Arquivo de Kei Nishikori - Fair Play

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André Dias PereiraJulho 16, 20193min0

Magistral. Eterno. Sublime. São muitos os adjetivos que podem classificar o triunfo de Novak Djokovic este domingo, em Wimbledon. O mais antigo Major do mundo viveu mais uma tarde de glória, que coroou Djokovic como pentacampeão.

A final contra Federer não foi apenas elevada a um nível técnico estratosférico e uma das mais emocionantes de sempre. Foi também a final mais longa da história de Wimbledon. Ao fim de 4h57 minutos, Nolan venceu por 7-6(5), 1-6, 7-6(4), 4-6, 13-12(3). O jogo foi decidido no tie-break do quinto set, após um 12-12, sendo a primeira final de Wimbledon a ser decidida desta forma.

Federer tentou de tudo. Usou slices, subiu à rede e foi tão eficaz no seu jogo de serviço que não sofreu qualquer break point nos três primeiros sets. De resto, olhando para os números, Federer teve mais ases (25/10), cedeu menos duplas faltas (6/9), foi mais eficaz no primeiro serviço (63%/62%), teve mais winners (94/54) e teve mais pontos ganhantes (218/204). Mas não foi suficiente.

Djokovic mostrou porque é número um mundial está entre os melhores de sempre, ao lado de Federer e Nadal. Os três, aliás, contiuam a dominar o circuito. Federer diz que, independentemente do ranking, enquanto se sentir competitivo vai continuar a jogar. E à beira dos 38 anos o suíço não parece abrandar. Se na final esteve ao seu melhor nível, o mesmo aconteceu diante Rafa Nadal, nas meias-finais. Em mais um clássico Fedal, o helvético terá feito uma das suas melhores exibições de sempre no confronto entre os dois. No 40º confronto entre os dois recordistas de Major, Federer ganhou por 7/6 (7-3), 1/6, 6/3 e 6/4, atingindo a sua 12ª final no All England Club. De resto, ao vencer Kei Nishikori, o octacampeão Federer tornou-se o primeiro jogador a conquistar 100 vitórias em Wimbledon.

Sousa, em grande, sobe 13 posições

Ao vencer Wimbledon, Novak Djokovic conquistou 4 dos últimos 5 Grand Slam disputados. O seu domínio no circuito, mesmo com Nadal e Federer, é inquestionável. Mesmo que nas bancadas se gritem os nomes dos seus rivais. Certo é que o sérvio tem agora 16 Grand Slam, cinco dos quais no All England Clube. Aos 32 anos não é impensável que o Nolan possa igualar, ou ultrapassar, os 8 títulos de Federer em Wimbledon, ou até os seus 20 Grand Slam, tornando-se o maior campeão da história. E conseguir isso durante na Era de Federer e Nadal é um grande feito.

Aliás, no confronto com Federer a vantagem de Djokovic é inequívoca. Em 47 jogos, Nolan venceu 25 e nos três disputados em Wimbledon ganhou todos. O sérvio também tem mais vitórias sobre Federer em Grand Slam (9/6) e nos últimos 5 jogos, venceu 4. Por fim, das 4 finais que disputaram, Djokovic ganhou 3.

Quem também esteve em grande plano foi João Sousa. O português alcançou a sua melhor prestação em um Major, atingindo os oitavos de final. Foi o melhor resultado de um tenista português em Grand Slam. O vimarenense deixou para trás nada menos que Marin Cilic (6-4, 6-4, 6-4) e Daniel Evans (4-6, 6-4, 7-5, 4-6, 6-4). Sousa acabaria afastado por Nadal, por triplo 6-2.

Com este resultado, João Sousa sobe 13 posições no ranking e é agora 56 do mundo.

Não menos surpreendente foi o espanhol Roberto Bautista Agut. Ao atingir as meias-finais, tornou-se o primeiro espanhol que não Nadal a jogar este fase de Wimbledon deste 1972. Antes de ser eliminado por Djokovic (6-2, 4-6, 6-3, 6-2) deixou para trás Karen Khachanov, Benoit Paire e Guido Pella.

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André Dias PereiraJunho 10, 20192min0

Se havia dúvidas, Rafa Nadal fez questão de as desfazer este domingo. O espanhol tremeu, mas não caiu frente a Dominic Thiem (6-3, 5-7, 6-1 e 6-1) e conquistou Roland Garros pela 12ª vez.

Depois do duelo entre os dois tenistas em 2018, nos quartos de final, após Thiem ter vencido, já esta temporada, o maiorquino em Monte Carlo, os dois finalistas confirmaram o favoritismo que lhes era atribuído.

Nadal não está a atravessar um bom momento. Já se sabia. Pela primeira vez na carreira havia chegado a Maio sem títulos. Em Roma acabou por vencer o seu único torneio até Roland Garros. Thiem, pelo contrário, tem crescido não só no ranking mas também no seu jogo. Já o tinha mostrado o ano passado e este ano atingiu a final do principal torneio de terra batida.

O autríaco surgia, pois, como desafiante. Só que Nadal voltou a mostrar que em Roland Garros é praticamente invencível. São agora 93 vitórias e apenas duas derrotas, uma das quais (Soderling, em 2009) por desistência. Durante o percurso este ano, Nadal deixou para trás jogadores como Goffin, Londero, Nishikori ou Federer. Aliás, o suíço voltou a atingir as meias-finais de Roland Garros. Um registo superior ao que esperava, admitiu o helvético. Só que Nadal não deu chances para que pudesse avançar: 6-3, 6-4 e 6-2.

Já Thiem também fez um grande percurso. Entre outros, afastou Novak Djokovic nas meias-finais: 6-2, 3-6, 7-5, 5,7 e 7-5.

Apesar de Nadal ainda reinar e o seu domínio em Paris não parecer ter fim, Thiem é, pelo menos para já, o fiel súbdito. “Dominic, desculpa porque és um dos melhores exemplos que temos no circuito. Trabalhador, sempre com um sorriso no rosto. És uma inspiração para mim e para tantas crianças”, disse o espanhol sobre o austríaco.

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André Dias PereiraJunho 3, 20192min0

Os quartos de final de Roland Garros vai juntar Roger Federer e Stan Wawrinka. Amigos e rivais a carreira dos dois tenistas suíços tem convergido ao longo dos anos. Os estatutos de ambos no circuito são, contudo, diferentes. Pode dizer-se que são como que o parente rico e o parente pobre do ténis suíço.

Os dois vão defrontar-se pela 26ª vez, e apesar da história estar a favor de Federer – 22 vitórias contra 3 derrotas – a verdade é que na terra batida de Paris, Wawrinka tem uma palavra a dizer. Aliás, talvez por quase sempre ter vivido na sombra de Federer, Wawrinka parece sempre ter uma palavra a dizer. Sobretudo em Roland Garros, onde já ergueu o troféu, em 2016.

O espírito combativo, mentalidade, capacidade de trabalho, aliado ao seu talento, fazem de Wawrinka um caso especial no ténis. Passou a carreira a ver Federer, Nadal e Djokovic, dominarem o circuito, evoluiu e conseguiu vencer 3 Grand Slams.

Aos 34 anos é 28º do mundo, mas já foi número 3. A terra batida é o seu piso preferencial, ao contrário de Federer, que abdicou da temporada de terra batida nos últimos anos.

Talvez pelo seu jogo mais físico, Wawrinka tem sofrido muito com lesões, que o afastaram de sua melhor forma. O seu último de 16 títulos foi em Genebra, em 2017.

De então para cá, entre lesões e operações, Wawrinka tem estado longe do seu melhor. Mas na terra batida, é sempre um gigante a ter em conta. Sobretudo em Paris.

O jogador dos grandes momentos

Que o diga Stefanos Tsitsipas. O grego, um dos candidatos à vitória em Roland Garros, caiu nos oitavos de final. Num jogo épico, de 5 horas de duração, Wawrinka fechou com 7-6, 5-7, 6-4, 3-6, e 8-6. Stan regressa aos quartos de final de Paris, dois anos depois e não por acaso. Stan mostrou que o seu talento experiência continuam lá. E é preciso contar com ele. Contra Tsitsipas salvou 22 pontos de break e não desperdiçou nenhum.

Antes de eliminar Tsitsipas, Wawrinka deixou para trás Grigor Dimitrov (7-6, 7-6, 7-6). “Na terra batida ele tem sido mais perigoso do que em qualquer outra superfície”, admitiu Federer, que espera “que não esteja ao nível de 2015”. Regressado à competição, Roger Federer deixou para trás Leonard Mayer (6-2, 6-3 e 6-3) e Casper Ruud (6-3, 6-1 e 7-6).

Quem também já está nos quartos de final é Rafa Nadal. O espanhol, o maior campeão de Roland Garros, não teve dificuldades em deixar para trás, David Goffin (6-1, 6-3, 4-6 e 6-3) e Juan Ignacio Londero (6-2, 6-3 e 6-3). O maiorquino vai defrontar o vencedor entre Kei Nishikori e Benoit Paire. O jogo foi interrompido por falta de luz com o resultado em 6-2, 6-7 e 6-2 a favor do japonês.

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André Dias PereiraAbril 29, 20193min0

Rafael Nadal é, indiscutivelmente, o rei da terra batida. Os onze títulos de Roland Garros, Monte Carlo e Barcelona ajudam a explicar esse epíteto. Nem mesmo outras lendas nesta superfície, como Bjorn Borg ou Thomas Muster, colocam isso em causa. “Continuarem a chamar-me rei da terra batida é um insulto a Rafael Nadal. Olhem o que ele já ganhou”, disse um dia o austríaco.

Aos 32 anos, Rafael Nadal parece, contudo, estar a abrandar. O seu estilo de jogo demasiado físico gerou lesões e uma sobrecarga que, depois dos 30, começa a fazer-se sentir. “Nadal não é mais um jogador de ténis. É uma pessoa lesionada a jogar ténis”, declarou o tio do espanhol e seu ex-treinador, Toni Nadal.

Mesmo lesionado, o maiorquino continua a ser o principal favorito a ganhar tudo na terra batida. Só que já não está só. Ou, pelo menos, Djokovic deixou de ser a única grande ameaça.

Este domingo, Dominic Thiem quebrou a hegemonia do espanhol em Barcelona e venceu o torneio catalão. Na final contra Daniil Medvedev ganhou por 6-4 e 6-0.

Só que a vitória do austríaco não foi tão surpreendente como a de Fábio Fognini em Monte Carlo. Recorde-se que na temporada passada, em Roland Garros, Nadal e Thiem disputaram um jogo muito equilibrado nos quartos de final.

Passagem de testemunho?

Desta vez, nas meias-finais de Barcelona, foi o austríaco a levar a melhor (duplo 6-4). O espanhol cometeu 5 duplas faltas, conseguiu apenas um ás e teve o saque quebrado duas vezes. Já Thiem, converteu 5 ases, não sofreu qualquer dupla falta e não teve o seu saque quebrado. “Thiem é candidato a vencer qualquer torneio de terra batida”, disse Nadal após a derrota.

É certo que ainda falta Roland Garros, o principal torneio de terra batida, mas podemos estar a assistir a uma passagem de testemunho? É cedo para dizer. Contudo, parece claro que o número 5 mundial é mesmo candidato a ganhar o torneio de Paris.

Dos 13 títulos já conquistados pelo austríaco 9 foram na terra batida. Este domingo, tornou-se o primeiro tenista do seu país a vencer em Barcelona desde 1996. Precisamente quando Thomas Muster se tornou bicampeão. Este foi, de resto, o segundo título de Thiem em 2019, igualando Roger Federer. O primeiro, recorde-se, foi em Indian Wells. Diga-se, de resto, que Thiem começa também a ameaçar o suíço no quarto lugar do ranking.

A ascensão de Medvedev

Não se pense, contudo, que a final com Medvedev foi um passeio. Thiem começou mal, com muitos erros não forçados e saque cobrado. Chegou a estar a perder por 3-0 mas conseguiu reverter para 6-4. O segundo set foi mais assertivo para o austríaco, que aplicou um pneu no russo.

É preciso, todavia, ressalvar a evolução do russo que, nas meias-finais, deixou para trás Kei Nishikiri (6-4, 3-6, 7-5). Antes, havia eliminado Albert Ramos-Vinolas, Mackenzie Mcdonald e Nicolas Jarry.

Recorde-se que, em Monte Carlo, o russo eliminou também Novak Djokovic, que buscava o “tri” no principado. O sérvio não jogou em Barcelona.

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André Dias PereiraJaneiro 22, 20193min0

O Australian Open, que arrancou no dia 13, avança já para os quartos de final. E do que se viu na primeira semana, surge a pergunta. Após 15 anos de hegemonia, terá finalmente chegado a oportunidade da nova geração tomar conta dos courts mundiais?

Ainda é muito cedo para tirar conclusões. É certo que Djokovic continua a ser o grande favorito para vencer Melbourne e se tornar o maior campeão do torneio. Também é certo que falta uma e decisiva semana para o fim do torneio. E há ainda uma temporada inteira pela frente.

Mas os indicadores estão aí. Stefanos Tsitsipas, 20 anos de idade, já afastou Roger Federer de Melbourne, e vai agora defrontar Baustista Agut. O grego mostra que a temporada passada não foi obra do acaso. Um dos segredos é a sua confiança. Jogou olhos nos olhos com o campeão em título, serviu com mestria e salvou os 12 break points que teve de enfrentar. Apesar da idade, parece ser um veterano em court. E isso valeu-lhe uma vitória por 6-7, 7-6, 7-5 e 7-6. Diga-se também que Tsitsipas conquistou, este ano, as primeira vitórias no Australian Open. A primeira foi com Nikolz Basilashvili: 6-3, 3-6, 7-6 e 6-4.

Para Federer, a derrota diante o grego foi um golpe duro. O ano 2019 terminou de forma inconsistente, depois de um bom arranque com a vitória no Autralian Open. O suíço espreita Wimbledon, mas, antes disso, deverá voltar a jogar a temporada de terra batida após dois anos de interregno.

Também Francis Tiafoe, 21 anos, surge nos quartos contra Rafa Nadal. Tiafoe será, porventura, a maior promessa e esperança norte americana para voltar ao topo do ténis mundial. Os quartos de final são, para já, o seu melhor resultado em Major. Para trás deixou Andrea Seppi (6-7, 6-3, 4-6, 6-4 e 6-3) e Grigor Dimitrov (7-5, 7-6, 6-7 e 7-5).

Zverev volta a desiludir

Zverev volta a desiludir em Melbourne. Foto: Fox Sports

Mas nem tudo foram rosas para a nova geração. Os oitavos de final contaram com Deniil Medvedev, Alexander Zverev e Borna Coric, mas nenhum conseguiu passar para a fase seguinte. A maior desilusão terá sido mesmo o alemão. Outra vez, o número quatro mundial volta a cair precocemente em um Major, desta vez perante Milos Raonic: 6-1, 6-1 e 7-2. Apesar do estatuto de número 4 mundial e ser apontado como o futuro líder da hierarquia, a verdade dos Grand Slam é outra. A sua melhor prestação continua a ser os quartos de final de Roland Garros. Pouco para quem já conquistou 10 títulos ATP, entre eles um Masters Final.

Se Medvedev não era favorito diante Djokovic (4-6, 7-6, 2-6, 3-6), Borna Coric tinha boas chances diante Lucas Pouille (7-6, 6-4, 5-7, 6-7). O francês igualou o seu melhor registo em um Major, como acontecera em Wimbledon e US Open, em 2016.

Djokovic continua a ser o grande favorito para se tornar o maior campeão da história de Melbourne. Mas para isso, terá que ultrapassar Nishikori. O japonês, que eliminou João Sousa na ronda inagural (7-6, 6-1, 6-2) vem de uma autêntica maratona com Carreño Busta (6-7, 4-6, 7-6, 6-4 e 7-6). Por outro lado, Nishikori atravessa um bom momento, com a vitória em Brisbane.

Nadal, de regresso à competição desde o US Open, também é sempre um nome a ter em conta, mas o seu sucesso dependerá da sua condição física.

Até domingo tudo está em aberto. E apesar da ‘velha guarda’ ser favorita, parece cada vez maior o equilíbrio de forças da nova geração. Veremos como evolui o ano, ainda que, por agora, pareça difícil que um novo rosto vença o primeiro Major do ano.

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André Dias PereiraJaneiro 7, 20192min0

Ano novo vida nova para Kei Nishikori. O japonês quebrou um jejum de três anos e nove finais para voltar a erguer um troféu ATP. Aconteceu em Brisbane. Naquela que é uma antecâmera do Australian Open, o número nove mundial conquistou o seu 12º título.

O nipónico levou a melhor sobre Daniil Medvedev por 6-4, 3-6 e 6-2. E as coisas até poderiam ter sido resolvidas mais rapidamente. É que Nishikori desaproveitou nada menos que oito break points no segundo set.

Nishikori começa assim da melhor maneira o ano e confirma o crescimento de forma que havia mostrado no final de 2018. Recorde-se que o nipónico esteve, em 2017, afastado durante muito tempo dos courts e foi, aos poucos, recuperando a confiança e melhorando os seus resultados. O ano passado foi finalista vencido em Viena, Tóquio e Monte Carlo.

Com a vitória em Brisbane o japonês é o oitavo cabeça de série para o Australian Open. Isto porque Juan Martin Del Potro está afastado por lesão, contraída no final da temporada passada e que o impediu também de jogar o Masters Final.

Em Brisbane, Nishikori começou por vencer o norte americano Denis Kudla, por 7-5 e 6-2. Seguiu-se, depois, um adversário mais duro. O búlgaro Grigor Dimitrov, longe da forma patenteada no final de 2017, perdeu por duplo 7-5. Já nas meias-finais, o japonês levou a melhor sobre o francês Jeremy Chardy por duplo 6-2.

Por seu lado, Medvedev, 22 anos, deu bons sinais de que em 2019 pode continuar a ascender no circuito. Esta foi a sua quarta final no espaço de um ano. Em 2018, venceu Toquio, Winston Salem e Sydney.

Murray longe do seu melhor

O torneio de Brisbane não contou com a presença de Rafael Nadal, a contas com uma distensão na coxa esquerda, mas contou com Andy Murray. O britânico caiu 240 posições após paragem de quase dois anos por lesão. O escocês mostrou que está muito longe da sua melhor forma. Prova disso foi a eliminação precoce, na segunda ronda, precisamente frente a Medvedev (7-5 e 6-2). Também Milos Raonic, quinto cabeça de série, foi afastado pelo russo (6-7, 6-3 e 6-4).

Outros nomes que não surpreenderam foram os australianos Nick Kyrgios e Alex de Minaur. Os dois foram eliminados nos 16 anos de final. Kyrgios, vencedor de Brisbane em 2018, foi eliminado por Jeremy Chardy (6-7, 6-2 e 6-3) e De Minaur pelo compatriota Jordan Thompson (6-4 e 6-2). Veremos o que ambos podem fazer agora no primeiro Major do ano. Os dois representam as maiores esperanças dos australianos em chegar longe na prova.

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André Dias PereiraNovembro 19, 20184min0

Aos 21 anos de idade Alexander Zverev já tem muitos títulos para contar um dia aos seus netos. Desde que começou, em 2016, com uma vitória na Russia, em São Petersburgo, não mais parou. O ano passado venceu 5 (Canadá, Washington, Roma e Montpellier) e este ano venceu três. De todos, nenhum foi tão relevante quanto o Masters Final conquistado este domingo.

No torneio que reúne os oito melhores tenistas do ano, e entre algumas polémicas pelo meio, Zverev venceu Novak Djokovic por 6-4 e 6-3, tornando-se o terceiro alemão a conseguir essa proeza. Os outros foram Michael Stich (1993) e Boris Becker (1995).

Zverev mostrou-se muito sólido, confirmando todos os seus serviços no primeiro set. O alemão aproveitou o único break point cedido pelo sérvio para fazer o 5-4 e depois servir para o 6-4.

No segundo set o alemão quebrou o serviço a Djokovic logo no início por mais de uma vez, mas o sérvio respondeu bem. Só que Zverev soube manter Nolan encostado às cordas levando-o a cometer erros suficientes para consolidar a vitória final.

A precocidade de Zverev torna-o o mais jovem a vencer o ATP Finals desde, precisamente, Novak Djokovic. O sérvio também venceu a prova pela primeira vez com 21 anos de idade. Aliás, Nolan, hoje com 31 anos, falhou a possibilidade de igualar Federer com seis títulos.

Zverev, o maior da nova geração

Não é por acaso que Zverev é o nome maior da nova geração. Com 10 títulos já conquistados leva vantagem de sobra, nesse capítulo, sobre os jogadores com idade até 21 anos. Stefanos Tsitsipas, que na semana passada venceu a Next Gen Finals, é segundo classificado com dois títulos. Zverev passa também a integrar o restrito lote de jogadores que conseguiu eliminar nas meias-finais e final Roger Federer e Novak Djokovic. Os outros são Rafael Nadal, Andy Murray e David Nalbandian. De resto, diga-se que o alemão leva vantagem de 2-1 nos confrontos diretos com Djokovic.

Integrado num grupo com Djokovic, Cilic e Isner, o alemão perdeu apenas para Djokovic (6-4 e 6-1). Diante Isner ganhou (7-6, 6-3), repetindo o feito com Marin Cilic (7-6, 7-6). Por seu lado, o sérvio venceu os três jogos, confirmando ser o grande favorito à vitória final.

No outro grupo, Roger Federer e Kevin Anderson dominaram Dominic Thiem e Kei Nishikori. Federer confirmou, contudo, que não está no seu melhor, perdendo o jogo inaugural para o japonês (7-6 e 6-3). O suíço acabou por se redimir com Thiem (6-2 e 6-3) e Anderson (6-4 e 6-3).

Nas meias-finais, Zverev acabou por cravar o fim do percurso do suíço (7-5 e 7-6). Mas não sem polémica. No segundo set, quando Fed vencia o tie-break por 4-3, na sequência de uma troca de bolas, o alemão desistiu de um ponto, alegando que havia uma bola solta por um dos apanha-bolas. O juíz acabaria por devolver o ponto a Zverer, para irritação de Federer e do público que começou a vaiar. Zverev venceria por 7-5.

Na outra meia-final, Djokovic não teve dificuldade para ultrapassar Anderson por duplo 6-2. A derrota do sérvio, contudo, não apaga a grande temporada que fez e que o deixa como número 1 mundial.

Com o final do ATP Finals, chega também ao fim os grandes torneios de ténis. Com os títulos já alcançados e o estatuto de top-5 mundial, será importante acompanhar a evolução de Zverev em Grand Slam, onde até aqui não tem convencido. Por todos os motivos e mais alguns é um jogador de quem é esperado que um dia atinja a liderança mundial. Alia uma grande capacidade técnica a pujança física, sendo forte em todos os pisos de jogo. Até onde poderá ir?

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André Dias PereiraNovembro 5, 20182min0

Em Paris, na cidade Luz, Karen Khachanov conseguiu o título importante que lhe faltava para dar o salto na carreira. Aos 22 anos, o russo, vencedor de três títulos em 2018 alcança o 11º de um ranking agora liderado por Novak Djokovic.

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André Dias PereiraOutubro 8, 20183min0

Reconheçamos, a Russia sempre foi uma potência no ténis. Ex-números 1 como Yevegny Kafelnikov, Marat Safin ou o ex-número 3, Nikolay Davydenko ajudaram a levar o seu país ao topo do ténis. A estes nomes, a Russia soma também duas Taças Davis e quatro Fed Cup.

Mas, reconheça-se também, desde há uns anos que os russos têm vindo a perder preponderância no ténis masculino, andando sempre longe do top-10 mundial.

Há, contudo, uma nova geração a despertar com um nome, para já, a sobrepor-se. Daniil Medvedev. Aos 22 anos está a cumprir uma temporada muito consistente. O ponto mais alto teve lugar este domingo, com a vitória no ATP 500 Tóquio. Foi o seu terceiro título do ano e da sua carreira. Os outros dois foram Sidney e Winston-Salem.

Medvedev esteve longe de ser o favorito. Teve que entrar no qualifying e para vencer disputou nada mesnos do que sete jogos. Neste percurso o russo perdeu apenas um set, contra Gerasimov na qualificação, não tendo perdido qualquer parcial no quadro principal. Até chegar à final com o anfitrião Kei Nishikori, Medvedev deixou para trás Moriya, Gerasimov, Schwartzman, Klizan, Raonic, e Shapovalov.

Na final levou a melhor sobre Kei Nishikori (6-2 e 6-4). Esta não foi apenas a maior vitória da sua carreira. Foi o culminar da sua melhor semana de ténis que o coloca no 22º lugar no ranking ATP. É o seu melhor registo, para já. Para o nipónico foi um golpe duro. Vencedor de 11 títulos na carreira, Nishikori esperava quebrar, em casa, o jejum que dura desde 2016, em Memphis (EUA).

Este não foi um ano fácil para Nishikori, que começou 2018 a recuperar de lesão grave. Foram cinco meses de paragem. Ainda assim, chegou aos quartos de final em Wimbledon e às meias-finais do US Open. Em ambas perdeu para Novak Djokovic.

O meteoro Medvedev e a geração russa

Pode dizer-se que Medvedev é um meteoro no circuito. A sua primeira aparição remonta a 2015, na Kramlin Cup. No ano seguinte estreou-se no circuito ATP, em Nice (França), perdendo para Guido Pella. A sua primeira vitória aconteceu poucas semanas depois, no Open Ricoh, diante Horacio Zeballos. Em 2017 jogou a sua primeira final. Foi na Índia, no Open Chennai, diante Roberto Bautista Agut. Por esta altura, o russo já era top-100 e ascendera a 65 do mundo. Este tem sido o ano da confirmação, já com três títulos no bolso. A final de Sidney, contra Alex de Minaur, 19 anos, tornou-se a mais jovem do torneio desde 1989.

Mas Daniil Medvedev não é o único rosto da nova geração russa. Andrey Rublev e Karen Khachanov são outros nomes para seguir com atenção.

Rublev, 20 anos, é ex-número 1 mundial de juniores. O seu maior feito, para já, foi vencer em Umag, em 2017, num torneio em que entrou como melhor rankiado para cobrir uma desistência. Ainda o ano passado, no US Open, atingiu os quatros de final depois de eliminar Grigor Dimitrov e David Goffin.

Khachanov, 22 anos, também já tem dois título. Foi em Chengdu, na China, em 2016 e este ano em Marselha. Com uma saque poderoso é atualmente o 27º do mundo.

Medvedev, Rublev e Khachanov. As três novas jóias do Kremlin, que prometem relançar a Rússia no patamar mais alto do ténis. É cedo, para já, prever até onde podem chegar. É, contudo, um sinal forte dado pela Federação Russa de Ténis.

A vitória de Daniil Medvedev sobre Kei Nishikori

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André Dias PereiraSetembro 12, 20186min0

Diz o adágio que a festa não se faz quando a temporada começa mas sim quando acaba. Que o diga Novak Djokovic, que este domingo conquistou pela terceira vez o US Open. Depois de uma longa paragem por lesão, que arrancou em Wimbledon, 2017, o sérvio regressou oficialmente à competição no Australian Open. Foi em Janeiro deste ano. Caiu na terceira ronda perante Chung Hyeon. Seguiu-se nova operação e Djokovic regressou mais cedo do que se pensava, para jogar Indian Wells e o Miami Open. Outra vez, caiu nas primeiras rondas. Seguiram-se muitas interrogações, até para o sérvio. Por esta altura, Roger Federer, vencedor do Australian Open, passeava a sua classe e aumentava a sua lenda. Ao mesmo tempo, Rafael Nadal continuava afinar a sua máquina, regressando ao seu melhor. Até vencer Roland Garros.

É por isso que a vitória de Novak Djokovic no US Open é, acima de tudo, a vitória da persistência. É, por assim dizer, o apogeu num ano com muitos baixos, no arranque da época, e grandes picos, no final. É também a consolidação do título em Wimbledon e da vitória recente em Cincinnati.

E o triunfo (6-3, 7-6 e 6-3) em Nova Iorque chegou curiosamente sobre outro jogador que entre 2014 e 2016 atravessou também o calvário de uma lesão no pulso: Juan Martin Del Potro. O argentino, que cedeu o terceiro lugar do ranking a Djokovic, chegou a questionar o seu futuro no ténis. O ano de 2018 está, no entanto, a mostrar que valeu a pena chegar até aqui. O campeão do US Open de 2009 não voltou a repetir o feito, contudo, tem-se mantido entre o top-5, conquistando os títulos de Acapulco e Indian Wells. Este domingo, não resistiu a um Djokovic que fez jus ao seu melhor período de número 1 mundial. Nolan encostou Del Potro às cordas, soube explorar a esquerda do argentino, conseguindo ainda anular o seu serviço. E com tranquilidade foi construindo a sua vantagem.

Este foi o 14º Grand Slam para o sévio, que iguala Pete Sampras. Melhor, só Rafa Nadal (17) e Roger Federer (20).

Quando passei pela cirurgia, senti o que Juan Martin (Del Potro) passou quando esteve fora. Quando ficas fora, tentas fazer as coisas darem certo, mas elas não acontecem. Foram tempos difíceis, mas aprendemos com as dificuldades, com os tempos de dúvida.

Novak Djokovic, após a vitória sobre  Del Potro, que confimou o título do US Open

Para chegar à final, Del Potro deixou para trás, nas meias-finais, nada menos que Rafael Nadal. O espanhol acabou por sair lesionado, mas garantiu a continuidade na liderança mundial. Uma dor no joelho direito precipitou a desistência do maiorquino quando perdia por 2-0 em set: 7-6 e 6-2.

Tal como no Australian Open, Nadal saiu lesionado. Uma situação à qual não será alheia o grande esforço feito nos quartos de final contra Dominic Thiem, naquele que foi um dos grandes jogos do ano. O autríaco confirmou diante o espanhol que subiu o seu ténis a outro patamar e que, em breve, repetirá o feito de Paris, onde atingiu a sua primeira final de Grand Slam. Foram mais de 5 horas de jogo, com a vitória a sorrir ao número 1 mundial pelos parciais: 0-6, 6-4, 7-5, 6-7 e 7-6. Tal como ocorrera em Roland Garros.

João Sousa histórico. Federer, que futuro?

João Sousa perdeu pela quarta vez para Djokovic, mas fez história para Portugal. Foto: Record

Não será atrevimento dizer que o US Open de 2018 confirmou a reabilitação de jogadores tidos como proscritos. Tal como Djokovic e Del Potro, também Kei Nishikori tem tido um ano difícil. Depois de uma paragem de 5 meses, o japonês regressou à competição, em Fevereiro, em Nova Iorque. Foi, gradualmente, aumentando a sua competitividade até alcançar os quartos de final em Wimbledon. Agora, no US Open, só caiu nas meias-finais contra Novak Djokovic: 6-3, 6-4 e 6-2. O nipónico, finalista vencido em 2014, só pode sentir-se feliz com a sua prestação este ano.

Menos feliz estará Roger Federer. O suíço, que começou o ano a ganhar em Austrália e a recuperar a liderança mundial, foi surpreendido por John Millman: 3-6, 7-5, 7-6 e 7-6. O australiano, 55 do mundo, soube tirar proveito daquele que terá sido um jogos menos conseguidos da carreira do helvético. Federer teve nada menos do que 76 erros não forçados, errando ainda 70% no primeiro serviço. A final de Wimbledon e Cincinnati já tinham demonstrado um Federer abaixo da sua real capacidade. Aos 36 anos, e com uma participação reduzia em torneios – recorde-se que falhou toda a temporada de terra batida, incluindo Roland Garros – há quem questione o futuro de Federer.

Roger Federer deve jogar mais torneios ou considerar retirar-se

Pat Cash, ex-tenista australiano, vencedor de Wimbledon em 1987

Mas se há jogador que já desafiou a história e as probabilidades, é Federer. Matts Willander, ex-tenista e comentador, refere que o suíço deverá jogar até não conseguir ganhar mais jogos. E isso, apesar de tudo, parece estar longe de acontecer. Agora, ameaçado no ranking por Djokovic, Federer é ainda número dois mundial.

E por falar em história, João Sousa escreveu mais uma página dourada para o ténis luso. Ao atingir os oitavos de final, o Conquistador tornou-se o primeiro português a alcançar esse patamar em um Grand Slam. “Resultados como este ajudam a que a modalidade se torne maior no nosso país”, admitiu Sousa, que arrecadou 230 mil euros de prize money. Os 180 pontos averbados no US Open permitiram-lhe subir 19 lugares na hierarquia, regressando ao top-50. É agora 49º.

Por tudo isto (mas não só) a edição deste ano do US Open deixará saudade. Consagra campeões como Djokovic ou Del Potro, relança Nishikori, eleva Thiem a outro nível e vê Portugal entrar nas história dos Major. Mas também lança dúvidas sobre o futuro de Federer e Nadal. Apesar de campeoníssimos, até quando terão fulgor físico para se manter na disputa de Major? Pode Djokovic, agora numa nova fase, ultrapassar Sampras, ou Nadal e aproximar-se de Federer? E a nova geração? Thiem e Isner, nos quartos de final, foram os melhores, mas continuam longe das lendas que ainda predominam no circuito. A John Millman coube a surpresa, que também caiu nos quartos de final. O momento Andy Warholiano que, com 29 anos, dificilmente se repetirá. O que não nos importamos que se repita são torneios jogados a este nível.

Foi assim que Novak Djokovic venceu pela terceira vez o US Open


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