Janela Internacional de Verão: 3 pré-destaques dos Tours

Francisco IsaacJunho 29, 20226min0

Janela Internacional de Verão: 3 pré-destaques dos Tours

Francisco IsaacJunho 29, 20226min0
Os Tours internacionais de Verão estão prestes a começar, e lançamos três pontos de contenção que deves estar a par antes do arranaque oficial

Julho é o mês dos tours de Verão de rugby, com as várias selecções do Hemisfério Norte a “emigrarem” para o Sul e a medirem forças com as suas homónimas para lá da linha do Equador. Entre Irlanda visitar os All Blacks, Inglaterra a Austrália, e País de Gales a África do Sul – entre outras, onde se inclui Portugal jogar frente à Argentina “A” em casa e a enfrentar a Geórgia em Tbilissi – escolhemos três destaques que deves ficar a par.

A CERTEZA: A PROVA DE FOGO DOS WALLABIES DE RENNIE

Austrália e Inglaterra voltam a encontrar-se e será, certamente, um dos melhores tours a acompanhar neste Julho, com perspectivas “quentes” de que teremos a rivalidade entre nações irmãs a roçar os níveis máximos, tanto pela necessidade dos Wallabies em continuarem o seu desenvolvimento e crescimento, como pela importância da Rosa de Eddie Jones voltar a inspirar algo de diferente depois de umas Seis Nações longe do pretendido. No meio deste embate emotivo e extremamente familiar, é Dave Rennie que precisa de confirmar as suas certezas de que tem em mãos o início daquilo que poderá ser uma geração vitoriosa para a Austrália, seja pela excelência da juventude (Jordan Petaia, Harry Wilson, Darcy Swain, Tate McDermott, Hunter Paisami ou Tom Wright) ou pelo o último “grito” de força dos mais experientes, com Quade Cooper, Nic White e Michael Hooper prontos para dar uns últimos anos de alta categoria.

Apesar da Inglaterra não atravessar um período claro em termos de qualidade de jogo, especialmente no querer chegar à linha de ensaio (revelaram profundas deficiências nas Seis Nações, muito devido a forçarem a equipa a jogar de uma forma quando não têm as peças para tal tipo de jogo), a verdade é que Eddie Jones vai apresentar um elenco titânico nas antípodas, com destaque para o regresso dos Vunipola (Billy Vunipola deverá ser o nº8, uma vez que Alex Dombrandt e Sam Simmonds estão de fora por lesão), com Marcus Smith a ser o claro destaque em termos de poder criar situações mais inesperadas e entusiasmantes, sendo este o momento perfeito para a Inglaterra estabelecer uma estratégia coerente.

Ou seja, isto significa que a Inglaterra será uma das melhores provas de fogo para Dave Rennie e os seus Wallabies, precisando estes de resgatar aqui uma vitória nas Series (como sempre, serão três jogos) de modo a catapultar no seu caminho de afirmação no ano pré-Campeonato do Mundo. Conseguirá a Austrália finalmente mostrar que consegue voltar à aquele tipo de jogo que parece uma fusão de 7’s com XV? Ou a Inglaterra vai retirar forças desta tour de Verão?

A DÚVIDA: IAN FOSTER SOBREVIVERÁ A UM JULHO INFERNAL?

Na última semana de preparação para a o primeiro de três jogos frente à Irlanda, Ian Foster e 90% da equipa técnica dos All Blacks foram forçados a isolarem-se devido a terem contraído Covid-19, não sendo o melhor augurio para os 3ºs classificados do ranking mundial (um lugar que não estavam desde 2002), o que forçou a chamada de Joe Schmidt para assumir a posição de seleccionador-interino durante os próximos dias. Depois do desastre que foi o tour ao Hemisfério Norte de Novembro passado, onde se incluiu uma derrota frente à Irlanda e um desaire catastrófico ante a França, a Nova Zelândia precisa de voltar a ganhar força e recuperar parte do seu elam, sob pena de chegarem em mau estado não só ao próximo The Rugby Championship como o Mundial de 2023, estando Ian Foster forçado a apresentar resultados já em Julho.

O antigo assistente de Steve Hansen nunca foi capaz de conquistar a confiança da maior parte dos adeptos dos All Blacks, muito por conta do rugby errático que se assistiu em diversos encontros – como aconteceu frente aos Springboks no último embate entre os dois, passando de uma 1ª parte de qualidade para uns segundos 40 minutos inexplicáveis -, onde os processos de jogo não são claros, em especial na saída ao pé ou na recepção dos pontapés do adversário, existindo ainda outros erros crassos e problemáticos para uma das principais selecções do Mundo.

Uma derrota em casa frente à Irlanda (algo que nunca aconteceu na história entre ambos) e Ian Foster pode estar com caminho aberto para a sua saída… perder este tour de Verão poderá valer mesmo a rescisão de contrato no final deste ano, muito por conta de existirem vários jogadores pouco entusiasmados com o trabalho do seleccionador.

O MOMENTO: AS NOVAS COQUELUCHES DOS SPRINGBOKS

África do Sul e País de Gales, um embate que poderá parecer completamente a favor dos campeões do Mundo em título, e, que em boa verdade, poderá terminar dessa forma, pois tanto pela capacidade de jogo dos Springboks como pelo elenco de melhor qualidade, com destaque para uma série de novidades na convocatória. Quem? À cabeça o duo da 3ª linha Elrigh Louw e Evan Roos, duas das principais “pérolas” do momento, e que protagonizaram uma temporada de excelência ao serviço das franquias sul-africanas, estando os dois cogitados para serem o futuro dos boks como asa-aberto e nº8, respectivamente.

Para além destes dois, a equipa técnica da formação da casa ainda chamou pela 1ª vez Ntuthunko Mchunu, Salmaan Moerat, Ruan Nortjé, Grant Williams, Kurt-Lee Arendse, com Deon Fourie a ser o único veterano como estreante numa lista de impressionante e que deverá servir de sério aviso para todos os adversários desta África do Sul, a começar pelo País de Gales de Wayne Pivac. Esta janela internacional de Verão é o momento ideal para avançar com novidades e estreias, a começar por Evan Roos, que está vaticinado para ser uma das novas principais peças-chave dos Springboks, e será interessante perceber se terá reais hipóteses de agarrar o lugar já no imediato.

Conseguirá a África do Sul derrotar o País de Gales nesta tour de Verão e ganhar balanço para tentar recuperar o The Rugby Championship?


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