Arquivo de Eddie Jones - Fair Play

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Francisco IsaacMarço 19, 20178min0

Ponto final nas Seis Nações com a Inglaterra a ficar a 5 pontos do recorde mundial de vitórias da World Rugby, a França e País de Gales no maior jogo de sempre e a Escócia sob a criatividade de Finn Russell. Estes são os últimos 4 pontos das Seis Nações 2017

Ponto final nas Seis Nações, onde finalmente tivemos o “prazer” de ver a supra defesa irlandesa a impedir a Selecção da Rosa de chegar às 19 vitórias consecutivas.

Joe Schmidt não deu títulos à Irlanda entre 2016 e 2017, mas parou por duas vezes as tentativas de recorde mundial.

A França e País de Gales foi um encontro “estranho” especialmente nos 20 minutos-extra de jogo, que colocaram Wayne Barnes sob “fogo” questionando alguns processos do juiz de jogo.

A Escócia Itália foi uma “formalidade” com os escoceses a festejarem a vitória por 5 pontos bónus que lhes dão o 2º lugar partilhado com França e Irlanda.

A DEFESA: IRLANDA ANTI-RECORDES MUNDIAIS

Recuemos até 6 de Novembro de 2016. Localização? Chicago, Estados Unidos da América.

Irlanda e Nova Zelândia encontram-se em território americano para gladiarem-se num jogo intenso e que podia marcar a 19ª vitória consecutiva dos All Blacks.

A selecção do Trevo realiza, talvez,  sua maior exibição dos últimos 10 anos, conquistando uma vitória imemorável frente aos bicampeões mundiais.

A 18 de Março de 2017, alguns meses depois desses incrível jogo, a Irlanda voltou a receber um pretendente ao recorde mundial de vitórias: a Inglaterra.

Como antes, a Irlanda não se deixou impressionar por esta vontade do seu adversário e impôs o seu ritmo de jogo, que iria impedir dos bicampeões das Seis Nações de chegar à área de ensaio pela 1ª vez em 14 meses!

Com uma defesa que soube “atacar” o espaço de acção de Jonathan Joseph (nunca teve oportunidade para furar a linha), maniatar a criatividade de Ford e “sufocar” a avançada inglesa, os irlandeses foram acreditando numa vitória fundamental para o seu futuro.

As 110 placagens realizadas (a Inglaterra foi obrigada a fazer quase 180, o que prova que o jogo irlandês não foi só defesa e defesa) e a leitura de jogo na defesa foram dois “passos” importantes na vitória por 13-09.

Mais, na ausência de Heaslip (lesionado), Peter O’Mahony jogou na posição 6 e foi um regozijo para os “olhos” a forma como o asa apanhou Watson ou Farrell quando estes tentaram encontrar uma “fagulha” por onde passar.

A atacar a Irlanda foi “fria”, controlou as emoções do jogo, lutando fase a fase, sem arriscar um último passe que poderia permitir o criar da instabilidade no jogo pela Inglaterra.

CJ Stander terminou o encontro com 20 carries, um máximo neste encontro e o que prova o uso “excessivo” dos avançados para conquistar e/ou garantir território.

A Selecção da Rosa não conseguiu reunir argumentos “válidos” para ir ao ensaio ou à vitória, ficando-se pelo ponto de bónus defensivo.

Eddie Jones no final do encontro afirmou que “Não há desculpas. A Irlanda foi melhor e soube pôr fim às nossas tentativas de ataque.”, o que ajuda ainda à tese que a selecção da casa foi superior em um jogo de recordes.

A Irlanda foi imune a recordes, antes e agora, com exibições de alta classe defensiva e um ataque inteligente e bem formatado.

A POLÉMICA: WAYNE BARNES O VILÃO DA NOVA AGINCOURT?

20 minutos-extra no França-País de Gales, o que deverá ser um quase recorde a nível de extensão de tempo de jogo. A razão? Sucessivas faltas e paragens na formação ordenada.

A França estava a perder por 13-18 frente aos galeses e dispuseram de uma última formação ordenada já nos últimos 5 metros. Optaram por ir à formação ordenada, sector onde os gauleses dominavam com clareza.

O País de Gales sofreu 20 minutos de resets da formação ordenada, cometendo também penalidades quando a França conseguia tirar a bola da FO sem falta.

Por isso, nos últimos 25 minutos de jogo (dos 75 aos 100) foi um “festim” de faltas atrás de faltas, com a equipa da casa a tentar “arrancar” um ensaio de penalidade.

Estranhamente, Wayne Barnes nunca deu o ensaio de penalidade, apesar de ter gozado por duas oportunidades nesse sentido.

Duplamente estranho, Wayne Barnes permitiu que Atonio saísse de jogo com uma lesão na cabeça (o que permite a entrada de um suplente no imediato) quando o pilar não apresentava qualquer sinal de lesão nesse sentido.

Mais uma vez, um dos árbitros de elite da World Rugby conseguiu estar no meio de muita controvérsia, já que nunca assinalou a falta que um dos pilares da França cometeu na Formação Ordenada, ficando-se sempre por achar que a o ónus da culpa provinha dos galeses.

Ao fim de 20 minutos, a França conseguiu sair da formação ordenada e chegar ao ensaio por Damien Chouly após uma insistência de picks. O pontapé de Lopez pôs fim ao jogo e a vitória sorriu a Guy Novés.

Rob Howley, seleccionador interino do País de Gales, estava surpreendido com várias situações de jogo que saíram impunes pela equipa de arbitragem, sem nunca esquecer que o País de Gales podia ter feito muito melhor.

Serão os árbitros do mundo do rugby imunes a críticas? Wayne Barnes no espaço de 12 meses volta a estar no meio de controvérsia, polémica e muitas críticas à sua forma de actuar.

Estes foram os últimos 20 minutos da França-País de Gales…os “extra”

O JOGADOR: FINN RUSSELL “MARCA” VIAGEM PARA A NOVA ZELÂNDIA

Os Irish&British Lions estão quase aí a chegar e Finn Russell (finalmente) acordou, prometendo lutar pelo lugar de nº10 da lendária selecção das Ilhas Britânicas.

No jogo frente à Itália, Finn Russell foi dos poucos jogadores a pôr um pouco de cor num jogo algo acinzentado de ambas as formações.

Finn Russell esteve “presente” nos 4 ensaios da sua equipa, tendo marcado um deles a a partir de uma boa entrada no espaço, embalado em que a defesa italiana não conseguiu defender.

Russell e Hogg voltaram a formar uma dupla de génios com a oval nas mãos, transformando o jogo quando tinham espaço para ambos correrem com a bola. Desenharam jogadas, criaram espaços e deram a oportunidade de ir ao ensaio por 4 vezes.

Rusell ainda converteu três pontapés (dois deles de difícil execução), foi um “sábio” no jogo ao pé, desenhou várias movimentações e marcou os ritmos da Escócia no fecho das Seis Nações.

Se tem lugar a nº10 na Selecção comandada por Warren Gatland… só o tempo o dirá, mas com Russell temos “magia”, capacidade de criar e a alma escocesa de lutar por cada centímetro com sonho de conquistar metros.

O ADEUS: THANK YOU MR. VERN COTTER

Em 2018 haverá uma mudança significativa nas Seis Nações… a ausência de Vern Cotter no booth de treinador da Escócia.

O homem com o “olhar mais frio” do Mundo da Oval, despediu-se da sua Escócia pondo fim a quatro anos como seleccionador da equipa de Stuart Hogg, Finn Russell, Tommy Seymour, Jonny Gray, entre outros tantos.

Fundamentalmente, foi Cotter que “transformou” a boa matéria prima escocesa numa selecção com capacidade não só para assustar as suas vizinhas, mas também de ter capacidade de lutar por títulos e recordes.

Stuart Hogg pode agradecer ao seleccionador pela paciência que teve, moldando-o como um dos melhores defesas a nível mundial.

Finn Russell pode agradecer ao Stern Cotter pela forma como o “ensinou” a ler melhor o jogo, em montar a equipa e dar ritmo às linhas atrasadas.

Vern Cotter trouxe toda uma nova forma de actuar, uma postura mais “agressiva”, de lutar sempre no contacto (e no chão), de conquista nas fases estáticas, de conseguirem se superar quando tudo parece “perdido”.

Em suma, a Escócia que nos tira “do sério” com aqueles momentos espectaculares de jogo tem de agradecer ao homem que lhes deu outra forma de jogar, mas que também soube reconhecer os seus erros em horas mais “duras” (o último lugar nas Seis Nações 2015).

Em 2017 todos os adeptos “sonhavam” com uma vitória escocesa nas Seis Nações, pois as grandes exibições realizadas frente ao País de Gales e Irlanda (vitórias) ou França (derrota por detalhes) davam espaço para essa Utopia do Rugby.

Não foi possível ter esse desfecho, mas Cotter tem de ter orgulho na selecção que formou, nos jogadores que moldou e no espírito que imbuiu os seus homens.

Fair Play para Vern Cotter, um homem que só pensava em “ganhar” pela Escócia como podem ver

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Francisco IsaacMarço 12, 201713min0

A uma jornada do final das Seis Nações, a selecção da Rosa já confirmou o bicampeonato com uma vitória “magistral” ante a Escócia, enquanto que o País de Gales recuperou “parte” da sua Honra e os Les Bleus realizaram uma exibição “curiosa” em Roma. 4 pontos sobre a 4ª jornada das Seis Nações

A última palavra antes do ponto final foi dada nesta 4ª jornada…e essa palavra é “Inglaterra”. Domínio claro, uma equipa que se ultrapassa a cada jogo e um seleccionador que reina supremo na Europa.

A Irlanda “pregou” a surpresa da ronda, com uma derrota por 22-09 frente ao País de Gales que estava de modos que “apagado” nestas Seis Nações. Um jogo impulsivo, dinâmico e que valerá a pena rever.

Itália fica com a “colher de pau” (prémio relativo à equipa que só soma derrotas na competição) com mais um jogo perdido, desta vez ante a França de Novés que parece estar a trabalhar na direcção correcta… mas que futuro?

O JOGADOR: JOSEPH VINDICATED WITH A BULLDOZING EXHIBITION

Se há jogadores que foram contestados pela imprensa e adeptos ingleses, foram Dylan Hartley (capitão), George Ford (abertura) e Jonathan Jospeh (centro do Bath).

Este último não foi a opção mais discutida, mas não deixaram-se de levantar dúvidas sobre a qualidade do centro, falando-se que Elliot Daly poderia ter ficado no lugar do jogador do Bath.

Ora, chegamos à 4ª jornada das Seis Nações, num jogo altamente decisivo para a “escolha” do Campeão da competição e Joseph acaba o encontro como o MVP para o painel de juízes da RBS.

Como? Em números “rápidos” foi isto que se traduziu a exibição de Jonathan Joseph: três ensaios, uma assistência, 150 metros “galgados” e ainda cinco placagens, uma delas determinante para evitar uma “saída” de ataque rápido que iria dar ensaio para os scots.

Em “texto corrido”, podemos explicar que Joseph foi o jogador que mais quis ganhar o jogo.

As jogadas que resultam no seu ensaio (ou que dão para assistência) parecem quase cópias, com uma boa movimentação, onde há um falso entre o 9 e 10, recebendo Ford (Farrell também assumiu esta responsabilidade por uma vez) a oval para depois existir um passe curto/média para a entrada do centro inglês… imparável, quando embalado.

A Escócia tem “largas culpas” em não ter conseguido ler o pormenor e a jogada, já que podiam ter “fechado” o espaço que Joseph explorou com veemência.

Porém, há que dizer que numa delas ainda houve um “esboço” de uma tentativa de parar Joseph, só que saiu falhada.

Isto porque o centro executou com perfeição os básicos de receber a bola, meter o pé para dentro (simulando ou não uma finta) e explodir naquele último terço do terreno.

No 3º ensaio da Inglaterra foi “bonito” a forma como o centro entra, se apercebe da oposição que tinha até à área de validação.

Não havia outra forma de contornar senão bater o pé, obrigar três defesas a deslizarem e quase a irem na sua direcção e depois transmitir a bola a Anthony Watson (regresso à selecção neste jogo) para o ensaio.

Joseph foi sublime na execução do plano de jogo, entregando-se por completo à equipa e à sua nação, com uma exibição que ficará sempre como aquela que ajudou garantir mais um título para a Inglaterra.

Merecerá ser o nº13 dos British&Irish Lions?

O JOGO: METER EM LOOP O PAÍS DE GALES-IRLANDA ATÉ…PARA SEMPRE?

Jogo esgotante em Cardiff entre o País de Gales e a Irlanda. Um encontro sempre “brutal” em intensidade, em entrega e sacrifício, especialmente para os Dragões Vermelhos.

A selecção galesa não teve umas Seis Nações ao seu gosto, apesar de exibições bem conseguidas em certos períodos de jogo… infelizmente, claudicou sempre na 2ª parte seja contra a Inglaterra ou Escócia.

Por isso, Rob Howley não teria outra solução senão que pôr um “travão” à Irlanda e voltar às vitórias para serenar as críticas e os ânimos dentro do seu território.

Indo ao confronto de “titãs”, o País de Gales foi sempre mais eficaz, mais esclarecido daquilo que queria do jogo: pontos. Isto apesar da Irlanda ter começado melhor com três pontos para Sexton (jogo mais “mediano” do abertura) a castigar uma falta galesa.

A selecção do Trevo ainda teve uma oportunidade muito clara para ensaio, com uma excelente quebra de linha de CJ Stander (melhor asa da competição?) que só foi parado nos últimos 6/7 metros por Halfpenny com uma placagem “pouco” comum.

E é neste ponto que se encontra uma equipa no meio de um ano “complicado”… na defesa! O País de Gales aguentou 19 minutos de alta pressão irlandesa, defendeu como podia, conseguiu contrariar as tentativas de Sexton e Henshaw e demonstrar que eram um só.

Aos 19′ “bateu o gongo” a favor dos galeses… a melhor jogada da jornada, onde pudemos ver toda a qualidade que brota nos Dragões, com excelente entrada de Williams, um belo apoio de Webb e um passe de mestre de Halfepnny, para que o “louco” George North entrasse em modo tanque na área de ensaio.

Depois as duas formações foram “beliscando-se” mutuamente, com tentativas de quebras de linha que eram paradas com placagens muito físicas ou em que as estratégias de jogo esbarravam na “fome” de defender de ambos.

Até ao final dos 1ºs 40′ houve só mais uma penalidade para cada colocando o resultado em 08-06… o que significou jogo em aberto para a 2ª parte.

A Irlanda tentou de todas as formas chegar ao ensaio e até conseguiu-o por uma vez, contudo uma acção ilegal de Henshaw (obstrucção no maul) levou a Wayne Barnes a optar pela anulação de ensaio e a dar um folêgo especial ao País de Gales.

Os galeses no entretanto já tinham somado outro ensaio, por North mais uma vez, a seguir a um bom maul dinâmico e a um passe rápido de Webb para o ponta.

A Irlanda sentiu dificuldades em ultrapassar a terceira-linha galesa, onde Moriarty, Tipuric e Warburton castigaram os irlandeses não só com boas placagens, também com turnovers (de excelência o trabalho e comunicação entre o placador e o apoio defensivo que trabalham imediatamente sob o corpo do adversário) mas com paragens estratégicas no “ar” que lhes garantiam uma formação ordenada.

Para além disso, a pressão em “boca de lobo” permitia sempre tirar a velocidade de Zebo do jogo ou a capacidade de criar do par de centros do Trevo.

Havia o risco de Conor Murray entrar pela defesa a dentro, só que era um dia “sim” em termos de garantias defensivas dos XV que estavam dentro de campo.

Merecida a vitória galesa, que deu tempo para marcar o ensaio final por Jamie Roberts, após uma boa carga de Faletau ao pontapé de Sexton, o que permitiu ao centro captar a bola e entre quase-tropeções e agarrões lá conseguiu chegar à área de validação.

Esgotante, físico e táctico, com uma dinâmica de pulsar o jogo que era, no mínimo, desconcertante. Um obrigado à entrega dos galeses e irlandeses, que ainda estão na luta pelo 2º lugar da competição.

O DUELO: O EMBATE DOS P’S… PARISSE VERSUS PICAMOLES

Franceses viajaram até Roma para defrontar os cínicos legionários de O’Shea que na há duas semanas tinham feito aquela “maldade” táctica à Inglaterra… daria para fazer aos Bleus?

De forma rápida, podemos dizer que não. A táctica aplicada pelo irlandês nos “seus” italianos só funciona a espaços e a própria França deve ter estudado bem essa possibilidade.

Por isso, havia que enfrentar os gauleses olhos nos olhos, aplicando um rugby muito duro, estratégico (jogo fechado e que obrigou os visitantes a defender por largos minutos) que procurava “amarrar” o maior brilhantismo francês.

Mas o que nos interessa não são movimentações, jogadas, placagens, formas tácticas ou estratégias, pois houve algo acima disso… o duelo entre duas lendas: Sergio Parisse, o carismático e “irritante” capitão italiano, e Louis Picamoles, o frio e decisivo vice-capitão francês.

Parisse é um autêntico bravo italiano, é um lutador por natureza, um líder autoritário por escolha dos seus pares e que “ama” os jogos contra a França, sente-os como ninguém.

Picamoles tem no seu jogo físico e clássico de nº8 tudo aquilo que muitos defesas temem: resiliência e insistência. É um jogador que emana uma confiança que “embriaga” os seus colegas de equipa.

Por isso, duas lendas das duas nações encontravam-se em cada formação ordenada, em cada alinhamento, em vários rucks e várias jogadas em campo aberto.

Parisse começou melhor com um ensaio aos 3 minutos de jogo que levantou as bancadas do Estádio Olímpico de Roma e que até aos 19′ deu uma ténue vantagem aos transalpinos.

Parisse estava a comandar bem a sua Itália, “amordaçando” a portentosa formação ordenada francesa que estava desejosa de crivar o seu domínio.

Porém, a chegada dos ensaios franceses acabou com o “sonho” de Parisse que até tem responsabilidades (partilhadas) no 1º ensaio francês, ao deixar Fickou escapar quando o podia ter agarrado.

Picamoles não falhou na hora de placar, parando por duas vezes Gori e Canna quando o 9 e 10 tentaram escapar por entre jogadores franceses, parando-os no lugar e impondo o seu aspecto físico e técnico.

Picamoles terminou o encontro com 14 placagens (partilhou o MVP de jogo com Camille Lopez) e dois turnovers, tendo ainda conseguido fazer com que a França “pilhasse e roubasse” três alinhamentos e duas formações ordenadas dos da casa.

Parisse, por sua vez, não podia ficar atrás de Picamoles e no final do jogo, a sua acção no ruck que vai dar o segundo ensaio italiano, foi fundamental.

Não tivesse se apercebido das “mãos” de Picamoles (como vêem até parece propositado)  e a Itália tinha perdido a bola num turnover. Parisse foi a dois rucks de forma consecutiva e que acabaram por dar mais uns pontos à causa italiana.

Um duelo de lendas, jogadores que se farão mitos sobre como jogaram no passado que tivemos o prazer de ver.

Ensaio de Parisse entre os 00:12-18 / Ensaio de Picamoles entre 1:45-1:50

O TREINADOR: EDDIE JONES TAKES YOU TO HIS NEW ERA

18 vitórias de forma consecutiva, o mesmo recorde que os All Blacks têm na mão e que a Inglaterra agora partilha também. Eddie Jones subiu em 2016 ao trono inglês e agora assume o World Rugby Throne… é o seu ano, mais uma vez.

Quando várias “vozes” diziam que a Inglaterra tinha falhas em termos de execução táctica nos pós-rucks, quando vários criticavam a escolha de Jones em manter Hartley não só como capitão mas também no XV ou quando diziam que Eddie Jones era um homem “sozinho” numa Ilha, agora também vão ter que ajudar a calcetar o caminho por onde ele vai andar.

É um exagero total da nossa parte, mas é um exagero que merece existir. Eddie Jones sobreviveu a tudo o que a França (jogo muito “puxado” fisicamente), País de Gales (dominados em certos momentos pelos Dragões), Itália (ainda hoje os risos de O’Shea se fazem ecoar em Twickenham) e, agora, Escócia apresentaram para lhe roubar as Seis Nações.

Todavia, o seleccionador inglês para além de ficar a rir, ainda confirmou a Calcutta Cup com uma exibição espectacular que meteu os escoceses sem argumentos para contestar uma derrota por 61-21.

Quando se dizia que a Inglaterra ia passar um mau bocado contra a selecção liderada por Vern Cotter, bem Eddie Jones fez questão de nos dar mais uma exibição de gala que marca a 18ª vitória consecutiva da Inglaterra… nunca antes a selecção de sua Majestade pôde estar tão orgulhosa dos seus homens (bem talvez no Mundial de 2003).

Os avançados foram “assustadoramente” eficazes, com Nathan Hughes a realizar um jogo monstruoso, ou o facto de Hartley ter sido um líder com L grande, ou ainda o caso de Launchbury ter acabado o jogo com 22 placagens (outra exibição divinal do 2ª linha) o que prova o efeito Jones (e da sua equipa técnica) nesta Inglaterra.

Contra a Escócia foi um “festim” de jogo, uma incrível exibição perante um pálido adversário, que se vê/viu barafustado por lesões de algumas peças nucleares.

Mas não teve a Inglaterra também vários lesionados nos primeiros jogos? E não os ultrapassou, conquistando vitórias contra Gales e França?

Robshaw não participou nesta competição, Haskell, Watson, ambos os Vunipola, Courtney Lawes, Tom Wood só jogaram a partir do 2º/3º jogo o que prova que quando se tem 45 jogadores (era este o tamanho do grupo de trabalho inicial da Inglaterra) à altura tudo é possível…e estão à altura porque Eddie Jones assim ajudou-os a elevar a sua capacidade técnica, táctica e mental, pondo-os no topo do Mundo.

Acima de tudo é algo enervante ver os vários fãs, adeptos, comentadores e outros a festejarem a táctica da Itália, mas ninguém foi capaz de dizer uma palavra de apreço à forma como Jones conseguiu contornar o problema na 2ª parte, o que prova que Eddie Jones mantém-se igual: “irritante”, sem grandes apaixonados e um treinador à parte.

Agora resta a Irlanda, que espera pacientemente em Dublin para voltar a parar uma selecção com um recorde… nos Internacionais de Inverno pararam a Nova Zelândia em Chicago, conseguirão evitar que a Inglaterra se afirme como a selecção que irá deter o recorde mundial de vitórias consecutivas (no Tier1)?

O novo Imperador da Inglaterra (Foto: RFU)

 


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