivamente anormais para a sua idade. E que lhe valeram, justamente, o prémio de melhor guarda-redes do torneio.

Com o seu passe sendo pertença da Udinese, Meret encontra-se emprestado, esta época, ao SPAL 2013, da Serie B, onde tem sido titular com regularidade – leva já 9 jogos e 14 golos sofridos. Já foi chamado à selecção U21, não se tendo ainda estreado. Mas com a camisola da squadra azurra esteve presente no estágio de preparação para o Euro 2016, fazendo companhia a Buffon, Sirigu e Marchetti. Com ‘Gigi’ Buffon a caminho do ocaso da carreira e com Donnarumma nas bocas do mundo, Meret merece, no entanto, todos os enfoques de destaque – confirmando o seu tremendo potencial, tem tudo para ser mais uma das estrelas italianas entre os postes, honrando um legado imensamente respeitável.

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(Foto: fgc.it)

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(Foto: spalferrara.it)

Ludovic Blas

(França, Guingamp)

Médio centro de origem, Blas não começou o Europeu como titular. Mas assim que assomou ao terreno de jogo, o impacto no jogo gaulês foi tremendo ao ponto de se tornar numa das mais cintilantes figuras da nação vencedora. Acabou por actuar sempre pela meia direita ofensiva, muitas vezes próximo da ala. No entanto, sendo o esquerdo o seu melhor pé, a sua natural intuição passou por procurar terrenos interiores. Foi evidente a sua tremenda capacidade de desequilíbrio no 1×1, com grande imprevisibilidade, agilidade e velocidade, saindo facilmente do drible para o remate. Perspicácia e capacidade de decisão para fazer o passe mortal/assistência foram também outras das suas trademarks. Tecnicamente soberbo (recepção e drible acima da média), ainda apareceu em zona de finalização, acabando por somar 2 golos e duas assistências no torneio.

Produto das escolas do Guingamp (onde despontaram Drogba ou Malouda), o prodígio francês que fará 19 anos no último dia de 2016 estreou-se na equipa sénior do emblema gaulês em Dezembro de 2015. Mas tem sido esta época que tem visto o seu estatuto solidificar-se – a jogar mais pelos corredores (cujos intérpretes tendem a procurar terrenos interiores) ou deliberadamente pelo meio, é um dos responsáveis pelo tremendo arranque de época do Guingamp (5º lugar, neste momento), levando já 13 jogos (e uma assistência) na sua contabilidade, ora como titular ora como suplente utilizado.

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(Foto: lequipe.fr)

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(Foto: ouest-france.fr)

Benjamin Henrichs

(Alemanha, Bayer Leverkusen)

Se a Alemanha desiludiu, Henrichs tratou de confirmar todas as expectativas que sobre ele recaíam. Um médio de alma cheia, que, a jogar no duplo pivot defensivo, demonstrou uma capacidade notável de se desamarrar desta linha e de facilmente fazer a diferença em condução. E sempre com critério na decisão e com uma capacidade técnica acima do comum – dribla, passa e aparece na frente para rematar (com ambos os pés). Em suma, um box-to-box potente, com grande agilidade e disponibilidade física.

Porém, em Leverkusen, parecem ter planos díspares para este craque de 1.83m. Se já em 2015/16 havia sido aposta pontual para as laterais do Bayer, 2016/17 tem sido a época de confirmação do médio hoje derivado para o lado direito (ou esquerdo, como esta semana em Moscovo) da defesa dos donos da Bay Arena. Henrichs é, hoje, o lateral direito indiscutível da equipa, somando já 17 jogos esta época (e duas assistências). Fruto da sua inteligência, capacidade de entendimento e critério na decisão, a adaptação tem sido um autêntico sucesso. Prova disso? A chamada à Mannschaft promovida por Joachim Low. Se parecia uma promessa no miolo do terreno, encara-se como uma certeza nas bandas laterais.

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(Foto: wdr.de)

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(Foto: dfb.de)

Kylian Mbappé

(França, Mónaco)

O mais jovem elemento desta lista foi um dos maiores destaques da turma francesa que venceu, com categoria, a competição. Técnica apurada, velocidade vertiginosa acompanhada de passada larga (e mudança de velocidade associada), apetência para aparecer na zona de finalização em momento oportuno e faro pelo golo foram os cartões de visita assinados por Mbappé. O jovem de 17 anos surgiu, invariavelmente, a partir da esquerda para o meio, em condução acelerada, e procurando o pé direito para serpentear – movimento característico que já levou a comparações com Thierry Henry. Os 5 golos em 5 jogos (melhor só o seu companheiro de equipa, Augustin, do PSG, que marcou 6) foram tão-só a cereja no topo de uma performance notável.

A estreia a nível sénior pelo Mónaco já havia acontecido em Dezembro de 2015 mas foi o Euro sub-19 que o catapultou como uma das figuras mais interessantes do futebol jovem internacional. Começou 2016/17 de forma tímida (também devido a uma lesão) mas tem ganho preponderância nas últimas semanas no conjunto monegasco. No 442 pensado por Leonardo Jardim, Mbappé ora é utilizado pelo corredor esquerdo ora ocupa o espaço central do ataque, sendo o elemento mais móvel e liberto nas movimentações da dupla atacante. Até ao momento soma 2 golos e 4 assistências em 9 partidas.

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(Foto: uefa.com)

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(Foto: foot01.com)

Amine Harit

(França, Nantes)

O meio-campo ofensivo gaulês não viveu só da capacidade de desequilíbrio e invenção de Blas. Ao seu lado, e pela zona central, Amine Harit emergiu como peça fundamental, (pr)eenchendo o sector intermédio, pedindo e conduzindo. De fino recorte técnico, evidenciou pormenores glamourosos ao nível do passe e demonstrou plena capacidade para gerir e controlar os ritmos de jogo. Em espaços mais curtos, o seu toque de criatividade foi determinante para a França fazer chegar com tanta assiduidade a bola a zonas de finalização.

O Nantes apostou em René Girard para 2016/2017 e o calejado técnico gaulês fez de Harit um dos seus cavalos de batalha – o jovem médio tem sido indiscutível na equipa do histórico clube francês, levando já 14 jogos e mais de 1000 minutos somados! O conjunto de Girard não tem ainda estabelecido um padrão táctico e Harit acaba por ser ‘vitima’ disso mesmo. É que, mais próximo do 433 ou do 442 (com variantes plásticas na dinâmica de jogo), o centro-campista de 19 anos já actuou pela esquerda, pelo centro (mais adiantado ou mais recuado) e pela direita. Tudo somado, o seu carácter versátil tem ajudado a consolidar o seu estatuto de indispensável.

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(Foto: parisfans.fr)

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(Foto: butfootballclub.fr)


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