Caderneta dos Cromos e George Weah, o melhor africano de sempre!

Pedro PereiraJulho 29, 20186min0

Caderneta dos Cromos e George Weah, o melhor africano de sempre!

Pedro PereiraJulho 29, 20186min0
George Weah é, hoje, presidente da Libéria e é o nosso destaque da Caderneta de Cromos!

Sim, hoje colamos um dos melhores cromos de sempre (senão o melhor) do futebol africano. Para além da inspiradora história política deste liberiano activista, há muitas outras vitórias dentro e fora de campo.

George no Torrenne (Foto: Pinterest)

Começamos pela terra que o define e que ele sempre fez questão de se associar: África. Foi lá que a bola rolou pela primeira vez na frente dos seus olhos, nas favelas da Libéria. O encanto pelo jogo era tanto que George Weah lembra-se de percorrer a cidade de Bong Mine para participar em torneios amadores.

Num futebol pautado pelo amadorismo (enquanto jogador, Milla era também telefonista na maior empresa de telecomunicações do país), os primeiros anos de George Weah como profissional foram a saltitar de uma equipa para outra. A primeira época como sénior começa no Mighty Barrolle e no ano seguinte vai para o Invincible Eleven African Sports, vencendo neste clubes o campeonato nacional e a Taça do país, com o seu nome a brilhar na lista de melhores marcadores do campeonato.

Acabada a sua passagem pelo futebol da Libéria em 1987, transfere-se para o futebol camaronês, mais concretamente para o Tonnerre Yaoundé, clube por onde passaram outras grandes estrelas africanas como Roger Milla e Rigobert Song, onde fica um ano. Ao todo, foram três anos a jogar em campeonatos africanos e que foram suficientes para chamar a atenção de um treinador europeu, na altura ainda bastante jovem: Arsene Wenger.

(Foto: Worth Point )

Na altura a comandar o Mónaco, Arsene não quis deixar escapar este craque. Arsene diz que nunca viu um jogador explodir futebolisticamente tão rápido. Logo no primeiro ano na Europa, venceu o prémio de melhor jogador Africano.

Era um jogador fortíssimo, capaz de quebrar todas as paredes defensivas que os adversários colocassem à sua frente. Com ele, arrastava sempre a sua melhor amiga, a bola. Aquela que o possibilitou sair das ruas pobres do seu país. E por isso mesmo, dando-lhe o reconhecimento merecido, George Weah tentava levá-la sempre ao melhor destino: a baliza adversária. No Mónaco foram 57 golos e uma Taça de França. Nada mau para quem se está a adaptar ao futebol europeu.

Novos pretendentes começavam a surgir e o em 1992 foi o PSG que o contratou, reservando-lhe três anos numa montra fantástica para o futebol europeu. Craque como ele é, aproveitou! Campeonato francês, taça francesa, o melhor marcador da Champions League em 1994/95, tendo contribuído para chegar às meias finais dessa competição nesse mesmo ano. Mais recordado do que esse recorde, é aquele golo épico marcado frente ao Bayern de Munique.

Terminado o seu percurso nas terras onde Eder viria a fazer história (!!!!!), George Weah viaja para a terra da moda para ser recebido pelo treinador Fabio Capello, no AC Milan. Neste ano, o ataque era “só” Baggio, Savicevic e Weah. Paulo Futre também lá estava mas as lesões não o deixaram ir mais longe.

É em 1995 que acontece o ponto mais alto da sua carreira: vencedor do Ballon D’Or, prémio atribuído ao melhor jogador do Mundo daquele ano. É, até hoje, o único jogador Africano a vencer este prémio. Não que não o mereçam. Se há continente que merece destaque na arte de produzir bons jogadores, é o africano.

Continuando nesta aventura de Weah por Milão, convém referir que Futre não foi o único cromo português que se cruza com Weah. Jorge Costa também tem um episódio com ele. Em 1996, no jogo da segunda mão a contar para a Champions League houve confusão entre o central português e o avançado liberiano. “O Weah era extraordinário, dos melhores jogadores do mundo. Tive de aumentar um bocadinho as minhas doses de agressividade (no jogo da primeira mao) porque ele era forte, rápido, um bicho. E assumo que fui mais agressivo com ele durante o jogo, tinha de ser porque não tinha outra forma de pará-lo”, conta o Bicho. O central português chegou mesmo a pisar (sem querer, quero acreditar) a mão de George Weah neste primeiro jogo.

Imaginem o segundo embate entre estas duas feras. Deu errado. A agressividade durante o jogo continuou e o jogador do @acmilan não gostou. Esperou no final do jogo no túnel do estádio e.. deu uma cabeçada a Jorge Costa que acabou por lhe fracturar o nariz. Resultado: George Weah foi detido pela PSP e Jorge Costa foi para o hospital. Mais tarde, George Weah tentou pedir desculpa ao central português, porém, não aceites. Segundo o cromo português, “foi uma cobardia. Se é no campo, perdeu a cabeça; assim, é uma ação premeditada.”

Sem o poderio físico, o seu jogo nunca mais foi o mesmo (Foto: Last Sticker)

A partir daqui, a carreira de Weah nunca mais foi a mesma. Na época seguinte a este incidente é emprestado ao Chelsea e ao Manchester City.

Provavelmente à procura de uma terra que lhe devolvesse boas memórias dentro do relvado, volta a França, desta vez ao Marselha. Uma época apenas deu para perceber que aquele poderio físico de outrora merecia descanso. Ainda foi jogar dois anos para o Al Jazira para se mentalizar que a sua mente, os seus ideais políticos e os seus valores iriam entrar em campo. Última substituição na carreira de George: Sai um futebol cheio de magia, para entrar um político pronto para mudar o país que o viu nascer.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter